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Os profissionais da base da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) saíram de uma jornada vitoriosa realizada em Campo Grande/MS, nos dias 5, 6 e 7 de outubro: o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), promovido pela entidade. O evento colocou em pauta questões essenciais ao desenvolvimento nacional, os rumos da nossa economia e a necessidade de superar a crise e evitar o agravamento da recessão. Discutiu ainda temas inescapáveis relativos à infraestrutura nacional, como água, energia e mobilidade urbana. E colocou na agenda o debate sobre a valorização da engenharia nacional e de seus profissionais. 


Foto: Marcelo Kanasiro
Murilo no conse corta o watanabe editada 
Engenheiros estão comprometidos com o desenvolvimento e a justiça social
 

Ao longo dessas discussões que culminaram com a assembleia que reuniu delegados de todos os 18 sindicatos filiados, além da eleição da diretoria para a gestão 2016-2019, a FNE traçou um rumo de renovação de seu compromisso com a luta sindical dos engenheiros brasileiros. Têm destaque aqui as justas reivindicações pelo cumprimento da lei do salário mínimo profissional, assim como sua extensão ao setor público, e a implantação de uma carreira de Estado para a categoria nos municípios, nos estados, no Distrito Federal e na União. Importante também a necessidade de estar alerta à garantia de reconhecimento dos profissionais por meio do correto registro pelas empresas e órgãos públicos no cargo de engenheiro.

Ganhou ênfase a disposição da entidade em seguir contribuindo para um projeto de desenvolvimento sustentável. Portanto, continua vivo e atual o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 e transformado em instrumento de mobilização pela expansão econômica.

Além de reiterar suas bandeiras de luta, os dirigentes reunidos por ocasião do IX Conse deram um passo adiante em sua atuação em defesa da categoria e por um Brasil melhor: a afirmação de que é hora da engenharia unida. Conforme proclamado na “Carta de Campo Grande”, amplamente discutida pela assembleia, é tempo de os engenheiros e demais profissionais da área tecnológica assumirem a tarefa de, por meio dos sindicatos, associações representativas, conselhos profissionais, universidades e empresas, oferecerem saídas às dificuldades enfrentadas pelo País. 

Essa iniciativa obviamente precisará do engajamento das demais entidades da engenharia e estamos certos de que essa aliança valiosa será construída de forma a conseguirmos dar o salto de qualidade que há tanto ansiamos para o Brasil. Pois, ainda conforme a “Carta de Campo Grande”, esse é o esforço coletivo que precisamos empreender para construir um país à altura das necessidades da nossa população. É o momento de nos fixarmos na nossa bandeira de luta pela superação das insuficiências e mazelas que historicamente nos afligem e, contando com esse conjunto fabuloso de forças, contribuir para que sejam tomadas as medidas corretas.

Sabemos que o momento é de dificuldades e incertezas. Mas temos a clareza do caminho a seguir e a convicção de que é possível trilhá-lo. Com confiança e coragem renovadas, seguimos na luta.

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente


* Leia aqui a Carta de Campo Grande


Imprensa SEESP
Editorial publicado, originalmente, no Jornal do Engenheiro, Edição 484, de 16 a 31 de outubro de 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os engenheiros, representados pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), através dos seus 18 sindicatos filiados, reunidos por ocasião do IX Congresso Nacional dos Engenheiros (CONSE), realizado de 5 a 7 de outubro de 2015, em Campo Grande/MS,  vêm declarar seu compromisso inequívoco com as bandeiras de luta que consideram essenciais: a defesa da engenharia brasileira e de seus profissionais, o desenvolvimento nacional sustentável, a valorização do trabalho e o fortalecimento do movimento sindical em seu conjunto.

Sob uma crise política grave e uma recessão econômica que confundem os caminhos a serem trilhados, as lideranças dos engenheiros convocam a categoria, a engenharia, as entidades e o pensamento democrático brasileiro a debater como superar essas dificuldades agudas e regressivas.

Ressaltamos três pilares de uma agenda que nos une e que abre espaço para nosso processo civilizatório: a democracia, o desenvolvimento e a participação. O Brasil tem compromisso com a grandeza, e a criatividade de seu povo é o instrumento para a realização desse destino.

O primeiro pilar reafirma o aprofundamento e o enraizamento da democracia política, econômica e social como único caminho que levará o País a alcançar novos patamares de avanços em todas as áreas, reforçando a soberania cidadã.

O segundo pilar reitera seu compromisso de ação com as bandeiras de luta que consideramos fundamentais, expressas pelo projeto mobilizador da FNE “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” desde 2006:

* a defesa da engenharia, ciência, tecnologia e inovação brasileiras e de seus profissionais

* o desenvolvimento nacional, tendo como eixo estruturante a luta contra as desigualdades sociais e regionais, a ser alcançado num projeto que contemple a expansão do emprego, salário, investimentos públicos e privados, infraestrutura econômica, social e urbana, mercado interno, sustentabilidade econômica, ambiental e cultural, distribuição de renda, inclusão, justiça social e soberania

* fortalecimento das empresas estatais com ênfase à não privatização da Petrobras, das distribuidoras da Eletrobras e ligadas aos governos estaduais, das geradoras de energia, do saneamento, das metroferroviárias, dos portos e das demais companhias de infraestrutura.

* a valorização do trabalho; o cumprimento do salário mínimo profissional; a luta pela produtividade e pela educação continuada; e o fortalecimento do movimento sindical em seu conjunto.

O terceiro pilar sinaliza para a participação crescente e unitária da categoria dos engenheiros e demais profissionais da área tecnológica, por meio dos sindicatos, associações representativas, conselhos profissionais, universidades e empresas, dentro do que denominamos de Engenharia Unida. A partir dessa organização coesa, alcançaremos os meios e as formas para a ampliação das conquistas pela construção do país que queremos.

Essa agenda, à qual os participantes do IX CONSE engajam-se de forma convicta, faz-se ainda mais urgente no momento em que o País enfrenta dificuldades de monta na economia, com uma recessão que reduz a produção e ceifa milhares de empregos, agravada pela submissão às exigências do mercado financeiro e do rentismo.

Cabe ressaltar ser fundamental a apuração de atos de corrupção e a punição dos responsáveis. No entanto, não se pode paralisar o Brasil por conta dessa dinâmica.

Crimes e desvios são cometidos e devem ser punidos. É imperativo que as empresas e seu patrimônio humano e tecnológico sejam preservados.

Os engenheiros têm consciência de que a defesa da categoria é essencial ao impulso do desenvolvimento do País e ao bem-estar da população e enfatizam a necessidade de preservação dos recursos hídricos e da geração de energia limpa.

Portanto, é necessário remuneração justa, condição de trabalho adequada e acesso à educação continuada. O cumprimento da Lei  4.950-A/66, que estabelece o Salário Mínimo Profissional, assim como sua extensão ao setor público, e  a implantação da carreira de Estado para os engenheiros nos Municípios, Estados, Distrito Federal e na União são metas imprescindíveis. Também o é o reconhecimento profissional, com garantia do registro com cargo de engenheiro. Essas questões representam a base de uma política de valorização profissional, de modernização do sistema produtivo e do Estado brasileiro a caminho da melhoria e da ampliação dos serviços sociais públicos.

O IX CONSE debateu que este é o projeto das gerações que estão construindo um País à altura das necessidades da população. Ao realizar mais um congresso vitorioso, que fortalece sua luta sindical e profissional, os engenheiros se qualificam como protagonistas ao debate sobre o futuro do País. Assim, os engenheiros declaram a renovação de seu compromisso com o Brasil.

Campo Grande, 7 de outubro de 2015.

 

 

Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

 

O IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse) recebeu cobertura do Jornal TVE, de Mato Grosso do Sul, na solenidade de abertura, no dia 5 de outubro, na Câmara Municipal de Campo Grande. Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente reeleito da FNE, para o triênio 2016-2019, falou sobre o objetivo do evento: discutir a valorização profissional da categoria ligada diretamente à apresentação de propostas factíveis para o desenvolvimento sustentável nacional. Na mesma matéria, o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, destacou que durante os três dias de congresso os profissionais avançariam em discussões importantes para o País.


 

 


Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP










Na manhã do segundo dia do nono Congresso Nacional dos Engenheiros (IX Conse), nesta terça-feira (6/10), em Campo Grande (MS), os trabalhos foram iniciados com o painel “Água e energia”, sob a coordenação de Carlos Monte, consultor técnico do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, e com as palestras do vice-presidente da Sociedade Brasileira dos Engenheiros Florestais (Sbef), Geraldo José dos Santos, do secretário adjunto de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso do Sul, Ricardo José Senna, do professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Luís Sauer, e do secretário de Planejamento e Desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho.

Santos ressaltou a importância suprema dos recursos hídricos por estarem diretamente vinculados à vida das pessoas, por isso, e levando-se em conta o tamanho do País – “temos vários Brasis, e não apenas um” – a gestão de água deve ser por área ou região. “A gestão de recursos hídricos deve ser descentralizada, e contar com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades.” Entre as diretrizes desse trabalho está assegurar água de boa qualidade a todas as gerações, observou.

Ele criticou os governos que contingenciam a arrecadação feita em cima da gestão dos recursos hídricos. “Esse dinheiro não pertence aos governos”, critica. Para Santos, o funcionamento do sistema está de mal a muito mal, os governos não dividem o poder, os recursos governamentais ou são inexistentes ou são paupérrimos e a observância das leis está em total atropelo.

Para Santos, colocar a culpa em São Pedro pela crise da água, por exemplo, é ser muito atrevido ou irresponsável. “Não foi para isso que estudamos. Ao contrário, aprendemos a brigar pelas soluções e não passar a terceiros o que é nossa responsabilidade.” A não mudança na condução da gestão atual dos recursos hídricos resulta, segundo Santos, significará, cada vez mais, em crises qualitativa e quantitativa e em criar um clima de instabilidade na sociedade. “Ou mudamos a gestão ou não vamos gostar de ter gerado os nossos filhos", lamentou.

Senna acredita que os problemas na área de água e energia não serão resolvidos, assim como tantos outros, sem a definição de um modelo de desenvolvimento. “Continuaremos patinando nessa questão se não tivermos clareza de como queremos crescer.” Isso significa, exemplificou, o País superar o processo de desindustrialização por que passa e, ao invés de ser apenas produtor de commodities, ser produtor de alimentos ou mesmo caminhar para a indústria de serviços. Ele citou o exemplo dos países asiáticos que investiram fortemente em ciência e tecnologia e, por isso, alcançaram níveis importantes de desenvolvimento e crescimento econômico. “O Brasil, no entanto, continua dependente totalmente do agronegócio.” E prosseguiu: “Por não termos um modelo de desenvolvimento sobra para o setor agrícola resolver os problemas críticos e estruturais da balança comercial do País.”

Geopolítica da energia
Sauer iniciou sua palestra sobre a geopolítica da energia e o pré-sal, apresentando a seguinte questão ao público do Conse: “O que está em debate e em jogo quando se fala em pré-sal?” E completou: “Falta, por parte da sociedade brasileira, termos a exata compreensão sobre esse assunto.” Na sua exposição, o professor mostrou como a apropriação da energia teve um papel essencial em revoluções econômicas e sociais da humanidade. Entre essas, a agrícola, no período neolítico, com a utilização da energia acumulada do sol; a industrial, por volta de 1750, com o uso inicial do carvão, em seguida do petróleo e derivados e a eletricidade, quando se dá a consolidação do modo de produção capitalista.

Por isso, defende, deve-se entender a questão central da posição do petróleo ao lado de outras fontes de energia e de como o combustível fóssil organizou empresas multinacionais, definiu governos, promoveu a criação de organismos de exportadores de petróleo (Opep) para a geração da guerra estratégica sobre o preço do petróleo. Para ele, a Petrobras não deve se submeter à “ditadura da lógica financeira internacional, mas deve focar na capacidade de descobrir petróleo e compreender as tecnologias”. Ele citou, como quadro geral da organização dessa geopolítica, a criação, em 1960, da Opec para garantir renda aos produtores, com o controle de reservas de petróleo da seguinte forma: 85% estavam nas mãos das chamadas international oil companies (IOCs), as sete irmãs; 14% com a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), hoje Rússia; e apenas 1% nas maiores empresas estatais de petróleo e gás do mundo - as chamadas national oil companies (NOCs). Mas, em 2010, tal quadro é revertido consideravelmente: 6% com as IOCs, 6% Rússia e 88% com as NOCs.

Por isso, o professor defende total controle brasileiro em cimas das reservas pré-sal, observando que o melhor modelo de exploração do combustível da camada pré-sal é o de serviços - e não o de partilha -, que garante ao governo federal a prerrogativa de contratar diretamente a Petrobras para produzir petróleo. “Isso nos daria o direito de definirmos o quanto de petróleo queremos produzir para o mercado interno e para a exportação.” E prossegue: “O pré-sal pode ser uma grande fonte de recursos para mudar o País a favor da sociedade brasileira.”

Sauer relaciona algumas ações importantes para o Brasil na área de energia, como a quantificação das reservas do pré-sal, a coordenação da produção com demais exportadores (Opep), Rússia, Canadá e México); construção de um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social tendo o horizonte de quatro décadas; transição energética para fontes renováveis; planejamento do ritmo de produção – petróleo, gás natural, usinas hidrelétricas e eólicas públicas, recursos minerais, principalmente ferro, alumínio; geração de excedente econômico para ajudar no financiamento do projeto de desenvolvimento; garantia de valor e preços dos bens produzidos e exportados, em coordenação com países produtores; planejamento e implementação de infraestrutura produtiva; mecanismos institucionais e empresariais nas esferas de governo - planejar, promover a implementação e operação das atividades no campo da energia, minérios e recursos naturais e, finalmente, debate do papel e estrutura e operação do sistema Eletrobrás e empresas estaduais de energia.

Não se vive sem energia
Para Ventura, fontes renováveis competitivas, e com tecnologias brasileiras próprias devem ser prioridade. Até 2023 o secretário do MME calcula que a energia de hidroelétricas represente 45% da geração de energia limpa nacional, seguido pela energia eólica (26%), biomassa (9%) e solar (5%). Outros restantes 15% serão predominantemente de gás natural (14%) além de nuclear e carvão. O consumo de petróleo deve cair 2%. "Para o decênio 2013/2023 o cálculo total de investimentos necessários é da ordem de R$ 1,2 trilhão, do qual 301 bilhões são calculados para o setor de energia elétrica."

O representante ministerial observa que não dá estruturar o setor energético nacional sem olhar de forma global, porque o maior comércio que se tem é o de energia. “E ele provoca conflitos e guerras porque a sociedade não vive sem energia.” Segundo Ventura, o Brasil tem adotado políticas do setor corretas desde a década de 1970, com a criação de grandes e médias usinas hidroelétricas, com a Eletrobrás, com a prospecção de petróleo no mar com a Petrobras, com o pró-álcool e com o acordo nuclear com a Alemanha, que construiu oito usinas nucleares de 1.245 MW até 1990.

No entanto, ele diz que o mundo ainda não está conseguindo fazer a “lição de casa” de sair da dependência do combustível fóssil. O Brasil, no futuro imediato dos próximos dez anos, prevê dobrar o seu sistema energético dos atuais 133,9 GW para 210,0 GW, em 2024, que demandará investimentos na ordem de 1.407 bilhões de reais.


Confira aqui a programação do evento.



 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP









Engenheiros de todo o Brasil estão reunidos, desde a manhã desta segunda-feira (5/10) até dia 7 próximo, na nona edição do Congresso Nacional dos Engenheiros (IX Conse), em Campo Grande, capital sul-mato-grossense, para a discussão do tema “Valorização profissional e desenvolvimento”. Prestigiram a solenidade de abertura do evento, na Câmara Municipal local, o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, o presidente da Casa, Flávio César Mendes de Oliveira, o secretário de Governo do município, Paulo Pedra, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região de São Paulo, Ivani Contini Bramante, o procurador chefe do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Hiram Sebastião Meneghelli Filho, e os presidentes do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva, do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS), Dirson Artur Freitag, e da Mútua Nacional, Paulo Guimarães.


Foto: Kleyton Amaral
Conse 1 
Solenidade de abertura do IX Conse, em Campo Grande (MS), no dia 5 de outubro
 

Iniciando a solenidade, o vereador Edson Shimabukuru, presidente do Sindicato dos Engenheiros do estado (Senge-MS), agradeceu à Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), promotora da atividade, ter escolhido Campo Grande para receber encontro tão importante da engenharia brasileira. O parlamentar observou que o País precisa aumentar o número de engenheiros, porque hoje, declarou, são seis profissionais para mil habitantes, enquanto que em países como os Estados Unidos e Japão essa proporção é de 25 para mil habitantes. Também lançou mão de índices de países em desenvolvimento que formam profissionais na área muito mais que o Brasil – 20 mil por ano: Rússia, 120 mil, Índia, 200 mil e China, 300 mil. “Engenharia é sinônimo de desenvolvimento. Não dá para ver uma coletividade sem esses profissionais. O progresso de uma Nação se faz com o trabalho do engenheiro, maximizando a produção para criar mais conforto, riqueza e emprego.”

O governador foi na mesma linha de agradecimento em receber o IX Conse e realçou que hoje o Brasil é um dos maiores produtores de grão e proteína vegetal graças, em grande parte, ao trabalho dos engenheiros. “Em 20 anos triplicamos a nossa produção.” Ao mesmo tempo, Azambuja observou que a engenharia ajudou a tornar as obras mais eficientes, reduzindo custos, e que ajudará, também, a superar a crise atual. Para ele, não será a primeira ou a última crise que o País enfrenta, mas acredita muito no poder de recuperação da economia nacional. “Não tenho dúvidas de que a engenharia vai ajudar a construir caminhos para saírmos dessa crise.”

Já o presidente do Confea, José Tadeu da Silva, reforçou que o Conse se tornou um dos eventos mais importantes da categoria e conclamou que o evento ajude a discutir o desenvolvimento nacional que não se faz sem a engenharia. Ele citou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontam três cenários de crescimento econômico possíveis ao País até o ano de 2020: o primeiro, indica um PIB (Produto Interno Bruto) de 2,5%, o segundo, de 3,5%, e o último, até 4%. Em todos eles, ressaltou, serão criados muitos postos de trabalho para a categoria. “No pior cenário, vamos ter 660 mil postos. No melhor, até um milhão de empregos para a nossa área.” Acrescentou, ainda, que mais de 20% dessas vagas estarão concentradas na área de petróleo e gás. Finalizou seu discurso lembrando as três colunas de sustentação da valorização profissional do engenheiro: ética, fiscalização do exercício profissional e qualificação e aperfeiçoamento constantes.

A desembargadora paulista destacou a importância da engenharia para empreender o desenvolvimento sustentável, por isso, acredita que a saída para as crises é a inovação. “É com a engenharia que se dá o estudo de novos conteúdos para dar conta do desenvolvimento sustentável. A ordem do dia é a inovação, e essa vem pelas mãos da engenheira.”

O representante do Executivo municipal disse que Campo Grande tem previsão de receber, em 2016, recursos na ordem de mais de 500 milhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Vamos precisar da presença da engenharia nessas obras.”

Engenharia unida
No discurso de encerramento da solenidade, o presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, conclamou a unidade da engenharia para ajudar o País a voltar a trilhar os caminhos do crescimento com sustentabilidade e justiça social. “Não devemos discutir a recessão, precisamos enxergar as saídas aos problemas.” Nesse sentido, Pinheiro acredita que a engenharia tem muito a contribuir e sempre com propostas factíveis. Ele lembrou, ainda, que nos últimos três anos de trabalho, a federação esteve envolvida em várias ações visando a valorização profissional, onde o respeito ao piso salarial da categoria (Lei 4.950-A/66) é o carro-chefe, a implantação da carreira de estado nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) e a inovação e a tecnologia. Sobre esse último item, o líder dos engenheiros falou sobre o pioneirismo de São Paulo, que conta com total apoio da FNE, de criar a primeira faculdade em inovação e tecnologia, o Isitec.

Para Pinheiro, se uma empresa quer crescer e o governo desenvolver, “eles precisam da engenharia”. E conclamou: “É importante que no IX Conse tenhamos a responsabilidade de sairmos com uma carta com propostas para o desenvolvimento. Os brasileiros esperam que o nosso congresso aponte caminhos para o Brasil crescer. E não vamos fugir a essa responsabilidade.”

E finalizou ressaltando a importância da engenharia unida: “Sozinho é muito difícil, mas juntos fazemos a diferença.”

Veja aqui a programação completa do evento.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O programa de televisão do SEESP, o JE na TV, desta semana, traz uma mensagem importante do presidente do sindicato, Murilo Celso de Campos Pinheiro. “Engenharia Unida. Temos a preocupação com o nosso país que passa momento difícil na economia e politica. Mas temos como responsabilidade a união da engenharia”, enfatiza Pinheiro em sua coluna semana No Ponto.

A entrevista com o sociólogo Clemente  Clemente Ganz, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  Já a Reportagem da Semana é sobre o II Seminário e Feira da Inovação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec),  ocorrido no dia 11 de setembro.

O programa vai ao ar às segundas-feiras, às 19h30, para a cidade de São Paulo, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet  no mesmo dia e horário neste link. O JE na TV é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.


Imprensa SEESP



É inegável que o Brasil atravessa uma crise. Alguns comentaristas, com exagero analítico, chegam a apontar uma lista de crises que se entrelaçam. Grande parte deles atribui essa situação ao esgotamento de um modelo, seja econômico, social ou político. Mas a realidade, que é forte, nos faz pensar que, muito menos devido a um esgotamento e muito mais a uma incompletude, o Brasil sofre sua crise.

Por que não crescemos a taxas razoáveis com estabilidade monetária e distribuição de renda? Por que não avançamos mais nas conquistas sociais que configurariam um “estado de bem-estar” persistente? Por que convivemos com uma carência de legitimidade política corroída incessantemente pela corrupção e por ímpetos revanchistas?

As respostas a essas perguntas nos fazem ver que a superação da crise pressupõe avançar ainda mais, enfrentando o rentismo, as desigualdades e os preconceitos, evitando assim o desmanche econômico, social e político.

Várias instituições e entidades de peso têm oferecido à sociedade propostas capazes de criar alternativas de curto, médio e longo prazos. Podemos citar, sem o cuidado da exaustão, desde a nota pública da FNE em defesa da engenharia brasileira e de seus profissionais (de 17 de junho) até os eventos mais recentes como a Agenda Brasil, do Senado Federal, o manifesto Fiesp/Firjan (setor industrial dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro), o chamado sindical paulista ao diálogo, a conclamação da CBIC/Sinduscon (envolvendo a área da construção civil), a manifestação dos metalúrgicos e da Abimaq (empresas de máquinas e equipamentos), o manifesto da Ordem dos Advogados do Brasil e das confederações patronais e o documento das entidades no Clube de Engenharia, do Rio de Janeiro.

Porém, levando-se em conta o peso e o papel da engenharia no contexto econômico e social, está por ser feito um movimento forte (e não apenas um manifesto) que expresse não só as angústias e necessidades desse campo, como também as alternativas que ele oferece a si e à sociedade.

Costuma-se dizer que crise é risco e oportunidade. Agora é a hora dos engenheiros e da engenharia na grande batalha pela produtividade e por um projeto para o Brasil.

Defendo que esse papel no campo da engenharia – ou seja, o papel de propor e de articular o movimento dos engenheiros e da engenharia, sem hegemonismo, mas criadora e unitariamente – cabe à Federação Nacional dos Engenheiros (FNE).

Cabe a ela devido à sua experiência recente e exitosa do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, de cuja continuidade um projeto “Engenharia Unida” deve ser a natural consequência, com o enfrentamento e superação da recessão e da crise.

Afastando-se do risco egoísta corporativo, que nos leva, às vezes, a vestir carapuças que não são para nossas cabeças, e afirmando a vontade dos profissionais, das entidades, das escolas e das empresas, a própria constituição do projeto “Engenharia Unida”, qualquer que seja a forma que ele adquira e quaisquer que sejam as peripécias em sua efetivação, deve oferecer desde já uma alternativa viável e factível à crise nacional e apontar os rumos do desenvolvimento econômico, do avanço social e da normalidade política.

 

* João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical do SEESP

 

 

 

 

 

 

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, e o diretor geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), o economista Saulo Krichanã Rodriguez, proferiram a palestra “Inovação” na 72ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), na manhã desta sexta-feira (18/9), em Fortaleza (CE).


Fotos: Rita Casaro
Murilo Soea 5 editada 
Pinheiro, na 72ª Soea, defendeu a retomada do investimento em infraestrutura
e a valorização dos profissionais da área tecnológica 


Na apresentação inicial, Pinheiro observou que o Brasil vive uma crise econômica séria, agravada pela crise política que dificulta que se encontrem saídas aos problemas. Diante desse quadro preocupante, observou o dirigente, que já se traduz em paralisação de obras e projetos e desemprego, inclusive para os profissionais da área tecnológica reunidos nesta Soea, “a questão que se coloca é: qual o papel que cabe a nós? Que contribuição devemos dar ao País?” E acrescentou: “Parece-nos que um fórum como este é um espaço privilegiado para colocarmos essa questão em debate. E para que a Engenharia Unida trace um norte de ação e mobilização.”

Segundo ele, a FNE está convicta de que a luta fundamental hoje é pela retomada das iniciativas favoráveis ao crescimento econômico e à geração de emprego e renda. “Sem menosprezar o desequilíbrio fiscal, que é real, é preciso perceber que não é possível mergulhar na recessão para garantir ajuste”, defendeu, observando, ainda, "que não se pode minar a já frágil proteção social aos mais pobres. O combate à miséria não é caridade, mas um esforço estratégico de construir uma nação justa e desenvolvida”.

Pinheiro defendeu junto ao público da Soea medidas que permitam ao Brasil avançar, ainda que com maior dificuldade e lentidão. “Não podemos retroceder e perder o protagonismo alcançado no período de 2003 a 2013, quando o emprego formal na engenharia cresceu mais de 87%, conforme estudo feito pelo Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos] a pedido da FNE.”

O presidente da FNE destacou, ainda, o que considera o elemento mais importante: a valorização da mão de obra qualificada que contribui de forma fundamental para que um projeto como esse possa ser colocado em pé. “Ou seja, os engenheiros e o conjunto dos profissionais da área tecnológica. É essencial que tenhamos condições de exercer o nosso ofício, remuneração justa e acesso à educação continuada de forma consistente. Duas lutas centrais da nossa federação, o salário mínimo profissional e a carreira de Estado, dizem respeito a isso.”

* Confira a apresentação do engenheiro Murilo Pinheiro aqui.

Inovação e educação
Na sequência, Krichanã apresenta a palestra “Inovação e educação” a partir da experiência pioneira do Isitec, cujo mantenedor é o SEESP e que iniciou as atividades em fevereiro último com a primeira turma do curso Engenharia de Inovação do Brasil.



Saulo IsitecKrichanã apresenta conceitos de inovação na Soea, na manhã do dia 18 de setembro
 

Durante a palestra, o diretor geral falará sobre conceitos e as dimensões tangível e intangível da inovação e como elas foram incorporadas ao processo de criação do curso de Engenharia de Inovação do Isitec – o primeiro e único curso de graduação na área existente no Brasil. “Preparamos pessoas que, nas mais diversas atividades econômicas – na agricultura, agronegócio, comunicações, engenharia ou na área financeira – sejam capazes de assumir esse comportamento observacional e gerar mudanças. A inovação tem natureza multidisciplinar e é isso o que buscamos: partir da figura do engenheiro especialista para a de engenheiro com uma visão holística dos processos”, explica Krichanã.

* Confira a apresentação do diretor geral do Isitec aqui. 

Soea
Anualmente, engenheiros, agrônomos, meteorologistas, geólogos, geógrafos, técnicos e tecnólogos, dos quatro cantos do país, se reúnem para debater temas diretamente ligados ao desenvolvimento e à infraestrutura brasileira. É a Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia que, em 2015, em sua 72ª edição, tem como tema “Sustentabilidade: água, energia e inovação tecnológica”. Paralelo ao evento acontece, também, o II Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc).



Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP








 

A categoria dos engenheiros e as demais áreas tecnológicas são, por excelência, as profissões do desenvolvimento. A compreensão dessa realidade foi uma das bases do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) com total engajamento do SEESP. Essa nossa iniciativa, que se tornou um valioso instrumento de mobilização pela expansão econômica com distribuição de renda e preservação ambiental, segue viva e vem sendo permanentemente atualizada. Assim como se mantém a convicção de que o Brasil pode avançar e oferecer boas condições de vida a sua população.

Dessa forma, e diante do atual cenário de crise, incertezas e risco de grave recessão, os engenheiros brasileiros e as suas entidades representativas são chamados a defender mais uma vez um projeto de País justo, soberano e desenvolvido. Essa meta, que é a nossa agenda essencial, como profissionais, sindicalistas e cidadãos, não pode ser abandonada. Pelo contrário, deve ser perseguida com ainda maior seriedade e determinação por todos que sonham com um futuro melhor.

Nesse espírito, a diretoria da FNE, reunida em Porto Alegre em 17 de junho último, divulgou uma nota reafirmando seu compromisso em defesa da engenharia e dos seus profissionais. A mensagem sintética aqui reproduzida traduz nosso empenho e perseverança em prol do interesse nacional.

“A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), que conta 18 sindicatos filiados em todo o Brasil, reunida em Porto Alegre/RS, manifesta-se firme e unanimemente em defesa da engenharia brasileira e dos profissionais qualificados que são sua base. A FNE, que há quase uma década desenvolve o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, reconhece hoje a necessidade de garantirmos a retomada do desenvolvimento e o enfrentamento da recessão e, portanto, a necessidade de proteções, garantias e estímulos à ação produtiva dos engenheiros e das empresas de engenharia. Situamo-nos assim contra as privatizações no setor elétrico e de saneamento, a quebra das exigências do conteúdo nacional e as agressões à capacidade de atuação da Petrobras.

Sob pretexto algum, deve-se admitir o desmanche das empresas e a perda de seu protagonismo em outros países e no Brasil. Se, no combate à corrupção – que agride e prejudica a todos – são necessárias apurações rigorosas e punições efetivas, tudo deve ser feito sob a égide da Justiça e com a continuada garantia do exercício legal e legítimo das iniciativas empresariais.

Em defesa dos engenheiros, a FNE tem lutado pelo respeito ao piso salarial da categoria e trabalha com afinco para garantir o reconhecimento como carreira de Estado no setor público.

Os desafios são muitos e graves. A FNE defende, e sua ação o comprova, a unidade de todo o campo da engenharia brasileira, de toda a rede de entidades representativas, associativas e profissionais dos engenheiros e, portanto, dispõe-se a participar ativamente do movimento em defesa do desenvolvimento, da engenharia e dos profissionais.

Porto Alegre, 17 de junho de 2015”

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente do SEESP

 

 

 * Editorial publicado, originalmente, no Jornal do Engenheiro, Edição 477 de 1º a 15 de julho de 2015


 

 

 

 

 

Os médicos, em última instância, cuidam da saúde, advogados cuidam de direitos e os engenheiros cuidam da produção.

Foi com essa preocupação que os engenheiros brasileiros da Federação Nacional dos Engenheiros, presidida por Murilo Pinheiro, aprovaram unanimemente em Porto Alegre, no dia 17 de junho, sua nota pública em defesa da engenharia brasileira e dos seus profissionais.

A nota, curta e incisiva, merece leitura na íntegra e pode ser conhecida no site da Federação, www.fne.org.br.

Como consequência de seu projeto quase decenal “Cresce Brasil +Engenharia + Desenvolvimento”, a FNE, constatando a necessidade de se continuar lutando pelo crescimento com distribuição de renda, ameaçado agora pela recessão, propõe a constituição de um movimento nacional pela Engenharia Unida.

“A FNE defende, e sua ação o comprova, a unidade de todo o campo da engenharia brasileira, de toda a rede de entidades representativas, associativas e profissionais dos engenheiros e, portanto, propõe-se a participar ativamente do movimento em defesa do desenvolvimento, da engenharia e dos profissionais”.

O campo da engenharia pode ser descrito como o conjunto das empresas especializadas ou que se apoiam fortemente nas práticas dos engenheiros, o conjunto das escolas de formação de engenheiros, o conjunto amplo das entidades representativas, associativas ou de fiscalização e, no fim das contas, o conjunto de todos os engenheiros. É esse campo que a FNE, com sua forte representatividade, propõe-se a estimular, organizando o movimento Engenharia Unida.

Há necessidade disso, e a FNE tem disposição para tanto. Tem também a experiência comprovada e a confiança construída ao longo dos anos de atuação unitária, agregadora e sem partidarismos da direção da FNE.


 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical








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