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Cresce Brasil – Mão na massa e pé na lama pela engenharia

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Jéssica Silva

Mais de 600 estudantes de engenharia de diversas universidades se encontraram em meio à chuva e lama na competição Baja SAE Brasil – Etapa Sudeste, organizada pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil) e realizada na Escola de Engenharia de Piracicaba da Fundação Municipal de Ensino da cidade (EEP/Fumep). A equipe Baja UFMG – da Universidade Federal de Minas Gerais – venceu pelo segundo ano consecutivo. 

 Foram 29 carros produzidos pelos alunos, colocados à prova em três dias de evento (entre 18 e 20 de agosto). A avaliação dos projetos universitários e do desempenho dos veículos coube a profissionais da indústria automotiva e da engenharia. A competição, já tradicional, é encerrada com o enduro de resistência, corrida de três horas em uma pista com obstáculos. Antonio Carlos Silveira Coelho, coordenador do curso de Engenharia Civil da EEP, foi o responsável pela construção, segundo suas próprias palavras, das “maldades” da pista. “Temos que montá-la de modo que mantenha baixa velocidade, porque a ideia é testar impactos de suspensão, tração e desempenho em curvas fechadas”, esclareceu. O docente contou que a pista dessa etapa estava com um alto grau de dificuldade devido ao volume de chuvas na região. “Mas o objetivo é justamente esse, quebrar os carros”, brincou.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP

 O Baja segue um padrão com um motor de 10 HP (horse power), numa estrutura tubular de aço para uso off-road (fora de estrada), pesando em torno de 110kg, com aproximadamente 1,90m de altura. “A elaboração do carro é trabalho exclusivo dos alunos, eles que projetam e tomam decisões. Os professores dão apoio somente se solicitado”, conta Hamilton Fernando Torrezan, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da EEP e professor orientador da equipe EEP Baja, que compete pela escola. Todas as equipes trabalham com os mesmos moldes, aprimorando itens estrategicamente escolhidos. “A nossa tem buscado desenvolver um carro mais competitivo, com bom desempenho na velocidade e na tração. Então eles têm pesquisado componentes mais tecnológicos para conquistar melhor colocação”, conta Torrezan.

 Maria Fernanda Andrade, aluna do terceiro ano de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora de trem de força (Power train) da equipe Unicamp Baja SAE, ainda explica que o veículo possui “uma transmissão contínua (CVT), uma caixa de redução fixa e um sistema que transmite toques às rodas”. As equipes são compostas em média por 40 alunos divididos em áreas de desenvolvimento do projeto. Na competição, segundo ela, apenas 20 podem se inscrever para ficar no box e “mexer no carro”. 

Oportunidade na pista
O setor automotivo representa cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro, conforme dados de 2014 do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), e movimenta cerca de 1,5 milhão de empregos direta e indiretamente. Na visão do gerente de operações da SAE Brasil, Ronaldo Bianchini, a competição trabalha o primeiro contato do estudante com o segmento. “O mais importante é levar o aluno o mais próximo da engenharia experimental de uma montadora, que é o que eles fazem aqui”, afirma.

 Para Marcel Izzi, diretor-geral da competição Baja SAE Brasil – Etapa Sudeste 2017, o torneio desenvolve o estudante e o prepara para o mercado de trabalho. “Além da troca de conhecimento, eles fazem um network muito importante, que pode ser determinante na carreira deles. Muitos ex-bajeiros contratam outros ex-bajeiros”, assegura. O objetivo do evento, aponta, é principalmente “propor melhor formação universitária na oportunidade de se colocar em prática os conhecimentos adquiridos em aula”. E continuou: “Incentivamos que os alunos nos apresentem soluções diferentes das propostas nas regras e nos provem que as inovações em seus projetos são seguras e aplicáveis.”

 O empenho dos estudantes, conforme salientou o diretor da Delegacia Sindical do SEESP em Piracicaba, Aristides Galvão, é “relevante à engenharia nacional”. “Essa experiência vale muito para o desenvolvimento de tecnologias, inovação e para se colocar em prática todo o conhecimento”, enfatiza.

 Cristina Perim Drago, aluna do oitavo semestre de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), bajeira desde 2014 e gerente de planejamento da equipe Vitória Baja – quarta colocada em 2017 –, vê a participação no programa como exposição à categoria e uma experiência de vida. “Desde o início como calouros e até hoje, a gente enfrenta várias dificuldades na construção dos carros. Mas é para isso que a engenharia existe, para resolver os problemas e tentar, da melhor forma possível, ter bons resultados”, conclui.

 

 

 

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