GRCS

Géssica dos Santos Pereira cursava a graduação em Engenharia Elétrica quando perdeu a visão. Mesmo com as dificuldades da deficiência visual, ela concluiu o curso na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e agora terminou o mestrado em Engenharia Elétrica da UFPR. Ela é a primeira pessoa com deficiência visual a defender mestrado nessa área, no país.


Imagens arquivo pessoal
engenheira deficiente 3



A defesa de mestrado de Pereira foi no dia 7 de agosto. A dissertação defendida tem como título “Alocação de bancos de capacitores e reguladores de tensão em redes elétricas inteligentes desbalanceadas”, e trata de formas de melhorar a qualidade da energia elétrica ofertada ao consumidor.

“Ter ficado cega foi inesperado. Foi no meio do curso, e eu decidi que o que eu queria fazer da vida era continuar estudando engenharia. Então eu tive que aprender a ser cega no meio do curso e tive que aprimorar essas habilidades no mestrado”, conta Géssica.

A orientadora do metrado de Géssica foi a professora Thelma Fernandes. “Ela se virou sozinha. Realmente ela me deu menos trabalho do que muitos outros alunos”, disse a orientadora.

Durante seus estudos, Géssica contou com a colaboração de colegas, que gravavam a leitura de materiais, e também usou o seu computador, que possui um leitor de telas. Ela incentiva outros cegos a seguir carreira acadêmica, e também os professores: “é bom que os professores que vão receber outros cegos saibam, através do que aconteceu comigo, que não é um bicho de sete cabeças”.

Com informações da UFPR TV

Fonte: Universidade Federal do Paraná





Nesta segunda-feira (17/8), o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro, participa do evento "Pela Engenharia, a favor do Brasil", promovido pelo Clube de Engenharia, a partir das 18 horas no Rio de Janeiro (RJ). O evento reunirá lideranças nacionais do setor sob o mote Sem engenharia não há desenvolvimento, sem desenvolvimento não há empregos; sem emprego não há soberania.

O encontro terá transmissão online, ao vivo, no portal do Clube da Engenharia e conta com o apoio das entidades e instituições nacionais de atuação marcante no desenvolvimento do Brasil, como o Confea, CREAs, Febrae, ABEE, Sinicon e Sinaeco, entre outros. A entrada é gratuita.


Imagem: divulgação
clube da engenharia promove encontro nacional

 

O Clube de Engenharia fica na avenida Rio Branco, 124, Centro do Rio. Mais informações, acesse o site do Clube da Engenharia.


Fonte: Fator Brasil





A Rússia pode ser o primeiro país a criar o primeiro motor antigravitacional. O engenheiro e inventor Garri Gilmanov, da cidade de Troitsk, no sul dos Montes Urais, afirma ter desvendado o segredo da antigravidade. Recentemente, demonstrou a jornalistas a “cadeira antigravidade” que ele criou.

É verdade que ela não se eleva no ar, mas de acordo com o seu inventor ela ajuda as pessoas com doenças lombares e do sistema esquelético e motor. O segredo está em que as pessoas, ao se sentarem na cadeira, deixam de sentir o peso do corpo, diz Garri Gilmanov: “Eu posso trabalhar com a força da gravidade. Posso alterar o peso. Aumentar o seu valor, ou diminuir. Alterar sua direção. Posso mesmo excluir a força de gravidade para um determinado corpo ao longo de um determinado período", explica.

Os amigos e conhecidos do inventor, que experimentaram a “cadeira antigravidade”, afirmam que conseguiram eliminar dores nas costas. Garri Gilmanov tem agora quase 70 anos. Ele é autor de mais de duas mil invenções. O seu sonho é proporcionar às pessoas a possibilidade de se deslocarem com recurso à força da gravidade. Como ter um pequeno dispositivo à cintura, puxar um fio e voar para onde se quiser. Ou subir na bicicleta, girar os pedais e levantar voo, diz o inventor: “Uma espécie de bicicleta voadora. Você imagina? Subiu, rodou os pedais, levantou voo e você se desloca. Sem qualquer motor. Isso seria formidável, na minha opinião. Claro que a velocidade não seria muita.”

Tudo isso soa fantástico se não tomarmos em consideração a personalidade do inventor. Garri Gilmanov trabalhou a maior parte de sua vida numa fábrica militar secreta, na qual desenvolvia projetos secretos. Atualmente, ele ainda não pode revelar todas as suas invenções por ter assinado um termo de confidencialidade.

Apesar de suas invenções, Gilmanov ainda não consegue aplicar sozinho suas ideias na prática. Para tirá-lo do papel são necessários cálculos e testes muito precisos com uso de alta tecnologia. "Isso custa muito dinheiro que não se consegue obter", reconhece com tristeza Garri Gilmanov. Mas o inventor também não tenciona vender suas ideias ao estrangeiro – ele se considera um patriota.

Resta esperar que o Estado se interesse pelo invento de Gilmanov. Uma descoberta tão revolucionária não é brincadeira, se ela realmente for baseada numa ideia racional, isso já seria uma questão de importância mundial.

Fonte: Rádio Voz da Rússia







 

Sete em cada dez profissionais de ciência, tecnologia e engenharias (CTEM) não ocupam postos de trabalhos típicos de suas áreas de formação. A constatação está em um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em dezembro último. Por meio do Censo de 2010, a pesquisa verificou que 59% dos engenheiros, por exemplo, trabalham em setores não típicos, como mercado financeiro e ensino. Entre os formados em ciências, matemáticas e computação, o resultado é ainda mais surpreendente, com apenas 21% ocupando postos comuns à profissão.

* Leia o estudo completo aqui

Os autores do documento, os técnicos do Instituto Paulo Meyer e Aguinaldo Maciente, destacam que esta realidade “é natural, tendo-se em vista que a formação em carreiras como engenharia, matemática e física permite desempenhar atividades de gestão e tantas outras”. Eles ressaltam, no entanto, “que a tendência parece ser intensificada no Brasil pelo fato de seu mercado formal de trabalho ser pouco intensivo em funções típicas de CTEM”.

O mesmo estudo, publicado na 30ª edição do boletim Radar: tecnologia, produção e comércio exterior, ainda traça um panorama do mercado de trabalho e revela que os profissionais de CTEM apresentam, em geral, a maior taxa de ocupação entre indivíduos de nível superior, além de tenderem a estar empregados com maior frequência em postos formais (com carteira assinada) e aparecerem em proporção maior como empregadores (empreendedores).

Artigos
Apresentado em Brasília, na sede do Ipea, o boletim Radar traz outros dois textos. Um deles aborda a distribuição territorial dos profissionais de CTEM. Os resultados mostram que, entre 2000 e 2010, houve aumento na concentração espacial desses profissionais. Se em 2000 havia alguns locais, das regiões Norte, Nordeste, nas quais existia uma elevada proporção relativa de profissionais de CTEM, em 2010 a maior parte com formação especializada passou a se concentrar nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

“Esse dado pode indicar que a expansão do nível superior, no interior do país, se deu em áreas que não são de CTEM, diferente das outras regiões que tiveram proporção de cursos balanceada”, explicou Aguinaldo Maciente.


 

Fonte: Ipea

 

 

 

 

 

GustavoDenariUFSCardentroGustavo Bueno Denari [foto ao lado] entrou na faculdade aos 22 anos de idade e, neste ano, aos 27, está se formando pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele explica que cursou praticamente, durante quatro anos, a partir dos 17 anos, física e depois mudou para a engenharia física, porque vê mais oportunidades nessa área. Denari já atua no setor que pretende seguir carreira, numa instituição financeira. Nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro (JE), o graduando defende uma maior aproximação entre universidade e mercado de trabalho, “para o profissional ficar um pouco menos acadêmico”, dá sua opinião sobre como se valoriza a engenharia no Brasil e mostra muito otimismo em relação ao futuro da profissão.

Por que você escolheu o curso de engenharia?
Gustavo Bueno Denari –
A escolha não foi trivial. Cursar engenharia foi para melhorar as habilidades em exatas, mas principalmente pelo leque de oportunidades que o curso abre, ele é um dos poucos que conseguem "migrar" de área com facilidade e isso amplia o universo de oportunidades.

Em qual área pretende exercer sua atividade?
Denari –
Entre as diversas áreas que a engenharia física possibilita trabalhar, eu optei por seguir no mercado financeiro, pela qual tenho verdadeira paixão. Especificamente na área de modelos de riscos de créditos, sou desafiado intelectualmente todos os dias e isso me faz bem.

Como você vê o mercado de trabalho em relação à profissão hoje no Brasil?
Denari –
Creio é um mercado promissor e em expansão. As empresas necessitam dessa formação que a engenharia agrega em seus alunos, uma formação que leva a visão de conjuntura, toda empresa tem problemas e desafios e a engenharia é a que consegue buscar na teoria as soluções para se colocar em prática e ficar em igualdade de competição com os concorrentes nacionais e internacionais.

Como você avalia a polêmica de que o país enfrenta uma insuficiência de profissionais da tecnologia?
Denari –
Não vejo como polêmica, é uma realidade. Podemos formar inúmeros profissionais de tecnologia por ano, mas quantos desses saem da universidade com a formação necessária? Um exemplo claro, engenheiros que conhecem acústica são poucos os estimulados a buscar essa formação. Como vencer essa realidade é um desafio. As universidades têm que parar e olhar para o mercado e perguntar o que devem melhorar em seus cursos e reformular. Estamos em um mundo onde surgem inovações praticamente todos os dias e, permanecer numa grade curricular elaborada nos anos 1980 é complicado.

Mas também as empresas precisam compreender que um profissional de tecnologia tem uma capacidade de assimilar muito rápido e todos têm uma formação básica em tecnologia similar. Por isso, elas devem oferecer mais treinamentos, pois isso não é despesa e sim investimento. Muitos profissionais são atraídos pelas empresas que investem na formação de seus funcionários.

Você poderia falar um pouco de como você entrou na faculdade, qual era a sua perspectiva na área, e, passados tantos anos de estudo, como você percebe a profissão que abraçou?
Denari –
Entrei na faculdade buscando ser um profissional que auxiliaria no desenvolvimento da fotônica e dos lasers para saúde. Mas quando cursei a disciplina de Engenharia Econômica eu vi que esse era o caminho que queria seguir, o que me fez buscar disciplinas voltadas para análises financeiras e curso no exterior também voltado para área de business. Em suma, entrei na universidade com uma visão de mundo restrita ao colegial e das profissões dos meus pais (zootecnista e pedagoga) e saio com uma visão muito mais ampla, a visão industrial, financeira, econômica e de tecnologia que o país precisa.

Em sua opinião, como se valoriza a mão de obra da engenharia brasileira?
Denari –
Uma pergunta com várias respostas possíveis, mas três caminhos podem responder essa questão: existem cursos de engenharia pipocando em todos os lados, assim ocasionando uma enxurrada de engenheiros que aceitam as condições do mercado: muita oferta de mão de obra pede para que a mão de obra não seja valorizada. O outro é a falta de cursos de engenharia que atendam a real demanda das empresas, os poucos que conseguem observar essas necessidades conseguem alta valorização da sua mão de obra. E, por último, falta das empresas dentro das universidades, isso nos torna muito acadêmicos, gerando um ar de "pouco" preparado e logo mais custos para "moldar" ao estilo da empresa.

Para valorizar a mão de obra é fundamental olhar para esses três pontos, pois eles se correlacionam. Creio que o mais crítico e que valorizará a mão de obra da engenharia brasileira é saber o que o mercado precisa. A partir do momento que os cursos formarem os profissionais com o perfil que as empresas necessitam haverá uma inversão no cenário atual: pouca oferta de mão de obra e, portanto, mais valorizada será a mão de obra.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP






O Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) está com inscrições abertas, até 12 de janeiro, para o concurso que busca preencher uma vaga de professor doutor na área de Eletrônica e Processamento de Sinais. Leia aqui o edital deste concurso.

O aprovado no concurso será contratado em regime de dedicação integral à docência e à pesquisa (RDIDP), com salário de R$ 9.184,94, e ministrará as disciplinas Processamento Digital de Sinais, Aplicação de Processamento Digital de Sinais, Instrumentação Eletrônica I e Circuitos Eletrônicos II.

O programa do concurso envolve assuntos relacionados a sinais e sistemas discretos, filtros digitais, periodograma, circuitos detectores de pico, entre outros.

O processo de seleção inclui duas fases. Na primeira, os candidatos serão submetidos a uma prova escrita dissertativa, que terá duração de cinco horas e, somente os que obtiverem nota igual ou superior a 7, passarão para a segunda fase.

A segunda etapa da seleção consiste no julgamento do memorial com prova pública de arguição e prova didática. O julgamento do memorial deverá refletir o mérito do candidato em relação às atividades e titulações e a prova didática versará sobre o programa da área de conhecimento exigido, podendo o candidato usar o material didático que julgar necessário.

As inscrições são recebidas pessoalmente, por procuração ou por correspondência, pelo Serviço de Assistência aos Colegiados da Escola de Engenharia de São Carlos, que fica na Avenida Trabalhador São-carlense, 400, em São Carlos (SP).

Concurso de Química

O Instituto de Química de São Carlos, também da USP, está com inscrições abertas – até 11 de dezembro – para o concurso que busca preencher uma vaga de professor doutor no Departamento de Química e Física Molecular. Leia aqui o edital deste concurso.

O docente ministrará as disciplinas de química de alimentos e análise sensorial, será contratado em RDIDP e receberá remuneração mensal de R$ 9.184,94.

O concurso será realizado em duas fases. A primeira envolve a realização de uma prova escrita que será baseada em um dos pontos do programa. Somente os candidatos que obtiverem nota maior ou igual a 7,0 estarão habilitados para a segunda fase.

A segunda fase será composta pelo julgamento do memorial com prova pública de arguição e prova didática. O julgamento do memorial terá peso 5,0 e deverá avaliar o mérito do candidato em suas produções, atividades e títulos obtidos.

A prova didática (peso 3,0) será pública e o candidato terá de 40 a 60 minutos para expor, com o material que julgar necessário, um dos temas da área de conhecimento que será sorteado com 24 horas de antecedência.

As inscrições devem ser feitas, pessoalmente ou por procuração, na assistência acadêmica do IQSC, que fica na Av. Trabalhador São-Carlense, nº 400, em São Carlos.

 

Fonte: Agência Fapesp





O programa de televisão Jornal do Engenheiro (JE), desta semana, está mais especial, falando sobre engenharia, tecnologia, inovação e sobre os 79 anos de existência do SEESP. O coordenador do Conselho Tecnológico do sindicato, o professor e diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), José Roberto Cardoso, explica como funciona e é composto o conselho. Entre outros objetivos, observa Cardoso, o organismo é um fórum de discussão de temas atuais da engenharia e também da sociedade brasileira.

Neste ano, será realizada a 27ª edição do Prêmio Personalidade, cujos agraciados são definidos pelo conselho em várias áreas, como saneamento ambiental, inclusão digital e internet pública, mobilidade e planejamento urbanos e valorização profissional. Os nomes dos homenageados, segundo Cardoso, são discutidos e definidos a partir das ações empreendidas por eles e que tenham repercussão positiva junto à sociedade.

A reportagem do JE fala sobre os 79 anos de existência do SEESP, a serem completados no próximo dia 21. O quadro “No Ponto”, o presidente do sindicato, Murilo Celso de Campos Pinheiro, mostra que a entidade representa mais de 200 mil profissionais em todo o Estado de São Paulo e tem mais de 60 mil associados. Pinheiro destaca a participação consequente do sindicato nas várias discussões atuais da sociedade e também nas lutas pelos direitos específicos da categoria.

Tudo isso e muito mais você confere no JE na TV que é exibido às segundas-feiras, às 19h30, na capital paulista, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet (neste link) no mesmo dia e horário. O programa é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP





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A falta de engenheiros não é problema exclusivo do Brasil. Ela afeta também os Estados Unidos onde quase metade dos alunos que entra no curso não se forma. A razão disso é a maneira com que a engenharia é ensinada hoje, que pouco tem do verdadeiro processo por trás do ofício e que não gera profissionais inovadores. A opinião é de Richard K. Miller, engenheiro e presidente da Franklin W. Olin College of Engineering, instituição americana que propõe um ensino diferente da profissão.

Miller vem ao Brasil para participar, nesta terça-feira (29/07), de um debate na escola de negócios Insper, com a qual a Olin possui parceria. O professor vai falar sobre inovação, algo que julga ser essencial quando o assunto é o que precisa mudar na formação de engenheiros. Para ele, um engenheiro é alguém que visualiza algo que nunca existiu e que faz de tudo para transformar isso em realidade. Desse modo, disciplinas como matemática e ciências são importantes, mas não devem ser o fundamento do ensino.

"Os engenheiros não são recrutados por sua visão, mas por suas notas em matemática. Talvez não estejamos atraindo as pessoas certas, nem ensinando o conteúdo ideal", diz. Exemplo disso, além dos altos índices de evasão, é a incapacidade de atrair mais mulheres para a área - ele estima que apenas 20% dos alunos americanos de engenharia sejam do sexo feminino. Na Olin, onde as aulas têm um formato de laboratório, a turma que vai começar em setembro tem 54% de mulheres.

Para desenvolver a capacidade de inovar, Miller afirma que é preciso investir na multidisciplinaridade e ensinar além daquilo que é possível de acordo com as leis naturais, como acontece hoje. No entanto, é fundamental também mostrar o que é viável economicamente - como é ensinado nas escolas de negócios -, e o que é desejável, cultural e socialmente - como se aprende em disciplinas de humanas. "É preciso expor as pessoas a essas ideias de uma só vez."

Para atrair mais pessoas - e com o perfil certo - para a engenharia, Miller diz que usa a vontade que o jovem tem de mudar o mundo. "Digo a eles que podemos encontrar maneiras práticas para que façam isso."

 

Fonte: Jornal Valor Econômico – 29/07/2013




No Brasil, mais da metade dos estudantes de engenharia abandona o curso antes da formatura. É o que revela um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em uma análise inédita de dados do Ministério da Educação (MEC). Em 2007, 105.101 pessoas ingressaram em cursos de engenharia em instituições públicas e particulares. Cinco anos depois – tempo previsto para a conclusão do curso – apenas 42,6% dos estudantes se formaram. Ao todo, 57,4% desistiram no meio do caminho.

* Leia aqui a opinião da Federação Nacional dos Engenheiros sobre a questão

De acordo com a pesquisa da CNI, a evasão é menor nas escolas de elite da engenharia, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME), em que o índice de abandono do curso é inferior a 5%. A taxa média de conclusão do curso no setor público é de cerca de 60% e, no setor privado, de 40%.

As causas da evasão foram identificadas em estudo do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, a Ciência e da Tecnologia. A principal é a deficiência na formação básica dos estudantes em Matemática e Ciências. Além disso, muitos deixam o curso devido à dificuldade em pagar as mensalidades nas faculdades privadas. Também contribuem para o alto índice de desistência a desmotivação provocada pela falta de experiências práticas durante o curso e a necessidade muito prematura de escolha de especializações.

Desafios
Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria, o Brasil precisa melhorar a qualidade dos cursos. O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) de 2011 aponta que as faculdades de engenharia que obtiveram as notas mais baixas – um e dois – representam 39% do total. Os cursos que têm as melhores notas – quatro e cinco – representam 25%.

“O Brasil tem o desafio de repensar a formação do engenheiro brasileiro como protagonista da inovação. Incentivar que as empresas invistam na qualificação de recursos humanos para fazer com que o Brasil seja competitivo é um dos principais pontos de agenda da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), liderada pela CNI”, argumenta o diretor de Inovação da CNI, Paulo Mól.

Tabela2CNI


Tabela1CNI

Tabela3CNI

Fonte: CNI




Vimos no noticiário da TV, jornais e revistas fatos que nos colocam na ordem do dia. Prédios que desabam, obras inacabadas, recebimento sem a devida prestação dos serviços, mortes em áreas de risco, portos que não atendem a demanda, estradas de ferro que ainda não foram inauguradas e já necessitam de reformas, aeroportos deficitários, estradas sem manutenção. E mais: trânsito parando cidades, saneamento ainda por atender, população sem casa, energia ainda muito cara, banda larga muito estreita. Enfim, um Brasil em construção.

É de se perguntar: qual a responsabilidade da engenharia em tudo isso? Fizemos um cenário de terra arrasada para colocarmos a fundamental importância da profissão no dia a dia da população. A responsabilidade pelas políticas públicas ligadas à engenharia é de fato dos políticos: presidente, governadores, prefeitos, parlamentares. É também da Justiça, que deve garantir os direitos e deveres que a Constituição Brasileira estabelece.

Por outro lado, a responsabilidade do exercício da engenharia é do profissional por atribuição do Estado, regulamentada por nossos conselhos. A FNE e seus sindicatos filiados apresentaram à sociedade o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” em 2006. A iniciativa foi um exemplo indutor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e contribuição valiosa para os encaminhamentos que apontaram para a expansão econômica com distribuição de renda. Ou seja, não vamos ficar apontando catástrofes, mas nos tornar agentes do desenvolvimento e contribuir para um Brasil de todos os cidadãos.

Um país desenvolvido confere a cada cidadão a garantia dos seus direitos mais legítimos: habitação, saneamento, estradas, energia, banda larga, produção agropecuária, portos e aeroportos funcionando, trânsito equacionado, retirada de moradores das áreas de risco, monitoramento que evite catástrofes, patentes e produtos com tecnologia nacional, formação universitária de qualidade, preservação ambiental, energias sustentáveis, preservação da Amazônia, ligação do Brasil com nossos irmãos sul-americanos por estradas pavimentadas e trilhos.

Existe hoje uma crise econômica na Europa que tem repercutido em todo o mundo. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2012 não chegou a 1%. A inflação saiu da meta prevista, e os juros voltaram a subir. São questões que precisam ser melhor debatidas para que os investimentos públicos em infraestrutura não sejam reduzidos e a iniciativa privada não se acovarde e acredite no Brasil moderno e produtivo.

Um debate não poderá ser adiado: a mudança da Lei de Licitações (nº 8.666/1993), que não atende mais a demanda jurídica, legal e do cronograma das obras e serviços. Hoje, a burocracia onera financeiramente e compromete a eficiên­cia das obras, compras e serviços da área pública. O País precisa crescer sem amarras de uma lei ultrapassada. Vamos levantar esse debate.

* Artigo de Sebastião Fonseca, presidente do Senge Acre e diretor da FNE, publicado originalmente no jornal “Engenheiro”, da FNE, Edição 133/JUN/2013




O Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP), de forma pioneira, elaborou um projeto ousado na área de ensino superior, o ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), concebido a partir de estudos sobre sociedade e mercado de trabalho, no Brasil e no mundo. O projeto diagnostica a premência por haver engenheiros especializados em processos de inovação. Esse engenheiro, que pode ser até um especialista, terá como foco uma estruturada “capacidade de caminhar em meio às mudanças” (National Science Foundation, sobre o futuro das engenharias). A instituição conquistou, recentemente, credenciamento junto ao MEC (Ministério da Educação), e entrará em atividade no primeiro semestre de 2014.

O presidente do sindicato e da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, destaca que esse engenheiro da inovação será um novo profissional, articulador de processos de criação e transformação em segmentos diversos. “Ele atuará nesse sentido, valendo-se de formação sólida e abrangente nas ciências básicas, formação integral humanista e técnica, destacando-se na capacitação em diagnósticos e metodologias de gestão e produção de inovação”, analisa.

Mercado de engenharia
Reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, de 30 de abril último, aponta os desafios da educação, no País, para atender ao mercado de engenharia. “Hoje, precisamos de um engenheiro que entenda de gestão, uma raridade”, afirmou o diretor de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol. Já o presidente do sistema Confea (Confederação Nacional de Engenharia), José Tadeu da Silva, “a expectativa do mercado mundial é de que as dez engenharias que serão essenciais daqui a dez anos ainda não foram criadas”.

Os dois entrevistados concordam com a proposta de um curso de matriz única, que pode ser complementada por uma eleição de disciplinas feitas pelo próprio aluno, de acordo com a área de interesse e as competências que deseja obter. O jornal citou algumas opiniões na área acadêmica. A vice-diretora do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), Sheyla Mara Baptista Serra, diz que todos os cursos de engenharia do País foram revisados em 2005, para redistribuição das disciplinas básicas e inclusão de programas práticos nos primeiros anos. “Atendemos à sugestão dos próprios alunos, mas alguns professores acham que falta maturidade de aprendizado”, afirmou.

A Escola Politécnica da USP também passa por mudanças profundas no currículo de seus cursos, que deverão facilitar o trânsito dos alunos pelas diversas modalidades da engenharia, formando profissionais mais generalistas e um pouco menos especialistas. A nova grade valerá a partir do próximo ano e será implementada aos poucos.


Fontes: OESP e SEESP




Recente pesquisa divulgada por site norte-americano especializado em emprego, o CareerCast.com, apresenta as melhores e piores profissões nos Estados Unidos, neste ano. A notícia, publicada pelo portal brasileiro G1, mostra que, no topo do ranking, aparece como melhores as profissões de atuário, engenheiro biomédico, engenheiro de software, entre outras. A lista tem no total 200 profissões. Até o 32º lugar da lista, aparecem, ainda, outras áreas da engenharia: ambiental, de petróleo e civil. 

O levantamento teve base em cinco critérios: demandas físicas, ambiente de trabalho, renda, estresse e perspectivas de contratação. Para compilar sua lista, a empresa usou principalmente dados do Centro de Estatísticas do Trabalho e de outras agências do governo norte-americano.


Imprensa - SEESP




Levantamento do MEC (Ministério da Educação), segundo notícia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 14 último, revela que o número de ingressantes no curso de engenharia, no País, dobrou em cinco anos, tanto nas escolas públicas quanto nas privadas. Em 2011, foram 227 mil novos estudantes ante 95 mil de 2006. Ainda segundo dados do ministério referentes ao ano passado, 24% dos alunos optaram por engenharia civil; 18,6%, de produção; 11,5%, mecânica; e 11,3%, elétrica.

Foi exatamente no ano de 2006, que a FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) lançou o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, como uma contribuição da categoria a um plano nacional de desenvolvimento sustentável com inclusão social. Apontava-se que o País enfrentava uma nova realidade contrária ao crescimento econômico pífio desde os anos 1980, que fez com que a infraestrutura nacional ficasse precária, defasada e sem planejamento para o futuro. Com isso, faltavam postos de trabalho e oportunidades, sobretudo para os jovens que saíam das escolas, inclusive e principalmente as de engenharia.

A matéria do jornal mostra que, “pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro, o número de calouros em engenharia superou o de direito. A área agora só fica atrás de administração”. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, observa que a expansão do número de ingressantes em engenharia é um avanço, porém, ainda segundo ele, insuficiente para resolver a carência da área no país.

Se antes a área de interesse maior era a de direito, em razão dos grandes conflitos existentes num cenário de hiperinflação e baixo crescimento, observa o ministro, hoje, com o investimento público – com o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento – e também privado, houve um crescimento da construção civil, de obras de infraestrutura e de desenvolvimento tecnológico.

Isitec
O SEESP, de forma pioneira, elaborou um projeto ousado na área de ensino superior, o Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), concebido a partir de estudos sobre sociedade e mercado de trabalho, no Brasil e no mundo. O projeto diagnostica a premência por haver engenheiros especializados em processos de inovação. Esse engenheiro, que pode ser até um especialista, terá como foco uma estruturada “capacidade de caminhar em meio às mudanças” (National Science Foundation, sobre o futuro das engenharias). A instituição conquistou, recentemente, credenciamento junto ao MEC, e entrará em atividade no primeiro semestre de 2014.

O presidente do sindicato e da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, destaca que esse engenheiro da inovação será um novo profissional, articulador de processos de criação e transformação em segmentos diversos. “Ele atuará nesse sentido, valendo-se de formação sólida e abrangente nas ciências básicas, formação integral humanista e técnica, destacando-se na capacitação em diagnósticos e metodologias de gestão e produção de inovação”, analisa.

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa - SEESP

Antes da execução da obra, o planejamento. A construção civil começa a utilizar sistemas menos artesanais e que quase não recorrem a elementos como concreto ou tijolo, substituídos por placas metálicas e cimentícias. O processo de planejamento desses empreendimentos é bem mais extenso do que no modelo construtivo tradicional.

Entretanto, a etapa de execução é realizada em menos tempo, chegando a ser até 50% menor que no processo tradicional, de acordo com o diretor da Construtora Tecla, Rogério Castro e Silva Filho. A construtora é uma das que já atua no mercado com o sistema construtivo industrializado.

“O diferencial desse sistema é que a obra é pensada e planejada de forma industrial, otimizada. No modelo tradicional, pilares, vigas e lajes são feitos com concreto moldado no local da obra. Mas já há uma maior aplicação de perfis metálicos para a estrutura das construções. Essas estruturas já vêm prontas de fábrica e são fixadas no local com parafuso. É uma construção seca”, explica Rogério Castro e Silva Filho.

Após seis meses de planejamento, a Tecla levantou um edifício empresarial no Cais do Apolo em um ano, quando no processo tradicional seriam necessários cerca de dois anos. Outro empreendimento que a construtora realiza em parceria com a Maxplural é o Edifício Deco, que está sendo construído em Boa Viagem. “Após seis meses de planejamento, começamos a erguer o Deco em março e devemos entregá-lo em maio de 2014”, prevê.

Apesar das vantagens, o sistema também tem custos mais elevados que os da construção tradicional, reconhece Rogério. “O sistema ainda não é tão difundido porque tem um custo mais alto. Os gastos com insumos no sistema construtivo industrial chegam a ser em torno de 15% maiores que no sistema tradicional.”

O tempo de planejamento também é bem maior. Se numa construção tradicional o planejamento é feito em cerca de dois meses, nesse sistema são necessários até seis meses de preparação.
 

Imprensa – SEESP
Fonte: Jornal do Commércio de Pernambuco




PetroleirodentroTem sido cada vez mais comum ouvir reclamações de escritórios brasileiros de engenharia que costumavam prestar serviços para a Petrobras e, agora, estão vendo as encomendas rarearem e, consequentemente, dispensando pessoal. Uma das razões, segundo representantes de empresas ouvidos por este blog, seria a crescente utilização de prestadores de serviços em engenharia no exterior.

De acordo com a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), diretores da multinacional brasileira afirmaram que a empresa não possui a mesma experiência que demonstra com a produção de petróleo na construção de unidades de refino, por exemplo. Daí a necessidade de parcerias internacionais. A justificativa foi rechaçada pela associação e por engenheiros ouvidos por este blog que participaram da construção de outras refinarias da empresa.

“Uma das funções sociais da Petrobras é gerar tecnologia aqui, para que aqui se desenvolva capacitação técnica e empregos de qualidade”, explica Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet. “Quando o projeto é feito no Brasil, ele sai em melhores condições para a nossa realidade.” Fernando cita, como exemplo, tanques de armazenamento de petróleo com tetos cônicos para não acumular neve que foram projetados por norte-americanos para uso no Brasil.

Segundo ele, Graça Foster aprofundou a política de encomendar projetos para o exterior (notadamente China, Coreia e Índia) que já existia quando Sérgio Gabrielli era presidente da empresa.

Nos três países citados acima, o custo de mão de obra no setor de serviços é mais baixo que no Brasil – mas a proteção ao trabalhador é menor. E isso reflete no valor final de um projeto.

Este blog fez duas perguntas específicas à Petrobras para buscar entender essa política: 1) Confirmar a informação de que parte do projeto da terceira fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras (UFN III) está sendo desenvolvido por um escritório de engenharia fora do país; 2) Em caso afirmativo: não havia escritório de engenharia dentro do país com capacidade para executar o projeto com mão de obra brasileira?

A empresa informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

É claro que cada caso é um caso e a escolha por usar parceiras internacionais depende do nível de tecnologia do qual dispõe o país em diferentes áreas. Mas, ao que tudo indica, um componente de força política dos envolvidos  também faz diferença. Dilma Rousseff assinou o decreto número 7.888, em 15 de janeiro deste ano, estabelecendo a necessidade de contratação de 100% de serviços nacionais na ações de mobilidade urbana que fazem parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Isso atende a demandas de empreiteiras brasileiras, grandes doadoras de campanha, mas também contribui com a geração de empregos por aqui.

É estratégico para o Brasil o desenvolvimento de tecnologia própria e de empregos com alto nível de especialização. Como empresa de capital misto, a Petrobras deve responder aos seus acionistas e fazer valer o investimento realizado. Mas, ao mesmo tempo, o critério de resultado econômico global não deve ser o único analisado no momento em que se decide quem fará o projeto.

 

Imprensa – SEESP
Do Blog do Sakamoto - com reportagem de Stefano Wrobeski




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