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SimuladordenaviosdentroManobras de atracação arriscadas ou realizadas depois de obras em portos brasileiros já podem ser previstas com exatidão antes de acontecerem na realidade. Isso é possível graças ao Simulador Marítimo Hidroviário (SMH), um sistema 100% nacional, que reproduz no computador condições do mar e outras variáveis de alguns dos principais portos brasileiros, além da situação de embarcações – vazia ou carregada, por exemplo. O equipamento foi desenvolvido por uma equipe coordenada pelo professor Eduardo Aoun Tannuri, do Tanque de Provas Numérico (TPN), um laboratório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Ele conta que o SMH começou a ser desenvolvido há dois anos, a partir de um outro equipamento, o Simulador Virtual Offshore, criado para treinamento de operadores de navios que atuam em operações de transferência de óleo das plataformas instalados em alto mar para os navios petroleiro. “Esse novo simulador foi feito para reproduzir as condições de navegação e atracação no que chamamos de águas restritas, ou seja, em canais, portos e rios”, explica Tannuri. “O sistema simula toda a manobra de aproximação e atracação do navio no cais.”

Na verdade, foram desenvolvidos dois equipamentos, que funcionam em salas diferentes. Numa delas, há 10 telas, algumas com 46 polegadas. Noutra sala, uma só tela, mas de cinema, com seis metros de largura por dois de altura, e uma réplica de uma cabine de comando, como manche e outros equipamento, que se movimenta, simulando o balanço de um navio. Tanto as telas menores com a grande estão conectadas a um computador potente. “Por meio de modelos matemáticos, o SMH simula ventos, ondas, correntezas e marés”, conta Tannuri. “Também é possível simular condições de visibilidade, como neblina, noite, chuva e sol contra o operador, por exemplo. O simulador reproduz ainda o comportamento de vários equipamentos, como rebocadores, leme, motores de propulsão, bússola, GPS, entre outros.”

O professor da Poli explica que, diferentemente do Simulador Virtual Offshore, que era usado para treinamento de operadores, o SMH já está sendo utilizado para prever manobras reais nos portos. “No porto de Tubarão, por exemplo, simulamos a atracação do maior navio do mundo, o Vale Brasil, antes que ela ocorresse de fato”, conta. “Isso é importante para que o comandante e o prático saibam como o navio vai se comportar durante a atracação real, evitando perda de tempo, acidentes e garantindo a segurança da navegação.”

Também foram simuladas novas manobras no porto de Suape (PE), Pecém (CE), e Itaqui (MA), Rio Grande (RS) e terminais do porto do Rio de Janeiro (RJ), a fim de obter maior aproveitamento deles. O equipamento foi usado ainda para a avaliação da navegação de novos comboios fluviais, que transportarão etanol na Hidrovia Tietê-Paraná.

O simulador atende a demandas da Petrobras, que ajudou a financiar o projeto, e demais empresas ligadas aos setores de navegação. Todos os softwares foram projetados e desenvolvidos no TPN, um laboratório pioneiro em hidrodinâmica aplicada, resultado de uma colaboração entre a Poli e a Petrobras. “Nosso objetivo é colaborar para a obtenção da autossuficiência da produção de petróleo nacional”, diz Tannuri. “Para isso, desenvolvemos ferramentas, com tecnologia totalmente nacional, como o SMH.”

 

Imprensa – SEESP
Informação da Acadêmica Agência de Comunicação



EngenhariaMGdentroA valorização dos profissionais que responderam aos desafios do desenvolvimento tecnológico de equipamentos e processos de produção na indústria surpreendeu os departamentos de recursos humanos das empresas, já pressionados pela escassez de mão de obra qualificada. De montadores de construções prediais com estruturas em aço a engenheiros superespecializados, os trabalhadores que abraçam as inovações, se adaptam a rotinas muito diferentes e criam soluções para aproveitar todo o benefício das novas técnicas ganham prestígio e até o dobro da remuneração oferecida cinco anos atrás. É o caso dos engenheiros industriais, que fazem parte de um grupo de pelo menos 10 profissionais do setor e da construção civil que mais vivenciam as mudanças no dia a dia das fábricas.

O piso salarial na engenharia saiu de R$ 2,9 mil em 2007 para os atuais R$ 5,7 mil no estado, evolução que foi acompanhada, em percentuais menores, mas também significativos pelos auxiliares de produção hoje remunerados na faixa de R$ 1,3 mil, ante os R$ 950 anteriores, um acréscimo de 36,8%. Na construção, setor que tradicionalmente paga vencimentos baseados no salário mínimo, os trabalhadores que encararam os avanços da tecnologia também são recompensados: um montador de construções feitas com estruturas de aço recebe em média R$ 1,2 mil, mas pode levar até R$ 3 mil no fim do mês, se alcançar a produtividade oferecida pelos novos materiais.

Há 25 anos no ramo da engenharia, Júlio Cézar de Alvarenga Pires viveu um período de descoberta e proliferação de materiais que as empresas não esperavam. Atrás da especialização, se dedica diariamente à pesquisa, a cursos de qualificação e à adaptação desses novos itens às máquinas nas unidades fabris da Delp Engenharia, de Contagem, na Grande Belo Horizonte. "É preciso absorver os conhecimentos, buscar qualificação constantemente e ter a noção exata do valor dos materiais para a produção", afirma. O trabalho exigiu que Júlio Pires fosse além do currículo tradicional do curso de engenharia mecânica, já que o curso de engenharia de materiais só surgiu recentemente em BH.

Em comum, tanto a engenharia quanto as categorias profissionais do chamado chão de fábrica - soldadores, torneiros mecânicos e os auxiliares de produção - se valorizaram em razão da evolução da tecnologia e da bagagem técnica desses profissionais, observa Hegel Botinha, diretor comercial do grupo Selpe, especializado em recrutamento de pessoal. "A responsabilidade na indústria ficou maior, porque uma máquina computadorizada vale milhões de reais e qualquer erro pode paralisar a fábrica", diz.

O torneiro mecânico Leonardo Júnio da Silva, de 36 anos, não duvidaria disso. Com a experiência de trabalho no torno convencional, ele decidiu se qualificar no equipamento mais sofisticado, o chamado torno CNC, alimentado por comandos computadorizados e que tem como grande trunfo a aplicação em produções de grande escala, em lotes muito grandes de peças ou em operações muito específicas. "Se eu demoro uma hora para fazer uma peça na máquina convencional, consigo fazer 10 em um minuto no CNC. Quero ir além, futuramente esse conhecimento vai ser fundamental", afirma.

Mutação e aprendizado
A diferença na estrutura e na operação das máquinas é gigantesca e impõe não só a requalificação dos operadores, como também a capacitação deles para compreender o que a tecnologia pede, resume Edmar Alcântara, gerente de Educação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Minas Gerais. Boa parte das profissões nas fábricas sofreram uma espécie de mutação e algumas delas desapareceram, como a dos técnicos de rede de dados, que usavam sistemas analógicos. A chegada dos sistemas computadorizados levou ao surgimento do desenvolvedor de software.

Mesmo com tantas modificações nas linhas de produção que tornaram o aprendizado uma rotina, a qualificação passou a ser um ponto nevrálgico, inclusive para quem vive do trabalho convencional. A construção civil, por exemplo, está abrindo frentes por causa das evoluções tecnológicas e precisa de trabalhadores que possam lidar com elas. Porém, persiste uma carência grande de gente que faça bem as tarefas tradicionais, alerta Aldo Giuntini de Magalhães, coordenador do curso intensivo de preparação de mão-de-obra industrial (Cipmoi), projeto de extensão vinculado à Escola de Engenharia da UFMG. "A demanda muitas vezes não é atendida nem mesmo para esses procedimentos. Por isso vemos cada vez mais cursos de qualificação sendo oferecidos por empresas e instituições", afirma.

Atrás da eficiência máxima
Além do reconhecimento traduzido em salários, os profissionais da indústria que acompanham o desenvolvimento tecnológico da produção se envolvem na busca de produtividade que as empresas perseguem para vencer seus concorrentes e criam um ambiente mais favorável à satisfação dos clientes. A tecnologia trouxe ainda benefícios como a operação mais segura das máquinas. Na construção, os cronogramas de execução de obras foram encurtados e diminuiu o fluxo de entrada e saída de materiais nos canteiros.

A transformação do trabalho dos operadores de guindastes é mostra importante disso, para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires. Esses profissionais trabalham, hoje, em cabines com ar-condicionado e manejam equipamentos hidráulicos, que demandam esforço físico menor e dão mais segurança ao operador. Há situações em que o equipamento pode ser operado do lado de fora por meio de joysticks. "Cada vez menos pessoas querem o trabalho mais artesanal, de pôr a mão na massa. É mais fácil encontrar quem esteja disposto a se qualificar para operar máquinas automatizadas e as empresas se encarregam dessa capacitação", afirma. A remuneração inicial do operador de guindastes automatizados está em torno de R$ 1,5 mil mensais.

No desenvolvimento dos materiais, da mesma forma, a tecnologia deu prioridade à resistência à corrosão e às conformações mais adequadas às exigências de preservação ambiental, destaca o diretor-executivo de Vendas da Usiminas, Ascanio Merrighi. A companhia pesquisa e desenvolve, há três décadas, aços estruturais de alta ressistência para a construção civil. "São soluções industrializadas, que demandam maior precisão construtiva e um gerenciamento diferente da obra, com impactos na redução no tempo de execução e das instalações do canteiro, além da do fluxo menor de entrada e saída de materiais", afirma.

Vinícius Charpinel, diretor da Permax, construtora que usa as estruturas em aço, diz que a maior agilidade no cumprimento dos cronogramas acertados com os clientes se refletiu não só nos salários dos trabalhadores. "Na prática, não foi só o salário que aumentou, mas a remuneração por produtividade", afirma.

 

Imprensa – SEESP
Notícia do jornal Estado de Minas – 17/01/2013



CentrodePesquisaemEngenhariadentroO desenvolvimento de novas tecnologias de motores pelas indústrias automobilísticas fez com que os veículos movidos a combustíveis, como a gasolina, emitam atualmente menos dióxido de carbono (CO2) do que o faziam no passado. Mas, para continuar a reduzir as emissões dos poluentes dos veículos que fabricam e atender às exigências das regulamentações ambientais estabelecidas nos últimos anos em diversos países – incluindo o Brasil –, as montadoras não estão conseguindo mais se valer somente dessa estratégia.

“Chegamos a um ponto hoje em que a introdução de novas tecnologias aumenta o custo dos motores e o ganho na redução das emissões de CO2 é pequeno”, disse Flavio Gomes Dias, coordenador de produto da Peugeot Citroën do Brasil Automóveis (PCBA). E continua: “Acreditamos que por meio dos biocombustíveis e motores mutuamente adaptados conseguiremos ter o ganho extra na redução das emissões de CO2 pelos automóveis que buscamos.”

A avaliação foi feita por Dias durante evento realizado, em dezembro último, na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) com o objetivo de apresentar a chamada pública de propostas lançada pela instituição em conjunto com a empresa para seleção de um projeto que visa à criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia, que será sediado em uma ou mais instituições de pesquisa no Estado de São Paulo e terá apoio da Fundação e da Peugeot Citroën por até dez anos para desenvolver motores de combustão interna, adaptados ou desenvolvidos especificamente para biocombustíveis.

Alguns dos temas de pesquisa de interesse do Centro são novas configurações de motores movidos a diferentes biocombustíveis, incluindo veículos híbridos (que possuem mais de um motor – elétrico e a gasolina, por exemplo), redução de emissões de gases e aspectos econômicos, ambientais e sociais relacionados aos biocombustíveis.

O aporte financeiro previsto para o período de apoio é de, no mínimo, R$ 1,6 milhão por ano, divididos em partes iguais entre as duas instituições parceiras. O prazo para apresentação das propostas termina no dia 29 de março. A divulgação das propostas selecionadas está prevista para o dia 31 de julho.

“Estamos com alta expectativa de receber propostas muito boas e competitivas mundialmente nos temas definidos na chamada, e muito satisfeitos com a oportunidade de associar a Fapesp à Peugeot Citroën em uma iniciativa tão ousada para desenvolver pesquisa no Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação.

“Queremos que o Centro de Pesquisa em Engenharia esteja nos patamares internacionais na área de mobilidade de veículos. Para isso, ele precisarã ter um núcleo de pesquisa convincente e competitivo internacionalmente”, ressaltou Brito Cruz.

 

Imprensa – SEESP
Informação da Agência Fapesp



patrodentroOs conselhos profissionais no Brasil foram criados para resguardar a sociedade do exercício de atividades regulamentadas por pessoas não habilitadas. Além disso, no âmbito desses ofícios, tais órgãos possuem papel regulatório e fiscalizatório, sobretudo das denominadas profissões liberais, como advocacia (OAB), engenharia (Crea), medicina (CRM), odontologia (CRO), psicologia (CRP), economia (Corecon) etc.

As entidades de classe, associações e sindicatos, e os próprios membros dos conselhos profissionais regionais e federais visam o estrito cumprimento das atribuições às quais essas instituições se destinam. Entretanto, muitos conselhos foram organizados em estruturas hoje antigas, quando ainda não estavam presentes vários fenômenos da globalização, tais como a existência de múltiplas especializações da engenharia (cursos de mecatrônica, bioengenharia, alimentos, meio ambiente etc.) e a educação à distância.

Como resultado, há grande dificuldade para acompanhar a evolução exigida pela regulamentação e fiscalização de novas competências. Uma reforma ou, sendo mais radical, uma revolução das estruturas obsoletas dos conselhos profissionais ligados às áreas tecnológicas faz-se necessária, vez que não se tem conseguido acompanhar as mudanças com a rapidez devida.

Contudo, não é sabido se teremos agilidade para recuperar todo o tempo perdido. Para agravar a situação, quando os conselhos deveriam estar unidos para efetuar essas transformações, estão cada vez mais divididos. Apesar de tudo, devemos continuar a luta pela modernização do Sistema Confea/Creas, pois encontramos um grande número de profissionais, não só almejando tais reformas como também em condições de realizá-las. Por outro lado, se tais medidas não forem tomadas, certamente abriremos caminho à desregulamentação das profissões, demanda de parte do mundo globalizado.

Necessitamos realizar um trabalho de grande representação nos parlamentos federais, estaduais e municipais, de forma que a legislação possa favorecer nossos direitos e deveres profissionais e preservar a engenharia nacional. Em parceria com a FNE e os demais sindicatos filiados a ela, o SEESP vem realizando um intenso trabalho nesse sentido, tendo como escopo a valorização profissional junto aos poderes constitucionais e à sociedade civil organizada como um todo.

* por Rubens Lansac Patrão Filho é presidente da Delegacia Sindical do SEESP em Campinas e conselheiro do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo)

 

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sebestiodentroNo planeta habitam hoje 7 bilhões de pessoas. Vinte por cento dessa população consome 80% dos recursos naturais disponíveis e explorados na Terra. Cada habitante urbano gera 1kg de lixo por dia. Falta ou inexiste água potável em muitos. A geração de energia, insumo básico do desenvolvimento, demanda um grande volume de investimentos financeiros, o que a torna inacessível a muitos povos. A fome está presente no dia a dia de 2 bilhões de habitantes. O homem não tem assegurada habitação segura e confortável na maior parte do globo.

Nesse cenário, qual o papel da engenharia? É a construção de saídas que tragam soluções em benefício da população. No Brasil, a FNE, em 2006, apresentou o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Uma contribuição valiosa, que apontou quanto e em quais setores seria necessário investir. Em 2007, foi lançado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), demonstrando o acerto dos nossos argumentos, entre os quais constava a necessidade de se formar mais engenheiros para operar o sistema estatal e produtivo. Teremos que suprir essa demanda com profissionais preparados para o enfrentamento dos novos desafios, ou seja capazes de gerar inovação tecnológica. E mais uma vez, somos vanguarda.

O Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), criado em São Paulo com apoio da FNE, traz essa ideia. Inova na grade curricular, na forma, no conteúdo e nas soluções dos problemas das empresas. Qualifica os engenheiros com cursos de pós-graduação e sinaliza que precisamos garantir a formação de pessoal apto às tarefas do desenvolvimento brasileiro – a exploração das reservas de petróleo no pré-sal, a sustentabilidade da Amazônia, a produção agropecuária, a realização das obras de infraestrutura.

No Acre, vivemos uma nova era. O governador Tião Viana quer trazer a indústria para se instalar no estado. Criou a ZPE (Zona de Processamento e Exportação) para a nova geografia política da região: integração estadual pelo asfaltamento da BR-364 e conclusão da estrada interoceânica que faz ligação aos portos do Pacífico. A construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio garante a produção de energia para o desenvolvimento da Amazônia.

Simultaneamente, o governo assinou com a FNE quatro grandes convênios que visam: estudos técnicos de viabilidade de uma barragem com regularização de vazão no Rio Acre, próximo a Rio Branco; regularização fundiária dos terrenos e edificações urbanas no estado; assessoria e acompanhamento do projeto Cidade do Povo; e, através do Isitec, cursos de pós-graduação aos engenheiros do quadro funcional do estado do Acre.

Além disso, estivemos com o novo reitor da Ufac (Universidade Federal do Acre), Minoro Kimpara, e propusemos um trabalho de parceria em cursos de mestrado e doutorado para a engenharia, programa de extensão aos universitários e realização de seminários de engenharia na academia para estudantes, professores e profissionais em geral.

A construção de uma nação soberana nos impõe ousar na dimensão dos nossos maiores sonhos.

* por Sebastião Fonseca é diretor Norte da FNE, presidente da ONG Engenheiros Solidários e do Senge Acre


Imprensa - SEESP
Artigo publicado no jornal "Engenheiro", da FNE, Edição 127, de dezembro de 2012




 

Temos muitos significados para a palavra inovação. Um dos aplicáveis é a introdução de algo novo em qualquer atividade humana. A palavra é derivada do termo latino “innovatio”, e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Temos neste ponto a questão central da nossa discussão: toda a formação do engenheiro é baseada no estudo das leis da natureza e no seguimento de procedimentos. Então, inovar pode ser uma atividade muito difícil e dolorosa para os engenheiros.

Segundo W. Brian Arthur, autor do livro "The Nature of Technology", as novas tecnologias aparecem pela combinação das já existentes. Diz ainda que as tecnologias se criam por si e de si mesmas e que a inovação tecnológica dependeria dos seguintes fatores: demandas sociais, de tecnologias existentes e de estoque de conhecimentos científicos disponíveis. Vamos aos fatos.

As demandas sociais existem no Brasil. O consumerismo no País é uma realidade, assim como a melhoria econômica nos últimos anos. Aumentaram a oferta e a competição, e o cliente detém o poder de exigir. Com alguns cliques no computador é possível comparar preços, produtos e lojas, coisa que antes exigia certo tempo. O brasileiro começou a viajar e adquiriu padrões de comparação da América do Norte e da Europa. Os órgãos de defesa do consumidor são ativos e os jornais, blogs, e Facebook estão cheios de notícias do mundo do consumo e de gente reclamando de produtos e serviços.

O estoque de conhecimento científico e a tecnologia existente, por sua vez, devem ser analisados de forma conjunta. O ponto nevrálgico aqui é a comunicação entre eles. A inovação se faz combinando conhecimento e tecnologia. Exemplificando algumas combinações: transistores bioeletrônicos, eletrônica molecular, spintrônica, computação quântica, apenas para citar algumas áreas, são tecnologias emergentes e já estão se tornando realidade. Se o trabalho em equipe no mundo da ciência já era importante, agora a interdisciplinaridade é um fator adicional. As universidades e os cursos devem preparar o futuro profissional para que se sinta confortável em atuar nas fronteiras do conhecimento, cercado de incertezas, entre uma ciência e outra.

A interdisciplinaridade surge quando os currículos refletem a pressão da sociedade, provendo o estoque de conhecimento necessário em cada área, e as universidades geram ambiente de trabalho colaborativo entre os seus departamentos. Isso se aplica não apenas entre as engenharias, mas pensando de forma mais abrangente, também às áreas biológicas e humanas. Digo colaborativo e não competitivo como se tem notícia de algumas universidades, onde se disputa pelo aumento de orçamento e pelo número de papers publicados.

O aluno deve ser motivado a adentrar o mundo das incertezas. Ao contrário, em geral o processo de aprendizado é cauteloso demais, e doutrina a não correr riscos. Os TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), as teses de mestrado, doutorado, são projetos com data de início e término bem determinadas, objetivos e métodos estabelecidos desde o início. O aluno não é estimulado a ousar; a ousadia nessa hora pode postergar a conclusão do curso, e ninguém é criativo e ousado quando o ambiente o ameaça.

A descoberta do grafeno, forma bidimensional do carbono que pode trazer inúmeros benefícios à eletrônica, foi feita por dois pesquisadores da Universidade de Manchester utilizando uma fita adesiva para retirar pequenos fragmentos de um grande pedaço de grafite. Perturbadoramente criativo e simples, mas valeu o prêmio Nobel. A formação de engenharia e a inovação será o tema principal do painel Educação do 21º Congresso SAE BRASIL, em outubro próximo.

* por Mauro Andreassa, membro do Comitê de Educação de Engenharia do Congresso SAE BRASIL 2012


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A Neoenergia abriu as inscrições para seu Programa de Estágio 2013 nesta quarta-feira (1/8). As vagas estão distribuídas nos quatro principais Estados de atuação da empresa: Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde estão suas distribuidoras de energia, e Rio de Janeiro, onde fica a sede do grupo.

Os candidatos ao programa devem apresentar conhecimentos intermediários de inglês e do pacote Office e estar cursando o primeiro ou segundo ano em Engenharia, Economia, Matemática, Ciências Contábeis, Comunicação Social, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Ciências da Computação, Direito, Informática, Biologia, Geografia, Geologia ou Psicologia.

As inscrições podem ser feitas até o final de setembro, pelo site www.neoenergia.com. Em outubro e novembro, os candidatos passam por provas online, dinâmicas de grupo e entrevistas individuais. Entre as características requeridas dos futuros estagiários está a colaboração em equipe, comprometimento com resultados, perfil inovador e autoconfiança. Os selecionados começam a trabalhar em dezembro deste ano.

O Grupo Neoenergia controla as distribuidoras de energia elétrica Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco) e Cosern (Rio Grande do Norte), além de geradoras hidrelétricas e térmicas, transmissoras e a comercializadora NC Energia.

 

Imprensa – SEESP
* Informação do Jornal da Energia



Poucas categorias profissionais ganharam tanto prestígio na história recente do Brasil quanto os engenheiros. Seja por causa do pré-sal, seja pelas obras da Copa e das Olimpíadas, só se fala que o país precisa de mais engenheiros. Advogados já temos demais, argumentam alguns.

Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que, até 2014, o Brasil vai demandar 90 mil novos engenheiros no mercado de trabalho, somados aos 854 mil inscritos hoje no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Tal número já é considerado praticamente inalcançável, na avaliação da própria CNI.

Com isso, o país importa mão de obra e aumenta os salários de quem já está dentro do mercado. De 2011 para cá, 6 dos 20 cargos que mais tiveram valorização salarial são engenharias, segundo o site de emprego Catho. O salário médio para um profissional na área de petróleo e gás (o site não especifica o nível de conhecimento) passou de 5,6 mil reais para 8,8 mil reais entre um ano e outro, com uma valorização de 55%.

Não se pode dizer que o Brasil não reagiu à demanda nos últimos anos. Entre 2001 e 2010, o número de formandos em Engenharia mais do que duplicou, saindo de 18 mil para mais de 41 mil. Os números de cursos e vagas cresceram de maneira exponencialmente maior que o PIB. Para o Confea, o Brasil começou a responder ao estímulo por desenvolvimento depois da letargia econômica das décadas de 80 e 90.

Mesmo assim, ainda estamos atrás na corrida por tecnologia. Dados do Banco Mundial compilados pelo professor da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Vanderli de Oliveira, mostram que 27% dos estudantes da Rússia estão matriculados em cursos relacionados à tecnologia, incluindo engenharia, enquanto no Brasil são 9% e, na China, 14%.

Confira três mudanças que o Brasil precisa levar adiante para ficar em dia com os profissionais engenheiros.

1) Educação na base

Desafio: fazer mais gente se interessar por engenharia

Na última edição do PISA, o teste internacional de avaliação da educação, o Brasil não foi bem em ciência e leitura (para ambas as disciplinas ficou na 53ª posição, de um total de 65 países), mas foi um pouquinho pior em matemática (57º). Trata-se de um sintoma de fácil detecção: muitos alunos preferem passar longe dos números.

Embora alguns cursos de engenharia já há alguns anos estejam entre os mais concorridos nas universidades públicas (no vestibular da USP do ano passado, engenharia civil ficou à frente de medicina), quase 40% das vagas ficam ociosas, com concentração nas universidades particulares. Ter mais engenheiros no Brasil significa conseguir que mais alunos não tenham medo - e gostem - de matemática e física.

“O professor morre de medo da matemática porque ele não sabe (o conteúdo). Na pedagogia, todo mundo morre de medo”, afirma o pesquisador em educação Cláudio de Moura Castro, sobre o fato dos professores do ensino básico terem pouca afinidade com ciências exatas.

No caso de professores que se graduaram em matemática, o problema é inverso. “Eles receberam uma formação de matemática avançada, mas nunca ninguém ensinou como se chega em uma sala e ensina fração ou regra de 3”, diz Castro.

2) Evasão

Desafio: quem quiser engenharia, tem que querer ficar até o final

Dos alunos que começam algum curso de engenharia, 43% não o terminam, segundo a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge). A grande maioria desiste logo nos primeiros dois semestres. Ou seja, dos brasileiros que se dispõem a enfrentar os números, grande parte acaba desistindo no meio da empreitada.

“O sujeito não vem bem preparado, não acompanha e abandona. Ele prefere outros cursos onde teoricamente é mais fácil progredir”, afirma Vanderli de Oliveira, da UFJF e diretor da Abenge.

Terminar com a evasão é um dos principais pontos do programa Pró-Engenharia, traçado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e enviado em 2011 para análise do Ministério da Educação, mas que ainda não saiu do papel. O problema, segundo Vanderli, não é exclusivamente brasileiro e as universidades não podem se furtar de lutar contra este cenário.

“Não adianta colocar a culpa no ensino médio. Temos que recuperar o aluno que chega para que ele não abandone”, afirma o diretor da Abenge.

O especialista Cláudio de Moura Castro ressalta que as universidade de engenharia têm que repensar os próprios currículos, pois ensinam muito mais do que o aluno precisa e não se adaptam a ele. ”Você tem que ajustar a dificuldade do curso ao aluno. Se ele chega no ensino superior, o pior que se pode oferecer é uma matemática que está acima do nível dele. Um problema adicional nosso é que temos uma grande relutância em aceitar que o aluno não sabe quase nada. O ensino brasileiro tem vergonha”, destaca.

O resultado é que a evasão nas públicas gira em torno de 40%, mas nas privadas, onde muitas vagas já estão ociosas, o índice chega a 60%, segundo a Abenge.

3) Engenheiros fora da engenharia

Desafio: quem cursar e concluir engenharia, tem que visualizar carreira na área

Quando a CNI calcula que o Brasil vai precisar de 90 mil engenheiros até 2014, pode não parecer tão difícil, já que a estimativa é de que em 2011 tenham sido formados 47 mil.

“Mas dos que se formam, apenas 2 em cada 7 vão de fato trabalhar com engenharia. Ou seja, eu preciso de muito mais formados. Como serão demandados 90 mil engenheiros, teriam que se formar 321 mil profissionais. Quer dizer, se eu não mudar o cenário atual, vou ter um déficit de 48 mil engenheiros”, afirma Luis Gustavo Delmont, analista de desenvolvimento empresarial do IEL/CNI.

O fato é que o Brasil precisa dos engenheiros para crescer. E os engenheiros só vão se interessar pelo Brasil se o país crescer. Dados compilados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2010 mostram que a demanda por engenheiros no país aumenta 7% se o PIB brasileiro subir 3%. Quando a economia cresce 7%, a procura por engenheiros aumenta 13%.

A dúvida é: quanto o Brasil vai continuar crescendo?


Imprensa - SEESP
* Texto do repórter 
Marcos Frates para a revista Exame



 

Um projeto liderado pelo engenheiro de alimentos Jonas Contiero, professor da Unesp de Rio Claro, usa ácido lático obtido a partir do soro do leite ou do melaço da cana-de-açúcar para fazer um polímero biodegradável – o polilactato. O projeto é uma parceria entre a Unesp e a Braskem (multinacional brasileira, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas), e tem financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Polímeros são uma espécie de plástico, em geral, derivados do petróleo. Assim como o PHB (polihidroxibutirato), o polilactato é considerado o polímero do futuro, por não ter origem fóssil e ser biodegradável. Ele é especialmente indicado para aplicações médicas, como em placas e pinos para fixação óssea, próteses e até mesmo nos ‘stents’, como são chamados os alargadores de artéria. Isso porque devido a sua composição de ácido lático, o polímero é facilmente absorvido pelo organismo, o que evitaria a necessidade de retirada do objeto após o cumprimento de sua função.

Já há indústrias que utilizam a fermentação para obter o ácido lático – a partir do amido de milho, nos EUA, e do açúcar de beterraba, na Bélgica. “O principal problema nesses casos é o alto custo de produção”, explica Contiero.

O uso do soro do leite e do melaço da cana (rejeitos da indústria leiteira e sucroalcooleira, respectivamente) torna a obtenção desse tipo de material muito mais barata. Em derivados do leite, o ácido lático já está presente. Já o resíduo da cana-de-açúcar é fonte de carbono, que é consumido por bactérias específicas que são adicionadas, e, por meio do metabolismo desses microorganismos, o ácido lático é gerado.

Menos resíduos
A pesquisa da Unesp busca aprimorar a extração do ácido lático e tornar a produção do polilactato mais próxima de uma escala industrial. O principal desafio dos pesquisadores é diminuir a geração de resíduo – o gesso, como é chamado o sulfato de cálcio que resulta da obtenção do ácido lático.

“O interesse industrial em aperfeiçoar esse processo é enorme porque disso depende a substituição dos atuais polímeros derivados do petróleo, que é uma fonte não-renovável e de difícil degradação no ambiente”, diz o estudioso.


Imprensa – SEESP
Informação da Unesp



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