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Fábio

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Principal exportadora de bens de alto valor agregado do País, com 18 mil funcionários, dos quais 4 mil engenheiros, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) está em tratativas com a norte-americana Boeing, uma das maiores fabricantes de aeronaves civis e militares do mundo. É o que confirma ao Jornal do Engenheiro a comunicação corporativa da companhia nacional, “a respeito de uma potencial combinação”, mas sem responder o que isso pode significar para a empresa considerada estratégica em termos de defesa pela Lei 12.598/12. Tampouco se sabe se os postos de trabalho no País serão preservados. O Ministério da Defesa também não informa quais os termos da conversação, não obstante afirme que o controle acionário da Embraer não será “colocado à mesa de negociação”.

Desde que a notícia foi divulgada pela mídia, em dezembro último, a preocupação é grande entre especialistas e representantes dos profissionais que atuam na fabricante, criada em 1969 e privatizada em 1994. Seu caráter estratégico ao Brasil e à engenharia nacional é salientado pelo presidente do SEESP, Murilo Pinheiro. Nesse sentido, ele defende que o governo, detentor do poder de vetar transações lesivas ao País (golden share), “tem a obrigação de não permitir mais esse retrocesso, que pode implicar desemprego, especialmente na engenharia, perda de capacidade tecnológica e até vulnerabilidade em termos de segurança nacional”. A apreensão é compartilhada por Herbert Claros, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a cidade paulista onde se localiza a matriz, para quem uma possível “venda” da brasileira à estadunidense “ameaça o futuro da Embraer e do emprego”.

Soberania e engenharia em xeque

Murilo cita que a companhia, atualmente, está envolvida na produção do submarino nuclear brasileiro. “Frentes de atuação como essas não podem simplesmente ser transferidas para uma empresa estrangeira.” O problema vai além da venda de uma companhia aeroespacial, como lembra William Nozaki, professor de ciência política e economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP): “A Boeing é parte constitutiva do complexo industrial-militar norte-americano e uma aliada fundamental à política de defesa dos EUA.” O risco é que uma fusão deixe ainda “mais vulneráveis a defesa e a soberania do Brasil”.

Para Nozaki, a parceria pode significar desde a criação de uma joint-venture e uma injeção de capital até o controle majoritário e talvez integral da Embraer. “O governo está apostando no poder das suas ações preferenciais. O imbróglio é que nenhuma golden share consegue dar todas as garantias de que projetos estratégicos não serão obstruídos e de que transferências tecnológicas serão realizadas, o que pode converter inteligência pública e coletiva em riqueza privada e financeira.”

A opção de segregar as atividades comerciais e militares implica questões de complexa resolução, segundo Jonathan de Araújo de Assis, pesquisador do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (Gedes) – coletivo multidisciplinar que reúne graduandos, mestres e doutores ligados às áreas de paz, defesa e segurança, vinculado ao Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Ippri-Unesp). Ele expõe: “Talvez a principal gire em torno dos chamados sistemas de armas modernos, que hoje beneficiam-se de tecnologias desenvolvidas no setor civil, sobretudo aquelas vinculadas aos regimes de comando, controle, comunicações e computacionais.”

No caso da Embraer, Assis salienta que o jato de transporte militar e reabastecimento aéreo KC-390, hoje um dos mais importantes projetos militares da empresa, em fase final de desenvolvimento/certificação, utiliza componentes e estruturas do jato comercial da companhia. “Portanto, é cada vez menos óbvia a delimitação dessas produções.” Além disso, prossegue, a fabricante participa em diversos projetos estratégicos das Forças Armadas do País, como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub), por meio de sua subsidiária Atech; e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), com as controladas Savis e Bradar.

Para Assis, carece ainda de esclarecimentos como um eventual acordo com a Boeing pode afetar o programa de cooperação entre Brasil e Suécia no âmbito do novo caça Gripen (versão monoposto, para um piloto). O equipamento está sendo desenvolvido em parceria da Embraer e outras empresas brasileiras com a sueca Saab. O contrato assinado entre os dois governos, há três anos, no valor de US$ 5,4 bilhões, contempla a transferência de tecnologia à construção de aeronaves de combate avançadas, com a previsão de entrega de oito dessas em 2021 e dos 36 caças encomendados em novembro de 2024.

Na visão do professor adjunto do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e doutor em economia Thiago Caliari, em termos de competitividade, as negociações são importantes, haja vista que “tendem a aumentá-la” duas empresas que já realizaram esse processo, em outubro do ano passado. A referência é à aquisição pela europeia Airbus, principal competidora da Boeing, da participação majoritária no programa de jatos regionais C-Series da canadense Bombardier – concorrente da Embraer no mercado de aeronaves comerciais regionais. Ele considera que a parceria seria interessante no que tange ao aumento de escala e de escopo, porém frisa que “a perda do controle acionário por parte do governo pode ser prejudicial pelo motivo de soberania nacional e por estratégias de política industrial”.

Por Rosângela Ribeiro Gil

O novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, destaca ao Jornal do Engenheiro o desafio de confirmar a excelência da academia após forte crise financeira, conforme Relatório de Gestão 2014-2017, e queda em rankings de qualidade. Professor titular em Materiais e Componentes de Construção Civil e ex-diretor da Escola Politécnica (Poli-USP), Agopyan recebeu do SEESP em 2008 o já tradicional prêmio Personalidade da Tecnologia em Valorização profissional.

O engenheiro está a frente de uma das maiores universidades do País, cujo orçamento previsto para 2018 é de R$ 5,177 bilhões, destinado a 42 unidades de ensino e pesquisa, além de institutos especializados, museus e hospitais divididos em oito campi (localizados nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Bauru, Lorena, Santos, Piracicaba e Pirassununga), com mais de 5 mil docentes, 88.800 alunos e 182 cursos de graduação e pós-graduação.


Quais os principais objetivos da nova gestão?

Nossa proposta é baseada em três eixos. O primeiro é a busca contínua por excelência. Temos que retribuir à população contribuinte uma instituição de ensino e pesquisa de excelência, é nossa obrigação como instituição pública. E uma ferramenta para isso é a internacionalização, através de projetos e pesquisas em conjunto com universidades estrangeiras parceiras, em que o duplo diploma é uma consequência. No caso particular da engenharia, a internacionalização é uma realidade. Mesmo em áreas em que a regionalização é imperativa, como civil, muita coisa é feita de uma maneira internacional. O segundo eixo é trazer excelência a serviço da sociedade. A maioria vê a universidade apenas como ensino de terceiro grau. Isso é uma falha dela, de como se apresenta, e não somente das pessoas. Queremos que a sociedade enxergue também a universidade como local de debate, de desenvolvimento, de conhecimento, como agente de transformações. E isso nos leva ao terceiro eixo, a valorização dos recursos humanos, que inclui nossos alunos. Temos que prestigiá-los também. O alunato de hoje tem que se sentir inserido na universidade, participante. E, por sua vez, o estudante que aproxima seu conhecimento dos desafios sociais se torna, além de um bom profissional, um cidadão melhor.

 

Em alguns rankings de qualidade em que a USP liderava houve queda nos resultados. Nesse sentido, a internacionalização será um desafio?

Nossos parceiros do exterior têm confiança no trabalho que é feito aqui. No ranking internacional Quacquarelli Symonds (QS) World University, a USP aparece como a melhor universidade ibero-americana. Curiosamente, no mesmo ranking das latino-americanas, não estamos em primeiro. Temos o reconhecimento internacionalmente, mas não no âmbito regional. Pensando não somente em rankings, mas para recompor essa reputação, a USP já faz parte de uma rede latino-americana de universidades de ponta (Red de Macro Universidades de América Latina y el Caribe).

 

Sua gestão recebe a universidade após anos de forte crise financeira. Qual é o plano diante disso?

Tivemos uma crise financeira que pegou nosso País como um todo e isso refletiu na universidade de maneira muito forte. A USP tomou as medidas necessárias do ponto de vista econômico, mas, mais do que isso, para prevenção de futuras crises. Nós criamos uma controladoria permanente, órgão máximo dentro da universidade. Os grandes gastos são feitos com a aprovação do conselho universitário, formado por dirigentes de todas as unidades da USP, mais um representante de cada congregação, representantes discentes e docentes, funcionários e representantes externos; estes últimos, apenas 5% do conselho. Com isso temos transparência, os recursos financeiros e as despesas são públicos, todo mundo sabe o que está acontecendo.

 

Na sua visão, a universidade deve se aproximar mais da sociedade?

A universidade, na condição de transformadora, tem que formar profissionais para atender as necessidades da sociedade, das empresas presentes nela, bem como que sejam empreendedores. Nesse sentido, todo conhecimento deve ser traduzido em benefício à sociedade, não podemos deixá-lo apenas na prateleira ou na nuvem. No caso da engenharia, mais ainda, isso é essencial, porque a área lida com os desafios do dia a dia. Mas em todas as áreas, o conhecimento científico tem que ser transportado à vida real, isso é inovação. E iniciativas que fomentem a inovação são essenciais, como o trabalho do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia, mantido pelo SEESP). A inovação é indispensável para o desenvolvimento.

 

Por Jéssica Silva

O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, começa 2018 com boas novidades. Uma delas é a extensão “Laboratório em Teoria U: um curso de inovação na prática”, que tem início em fevereiro. Segundo o coordenador administrativo de Pós-graduação e Extensão da instituição, Denesio de Andrade Carvalho, trata-se de uma metodologia de aprendizagem, liderança e inovação que “tem servido de inspiração e base para uma infinidade de processos de transformação em diferentes sistemas, escalas e setores, seja em processos internos de organizações ou mesmo envolvendo segmentos da sociedade”. E prossegue: “Ela é uma alternativa mais simples de conhecimento, que não envolve uso de softwares ou plataformas de informática.”

A concepção surgiu a partir do livro “Teoria U”, de Otto Scharmer, professor e economista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. A caracterização do método na letra U está associada ao movimento de descida e subida dessa jornada: primeiramente, o descer, ou mergulho, para se conectar com o “sentir”; na sequência, chega-se ao lugar mais fundo do U para “pausar”, uma forma de silêncio em que a pessoa observará suas visões e propósitos; e, por fim, na subida, é o momento da criação, associada à elaboração de um protótipo para dar forma às ideias que surgiram durante todo o processo. “Basicamente são esses três movimentos: mergulhar, pausar e criar, produzindo um ciclo de transformação”, salienta Carvalho.

A extensão do Isitec terá carga total de 50 horas, com cinco encontros presenciais e dois virtuais, e é voltada a líderes e profissionais de diversas áreas, bem como a estudantes. Informações e inscrições em www.isitec.org.br. Associados ao SEESP têm desconto.

 

Estágio em grandes empresas

Mais de 270 vagas de estágio estão abertas em grandes empresas em todo o Estado, especialmente em cidades como São Paulo, Suzano, Campinas, São Bernardo do Campo e Jundiaí. A informação é da Companhia de Estágios. As oportunidades abrangem setores tecnológico, farmacêutico, químico e industrial. Os interessados devem se inscrever no site da recrutadora  www.ciadeestagios.com.br  até o dia 10 de fevereiro.

Podem se candidatar estudantes do ensino técnico e superior das mais diversas áreas do conhecimento, como a engenharia. Confira as condições a seguir:

Basf – Sessenta vagas de estágio para diversas áreas e cursos em São Paulo (Morumbi e ABC), como engenharia agronômica. Salário: R$ 1.521,00 a R$ 2.226,00 + benefícios. Inscrições em  www.ciadeestagios.com.br/basf.

Scania – A empresa abre processo seletivo para 25 vagas em São Bernardo do Campo. Podem se candidatar estudantes do nível superior de todas as modalidades de engenharia e técnico dos mais diversos cursos. Salário não divulgado + benefícios. Inscrições em  www.ciadeestagios.com.br/scania.

Henkel – Dez vagas para atuação em São Paulo, Jundiaí e Diadema. Podem se candidatar estudantes das diversas áreas de engenharia. Salário: R$ 1.700,00 + benefícios. Inscrições em www.ciadeestagios.com.br/henkel.

LG – Em seu programa de estágio são dez vagas para cidades de São Paulo, em diversos cursos, como de engenharia. Podem se candidatar apenas estudantes do 2° ano em diante. Salário: R$ 1.200,00 a R$ 1.760,00 + benefícios. Inscrições em  www.ciadeestagios.com.br/lg.

 

Disciplinas do curso

• Modelo iceberg para leitura de questões sistêmicas

• Ciclos de presença e ausência ao lidar com desafios

• Níveis de escuta e diálogo

• Como contemplar os diversos olhares e interesses dos stakeholders

• Como conectar com o propósito e intenção de ação

• Como cristalizar uma intenção em ideia concreta

• Como prototipar

• Como escalar um protótipo

Apesar de diversas ações judiciais que demonstravam irregularidades e da constatação técnica de sérios problemas em um processo injustificável e viciado, o Governo do Estado concluiu a concessão de duas linhas do metrô (5-Lilás e 17--Ouro) em construção por 20 anos à iniciativa privada. No leilão, realizado em 19 de janeiro último na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), após várias liminares, sob protestos dos trabalhadores e na sequência de uma greve dos metroviários, consórcio liderado pela brasileira CCR venceu a disputa, ao ofertar R$ 553,9 milhões.

Em artigo de sua autoria, o diretor do SEESP e especialista do setor metroferroviário, Emiliano Affonso Neto, salienta: “O governo paulista, com a concessão das linhas 5 e 17 à iniciativa privada sem nenhuma obrigação com a construção ou ampliação das linhas, desmonta o discurso de trazer recursos privados para acelerar a implantação de novas linhas e puxa o gatilho de uma bomba de efeito retardado que a médio prazo pode onerar o custo da mobilidade. É fundamental que esse tipo de concessão seja revisto (...), que o governo se espelhe nos países com uma boa mobilidade e se conscientize que ela é fundamental para o crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida.”


Tragédia anunciada

Em coletiva de imprensa na sede do SEESP no dia 17, Affonso Neto já havia alertado sobre o prejuízo ao avanço da mobilidade na cidade. Assim como José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), que apontou: a lógica por trás desse processo vai de encontro ao interesse público: “É a do capital imobiliário, que leva trabalhadores para longe e depois restringe a capacidade de mobilidade conforme o bolso.” Agraciado pelo SEESP em 2017 com o prêmio Personalidade da Tecnologia em Transporte, ele listou alguns dos problemas: “O vencedor do leilão vai faturar R$ 400 milhões ao ano. Em 20 anos serão R$ 8 bilhões. E o Governo do Estado não divulgou qualquer estudo que demonstrasse a seriedade no processo, com parâmetros técnicos, a vantagem da licitação em relação à operação por uma empresa pública (Metrô de São Paulo) que já vem fazendo isso há décadas e muito bem”, enfatizou. Gonçalves sugeriu na ocasião a possibilidade de ingresso de outra ação civil pública “para impedir a assinatura do contrato”.

Já o coordenador do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, denunciou o “jogo de cartas marcadas”. “A CCR e a Odebrecht realizaram o estudo de viabilidade e vão receber R$ 204 mil por isso. E temos convicção que se a CCR não vencer, vai operar as linhas. Isso porque é a empresa que atende os requisitos técnicos, que não por acaso ela própria definiu.” Fajardo lembrou que a privatização fracassou em Londres (Inglaterra), que voltou atrás, e que outras cidades de países centrais, como Paris (França) e Nova York (EUA), mantêm o metrô nas mãos do Estado.

 

Projeto Brasil 2022 aponta rumos ao País

Com o intuito de contribuir para que a comemoração do Bicentenário da Independência se dê numa dinâmica de mobilização coletiva, visando o avanço socioeconômico, científico e cultural do País, aconteceu em 15 de janeiro último, na sede do SEESP, na Capital, a primeira reunião de 2018 do Departamento Brasil 2022 (leia cobertura completa). Allen Habert, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) e coordenador do projeto Brasil 2022, destacou à abertura: “Temos condições de dar um salto no nosso desenvolvimento se tivermos clareza, rumo e determinação.”

 

Cresce Baixada avança no debate sobre o aço na construção civil

Em 19 de janeiro último, ocorreu na sede da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista (Desibas) reunião do Fórum Cresce Baixada. Além da representação dos engenheiros, participaram sindicatos das demais categorias envolvidas, como rodoviários, consertadores de carga do Porto de Santos, trabalhadores da construção civil e representantes da Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal). “Discutimos os prós e os contras da aplicação do aço no setor da construção civil. É uma tendência mundial, enquanto o País está na concretagem ainda. Precisamos criar condições para que o mercado brasileiro absorva essa tecnologia”, afirmou o vice-presidente do SEESP, Newton Guenaga Filho. Outro ponto ressaltado por ele é a capacitação técnica para esse tipo de construção, adquirida já pelos trabalhadores da Usiminas. Uma das medidas tiradas é a proposição de um projeto de lei municipal que propicie a entrada do aço no mercado brasileiro, criando condições econômicas.

 

Adeus a Luiz de Queiroz Orsini

O SEESP lamenta o falecimento no dia 20 de janeiro último do professor emérito da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Luiz de Queiroz Orsini. Agraciado pelo sindicato com o prêmio Personalidade da Tecnologia em Educação no ano de 2011, sua atuação é considerada crucial na modernização do ensino de engenharia elétrica no Brasil, área em que era formado desde 1946. A participação de Orsini também foi decisiva ao desenvolvimento da pesquisa na Poli, inicialmente no Departamento de Física e mais tarde no então de Engenharia de Eletricidade. Autor de diversos livros, deixa importante legado e exemplo de dedicação a uma educação de qualidade.

No ano que se inicia temos uma tarefa essencial a cumprir: valorizar a engenharia a bem do desenvolvimento nacional. Dadas as dificuldades econômicas e turbulências políticas, certamente será um desafio de monta a ser vencido, mas é preciso que tenhamos consciência da absoluta necessidade de frear e reverter o desmonte do setor que se observou em 2017.

A Inspeção Técnica Veicular (ITV), vinculada ao licenciamento anual, é obrigatória em países civilizados há muitas décadas e é lei federal desde 1997 também no Brasil (art. 104 do novo Código de Trânsito Brasileiro). Porém, sem nenhum constrangimento dos políticos e autoridades de trânsito e meio ambiente, a lei não é cumprida no País por motivos demagógicos e eleitoreiros.

Em solenidade no auditório do SEESP, na Capital, pelo Dia do Engenheiro – 11 de dezembro – foram agraciados com o prêmio Personalidade da Tecnologia 2017 seis nomes de destaque em suas áreas de atuação. Um reconhecimento àqueles que, com ousadia e criatividade, fazem a diferença rumo a um país desenvolvido e justo. A homenagem é feita pelo sindicato tradicionalmente desde 1987. Nesta 31ª edição, foram agraciados Francisco Claudio Pinto Pinho (categoria Cidades inteligentes e conectadas), Eduardo Bacellar Leal Ferreira (Desenvolvimento sustentável), Vanderli Fava de Oliveira (Educação), Himilcon de Castro Carvalho (Telecomunicações e TI), José Manoel Ferreira Gonçalves (Transporte) e Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho (Valorização profissional) – conheça a trajetória dos premiados.

À abertura, o coordenador do Conselho Tecnológico (CT) do SEESP, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) José Roberto Cardoso, destacou: “O prêmio tem uma longa trajetória. Pessoas que o receberam fazem parte da história deste país, assim como os que serão agraciados hoje.” Ele explicou como se dá a escolha dos homenageados pelo CT: “Primeiro selecionamos as áreas que de fato se destacaram no ano. O Conselho Tecnológico recebe indicações e isso é discutido nesse colegiado por algo em torno de seis meses. Ao final de novembro, convergimos os nomes.”

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, que é engenheiro, saudou a cerimônia: “É uma alegria estar aqui no SEESP no nosso dia. É um trabalho importante de criteriosa escolha para indicar pessoas que constituem referências para todos nós. Há algo que une a todos os homenageados. Em primeiro lugar, o compromisso com o desenvolvimento, que tem na engenharia a profissão por excelência. Em segundo, a afirmação de um projeto de país do ponto de vista da tecnologia e da independência. Em terceiro, a ação para fortalecer as empresas nacionais e os profissionais da engenharia. Essas são diretrizes de ação do sindicato, por ele
reafirmadas ano a ano nessas cerimônias.”



Os agraciados

O prefeito de São Gonçalo do Amarante (CE), Pinho Pinto, foi o primeiro homenagea­do da noite, representado na solenidade por Victor Samuel Cavalcante da Ponte, secretário de Desenvolvimento Econômico do município. Em discurso de agradecimento, este salientou a razão do prêmio Personalidade da Tecnologia em Cidades inteligentes e conectadas: está em implantação na localidade a primeira cidade inteligente social do mundo (Smart City). Desenvolvida pela startup italiana Planet Idea, numa parceria com a Prefeitura, trata-se de empreendimento privado com investimento de US$ 5 bilhões. Segundo Cavalcante, o projeto que terá “moradias para 25 mil habitantes” obteve reconhecimento em feira internacional de Milão, no país europeu. “Reúne três elementos: infraestrutura, inclusão social e tecnologia.” Ele afirmou ainda que São Gonçalo do Amarante “se destaca nos cenários regional e nacional por conta da criação do porto de Pecém, que será um dos mais importantes do Brasil e fará toda a diferença quanto à logística”. De acordo com o secretário, a obra de engenharia, com tecnologia inteiramente nacional, integra política estratégica ao desenvolvimento do Nordeste.

O projeto de construção do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro rendeu ao comandante da Marinha do Brasil, o almirante de esquadra Leal Ferreira, o prêmio Personalidade da Tecnologia em Desenvolvimento sustentável. Na solenidade, representou o agraciado o almirante Antonio Carlos Soares Guerreiro, comandante do 8º Distrito Naval. Conforme ele, o projeto capacita o País no domínio tecnológico do ciclo de combustível nuclear e trará sua independência nesse campo, com avanços de elevada importância ao Brasil. Por intermédio do programa da Marinha, ele frisou que a nação passará a integrar a “seleta lista de países que dominam essa tecnologia e será um grande cluster”.

Fava de Oliveira contou sobre sua trajetória, que levou à homenagem em Educação, e destacou que essa área é a base do desenvolvimento social, impulsionando por exemplo a economia – ao que a engenharia é fator determinante. Ele afirmou a necessidade de o País formar mais e melhores profissionais da categoria. “Passamos de 100 mil somente em 2016, enquanto países como o Japão formam mais engenheiros que advogados. E a evasão aqui, que ocorre nos primeiros períodos, é de 50%. Isso se deve à organização dos cursos e a questões metodológicas.” Na comissão de elaboração de propostas de novas diretrizes curriculares para a engenharia, ele ressaltou que a ideia é apresentá-la no início deste mês para discussão mais ampla. E citou o projeto do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, como referência. Ao saudar a presença à mesa da professora Regina Ruschel, coordenadora dos cursos de extensão Fundamentos do BIM (Building Information Modeling) e de pós-graduação em Master BIM Especialista da instituição, ele lembrou que é preciso ampliar a participação das mulheres na engenharia, hoje 23% do total – ante 17% ao final do século XX. “Inovação e empreendedorismo são palavras-chave ao ensino da área hoje”, concluiu.

Em Telecomunicações e TI, o lançamento do satélite geoestacionário brasileiro em maio deste ano obteve o reconhecimento merecido. Assim, foi agraciado Carvalho, diretor de Tecnologia Espacial da empresa Visiona – que participou do projeto ao lado de Telebras, Agência Espacial Brasileira e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Foram três anos de trabalho conjunto com a França, com engenheiros brasileiros indo para lá. Isso resultou em transferência de tecnologia para empresas nacionais. Dada a capacitação recebida, puderam crescer e evoluir para trabalhar com satélites e ser parte da cadeia produtiva de grandes companhias internacionais.” Carvalho observou que Estados Unidos, Rússia e China, os três países com dimensões afins à do Brasil, são potências espaciais, uma área que “é motor à geração de empregos de altíssimo nível”. E a engenharia, como completou, é base a esse desenvolvimento, que “fortalece nossa soberania, traz inclusão social e digital e comunicação segura”.

Reconhecido por sua luta em Transporte, Gonçalves lembrou que o modal ferroviário é o subsetor mais barato, eficiente e que integra o Brasil, mas “tem gargalos importantes”. Ele foi categórico: “Precisamos de um projeto nacional soberano e democrático que trate a questão do transporte tanto de passageiros como de cargas. O caos logístico que vivemos resulta em contas implacáveis.” Gonçalves apontou uma série de problemas em todo o País em função da falta de investimentos em ferrovias. “A Norte-Sul foi inaugurada há 3,5 anos e até agora não passou um único trem. A VLI (Valor da Logística Integrada, empresa que controla essa concessão, assim como a da Ferrovia Centro-Atlântica) interrompeu o serviço entre Sumaré (SP) e Anápolis (GO) por considerar não rentável. E querem renovar as concessões sem licitação. É a sociedade que vai mudar essa história, e a engenharia deve estar presente, falando alto. A logística tem que funcionar de forma racional, integrada e independente.”

Por fim, na categoria Valorização profissional, Alckmin, governador do Estado de São Paulo, foi representado no ensejo pelo seu secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga. Presidente do Conselho Mundial da Água e engenheiro, este afirmou o reconhecimento ao corpo de profissionais de São Paulo na solução de problemas que afetam a população local. Citou particularmente a atuação dos engenheiros da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) – empresas vinculadas a sua pasta – para debelar a crise hídrica. “Que nossa profissão seja sempre valorizada como merece e nós nos façamos sempre dignos dela.”

Ao encerramento, o então presidente em exercício do SEESP, João Carlos Gonçalves Bibbo, cumprimentou todos os engenheiros pela data, assim como os agraciados em 2017. “Nosso Estado e País precisam de exemplos de pessoas como vocês, que lutam e se dedicam para superar desafios, preocupam-se com tantas necessidades de todos nós, têm papel fundamental ao crescimento e desenvolvimento aliados à sustentabilidade com justiça social.” Diante dos desafios impostos, conclamou: “Precisamos nos unir cada vez mais em torno do movimento Engenharia Unida, chamado pela FNE (Federação Nacional dos Engenheiros).” Ele anunciou ainda que diante das eleições gerais em 2018, será publicada neste ano nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da entidade nacional à qual o SEESP é filiado, que conta com sua adesão. “Vamos entregar aos candidatos propostas factíveis a demandas em setores essenciais, como saneamento, transporte, energia. E vamos lutar pela retomada do protagonismo da área tecnológica, olhando para os exemplos do passado e construindo coletivamente um mundo melhor.”



Por Soraya Misleh

Em 1º de dezembro, o SEESP sediou na sua sede na Capital o 4º Encontro Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU). Entre as premissas para se levar o País a outro patamar de desenvolvimento no ano do Bicentenário da Independência – como propugna o projeto da entidade “Brasil 2022” –, a atividade apontou que é preciso reverter quadro atual que inclui desigualdades, concentração de renda, impunidade, intolerância e combater retrocessos que ameaçam a soberania e a democracia no Brasil. Demandas que constam da Carta do 4º Encontro, aprovada por unanimidade.

O então presidente em exercício do SEESP, João Carlos Gonçalves Bibbo, destacou à abertura a articulação formada pelos profissionais reunidos na CNTU – além de engenheiros, economistas, odontologistas, farmacêuticos e nutricionistas –, vindos das categorias pensantes do País. “Tenho certeza que vamos fazer a diferença”, enfatizou. Também compuseram a mesa os diretores da confederação Allen Habert e José Carrijo Brom, este último também presidente da Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO), além dos vereadores paulistanos Gilberto Natalini (PV) e Eliseu Gabriel (PSB).

Inaugurando as palestras, o diplomata Celso Amorim provocou o público ao afirmar que para se chegar ao horizonte de 2022 é preciso “passar por 2018, já que existem grandes incógnitas sobre o momento político do País, como as próximas eleições”. Ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, ele discorreu sobre a democracia na era da globalização econômica, em que a população mundial está sob domínio do capitalismo financeiro. Na sua concepção, o conceito de democracia é inseparável da soberania de uma nação. E foi categórico: “Vivenciamos uma absoluta ditadura de classe.” Amorim salientou: “Precisamos ter uma política externa independente para defender os nossos direitos e interesses.”


Os desafios para chegar a 2022

Nessa direção, Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), ressaltou a dificuldade de se debater soberania num mundo globalizado. “O capital financeiro influencia a composição de governos e parlamentos em todo mundo, além de controlar os principais organismos internacionais de regulação, os quais interferem e limitam fortemente a autonomia das nações. Na prática, retira dos governantes a definição do que é estratégico na economia, transferindo decisões para os agentes dos sistemas financeiros.” Na sua ótica, revisar o modelo atual é condição para que a independência, a soberania e autodeterminação dos povos prevaleçam frente ao mercado. Para a economista e consultora em cidadania e participação para o desenvolvimento econômico e social, Esther Albuquerque, a soma de conhecimentos é o que pode contribuir a um projeto de nação inclusivo. “A sociedade está excluída. Se isso não mudar, não teremos democracia”, apontou.

Também estiveram entre os palestrantes o vice-presidente da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP); o presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Pedro Celestino; e o advogado Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).


Conselho Consultivo e premiação

Como parte da programação do 4º Encontro, ocorreu a 12ª Plenária do Conselho Consultivo da CNTU, quando foram empossados 58 de seus novos membros. Agora são 1.316 integrantes do chamado “Conselho das 1.000 Cabeças”. À abertura, o diretor de articulação nacional da CNTU, Allen Habert, saudou os novos conselheiros e destacou: “Cada um deve se considerar um modernista do século XXI e ajudar a empurrar os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.”

A plenária se iniciou com explanação sobre a Rede Brasil 2022 pelo consultor Sérgio Storch. Segundo ele, a rede social do projeto Brasil 2022 em construção conectará temas que vêm sendo discutidos pela CNTU em seus encontros. Após a apresentação, conselheiros veteranos apresentaram os desafios e possibilidades de atuação dos novos membros. Entre os que representaram à mesa os empossados, a delegada do SEESP junto ao Metrô, Sílvia Cristina Silva conclamou: “Devemos fazer jus a algo que traga benefícios à sociedade e ao País. Não podemos deixar que nossas conquistas sejam aviltadas.”

Ao final, foi entregue o prêmio Personalidade Profissional da CNTU a profissionais de destaque nas áreas de atuação das entidades filiadas à confederação e na categoria Interesse público, este último a Celso Amorim. Os demais agraciados foram Zaida Maria de Albuquerque Melo Diniz (Nutrição), Jaime Aparecido Cury (Odontologia),  Wanderlino Teixeira de Carvalho (Engenharia), Hermias Veloso da Silveira Filho (Farmácia) e Waldir Pereira Gomes (Economia), representado no ensejo pelo presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Pedro Afonso Gomes.


Por Soraya Misleh

Colaboraram Deborah Moreira,

Jéssica Silva e Rosângela Ribeiro Gil

Confira cobertura completa em www.cntu.org.br.

O setor de Oportunidades e Desenvolvimento Profissional do SEESP fez um balanço do ano de 2017 para a área de engenharia e perspectivas. Uma das conclusões é que no ano passado as vagas disponíveis foram mais motivadas por substituições do que por novos postos de trabalho, cenário que deve permanecer inalterado nos primeiros meses de 2018. A valorização do perfil profissional, observa a coordenadora Mariles Carvalho, segue como tendência, “já que as empresas buscam candidatos afiados em habilidades importantes para gerar resultados e manter a produtividade”.

Nesse sentido, ela aponta que, segundo a consultoria Robert Half, “as empresas estarão de olho em profissionais que tenham poder de análise, foco, jogo de cintura e flexibilidade”. O idioma continua como um diferencial, sendo o inglês ainda o mais solicitado.

Carvalho analisa que os processos seletivos prosseguirão lentos e rigorosos, com muitas etapas e exigindo do candidato boa comunicação e expressão sobre sua trajetória profissional, habilidades, atitudes e resultados. “As perspectivas para 2018 ainda são cautelosas em todos os setores”, prevê, porque as empresas mantêm o receio de abrir vagas, muito em razão da indefinição da conjuntura política e econômica do País.


Tendências

A consultoria Page Personnel fez uma análise, como informa a coordenadora do setor de Oportunidades e Desenvolvimento Profissional, sobre tendências para 2018, indicando tímida retomada de crescimento nas áreas de vendas de automóveis, qualidade, manutenção e produção de bens de consumo. Já em pesquisa e desenvolvimento (P&D) há uma movimentação curiosa: as companhias estão investindo nos profissionais da área, pois pretendem desenvolver produtos para serem lançados daqui a seis ou nove meses. Destaque também para as áreas ambiental e de segurança do trabalho. Nas telecomunicações, ainda segundo o estudo, percebe-se uma queda previsível, pois é um dos setores mais impactados pelas crises política e econômica.

A análise aponta que metade dos profissionais não se sente motivada pelas empresas, já que muitas sequer garantem plano de carreira efetivo. As multinacionais são as que mais oferecem treinamentos aos seus funcionários – 15% acima das demais.




Agenda

Estudantes e recém-formados

O Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP realiza sua primeira reunião de 2018 em 17 de fevereiro, às 9h, na sede do sindicato, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista). Todos os estudantes, recém-formados e demais interessados estão convidados a conhecer e participar. Mais informações sobre as ações e atividades do núcleo podem ser obtidas aqui ou pelo telefone (11) 3113-2162.




Isitec

Inscrições abertas

O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) começa o ano com muitos cursos de qualidade de pós-graduação e extensão, cujas inscrições estão abertas. Outra boa novidade é que o curso de Gestão de Energia Sustentável (Eurem), no Rio de Janeiro, já começou, mas ainda aceita inscrições até 15 de janeiro, com garantia de reposição das aulas já realizadas (confira aqui).

Os cursos podem ser conferidos, assim como grade curricular, inscrições e valores em www.isitec.edu.br/pos/ e www.isitec.edu.br/extensoes/.

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