Marcellie Dessimoni e Jéssica Trindade
Em meio à crise política, econômica e social que assola o Brasil, onde estão as nossas mulheres? No passado, foram representadas por guerreiras que lutaram contra a opressão, por direitos e pelo seu espaço no mundo. É chegado o momento de revivermos e recriarmos um novo marco e não apenas comemorar as conquistas, mas lutar incansavelmente para mantê-las e alcançar a verdadeira igualdade de gênero.
A bandeira do empoderamento feminino – levantada mundialmente no 8 de março, Dia Internacional da Mulher – deve se tornar uma pauta constante nos debates nacionais, visando ações que adotem e fortaleçam políticas públicas que promovam a igualdade de oportunidades, eliminando todas as formas de violência e discriminação contra as mulheres.
Vivemos um período sombrio de morte de direitos em todas as esferas; a matança inescrupulosa, corruptiva e a sangue frio acarretou um impacto direto na vida diária das mulheres brasileiras. A pergunta que não quer calar é: Onde estão nossas mulheres? O que estamos fazendo para barrar as injustiças sociais? Qual o nosso posicionamento perante as reformas aprovadas e que estão em curso? Conhecemos a fundo o estrago que essas medidas acarretarão principalmente para nós, mulheres? É fundamental que estejamos cientes do nosso papel como cidadãs, sendo urgente e necessário arregaçar as mangas e ir para cima, como nossas antecessoras, enfrentando o machismo, as desigualdades, a violência, com suor, lágrimas e com seu próprio sangue, dando a vida para que hoje todas nós tivéssemos o direito de ser alguém, de poder nos expressar e escolher os caminhos que trilharemos rumo ao futuro.
Esse dia deve ser comemorado como um lembrete de que há um caminho árduo e longo a ser percorrido para alcançar a verdadeira equivalência de direitos. É crucial reconhecer as mulheres, que hoje exercem papéis fundamentais na sociedade e devem ser valorizadas e respeitadas em todos os âmbitos de atuação. Mas, para que isso aconteça, nossos homens precisam compreender que possuem uma responsabilidade que vai muito além dos deveres domésticos compartilhados; devem incorporar essa causa como uma luta diária, não permitindo o machismo dentro de casa, no ambiente profissional e na sociedade.
Acreditamos que um dos caminhos é atingir a meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) no que diz respeito à igualdade de gênero, principalmente a de número 5.5, que versa sobre a “garantia da participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública”. Com o objetivo de inserir as profissionais nas discussões nacionais, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) realizará no dia 27 de março, às 14h, na sede do SEESP, na Capital, um evento para debater o impacto de reformas, como a trabalhista, na vida das mulheres.
Marcellie Dessimoni é engenheira ambiental e sanitarista, pós-graduanda em Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Jéssica Trindade é engenheira mecânica recém-formada. Ambas atuam no Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP, respectivamente como coordenadora e estagiária
Soluções propostas por três grupos de estudantes de Engenharia de Inovação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), que tem o SEESP como entidade mantenedora, renderam-lhes a oportunidade de estar hoje com seus projetos incubados pelo Elab – Experimentos em Transportes, laboratório de inovação da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). A oportunidade foi premiação da primeira Maratona de Inovação do Isitec, realizada em setembro último.
O programa, que tem seis meses de duração, garante que os alunos tenham como mentores funcionários da companhia ligados aos temas respectivos. “Colocamos também pessoas de tecnologia da informação para lidar com os dados e entender o que os meninos pediriam”, conta a gestora do Núcleo de Parceria + Inovação da EMTU, Renata Veríssimo. Entusiasta do projeto de incubação, ela defende a necessidade de inovação no setor. “E não há maneira melhor de fazê-la senão dentro de casa, trazendo o conceito de processo criativo a nossa realidade”, afirma.
Um dos grupos está desenvolvendo um monitoramento de poluentes através de sensor acoplado no veículo, que percorre o trajeto da linha obtendo dados simultaneamente. “A ideia inicial era usarmos o sensor MQ 135, que já é comercializado e capaz de ler emissões de carbono, entre outros poluentes”, conta André Eiji Arahawa. Contudo, preocupados, de acordo com seu colega de grupo, Giovanni Signorini Bevilacqua, “com a saturação do sensor quanto ao calor e impactos”, resolveram pesquisar um que se mostre adequado à função.
O objetivo do monitoramento dinâmico é promover manutenções preventivas nos ônibus e redução na emissão de poluentes. O consultor na área de transporte sustentável e emissões veiculares Olímpio de Melo Álvares Jr. vislumbra mercado para o projeto, por envolver “tecnologia que está despontando agora”. “Hoje isso é feito com equipamentos caros, em laboratórios altamente qualificados, com indicadores apoiados em normas mundiais. É difícil de fazer, mas possível”, pontua ele, que é engenheiro mecânico e atuou por 26 anos na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Tarifa e big data
A partir da problemática de tarifa proporcional em linhas seccionadas, outro grupo focou seu projeto no cálculo do valor. A ideia é um subsídio cruzado, para que o usuário não seja prejudicado pagando mais em uma seção menos utilizada ou maior. “Estamos estudando a partir de uma linha da EMTU em teste, em Santos, que utiliza duas catracas para cobrar o valor por seção”, explica o aluno do Isitec Sandor Fleury Pereira.
Com as informações, ele conta que o grupo analisa maneira ideal para fazer a conta. “Estamos de olho também na lei que trata da obrigatoriedade de clareza no cálculo da passagem (nº 12.587/2012), para que o projeto seja viável”, detalha.
Na visão do especialista em tarifas Wagner Palmas, do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SP Urbanuss), o princípio que norteia o projeto é relevante, pois aborda a correção de valores pautada na realidade do usuário que, em geral, é de baixa renda. E pontua: “Desde que seja mantida a receita necessária aos prestadores de serviços e não onere os usuários que residam longe dos destinos de suas viagens, a medida é bem-vinda.”
O terceiro grupo explorou no conceito de zona de sombra – local em que o GPS do veículo falha – a importância de se ter dados para um monitoramento efetivo. “Se tivermos a informação, mas ela não for usada, ainda haverá zona de sombra”, explica o estudante Gideão Gomes da Silva. Esse grupo propõe um processo de monitoramento conceituado em big data, cruzando as informações do computador de bordo e do sistema de bilhetagem do ônibus para gerar análises. “Podemos parametrizar a qualidade da viagem através dos dados”, exemplifica Silva.
Gerente de engenharia da Prodata Mobility Brasil, Paulo Zucatto enfatiza: “Em São Paulo, são em torno de 6 milhões de viagens por dia, gerando dados sobre trajetos, horários, pessoas, locais. É muita informação a ser explorada que pode resultar na melhoria de todo o sistema.”
Proposta pedagógica
Além do Elab, os estudantes usam as instalações do Isitec no desenvolvimento dos projetos. “O nosso centro de inovação fica à disposição dos grupos, assim como nossos professores estão abertos a orientá-los”, afirma Rodrigo Franco, professor de Equipes de Inovação e Design e membro do Centro de Inovação. Ele ressalta que os projetos não valem nota, mas possibilitam contato com o mercado de trabalho, além de condizer com a proposta de aprendizagem do instituto. “É como podemos transformar esses engenheiros em pessoas que criem soluções de impacto à sociedade”, atesta.
A coordenadora da Divisão América Latina da Associação Internacional do Transporte Público (UITP), Eleonora Pazos, chama atenção às áreas consideradas nos três projetos, de tecnologia, financiamento e impacto ambiental. “Definitivamente são os temas de maior discussão global, que estão norteando as principais tomadas de decisão no transporte mundial”, afirma. E parabeniza: “Por trás das inovações existem pessoas cuja paixão é melhorar a vida de todos. É verdadeiramente uma jornada humana, e os grupos criadores dos três projetos estão inseridos nesse contexto.”
Por Jéssica Silva
Passados oito anos desde sua instituição, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) está muito longe de ser implantada efetivamente nas cidades brasileiras. Nem mesmo a destinação do mais básico dos 11 tipos de resíduos descritos na legislação, o domiciliar, de responsabilidade das prefeituras, foi equacionada.
Em todo o Brasil, cerca de 85% da população ainda não têm acesso a coleta seletiva, segundo o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Em São Paulo, onde, de acordo com a administração, todos os 96 distritos possuem o serviço, somente 6,56% dos resíduos produzidos têm tal destinação. Todos os dados são de 2016.
Para especialistas, é fundamental que haja uma revisão da norma. “É uma ótima lei. Mas faltaram instrumentos econômicos para viabilizar mudanças, como a tributação distinta para produtos iguais, mas com origens diferentes. Por exemplo, o vidro feito a partir da areia tem um gasto elevado de energia e pode ter tributo maior que o produzido a partir do caco”, explica Arnaldo Jardim, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o qual presidiu o grupo de trabalho que elaborou a lei.
Foram quase 20 anos de discussão e inclusão de novos conceitos que fizeram do Brasil um dos países com uma das legislações mais avançadas nesse tema. Jardim antecipou que retornará ao mandato de deputado federal em abril e esse será seu principal ponto de atuação: “Vou aumentar a pressão sobre o governo federal para a implementação efetiva da política tributária, que contribui diretamente com a logística reversa (instrumento caracterizado por um conjunto de ações dos fabricantes para destinar corretamente resíduos por eles gerados, previsto na lei).”
A engenheira ambiental Marcellie Dessimoni, coordenadora do Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP, também acredita que chegou a hora de rever a norma, “para que a gente possa efetivar as ações, com metas e prazos determinados”.
Quadro em São Paulo
“Nos últimos 13 anos a geração do lixo per capita na capital paulista (maior cidade do País) tem sido crescente, na ordem de 1,5% a 2%”, aponta o engenheiro civil Nelson Domingues Pinto Júnior, presidente da Ecourbis. Se nada for feito, ele alerta que daqui a 15 anos a cidade precisará armazenar seu lixo a mais de 200 quilômetros de distância, o que encarecerá o serviço. Análises periódicas no aterro demonstram o desperdício de alimentos e a ausência de logística reversa: “Cerca de 55% é matéria orgânica. Também se nota a presença significativa de metal pesado de bateria de eletrônicos.”
A concessionária Ecourbis cuida de 19 das 32 prefeituras regionais, nas zonas leste e sul. Atualmente, recolhe ao dia 7 mil toneladas de lixo doméstico, representando quase 60% de todo o volume da cidade. Um dos seus compromissos era entregar a São Paulo um aterro ambientalmente controlado, o que ocorreu em 2010, ao inaugurar a Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), com capacidade até 2026. “Essa data depende de quanto a população gerar de resíduos e rejeitos”, pondera Domingues.
Educação ambiental
Diversas iniciativas vêm sendo feitas para contribuir com uma melhor gestão dos resíduos. O Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP tem atuado no Itaim Paulista, com o objetivo de buscar soluções para as enchentes no bairro, a partir do projeto “Cresce Brasil – Itaim Paulista” – o qual integra o “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), que tem a adesão do sindicato de São Paulo. Neste momento, o foco é a ampliação da consciência ambiental a partir da educação, trabalho que será feito na Escola Estadual Wilson Rachid. “Falta relacionar a teoria com os problemas reais e as soluções para mudar a cultura. Cada um tem que se responsabilizar pela produção do seu lixo”, diz Dessimoni, referindo-se ao conceito da Lei 12.305/2010 de corresponsabilidade.
Também no âmbito da educação, o Instituto Superior de Inovação e Tecnoologia (Isitec), mantido pelo SEESP, promoverá, em parceria com a Ecourbis, a especialização “Gestão ambiental sustentável”. Com duração de 408 horas, tem início previsto para 27 de abril próximo.
“O grande problema hoje é que os cursos de graduação não têm condições de oferecer tanto conhecimento específico. Hoje o profissional é um eterno aluno. Conceitos que ainda são muito novos, como corresponsabilidade, que envolve cidadãos, empresas e governos, precisam ser disseminados e melhor compreendidos”, defende o coordenador do curso, João Sérgio Cordeiro.
O engenheiro sanitarista Jorge Rocco, professor de uma especialização na mesma área, salienta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos traz também o conceito de acordos setoriais. “No setor da construção civil, por exemplo, existem boas práticas, mas ainda é pouco. Falta o olhar da logística reversa, e o poder público não quebrou gargalos econômicos, que fazem com que a matéria-prima virgem tenha o mesmo preço ou seja até mais barata que o material processado”, avalia.
Deborah Moreira
Os debates em torno da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) não cessam, dada a grande mudança que provoca no mundo do trabalho. “Na medida em que o negociado prevalece sobre o legislado e se enfraquecem os sindicatos, o que se faz é fortalecer o outro lado, empresas e sindicatos patronais”, expõe o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Guimarães Feliciano.
Como resultado da 2ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho, promovida pela entidade em outubro último, em Brasília (DF), foram aprovados 125 enunciados sobre a interpretação da reforma. O encontro reuniu mais de 600 juízes do trabalho de todo o Brasil, além de outros operadores do Direito. Nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro, Feliciano assegura: “A Anamatra seguirá fazendo esse debate.”
Quais os principais problemas da Lei 13.467 e o que muda com a Medida Provisória 808/2017?
A Medida Provisória 808 resolveu parcialmente a questão da jornada 12 por 36h, que pela Constituição jamais poderia ser negociada individualmente. Mas ressalvou o segmento de hospitais e áreas semelhantes, estes poderão negociar individualmente, o que é inconstitucional. Também foi mudado a respeito de negociações de prorrogação de jornada em ambiente insalubre e o próprio enquadramento da insalubridade, que não podem contrariar as leis e normas administrativas que já existem. Nesses casos, o negociado não prevalece sobre o legislado. De resto, tudo aquilo que era apontado continua na lei e já vem revelando seus malefícios. A restrição ao acesso à Justiça do Trabalho, o trabalho intermitente, as várias hipóteses de o negociado prevalecer sobre o legislado são exemplos.
Como isso afeta o trabalhador?
O que já é perceptível no momento é a dificuldade criada para o acesso à Justiça, que afeta principalmente o trabalhador mais pobre. Mesmo que o juiz declare sua condição de pobreza, ele ainda terá que arcar com despesas de perícias que forem necessárias no processo e com os honorários do advogado da empresa se por acaso perder em alguma das suas pretensões. Isso significa uma recusa ao próprio acesso à Justiça por meio de obstáculos econômicos que, portanto, fazem com que trabalhadores, embora convictos dos seus direitos, evitem ir à Justiça com medo das consequências. Nós teremos uma queda do número de ações baseada em temor, e aí estaremos retrocedendo um debate já consolidado, de superar as barreiras econômicas, de justiça gratuita.
Como os sindicatos são atingidos?
Ao mesmo tempo em que a reforma traz a ideia do negociado sobre o legislado e diz fortalecer os sindicatos, enfraquece-os. A possibilidade de terceirização da atividade-fim, de constitucionalidade duvidosa, de todo modo, agora está na lei. Uma vez possibilitada, o que veremos nos próximos anos será uma segmentação absurda das categorias mais fortes. Teremos cada vez menos bancários, por exemplo, e mais trabalhadores de empresas de prestação de serviços nos bancos. Grandes categorias podem ser enfraquecidas, e a categoria mais amorfa será inflada.
Isso resulta em mais perdas de direitos?
Com toda certeza. Na medida em que a lei passa a dar prevalência do negociado sobre o legislado e enfraquece os sindicatos, o outro polo dessa relação é fortalecido, ou seja, as empresas e organizações patronais, que muitas vezes poderão se valer da própria negociação coletiva perante entidades sindicais mais frágeis para redução de direitos e retrocessos em garantias históricas. A Justiça do Trabalho também é fortemente atingida, o que impede que cumpra sua função de pacificadora social dos conflitos entre capital e trabalho. Em vários itens (da lei) de constitucionalidade duvidosa, a Anamatra está fazendo o devido trabalho de esclarecimento e de enfrentamento. Mas o que houve na verdade foi um esforço de mediocrizar a Justiça do Trabalho.
Qual é o papel da Justiça do Trabalho?
Assegurar o reconhecimento e fruição de direitos sociais e outros fundamentais, que de algum modo estejam ameaçados ou mesmo lesados nas relações de trabalho. Juízes do trabalho lidam fundamentalmente com direitos humanos. O Direito do Trabalho nasceu exatamente para proteger a integridade física dos trabalhadores, num contexto em que a assimetria econômica fazia com que se submetessem às mais terríveis condições de trabalho.
Como a Anamatra pretende atuar nesse contexto?
A Anamatra atuou subsidiando o Parlamento com uma série de notas técnicas e participando de audiências públicas, durante a tramitação da reforma, alertando para as inconstitucionalidades. Realizamos a primeira grande jornada nacional a discutir as interpretações possíveis para a lei antes mesmo que entrasse em vigor. No campo judicial, a associação ingressou no Supremo Tribunal Federal duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade, uma delas questionando a absurda tarifação das indenizações por dano moral e outra ao deposito recursal, que historicamente tem sido uma importante garantia do trabalhador no processo.
Por Jéssica Silva
A consultoria Michael Page aponta o que as companhias esperam na retomada do crescimento da economia nacional. Segundo seu diretor executivo, Ricardo Basaglia, com indicativo de recuperação, as empresas – após três anos seguidos em que reduziram custos, projetos, estrutura física e pessoal – devem “planejar ações de expansão, em diversos níveis, e os gestores terão o desafio de liderar boa parte dessas iniciativas”. Basaglia selecionou algumas perguntas que estarão na pauta dos processos seletivos para gestores em 2018. Confira os temas e explicação de cada tópico:
1- Quantas pessoas você conheceu em 2017 que contribuíram para o seu conhecimento? Onde ocorreram essas conexões?
As empresas querem entender em quais circunstâncias os gestores encontraram fontes de referência ou inspiração em nível profissional e pessoal.
2- Em quais momentos você contribuiu para o desenvolvimento de alguém no ano passado? Pense em colegas, amigos, companheiros de trabalho etc..
É fundamental que o gestor demonstre o seu poder de contribuição, mais do que isso: sua disposição para fazer mais e levar bons valores às pessoas a sua volta.
3 – Quais conhecimentos você adquiriu fora de sua área de atuação em 2017?
Demonstrar capacidade de aprendizado, mesmo quando está em off, é uma virtude muito valiosa. Isso demonstra que o gestor tem compromisso com o autodesenvolvimento e criatividade.
4 – Se você não existisse na sua atual empresa, o que ela perderia?
Este é o momento em que o gestor deve comentar os seus feitos individuais, resultados, projeções e também evidenciar as suas habilidades sutis de inspiração e relacionamento com as pessoas e clientes. Ele deve ressaltar o seu respeito à instituição e aos pontos do negócio.
5 – Quando as pessoas não gostam de você no ambiente de trabalho, normalmente quais são os motivos? Você é capaz de enxergá-los sem o feedback de outras pessoas? Quais comportamentos você tem oportunidade de melhorar?
Aqui as empresas estão de olho em um dos aspectos da já tradicional “inteligência emocional” mais desejados neste momento de mercado: a capacidade de reconciliação. Os períodos de crise deixam marcas. Será fundamental que os gestores saibam reconectar as pessoas, ao menos, para a cooperação em alto nível dentro do trabalho. Isso será importante para a retomada de crescimento.
Educação continuada
Isitec oferece pós em gestão de TI e ambiental e muito mais
O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) está com inscrições abertas para seis cursos de pós-graduação e MBA. Estão compreendidas várias especializações, entre essas em Gestão de Tecnologia da Informação (TI), com ênfase em inovação; Geração de energia solar fotovoltaica; Gestão ambiental sustentável; Excelência operacional; Energia e BIM. Todas as informações sobre grade curricular, valores etc. são obtidas em www.isitec.org.br/pos/.
Seminário
Inovação na educação em engenharia
O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, sediará o seminário “Educação empreendedora e novas diretrizes curriculares em engenharia”, no dia 19 de março próximo. A atividade é uma realização da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge). O diretor de graduação do instituto, José Marques Póvoa, destaca a importância do evento à engenharia nacional, porque “na proposta das novas diretrizes curriculares a formação empreendedora será indispensável”. Ele prossegue: “Todos os cursos da área terão que se adequar para atender a essas condutas, sendo uma delas fazer com que o profissional atue em todo o ‘ciclo de vida’ e contexto do empreendimento, inclusive na sua gestão e manutenção.”
Nesse sentido, observa o professor, o Isitec pode se tornar um “modelo, uma vez que já fomos criados com essa visão”. E explica: “No nosso curso de Engenharia de Inovação, pioneiro no País, temos sete disciplinas, como momentos de discussão, sobre empreendedorismo/design/inovação.”
O seminário da Abenge tratará, entre outros temas, de políticas públicas e privadas para a educação empreendedora em engenharia, lançando perspectivas e debatendo relatos de casos. “A proposta para as novas diretrizes foca em um perfil desejado do engenheiro para o século XXI, uma das premissas para criar o Isitec e a graduação em Engenharia de Inovação”, exalta Póvoa.
O seminário será das 8h às 19h, na sede do instituto, na Rua Martiniano de Carvalho, 170, bairro Bela Vista, capital paulista. Confira a programação preliminar.
“O Sindicato dos Engenheiros é contra a privatização em áreas consideradas estratégicas, como petróleo, gás, energia e recursos hídricos, portanto, de empresas como Petrobras, Eletrobras, Cesp. Um sistema de blindagem a essas empresas seria solução para não perdermos esses bens. Ao fomento da política energética de São Paulo, o ideal é que a Cesp continue nas mãos do Estado. Externamos também nossa preocupação com relação aos assistidos e empregados da companhia.” Assim o diretor do sindicato Osvaldo Passadore se pronunciou em audiência pública na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, no dia 20 de fevereiro, sobre o edital de venda da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). No ensejo, sindicalistas protestaram contra a entrega do patrimônio público à iniciativa privada.
Conheça a gestão 2018-2021
Encontra-se aqui o livro com as principais propostas de ação e a relação de toda a diretoria executiva, assim como das 25 delegacias sindicais no Interior, para a gestão 2018-2021.
Estudantes aprovam contribuição simbólica ao sindicato
Em sua primeira reunião do ano, o Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP discutiu os planos para 2018. Entre as deliberações aprovadas por unanimidade no encontro, a cobrança de anuidade, num valor simbólico, para o estudante pela utilização dos serviços, benefícios e bolsas que os acadêmicos usufruem do sindicato. Também foi realizado no ensejo o “Círculo de diálogo” do núcleo, sobre o tema “Indústria e profissional 4.0”, com palestra de Ricardo Carmona, graduado em engenharia mecatrônica pela Universidade de Mogi das Cruzes, mestre em engenharia bioquímica, pós-graduado em planejamento e implementação e gestão da EaD pela Universidade Federal Fluminense (UFF). “Concluímos que o profissional 4.0 deve estar preparado para suprir a demanda do mercado, aliado a uma equipe multidisciplinar, mudando o conceito em que trabalhadores apenas exerciam o fazer e agora passam a exercer o pensar (desenvolver)”, observa a coordenadora do núcleo, Marcellie Dessimoni.
Campanhas salariais
CPTM – Os engenheiros da CPTM protocolaram na empresa a pauta de reivindicações 2018-2020 aprovada em assembleias nos dias 11 e 24 de janeiro último. A companhia já formalizou ao SEESP a garantia da data-base em 1º de março, e as negociações tiveram início no dia 20 de fevereiro.
Sabesp – No dia 6 de fevereiro, os engenheiros da Sabesp, com data-base em 1º de maio, aprovaram em assembleia sua pauta de reivindicações para entrega à empresa com vistas ao início das negociações.
Comgás – Em assembleia no dia 21 de fevereiro, os engenheiros da Comgás, com data-base em 1º de junho, aprovaram a pauta de reivindicações para a campanha salarial de 2018, a qual foi protocolada na empresa no dia 26 do mesmo mês.
Adeus a Istenes
O SEESP lamenta profundamente a morte do seu ex-diretor e engenheiro José Istenes Eses Filho (foto) em 17 de fevereiro. Assim, expressa solidariedade à família e amigos.
É inadmissível a situação em que se encontra o Ministério do Trabalho. Para além da vexaminosa comédia de erros que marca a tentativa de nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB/RJ) como titular da pasta, é gravíssimo o desmonte desse órgão que deveria ter importância fundamental em qualquer governo.
Atualmente, marcado pela irrelevância e tratado como de segundo escalão, o Ministério deveria ter voz ativa nas questões do trabalho no Brasil. Teria sido, por exemplo, seu papel demonstrar ao Presidente da República o equívoco de sancionar a Lei 13.467/2017, que instituiu a reforma trabalhista, tal como foi aprovada no Congresso. A legislação, que já causa grave precarização, além de retirar direitos essenciais e históricos, empobrece o trabalhador, prejudicando a economia – e não o contrário, conforme dito pelos seus defensores – e afetando as contas da Previdência Social, já que promove a informalidade.
E esse seria outro tema do qual o Ministério do Trabalho deveria se ocupar, embora na organização administrativa do governo a Previdência tenha simbolicamente sido colocada no Ministério da Fazenda. A reforma anunciada como essencial ao ajuste fiscal peca pela falta de transparência e visão financista e despreza uma questão essencial: o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade é que trarão reforço ao caixa da Previdência. Mas lamentavelmente, hoje, o Ministério do Trabalho não tem voz para garantir que outros aspectos, além dos interesses rentistas, sejam levados em consideração. Também seria, obviamente, uma prioridade para a pasta o grave desemprego que atinge o Brasil e a proposição de medidas para mudar esse cenário.
Para que uma atuação desse tipo se torne possível, é necessário que o Ministério seja ocupado por um nome de peso, que tenha competência e força para desempenhar seu papel, bem como consciência de quais são as tarefas a serem cumpridas. Mas não basta que o chefe da pasta seja bom; é preciso frear o esvaziamento que acomete o órgão já há algum tempo. Para se ter uma ideia, conforme notícia publicada pela Agência Sindical, faltam quase 6 mil auditores-fiscais do trabalho. Não apenas esses, mas todos os cargos necessários devem ser preenchidos por funcionários qualificados, sérios e que atuem a bem do interesse público. E esses devem ter condições adequadas para exercer suas funções.
O SEESP promoveu, nos meses de abril e agosto de 2014, encontros sobre a necessidade de valorização do Ministério do Trabalho nos quais temas como os expostos acima foram abordados. Participaram do debate os ex-ministros Almino Affonso, Almir Pazzianotto, Rogério Magri, Walter Barelli e Dorothea Werneck. Lamentavelmente, o que se vê hoje é, em vez dos avanços propostos, profundos retrocessos. É mais que urgente reverter esse quadro.
Francisco Gonçalves e Souza
A exploração de petróleo e gás offshore na Noruega começou em meados da década de 1960 e a partir dos anos 1970 foram criados requisitos de conteúdo local (CL) para proteger os interesses da população e da economia, obrigando empresas nacionais ou transnacionais que explotam recursos naturais a contribuírem também para fortalecer a indústria local e sua cadeia de fornecedores, objetivo alcançado pela cooperação com companhias petrolíferas internacionais. A experiência de sucesso deu à Noruega posição de destaque, tem sido compartilhada por meio da iniciativa para Desenvolvimento do Petróleo Norueguês (Norad) e adotada por outros países, inclusive pelo Brasil entre 2004 e 2016. Na outra ponta está a Nigéria, que descobriu grandes campos de petróleo na mesma época que a Noruega e ao invés de investir em políticas de CL, decidiu “entregar” seu petróleo às grandes petrolíferas e hoje, sendo ainda um país subdesenvolvido, busca absorver algum aprendizado.
Estudos desenvolvidos em 2014 pela Norway Petroleum em parceria com o Columbia Center on Sustainable Investment (CCSI) e pelo The Oxford Institute for Energy Study apontam que países do Oriente Médio e África do Norte (Mena) como Kuwait, Irã, Iraque, Bahrain, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), ricos em recursos, estão cada vez mais adotando requisitos de conteúdo local, gerando oportunidades práticas para o fortalecimento da indústria local. O Banco Mundial tem apoiado ações dessa natureza, promovendo eventos como o Conference on Reconciling Trade and Local Content Development, realizado na Cidade do México em janeiro de 2016.
No Brasil, a política de conteúdo local ganhou alento com a criação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) em 2003 e da Cartilha de Conteúdo Local no ano seguinte e seguiu fortalecida até 2016, buscando ampliar a participação da indústria brasileira no fornecimento de bens e serviços em um patamar de competitividade mundial. Entre 2016 e 2017, contudo, foi completamente degenerada. Na exploração caiu de 37% para 18%, uma redução de 52%, e no desenvolvimento da produção caiu de 55-59% para 25-40%, uma diminuição média de 43%, com sérios prejuízos à indústria brasileira.
A política de CL vigente no Brasil de 2003 a 2016 foi um “convite” ao empresariado brasileiro pescar em um aquário repleto de peixes nobres por algumas décadas. No entanto, firmar contratos recebendo mais para fazer “aqui dentro” e depois contar estórias para fazer “lá fora” tornou-se o grande negócio da China (sem trocadilho). Precisamos retomar a política de conteúdo local com a ajuda de empreendedores com a visão chinesa de “socialismo de mercado”, dispostos a investir em qualificação de mão de obra e aumento da produtividade, de modo a disputar espaço no mercado internacional a médio prazo, como agora fazem as empresas norueguesas. Infelizmente a atual política nos coloca na contramão da Noruega e dos países da Mena e nos conduz a passos largos rumo à Nigéria.
Francisco Gonçalves e Souza é engenheiro civil, delegado para a Grande São Paulo da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Investimento da ordem de R$ 30 bilhões, o primeiro submarino nuclear brasileiro estava previsto para ficar pronto em 2029. Mas “contingenciamentos” financeiros podem adiar a conclusão do projeto para 2033. O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), da Marinha do Brasil, começou em 1979 e vem sofrendo diversos atrasos por falta de recursos. É desenvolvido no Centro Tecnológico da Marinha, na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Escola Politécnica da instituição (Poli), e no Centro Experimental Aramar, em Iperó, no interior paulista, próximo de Sorocaba, onde está localizado o Laboratório de Geração Nucleoelétrica (Labgene).
As equipes envolvidas dominaram o ciclo do combustível nuclear e a propulsão, respectivamente primeira e segunda etapas do Prosub. Nesse processo obteve-se o gás hexafluoreto de urânio, principal insumo, antes importado para a produção do combustível das usinas de Angra 1 e 2.
É em Iperó que está sendo montada uma planta do submarino, em tamanho real, piloto previsto para 2021 onde são feitos testes e servirá de modelo para a produção das peças. Para que isso fosse possível, foi necessário parceria com dezenas de instituições e companhias nacionais, como a Atech, subsidiária da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), o Instituto de Pesquisas Energéticas (Ipem) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem), que certifica tudo o que está sendo feito.
“Não é autorizado à Marinha a importação desses equipamentos por uma questão estratégica dos países. Praticamente tudo o que existe hoje dentro do submarino foi desenvolvido pela Marinha e construído pela indústria brasileira. Em termos de projeto, é 100% brasileiro”, explica o comandante do 8º Distrito Naval da Marinha, Antonio Carlos Soares Guerreiro, que recebeu do SEESP em 2017 o prêmio Personalidade da Tecnologia na categoria “Desenvolvimento sustentável”, em nome do almirante Eduardo Leal Ferreira.
Programa e desenvolvimento
Em um submarino convencional, o eixo da hélice é turbinado por um motor elétrico, acionado por grandes baterias, que são recarregadas por geradores a diesel. Como esses funcionam por combustão, para ligar, é preciso ir de duas a três vezes à superfície aspirar ar. O nuclear também possui um motor elétrico, só que turbinas a vapor, o qual é gerado pelo reator nuclear. O fato de não depender do ar para ligar reflete diretamente em sua autonomia: poderia ficar meses debaixo d´água. No entanto, a fadiga e a alimentação da tripulação são componentes que impedem a permanência por períodos muito prolongados.
Em 2008, o Prosub ganhou novos recursos com a assinatura de um acordo com a França para a transferência de tecnologia à construção do casco e demais sistemas (terceira etapa). No pacote estão inclusos ainda quatro submarinos convencionais modelo Scorpene, base naval para submarino nuclear, mais dois estaleiros (de construção e de manutenção) – feitos no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O acordo possibilitou a ida de 50 engenheiros (da Marinha e de empresas privadas) às instalações da francesa Direction des Constructions Navales et Services (DCNS), na França, onde passaram por capacitação. “Ao retornarem, projetaram uma alteração do submarino convencional, que não existe no original francês. O nosso é jumborizado (processo em que a embarcação é aumentada), porque projetamos uma sessão intermediária”, revela Guerreiro.
É possível constatar essas características no primeiro submarino a ficar pronto, o Riachuelo, transferido nos dias 13 e 14 de janeiro último para montagem final na área de lançamento – que ocorrerá no 2º semestre de 2018. Ele pesará 1.600 toneladas e navegará a 8 quilômetros por hora, menos que o nuclear, que terá 6 mil toneladas a uma velocidade de mais de 60km/h.
Cerca de 400 engenheiros atuam em todo o programa, que totaliza uma equipe de 3 mil pessoas. Segundo Guerreiro, o objetivo do governo brasileiro é dar maior segurança à costa brasileira, à chamada Amazônia Azul, área oceânica de 4,5 milhões de km², rica em biodiversidade, por onde o País escoa 95% do seu comércio exterior e são extraídos mais de 90% do petróleo e gás.
Alguns dos benefícios já podem ser vislumbrados na engenharia brasileira em setores como medicina, farmacologia, agricultura, climatologia, biologia e na própria indústria naval. Ao lado do Labgene, em Iperó, está sendo erguido um primeiro reator multipropósito de grandes proporções no País para a produção de radiofármaco, componente caro com diversas aplicações, como exames de imagem e a realização de tratamentos como radioterapia.
“Trata-se de um projeto muito relevante para o País sob vários aspectos. Não só na produção do radiofármaco, como de urânio enriquecido. Quem critica a energia nuclear geralmente está mal-informado. Hoje é absolutamente segura e deve fazer parte da matriz energética. Todos os países desenvolvidos têm”, afirma Fuad Kassab, que integra o grupo de Controle e Automação do Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle da Poli, o qual supervisiona o programa.
Por Deborah Moreira