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Fábio

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Soraya Misleh*

Inaugurando a série de debates sob o mote “Não à recessão”, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) realizou na sede do SEESP, em São Paulo, nos dias 12 e 13 de março, o seminário “Água e energia – Enfrentar a crise e buscar o desenvolvimento”. A atividade integra a etapa atual do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que incluirá eventos afins em vários estados.

Lançado pela entidade nacional em 2006 e atualizado desde então, esse propugna por uma plataforma de desenvolvimento sustentável ao País. A iniciativa reuniu estudantes do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), profissionais da categoria e dirigentes de suas organizações de Norte a Sul.

À abertura do seminário, Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da FNE e do SEESP, enfatizou a necessidade de se combater a recessão, mantendo a meta do desenvolvimento, “com geração de emprego e renda”. Sobre água e energia, ele concluiu: “A melhor contribuição que os engenheiros podem dar para o correto tratamento desses temas é a do primado da ciência, da técnica e do interesse nacional.” (confira o discurso na íntegra). A abertura contou com a participação do vereador por São Paulo José Police Neto (PSD), dos engenheiros Marcos Peres (especialista em energia elétrica), João Antonio Del Nero (membro do Conselho Tecnológico do SEESP), João Carlos Gonçalves Bibbo (vice-presidente desse sindicato), João Sérgio Cordeiro (coordenador e docente em Saneamento e Gestão Ambiental na Universidade Federal de São Carlos – UFSCar e no Isitec) e Fernando Palmezan Neto (coordenador do projeto “Cresce Brasil”), além do economista e professor-doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Antonio Correa de Lacerda, a quem coube a palestra inaugural, intitulada “Evitar a recessão no Brasil”.  


Diagnóstico e proposições

Esse último iniciou sua preleção com um alerta: “A despeito das dificuldades de curto prazo, não podemos perder a visão estratégica do desenvolvimento a longo prazo.” Ele apresentou o diagnóstico da realidade brasileira atual, a partir de análise da conjuntura internacional – um cenário de crise. Sob a lógica rentista, como ensinou, “o montante de capitais especulativos segue mudando de mão” – cujos efeitos negativos são contidos pelo volume de reservas, no Brasil próximo de US$ 380 bilhões. “A contração da demanda global derrubou os preços das principais commodities, como petróleo e minério de ferro.” Mais dependente de tais insumos, o País sofre maior impacto do que antes, quando adotou políticas anticíclicas, segundo constatou o economista. Assim, conforme sua palestra, tem havido crescimento econômico abaixo do seu potencial nos últimos quatro anos, elevação de déficit das contas públicas, desindustrialização precoce, dada a ampliação da entrada de importados, e, sob a alegação do fantasma da inflação, incremento da taxa de juros (a real em torno de 5%) – “a maior do mundo”.  

“O grande desafio”, como concluiu ele, “é separar os aspectos conjunturais e estruturais.” Nesse sentido, foi categórico: “O risco é cortar onde não se deve, como está ocorrendo. O ajuste não pode se dar pela via recessiva. O crescimento é condição necessária para viabilizar o desenvolvimento.” Para Lacerda, evitar a recessão passa por financiar o investimento produtivo, fortalecer o papel do Estado, garantir taxas de juros mais equilibradas, elevar a massa salarial e a renda, bem como estabelecer estrutura institucional que estimule o setor privado ao investimento da produção e da infraestrutura. Ao final, ressaltou a importância de se preservar as liberdades democráticas, caminho para que se consiga progredir.


Planejamento

No dia 13, foram abordados os temas “Os desafios da crise hídrica” e “Energia para o desenvolvimento”. Sobre o primeiro, Newton Lima de Azevedo, governador pelo Brasil no Conselho Mundial da Água, relacionou alguns itens que considera importantes para discutir e entender o “estresse hídrico” por que passa o País, como falta de planejamento integrado, má gestão, recursos insuficientes, não utilização de novas tecnologias e conscientização. Na sua análise, a despeito dos vários planos relacionados à água – desde o nacional de saneamento ambiental (Plansab), de recursos hídricos (PNRH), de resíduos sólidos (PNRS) etc. –, o Brasil não tem uma política pública para o setor.

Azevedo invocou o debate envolvendo os três níveis de consumo dos recursos hídricos, que são agricultura (70%), indústria (20%) e abastecimento humano (10%), como fundamental para se definir ações eficazes. Outro ponto sensível é a perda de água já tratada, na ordem de 50% a 60% em todo o País, pelas companhias estaduais de saneamento. Por isso, vê com urgência a revitalização dessas empresas. Ele contabiliza que até 2033 o setor requererá investimentos anuais da ordem de R$ 20 bilhões. “A complementaridade com a iniciativa privada é fundamental, e não devemos ver isso como a entrega de um patrimônio”, opinou. Para Azevedo, é preciso discutir saídas tecnológicas, como reúso da água e dessalinização, sendo que esta última existe desde 1928. Ao final de sua explanação, informou que o Brasil sediará em 2018 o Fórum Mundial da Água, em Brasília (DF).

João Alberto Viol, vice-presidente de Gestão e Assuntos Institucionais do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), propôs ainda a ampliação das fontes de abastecimento, a identificação de nascentes e mananciais que devem ser preservados e as recomendações técnicas pertinentes para sua recuperação, bem como a implantação de diretrizes para o aproveitamento adequado dos aquíferos subterrâneos. Também é importante, na sua ótica, a gestão integrada dos sistemas de abastecimento nas regiões de alta concentração populacional. Ao mesmo tempo, defendeu medidas emergenciais, como a execução de obras para a integração dos sistemas de abastecimento (represas Billings, Alto Tietê, Cantareira etc.), a opção pela operação de controle de pressão a níveis adequados à necessária redução do consumo e das perdas, antecedendo o rodízio a ser utilizado como última saída ao racionamento.

João Sérgio Cordeiro destacou cinco grandes eixos para se discutir seriamente, e com resultados, o problema atual: planejamento, gestão, recursos, tecnologia e cultural. Informou que entre as 14 áreas de relevância da engenharia no século XXI, definidas pela organização americana Grand Challenges for Engineering, está providenciar o acesso à água limpa. Ele também propugnou que seja dado destaque ao uso do recurso na agricultura e na agropecuária. Conforme concluiu o professor, a engenharia tem como apresentar soluções aos problemas desde que haja vontade política.

Já sobre energia, o presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, enfatizou que as saídas para as dificuldades atuais encontram-se não apenas na engenharia clássica, mas também “econômica, institucional e regulatória”. Destacando que tem havido diálogo com o governo federal na busca de tais soluções, frisou: “A expectativa é que haja medidas suficientes para superar os problemas ainda em 2015, de modo que o ano seguinte seja de retomada.”

Entre os desafios, reduzir o impacto do custo do insumo à produção. Ele complementou: “Nossos competidores internacionais vêm sendo beneficiados, porque têm acesso a energia mais barata. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE, um dos itens que compõem a tarifa) representa 33% do custo de produção de algumas empresas.” Na sua avaliação, os preços do insumo de curto prazo devem ser realinhados sob a lógica do consumidor. “É preciso ter previsibilidade na produção e contratos de longo prazo que travem riscos”, acrescentou.

O ex-secretário de Energia do Estado de São Paulo e suplente de senador José Aníbal (PSDB-SP) explicou: “A CDE, na sua criação, chegou a ser subsidiada, hoje é indistinta, todos pagam igual, impactando a renda das famílias.” Ele calcula o gasto anual de cerca de R$ 1.200,00 no orçamento doméstico somente com energia. Diante desse quadro, propôs que se construa no Parlamento um novo marco regulatório, institucional e econômico para o setor crucial ao desenvolvimento.

Sobre os reajustes extraordinários, o consultor e engenheiro Carlos Kirchner, diretor do SEESP e representante da FNE na Frente de Defesa do Consumidor de Energia, lembrou que devem chegar a 60%. “Metade do consumidor de baixa renda perdeu o direito a essa tarifa especial. Enquanto alguns não vão conseguir pagar suas contas, inclusive indústrias de pequeno porte, essa é a época em que alguns agentes do setor mais têm ganhado dinheiro.” Em determinados setores, segundo Kirchner, empresas cessaram sua produção para revender energia que haviam acumulado a preços gigantescos. Muitos transformaram, assim, o insumo essencial em capital especulativo. “A FNE considera que ter energia e não vender é infração contra a ordem econômica.”

Diretor de Economia da Energia e Meio Ambiente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Amilcar Guerreiro ressaltou: “Governo, sociedade e corporações têm que se articular para garantir segurança energética, modicidade tarifária, mais tecnologia e eficiência e bem-estar.” Ele traçou um panorama do País, apontando o aumento da demanda por energia: “A cada ano, são 1,2 milhão de pessoas novas (crescimento da população brasileira) e 500 mil migram da área rural para a cidade. A cada mês, são 300 mil novos carros emplacados e 125 mil residências ligadas à rede. Diariamente, 70 mil pessoas são transportadas por ônibus nas cidades e 40 milhões navegam na internet pelo menos uma hora.” Consequentemente, o consumo em 2014 cresceu 3% e neste ano deve ser ainda maior. A expansão na geração, como indicou o palestrante, deve ficar em 6 a 9 mil MW/hora por ano no próximo período. “Até 2023, serão perto de 200 mil MW/hora, 92% por fontes renováveis.”

Outro caminho importante foi também identificado pelo diretor da EPE: eficiência energética. A quantidade poupada, como indicou, equivale à geração hídrica de 10.400 MW. “Significa que 24% do crescimento do consumo pode ser atendido dessa forma.”

Confira cobertura completa e apresentações.

*Colaborou Rosângela Ribeiro Gil

Rita Casaro

O Memorial JK, em Brasília, abrigou a na noite de 10 de março a solenidade de posse da diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) para a gestão 2015-2018, eleita em assembleia realizada em 13 de novembro de 2014. Reunindo profissionais de todo o País, a atividade apontou o rumo da entidade para o próximo quadriênio: luta e trabalho na representação de 2 milhões que compõem as categorias ligadas a ela – economistas, engenheiros, farmacêuticos, médicos, nutricionistas e odontologistas.

Em seu discurso, Murilo Celso de Campos Pinheiro, reconduzido ao cargo de presidente, asseverou: “Nós todos temos orgulho de fazer parte da CNTU, reconhecida pelo trabalho que faz em todo o Brasil.”

Ele lembrou duas batalhas encampadas pela confederação recentemente por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) impetradas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas contra o artigo 142 da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que permite a entrada de capital estrangeiro no setor da saúde. A outra relativa à Medida Provisória 664, que restringe o acesso a benefícios como a pensão por morte, auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. “Estamos participando das questões da sociedade com propostas factíveis, cumprindo nosso dever de discutir as questões de frente, mas não apenas criticando”, completou.

Pinheiro também aproveitou a proximidade do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para ressaltar a relevância da luta pela igualdade de gênero, outra bandeira da CNTU, que se materializa nas iniciativas do Departamento  de Mulheres. “Já avançamos muito nesse campo, mas falta muito mais”, afirmou.

Por fim, apontou a direção em que a entidade deve seguir: “Não podemos discutir a recessão no Brasil, é preciso que falemos em crescimento. A nossa confederação estará presente, ajudando na construção de um país mais justo com oportunidades para todos neste momento difícil.”

A cerimônia contou com a participação dos presidentes da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, do Conselho Federal de Economia, Paulo Dantas, e do Sindicato dos Economistas de São Paulo (Sindecon-SP), Pedro Afonso Gomes. Também prestigiaram o evento os dirigentes das federações dos Farmacêuticos (Fenafar), Ronald Ferreira dos Santos, dos Odontologistas (FIO), José Ferreira Campos Sobrinho, dos Nutricionistas (Febran),  Ernane Silveira Rosas, dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira Filho, e dos Engenheiros (FNE), Carlos Bastos Abraham.


Gestão 2015-2018

Diretoria efetiva

Presidente
Murilo Celso de Campos Pinheiro


Vice-presidente

Gilda Almeida de Souza


Diretor administrativo

José Ferreira Campos Sobrinho


Diretor de Finanças

Geraldo Ferreira Filho


Diretor adjunto de Finanças

Ernane Silveira Rosas


Diretor de Relações Sindicais

Odilon Guedes Pinto Junior


Diretor de Articulação Nacional

Allen Habert


Suplentes

Maria Maruza Carlesso
Welington Moreira Mello
Jorge Sale Darze
José Ailton Ferreira Pacheco
Waldir Pereira Gomes
José Carlos Ferreira Rauen
Mario Antonio Ferrari


Conselho Fiscal

Titulares
José Carrijo Brom
Eglif de Negreiros Filho
Sebastião Aguiar da Fonseca Dias

Suplentes
Francisco Jusciner de Araújo Silva
Zaida Maria de Albuquerque Melo Diniz
José Maria Arruda Pontes


Atuação mais abrangente

Durante a cerimônia, o presidente da CNTU, Murilo Celso de Campos Pinheiro, anunciou também o início das atividades dos 15 novos departamentos de trabalho da entidade que passam a funcionar como organismos de apoio à confederação em suas respectivas áreas. Cada um deles tem um coordenador, indicado pela diretoria, com mandato de dois anos. São eles:

 

Tabela pg6

18/03/2015

Engenheiro XXI

Dicas para se sair bem numa entrevista de emprego

Muitos profissionais percebem, apenas no momento da recolocação no mercado, quais são as suas dúvidas em relação a entrevistas de emprego. Estão relacionadas à postura, segurança, relação entre entrevistador e entrevistado, como expor suas dificuldades e lidar com a ansiedade. A constatação é da coordenadora do setor de Oportunidades & Desenvolvimento Profissional do SEESP, Mariles Carvalho. Ela oferece algumas dicas de como se sair bem nessa hora.

Tudo começa com você

Investir em autoconhecimento é imprescindível em qualquer aspecto da vida. Aqui a palavra chave é auto-observação, questionamento e reflexão.

Motivação

É nítida a diferença de uma pessoa motivada em uma entrevista – ela demonstra energia, interesse e confiança. Esse é um aspecto importante da produtividade e da qualidade do trabalho.

Objetivos

Escreva sempre seus objetivos, porque saber o que quer e como conquistar é o primeiro passo para começar a planejar. Para defini-los, pense na sua situação atual e a desejada, depois pergunte: Como? Quando? Por que é importante? Quais são os meus recursos? Qual é o primeiro passo?      

Inteligência emocional

Identificar e administrar suas próprias emoções em momentos de tensão facilita o pensamento e mantém a atenção no que é importante, o momento da entrevista.

Primeira impressão

Um currículo bem elaborado chama a atenção do selecionador, mas também é importante saber expor os conhecimentos que ali se encontram.

Conhecimento

Tenha informações atualizadas sobre o mercado de trabalho e a empresa a que se candidatou.

Postura

Mantenha uma postura de igualdade e de troca. Ambos estão em busca de um objetivo compartilhado, assim um precisa do outro. Esteja aberto e demonstre seu interesse e expectativas diante do cargo pretendido.

A área de Oportunidades do sindicato tem o objetivo de auxiliar o profissional a se recolocar no mercado de trabalho, oferecendo serviços de análise de currículo, simulação de entrevista e atendimento personalizado. Contatos: Mariles Carvalho – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., (11) 3113-2666; Caique Cardoso – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., (11) 3113-2669; e Natália Carolina – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., (11) 3113-2674.


Qualificação

Aprender a empreender

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) oferece gratuitamente o curso “Aprender a empreender”, na modalidade de ensino a distância (EAD). Serão abordados conceitos sobre mercado, finanças e empreendedorismo. Duração de 30 dias com carga total de 16 horas. Mais informações aqui.

Processos seletivos

O Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) oferece vários cursos gratuitos online, como o “Tenha sucesso em processos seletivos”, que busca facilitar a entrada no mercado de trabalho, por meio de dicas assertivas e exercícios teóricos. O objetivo é fazer com que os candidatos aprendam a enfrentar o desafio sem medos e com mais segurança. Saiba mais.


De olho no mercado

Avanço das mulheres na engenharia

Segundo o gerente da Michael Page, Diego Mariz, as empresas não têm barreira com relação à mão de obra feminina na área. O que ocorre, argumenta ele, é que o mercado continua bastante masculino porque a engenharia não é uma graduação que atraia, de modo geral, o público feminino. “E isso se reflete no mercado diretamente”, explica. Lançado ao final de 2014, estudo encomendado pelo SEESP ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), intitulado “Perfil ocupacional dos profissionais de engenharia no Estado de São Paulo”, confirma que a categoria ainda é majoritariamente masculina – em 2013, os homens representavam 81% do total no Estado –, todavia, as mulheres engenheiras vêm aumentando sua participação ao longo das duas últimas décadas. Em 1995, representavam 11% do total de profissionais do Estado de São Paulo; em 2005, já eram 15%; em 2008, 17%; e, em 2013, alcançaram o patamar de 19%.

Mariz afirma que recebe, às vezes, solicitação por profissional dando-se preferência à engenheira. “As empresas gostariam de ter mulheres em seus quadros para aumentar a diversidade na área”, observa, acrescentando que o que importa é o conhecimento técnico.

Em termos relativos, o aumento da ocupação feminina no período equivaleu a 128%, enquanto da masculina, a 72%, o que explica o incremento da participação das mulheres na categoria. Em 2013, o Estado de São Paulo contava com 74.603 engenheiros e 17.875 engenheiras; em 2003, eram 43.483 homens e 7.829 mulheres nessas ocupações. Mariz observa que as áreas técnicas da engenharia que contam com maior presença feminina são alimentos, bens de consumo e cosméticos e química. Por ter menos mulheres se formando em mecânica, elétrica e civil, elas estão em menor número nesse mercado, relaciona ele.

18/03/2015

Canteiro

Engenheiros da Prefeitura de São Paulo aprovam novas mobilizações

Em Assembleia Geral Extraordinária na sede do SEESP, na Capital, no dia 11 de março, centenas de engenheiros da Prefeitura de São Paulo aprovaram por unanimidade um novo cronograma de mobilização para pressionar o Executivo municipal a enviar o projeto de lei (PL) da carreira própria para a categoria. A assembleia começou por volta das 13h com a leitura de um abaixo-assinado para pedir que o Sindicato dos Servidores de São Paulo (Sindsep-SP) não interfira nas negociações do PL. Depois, tomaram a palavra os delegados sindicais do SEESP e o assessor da entidade, Carlos Hannickel, que enfatizou a luta dos servidores: “O que nós temos hoje é algo muito significativo e temos sempre que lembrar que chegamos até aqui graças à união de todos vocês. Passamos a ter voz ativa na Câmara.” De acordo com a proposta aprovada, um ato está previsto para dia 25 deste mês. No dia 31, será feita nova assembleia para deliberar sobre indicativo de greve em 1º de abril.

Em 13 de janeiro deste ano foi sancionada a Lei Municipal nº 16.119/2015, que estabeleceu o pagamento por subsídio aos servidores, o que os engenheiros repudiam. A categoria reivindica mudança na Lei Salarial 13.303/02, que permite conceder reajuste de apenas 0,01%, reposição das perdas salariais desde 2007 e carreira própria. Em 2014, conquistou a retirada dos engenheiros e arquitetos do pagamento por subsídio e o envio do PL da carreira própria, formulado com ajuda dos profissionais, para o Executivo.


Jornal do Engenheiro na TV

Produzido pelo SEESP, o JE na TV traz entrevistas, reportagens, notícias e divulga os serviços oferecidos aos associados ao sindicato. Com duração de 30 minutos, vai ao ar pela TV Aberta às segundas-feiras, às 19h30, na Capital, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital), no mesmo dia e horário. É transmitido, ainda, para mais de 40 municípios paulistas e de outros estados.


Seminário de abertura das campanhas 2015 será em abril

O SEESP realiza em sua sede, na Rua Genebra, 25, 1º andar, na Capital, no dia 8 de abril, às 15h, o tradicional Seminário de Abertura das Campanhas Salariais. Em sua 15ª edição, o evento tem por objetivo sedimentar o caminho do diálogo entre capital e trabalho. A maioria da categoria tem data-base em 1º de maio. Atualmente, 100 mil engenheiros são beneficiados, metade do total de profissionais do Estado. Como é de praxe, em 2015, especialistas trarão análises de conjuntura e serão convidados representantes das empresas. Mais informações e inscrições pelo telefone (11) 3113-2641 ou e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


Isitec fará atividade sobre inovação no EcoSP

O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) promoverá a atividade “Meio ambiente, sustentabilidade e inovação” na manhã do segundo dia do VII Encontro Ambiental de São Paulo (EcoSP), que ocorrerá em 23 e 24 de abril. Ao final das exposições, será aberto debate com o público. 

Promovido pelo SEESP e Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), o evento consolida-se como importante fórum à discussão sobre o tema premente do desenvolvimento sustentável. Carlos Alberto Guimarães Garcez, vice-presidente do sindicato e um dos idealizadores da iniciativa, observa que a engenharia é peça-chave nesse debate. O VII EcoSP será sediado no Novotel São Paulo Center Norte, na Capital. De acordo com os organizadores, mais de 600 inscrições já foram realizadas. Garanta a sua pelo telefone (11) 3113-2616 ou no site www.ecosp.org.br.


Unidade em defesa dos trabalhadores

Em entrevista coletiva no dia 10 de março, dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Intersindical e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) defenderam a unidade em defesa de bandeiras históricas do movimento sindical brasileiro, entre elas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, fim do fator previdenciário e a assinatura, por parte do Brasil, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que coíbe a demissão imotivada. Em 2015, novas lutas se fazem necessárias, destacaram os sindicalistas, como a revogação das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram a concessão de vários benefícios sociais, como o seguro-desemprego e a pensão por morte, e em defesa da democracia e da legalidade constitucional. A atividade foi realizada na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na Capital paulista, numa organização conjunta com a Agência Sindical.

Após anos debatendo a necessidade de o Brasil avançar a sua industrialização, o que exige ganhos de competitividade e, necessariamente, maior produtividade e inovação, o SEESP tomou uma decisão fundamental: criar uma escola de engenharia que atendesse a essa demanda.  Com esse norte, surgiu, em 2011, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), que tem o nosso sindicato como entidade mantenedora. Ao longo desses anos, uma equipe de alta competência dedicou-se a formatar um curso que pudesse oferecer ao mercado um profissional de sólida formação básica e apto a buscar as soluções necessárias ao nosso desenvolvimento.

Esse esforço resultou na graduação em Engenharia de Inovação, com 4.620 horas de carga total e uma matriz curricular que inclui, além das disciplinas básicas, técnicas e científicas da área, formação empresarial e aprofundamento profissional.  A elaboração do projeto pedagógico do Isitec abrangeu ainda o debate sobre a forma de ensinar engenharia, que também precisa ser inovadora, e a capacitação do corpo docente para essa visão. Por fim, foi projetada e providenciada a estrutura física compatível com esse objetivo.

Após o credenciamento pelo Ministério da Educação, no final de 2013, mais um passo nessa empreitada foi dado com a proposta de um processo seletivo diferenciado e a decisão de oferecer bolsas integrais a todos os aprovados, atraindo ao Isitec bons alunos interessados em aprender e se evitando a restrição socioeconômica.

Percorrido esse longo e desafiador caminho, em 23 de fevereiro último, teve início o primeiro curso de graduação em Engenharia de Inovação do País, oferecido pela primeira faculdade criada por uma entidade sindical, numa iniciativa duplamente pioneira.  Essa largada foi dada também em alto nível, com uma aula inaugural proferida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, e uma cerimônia que contou com importantes parceiros do SEESP e do Isitec.

Portanto, já está efetivamente em marcha uma experiência que certamente é ousada, mas que foi cuidadosamente planejada para obter êxito. Ao final de 2019, após cinco anos estudando em período integral e se preparando para vencer desafios, chegarão ao mercado os primeiros engenheiros de inovação do Brasil.

Para nós, chegar a esse ponto é a realização de um sonho que vai muito além das justas lutas corporativas em defesa da nossa categoria. Os 54 meninos e meninas que agora dão vida ao Isitec simbolizam nosso firme propósito de contribuir com a construção de um país desenvolvido, justo e soberano. É o nosso manifesto – traduzido em nada menos que uma escola de engenharia de excelência – em defesa do nosso futuro e da possibilidade de o Brasil deixar para trás a precariedade e se tornar uma nação de justiça e oportunidades para todos.


Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

Gley Rosa

O novo governo Dilma quer ser reconhecido como “Pátria Educadora”. Isso pode ser concretizado se além de um forte investimento monetário na educação, incluindo a melhoria salarial e a valorização profissional dos professores, o governo utilizar mecanismos de incentivo à população para também direcionar seus gastos à área educacional.

Aparentemente difícil de realizar essa tarefa, sua ação é facilitada quando se estabelece uma medida que popularmente é reconhecida como aquela que vai “mexer menos no bolso do contribuinte”. Nesse caso, torna-se necessário trabalho conjunto do Ministério da Fazenda, que tem em suas mãos a ferramenta do Imposto de Renda, com o Ministério da Educação, que poderá avaliar os resultados obtidos com as deduções criadas.

Hoje os pais têm a possibilidade de abater no IR um valor irrisório com o estudo dos filhos e os avós, que muitas vezes auxiliam nesses gastos, sequer têm qualquer incentivo. O estudo particular está cada vez mais oneroso, e sem a possibilidade de um ressarcimento do valor empregado, ficando mais fácil para a população colocar as crianças em escolas públicas e cobrar do governo a excelência no ensino e a disponibilidade de vagas que nunca poderá ser atingida se aqueles que têm melhores condições financeiras não bancarem sua participação.

A autorização para abatimento no IR de 100% do valor aplicado em educação aos pais, aos avós ou ao próprio contribuinte, juntamente com o aumento da idade limite para dedução, criará um interesse enorme na população em investir na educação pelo sistema particular, com vantagens excepcionais para o governo atingir suas metas. Podemos citar os seguintes resultados com o uso desse mecanismo:

• aumento do número de vagas em escolas públicas desde a pré-escola até a universidade;

• redução no gasto público com novas escolas e com salários para os docentes;

• aumento de pessoas fazendo pós-graduação lato sensu, mestrado e doutorado;

• ampliação do nível de emprego;

• criação de novas escolas particulares com consequente aumento na arrecadação de IR.

O SEESP já deu o primeiro passo para a melhoria do nível de ensino, criando o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), entidade sem fins lucrativos, com o objetivo de formar profissionais com foco na inovação e tecnologia. A primeira turma começou em 23 de fevereiro, com bolsa integral para os 54 alunos matriculados.

Se o governo utilizar as ferramentas de que dispõe, não há dúvidas que teremos em curto espaço de tempo a reversão do quadro atual de crise do ensino para o de um sistema capaz de atender o desenvolvimento nacional que a sociedade espera.


Gley Rosa é 1º vice-presidente da Delegacia Sindical do SEESP no Alto Tietê

Deborah Moreira

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) desenvolveram um equipamento eletrônico que imita o nariz humano e é capaz de identificar e classificar diferentes tipos de substâncias pelo odor. O chamado nariz eletrônico já possui algumas aplicações e há inventos semelhantes no mercado. O diferencial do protótipo da USP – que funciona com duas pilhas pequenas – é o baixo custo. O valor ficou em torno de R$ 200,00. Mas pode ser reduzido muito se o material for adquirido em grande escala.

O nariz eletrônico, que já recebeu prêmios como o Petrobras de Tecnologia de 2006, surgiu a partir de um estudo de síntese de polímeros (plásticos). O professor do IQ-USP Jonas Gruber, coordenador do projeto, conta que há cerca de 15 anos um aluno foi enviado para a Bélgica, onde aprendeu a montar o equipamento. As pesquisas tiveram financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O sistema é formado por um conjunto de sensores de gases – de quatro a sete, do tamanho de um chip de celular cada, revestidos de uma película de filme de polímeros condutores depositados sobre pares de eletrodos metálicos interdigitados – que armazenam um padrão de resposta para cada tipo de odor exposto. A partir de um sistema pneumático, o ar é liberado por uma tubulação que leva até a amostra de gás e, depois, segue para o conjunto de sensores. Essa informação é convertida em sinal digital, cujo software de reconhecimento de padrões identifica o tipo de substância volátil em contato com o dispositivo. “Trata-se de um equipamento portátil, barato e com um alto índice de acerto”, explica Gruber. Além do baixo custo de produção, segundo ele, outra vantagem é a economia no consumo de energia. O docente lembra que foram usadas peças retiradas de um aparelho de medir pressão. “Atualmente, há bafômetros sendo comprados por R$ 4 mil. Imagine desenvolver um com essa tecnologia barata. A fiscalização da lei de trânsito seria muito mais eficiente”, diz.

Outro diferencial é que a tecnologia desenvolvida pode servir a diversas funções. Algumas aplicações já foram desenvolvidas, como distinguir tipos de madeiras, o que contribuiria na fiscalização e redução do desmatamento na Região Amazônica. Há aproximadamente três anos foi iniciado um estudo para diferenciar o mogno do cedro. Na ocasião, o primeiro já estava em extinção e para passar na fiscalização, as madeireiras colocavam na documentação da carga que se tratava de cedro, na época liberado para comercialização e, atualmente, no rol de espécies ameaçadas. “Quando viram toras, fica impossível distinguir uma da outra a olho nu”, conta o professor que vem orientando estudantes do IQ-USP no desenvolvimento de novas aplicações para o equipamento. Ele continua:  “Entre o mogno e o cedro há um índice de acerto de 100%, porque são de espécimes e gêneros diferentes. Já quando analisamos imbuia e canela, que são de espécimes diferentes, mas do mesmo gênero, o percentual cai para 95%, que já é muito bom.”

Também há um estudo que conseguiu detectar precocemente a contaminação de laranjas (após a colheita) pelo fungo Penicillium digitatum. “Ainda não está no mercado. Para o País, maior exportador mundial desse produto e que perde boa parte de sua produção por conta da contaminação por fungos, seria uma excelente aplicação. O estudo foi publicado sem patente. Portanto, está disponível para quem quiser fabricar”, informa Gruber.


Fora do mercado

Apesar de muitas opções de nariz eletrônico terem sido desenvolvidas, não há nenhuma ainda no mercado. Sobre o equipamento voltado a madeiras, de acordo com Gruber, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegou a mandar uma carta de intenções para os pesquisadores.

 A essa aplicação, havia um grupo tentando iniciar uma empresa incubada na universidade. Depois de pronto, o estudo vai para a Agência USP de Inovação, que centraliza as incubadoras da universidade. Segundo sua informação, não há nenhuma iniciativa semelhante em andamento. Cabe à agência desenvolver os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) para transferência de tecnologia.  Se não há patente, a empresa oferece remuneração em troca do conhecimento. Se não precisar da assessoria dos pesquisadores, não é obrigatório. Para os casos de exploração comercial de pesquisas patenteadas, a assinatura de um acordo se faz necessária. Nesse caso, a empresa também oferece remuneração em troca do direito de explorar a tecnologia patenteada.


Saiba mais:

Sistema Tycho, em que são publicados os grupos de pesquisa da USP:
https://uspdigital.usp.br/tycho/index.jsp

Anuário de patentes:
http://inovacao.usp.br/transferencia-de-tecnologia/anuario-de-patentes/

Cartilha sobre transferência de tecnologia:

http://www.inovacao.usp.br/downloads/cartilha_TT.pdf

Mais informações em http://inovacao.usp.br

Rosângela Ribeiro Gil

Em solenidade concorrida, com a presença de autoridades, professores, entidades sindicais, profissionais, alunos e familiares, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, proferiu a aula inaugural do curso de graduação em Engenharia de Inovação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), no dia 23 de fevereiro último, em suas dependências, na Capital paulista.

À abertura, Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do SEESP – entidade mantenedora da nova faculdade –, deu boas-vindas aos estudantes. A proposta, como enfatizou ele, é que a nova escola seja referência no ensino de engenharia no País, ressaltando que o sindicato, ao tomar esse grande e pioneiro passo, não descuidou das bandeiras classistas, mas também não poderia ficar desconectado das mudanças do século XXI, que abrangem avanço tecnológico e inovação. Ao final do seu discurso, foi descerrada a placa com o nome do edifício – professora Lucilla de Guimarães Campos Pinheiro, que se notabilizou por defender a educação pública com qualidade.

O diretor-geral da instituição, Saulo Krichanã Rodrigues, parabenizou os alunos da primeira turma do Isitec por estarem inseridos numa proposta que tem o “DNA” da engenharia com uma matriz educacional também inovadora – são 54 matriculados. O curso terá cinco anos, o estudante permanecerá em sala de aula em período integral – somando 4.620 horas – e receberá uma ajuda de custo, além de bolsa integral. O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva, informou que a entidade já está de posse de toda a documentação para elaborar a resolução fixando a área de atuação e o campo de atividades, bem com as atribuições e prerrogativas dos profissionais que serão formados pelo Isitec.


Novos desafios

Em sua aula inaugural, Rebelo destacou que a engenharia está permanentemente associada à aventura humana pela sobrevivência e pela construção material da sociedade, observando que a própria civilização egípcia foi uma conquista da engenharia hidráulica, ao controlar o regime de águas do Rio Nilo para uso humano, principalmente para agricultura, numa área de deserto. No Brasil, lembrou, a base física da engenharia começou com a vinda da Corte Real de Portugal e na construção militar de fortalezas na costa brasileira, assim como no interior. “Foi o resultado da inteligência da engenharia civil aplicada à defesa, inicialmente, da Coroa portuguesa.” Conforme ensinou Rebelo, a primeira escola de engenharia – Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho – data de 1792.

Para o ministro, o País está preparado para enfrentar e vencer os novos desafios do desenvolvimento, como se superar em ciência, tecnologia e inovação e aumentar a produtividade e competitividade da indústria nacional. “Somos a sétima economia do mundo, mas estamos muito mal em inovação.” De acordo com sua fala, recente notícia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI) aponta que a exportação de alta tecnologia caiu muito, e a de baixa aumentou. “O Brasil está perdendo emprego industrial. Devemos nos apoiar nas nossas virtudes, mas temos de ter consciência das nossas deficiências para poder superá-las”, defendeu.

Nesse sentido, ele avaliou que o Isitec nasce num momento fundamental para o País, que precisa melhorar a qualidade e a competitividade do seu produto, usando a tecnologia e inovação. Para Rebelo, a faculdade dos engenheiros deve ter o espírito de garantir ao Brasil soberania científica, tecnológica e de inovação, “para não virarmos colônia de ninguém”.

O evento contou, ainda, com a presença do deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP); dos vereadores paulistanos Eliseu Gabriel (PSB) e Gilberto Natalini (PV); dos presidentes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), Francisco Kurimori, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Fernando Perondi; dos diretores dos sindicatos das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), João Alberto Viol, e da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Tiaki Watanabe; da vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Dora Fix Ventura; do secretário de Serviços do Município de São Paulo, Simão Pedro; do ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Guerra; do professor da Escola Politécnica da USP e coordenador do Conselho Tecnológico do SEESP, José Roberto Cardoso; e da vice-presidente da CNTU, Gilda Almeida de Souza. Além deles, compuseram a mesa os diretores do Isitec José Marques Póvoa (de graduação), Fernando Palmezan Neto (administrativo e financeiro) e Antonio Octaviano (de extensão e serviços de consultoria) e os integrantes do Conselho de Administração (CAD) da instituição e vice-presidentes do SEESP Celso Atienza e Carlos Alberto Guimarães Garcez.


Assista a aula do ministro Rebelo.

Rita Casaro*

Arguto observador do cenário sociopolítico e econômico brasileiro e mundial, o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, em entrevista ao Jornal do Engenheiro, chama a atenção para os interesses em jogo na atualidade. Para ele, se por um lado há problemas reais no País, a exemplo da corrupção que vem sendo apurada na Petrobras e as medidas de ajuste econômico de caráter recessivo anunciadas pelo governo, por outro, é preciso estar atento à agenda velada que visa fortalecer ainda mais os lucros e o poder de fogo da banca financeira em detrimento do bem-estar da população. Nesse sentido, adverte, a proposta de impeachment aventada hoje tem como alvo o desmonte dos avanços sociais obtidos nos últimos anos.  Ainda na avaliação de Vargas Netto, a defesa intransigente dessas conquistas, que incluem emprego e ganhos salariais, coloca o movimento sindical unitariamente no rumo correto.


O ano de 2015 começou sob a tônica da crise econômica e política. Qual a gravidade da situação no Brasil hoje?

Para qualquer frequentador de rede social, espectador de TV ou leitor de jornal, o Brasil, se não acaba hoje, acaba amanhã. Há um clima que eu chamo de “barata voa”. Ou seja, estamos vivendo uma situa­ção de confusão generalizada que, tendo como grandes personagens a Presidência da República e o partido hegemônico do governo, não deixa de perturbar também todos os outros protagonistas. Há uma percepção de que o governo não tem tido condições de oferecer um rumo seguro de enfrentamento das dificuldades (que são de ordem econômica social e política) compatível com a manutenção daquilo que vinha caracterizando esse governo: emprego, salário, respeito a direitos e condições sociais de progresso e avanço. Mas, embora na mídia haja um clima de fim do mundo, o Brasil continua.


Mas há dificuldades reais a serem enfrentadas, sobretudo pelos trabalhadores.

Temos que reconhecer que o movimento sindical dos trabalhadores é o único que tenta enfrentar a conjuntura numa perspectiva de superação sem histeria. Representado pelas suas centrais, conseguiu a unidade de ação em torno da defesa dos direitos e conquistas. Assim, com suas manifestações e mobilizações, tem estado na vanguarda da luta contra as demissões maciças e está a um passo de formular o grande slogan sintetizador da conjuntura, que é “não à recessão”. As medidas [anunciadas pelo governo] são tomadas para enfrentar a crise, mas há forte suspeita de que se não forem modificadas colocarão o Brasil na rota da recessão. Diferente de um desenvolvimento lento, com preservação de ganhos reais dos salários e do emprego, isso vai significar demissões e arrocho. O movimento, nas lutas que já trava contra as medidas provisórias 664 e 665, que constrangem o abono e o seguro-desemprego, levanta essa ideia de não à recessão.


Como entra o movimento sindical dos engenheiros nessa batalha?

Essa rede tem um papel protagonista em representar o interesse dos engenheiros e da engenharia brasileira. Diferentemente da sua linha estratégica, que é o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que defende a melhoria das condições de vida, a recessão prejudicaria o patamar de conquistas obtidas até agora. Assim, esse movimento sindical tem procurado enfrentar os erros do governo e defender a sociedade e a economia para que não haja retrocesso.


Nesse cenário, como lidar com as denúncias de corrupção na Petrobras?

Nesse quadro que é real de ineficiência, malfeito e roubalheira, o rentista coloca como bandeira o “delenda Petrobras” (do latim, a Petrobras deve ser destruída), como em “delenda Carthago”.  Ele quer privatizar, acabar com a regra do conteú­do nacional e o sistema de partilha. No fundo, quer o pré-sal. Devemos estar atentos. Com um olho, vigiamos e combatemos a corrupção, mas com outro, defendemos a Petrobras desses lobos.


E as especulações sobre impeachment da Presidente da República?

Em 2013, a garotada se manifestou na linha do “quero mais”. Em 2015, as pesquisas estão demonstrando uma queda generalizada de prestígio, gerada não pelo “quero mais”, mas pela incerteza sobre o amanhã. Nessa situação de desesperança e preocupação, é óbvio que um setor da sociedade quer avançar o elemento político do impeachment. Se tem sustentabilidade? Eu digo que não. Porque assim como se equivoca a franja radical que defende que deve ficar tudo como está, a franja radical da derrubada geral também não prospera. Nós criticamos a presidente Dilma Rousseff e a sua equipe econômica por estarem anunciando medidas que, a nosso juízo, armam a recessão. Mas, ironicamente, essas são as medidas que o campo adversário a ela tomaria. Essa histeria decorre de um fato que precisamos ser sagazes para perceber. A democracia no Brasil hoje se desequilibra entre a quantidade numérica de votos e a qualidade da hegemonia dos votantes. Por exemplo, o mercado financeiro dos bancos manda muito mais que milhões de eleitores.  Desse ponto de vista, o esforço sindical para impedir que medidas errôneas sejam tomadas faz parte da tentativa de reequilíbrio entre quantidade e qualidade na nossa democracia.


Qual a situação do Brasil em relação ao cenário mundial?

O mundo hoje atravessa uma situação de crise muito mais grave que a brasileira em termos econômicos, sociais e políticos.  E eu quero chamar a atenção para um aspecto que até irrita. Todas as alternativas de avanço que têm aparecido namoram a experiência brasileira dos últimos 12 anos. O partido Podemos, na Espanha, é explícito em citar a experiência brasileira; o Syriza, na Grécia, também. Quando em janeiro último começou a vigorar na Alemanha o salário mínimo como existente agora, foi inspirado na política brasileira. Quando o Obama fala em tirar dinheiro dos ricaços para auxiliar a classe média, inspira-se na nossa política. E no momento em que todos que procuram alternativas olham para a nossa experiência, nós flertamos com a possibilidade de desmanche dessa experiência. A ideia de impeachment da Dilma não é golpismo, porque a regra é constitucional, mas é o namoro ao desmanche da política social.


*Colaborou Priscila Silvério

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