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Editorial

Comunicação SEESP

Desde 1º de janeiro último, está empossada a nova diretoria do SEESP, que exercerá o mandato até 2021. Eleita em abril de 2017, a então chapa única “Trabalho-Integração-Compromisso” obteve mais de 96% dos votos. Murilo Pinheiro foi reeleito para seu quinto mandato como presidente. À época, ele comemorou o resultado como um voto de confiança dos associados. “Recebemos um aval para seguir com os projetos de fortalecimento e crescimento da nossa entidade, com a luta em defesa dos engenheiros e o trabalho em benefício dos filiados”, disse.

Além da executiva, a diretoria é composta por lideranças que vão atuar nas 25 delegacias sindicais espalhadas no Interior. Segundo Murilo, os desafios estão colocados desde já, diante de medidas governamentais que representam ataque a direitos históricos dos trabalhadores e ao movimento sindical. Assim, frisou que os engenheiros paulistas, por meio do SEESP, estão “firmemente engajados na luta contra tais propostas”, como a reforma da Previdência Social, que restringe o direito à aposentadoria, e outras medidas que precarizam as relações de trabalho, como a terceirização irrestrita e a Lei 13.467/2017, que mudou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse sentido, os esforços do sindicato serão ainda maiores nas campanhas salariais em defesa das reivindicações dos engenheiros nas negociações dos acordos coletivos de trabalho.

Fundado em 1934, o sindicato tem atualmente mais de 60 mil associados e representa aproximadamente 200 mil profissionais em todo o Estado.

São Paulo e Brasil
A diretoria foi eleita empunhando a bandeira pelo desenvolvimento do Estado e do País, o que, na visão do presidente reeleito, “é essencial para que os engenheiros tenham oportunidade de trabalho e protagonismo social”. Também prioridade da diretoria é o intenso trabalho de aproximação à vida sindical dos estudantes e recém-formados, por meio do Núcleo Jovem Engenheiro.

O presidente salienta a importância da unidade nacional da categoria para garantir a valorização dos profissionais, com o respeito à lei do piso salarial (4950-A/66); a retomada das mais de cinco mil obras em todo o território nacional; a defesa da política de conteúdo local, entre outros temas relacionados ao desenvolvimento, à ciência e tecnologia. Outro ponto destacado pela liderança é a excelência no ensino com o fortalecimento do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), iniciativa pioneira do SEESP que oferece a graduação Engenharia de Inovação, desde 2015.

Como filiado à Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), o SEESP, junto com os demais sindicatos filiados, investe no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e no movimento “Engenharia Unida”.

 

Da Redação da FNE

O presidente em exercício da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Carlos Bastos Abraham, discursou, nesta segunda-feira (4/12), à abertura do II Congresso de Engenharia e Tecnologia (II Comet) e da Semana de Engenharia, promovidos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais.

A mesa inicial foi conduzida pela vice-reitora Edna Vilela de Resende Von Pinho, pela presidente do II Comet, Gisele Borges de Moura, pelo chefe do Departamento das Engenharias, Carlos Abelto Silva Volpato, e pelo coordenador das comissões do Conselhor Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), Welhiton Adriano da Costa Silva, e teve como tema "União das engenharias em prol do desenvolvimento do Brasil" - um propósito que é também o da federação, conforme enfatizou Abraham.

Agradecendo o convite, o dirigente mencionou o trabalho desenvolvido pela federação, especialmente com as edições do projeto Cresce Brasil que, na última decada, vem debatendo os problemas e propondo soluções para o desenvolvimento. É um esforço que continua com o movimento Engenharia Unida - uma ferramenta, conforme ele explicou, para enfrentar a recessão e barrar a entrada de empresas e engenheiros de fora, a custa do desemprego no País.

Para Abraham, a engenharia brasileira está sendo atingida seriamente pela situação caótica gerada no Brasil e isso requer um Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) atuante. "O Conselho precisa participar mais da sociedade, e especialmente dos eventos promovidos pela engenharia", defendeu.

Analisando a conjuntura, Abraham criticou o governo pela imposição da lei da terceirização, agravada com a Lei 13.467/17, a da chamada "reforma trabalhista", que tem causado transtornos e insegurança aos trabalhadores. Por isso, ele destacou a importância da Frente Parlamentar Mista da Engenharia no Congresso Nacional, uma forma de atuar mais diretamente junto aos parlamentares. Também foi lembrada a atenção da FNE aos novos profissionais, com a formação e estímulo aos núcleos de jovens engenheiros, em que as novos gerações profissionais aprendem sobre seus direitos.

O II Comet prossegue até esta sexta-feira (8).


Jéssica Silva

Mais de 600 estudantes de engenharia de diversas universidades se encontraram em meio à chuva e lama na competição Baja SAE Brasil – Etapa Sudeste, organizada pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil) e realizada na Escola de Engenharia de Piracicaba da Fundação Municipal de Ensino da cidade (EEP/Fumep). A equipe Baja UFMG – da Universidade Federal de Minas Gerais – venceu pelo segundo ano consecutivo. 

 Foram 29 carros produzidos pelos alunos, colocados à prova em três dias de evento (entre 18 e 20 de agosto). A avaliação dos projetos universitários e do desempenho dos veículos coube a profissionais da indústria automotiva e da engenharia. A competição, já tradicional, é encerrada com o enduro de resistência, corrida de três horas em uma pista com obstáculos. Antonio Carlos Silveira Coelho, coordenador do curso de Engenharia Civil da EEP, foi o responsável pela construção, segundo suas próprias palavras, das “maldades” da pista. “Temos que montá-la de modo que mantenha baixa velocidade, porque a ideia é testar impactos de suspensão, tração e desempenho em curvas fechadas”, esclareceu. O docente contou que a pista dessa etapa estava com um alto grau de dificuldade devido ao volume de chuvas na região. “Mas o objetivo é justamente esse, quebrar os carros”, brincou.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP

 O Baja segue um padrão com um motor de 10 HP (horse power), numa estrutura tubular de aço para uso off-road (fora de estrada), pesando em torno de 110kg, com aproximadamente 1,90m de altura. “A elaboração do carro é trabalho exclusivo dos alunos, eles que projetam e tomam decisões. Os professores dão apoio somente se solicitado”, conta Hamilton Fernando Torrezan, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da EEP e professor orientador da equipe EEP Baja, que compete pela escola. Todas as equipes trabalham com os mesmos moldes, aprimorando itens estrategicamente escolhidos. “A nossa tem buscado desenvolver um carro mais competitivo, com bom desempenho na velocidade e na tração. Então eles têm pesquisado componentes mais tecnológicos para conquistar melhor colocação”, conta Torrezan.

 Maria Fernanda Andrade, aluna do terceiro ano de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora de trem de força (Power train) da equipe Unicamp Baja SAE, ainda explica que o veículo possui “uma transmissão contínua (CVT), uma caixa de redução fixa e um sistema que transmite toques às rodas”. As equipes são compostas em média por 40 alunos divididos em áreas de desenvolvimento do projeto. Na competição, segundo ela, apenas 20 podem se inscrever para ficar no box e “mexer no carro”. 

Oportunidade na pista
O setor automotivo representa cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro, conforme dados de 2014 do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), e movimenta cerca de 1,5 milhão de empregos direta e indiretamente. Na visão do gerente de operações da SAE Brasil, Ronaldo Bianchini, a competição trabalha o primeiro contato do estudante com o segmento. “O mais importante é levar o aluno o mais próximo da engenharia experimental de uma montadora, que é o que eles fazem aqui”, afirma.

 Para Marcel Izzi, diretor-geral da competição Baja SAE Brasil – Etapa Sudeste 2017, o torneio desenvolve o estudante e o prepara para o mercado de trabalho. “Além da troca de conhecimento, eles fazem um network muito importante, que pode ser determinante na carreira deles. Muitos ex-bajeiros contratam outros ex-bajeiros”, assegura. O objetivo do evento, aponta, é principalmente “propor melhor formação universitária na oportunidade de se colocar em prática os conhecimentos adquiridos em aula”. E continuou: “Incentivamos que os alunos nos apresentem soluções diferentes das propostas nas regras e nos provem que as inovações em seus projetos são seguras e aplicáveis.”

 O empenho dos estudantes, conforme salientou o diretor da Delegacia Sindical do SEESP em Piracicaba, Aristides Galvão, é “relevante à engenharia nacional”. “Essa experiência vale muito para o desenvolvimento de tecnologias, inovação e para se colocar em prática todo o conhecimento”, enfatiza.

 Cristina Perim Drago, aluna do oitavo semestre de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), bajeira desde 2014 e gerente de planejamento da equipe Vitória Baja – quarta colocada em 2017 –, vê a participação no programa como exposição à categoria e uma experiência de vida. “Desde o início como calouros e até hoje, a gente enfrenta várias dificuldades na construção dos carros. Mas é para isso que a engenharia existe, para resolver os problemas e tentar, da melhor forma possível, ter bons resultados”, conclui.

 

 

 

Do jornal O Estado de São Paulo
29 de agosto de 2017

Um grupo de engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) lançou uma carta que nada tem a ver com a construção de aeronaves. Intitulado “Manifesto pelo Brasil”, o texto expõe preocupação com os rumos do País, "nestes tempos de instabilidade política, corrupção, desemprego e violência", e se dispõe a pensar em novas saídas para a crise nacional. É a primeira vez que ex-estudantes da instituição se posicionam sobre assuntos dessa natureza.

"Os alunos do ITA nunca participaram do processo político como um grupo, mas a situação do País está muito complicada e estamos insatisfeitos. Quisemos nos manifestar para romper o silêncio. É nesse sentido que saiu o manifesto. É sobre princípios, sem tomar partidos", disse um dos organizadores do grupo, Pedro John Meinrath, de 80 anos, empresário formado no ITA em 1959.

Assinado por 211 engenheiros formados na instituição entre 1956 e 2007, o manifesto diz que o grupo pretende apresentar "algumas sugestões para encaminhamento de mudanças que, no nosso entender, iniciarão um ciclo virtuoso, propiciando recuperação econômica e mais qualidade de vida". Um dos signatários é Ozires Silva, que deixou o ITA em 1962 e fundou a Embraer sete anos depois.

Formado na instituição em 1963, Gilberto Dib foi o "pai" do movimento dos engenheiros aeronáuticos. "O documento mostra que estamos pensando um País diferente. Nossa prioridade é propor mudanças na administração do País", afirmou Dib, hoje com 76 anos.

Na avaliação do grupo, o primeiro ponto é que é necessário dar mais independência às administrações estaduais, descentralizando o poder do governo federal. "Tanto o Poder Executivo quanto os demais Poderes ficam excessivamente concentrados no nível federal, inflados e ineficientes, comandando enormes orçamentos e sujeitos a manobras suscetíveis à corrupção", diz o manifesto.

O texto representa apenas a opinião dos signatários. "Nós somos egressos do ITA, mas o manifesto nada tem a ver com o instituto. Ele nos forneceu um ensino singular, e nos tornamos engenheiros de qualidade e queremos contribuir", afirmou Meinrath.

A Associação de Estudantes do ITA não subscreve o manifesto, mas não vê o movimento com maus olhos. "Nós apoiamos, achamos positivo esse tipo de iniciativa. Única ressalva que fiz com Gilberto (Dib) foi para deixar claro que o manifesto não representa a opinião do ITA", disse o presidente da associação, Marcelo Dias Ferreira.

Um dos mais novos do grupo, da turma de 2007, Bernardo Ramos é um dos que subscrevem o manifesto. Nesse grupo, os mais velhos são os mais engajados. "Na nossa faculdade, a conduta e a educação são muito fortes, e acho que o grupo surgiu do entendimento de que é preciso se posicionar vendo a corrupção crescer e a educação piorar no País", disse o hoje professor de Matemática de 34 anos.

O grupo, que começou com apenas uma corrente de e-mail de 35 pessoas, quer tornar-se um "think tank" - grupo que discute grandes questões. Com reunião presencial marcada para setembro, eles pretendem formular diretrizes mais acertadas para os próximos passos. 

 

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