logo seesp

 

BannerAssocie se

Fábio

Fábio

Soraya Misleh

No próximo ano, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, abrirá suas portas à primeira turma de graduação em Engenharia de Inovação do País. Iniciadas em 1º de outubro, as inscrições ao processo seletivo podem ser feitas até 5 de janeiro de 2015.

Realizado em parceria com a Cia. de Talentos, especializada em selecionar jovens talentosos para carreiras promissoras, contará com três fases: testes de análise de aptidão lógica online e confirmação da inscrição (do dia 15 deste mês a 9 de janeiro), via pagamento de taxa de R$ 35,00; resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem); e provas de análise e interpretação de linguagens e produção textual no dia 22 de janeiro. Serão 60 vagas ao curso pioneiro, a ser ministrado em período integral por cinco anos, contemplando 4.500 horas de ensino. Segundo o diretor-geral do Isitec, Saulo Krichanã, nas faculdades da área com maior tradição, o máximo são 3.500 horas.

Além desse diferencial, ele aponta outros: “Temos dentro da matriz curricular MBA em finanças e empreendedorismo, necessidades ao engenheiro do século XXI.” Ele continua: “Nosso programa pedagógico foi discutido por muitos anos com produtores, órgãos de classe e especialistas do exterior e do Brasil. A USP (Universidade de São Paulo) ajudou a montar a grade pioneira. Os professores estão sendo treinados dentro da nova proposta desde agosto último. Significa que há enorme valor agregado a esse curso.”

Diretor de graduação do Isitec, José Marques Póvoa complementa: “A proposta é formar um engenheiro com concepção básica bastante sólida, mas mais flexível para atuar em diferentes áreas” – de elétrica a mecânica, de bioquímica a agrícola. Nesse sentido, a pretensão é graduar multiespecialistas, que poderão atuar em diversas vertentes, numa perspectiva de aprendizado contínuo, como a realidade atual exige, diante da velocidade da inovação tecnológica. “O curso vai atender, assim, uma demanda de mercado”, acrescenta.

Foi o que moveu o SEESP a criá-lo e ao Isitec em 2011. A percepção de que fundar a instituição de ensino superior seria contribuição importante baseou-se na verificação de que havia um déficit quantitativo e qualitativo no País por engenheiros para atender ao desenvolvimento nacional sustentável – como indicado no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em 2006, com a adesão do sindicato, e atualizado desde então, esse apontava a necessidade de duplicar o número de formados em engenharia para que o País mantivesse rota ascendente de crescimento socioeconômico nos anos seguintes. A despeito de ter se ampliado a quantidade de graduados na profissão desde então – alcançando 45 mil por ano a partir de 2012 –, ainda é bem aquém se comparada a países com que o Brasil compete internacionalmente, como consta da publicação “A FNE e o desenvolvimento nacional”. Já em 2006 a China formava 400 mil engenheiros por ano; a Índia, 250 mil; e a Coréia do Sul, 80 mil.

 

Nova concepção

A proposta da graduação em Engenharia de Inovação surgiu para suprir a lacuna de ter um profissional com formação adequada para fazer frente aos desafios deste século. Os avanços tecnológicos exigem atualização contínua para que em pouco tempo o conhecimento obtido nas universidades não se torne obsoleto. Ao encontro, considera Póvoa, da “cultura de inovação”, que requer um profissional com formação abrangente, visão integradora das engenharias e foco no processo produtivo e no desenvolvimento da inovação tecnológica. Ao final, conforme sua fala, o estudante pode optar por disciplinas que vão se adequar as suas perspectivas, sem perder de vista sua capacitação para lidar com desafios futuros. “Esse é o diferencial básico.” Krichanã conclui: “Nossa missão é formar engenheiros capazes de inovar e empreender, transformando e humanizando a sociedade em que vivem.”

As aulas terão início em 23 de fevereiro próximo. “Aos que passarem por todo o processo seletivo, serão concedidas bolsas integrais não reembolsáveis. Mantê-las pelos cinco anos dependerá de avaliação de desempenho, um sistema que vai preparar o estudante para a competitividade atual”, frisa o diretor-geral. Além disso, conforme ele, a Cia. de Talentos acompanhará sua vida acadêmica e o cadastrará em banco de dados disponível para vagas no mercado de trabalho. O Isitec fica na Rua Martiniano de Carvalho, 170, Bela Vista, São Paulo/SP, telefone (11) 3254-6850.

Rosângela Ribeiro Gil

Combate ao trabalho escravo e infantil, à terceirização, o fim do fator previdenciário, a defesa da redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário, bem como da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Essas estão entre as reivindicações do movimento sindical constantes de documento entregue ao titular da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRT-SP), Luiz Antonio Medeiros, durante ato na Capital em frente ao órgão, no dia 7 de outubro (confira manifesto).

A iniciativa integrou a Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, que contou com mobilizações em mais de 150 países. Convocada pela Confederação Sindical Internacional (CSI), presidida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e que tem no País também como filiadas a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), neste ano, teve como tema “Justiça para os trabalhadores e trabalhadoras, justiça climática”.

Para o secretário-geral da Força Sindical, José Carlos Gonçalves, o Juruna, o País viu importantes conquistas, nos últimos anos, com relação ao trabalho. “Cresceu o número de empregos com registro em carteira e de convenções e acordos coletivos que garantiram aumento real de salários”, exemplificou. Ele lembrou que os direitos sociais são garantidos com mobilizações, greves e unidade de ação, mas também pela democracia, e advertiu para que, na votação a Presidente da República em 26 de outubro, os trabalhadores fiquem atentos às propostas apresentadas pelos candidatos.

Graça Costa, secretária de Relações do Trabalho da CUT, salientou a aprovação das propostas de emenda à Constituição (PEC) das domésticas – que incluiu 7 milhões de mulheres no universo dos direitos trabalhistas – e do trabalho escravo, aprovada em setembro último. Não obstante, ela observou que existe um ataque frontal por parte do empresariado, em todo o mundo, aos direitos trabalhistas. Na sua ótica, no processo eleitoral em curso no País, os trabalhadores precisam ter claro quem significa o retrocesso e quem vai avançar nessas questões.

 

Conquistas

Conforme destacaram os vários dirigentes que usaram a palavra no ato, o dia 7 faz parte de uma campanha internacional da CSI para uniformizar medidas básicas de proteção na área de saúde e quanto aos salários dos trabalhadores, de modo a evitar que as empresas explorem mão de obra barata em outros países. Juruna ressaltou que o governo federal, em 2003, promoveu uma Agenda do Trabalho Decente no Brasil, assinando um memorando com o então diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia. Segundo ele, a partir disso, foi obtida uma série de conquistas, como uma maior fiscalização contra o trabalho escravo pela Superintendência da SRT-SP. Ricardo Patah, presidente da UGT, recordou que a defesa do trabalho decente foi uma bandeira erguida pela OIT em 1999 e ganhou relevância mundial com o engajamento da CSI.

Já o presidente da CUT, Vagner Freitas, constatou que “estamos ainda muito distantes de uma sociedade que respeita os trabalhadores”, denunciando que, no centro de São Paulo, “vemos peruanos, corea­nos e brasileiros trabalhando por moradia e comida, sem salário, como se estivéssemos em séculos passados”. Para ele, o resultado das eleições ao Congresso Nacional – com aumento significativo de cadeiras ocupadas por segmentos conservadores – aponta a necessidade de fortalecer a luta pela reforma política e contra o financiamento de campanha privado e empresarial. “Não haverá justiça social e desenvolvimento sustentável com candidaturas que defendem o interesse do patrão, defendem a terceirização, a diminuição do salário mínimo, o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).”

Durante o ato, o presidente da CSI, João Antonio Felício, alertou para a situação de países da Europa, com a eleição de governos que implantam políticas recessivas e ajuste fiscal, que significaram aumento do desemprego, arrocho salarial, retirada de direitos e da proteção social. “No Brasil, conseguimos impedir esse movimento, mas hoje convivemos com a ameaça da volta das políticas neo­liberais e o iminente risco de que possa se espalhar pela América Latina”, considerou. E completou: “A CSI tem lado. São 180 milhões de trabalhadores preocupados com os rumos da eleição no Brasil, no Uruguai, no Mercosul (Mercado Comum do Sul) e comprometidos com a luta por um projeto de desenvolvimento com justiça social, distribuição de renda e defesa do meio ambiente.”

Com o apoio da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), será realizado o 1º Fórum de Saneamento Integrado Águas do Amanhã, no dia 24 de novembro, das 8h às 19h. O evento reunirá profissionais renomados, pesquisadores e professores das áreas ambiental, de recursos hídricos e políticas públicas para discutir e propor ideias e soluções tecnológicas, sociais e administrativas para a questão.

A atividade, segundo os organizadores, pretende abordar a evolução do saneamento no Brasil; obrigações das empresas com a política socioambiental; impactos econômicos com os problemas atuais de escassez e falta de água; situação dos rios com os despejos de esgotos, resíduos sólidos e efluentes e impactos no presente e futuro das águas; novidades e avanços em tecnologias no tratamento de água; soluções inovadoras, entre outros.

A ótica é de que o saneamento integrado representa uma alternativa para novo ordenamento do setor nos municípios. Assim, devem integrá-lo ações intersetoriais como intervenções urbanísticas, de abastecimento de água, esgotamento sanitário, pavimentação, drenagem, melhoria/implantação de instalações hidrossanitárias, educação sanitária/ambiental, coleta/destinação do lixo, controle de vetores/doenças e permanente operação/manutenção dos sistemas.

O evento será realizado no Centro de Convenções Rebouças (Rua Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 23, Cerqueira Cesar, São Paulo/SP). Mais informações sobre inscrição e valores pelo telefone (11) 2649-1035 e e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no link http://goo.gl/JN1aBM.

LINS
Centro Universitário de Lins (Unilins)
Site: www.unilins.edu.br
E-mailEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Telefone: 0800-7713090

• Saneamento e meio ambiente. Essa pós-graduação, com carga total de 360 horas, tem como objetivo especializar profissionais para atuarem em empresas públicas, privadas e em organizações não governamentais ligadas aos setores do saneamento e do meio ambiente. Valores: 24 parcelas de R$ 413,40, se o pagamento for até o dia 10 de cada mês, ou de R$ 486,35.

 

RIBEIRÃO PRETO
Sinatub Tecnologia Ltda.
Site: www.sinatub.com.br
E-mailEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Telefone: (16) 3911-1384

• Curso de gerenciamento de projetos. A atividade, a ser realizada nos dias 13 e 14 de novembro, objetiva apresentar a contribuição nos resultados com foco no planejamento e aplicação de ferramentas para a gestão do portfólio de projetos. No decorrer do treinamento, serão apresentados casos bem-sucedidos relacionados à área de produção. A atividade será conduzida por um profissional que compartilhará sua experiência adquirida ao longo de seis anos cuidando de projetos em um dos maiores grupos do setor sucroalcooleiro. Carga total de 16 horas. Valores: inscrições até 22 de outubro, R$ 960,00; após essa data, R$ 1.350,00.

 

SÃO PAULO
Barreto Engenharia Ltda.
Site: www.barreto.eng.br
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Telefone: (11) 5031-1326

• Curto-circuito, coordenação e seletividade. O curso, dentro do programa de atualização e aperfeiçoamento profissional, tem como intuito fornecer importantes conhecimentos sobre práticas e cálculos de faltas (curto-circuito) trifásicas, bifásicas, fase-terra e por arco, além de apresentar conceitos dos dispositivos de proteção e dos estudos de coordenação e seletividade amperimétrica, cronológica e lógica, permitindo aos participantes avaliarem uma instalação elétrica de média e baixa tensão. A atividade será realizada nos dias 20, 21 e 22 de outubro no Instituto de Engenharia, na Av. Dr. Dante Pazzanese, 120, Parque Ibirapuera, São Paulo. Valor: R$ 2.100,00.

 

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)
Site: www.fipe.org.br
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Telefones: (11) 3289-0813 e 3284-1624

• Projetos de infraestrutura: como analisar e avaliar. Curso de extensão de curta duração que visa compreender e atualizar os conhecimentos de avaliação de projetos e empreendimentos com base nas metodologias tradicionais. Início previsto para 27 de outubro. Carga total de 60 horas. Valor: R$ 3.300,00 (em duas parcelas de R$ 1.650,00). A atividade será realizada na Avenida Paulista, 1.499, 4º andar (entrada pela Al. Casa Branca, 35).

 

Associação Paulista de Engenharia de Segurança do Trabalho
Site: www.apaest.org.br
E-mailEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

• Engenharia de segurança em debate. A palestra, com os engenheiros Rogério Luiz Balbinot, presidente da Associação Sul Riograndense de Engenharia de Segurança do Trabalho (Ares), e Celso Atienza, vice-presidente do SEESP, será realizada no dia 20 de outubro, das 18h30 às 21h. A atividade abordará vários aspectos do setor, entre eles: as diferenças dos critérios de avaliação e agentes agressivos do Ministério do Trabalho e Emprego e INSS; preenchimento dos documentos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST); o uso de ferramenta eletrônica e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no contexto do e-Social. As inscrições são gratuitas. O evento será realizado na sede do sindicato, na Capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista).

15/10/2014

Canteiro

Agrônomos em luta

Em 11 de outubro, celebrou-se o Dia do Engenheiro Agrônomo. Os profissionais do município de São Paulo, entretanto, não têm muito a comemorar. No dia 8, um grupo de servidores públicos se reuniu na sede do SEESP e apontou uma série de dificuldades a sua atuação. Além disso, discutiram o Projeto de Lei 166/14, que “permite a contratação pelo poder público de serviço de elaboração de laudo técnico para poda de vegetação de porte arbóreo e dá providências correlatas”. A categoria se posicionou contra o projeto, por entender que significa precarização do trabalho.

De acordo com o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), um dos autores do PL, a ideia é que esses terceirizados façam um laudo inicial, que deve ser analisado pelos agrônomos da Prefeitura. “O objetivo é permitir que, quando tiver problema de acúmulo, a Subprefeitura possa chamar agrônomos de fora para ir ao local. Mas o serviço deles será submetido à avaliação de um servidor público experiente”, explica.

Não é de hoje que as solicitações para a poda de árvores na cidade se acumulam. Muitas foram as tentativas de colocar em dia essa demanda e atender melhor a população. Durante a reunião, foram levantados os problemas que atrasam os pedidos. De acordo com os profissionais, não é só por falta de pessoal técnico.  As vistorias técnicas ficam travadas nos diversos órgãos responsáveis e, depois, nas mesas dos subprefeitos que ainda precisam autorizar esse tipo de serviço. Além disso, o Sistema de Gestão de Árvores Urbanas (Sisgau), implantado desde 2009, ainda está em fase inicial e requer aprimoramento. O Sisgau faz um fichamento a partir de um georreferenciamento dos espécimes arbóreos. Outro problema apontado pelo corpo técnico é a falta de infraestrutura para coletar os dados em campo.

Essas questões serão debatidas em reunião que deverá ocorrer nos próximos dias entre o vereador Matarazzo e uma comissão de engenheiros. O autor do PL afirma que tal está em fase de elaboração e aberto a contribuições da categoria.

 

Delegacia Sindical em Jundiaí e outras entidades promovem Mostra de Engenharia

A cidade de Jundiaí terá a 1ª Mostra de Engenharia para celebrar a promulgação da Lei Municipal nº 8.244/2014, que insere no calendário da cidade a “Semana de Engenharia”. A iniciativa é da Delegacia Sindical do SEESP em Jundiaí, da Associação dos Engenheiros local, juntamente com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).

O evento tem como objetivo mostrar, por meio de exposição fotográfica, a história da engenharia na cidade e região, e impactar os profissionais da área tecnológica e a sociedade civil com relação à importância da tecnologia aplicada ao desenvolvimento social. A exposição ficará aberta até o dia 20 de outubro, no anexo da Câmara Municipal (Rua Barão de Jundiaí, 128, Centro).

Já as palestras ocorrerão no anfiteatro da Biblioteca Municipal Nelson Foot, nos dias 21, 22 e 23 de outubro, em dois horários: 9h30 e 19h30. Também no dia 21, às 19h, na Associação dos Engenheiros de Jundiaí, haverá palestra sobre “Registro online”, com a engenheira Luciana Ferrer.

Mais informações sobre o evento pelos telefones (11) 4522-2437 e 3379-0587 ou e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Inscrições aqui.

 

Vagas, orientação, treinamentos

Por intermédio de sua área de Oportunidades & Desenvolvimento Profissional, o SEESP oferece diversos serviços aos engenheiros. Entre eles, orientação profissional (vocacional) e para elaboração de currículo, coaching de carreira e emissão de carteira de trabalho via convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego, além de cadastramento de currículos e vagas. Para se candidatar, clique aqui. Mais informações pelo telefone (11) 3113-2670.

 

 Avanços nas negociações com o Metrô

Durante reunião de conciliação no Núcleo de Conflitos Coletivos (NCC) do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – 2ª Região, em 6 de outubro, para tratar das pendências da campanha salarial 2014, os engenheiros que atuam no Metrô obtiveram alguns avanços nas negociações.

Com relação ao Metrus, o plano de saúde para aposentados, foi acordado que a companhia apresentará ao SEESP e ao NCC em 15 dias um estudo com cronograma sobre a implantação de uma alternativa economicamente mais acessível.

Sobre o adicional de periculosidade dos engenheiros, a empresa deverá apresentar em até 60 dias estudo técnico mapeando todos os engenheiros que exerçam atividades em áreas de risco elétrico. Também foi facultado prazo de 20 dias para apresentação de quesitos e indicação de assistentes técnicos, a fim de subsidiar a elaboração do laudo. O estudo contemplará engenheiros independentemente do cargo ou função que exerçam no Metrô.

A companhia comprometeu-se ainda a contratar uma consultoria especializada, no prazo de seis meses, para iniciar o estudo global de um novo Plano de Cargos e Salários (PCS). O SEESP e o Metrô reafirmaram os compromissos para manutenção do canal de negociação direta sobre os assuntos de interesse comum entre as partes. A próxima reunião no NCC está marcada para dia 24 de fevereiro de 2015.

Chega a uma nova etapa com a publicação intitulada “Novos desafios”, que circula a partir deste mês, o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em 2006. Criada frente a uma realidade de estagnação econômica, a iniciativa desde então tem o objetivo de propor a discussão sobre a necessidade e a possibilidade de se expandir a economia nacional de forma sustentável e com distribuição de renda. As premissas básicas da proposta eram a meta de ampliação do Produto Interno Bruto (PIB) de 6% ao ano, com 25% de investimentos públicos e privados, e uma administração da macroeconomia de forma a reduzir juros e estimular o gasto produtivo.

Uma primeira fase desse esforço passou por apontar a necessidade de investimento em infraestrutura, cujas deficiên­cias representavam sérios gargalos. A instituição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007, de certa forma respondeu a essa demanda e estimulou a economia.  Ainda, medidas de distribuição de renda, sobretudo a valorização do salário mínimo, acertadamente garantiram o fortalecimento do mercado interno, o que serviu inclusive como anteparo frente à crise financeira que varreu o mundo a partir do segundo semestre de 2008.

Hoje, deparamo-nos com um duplo desafio: dar continuidade ao esforço de melhorar a infraestrutura nacional, ainda seriamente insuficiente apesar dos progressos feitos, e buscar o avanço industrial, sem o qual não escaparemos ao subdesenvolvimento. Apesar da importância gigantesca da agricultura, um país com tais dimensões e complexidades não poderá viver eternamente da venda de commodities se quiser transformar-se numa nação em que haja condições de vida digna para todos e com inserção qualificada no panorama global. 

Partindo desse pressuposto, os engenheiros brasileiros, por meio do projeto “Cresce Brasil”, incluem na sua pauta de debates com os governantes, parlamentares e a sociedade em geral a necessidade de reindustrializar o Brasil, com inovação e ganhos de produtividade. Dar conta dessa tarefa implica tomar medidas corretas na área econômica e estabelecer uma política de Estado estrategicamente voltada a tal objetivo, por exemplo adensando cadeias produtivas promissoras. É urgente também investir em pesquisa e desenvolvimento.

Por fim, é preciso que se pense na mão de obra essencial a alcançar tais metas. Um dado positivo é que, desde 2006, quando teve início o “Cresce Brasil”, houve significativo aumento da procura pelos cursos de engenharia por parte dos jovens estudantes. De um patamar de 30 mil concluintes por ano, saltamos para cerca de 54 mil, em 2012, conforme dados do censo do ensino superior do Ministério da Educação (MEC). É necessário manter a dinâmica que estimule as carreiras voltadas ao desenvolvimento e ponto essencial nesse sentido é a valorização profissional, que inclui remuneração justa, condições adequadas de trabalho e reconhecimento.

A FNE e o SEESP apresentam, assim, à sociedade e, especialmente, aos candidatos nas eleições deste ano, uma proposta de debate sobre o futuro do Brasil. Convidamos todos a integrá-lo.


Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

José Antonio Marques de Almeida

A Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga, foi construída pela Companhia Docas de Santos, de 1904 a 1910, para fornecer energia ao Porto de Santos. Por anos, alimentou todo o complexo portuário e vendia o excedente para cidades vizinhas. Passados mais de 100 anos, as antigas máquinas permanecem operando, gerando os mesmos 15 megawatts, suficientes para 70% do porto de hoje.

Todos os equipamentos do complexo hidrogerador – incluindo cinco turbinas de quatro toneladas e cinco geradores de oito toneladas, tubos de ferro, trilhos da linha férrea, cabos e torres da linha de alimentação de 30 km de extensão – foram transportados por embarcações navegando no canal de Bertioga. Por quase 100 anos, esse caminho fez parte da logística da Usina de Itatinga.

Hoje, o transporte entre o porto e a Usina de Itatinga é pela Rio-Santos (BR 101) e o  Canal de Bertioga é utilizado  por barcos de recreio. Por falta de estratégia e planejamento, não se utiliza essa via para levar carga, o que retarda o progresso regional.

Há dois anos, apresentei à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) uma ideia para construir uma Rede Hidroviária da Baixada Santista. Ela é formada pelos rios Branco, Mariana, Piaçabuçu e Canal de Bertioga. Visitei os prefeitos da região, entre Praia Grande e Bertioga, para demonstrar essa possibilidade e motivar a participação dos municípios nesse projeto, que prevê uma rede de comércio por rios, muito comum na Europa. Houve forte interesse e várias entidades locais têm promovido seminários sobre o tema.

É preciso construir o porto indústria em Bertioga, proposta que se encaixa no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa lançada em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). A meta é desenvolver a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) e garantir qualidade de vida, usando o canal de navegação como infraestrutura de ligação com o maior porto do Hemisfério Sul. Essa transfusão econômica vai possibilitar instalações de plantas industriais também na área continental de Santos e Guarujá, não poluentes e com logística competitiva.

As águas para mover as pás do projeto do Porto de Bertioga fluem pelo seu canal, onde todo ano ocorre a Maratona de Natação 14 Bis. Assim como percorrer a raia de 42 km de natação, colocar barcaças navegando como logística do Porto Indústria de Bertioga vai representar muita excitação e chances de vitória.


José Antonio Marques de Almeida,
o Jama,
é engenheiro portuário e diretor do SEESP

Deborah Moreira

A lista de responsabilidades da categoria na Capital é extensa: executar projetos e obras, fazer planejamento, gestão de transporte, trânsito e resíduos sólidos, drenagem urbana, diversos tipos de licenciamento e a manutenção e operação de espaços públicos, entre outras tarefas. No último concurso realizado pela Prefeitura, em 2013, para engenheiro civil, elétrico, mecânico e químico, entre as funções exigidas estavam: “desenvolver projetos de engenharia nas respectivas modalidades; executar, supervisionar e fiscalizar obras e serviços técnicos; elaborar orçamentos; emitir parecer para contratação de empreendimentos, coordenar a operação e sua manutenção; controlar a qualidade dos suprimentos e serviços comprados e executados; realizar perícias afins; elaborar normas e documentação técnica; desenvolver outras atividades afins”.

Para dar conta desse rol de tarefas na cidade de quase 12 milhões de habitantes, a Prefeitura Municipal de São Paulo conta com 667 engenheiros concursados que atuam em 18 das 27 secretarias (429) e em todas as 31 subprefeituras (238). Dependendo do órgão em que está locado, o profissional acumula funções, algumas burocráticas, como a dos que atuam na Assessoria Jurídica da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Siurb), onde todos os documentos e contratos passam por revisão antes de irem para a mesa do secretário.

Para atestar sua importância para o desenvolvimento da capital paulista e seus moradores, a reportagem do Jornal do Engenheiro acompanhou alguns desses trabalhadores do serviço público municipal em suas rotinas. “Aqui fazemos obras de grande porte de drenagem de águas pluviais, com planejamento. Também damos apoio às subprefeituras”, explica o engenheiro Michel Célio Kange, superintendente de Obras Viárias da Siurb. No entanto, como ocorre nas subprefeituras, a execução das obras fica a cargo de empresas privadas contratadas por licitação.

A utilização de mão de obra terceirizada para suprir as demandas do município tem sido crescente. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, contudo, “não seria possível fazer o levantamento preciso devido ao grande número”.


Muito trabalho, pouca gente

De acordo com o Município, a Siurb possui 79 profissionais. Segundo Kange, o número é insuficiente para atender uma cidade do porte de São Paulo.

Já na Subprefeitura da Mooca, que atende os distritos Mooca, Belém, Água Rasa, Tatuapé, Brás e Pari, 18 engenheiros fazem parte do quadro. Atualmente, 14 obras de grande porte estão em andamento, sete de drenagem.

Um desses profissionais é Alexandre Valdez, um dos dois engenheiros agrônomos responsáveis pela área verde dentro dos 35 km2 atendidos pela Coordenadoria de Projetos e Obras (CPO) da Subprefeitura da Mooca. Ele também concorda que falta gente para dar conta da demanda de forma adequada.“O ideal era ter mais equipes e tempo para fazer o planejamento e evitar retrabalho. Quando você atende a uma reclamação sobre uma árvore em uma determinada rua, ali ao lado tem outra em igual situação. Se você só atende em cima do pedido, não resolve o problema de fato. Precisamos de tempo para atender a toda a população e economizar recursos”, explica.

O agrônomo reforça que o mesmo deve ser feito na época de chuvas: “A poda ou retirada da árvore, com risco de queda, pode ser feita antes de algum acidente ocorrer”.

Quem também espera um planejamento maior da administração pública para as atividades é a chefe de unidade da CPO da Mooca, a engenheira Maria Christina Zacchello. Ela chega ao trabalho por volta das 6h30 para acompanhar a saída das equipes terceirizadas, que fazem sarjetas, guias, calçadas, rampas de acessibilidade e manutenção em praças. “Apesar do número reduzido de pessoal, a gente tem feito um pequeno milagre. De janeiro a junho a equipe de manutenção fez 200 rampas de acessibilidade. Já a de projetos e obras fez mais 120. E é algo que é prioridade dentro dessa administração”, conta.

Zacchello explica que sua função é basicamente atender à demanda gerada pelos moradores. Ou seja, planejamento urbano para dar mais qualidade à cidade só é possível para obras pequenas, como revitalização de praças.

Além do trabalho que é feito diariamente, os engenheiros da Prefeitura fazem plantão na Defesa Civil, inclusive nos finais de semana com esquema de revezamento. “Qualquer acidente que envolva vias públicas, equipamentos da cidade e áreas de risco, temos que estar prontos para atender”, reforça Carlos Eduardo de Lacerda e Silva, também da CPO da Subprefeitura da Mooca.

Para o chefe de unidade Carlos Roberto Gonçalves, o Carlinhos, que atua há 30 anos no serviço público, a presença do profissional de engenharia para o funcionamento da cidade é fundamental. “Sem a presença do engenheiro as avaliações das obras não ocorrem. É preciso um engenheiro para vistoriar e fazer um laudo para que se tenha uma solução para determinado problema”, diz.

O engenheiro civil Mauro Messa Martins foi o responsável técnicos por algumas das obras da Prefeitura no entorno da Arena Corinthians, para a Copa 2014: um viaduto e duas praças, uma de convivência e dispersão e outra de dispersão do público na saída do estádio. “Fiz a leitura do projeto para concretizá-lo, atuei na fiscalização, com muita papelada e burocracia, debaixo desse sol, mas valeu a pena. O trabalho ficou excelente”, atestou Martins, que fez questão de apresentar a equipe de sete pessoas da manutenção, chamada às pressas para rebaixar um trecho da guia da calçada para evitar que os torcedores tropeçassem ao deixar o local em meio à multidão.


Insatisfação

A satisfação de Martins com o trabalho feito não se estende à remuneração recebida por ele. “Temos um piso da categoria que, por lei, é na faixa dos R$ 6,5 mil, enquanto na Prefeitura o profissional em início de carreira ganha metade disso. Estou nessa luta também”. A batalha a que se refere é a mobilização dos engenheiros e arquitetos da administração municipal, que desde o ano passado reivindicam recuperação das perdas inflacionárias e um plano de carreira que garanta ganhos compatíveis com sua importância para o Município (leia mais em JE 454 e 455).

Maria Christina Zacchello faz coro ao colega. Ela conta que há dois anos trocou o emprego no setor privado pelo serviço público com o “intuito de ajudar a cidade”, mas não tem sido fácil manter a escolha.  “Continuo aqui porque eu quero fazer algo pela comunidade. Eu ganhava cinco vezes mais do que hoje. Quem paga as contas lá em casa é meu marido. E trabalho tanto quanto antes”, lamenta.

Com base no que vem ocorrendo em seu departamento, Kange prevê: “Nesse ritmo que está, se nada for feito, em oito anos não haverá mais engenheiro concursado. Tenho um cargo para diretor de divisão aqui no departamento que está vazio; ninguém quer.”

Segundo a Prefeitura, a remuneração inicial do engenheiro é de R$ 3.157,34, sendo R$ 1.857,26 como padrão mais
R$ 1.300 de gratificação. No entanto, Lacerda, que também é Delegado Sindical do SEESP, corrige: os 100% da gratificação só são alcançados após três anos de estágio probatório. Antes disso, é de R$ 650. A remuneração no final da carreira é de R$ 7.404,74. Ou seja, é preciso décadas de dedicação para se ganhar um pouco mais que o piso do setor privado, atualmente de R$ 6.516,00.

Outro fator que concorre para baixar o moral da categoria no município é a ocupação de cargos técnicos, que seriam exclusivos de engenheiros e arquitetos, por outros profissionais. A partir da Lei 13.169, de 2001, alguns cargos passaram a ser ocupados por geólogos e tecnólogos em construção civil, eletricidade ou mecânica. Outros 500 tornaram-se de “livre provimento”, bastando a formação de nível superior. Nesses casos, o ingresso não se dá por concurso público, e sim em regime de CLT, e com remuneração mais elevada, conforme atesta Lacerda: “Quando era coordenador na Subprefeitura Jaçanã, entre 2005 e 2009, havia outro no mesmo cargo, contratado por CLT, que ganhava 40% a mais que eu. Além disso, quem assume esses cargos geralmente chega sem saber nada e perdemos um tempo para explicar”.


Fundamental, mas invisível

Além do acúmulo de trabalho e baixa remuneração, os engenheiros que atuam na cidade de São Paulo ressentem-se da falta de prestígio da categoria, apesar da importância inegável para a população. “Há um desconhecimento sobre o nosso trabalho, sobre a importância do papel que cumprimos na organização territorial da cidade, seja no planejamento urbano, na gestão do trânsito ou mesmo na manutenção de espaços públicos como praças e parques”, lamenta Carlos Lacerda da Silva, da Subprefeitura da Mooca.

Para ele, a recente greve da categoria, realizada entre 27 de maio e 11 de junho, evidenciou essa situação. “Muito serviço ficou acumulado nesses dias em que precisamos nos mobilizar para pressionar a Prefeitura a retomar as negociações com a categoria. Mas a população não percebe porque a maior parte do serviço que prestamos ocorre de forma indireta”, lembra.

Curiosamente, a invisibilidade social, tema da tese de doutorado de Fernando Braga da Costa na Universidade de São Paulo (USP), intitulada “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social”, não atingiria profissionais de nível superior e notório saber técnico como é o caso dos engenheiros. As vítimas desse fenômeno, conforme atestou o pesquisador, são comumente garis, ambulantes, porteiros, motoristas de ônibus, trocadores, controladores de voo, bilheteiros, faxineiras. Ou seja, trabalhadores absolutamente essenciais à vida cotidiana e ao bem estar coletivo, mas desvalorizados pela baixa remuneração ou escolaridade.

No entanto, a queixa apontada por Lacerda e Silva é corriqueira entre a categoria na capital paulista.  Michel Célio Kange, superintendente de Obras Viárias da Secretaria de Infraestrutura Urbana  (Siurb) dá uma pista do porquê:  a falta de valorização dos profissionais pelos administradores públicos que assumiram a prefeitura nos últimos anos.

Soraya Misleh

 “Ao mesmo tempo em que é vital dar continuidade aos esforços de ampliação e modernização da infraestrutura de serviços públicos e de apoio à produção – mote central das etapas anteriores do projeto ‘Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento’ e que se mantém plenamente atual –, um novo desafio agora integra o cenário nacional: o da desindustrialização.” Com esse diagnóstico, abre-se o primeiro texto de mais uma etapa do “Cresce Brasil”, desta vez sob o mote “Novos desafios”. A iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), lançada em 2006, vem sendo atualizada desde então.

O documento de 2014 que dá continuidade ao projeto dos engenheiros ao desenvolvimento nacional sustentável com distribuição de renda, a exemplo dos anteriores, será entregue aos candidatos a Presidente, a governadores, bem como aos Legislativos nacionais e estaduais. A ideia é trazer as contribuições da categoria aos seus programas de gestão.

Segundo Artur Araújo, consultor do “Cresce Brasil”, que compilou as notas técnicas que compõem a atual versão e a redigiu, “sua grande adição é o tema da produção industrial”. Ele aponta como prioridades identificadas agora “evitar a desindustrialização precoce em curso, adensar as cadeias produtivas e, sobretudo, inovar e agregar tecnologia, ao que o papel do engenheiro é estratégico”. De acordo com o especialista, tais demandas partem da premissa de que o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, nos últimos tempos, não foi acompanhado na mesma velocidade e intensidade pela produção interna. Como consta do documento, é preciso ainda, para tanto, “valer-se criativamente das vantagens competitivas nacionais e da pujança potencial do mercado interno brasileiro”.

Diante do quadro atual, consequentemente, diz Araújo, “quem tem levado vantagem é o produtor externo”. Na nova versão do “Cresce Brasil” é evidenciado esse problema: “A participação de itens importados no consumo brasileiro de máquinas e equipamentos cresceu de 52% em 2007 para 66% em 2013.”


O gargalo

A nota técnica que reúne tais informações foi elaborada pelo economista e professor-doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Antonio Corrêa de Lacerda, a qual indica a disparidade em âmbito nacional: “Tendo como base a média de 2004, a produção física da indústria, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu apenas 18% no acumulado. Em contrapartida, o consumo, medido pelas vendas reais do comércio ampliado (que inclui construção civil e automóveis), cresceu, no mesmo período, 97%.” Ou seja, as medidas que garantiram esse resultado, apresentadas no documento – “contínuos ganhos reais dos salários e dos programas estatais de transferência de renda, (...) políticas governamentais de desoneração tributária, redução de juros e ampliação de crédito” –, não foram acompanhadas pelo enfrentamento do desafio da produtividade no País. A mesma análise demonstra que o problema não tem origem na falta de capacidade instalada: “No mesmo período, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) identifica uma ociosidade média de 20% do parque produtivo.” Para o coordenador do “Cresce Brasil” e diretor do SEESP, Fernando Palmezan Neto, isso faz com que o País se mantenha na posição de exportador essencialmente de commodities.

Enfrentar essa questão é crucial diante de um cenário de estagnação econômica e diminuição de investimentos públicos fundamentais. “De 2007 para cá, o Brasil não está crescendo e, aparentemente, a perspectiva de expansão se reduz por certa crise de confiança do empresariado”, salienta o coordenador técnico do projeto, Carlos Monte. Ele destaca também o fato de a inflação estar “aparentemente alta e ser vista como ameaça, levando o governo à política agressiva de aumento de juros”. E de a “agroindústria do álcool, por força da contenção no preço da gasolina e do diesel, ter piorado muito, o que deve ser resolvido com a medida anunciada pelo governo de aumentar a participação do etanol na mistura com a gasolina”. Além disso, complementa ele, “o pré-sal está demorando a maturar, o que já era esperado”. Por outro lado, diz, “a geração de empregos vai bem, as reservas externas estão elevadas e os programas Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida são exitosos”. Ele resume o objetivo nessa etapa: “Manter o que está indo bem e melhorar o que não está.” No esforço para tanto, além de se debruçar sobre o tema da produção industrial, o “Cresce Brasil – Novos desafios” recupera e amplia propostas ao desenvolvimento da infraestrutura nacional. Monte sintetiza os desafios principais nesse quadro: “Continuar desenvolvendo o pré-sal e o plano de investimentos em transporte (estradas de ferro, hidrovias, portos etc.) e telecomunicações; manter a geração de emprego formal e os programas sociais (agregando, por exemplo, o ‘Internet para todos’ à universalização da banda larga); e adensar, principalmente, as cadeias produtivas industriais ligadas ao desenvolvimento da infraestrutura.” Sobre o último ponto, ele exemplifica: “Na área de transportes, para fabricação de trilhos, hoje integralmente importados, e em petróleo, de componentes para navios e plataformas.”

O coordenador técnico da iniciativa da FNE cita ainda que é preciso, no caso dos portos, “diminuir a burocracia alfandegária, aprimorando o programa ‘Porto sem papel’, e continuar a estimular a indústria da construção naval (que hoje conta com 14 estaleiros em funcionamento)”.

Receba o SEESP Notícias *

agenda

ART site SEESP 2025