GRCS

Acontece nesta terça-feira (6/5) o seminário "Qualidade de Vida em Macapá", no Auditório da Universidade Estadual do Amapá (Ueap). Desde às 9h, especialistas do setor de transporte coletivo, habitação e coleta seletiva expõem o assunto e discutem soluções para a população local. O evento é promovido pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Amapá e pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE).
 

Fotos: Paula Bortolini
seminario cresce brasil macapa abertura 4 murilo
Abertura do Seminário Qualidade de Vida em Macapá

Durante a abertura, o presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, destacou a importância do planejamento, da reflexão sobre as questões que mais afligem as grandes cidades e a unidade na busca de soluções: "O planejamento é fundamental para o desenvolvimento do país. Esperamos que o Amapá cada vez mais cresça e se desenvolva com mais qualidade de vida. Ficamos felizes em ver que os estudantes estão discutindo os problemas. É preciso refletir e pensa ações conjuntas, com unidade das entidades para propostas factíveis a serem encaminhadas ao governantes, levando-as ao diversos níveis da administração pública, a municipal, a estadual e a federal, principalmente neste ano de eleições".

Também participaram da mesa de abertura Lincolin Silva Américo, presidente do Senge-AP; Laércio Aires dos Santos, presidente do Crea-AP; Edson Kuwahara, representando o Sinduscon-AP; Fernando Ribeiro, vice-reitor da Ueap e Fernando Palmezan Neto, diretor do SEESP e coordenador do Cresce Brasil, que enfatizou a importância de se levar às universidades o debate sobre os temas referentes à qualidade de vida nas cidades.

Laércio Aires falou da importância do projeto Cresce Brasil que "leva a discussão para todas as regiões do país abordando a engenharia para o desenvolvimento." "Isso possibilita que cada estado debata seus problemas e trace diagnósticos e soluções, como agora no Amapá. É um momento ímpar para levar essa discussão aos governantes", disse.

O vice-reitor da Ueap enfatizou a importância da discussão sobre qualidade de vida. Já o presidente do Senge-AP, agradeceu aos presentes e a iniciativa da FNE de levar o debate ao estado mais uma vez.


seminario cresce brasil macapa primeira mesa charlesCharles Chelala durante Mesa sobre Habitação


Às 10h, ocorreu a mesa sobre Habitação, que contou com a exposição do professor de economia Charles Achcar Chelala, mestre em Desenvolvimento Regional. A partir das 15h, ocorreu a Mesa Política de Transporte Coletivo com Cristina Maria Baddini Lucas, presidente da Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac); às 16h, a Mesa sobre Coleta e destino final do lixo domiciliar da área urbana, com Joselito Oliveira Alves, mestre em Regulação da Indústria de Energia.


Imprensa SEESP
Com informações de Paula Bortolini








 

Apontar o legado do mundial de futebol que será entregue ao país e enfrentar as dificuldades com a expertise brasileira. Esses foram alguns dos destaques do seminário “Copa 2014 – Perspectivas para realização do mundial de futebol no Brasil”, que reuniu autoridades e especialistas, como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, na sexta-feira (11/4).


Foto: Beatriz Arruda
Aldo Rebelo Ministro do Esporte está confiante no sucesso da realização da Copa 2014


Aberto ao público, o evento faz parte das ações previstas para a Copa 2014 no projeto “Cresce Brasil”, criado em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Em 2012, a entidade firmou um convênio com a pasta para analisar os projetos, obras e serviços de engenharia para a realização do mundial. “O Cresce Brasil é uma experiência vitoriosa, de apoio ao desenvolvimento do País e da engenharia nacional”, destacou Rebelo.

O ministro também enfatizou que todo o conjunto do megaevento é, antes de tudo, uma grande obra de engenharia, em todas as suas especificidades. “A nossa engenharia social tropicalizou o esporte europeu”, disse, lembrando que o fortalecimento do futebol se deu a partir do apoio das camadas mais pobres da população brasileira.

Já o legado ao país atribuído à Copa, Rebelo elencou alguns deles: geração de cerca de três milhões e 600 mil empregos, segundo consultorias independentes; viadutos, metrôs, VLTs (Veículos Leves sobre trilhos), construção de estádios, reformas em aeroportos. “Temos, portanto, um grande legado. Quando cheguei ao ministério, em dezembro de 2011, entregamos obras já do legado da Copa, em Belo Horizonte, que foram batizadas com o nome do ex-vice presidente José Alencar, com acesso para o estádio do Mineirão e para a Universidade de Minas Gerais.”

Com relação às críticas que a organização do evento vem recebendo na grande mídia hegemônica, Rebelo citou Nelson Rodrigues para definir o “sentimento” demonstrado na imprensa: “Temos esses dois grandes eventos [Copa e Olimpíadas] e uma parte da nossa imprensa projeta uma campanha infame, de deformação, de desinformação, como se esses eventos só fizessem sentido em outros países. Como se para o Brasil fosse um estorvo. Nelson Rodrigues qualificou esse sentimento de complexo de vira-latas.”

Rebatendo a torcida contra o mundial, enfatizou que o país “não vai se atrapalhar com a Copa do Mundo”, lembrando que o “Brasil já fez coisas mais importantes do que a Copa do Mundo” e comportou um grande público. “Três cidades brasileiras no último carnaval, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, receberam mais de seis milhões de turistas. Ou seja, quase o dobro do que vamos receber durante toda a Copa do Mundo”, comparou.

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro, que também preside a CNTU, concordou que o país já fez eventos grandiosos e está preparado para receber o mundial. “Não acho que teremos tudo terminado até a Copa do Mundo. Mas estaremos prontos para recebermos as delegações e os turistas e para fazer a melhor Copa do Mundo”, garantiu.

Rebelo também enfatizou a importância em optar em realizar a competição em 12 cidades-sede com o objetivo de integrar todas as regiões do País. “Interligamos a Amazônia aos centros de pesquisa de todo o mundo, utilizando a engenharia logística, por exemplo”, comentou.

A vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão, lembrou que a escolha por tantas cidades-sede foi “um desafio imenso”. “É uma ousadia o Brasil seguir essa escolha. Em minha opinião uma decisão correta, de quem pensa o país em sua amplitude, na integração de todas as regiões, que têm o mesmo direito de usufruir o desenvolvimento nacional”, reforçou a vice-prefeita, que coordena a organização do evento na capital paulista.

Ela lembrou que todos os esforços para superar as dificuldades naturais de um evento com essa magnitude, enfrentadas pela cidade, é mérito dos trabalhadores brasileiros. “Aqui em São Paulo, se você procurar entre os profissionais envolvidos, não temos uma consultoria externa. Temos enfrentado as dificuldades, os problemas com os nossos técnicos, os nossos recursos humanos, os nossos engenheiros, os nossos arquitetos, os nossos trabalhadores”, disse orgulhosa.

Estádios
O consultor do Cresce Brasil, Artur Araújo, lembrou que o desafio maior do País para realizar a Copa era a construção dos estádios que atendessem ao padrão da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa). E que, segundo ele, o país equacionou essa deficiência que havia. Ele atribuiu o “excelente desempenho” na execução das obras à aprovação do regime regulatório para a contratação de obras e a pressão natural da execução das mesmas por conta da realização da Copa.

No entanto, Araújo avalia que é preciso refletir sobre o porquê as demais ações previstas ainda não foram concluídas. Algumas sequer começaram, como as obras de mobilidade urbana: “Temos que refletir essa situação que é inusitada no Brasil. As obras não foram realizadas por falta de verba nos estados e municípios. É preciso entender se os governos locais não têm demandado ou têm demandado muito lentamente.”

Com relação aos aeroportos, também lembrou que a circulação de brasileiros durante a Copa será reduzida e que, como tem dito a presidente Dilma Rousseff, os terminais de embarque e desembarque aéreo precisam acompanhar o crescimento do número de passageiros. Segundo estudo realizado pela International Air Transport Association (Iata), neste ano, o país será, até 2016, o terceiro maior mercado de transporte de passageiros domésticos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China. Um levantamento do Movimento Operacional da Rede Infraero (de 2012) mostra que houve um crescimento de 25,2%, entre 2010 e 2012, no número de passageiros domésticos.

Outro palestrante, o engenheiro e contabilista Richard Dubois, consultor do Ministério do Esporte, ressaltou a integração de estados, municípios e governo federal na execução de planos operacionais, para garantir o evento, como legado: “O setor público está aprendendo a ter uma celeridade inédita.”



Deborah Moreira
Imprensa - SEESP












 


Foto: Beatriz Arruda
Guilherme SAC Guilherme Ramalho fala sobre a situação dos aeroportos brasileiros em evento da FNE


Os aeroportos nacionais estarão em condições físicas para atender a demanda da Copa 2014, que começa em 12 de junho próximo. A afirmação é do secretário executivo Guilherme Ramalho, da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, que esteve, nesta sexta-feira (11/4), em evento promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), na sede do SEESP, na Capital paulista, quando se discutiu a infraestrutura aeroportuária. Estima-se, segundo o Ministério do Turismo, que o país receba 600 mil turistas estrangeiros e 1,1 milhão de brasileiros viajarão internamente ao longo do torneio. No total, a Copa do Mundo será responsável por 5,9 milhões de viagens, acredita o ministério.

* Confira aqui fotos do evento
* FNECopa2014 

Em sua exposição aos engenheiros e convidados, Ramalho traçou um panorama comparativo entre a estrutura aeroportuária nacional e de outros países, informando que o Brasil tem, hoje, 100 milhões de passageiros e 120 aeroportos, enquanto que os Estados Unidos, por exemplo, contam com mais de 530 aeroportos para atender 1 bilhão de viajantes. Tal realidade mudou há apenas dez anos, porque antes, o modal, avalia Ramalho, era transporte de elite. “Esse paradigma mudou. De 2003 a 2013, tivemos um crescimento fantástico, passando de 33 milhões de passageiros para mais de 110 milhões. Um crescimento médio de 11% ao ano.” E prossegue: “Hoje, o avião é o principal modal de integração do País, que tem dimensões continentais. E a previsão, para 2030, é que esse número dobre ou até triplique.”

A mudança de paradigmas no setor também se deu com a criação da própria SAC e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que passou a fazer a fiscalização e o controle, que antes eram feitos por órgãos militares. Ao mesmo tempo, como destaca o representante da secretaria, veio acompanhado de um incremento nos investimentos, com a inclusão de recursos significativos para a área no primeiro Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no governo Lula, e prosseguiu com novos aportes no PAC 2, já no mandato da presidente Dilma Rousseff.

“Entre 2011 e 2014, foram investidos R$ 5 bilhões nos aeroportos da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), além disso tem as concessões privadas iniciais dos três grandes aeroportos brasileiros”, observa. Ramalho afirma que essas concessões já deram algum fruto em termos de qualidade de serviço, mas vão começar agora os seus primeiros resultados expressivos a partir deste mês. “Na próxima semana, será inaugurada a primeira parte da expansão de infraestrutura do aeroporto de Brasília. No dia 11 de maio, está marcada a inauguração do terminal 3 de Guarulhos (SP). E teremos a inauguração do novo Viracopos – o terminal antigo deixará de ser utilizado – com 40 pontos de embarque e três píers.”

Ramalho observa que a infraestrutura aeroportuária atenderá de forma adequada a demanda da Copa, mas acredita que o desafio maior se dá na consolidação de aeroportos cada vez mais modernos no país. Outro desafio, segundo ele, é com a aviação regional. “O Brasil, como um país continente, depende da aviação. Dos nossos mais de cinco mil municípios, temos apenas 120 que recebem voos regulares. O transporte aéreo é muito concentrado no eixo Norte-Sul, espelho da concentração da atividade econômica e do fluxo de riqueza, mas é, obviamente, também sinal de nossas deficiências de infraestrutura. É por isso que o governo decidiu, em 2012, a retomada e o fomento da aviação regional.”

O presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, destacou que os engenheiros brasileiros estão engajados no desenvolvimento econômico e social que repercuta positivamente em toda a sociedade. Participaram, ainda, da mesa da manhã desta sexta-feira (11), o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, e o consultor do projeto Cresce Brasil, da FNE, Carlos Monte.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa - SEESP









 

Questões que vêm sendo tratadas no projeto da FNE, consideradas fundamentais ao crescimento, agora focarão na reindustrialização e na necessidade de desenvolver uma cadeia produtiva que gere riqueza e oportunidades internamente. Lançado pela FNE em 2006 e objeto de atualização desde então, para 2014, o “Cresce Brasil” visa, assim, contribuir à superação dos desafios para se enfrentar entraves ao desenvolvimento. Sob essa concepção, os temas que deverão compor a atual etapa da iniciativa – que culminará no documento intitulado “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Novos desafios” – foram apresentados à diretoria da federação em reunião no dia 18 de março, na sede do Seesp, em São Paulo. A ser entregue aos candidatos nas eleições deste ano, o documento em elaboração trará propostas nesse sentido.

 

Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Cresce Brasil MAR2014Profissionais da engenharia e consultores da FNE debatem próximos passos do projeto Cresce Brasil 

 

Desenvolvimento das cadeias produtivas no setor aeronáutico foi o tópico apresentado por Eduardo Sanovics, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Segundo ele, em 2002, 30 milhões de pessoas realizaram viagens de avião; já em 2013, foram 100 milhões. Não obstante com isso o País se encontre na terceira posição global em número de voos, atrás apenas dos Estados Unidos (com 625 milhões) e da China (256 milhões), mantém a escala existente nos anos 1990 em termos de estrutura de atendimento. Como lembrou Sanovics, a engenharia é fundamental à superação desse quadro. Nesse processo de incrementar a competitividade em termos globais, conforme sua explanação, um dos desafios é enfrentar o alto preço dos combustíveis, com custos elevados gerados pela dificuldade com a infraestrutura. Entre as soluções tecnológicas para dar conta dessa demanda, está superar gargalos ao uso do bioquerosene – já desenvolvido em âmbito nacional. “Pode representar uma revolução. A aviação representa 2% da emissão de CO2 do planeta. Podemos construir um programa independente, de caráter nacional e que tenha impacto regional.” Ele concluiu: “Trouxemos a rodoviária para o aeroporto, e esse é um dos grandes orgulhos que temos. Agora, temos que promover as adequações para atender a esse estágio.” Consultor do “Cresce Brasil”, Artur Araujo complementou: “O desafio é aprofundar o desenvolvimento das cadeias produtivas e assegurar a reindustrialização. A terceira maior produtora de aeronaves do mundo é a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), e boa parte da manutenção desses equipamentos é feita fora. É preciso inovação.”

Para Marco Aurélio Cabral Pinto, também consultor do projeto, é necessário pensar em ações rumo à industrialização. Ele destacou em especial a importância de garantir o desenvolvimento das pequenas e médias empresas nacionais. “O Brasil atraiu muitos investimentos externos industriais nos últimos anos, mas muitos trazem junto seus fornecedores. Falta apoio público, acesso a financiamento para garantir competitividade às pequenas e médias empresas, ao que é preciso criar mecanismos legais. Se não resolvermos isso, o destino é a desnacionalização ou o fracasso.” Na sua concepção, entes regionais, como as prefeituras, são grandes fontes de financiamento. Cabral Pinto salientou ainda ser mister solucionar a questão cambial. “Não se trata de xenofobia, mas de assegurar oportunidades a companhias brasileiras, com capital nacional e controle de residentes.”

Outras contribuições
Entre os demais temas abordados, saneamento foi apresentado por João Sergio Cordeiro, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Com 200 milhões de habitantes e cerca de 85% de sua população em área urbana, no Brasil, os problemas nessa área vão desde a questão da disponibilidade hídrica à falta de coleta e tratamento de esgoto. “Dos 100% de água que temos, São Paulo conta com apenas 1,6%. O Sistema Cantareira está buscando água há 100km de distância.” Ele indicou ainda a necessidade de um projeto de coleta seletiva para assegurar que os municípios cumpram a Lei nº 12.305/2010, relativa à Política Nacional de Resíduos Sólidos, a partir de agosto próximo. “Os desafios passam pela vertente política, por conhecimento, pela ação das empresas e principalmente pela gestão econômico-financeira e de recursos humanos.” Cordeiro alertou: “Mantendo o nível de investimentos atual, só resolveremos o problema em 2122.” No Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), entre 2014 e 2033, estão previstas inversões federais da ordem de R$ 300 bilhões.

Sobre transporte ferroviário, a diretora Regional Sudeste da FNE, Clarice Soraggi, explicou que o documento deve se debruçar em especial sobre a situação relativa a cargas. Uma das grandes preo­cupações que devem ser evidenciadas no “Cresce Brasil” é quanto à perda de competências em função do desmonte do setor sobretudo nos anos 1990 e a urgência de capacitar mão de obra para expandir e recuperar as ferrovias no País.

Também estão sendo elaboradas propostas ao setor essencial de energia. O coordenador técnico do “Cresce Brasil”, Carlos Monte, disse que a nota técnica a respeito deve incluir integração sul-americana, conservação energética e fontes alternativas, bem como as oportunidades com o pré-sal.

Já Antonio Octaviano, do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), falou sobre inovação e tecnologia. Ele enfatizou que a concepção de contribuir ao incremento da produtividade e, assim, ao desenvolvimento nacional sustentável norteou a criação dessa instituição de ensino. Mantido pelo Seesp, com o apoio da FNE, o Isitec, desse modo, oferecerá em caráter pioneiro o curso de graduação em engenharia de inovação. Também participaram da reunião Eduardo Berkovitz Ferreira, representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Fernando Araújo-Moreira, professor da UFSCar, que falou sobre segurança pública e defesa nacional. (Por Soraya Misleh)

 

 

Fonte: Jornal Engenheiro, da FNE, Edição 143/ABR/2014
Para ler a versão em PDF clique aqui 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Estamos criando empregos e fronteiras tecnológicas para os outros.” A afirmação é feita por Artur Araujo, consultor do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” – lançado pela FNE em 2006 –, para explicar a perda de oportunidades gerada pela falta de uma política industrial brasileira voltada ao setor aéreo. O tema deve estar em pauta na nova etapa de discussões da plataforma apresentada pelos engenheiros ao desenvolvimento sustentável nacional, com inclusão social, a ser lançada em junho.

O Brasil, como observa Araujo, passou, nos últimos dez anos, de um patamar de 35 milhões de passageiros/ano para 105 milhões. “É algo absolutamente inédito em termos de aviação, ou seja, há um potencial que obviamente obriga a uma demanda por aeronaves, por manutenção, por equipamentos”, enfatiza. A despeito disso, e de o País ter a terceira maior fábrica de aviões do mundo – a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) –, está importando de 60% a 90% dos equipamentos para atender o setor. A informação consta de estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) a pesquisadores das universidades estadunidenses Duke e Massachusetts Institute of Technology (MIT), divulgado em reportagem do jornal Valor Econômico, de 13 de fevereiro. Significa que o Brasil está praticamente fora da cadeia global de produção de aeronaves, um mercado que, de acordo com os dados apurados em final de 2012 e março de 2013, movimenta cerca de US$ 130 bilhões. Consequentemente, diz o consultor do “Cresce Brasil”, fica completamente dependente do fornecimento externo e de eventuais oscilações na relação cambial e na balança de pagamentos. Cenário que pode barrar a continuidade da expansão experimentada até agora.

Tratando-se de um setor de ponta tecnológica, que poderia repercutir em valor agregado a sua economia e empregos de qualidade – inclusive para engenheiros –, Araujo considera que deveria se dar atenção a isso. “Nosso problema é que estamos com baixa capacitação tecnológica e não existe uma política definida de incentivos para a criação de uma rede de suprimentos à indústria aeronáutica.” Essa é a realidade enfrentada pela maioria das 150 empresas que compõem o segmento nacional, ainda segundo o estudo encomendado pela CNI.

Araujo dá um exemplo do impacto que uma mudança positiva nessa trajetória poderia trazer. O governo brasileiro anunciou, em 18 de dezembro último, a compra de 36 caças suecos Gripen para compor a frota da Força Aérea Brasileira (FAB). “Não é projeto brasileiro e boa parte da fabricação virá daquele país, mas fez parte do pacote que a montagem e parte da produção de componentes venha para cá. Mesmo sendo um projeto de parceria, essa transferência tecnológica vai impactar em um novo polo de atendimento”, ilustra o consultor do “Cresce Brasil”.

Prioridade
Para Araujo, no desafio de consolidar uma cadeia produtiva nacional, a política industrial pensada deve, num primeiro momento, garantir subsídio e proteção às empresas nascentes. “É necessário uma linha específica de financiamento via instituições financeiras públicas, como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas também um esforço por parte do empresariado de se capacitar. A própria Embraer tem um programa interno nesse sentido. Ela tem interesse em criar uma rede nacional de fornecedores.” Ademais, é mister desenvolver um parque especializado brasileiro de manutenção de equipamentos e aeronaves – hoje feita nos Estados Unidos ou Europa.

Outra fronteira tecnológica que o Brasil está deixando de explorar – e deveria rever – é o segmento de aviação agrícola, aponta Araujo. Num país cuja dimensão continental torna necessário o uso de pequenas aeronaves no agronegócio, seria possível ter “um senhor parque de suprimentos para isso, não só à pulverização e controle de pragas, mas ao espalhamento de sementes”.

Isso teria repercussão imediata, por exemplo, na procura por cursos de engenharia aeronáutica, a cuja formação o País já conta com um centro de excelência em São José dos Campos (SP). A que isso ocorra, contudo, é fundamental dar prioridade ao setor – estratégico, seja por seu papel na defesa e na soberania nacionais, como “por estar sempre ligado à tecnologia de ponta”.

Ele lembra que o Brasil “começou enxergando isso, quando desenvolveu a Embraer, mas depois parou”. Inclusive abriu mão da empresa como patrimônio público, com sua privatização em 1994. Durante algumas décadas, explica, o País tomou a decisão de não ter política industrial, rezando a cartilha da escola econômica neoliberal, que pregava o domínio do mercado e a não intervenção estatal. “Essa barreira intelectual e ideológica é muito difícil de superar. Mesmo com a ascensão ao governo de um grupo de gestores que pensa diferente, ainda não houve, no caso da indústria aérea, prioridade.”

Ao se debruçar agora em apontar esse gargalo, o “Cresce Brasil”, na sua concepção, vai motivar debates acerca da questão e possibilitar avanços nesse sentido. Araujo aponta pelo menos 12 macrotemas que podem balizar a discussão e nortear a proposta: transporte de cargas de alto valor, de alta sensibilidade ou de grande perecibilidade; tecnologias de controle de voos; desenho otimizado de redes logísticas; aviação regional e executiva; cadeia de suprimentos e processos para manutenção de aeronaves; cadeia de insumos para fabricação de equipamentos aeronáuticos, com ênfase em avionics (sistemas eletrônicos à navegação e comunicação); biocombustíveis; indústria de materiais especiais (ligas metálicas, plásticos etc.); indústria bélica e aviação militar; tecnologia para comercialização de passagens e fretes aéreos; produção de estruturas temporárias para picos de demanda; e aviação agrícola. (Por Soraya Misleh)

 

Fonte: Jornal Engenheiro, da FNE, Edição 142/MAR/2014
Para ler a versão completa em PDF clique aqui 

 

 

 

 

 

 

Na noite desta quinta-feira (20/3), o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro, recebeu também o título de Cidadão Teresinense por proposta da vereadora Teresa Britto, da Câmara Municipal de Teresina (PI). Na parte da manhã, Pinheiro já tinha sido agraciado com o título de cidadania piauiense, conferido pela Assembleia Legislativa. Ambos os prêmios tiveram como inspirador principal o trabalho desenvolvido com o Projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento naquele estado, onde foram realizados encontros e seminários que discutiram obras de relevância na área de engenharia. Por isso, Pinheiro estendeu os títulos a todos os profissionais do setor.

* Cresce Brasil faz presidente da FNE receber título de cidadania piauiense

A vereadora Britto, na solenidade de entrega da premiação, observou que, tão importante quanto os eventos que a FNE tem realizado em Teresina, é o destaque que é dado para a questão ambiental e o desenvolvimento sustentável. “Em nossa atuação pelo Partido Verde sempre buscamos reforçar essa preocupação de desenvolver sem prejudicar o meio ambiente, e isso eu faço questão de enaltecer que faz parte das suas prioridades. Nós teresinenses e piauienses agradecemos pela sua preocupação com o desenvolvimento da nossa população e queremos que essa relação se fortaleça ainda mais.”


Foto: Léo Tôrres
Murilo Teresina dentroNa foto, da esquerda para a direita: Antonio Florentino (Senge-PI), Murilo Pinheiro,
vereadora Teresa Britto (PV), engenheiro José Antonio e vereador Ricardo Bandeira (PSDC) 


Pinheiro também lembrou a realização dos vários eventos com temas de saneamento ambiental, mobilidade urbana, energia, recursos hídricos, entre tantos outros. “Discutimos com gestores propostas que fortalecessem a engenharia local e também medidas de desenvolvimento que pudessem beneficiar aos teresinenses e piauienses”, ressaltou. Para ele, os títulos “nos darão mais empenho para trazer novidades da engenharia”.

O presidente da FNE afirmou que o trabalho da engenharia é para garantir “um Piauí cada vez mais justo e presente na sociedade brasileira. “Para mim, é uma emoção muito grande receber esse título e por me tornar conterrâneo de vocês. Nesse título, represento todos os profissionais.”


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa - SEESP








Com a presença de presidentes dos sindicatos de engenheiros e de Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas) de vários estados, Murilo Celso de Campos Pinheiro - presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) – recebeu, na manhã desta quinta-feira (20/3), o título de cidadania piauiense na Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Antonio Uchôa (PROS).


Foto: Léo Tôrres
Titulo Piaui dentroMurilo recebe titulação de cidadão piauiense do presidente da Assembleia Legislativa
do Estado, deputado Themístocles Filho (à direita). Mais fotos da solenidade aqui.


Uchôa saudou a mesa, agradecendo as presenças de Antonio Florentino, do Sindicato dos Engenheiros do Piauí; José Tadeu Santos de Oliveira, José Luis Lins dos Santos, da FNE, e outras autoridades que compareceram à sessão. A seguir, ele destacou que a engenharia tem contribuído para o desenvolvimento do Brasil, mas lamentou os problemas de Teresina, onde o sistema de energia é ultrapassado, "os fios da rede não podem tocar nas árvores durante a chuva".

“Tivemos uma reunião com o ministro das Minas e Energia e ele alegou que a Eletrobrás Piauí tinha sido uma das que mais recebeu recursos. Temos problemas sérios de mobilidade urbana com poucas pontes para cruzar o rio Poti. Precisamos de outras alternativas de transportes, numa capital que conta apenas 17% de rede de esgoto. Precisávamos de um piauiense com esse vasto conhecimento para ajudar a resolver esses problemas”, discursou.

Uchôa leu parte do currículo do homenageado. “Engenheiro eletricista formado em 1978, com especialização em Sistemas de Aterramento, iniciou sua carreira na Cesp (Companhia Energética de São Paulo) em 1980. Após a cisão da empresa, passou a atuar na Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), sendo hoje assessor da Presidência, licenciado para a atividade sindical. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, desde 2001, vem trabalhando pelo seu aprimoramento, bem como expansão do quadro de associados, que já passam dos 50 mil, capacidade de negociação com as empresas e inserção política e institucional da entidade", citou. Prosseguindo: "No comando da FNE, desde 2004, idealizou o projeto “Cresce Brasil”, grande instrumento de mobilização da categoria pelo desenvolvimento nacional sustentável.”

Falaram, em seguida, o presidente do Senge-PI, Antonio Florentino, e o homenageado, que agradeceu a honraria e falou da sua emoção de agora ser conterrâneo de uma gente honrada e trabalhadora e de pertencer a um estado onde se discute os problemas do País.

Presentes à sessão, os presidentes do Crea do Piauí, Paulo Roberto Oliveira; do Rio de Janeiro, Modesto Ferreira dos Santos; da Paraíba, Alberto Maia (representante); presidentes dos sindicatos de engenheiros do Tocantins, Antonio Ciro Bovo; do Mato Grosso, Luiz Benedito de Lima Neto; do Acre, Sebastião Fonseca; de Roraima, Francisco Wolney; do Amazonas, Wisller Botelho Barroso; vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, João Carlos Gonçalves Bibbo; diretor da FNE, José Ailton Pacheco; coordenador do Projeto Cresce Brasil da FNE, Fernando Palmezan; diretora regional Norte da FNE, Maria Odineia Santos; vice-presidente da FNE, Carlos Bastos Abraham.

Teresinense
Também nesta quinta-feira, às 19h, o presidente da FNE recebe o título de Cidadão Teresinense, proposto pela vereadora Teresa Britto, na Câmara Municipal de Teresina. A parlamentar, em sua justificativa ao prêmio, destaca que Pinheiro, por meio da FNE, prestou relevantes serviços que incentivou a sociedade teresinense a se engajar em grandes debates locais e nacionais. “Ele manteve a linha de valorizar o Piauí e Teresina com o grande fórum de engenharia brasileira”, afirmou. Britto fala de outras ações desenvolvidas na cidade a partir da FNE, como a realização, em 2009, do 1º Eco Piauí, “uma discussão ampla sobre saneamento, agricultura, energia renovável e desenvolvimento sustentável”. Em 2012, o seminário “A engenharia e a cidade - Saneamento e mobilidade urbana”, que reuniu mais de 850 pessoas. E, no ano passado, a capital piauiense sediou “o maior evento de saneamento, no país, o seminário “Gestão e saneamento”, que reuniu aproximadamente mais de mil técnicos, gestores e estudantes do saneamento”.


 

Imprensa – SEESP
Com informações de Paulo Pincel e Caio Bruno









O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, estará, nesta quinta-feira (20/3), no Estado do Piauí para receber os títulos de Cidadão Piauiense e Teresinense. O primeiro foi uma honraria apresentada pelo deputado estadual Antonio Uchôa (PROS) e aprovada pela Assembleia Legislativa; o segundo, uma iniciativa da vereadora Teresa Britto (PV), da Câmara Municipal de Teresina.

Uchôa observa que o homenageado destacou-se na engenharia nacional, principalmente pela elaboração do Projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento, que, mais tarde, transformou-se num instrumento de crescimento econômico e inclusão social e teve ações no Piauí. “Ele tornou Teresina um centro de discussão da engenharia sobre infraestrutura.” O parlamentar destaca, ainda, como ponto positivo nas ações de Pinheiro, a criação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

A vereadora, em sua justificativa ao prêmio, destaca que Pinheiro, por meio da FNE, prestou relevantes serviços que incentivou a sociedade teresinense a se engajar em grandes debates locais e nacionais. “Ele manteve a linha de valorizar o Piauí e Teresina com o grande fórum de engenharia brasileira”, afirmou. Britto fala de outras ações desenvolvidas na cidade a partir da FNE, como a realização, em 2009, do 1º Eco Piauí, “uma discussão ampla sobre saneamento, agricultura, energia renovável e desenvolvimento sustentável”. Em 2012, o seminário “A engenharia e a cidade - Saneamento e mobilidade urbana”, que reuniu mais de 850 pessoas. E, no ano passado, a capital piauiense sediou “o maior evento de saneamento, no país, o seminário “Gestão e saneamento”, que reuniu aproximadamente mais de mil técnicos, gestores e estudantes do saneamento”.

Pinheiro ressalta que os dois títulos, na verdade, são o reconhecimento de todo um trabalho realizado, principalmente, a partir de 2006, que teve e tem como foco principal ajudar no debate do desenvolvimento nacional.

A entrega do título de Cidadão Piauiense da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí será às 10h, e a da Câmara Municipal de Teresina, às 19h, nas respectivas sedes das instituições.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP










Temas que deverão compor a próxima etapa do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Novos desafios” foram apresentados à diretoria da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em reunião realizada na terça-feira (18), na sede do SEESP, na Capital paulista. Iniciativa lançada pela federação em 2006 e objeto de atualização desde então, para 2014, o “Cresce Brasil” deve se debruçar sobre os desafios para se enfrentar entraves ao desenvolvimento. Questões que vêm sendo tratadas no projeto consideradas fundamentais ao crescimento agora terão abordagem focada no desenvolvimento industrial (incluindo a agroindústria) e na necessidade de desenvolver uma cadeia produtiva que gere riqueza e oportunidades internamente. A ser entregue aos candidatos nas eleições deste ano, o documento a ser elaborado trará propostas nesse sentido. 

Contribuição para o desenvolvimento das cadeias produtivas no setor aeronáutico foi apresentada por Eduardo Sanovics, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Segundo ele, na última década, o segmento vivenciou um crescimento importante. Em 2002, 30 milhões de pessoas realizaram viagens de avião, já em 2013, foram 100 milhões. Não obstante com isso o País se encontre na terceira posição global em número de voos, atrás apenas dos Estados Unidos (com 625 milhões) e da China (256 milhões), mantém a escala existente nos anos 1990 em termos de estrutura de atendimento. “Isso nos traz desafios a cuja superação a engenharia é fundamental, seja na construção de infraestrutura, no planejamento, nos debates.” Nesse processo de incrementar a competitividade em termos globais, conforme sua explanação, um dos desafios é enfrentar o alto preço dos combustíveis, com custos elevados gerados pela dificuldade com a infraestrutura. Entre as soluções tecnológicas para dar conta dessa demanda, está superar gargalos ao uso do bioquerosene – já desenvolvido em âmbito nacional. “Pode representar uma revolução. A aviação representa 2% da emissão de CO2 do planeta. Podemos construir um programa independente, de caráter nacional e que tenha impacto regional.” Ele concluiu: “Trouxemos a rodoviária para o aeroporto, e esse é um dos grandes orgulhos que temos. Agora, temos que promover as adequações para atender a esse estágio.” Consultor do “Cresce Brasil”, Artur Araujo complementou: “O desafio é aprofundar o desenvolvimento das cadeias produtivas e assegurar a reindustrialização. A terceira maior produtora de aeronaves do mundo é a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), e boa parte da manutenção desses equipamentos é feita fora. É preciso inovação.” 

Para Marco Aurélio Cabral Pinto, também consultor do projeto, é necessário pensar em ações rumo à industrialização, para “transformar a nossa hierarquia internacional”. Ele destacou em especial a importância de garantir o desenvolvimento das pequenas e médias empresas nacionais. “O Brasil atraiu muitos investimentos externos industriais nos últimos anos, mas muitos trazem junto seus fornecedores. Falta apoio público, acesso a financiamento para garantir competitividade às pequenas e médias empresas, ao que é preciso criar mecanismos legais. Se não resolvermos isso, o destino é a desnacionalização ou o fracasso.” Na sua concepção, entes regionais, como as prefeituras, são grandes fontes de financiamento. Cabral Pinto salientou ainda ser mister solucionar a questão cambial. “Não se trata de xenofobia, mas de assegurar oportunidades a companhias brasileiras, com capital nacional e controle de residentes.”

 

Outras questões essenciais

Entre os demais temas abordados, saneamento e transporte ferroviário. O primeiro foi apresentado por João Sergio Cordeiro, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Com 200 milhões de habitantes e cerca de 85% de sua população em área urbana, na área de saneamento, os problemas no Brasil vão desde disponibilidade hídrica a falta de coleta e tratamento de esgoto. “Dos 100% de água que temos, São Paulo conta com apenas 1,6%. O Sistema Cantareira está buscando água há 100km de distância.” Ele indicou ainda a necessidade de um projeto de coleta seletiva para assegurar que os municípios cumprar a Lei 12.305/2010, relativa à Política Nacional de Resíduos Sólidos, a partir de agosto próximo. “Os desafios passam pela vertente política, por conhecimento, pelas empresas e principalmente pela questão de gestão econômico-financeira e de recursos humanos.” Cordeiro alertou: “Mantendo o nível de investimentos atual, só resolveremos o problema em 2122.” 

Sobre transporte ferroviário, a diretora Regional Sudeste da FNE, Clarice Soraggi, explicou que o documento deve se debruçar em especial sobre a situação relativa a cargas. Uma das grandes preocupações que devem ser evidenciadas no “Cresce Brasil” é quanto à perda de competências em função do desmonte do setor sobretudo nos anos 1990 e a urgência de capacitar mão de obra para expandir e recuperar as ferrovias no País. 

Também estão sendo elaboradas propostas ao setor essencial de energia. O coordenador técnico do “Cresce Brasil”, Carlos Monte, disse que a nota técnica a respeito deve incluir integração sul-americana, conservação energética e fontes alternativas, bem como as oportunidades com o pré-sal. 

Já Antonio Octaviano, diretor-geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), falou sobre inovação e tecnologia. Ele enfatizou que a concepção de contribuir ao incremento da produtividade e, assim, ao desenvolvimento nacional sustentável norteou a criação dessa instituição de ensino. Mantido pelo Seesp, com o apoio da FNE, o Isitec, desse modo, oferecerá em caráter pioneiro o curso de graduação em engenharia de inovação. Também participaram da reunião Eduardo Berkovitz Ferreira, representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Fernando Araújo-Moreira, professor da UFSCar, que falou sobre segurança pública e defesa nacional.



Soraya Misleh
Imprensa - SEESP










 

 

Completando 50 anos nesta terça-feira (25), a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) tem muitos motivos para comemorar. Em sua história, a entidade se destaca por sua representatividade em âmbito nacional na defesa dos direitos dos engenheiros e de seu papel fundamental para o desenvolvimento do Brasil.

“Ao longo desse período, nossa federação amadureceu a sua atuação como entidade sindical e também como parte da sociedade civil organizada que pode e deve dar a sua contribuição para que o País trilhe os rumos do desenvolvimento sustentável, buscando inserção soberana no sistema internacional e qualidade de vida para a sua população”, destaca o presidente da entidade, Murilo Celso Pinheiro.

O projeto ‘Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento’, lançado pela entidade em 2006, contribuiu efetivamente à retomada da expansão econômica no País. A iniciativa cresceu, passando pela discussão sobre as cidades e as regiões metropolitanas, o enfrentamento da crise financeira, os gargalos que estancaram a retomada do crescimento, observada a partir de 2007, e a Copa 2014, atual ponto de pauta. Assim, a federação vem acompanhando os preparativos e debatendo problemas e soluções em seminários em várias partes do Brasil.

Dentre as conquistas, outra vitória importante da FNE é o crescimento e fortalecimento dos 18 sindicatos a ela filiados, que ganharam relevância e representatividade em suas respectivas bases, além de projeção nacional em diversos aspectos.  “Essa organização é hoje uma forte e coesa rede de entidades e lideranças guiadas pelo objetivo comum de defender o engenheiro e lutar pelo desenvolvimento”, ressalta Pinheiro.

Ele aponta ainda várias conquistas em relação à valorização profissional e à remuneração dos engenheiros em diversas cidades e estados brasileiros e também no setor privado.

Na agenda de ações da FNE, permanece a defesa do piso profissional da categoria previsto na Lei 4.950-A/66,  o fortalecimento dos sindicatos filiados, a ampliação de sua capacidade de mobilização em defesa dos direitos da categoria. Além de continuar o debate sobre questões cruciais à sociedade. Nesse sentido, a ideia é apresentar, neste ano eleitoral, propostas aos candidatos.

História
Fundada em 25 de fevereiro de 1964 por um grupo de engenheiros que se reuniu em assembleia no Rio Grande do Sul, a FNE teve sua Carta Sindical reconhecida e assinada pelas entidades dos engenheiros do estado gaúcho, além de São Paulo, Guanabara, Minas Gerais, Paraná, Volta Redonda, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina em 29 de dezembro de 1965.

De organização voltada exclusivamente à atuação sindical, com a pretensão de levar a voz e os anseios da categoria ao governo, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma entidade que passou a engajar-se também na luta pelo desenvolvimento nacional.



Imprensa - SEESP










 

Em 2014, a FNE alcança um marco notável: 50 anos de história, que se completam no dia 25 de fevereiro próximo. A entidade certamente comemorará as cinco décadas de luta pelos engenheiros e por essa profissão que, mais que um ofício ou meio de vida, é instrumento dos avanços e transformações necessárias à humanidade.

Ao longo desse período, a nossa federação amadureceu a sua atuação como entidade sindical e também como parte da sociedade civil organizada que pode e deve dar a sua contribuição para que o País trilhe os rumos do desenvolvimento sustentável, buscando inserção soberana no sistema internacional e qualidade de vida para a sua população.

A tradução inegável desse esforço feito pela FNE é o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 como contribuição à retomada da expansão econômica no País. Bem-sucedida, a iniciativa cresceu em profundidade e abrangência, passando pela discussão sobre as cidades e as regiões metropolitanas, o enfrentamento da crise financeira, os gargalos que estancaram a retomada do crescimento observada a partir de 2007 e, ponto de pauta atual, a Copa 2014. Essa é vista como oportunidade de melhoria da infraestrutura das localidades que sediarão os jogos, assim como de vários outros avanços em termos de gestão pública e qualificação de mão de obra. Assim, a federação vem acompanhando os preparativos e debatendo problemas e soluções em seminários em várias partes do Brasil.

Outra vitória importante da FNE é o crescimento e fortalecimento dos seus 18 sindicatos filiados, que ganharam relevância e representatividade em suas respectivas bases, além de projeção nacional em vários casos. Essa organização é hoje uma forte e coesa rede de entidades e lideranças guiadas pelo objetivo comum de defender o engenheiro e lutar pelo desenvolvimento, que tornou-se capaz de superar obstáculos e construir saídas criativas para os problemas enfrentados. Fruto disso são, por exemplo, várias conquistas em relação à valorização profissional e à remuneração dos engenheiros em diversas cidades e estados brasileiros e também no setor privado.

Portanto, ciente das vitórias alcançadas e também de que essas foram fruto de trabalho, dedicação e de um movimento unitário essencial, a FNE, em 2014, tem muito a comemorar. Porém, há também muito a se fazer. A luta certamente continua, e em todas as suas frentes fundamentais. Na nossa agenda, permanece, por exemplo, a defesa incansável do piso profissional da categoria previsto na Lei 4.950-A/66, o que consideramos absolutamente justo e o mínimo necessário para que se garanta o reconhecimento a uma mão de obra fundamental ao País, seja no setor público ou nas empresas privadas.

Ganha ainda maior ênfase a ação sindical de caráter nacional e também o apoio à atuação dos sindicatos filiados nesse campo. É essencial fortalecer a luta dos engenheiros como trabalhadores e ampliar sua capacidade de organização e mobilização em defesa de seus direitos.

Naturalmente, segue o debate das questões cruciais da sociedade. Neste ano em especial, em que se disputam as eleições para a Presidência da República, os governos e parlamentos estaduais e o Congresso Nacional, a FNE trabalhará para oferecer aos candidatos propostas factíveis e de interesse público real. Mantendo sua linha de total independência e sem ligações partidárias de qualquer nuance, a entidade fará a discussão política de forma ampla, democrática e visando o bem comum.

Como se vê, a celebração do jubileu de ouro da FNE traz uma pauta intensa de trabalho, o que, por sinal, só faz jus à sua história.


* Por Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da FNE - texto publicado originalmente no site da FNE








GustavoDenariUFSCardentroGustavo Bueno Denari [foto ao lado] entrou na faculdade aos 22 anos de idade e, neste ano, aos 27, está se formando pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele explica que cursou praticamente, durante quatro anos, a partir dos 17 anos, física e depois mudou para a engenharia física, porque vê mais oportunidades nessa área. Denari já atua no setor que pretende seguir carreira, numa instituição financeira. Nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro (JE), o graduando defende uma maior aproximação entre universidade e mercado de trabalho, “para o profissional ficar um pouco menos acadêmico”, dá sua opinião sobre como se valoriza a engenharia no Brasil e mostra muito otimismo em relação ao futuro da profissão.

Por que você escolheu o curso de engenharia?
Gustavo Bueno Denari –
A escolha não foi trivial. Cursar engenharia foi para melhorar as habilidades em exatas, mas principalmente pelo leque de oportunidades que o curso abre, ele é um dos poucos que conseguem "migrar" de área com facilidade e isso amplia o universo de oportunidades.

Em qual área pretende exercer sua atividade?
Denari –
Entre as diversas áreas que a engenharia física possibilita trabalhar, eu optei por seguir no mercado financeiro, pela qual tenho verdadeira paixão. Especificamente na área de modelos de riscos de créditos, sou desafiado intelectualmente todos os dias e isso me faz bem.

Como você vê o mercado de trabalho em relação à profissão hoje no Brasil?
Denari –
Creio é um mercado promissor e em expansão. As empresas necessitam dessa formação que a engenharia agrega em seus alunos, uma formação que leva a visão de conjuntura, toda empresa tem problemas e desafios e a engenharia é a que consegue buscar na teoria as soluções para se colocar em prática e ficar em igualdade de competição com os concorrentes nacionais e internacionais.

Como você avalia a polêmica de que o país enfrenta uma insuficiência de profissionais da tecnologia?
Denari –
Não vejo como polêmica, é uma realidade. Podemos formar inúmeros profissionais de tecnologia por ano, mas quantos desses saem da universidade com a formação necessária? Um exemplo claro, engenheiros que conhecem acústica são poucos os estimulados a buscar essa formação. Como vencer essa realidade é um desafio. As universidades têm que parar e olhar para o mercado e perguntar o que devem melhorar em seus cursos e reformular. Estamos em um mundo onde surgem inovações praticamente todos os dias e, permanecer numa grade curricular elaborada nos anos 1980 é complicado.

Mas também as empresas precisam compreender que um profissional de tecnologia tem uma capacidade de assimilar muito rápido e todos têm uma formação básica em tecnologia similar. Por isso, elas devem oferecer mais treinamentos, pois isso não é despesa e sim investimento. Muitos profissionais são atraídos pelas empresas que investem na formação de seus funcionários.

Você poderia falar um pouco de como você entrou na faculdade, qual era a sua perspectiva na área, e, passados tantos anos de estudo, como você percebe a profissão que abraçou?
Denari –
Entrei na faculdade buscando ser um profissional que auxiliaria no desenvolvimento da fotônica e dos lasers para saúde. Mas quando cursei a disciplina de Engenharia Econômica eu vi que esse era o caminho que queria seguir, o que me fez buscar disciplinas voltadas para análises financeiras e curso no exterior também voltado para área de business. Em suma, entrei na universidade com uma visão de mundo restrita ao colegial e das profissões dos meus pais (zootecnista e pedagoga) e saio com uma visão muito mais ampla, a visão industrial, financeira, econômica e de tecnologia que o país precisa.

Em sua opinião, como se valoriza a mão de obra da engenharia brasileira?
Denari –
Uma pergunta com várias respostas possíveis, mas três caminhos podem responder essa questão: existem cursos de engenharia pipocando em todos os lados, assim ocasionando uma enxurrada de engenheiros que aceitam as condições do mercado: muita oferta de mão de obra pede para que a mão de obra não seja valorizada. O outro é a falta de cursos de engenharia que atendam a real demanda das empresas, os poucos que conseguem observar essas necessidades conseguem alta valorização da sua mão de obra. E, por último, falta das empresas dentro das universidades, isso nos torna muito acadêmicos, gerando um ar de "pouco" preparado e logo mais custos para "moldar" ao estilo da empresa.

Para valorizar a mão de obra é fundamental olhar para esses três pontos, pois eles se correlacionam. Creio que o mais crítico e que valorizará a mão de obra da engenharia brasileira é saber o que o mercado precisa. A partir do momento que os cursos formarem os profissionais com o perfil que as empresas necessitam haverá uma inversão no cenário atual: pouca oferta de mão de obra e, portanto, mais valorizada será a mão de obra.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP






A produção agrícola e a infraestrutura de Roraima serão discutidas nesta sexta-feira (11/10), por especialistas e políticos da região durante seminário “Cresce Brasil – Produção e Infraestrutura no estado de RR”. Promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado de Roraima (Senge-RR), o evento acontece no auditório do Comando do Corpo de Bombeiro e vai apresentar as atividades agrícolas que mais se destacam no estado.

Roraima produz anualmente uma média de 3,5 mil toneladas de peixes, sendo que a maioria tem origem na criação em cativeiro, enquanto o restante é extraído da natureza. O piscicultor Aniceto Wanderley, maior produtor da região, falará sobre a produção de espécies como: matrinxãs, tambaquis e pirarucus. O especialista vai explicar como a atividade pode ser desenvolvida respeitando os limites do meio ambiente.

“O seminário pretende chamar a atenção não só para as potencialidades agrícolas do estado, mas também promover investimentos em outras áreas, como saneamento básico e mobilidade urbana”, ressalta um dos palestres e presidente da FNE, Murilo Celso Pinheiro.

Para falar sobre a infraestrutura da região, o seminário contará com a participação do governador José de Anchieta Júnior, do senador Romero Jucá e do diretor de operações da Eletrobrás, Rodrigo Moreira. 

A FNE desenvolve desde 2006 o projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento com uma equipe de consultores e a participação de especialistas, profissionais e acadêmicos. O Cresce Brasil é realizado por meio de seminários em todo o país, e o material produzido até o presente momento está disponível no site www.fne.org.br.


Fonte: FNE




Às margens do Rio Amazonas e atravessada pela linha do Equador, a cidade de Macapá abrigou em 16 de agosto último o seminário “As potencialidades minerais e agrícolas do estado do Amapá”. Promovida pelo Senge-AP em parceria com a FNE, a atividade integrou o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e colocou em pauta os desafios a serem vencidos para que o antigo território, transformado em estado em1988, possa assegurar geração de emprego e renda para sua população, de cerca de 670 mil habitantes.

Realizado no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-AP), o seminário teve início com a palestra do engenheiro agrônomo Sérgio Jorge, que apontou diversos entraves ao desenvolvimento da atividade agrícola no Amapá, a começar pela pequena área disponível para tal. Segundo ele, 72% dos 143 mil km2 do estado representam área de conservação. Da parte cultivável, apontou, 1,2 milhão de hectares dizem respeito a pequenos produtores e 1,8 milhão, à grande propriedade rural. Portanto, salientou, “quando se fala em agronegócio, não se pode menosprezar a agricultura familiar”.

Além da restrição ambiental, o engenheiro destacou a necessidade de desenvolver a cultura no Cerrado, bioma presente em cerca de 12 mil km2, e de resolver questões de ordem geral, como a fundiária. “Grande parte da população ainda não tem título de propriedade da terra”, afirmou Jorge. A situação, explicou, dificulta o acesso ao crédito e a obtenção dos licenciamentos necessários à atividade. Como resultado, os recursos disponíveis não são usados pelos produtores.

Há ainda, segundo o especialista, problemas logísticos que atrapalham tanto a chegada de insumos, como o calcário escasso no Amapá, quanto o escoamento da produção. “É uma demanda para a engenharia, envolvendo colheita, armazenamento e transporte”, concluiu.

Recurso natural

O superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Antônio da Justa Feijão, falou sobre o Projeto de Lei nº 5.807/2013, que propõe novo marco regulatório para o setor e suas implicações. Crítico da matéria, ele aponta problemas como a criação do Conselho Nacional de Política Mineral e a Agência Nacional de Mineração, ambos previstos na proposição. “Será um desastre, afirma.” Na avaliação do geólogo, o caráter de alto risco presente na atividade é incompatível com o excesso de burocracia que, segundo ele, a mudança trará. Na sua concepção, o PL traz a “imposição do governo como único protagonista com imenso poder discricionário, decidindo sobre onde, quando e quem terá direito a explorar e explotar os recursos minerais”. Dessa forma, reclama, “o setor mineral passa a ser dependente de iniciativas governamentais, subtraindo sua característica básica de ser reconhecido por seu dinamismo”.

Na sua opinião, o maior controle estatal da atividade desestimulará a iniciativa das empresas privadas e excluirá do negócio as de pequeno porte, que buscam o financiamento do capital de risco para investimento em pesquisa. “O PL 5.807 retira do cenário as responsáveis pelas principais descobertas minerais das últimas décadas no mundo e causa desemprego em um setor que responde por cerca de 30% do PIB (Produto Interno Bruto) paraense e 5% do nacional”, disparou.

Conforme Feijão, não há necessidade de alterar o atual Código de Mineração, estabelecido pelo Decreto nº 227, de 1967, tendo em vista que o problema não seria a norma ultrapassada, “mas a deficiência causada pela falta de recursos humanos e materiais para aplicação da legislação vigente”.

Ainda segundo ele, o Amapá, que possui muitas jazidas pequenas de minerais diversos, merece atenção especial, tendo em vista a dificuldade de exploração por restrições ambientais. Entre os 1.300 processos atualmente ativos, a maioria dos 664 em fase de requerimento estão localizados em áreas de proteção e aguardam o assentimento do órgão responsável, informou. Apesar das reservas de pouca monta, a mineração representa 88% da balança comercial do Amapá, lembrou Bruno Cei, representante da Anglo Ferrous Amapá, presente ao debate.

O evento realizado em Macapá contou também com a presença dos presidentes do Senge-AP, da FNE e do Crea-AP, Lincolin Silva Américo, Murilo Celso de Campos Pinheiro e Laércio Aires dos Santos, do vereador João Henrique Rodrigues Pimentel (PR) e do coordenador do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, Fernando Palmezan Neto, que prestigiaram a sessão de abertura. O início do evento teve ainda a participação especial do músico Finéias Nelluty, que apresentou o “Samba do Cresce Brasil”, de sua autoria, juntamente com Américo e Carlos Monte.

O profissional liberal e a contribuição sindical

Integrou a programação do seminário realizado em Macapá (AP), em 16 de agosto, a palestra do assessor jurídico da FNE, Jonas da Costa Matos. Ele falou sobre a contribuição sindical do profissional liberal, cuja quitação é condição sine qua non para o exercício do ofício. Essa se dá, explicou, pelo pagamento, em fevereiro de cada ano, da guia específica para o tributo em benefício da entidade representativa. No caso dos engenheiros, o recolhimento deve ser feito em favor do sindicato da categoria no valor correspondente a 1/30 do salário mínimo previsto na Lei 4.950-A/66.

O advogado explanou ainda que, quando o engenheiro atua como empregado na iniciativa privada ou servidor público, está sujeito também ao desconto de um dia de salário vigente para todos os trabalhadores. “Não se trata de bitributação, pois o fato gerador de uma contribuição e de outra são diferentes”, disse. No entanto, apontou Matos, é possível ao profissional livrar-se da dupla cobrança. “Basta entregar à empresa a guia paga em fevereiro. Com isso, ele deixará de sofrer o desconto”, informou. (Por Rita Casaro)

* Matéria originalmente publicada no jornal da Federação Nacional dos Engenheiros, Edição 136




O Seminário Cresce Brasil SC - saneamento em xeque e energia em choque, promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e pelo Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina (Senge-SC), no dia 18 último, reuniu mais de 160 engenheiros de todo o País no auditório da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesc), em Florianópolis, para debater com especialistas e autoridades os grandes desafios para levar água tratada e esgoto sanitário a todos os brasileiros e os gargalos do setor elétrico, setores fundamentais ao desenvolvimento do país. O evento integra o projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento, idealizado e lançado em 2006 pela FNE. "A pujança da engenharia no contexto de crescimento e desenvolvimento do país credencia os profissionais da área a serem atores protagonistas na discussão e nas soluções para estes setores estratégicos fundamentais", salientou o presidente do Senge-SC, José Carlos Rauen, ao abrir o evento, lembrando que o Estado tem mais de 70 escolas de Engenharia, formando mais de 4 mil engenheiros anualmente, num contexto em que o mercado de trabalho se expande exponencialmente.

O presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, lembrou que o estado catarinense foi sede do primeiro debate realizado dentro do projeto Cresce Brasil. "Tenho certeza de que sairemos daqui com propostas bem claras para discutir com a sociedade brasileira", salientou, referindo-se à Carta de Florianópolis, documento que reunirá as propostas resultantes dos debates. Presentes na abertura do evento, o presidente da Fiesc, Glauco José Corte, os deputados estaduais Reno Caramori, Renato Hinning, Ângela Albino e Dirce Heiderscheidt, o senador Delcídio do Amaral, presidente da Frente Parlamentar do Carvão Mineral, diretores da Celesc, Eletrosul e Casan.

* Fotos do evento aqui

Setor elétrico
A reinserção do carvão mineral como efetivo componente da matriz energética do país e a necessidade de se aprimorar a eficiência energética, cujas perdas hoje são calculadas em torno de 30% no caminho entre a geração, a transmissão e a distribuição de energia, e as mudanças provocadas no mercado pela Lei 12. 783/2013, que antecipou a renovação das concessões, foram os três principais pontos abordados pelos palestrantes e debatedores do painel "Perspectivas e impactos econômicos do suprimento de energia no curto prazo e o ambiente de investimentos".

Participaram do debate mediado pelo diretor do Senge-SC e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas, José Latrônico Filho, Márcio Pereira Zimmermann, secretário executivo do Ministério das Minas e Energia (MME), o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, o diretor da ANEEL, Julião Silveira Coelho, senador Delcídio Amaral, o presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE), Luiz Fernando Leoni Vianna, o coordenador do Comitê da Fiesc para o Carvão Mineral, Cláudio Zilli, além dos diretores da Eletrosul e da Celesc, Ronaldo Custódio e Enio Branco, respectivamente, e dos presidentes da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Luiz Zancan e da Desenvix, Robert João Coas.

Saneamento
Mais do que dinheiro, o saneamento no Brasil precisa de gestão qualificada nas empresas concessionárias, públicas e privadas, o que inclui necessariamente a incorporação de tecnologias, qualificação profissional e transparência efetiva. Na mesma proporção, é fundamental maior pró-atividade dos gestores públicos, essencialmente dos prefeitos, a quem cabe, constitucionalmente, a prestação dos serviços de água e esgoto.

A avaliação ancora-se, entre outros dados, no atraso na elaboração dos planos de saneamento básico pelos municípios, que deveriam estar prontos em meados do ano passado, como determina a lei 11.445, que instituiu a Política Nacional de Saneamento em 2007, e as perdas médias anuais de mais de 40% de água registradas pelas empresas de saneamento, privadas e públicas. Este foi o ponto central do painel A qualidade na gestão, os planos de saneamento e a regulação no país, segundo tema debatido pelos engenheiros no Seminário Cresce Brasil SC - saneamento em xeque, energia em choque.

Mediado pelo vice-presidente da FNE e diretor de Comunicação do Senge-SC, Carlos Abraham, o painel teve como palestrantes Dante Ragazzi Pauli, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Saneamento Ambiental (ABES), José Aurélio Boranga, assessor da presidência da Sabesp, José Homero Pinto, superintendente da Corsan (RS) e Sérgio Antônio Gonçalves, assessor da Secretaria de Planejamento da União. Como debatedores, o diretor de Operação e Meio Ambiente da Casan, Valter Galina, o presidente da Câmara de Qualidade Ambiental da Fiesc, José Lourival Magri e o embaixador do Instituto TRATA Brasil, Raul Pinho.
 

Fonte: Senge-SC





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