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Fábio

30/08/2013

Engenharia

Discutir políticas públicas e estimular a inovação

Soraya Misleh

Esses são objetivos do Conselho Tecnológico do SEESP. Criado em 16 de outubro de 1987, é hoje formado por cerca de 50 pessoas, a maioria engenheiros. Como forma de estimular a inovação, uma de suas ações desde que foi fundado é a outorga do prêmio Personalidade da Tecnologia aos profissionais que se destacam durante o ano em suas áreas de atuação. Em sua 27ª edição, a homenagem é feita sempre por ocasião do Dia do Engenheiro – 11 de dezembro.

Em 2013, a solenidade ocorrerá nessa data. Já foram definidas as áreas a serem contempladas, em reunião no dia 7 de agosto. Serão: Saneamento ambiental; Inclusão digital e internet pública; Empreendedorismo e inovação na educação; Mobilidade urbana; Planejamento urbano; além de Valorização profissional. À exceção dessa última, que se mantém imutável ao longo dos anos, conforme José Roberto Cardoso, coordenador do Conselho Tecnológico, as demais variam de acordo com a evolução tecnológica. “Fizemos uma votação entre 14 inicialmente apresentadas e escolhemos cinco. A próxima etapa é sugerir nomes para cada uma delas”, explica ele. Cada conselheiro tem a incumbência de indicar cinco por área, o que ocorrerá já no começo de setembro. Os nomes serão discutidos e ao final de outubro, as personalidades escolhidas serão notificadas da homenagem. Para Cardoso, que é diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o prêmio, já tradicional, é “um dos mais importantes para a engenharia neste momento. Contempla a inovação, a pesquisa, o empreendedorismo”.  Ele lembra que, nessa trajetória, o SEESP agraciou personalidades renomadas. Entre elas, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, em Valorização humana; o médico Adib Domingos Jatene, em Saúde; o biólogo e geneticista Crodowaldo Pavan, em Biotecnologia; o empresário José Mindlin, em Indústria; a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, em Planejamento urbano; o engenheiro Adriano Murgel Branco, em Transportes; o economista Marcio Pochmann, em Valorização profissional; além de muitos outros, incluindo políticos, que de alguma forma deram sua contribuição para a melhoria do bem-estar da população, a engenharia, ciência, inovação e tecnologia.

 

Propostas ao Estado e País

Além de indicar os agraciados com o prêmio Personalidade da Tecnologia, o Conselho Tecnológico do SEESP serve como balizador à entidade na proposição de políticas públicas ao Estado e ao País. Assim, auxilia o sindicato na análise de iniciativas governamentais e em suas ações junto aos poderes Executivo e Legislativo e à sociedade. Oferecer contribuições ao desenvolvimento nacional sustentável, à profissão e à tecnologia estão no seu escopo. “O conselho funciona como um assessor da Presidência e Diretoria do SEESP nas discussões mais importantes que afetam a engenharia no momento, dando-lhes suporte em suas decisões”, ratifica Cardoso. Com esse intuito, reúne-se uma vez por mês. Temas como mobilidade urbana, investimentos em infraestrutura e outras questões prementes apontadas nas manifestações que marcaram os meses de junho e julho deste ano, como educação, têm sido pauta nesses encontros.

Entre as preocupações, o diagnóstico de que o País precisa de mais e melhores engenheiros para fazer frente ao crescimento socioeconômico de forma sustentável. O Brasil forma atualmente cerca de 40 mil; a estimativa é de que seriam necessários em torno de 60 mil. Ademais, é crucial que os futuros profissionais sejam educados para a inovação – proposta do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec). O Conselho Tecnológico aponta caminhos nesse sentido, que aprofundam e vão ao encontro do papel do SEESP enquanto sindicato-cidadão. Alinha-se ainda com as propostas elencadas no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em 2006, que conta com a adesão do sindicato paulista.

30/08/2013

Cresce Brasil

Reduzir juros e destinar recursos às áreas sociais

Soraya Misleh

Essa é uma das medidas prioritárias apontadas pelo engenheiro Amir Khair, consultor na área pública. Secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (1989-1992), nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro ele critica o papel do Banco Central e a política econômica para o País, atrelada aos interesses do mercado financeiro, e indica caminhos para que o Brasil retome o crescimento com sustentabilidade.


Qual a sua análise sobre a atual conjuntura econômica brasileira?

A conjuntura atual está evidenciando um crescimento extremamente moderado da economia, uma média inferior a 2% ao ano, com uma inflação mais próxima de 6%, afastando-se um pouco do centro da meta de 4,5%. Basicamente o cenário é influenciado por questões externas em que a disputa do comércio internacional ganhou uma dimensão muito forte, e o Brasil não está preparado para enfrentar. Assim, toda política que o governo vinha desenvolvendo de estímulo ao consumo acaba sendo frustrada no sentido de que essa expansão não é atendida pela empresa local, ou o é preferencialmente pela importação.


O País até o momento não foi seriamente atingido pela crise econômica mundial e houve uma série de medidas para que isso não acontecesse. Mas o Brasil está sendo impactado, tem riscos de que a crise chegue com força?

O cenário externo não é, nem será favorável para os próximos anos. O Brasil vai ter que se apoiar fundamentalmente na economia doméstica e deve se preparar para ganhar uma posição mais competitiva internacionalmente, não dependendo exclusivamente da exportação da agricultura ou da pecuária e de algumas commodities que têm penetração internacional. O problema é que estamos com um rombo nas contas externas muito forte. Nos últimos doze meses encerrados em junho, que era o último dado disponível, estava em US$ 72,5 bilhões, que correspondem a 3,2% do PIB [Produto Interno Bruto], já um recorde histórico, e é possível que neste ano bata em US$ 80 bilhões. É uma situação bastante ruim, fragilizando os fundamentos macroeconômicos do País.


O Brasil tem reservas para enfrentar isso?

O Brasil tem reservas importantes para esse enfrentamento, que devem estar por volta de US$ 370 bilhões, mas também tem um passivo financeiro elevado. Só em operações de maior especulação com os títulos públicos, já acumula cerca de US$ 220 bilhões, e esse passivo pode ser retirado a qualquer momento, porque são aplicações em títulos que têm liquidez. Existem também, não conheço o montante, aplicações estrangeiras na Bolsa de Valores que, em situações de mais estresse, podem também sair. Existem estudos que dimensionam corretamente o passivo externo que parece que é superior às reservas, e acumulá-las é altamente danoso do ponto de vista fiscal, porque para constituí-las o Banco Central emite títulos, cria uma dívida para o setor público, para o governo federal, balizada pela taxa Selic e ele aplica essas reservas fundamentalmente em títulos do Tesouro americano que emitem da ordem de 1 a 2% ao ano. Essa diferença de taxas de juros é chamada de custo de carregamento, que é bastante elevado.


Então não é uma saída acumular reservas?

Eu acho que não, quando houve a crise de 2009, o Brasil tinha cerca de US$ 200 bilhões de reservas e foi tranquilamente enfrentada a crise sem maiores problemas. Hoje estamos com cerca de US$ 370 bilhões, praticamente o dobro, e o custo de carregamento é proporcional a esse volume e às taxas de juros que o País adota. É um dano fiscal extremamente elevado para o País manter reservas desse nível. Há uma falta de dólares no mercado, estamos com esse rombo externo, o investimento direto estrangeiro neste ano deve ficar inferior a esse montante e o Brasil deveria começar a vender um pouco dessas reservas.


O Banco Central vem aumentando a taxa de juros justificando que precisa conter a inflação. Como você vê isso?

Não tem maior inimigo da economia do que o Banco Central. O Banco Central serve ao interesse do mercado financeiro, é o que pratica as mais elevadas taxas de juros ao longo da história no mundo, e esse ônus é pago pela população como um todo com o dinheiro dos impostos que oneram principalmente as classes de menor renda. O Banco Central opera aumentando taxas Selic quando o mundo inteiro está baixando desde setembro do ano passado. Ele tem o diagnóstico de que inflação se combate assim, mas a Selic cria uma distorção na questão do câmbio, que é a forma como influi na inflação, tornando o real uma moeda supervalorizada em relação ao passado do Brasil e a outras moedas em comparações históricas. Há uma redução da Selic ao longo do tempo, então o comprometimento das finanças com juros no passado era maior ainda, a média histórica dos últimos 20 anos é da ordem de 7 a 8% do PIB. Este ano deve bater em 5%, ano passado foi um dos valores mais baixos da série, 4,8%. Em termos de valor, só considerando o governo federal, a média do primeiro semestre deste ano está em R$ 16 bilhões por mês de juros, é um montante extremamente elevado se você levar em consideração que houve um aumento de 60% no programa Bolsa Família e este ano se prevê gastar R$ 23 bilhões. Portanto, em menos de dois meses gasta-se com juros um Bolsa Família.


Isso demonstra uma necessidade urgente de combater o rentismo. Na sua opinião, têm sido feitas ações nesse sentido?

Condições do ponto de vista de apoio popular têm, do ponto de vista de enfrentar o mercado financeiro nenhum governo fez isso. O mercado financeiro é um grande financiador de campanhas eleitorais e tem um lobby poderosíssimo junto à mídia e aos governos, tanto municipais como estaduais e federal. A presidente Dilma foi a primeira pessoa que tentou fazer um enfrentamento, fez movimentos nessa direção dizendo que não tinha justificativa técnica para a prática de taxas de juros bancárias tão elevadas, o Brasil é recordista mundial, o que faz com que a produção e a riqueza sejam deslocadas em doses maciças para o mercado financeiro. Enquanto não houver uma política dura em relação ao mercado financeiro fazendo com que ele pratique taxas de juros em nível internacional, o Brasil não vai conseguir retirar o freio da economia. A média internacional dos países emergentes para pessoa física é de 10% ao ano, para os países desenvolvidos é de 3% ao ano. No caso brasileiro, antes de a presidente tentar reduzir as taxas nos bancos privados, ao que ela está usando a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, os juros se encontravam praticamente estáveis nos últimos anos em 120% ao ano para pessoa física e 60%, jurídica. Após, eles baixaram para um patamar que também se mantém praticamente estável, de 90% ao ano para pessoa física e 40%, jurídica. Uma pessoa que precisa comprar alguma coisa no crediário, a ser financiada em 12 meses, um prazo relativamente curto, está pagando praticamente o dobro do preço da mercadoria, uma parte em juros, então está tendo um grande freio ao seu consumo.


E esse dinheiro poderia ser investido em melhoria dos serviços públicos para o brasileiro.

Sim. Dinheiro tem, ele é desviado para pagar juros. O Brasil tem uma carga tributária de 35% do PIB e 5% são usados para pagar juros, ou seja, a carga líquida é da ordem de 30%. É um nível muito satisfatório, é perfeitamente possível fazer muito mais coisas, agora, isso pressupõe um Estado comprometido politicamente com a sociedade, e não com o mercado. Para isso, tem que ter competência para fazer a gestão, ter gente comprometida, mas como isso é um pouco escasso no setor público brasileiro, você acaba tendo um Estado oneroso. O Brasil é um dos países mais burocratizados que a gente conhece. Consequentemente, o governo deixa de usar o potencial que tem do sistema tributário para devolver na área social à população e enfrentar a questão da precária infraestrutura do País. Enquanto o governo não mudar a política econômica, o País não vai conseguir avançar.


Outra medida seria o controle do fluxo de capitais, para impedir a ação de capitais especulativos, que são retirados a qualquer momento do País?

Toda vez que o governo tenta colocar alguma restrição à entrada de capital especulativo, há uma grande reação na mídia, puxada pelo mercado financeiro, que tem os seus tentáculos aqui e fora. Ele faz todo um conjunto de ações procurando inviabilizar isso e dizendo que seria contra o interesse do País fazer o controle, porque o capital fugiria do País. Ora, o capital que interessa ao País é o que o desenvolve, seria de empresas que produzissem aqui para abastecer o mercado, para exportar. O capital nocivo ao País é o especulativo, e os governos sempre cortejaram o capital internacional como forma de manter o câmbio apreciado e controlar a inflação. O governo já tinha reduzido o Imposto de Renda a zero em 2003 sobre os rendimentos do capital aplicado em títulos do governo e retirou o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] há alguns meses para atrair o capital internacional e com isso manter o real apreciado e baratear a importação, sempre na estratégia de combater a inflação, que neste ano e em 2012, em grande parte, foi influenciada pelos alimentos. Se você retirasse esse componente, ela ficaria em média, nos últimos 12 meses, em 3,5%, abaixo do centro da meta.


Como combater essa inflação que é causada pelo preço dos alimentos?

Isso está sendo muito sendo absorvido pela intermediação, pelos atravessadores que têm o domínio da produção e da distribuição. Enquanto o governo não agir nessa intermediação, as coisas não vão funcionar. Outra forma é através dos estoques reguladores, aí são produtos não perecíveis em que o governo poderia ter uma política muito mais agressiva, para uso nos momentos de redução da oferta de modo a manter os preços sob controle. Outra forma é colocar imposto de exportação quando o interessado nos altos preços do mercado internacional direcionar mais produção e alimentos para fora do que para dentro. O governo tem um instrumento do imposto de exportação, não depende do Congresso, então mudar isso é da noite para o dia, se ele quiser. Mas não usa porque tem medo da crítica de que vai afugentar o exportador. Não afugenta, não.


Sobre investimento produtivo, aqueles que defendem as concessões privadas dizem que seria uma forma de o governo tentar atrair o investimento não especulativo. Essa é uma alternativa?

Depende de como se usa o setor privado. O governo é cercado por todos os lados pelo lobby privado, do interesse econômico, que prevalece normalmente. No sistema capitalista, o governo representa de fato os interesses econômicos, e a iniciativa privada não visa o bem geral da população, seu compromisso é com o lucro, razão de ser dela. É preciso controlá-la e direcioná-la para o interesse do País. Se o governo quisesse e se preparasse para atender as competências que a Constituição lhe determina, inclusive em termos de investimentos, de produção de bens, poderia obter resultados para a sociedade muito superiores. Acontece que o governo está desestruturado para fornecer seja serviços públicos nas áreas sociais, seja expertise em tecnologia e em projetos e investimentos. Se quiser ter competência em algumas áreas que envolvem bons técnicos, bons profissionais, tem que pagar bem. O PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] anda a passos de tartaruga, já deveria ter sido concluído, e os investimentos saem caríssimo no Brasil porque são dominados por meia dúzia de grandes empreiteiras que estabelecem o preço. Alguns poucos escândalos aparecem, a gente está vendo agora essa situação dos trens em São Paulo, no metrô, mas isso é geral.


Quais as medidas necessárias para garantir maior competitividade às empresas?

Primeira medida, e é uma radicalização, é reduzir a zero os impostos de importação dos insumos básicos. O primeiro golpe na competitividade são as empresas que estão no inicio das cadeias produtivas, praticam preços extremamente elevados e contaminam todos os preços da economia. Além disso, é preciso uma política agressiva de câmbio, fazer uma desvalorização imediata, não progressiva, rápida. O risco da inflação existe, mas é passageiro e não é forte. Sou defensor de uma maxidesvalorização feita num golpe só, sem nenhum aviso, para botar o câmbio numa posição adequada e evitar movimentos especulativos. E com isso retornar, devolver a competitividade retirada das empresas. É o que estão fazendo os EUA, a Europa, o Japão, são desvalorizações de sua moeda pra competir internacionalmente. Já o Brasil mantém o câmbio apreciado para controlar a inflação, ou seja, o que caracteriza sua política econômica, independentemente de governo, é o medo do fantasma da inflação, é a condução da economia pelo interesse do mercado financeiro.


Quais as propostas para mudar esse cenário e para que o Brasil retome o crescimento de forma sustentável?

Primeira providencia é baixar a Selic para 5% ao ano, que é o que praticam os países emergentes. Com isso, faz-se com que o custo de carregamento das reservas internacionais diminua sobremaneira. A redução das taxas de juros ao tomador é outra medida extremamente importante, para isso há instrumentos, além de continuar botando o Banco do Brasil e a Caixa para competir nesse mercado com os grandes bancos privados. Ao jogar a Selic para baixo, reduzindo os lucros, você força os bancos privados a ganharem com o crédito, que é a função deles, financiar o desenvolvimento do País. A terceira questão seria fazer a maxidesvalorização cambial. E ainda desonerar mais o consumo popular, por exemplo, em vez de desonerar o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] das empresas, desonerar o das pessoas, dos trabalhadores. A diferença é fulminante, isso repercute em ganho do poder aquisitivo. Também deveria atacar duramente a questão social, reduzindo custos por exemplo do transporte coletivo, a intermediação de alimentos, investindo maciçamente em saúde e continuar com bons programas, como o de habitação, só que com cuidado na questão do desarranjo na política urbana. São algumas medidas pontuais necessárias para o equilíbrio das contas públicas e externas. Não gastando dinheiro tão mal é possível atender muito mais a demanda social, o que pressupõe qualificar mais os servidores públicos, atraí-los por melhores condições de trabalho, de salário, e com isso fortalecer o Estado. E ter mais transparência é importante para evitar o abuso no poder econômico. Além disso, a reforma tributária é necessária, o sistema brasileiro é altamente regressivo, é uma das formas de golpear a má distribuição de renda existente. A pessoa que ganha até dois salários mínimos está pagando 49% do rendimento em tributos, mas a que ganha acima de 30 está pagando 26%. Vários estudos mostram isso. O ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], que é estadual e é o maior do País, precisaria ter alíquotas muito mais reduzidas. Em uma conta de energia elétrica, de comunicação, praticamente um terço é onerado por ICMS, as camadas da população menos favorecidas são extremamente oneradas por esse imposto. A reforma tributária teria que ter foco no contribuinte, em quem paga a conta. O sistema tributário altamente regressivo teria que ser invertido e se tornar progressivo, mas isso não passa no Congresso brasileiro porque esse não representa o interesse coletivo.

30/08/2013

Profissão

Engenheiros querem carreira de Estado

Rosângela Ribeiro Gil

A luta pela valorização da categoria tem hoje uma trincheira fundamental: a criação da carreira de Estado para engenheiros, arquitetos e agrônomos nas três instâncias de governo: federal, estadual e municipal. A medida está prevista no Projeto de Lei (PL) 13/2013, de autoria do deputado José Chaves (PTB-PE), que acrescenta parágrafo único ao art. 1º da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que regulamenta o exercício dessas atividades.  Aprovado em 7 de agosto pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, aguarda apreciação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa. Caso aprovado, vai à sanção presidencial.

Considerando o PL de suma importância, não só para assegurar condições de carreira e remuneração adequada aos que atuam no serviço público, mas também para garantir à sociedade o trabalho desses profissionais, essencial ao desenvolvimento e ao bem-estar da população, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) vem atuando pela sua aprovação. Com esse objetivo, esteve no dia 15 de julho com a senadora Ana Amélia (PP/RS), relatora do projeto na CAS. O tema foi também objeto de correspondência enviada em 12 de agosto à presidente Dilma Rousseff, na qual a entidade destaca a importância de se valorizar os engenheiros brasileiros. “É preciso dar esse passo fundamental para a organização do Estado e da mão de obra imprescindível ao seu funcionamento”, destaca o presidente da FNE e também do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro.

O presidente da Associação Nacional dos Servidores Públicos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Poder Executivo Federal (Anseaf), José Roberto Senno, alerta para o risco de o projeto ser vetado devido ao entendimento de ser a matéria de iniciativa exclusiva do Executivo. “O governo chama para si a elaboração ou mudança de qualquer lei que diga respeito ao servidor público federal”, explica. No entanto, esclarece, como o PL tem reflexo também sobre estados, o Distrito Federal e os municípios, passa a ser prerrogativa do Congresso Nacional.

 

Sem ônus

Senno destaca que os parlamentares estão sensíveis ao projeto porque ele diz respeito diretamente ao desenvolvimento econômico do País e não significará qualquer ônus aos governos. “Cria apenas um status para o profissional”, observa, informando que hoje existem 16 carreiras típicas de Estado, como a do advogado. Ele lembra que a engenharia é uma atividade que está presente na administração pública desde a Independência do Brasil.

Na sua avaliação, a mudança será uma forma de estancar a desestruturação por que passaram essas carreiras, ao longo dos últimos 30 anos, na esfera pública. “Significa valorizar corretamente uma categoria fundamental para o momento que o País vive, de forte investimento em infraestrutura e se preparando para receber grandes eventos mundiais esportivos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, afirma.

A introdução da carreira de Estado para engenheiros, aponta Senno, seria uma forma de dotar as administrações públicas dos profissionais necessários ao desempenho de suas atividades, seguindo exemplos como o da China, cuja expansão econômica vem sendo marcante, que mantém no setor público grande contingente desses profissionais. “No Brasil, não chegamos a 2% na esfera federal”, critica.

 

Faz tudo

A situação é ainda mais precária, conforme ele, nos estados, Distrito Federal e municípios. “Há cidades mais afastadas dos grandes centros urbanos do País – onde está a população mais pobre – que sequer têm engenheiro ou arquiteto. Quando têm, é um ‘faz tudo’ sem tempo para preparar projetos.” Uma das consequências mais graves desse cenário, prossegue, é a falta de saneamento básico. “Está tudo relacionado. Ter mais hospitais, escolas, melhorar a mobilidade urbana, expandir a rede de saneamento, enfim, ter toda essa infraestrutura, reclamada recentemente nas ruas, tem como base estudos, projetos e políticas públicas com a participação somente de engenheiros, arquitetos e urbanistas.”

O deputado José Chaves, que é engenheiro civil, acredita que a matéria deverá atrair a atenção do gestor público para a necessidade de contratar mais profissionais e estruturar melhor as áreas técnicas. “Assim, teremos condições adequadas de fazer mais estudos e projetos, em quantidade e melhor qualidade”, afirma. Passando ao status de carreiras típicas de Estado, explica o parlamentar, os profissionais, se forem servidores públicos estáveis, têm direito a garantias especiais contra a perda dos seus cargos. “Atualmente, diplomatas e servidores de carreiras jurídicas, de auditoria e de gestão governamental, entre outras, têm esse benefício.”

Paralela à carreira de Estado, Senno defende a criação de uma escola de gestores para a engenharia, a exemplo do que já ocorre com os servidores da Receita Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU), e até de um órgão assemelhado à Advocacia-Geral da União (AGU), como a Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geologia Pública da União.

30/08/2013

Benefícios

MBA no IBE FGV

O Institute Business Education (IBE), conveniado à Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Campinas, oferece programas educacionais para executivos. Um deles é o MBA Executivo Global, voltado aos profissionais que ocupam cargos de liderança, como engenheiros, gerentes, diretores e presidentes.  Em nível de especialização, é dividido em módulos semestrais com complexidade e profundidade superiores aos MBAs tradicionais. Ao finalizá-lo, o profissional recebe dupla titulação, brasileira pela FGV e europeia pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Mais informações pelo telefone (19) 3739-6429 e no site www.ibe.edu.br/fgv. Nesse, encontram-se os telefones das seguintes unidades: Americana, (19) 3407-7804; Araras, (19) 3547-9160/9143; Jundiaí, (11) 4583-8300; Limeira, (19) 3444-6477; Piracicaba, (19) 3403-1717; Rio Claro, (19) 3523-2822) e Vinhedo, (19) 3826-4445. Desconto de 15% nas mensalidades aos associados.

 

Hospedagem em Ubatuba

Na Praia da Enseada, a opção é a Pousada Pescador, com café na manhã incluído na diária. Localiza-se na Avenida Marginal, 1.401, altura da Rodovia Manoel Hyppolito Rego – SP 55, km 59,3 (Rio-Santos – BR 101). Mais informações pelo telefone (12) 3608-6020, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e no site www.pousadapescadorubatuba.com.br. Desconto de 10% (alta temporada) e 20% (baixa).

 

Personal Organizer 

Organização residencial e empresarial em ambientes, armários, mudanças, documentos e arquivos estão entre os serviços que podem ser contratados na Eu Organizo. Mais informações pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., site www.euorganizo.com, www.facebook.com/deboracamposorganiza, telefones (11) 3783-1986 e 97062-6379. Desconto de 30%.

 

Universidade Ibirapuera na Chácara Flora

Cursos de graduação tradicional e tecnológica, pós-graduação e MBA na Universidade Ibirapuera. Fica na Avenida Interlagos, 1.329, na Capital paulista. Mais informações pelo telefone (11) 5694-7900, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e no site www.ibirapuera.br. Descontos de 50% (na matrícula e mensalidade da graduação) e 30% (pós-graduação e MBA).

 

Papelaria e Magazine Amélia

Material de papelaria em geral, de escritório, suprimentos de informática, impressão, artigos de presentes, mochilas e lancheiras podem ser adquiridos na Rua Engenheiro Arruda Pereira, 1.482, Cerâmica, em São Caetano do Sul (SP). Mais informações pelo telefone (11) 4232-0841 e e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Outra dica, na mesma via, no nº 1.420, é a Magazine, que comercializa roupas infantis e de adultos, sapatos, tênis, moda íntima, enxoval de bebê, bolsas e outros produtos. Mais informações pelo telefone (11) 4238-9476 e e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Desconto de 5%, nos pagamentos a vista, exceto nas promoções.

 

Radiologia odontológica na Vila Mariana

Pronto Imagem – Instituto de Radiologia Odontológica ao alcance dos associados e dependentes com profissionais especializados. Situa-se na Rua Vergueiro, 3.086, conjunto 21/22, na Capital. Mais informações pelo telefone (11) 5082-2621, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e no site www.prontoimagemsp.com.br. Desconto de 20%.

 

Labor Copiadora com desconto

Serviços de cópia e impressão monocolor e colorida em vários tamanhos, encadernação, plastificação, plotagem, scanner, carimbos, cartões, banners e outros, podem ser solicitados na Rua Gertrudes de Lima, 466, no Centro de Santo André (SP). Mais informações pelo telefone (11) 4992-9441 e no site www.laborcopiadora.com.br. Entrega em domicílio para clientes mensalistas. Desconto de 10% aos associados.  

 

Odontologia em Santo André

Tratamento odontológico em todas as especialidades é realizado na Odonto Belli. Rua Siqueira Campos, 394, Centro. Mais informações pelo telefone (11) 4432-4225 e no site www.odontobelli.com.br. Desconto de 20% (na parte clínica) e 10% (implante e prótese).

 

Hospedagem em Caraguatatuba

Obra de Oscar Niemeyer, o Hotel Colônia Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo) pode ser utilizado pelos engenheiros filiados e familiares, no Litoral Norte de São Paulo. Rua José Pereira da Silva, 155 (antiga Rua Oito), Porto Novo. Mais informações pelos telefones (11) 3585-7804/05 e no site www.turismoaojesp.wix.com/2013. Reservas com tarifas menores na baixa temporada.

 

Psicoterapia em Taubaté

Walquiria de Toledo Cursino, por meio da psicologia analítica, atende criança, adolescente, adulto e idoso no Espaço Elabora. Praça Monsenhor Silva Barros, 254, sala 81, edifício Star Shop, Centro. Mais informações pelos telefones (12) 3025-6558 e 99152-4500, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e no site www.elabora.net.br. Desconto de 50%.

 

Roupas da marca Areia e Mel

Produtos femininos da Areia e Mel podem ser adquiridos na Rua Martim Francisco, 533, Santa Paula, em São Caetano do Sul (SP). Mais informações pelo telefone (11) 4232-5657. Desconto de 15% nos pagamentos a vista.

30/08/2013

Canteiro

Categoria perde o talento artístico de Manlio Moretto

Faleceu em 16 de agosto, aos 96 anos, Manlio Moretto. Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em 1942, começou a trabalhar na antiga Light. Filho de imigrantes italianos, apaixonado por desenho e pintura desde a infância, realizou suas primeiras incursões artísticas em 1953, registrando paisagens do Brasil. Ele se aposentou em 1995, mas continuou associado ao SEESP.

Em dezembro de 2001, o Jornal do Engenheiro prestou uma homenagem a Moretto, que há 16 anos morava em Campinas. Com a aposentadoria, ele encontrou mais tempo para se dedicar à técnica do óleo para retratar as paisagens brasileiras. “Aprendi a desenhar na escola de engenharia com o Prestes Maia. Só é possível fazer paisagem conhecendo perspectiva”, disse.

 

Associação dos engenheiros de Bauru é homenageada

No dia 24 de agosto, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) foi homenageada pela Associação Comercial e Industrial (Acib) local, como entidade parceira, pelo trabalho que vem realizando em benefício do município e da comunidade, nos mais diversos assuntos relacionados à área técnica, com a contribuição do SEESP. Para receber o prêmio, foram chamados o presidente da Assenag, Afonso Fábio, e o diretor da associação e do sindicato, Marcos Wanderley Ferreira.

 

Centrais não aceitam aumento da terceirização contido no PL 4.330

As centrais sindicais continuam defendendo a negociação entre governo, Parlamento e empresariado para evitar que o Projeto de Lei 4.330/2004 signifique, a pretexto de regulamentar a terceirização, o aumento da precarização do trabalho no País. A votação da matéria, programada para o início de agosto, foi adiada devido à pressão dos trabalhadores e deverá entrar em pauta neste mês de setembro.

Em nota conjunta, as entidades defendem que a regulamentação deve restringir a abrangência da terceirização de modo a evitar que se atinja a “atividade-fim”, garantir responsabilidade solidária com as obrigações trabalhistas, previdenciária e em relação às condições de saúde e segurança, entre outras coisas.

 

Fator previdenciário

As centrais sindicais, em 21 de agosto, em reunião com o governo federal, decidiram que, no prazo de 60 dias, apresentarão proposta conjunta sobre o fim do fator previdenciário. Nova reunião entre os trabalhadores e o governo, para discutir o tema, acontece em setembro.

 

Reunião técnica une profissionais da Prefeitura de São Paulo

Profissionais que exercem suas atividades na Prefeitura Municipal de São Paulo mantiveram reunião técnica no dia 21 de agosto, na sede do SEESP, com várias decisões importantes, como a elaboração de documento conjunto a ser encaminhado ao prefeito Fernando Haddad, solicitando audiência unificada.

Os profissionais, representados pelos sindicatos dos engenheiros, dos arquitetos (Sasp), dos geólogos (Sigesp), dos servidores municipais (Sindsep) e pela Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Municipais de São Paulo (Seam), ratificaram a proposta de 8,5 salários mínimos como padrão inicial das carreiras na administração paulistana.

 

Aprovado acordo coletivo na AES Tietê e Eletropaulo

Em assembleias nos dias 19 e 20 de agosto, os engenheiros aprovaram a proposta da AES Tietê para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2013/2015. Entre os principais itens, destacam-se: reajuste salarial de 7,2% (1,99% de aumento real); reajuste dos benefícios em 8%; antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para o dia 12 de setembro de 2013 no valor de R$ 4.000,00; PLR adicional de R$ 650,00; vale-alimentação de Natal no valor de R$ 700,00, entre outros.

Já os profissionais da Eletropaulo, em assembleia no dia 23 de agosto, aceitaram a proposta da empresa para renovação do ACT 2013, com destaque para os seguintes pontos: reajuste salarial de 6% retroativo a  junho de 2013 e 0,5% em janeiro de 2014 e de 8% para os vales refeição e alimentação; adiantamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR): primeira parcela, em 12 de setembro de 2013, de
R$ 4.000,00.

 

Carta ao presidente da Codesp

Em reunião no dia 20 de agosto, na Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, os engenheiros da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) definiram o envio de carta ao presidente da companhia, Renato Barco, relacionando várias demandas da categoria, entre elas, o piso salarial de acordo com a Lei 4.950-A/66. Segundo o presidente da delegacia sindical, Newton Guenaga Filho, a empresa precisa cumprir o que está no novo Plano de Empregos, Carreira e Salários.

 

CEA Usiminas

Os engenheiros que trabalham no Centro Empresarial do Aço (CEA) da Usiminas, em São Paulo, se preparam para discutir a pauta de reivindicações para renovação do Acordo Coletivo 2013/2014, em novembro. Em setembro próximo, será realizada assembleia para aprovação da pauta. Os engenheiros poderão enviar sugestões para a campanha para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Preparando o empreendedor para o sucesso

O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), em parceria com o SEESP, oferece o projeto educacional “Preparando o empreendedor para o sucesso”. O objetivo é auxiliar o pequeno ou microempresário a administrar bem o seu negócio. Informações e inscrições pelo telefone (11) 3254-6864 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Preencha o formulário de inscrição.

 

Próximo EcoSP será em 2014

A sétima edição do Encontro Ambiental de São Paulo (EcoSP), uma organização conjunta do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), será realizada em 2014. O evento, ao longo dos anos, consolidou-se como importante fórum de discussão sobre o tema premente do desenvolvimento sem agressão ao meio ambiente. Além de plenárias técnicas, a iniciativa conta, tradicionalmente, com mostra de estandes temáticos.

Se por um lado o Brasil ainda não conseguiu superar o enorme déficit existente na área da educação, por outro, ao menos se consolida cada vez mais o consenso de que cumprir essa tarefa é condição indispensável ao desenvolvimento. O tema voltou à pauta com a divulgação de trabalho elaborado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), cujo mote são as prioridades do setor para a década 2013-2022. O estudo aponta os dez fatores considerados chaves para a competitividade da indústria nacional, que se dividem em quatro grupos, entre os quais se destaca a educação. A “macrometa” apontada pela CNI nessa área é elevar a nota média dos brasileiros no Pisa (programa internacional que avalia o desempenho dos estudantes de 67 países) para 435 pontos em 2015 e 480 em 2021.

Em 2009, melhor resultado registrado, o País atingiu 412 (leitura), 405 (ciências) e 386 (matemática). Para se ter uma ideia comparativa, a Coreia do Sul, colocada entre os top da lista, atingiu 546 nessa última disciplina, apontada como grande calcanhar de aquiles nacional.

A precária formação básica nas ciências exatas é um dos grandes empecilhos à formação de mão de obra especializada nas áreas tecnológicas, notadamente na engenharia, gerando um gargalo para a inovação, essencial ao ganho de competitividade. Tais conclusões da CNI reforçam o que vem sendo defendido pelo SEESP no âmbito do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Ou seja, é preciso educar bem hoje as crianças e jovens que poderão apresentar as soluções que o País e o mercado precisarão amanhã.

Atualmente, a batalha contra o risco de escassez de mão de obra na engenharia precisa se dar pela qualificação e valorização dos profissionais disponíveis no mercado. A implantação pelo sindicato do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), cujo curso de graduação em Engenharia de Inovação pretende ser uma referência de excelência de ensino, integra esse esforço em prol do desenvolvimento. No entanto, num horizonte de prazo mais longo, é preciso assegurar um novo estoque de técnicos de alto nível que tenham condições de promover o avanço do nosso sistema produtivo e empreender em busca de soluções inovadoras. Esse contingente precisa chegar ao ensino superior preparado para ir além da conquista do diploma.

Portanto, estabelecido o consenso sobre a prioridade da educação, é preciso administrar a terapia pertinente ao diagnóstico.  A universalização do ensino fundamental deu-se à custa do elevado padrão que, no passado, a escola pública oferecia. É preciso agora, e urgentemente, associar a quantidade à qualidade. É obrigação básica e direta de cada prefeito, governador e da Presidente da República trabalhar para sanar as nossas deficiências nesse setor. Essa é ainda tarefa do conjunto da sociedade, incluindo a iniciativa privada. Trata-se de construir a nação que se deseja, mas especialmente de permitir aos milhões de crianças brasileiras realizarem o seu potencial como seres humanos, cidadãos e profissionais.

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

Edilson Reis

Com a criação da Companhia do Metropolitano de São Paulo, em 1968, em vez de modernizado, foi extinto o sistema de bondes, único modal de média capacidade. À época, o sistema de bondes da cidade somava uma malha de trilhos equivalente a 260km e ofertava aos usuários três vezes mais viagens/habitante/dia do que o atual sistema sobre trilhos formado pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e Metrô.

No final da década de 1940, mais da metade dos deslocamentos coletivos na cidade de São Paulo era feita por sistema eletrificado. Sem o sistema de bondes, hoje, somada a rede metroferroviária e a pífia rede de trólebus, esse percentual não chega a 20%. Com os bondes, foram-se também as faixas exclusivas destinadas à sua circulação, desativadas para dar lugar às avenidas, hoje totalmente saturadas pelos automóveis.

Solução diferente foi adotada na Europa, que manteve o sistema de bondes e o modernizou. Se tivéssemos seguido esse exemplo, hoje essas faixas exclusivas poderiam estar operando veículos modernos, os chamados VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos).  Enquanto isso, as viagens feitas por automóveis e pelo modal sobre pneus são responsáveis diretas por externalidades negativas, entre elas, congestionamentos e acidentes de trânsito. Outros problemas são o alto consumo de energia e a emissão de poluentes por passageiro transportado comparativamente ao sistema operado por tração elétrica.

Levando em conta esse cenário e a necessidade de uma alternativa mais sustentável, o Grupo de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana do SEESP propôs à Secretaria de Infraestrutura Urbana do Município de São Paulo o desenvolvimento de um estudo de viabilidade técnica e operacional de implantação de um sistema de média capacidade, operado por veículos elétricos e não poluentes, o VLT, como vetor de indução à requalificação do entorno da rótula central. Recomendamos a priorização das linhas circulares que integram os terminais de transferência localizados na região central da cidade e o grupo de linhas das principais avenidas, cujo destino seja o centro velho. Hoje, esses percursos são atendidos por ônibus de baixa capacidade de transporte, movidos a óleo diesel, combustível poluente de origem geológica e não renovável.

Para análise do custo/benefício do sistema de transporte proposto, relacionamos abaixo características técnicas e vantagens do modal sugerido:

• Atende demandas situadas entre as faixas de carregamento de grande e pequena capacidade, ou seja, é caracterizado, desde que não sofra interferências, como um sistema de média capacidade, podendo transportar até 30 mil passageiros/hora/sentido. Hoje, os ônibus que operam os corredores exclusivos transportam, no máximo, 10 mil passageiros/hora/sentido. Pela evolução tecnológica e características técnicas e dimensionais, é o modal que propicia a melhor convivência e harmonia
com o trânsito urbano.

• Pela sua característica de piso baixo, oferece mais conforto, segurança e acessibilidade aos passageiros de mobilidade reduzida e usuários de cadeiras de rodas. É equipado com motores elétricos silenciosos e de grande eficiência, conferindo rapidez nas acelerações e desacelerações, bem como oferece possibilidades de instalação de redundâncias, principal requisito de garantia de confiabilidade e segurança operacional.

• Não polui o ambiente, pois utiliza energia elétrica, limpa e renovável, amplamente usada como tração nos meios de transporte coletivo. 

 Acreditamos ser a sugestão bastante pertinente no momento em que a Prefeitura coloca em discussão a revisão do Plano Diretor Estratégico e, concomitantemente, a Secretaria Municipal de Transportes apresenta em audiên­cias públicas um programa para construção de 150km de corredores exclusivos.

 

Edilson Reis é consultor em transporte, diretor executivo do SEESP,
coordenador do Grupo de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana da entidade e
membro de seus Conselhos Tecnológico e Editorial

Soraya Misleh e Rosângela Ribeiro Gil

A CNTU (Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados) realizou, em 24 de maio, sua 4ª Jornada da Campanha Brasil Inteligente, no auditório do SEESP, na Capital paulista. No ensejo, além de apresentar o projeto “Brasil 2022”, lançou a segunda edição da revista Brasil Inteligente. A primeira iniciativa propõe o enfrentamento de temas cruciais para que, no ano do bicentenário da Independência, alcance-se País desenvolvido, mais justo e inclusivo. À abertura, Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da entidade – que também está à frente do SEESP e da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) –, destacou o engajamento dos profissionais liberais de nível universitário na discussão das principais questões nacionais.

O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) parabenizou a CNTU por propor essa reflexão, ao lançar esse “desafiador convite de discutir um projeto e ter a sabedoria de usar a data de referência de 2022, como algo simbólico e marcante de uma emancipação nossa”. O parlamentar enfatizou ainda o acerto dos temas escolhidos pela entidade para a elaboração, nos próximos dez anos, desse projeto. São eles: sistema nacional de educação continuada dos profissionais universitários; qualidade na saúde; uso racional de medicamentos; reabilitação bucal para inclusão social; mobilidade urbana; alimentação saudável, contra o uso abusivo de agrotóxicos; implantação da internet pública; e mais ciência, tecnologia e inovação na Amazônia.

Allen Habert, diretor de Articulação Nacional da CNTU, lembrou várias campanhas que mobilizaram a sociedade brasileira e proporcionaram grandes saltos no desenvolvimento, como “O petróleo é nosso!”, em 1947, que culminou na criação da Petrobras, em 3 de outubro de 1953, e “Diretas-já!”, em 1984. Já no século XXI, ele inscreve como grandes marcos o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 pela FNE, e a campanha “Brasil Inteligente”, da CNTU, apresentada em 2012.

Sobre o projeto “Brasil 2022”, Habert informou que sua pretensão é ajudar a completar a Independência nacional, iniciada em 1822. A ideia, ressaltou ele, é “horizontalizar o conhecimento para todos os brasileiros, para todos os 12 milhões de profissionais universitários. Essa virada que estamos propondo para 2022 é totalmente viável, podemos ser os criadores desse futuro. Uma sociedade do conhecimento para poder acelerar, turbinar o desenvolvimento do País”.

Entre os que prestigiaram a abertura da jornada, ainda, o vereador paulistano Gilberto Natalini (PV), os presidentes da FIO (Federação Interestadual dos Odontologistas), da Fenam (Federação Nacional dos Médicos) e do Sindicato dos Nutricionistas no Estado de Pernambuco, respectivamente Welington Moreira Mello, Geraldo Ferreira Filho e Zaida Maria de Albuquerque Mello Diniz, além do vice-presidente da Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos), Rilke Novato Públio, e do diretor do Sindicato dos Economistas de São Paulo, Claudio Costa Manso.

 

Emprego e renda

Na oportunidade, Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), proferiu palestra sobre o tema “A Independência já conquistada e a nação por construir”. Segundo ele, o Brasil está em melhores condições que as economias centrais no enfrentamento da crise financeira global, por ter reorientado, a partir de meados da década de 2000, sua economia para o mercado interno – que hoje sustenta 2/3 do seu crescimento. Aproveitando-se, entre outras questões, da demanda que vinha da China, o País elevou suas commodities minerais. “Com isso, garantimos em dez anos quase R$ 400 bilhões de reservas. O mundo está paralisado e nós, em pé. A palavra de ordem do movimento sindical hoje é avançar nas lutas, nas conquistas.”

A despeito disso, na sua concepção, “não fazer nada seria um equívoco histórico. Os países centrais sairão da crise, que nos atingirá de forma dramática.” Para ele, como acelerar as soluções é a ideia do “Brasil Inteligente”.

Nesse projeto, acredita, “a ação é dada essencialmente pela política, cujas prioridades devem ser equacionar as desigualdades e atuar pela educação”. Para tanto, segundo indicou, a concepção de desenvolvimento econômico deve visar gerar emprego e renda. A esse crescimento, na sua ótica, deve ser conferido o atributo da sustentabilidade, ao que é preciso estruturar a capacidade de investimento social e em infraestrutura produtiva nacional, fundamentalmente por parte do Estado. “Isso exige conhecimento, ciência, tecnologia e inovação.” Nessa trajetória, Ganz Lúcio asseverou sobre a necessidade de políticas industriais consistentes. E alertou: “Não faremos mudanças sem pactos sociais que tenham a igualdade e a regulação distributiva como ponto de partida. É essa dinâmica que gera transformações.”

Abordando o tema “As profissões e as perspectivas do trabalho”, Marcio Pochmann, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e presidente da Fundação Perseu Abramo, traçou um cenário do futuro do emprego no Brasil. Levando em conta o número menor de desocupados, hoje entre 4 e 5 milhões, diferente da situação de 15 anos atrás quando se chegou a ter em torno de 11 milhões (15% da mão de obra brasileira à época); além da expansão econômica e da queda da taxa de fecundidade – que está em 1,2 filho por mulher -, ele considerou: “Estamos entrando numa fase excepcional para o mundo do trabalho.”

Essa combinação, segundo Pochmann, pode ser comparada à fase vivida pela Europa e os Estados Unidos no segundo pós-guerra, nos anos 1950 e 1960, quando a economia crescia rapidamente. “Daqui até 2030, teremos um momento de completar a nossa transição demográfica, a população está crescendo menos”, explicou. Segundo ele, a consequente diminuição de pessoas que ingressarão no mercado de trabalho gerará condição favorável para os sindicatos negociarem “não apenas os índices inflacionários, mas a produtividade, em que os salários elevarão sua participação no PIB (Produto Interno Bruto)”.

Além dessas mudanças, o professor citou outras demandadas, como no modelo de educação. “O que temos é ainda projeto baseado na sociedade urbano-industrial, concentrado no tempo de vida das pessoas e entre oito e 16 anos de estudo, com a concepção de capacitar o indivíduo para exercer determinado tipo de trabalho na sociedade”, ressaltou. Enquanto antes o profissional se formava em certa atividade e passava a exercê-la por 30 ou 35 anos, hoje, indicou, “estamos diante de carreiras fluidas, que exigirão conhecimento ao longo da vida”. Ainda conforme Pochmann, esse novo trabalho, imaterial, está associado cada vez mais à tecnologia da informação e a tantas outras que estão sendo incorporadas ao dia a dia. Diante desse cenário, ele foi categórico: “O futuro das profissões combinará a capacidade de crescimento econômico do País e um novo modelo de educação, que não deve ter apenas a ‘funcionalidade’ para o trabalho.”

Ao final do evento, foram empossados cerca de cem novos membros ao Conselho Consultivo da CNTU e realizada a segunda plenária desse fórum. Agora, são 600 integrantes, e a meta é
chegar a mil.

 

Universidade cooperativa

No ensejo, foi ainda apresentado o convênio de cooperação firmado pelo Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia) e a confederação com a SES (Sociedade de Engenharia de Software) e a SDPS (Sociedade para Ciência de Design e Processos). Segundo expresso no acordo, o objetivo é desenvolver atividades de pesquisa, capacitação, inovação e difusão de conhecimentos, entre outros pontos, à formação de Rede de Cooperação entre as entidades conveniadas, além do SEESP, mantenedor do Isitec.

Representando a SES e a SDPS, Fuad Gattaz Sobrinho destacou a importância do convênio para a constituição do que chamou “universidade cooperativa”. Conforme sua fala, é o primeiro termo de cooperação estabelecido em nível nacional com a SDPS. “Essas entidades são reconhecidas nacional e internacionalmente. Sua assinatura é muito importante para a CNTU e o Isitec. A dimensão desse convênio está no centro e na essência do projeto do instituto, cuja primeira turma de graduação em engenharia de inovação terá início em março de 2014”, concluiu o diretor-geral do Isitec, Antonio Octaviano.

A 4ª Jornada da Campanha Brasil Inteligente encerrou-se com a apresentação do monólogo “Ghandi, um líder servidor”, por João Signorelli – um dos empossados ao Conselho
Consultivo da CNTU.

Rosângela Ribeiro Gil

Diferentes gerações de alunos e ex-alunos da instituição compareceram ao auditório do SEESP, na Capital, para a cerimônia que comemorou, em 15 de maio último, os 120 anos da Epusp (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Com 60 anos de formado em elétrica, Antonio Hélio Guerra Vieira, reitor da USP na década de 1980, falou de sua opção numa época em que a moda era cursar Direito. Ele relatou ter vindo do Interior do Estado para a Capital com essa motivação, mas acabou “contaminado” pelas ciências exatas.

O diretor do SEESP e graduado pela Poli em 1978, Allen Habert, lembrou que o sindicato nasceu a partir do esforço de quadros oriundos da escola. Ele ressaltou ainda o pioneirismo da instituição, que começou no final do século XIX, com o engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza. A implantação da Poli, observou, “mudou definitivamente a trajetória de desenvolvimento brasileiro”. Para estreitar a relação entre essa entidade e a Poli, o dirigente apresentou seis itens propositivos, entre eles: lutar por políticas públicas nas áreas de tecnologia e inovação, como a internet pública em todo o Estado de São Paulo; estabelecer parceria com o Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), cujo mantenedor é o SEESP; defender um sistema nacional de educação continuada, conforme proposta da CNTU (Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados); e estimular a filiação dos estudantes ao sindicato.

 

Inovação e tecnologia

O nascimento da indústria de informática brasileira na Poli foi destacado pelo seu diretor e coordenador do Conselho Tecnológico do SEESP, José Roberto Cardoso, assim como outros importantes processos e intervenções de inovação e tecnologia. “Em 1970, um aluno do curso de engenharia eletroeletrônica criou o primeiro call center no País, o 0900. O Buscapé, um site de busca, também nasceu na Poli.” Orgulhoso, Cardoso relatou que a escola faz toda a análise de segurança do Metrô de São Paulo. Falando sobre os novos desafios da instituição, ele informou sobre o campus instalado na cidade de Santos, tendo em vista as demandas geradas pelas reservas de petróleo na camada do pré-sal.

Encerrando sua intervenção na cerimônia, o diretor agraciou com a medalha comemorativa dos 120 anos da Poli o presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro. “Não dá para medir o valor desta escola para o País, que contribuiu não apenas na parte técnica e tecnológica, mas também na política. Por isso, os meus parabéns a São Paulo e ao Brasil pelos 120 anos da Poli”, afirmou o homenageado.

O pró-reitor de Pós-graduação da USP, professor Vahan Agopyan, acredita que São Paulo teve a sorte de ter líderes políticos com visão de futuro e vanguarda. “Apesar de ser um estado muito agrícola na época e ter poucos recursos financeiros, nossos líderes investiram na educação, criando as primeiras escolas laicas, profissionais e de engenharia. Ou seja, investimos no desenvolvimento, investimos certo.”

O presidente do Grêmio Politécnico, Rafael Ganzerli Auad, agradeceu ao SEESP pelo evento e disse que estava orgulhoso por participar da solenidade. Em seu discurso, mencionou que mais do que lidar com concreto, metais, eletricidade, o engenheiro lida com a vida, com o material humano. “Por isso, a Poli é muito mais que os seus prédios e laboratórios, ela é alma movida a pessoas.”

Compuseram a mesa do evento, ainda, o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes; a vice-prefeita da cidade de Diadema e presidente da Delegacia Sindical do SEESP no Grande ABC, Silvana Guarnieri; e o presidente da Associação dos Engenheiros Politécnicos, Kamal Mattar. Outras autoridades prestigiaram o ato, como o engenheiro naval e capitão-de-mar-e-guerra, Jordi Gracia Angelats.

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