Rosângela Ribeiro Gil e Soraya Misleh
Reunindo cerca de mil participantes – público formado em grande parte por estudantes de engenharia de diversas cidades paulistas –, em sua sexta edição, o EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo) aconteceu em 12 e 13 de novembro último, no Parque de Exposições Anhembi. Sucessor do EcoVale, realizado por quatro anos consecutivos em Taubaté, no Vale do Paraíba, o evento promovido pelo SEESP e FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) consolida-se como importante fórum de discussão sobre o tema premente do desenvolvimento sustentável.
Assim, integra o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela FNE em 2006. Para 2013, a previsão é que ocorra novamente em novembro. Além de plenárias técnicas, a iniciativa conta, tradicionalmente, com mostra de estandes temáticos – nesta edição, foram cerca de 30.
À abertura, o presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, enfatizou que a categoria tem muito a contribuir para criar tecnologias e processos à sustentabilidade. Já Carlos Alberto Guimarães Garcez, vice-presidente da entidade e coordenador do encontro, destacou a importância da participação dos estudantes de engenharia. Prestigiaram-na Carlos Roberto dos Santos, diretor de Engenharia e Qualidade da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), representando o secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas; Uladyr Nayne, presidente da Associação dos Engenheiros da mesma empresa; e Ernane Silveira Rosas, presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo.
Inovação, tecnologia e sustentabilidade foram os temais centrais desse EcoSP. A vinculação de tais aspectos é premente à busca de soluções globais ao desenvolvimento, segundo apontou na sessão inaugural o professor da Unitau (Universidade de Taubaté) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Taubaté, Eduardo Hidenori Enari. Conforme ele, as companhias nacionais necessitam avançar na inovação, a qual deve ser sustentável e gerar vantagens competitivas. Nesse contexto, indicou os benefícios do relacionamento universidade-empresa – propugnado no projeto “Cresce Brasil”.
Já o professor da mesma instituição, Paulo César Ribeiro Quintairos, salientou a necessidade de se gerenciar questões que afetam o meio ambiente relacionadas a tecnologia de informação. A essas, estariam vinculadas, de acordo com sua preleção, 2,5% das emissões globais de carbono e mais de 20% do dispêndio de energia em escritórios. Outro problema apresentado por Quintairos diz respeito à geração de lixo eletrônico. Na sua concepção, as soluções passam por inovação. Assim, é possível obter
“hardware mais eficiente quanto ao consumo de energia, formas alternativas de refrigeração da máquina, software para controle do uso dos recursos”, entre outras aplicações inteligentes. Quintairos observou ser ainda necessário ter projetos de reutilização dos equipamentos de TI, os quais podem ser aproveitados para inclusão digital.
Aplicações e avanços da nanotecnologia foram objeto da explanação feita pelo também professor da Unitau Evandro Luís Nohara. Traçando histórico da evolução do tema no mundo, ele ressaltou a importância da inovação, mas também a premência por pesquisas aprofundadas para se analisar os benefícios e impactos do uso da nanotecnologia. “Está entrando na área de alimentos e agricultura e alguns elementos como prata e zinco têm potencial de risco.”
As tecnologias e seu gerenciamento podem auxiliar a se alcançar padrão de desenvolvimento sustentável, o que é urgente, como reiterou outro professor da Unitau, Paulo Fortes Neto. “Se continuarmos com esse modelo, como vamos alimentar 1 bilhão de pessoas que ainda passam fome?.” Essa sessão plenária foi coordenada por Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da mesma universidade.
Polêmica e ação coletiva
Coube ao físico Luiz Carlos Baldicero Molion, diretor do Departamento de Clima da Universidade Federal de Alagoas, abordar o polêmico tema “Aquecimento global: mito ou realidade?”. Sua tese é de que o planeta não caminha para um aquecimento, mas para um esfriamento, e que o CO² não é vilão, ao contrário, é o gás da vida. O efeito estufa, asseverou, nunca foi provado cientificamente. Na sua ótica, a pressão para diminuir esses gases se dá por interesses econômicos. Segundo o físico, é uma forma de manter os países em desenvolvimento estagnados. Molion acredita ainda que o termo “sustentabilidade” é incorreto, porque passa a ideia de algo que não acabará nunca. Assim, defende outro: “desenvolvimento durável, que dure o suficiente para conseguirmos ter novas tecnologias.”
Para Heitor Gurgulino de Souza, presidente do Capítulo Brasileiro do Clube de Roma, um mundo sustentável demanda ação coletiva. Segundo sua preleção, estudo feito pelo especialista norueguês Jorgen Randers, que resultou na publicação do livro “2052, a Global Forecast for the Next Forty Years”, aponta cenários possíveis para o futuro. Entre suas projeções, a de que tem havido expansão demográfica, mas essa situação vai se estabilizar entre 2040 e 2050, quando o mundo deverá ter 8,1 milhões de habitantes. O mesmo ocorrerá com a produção industrial e o crescimento econômico global. “A poluição terá um pico em 2040 e depois vai começar a diminuir.” Gurgulino relatou que o uso de combustíveis fósseis deve se reduzir a partir de 2020, assim como a emissão de gás carbônico. Em contrapartida, haverá rápido aumento do uso de energias renováveis. E a temperatura média do planeta, assim como o nível do mar, deve subir.
Esses temas estiveram em pauta durante a Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em junho último no Rio de Janeiro. Contudo, o palestrante acredita que o evento deixou a desejar em função de algumas dificuldades, como a obrigatoriedade de que os diversos países aprovem resoluções por consenso e a própria crise mundial. Ele vaticinou: “Se queremos um mundo melhor, será preciso criar instituições supranacionais (para pensar saídas), diminuir o uso de carvão, gás e oléo primeiro nos países ricos, que devem bancar uma economia baseada na baixa utilização desses nos pobres. Será necessário ainda encontrar lideranças para soluções construtivas. Com crescimento e tecnologias podemos realizar grandes coisas.”
Perfil do futuro engenheiro
A consultora educacional do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), Denise Aparecida Tallarico Guelli Lopes, destacou a velocidade na inovação, o que exige que se prepare o estudante para o perfil demandado nesta “era do conhecimento”. “Não inventamos 50% dos produtos que consumiremos daqui a dez anos. Com o atual déficit de engenheiros de 20 mil por ano, precisamos formar mais e melhores profissionais, que não tenham medo do desconhecido e sejam eternos aprendizes.”
Na sua ótica, ao instituir o curso de graduação em Engenharia de Inovação a partir de 2013, o Isitec dá um passo além nesse sentido. Padrão presente também na requalificação, mediante pós-graduação e educação continuada. “Esse curso terá foco na inovação e sustentabilidade. O princípio é oferecer formação multidisciplinar de alta qualidade, fomentar a criatividade e o empreendedorismo.” A atualização na grade curricular será contínua e será valorizada a integração universidade-empresa. A ideia, assim, segundo Lopes, é que a proposta do Isitec sirva de modelo de reestruturação a outros cursos e faculdades.
Além desses temas, foram feitas explanações no EcoSP sobre “Gerenciamento de áreas contaminadas”, por Gustavo Freitas, da ConAm (Consultoria Ambiental); “Reciclagem de alimentos: compostagem”, por Cláudio Vinicius Spínola de Andrade, da Morada da Floresta Soluções Ecológicas e do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo; “Controle biológico de pragas”, por Alexandre de Sene Pinto, da Bug – Agentes Biológicos; além da apresentação das chamadas boas práticas empresariais e governamentais por Kalil Farran, gerente de Sustentabilidade e Comunicação Externa do Grupo Camargo Corrêa; e Marcelo Arreguy Barbosa, gerente ambiental da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), este último sobre questões ambientais na implantação do rodoanel.
Ao encerramento, Murilo Pinheiro concluiu: “Devemos fazer muitos outros eventos com estudantes, os profissionais que vão comandar este país futuramente. Aqui, representam de fato a inovação e vão trazer a oportunidade de discutirmos claramente a posição do Brasil no mundo e torná-lo cada vez mais presente, mais justo e mais desenvolvido.” Ele lembrou que o SEESP é o legítimo representante da categoria e convidou os futuros engenheiros a participarem do sindicato. “Se quiserem, podem se considerar sócios sem pagar nada até se formar.”
Ubiratan de Paula Santos
Simultaneamente à formação do novo governo, à transição entre as gestões e às ações para os primeiros meses, algumas providências podem ser tomadas de imediato pelo novo prefeito de São Paulo, antecipando-se a armadilhas futuras. Entre elas, até porque terá que responder pelo problema tão logo tome posse, está a proteção da população paulistana contra uma situação recorrente, as enchentes do verão.
Numa cidade marcada por elevada impermeabilização do solo, núcleos habitacionais precários e pela falta, sobretudo nos últimos anos, de investimentos e de manutenção adequada na rede de drenagem, as repercussões das chuvas têm sido impiedosas com a população pobre (lembremo-nos do Jardim Pantanal), mas não só (Pompéia e até Minhocão alagados).
Apesar da transição, que sempre impõe alguma descontinuidade de ações, ainda que transitória, é desejável que providências sejam tomadas para evitar ou reduzir transtornos, especialmente àqueles que moram nas áreas periféricas, nas quais se concentram falhas da estrutura pública – limpeza da rede de drenagem e coleta de lixo deficientes; arruamento e habitações precárias. Assim, a equipe de transição do prefeito eleito Fernando Haddad, até mesmo aproveitando a divulgada demonstração de boa vontade do atual chefe do Executivo, Gilberto Kassab, e do governador Geraldo Alckmin, deve trabalhar com olho no tema.
Nesse sentido, alguns aspectos e providências são relevantes para melhor enfrentar o problema:
• identificar os pontos de enchentes e alagamentos recorrentes nos últimos quatro anos;
• verificar a situação da limpeza da rede de drenagem – bueiros, bocas de lobo, ramais, galerias e córregos na cidade como um todo e nas bacias onde os alagamentos têm sido recorrentes e proceder programa e ações de limpeza imediatos;
• avaliar a situação de limpeza/desassoreamento dos piscinões, bem como as ações em curso para
prepará-los para funcionarem com plena capacidade de reservação;
• discutir a flexibilização dos horários de coleta de lixo com as prestadoras de serviços, tendo como objetivo evitar que as chuvas costumeiramente vespertinas e noturnas carreguem pelas ruas o lixo à espera de coleta. À base do histórico das chuvas passadas, a coleta matutina deve ser avaliada. Mesma precaução deve ser observada para as feiras livres, que poderiam contar com grandes contêineres nas ruas onde se instalam para acondicionamento do lixo gerado ao final do trabalho;
• apurar o estado atual do mapa das áreas de risco de deslizamentos e providências em curso para preveni-los, assim como a eventual transferência e alojamento de famílias em cada região, o mais próximo possível de suas residências;
• fazer diagnóstico da rede de semáforos que apaga a cada chuva, o que agrava o trânsito e o consequente deslocamento das pessoas. São necessárias providências junto à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e à Eletropaulo;
• discutir com o Governo do Estado e com municípios vizinhos a operação do sistema de comportas que, operado ao arrepio das localidades, tem contribuído para alagamentos de bairros inteiros e municípios na RMSP (Região Metropolitana de São Paulo);
• junto ao Governo do Estado também instar o quadro da situação da limpeza/desassoreamento dos principais rios (Tietê, Pinheiros, Tamanduateí), incluindo os de divisa e os programas em curso para sua manutenção.
Para reforçar a relevância destes dois últimos aspectos, basta a memória do que ocorreu em bairros com cota baixa na zona leste, nas chuvas de 2010 e 2011. As chuvas foram embora, e o Jardim Romano continuou alagado. O motivo: a barragem da Penha estava com as comportas fechadas. Temendo inundar as marginais e prejudicar a propaganda segundo a qual essas não inundariam mais, a opção foi afogar os pobres. E com uma agravante facilitadora: as barragens a montante são da Sabesp (nascente do Tietê) e, a jusante, da Emae, sem que haja comunicação entre os respectivos controladores.
É preciso também, além das medidas concretas, para prevenir efeitos da chuva, que provocou mortes nos últimos anos, uma visível solidariedade e apoio do poder público nos momentos de agruras e aflição, algo que tem faltado com recorrência ao poder municipal. Às subprefeituras, responsáveis pelo território descentralizado, cabe papel de destaque nas ações e no amparo solidário.
Ubiratan de Paula Santos é membro do Conselho Tecnológico do SEESP
Personalidades da Tecnologia 2012
Como tradicionalmente ocorre, o SEESP concederá aos destaques do ano em suas áreas de atuação o Prêmio Personalidade da Tecnologia. A homenagem será feita em comemoração ao Dia do Engenheiro – 11 de dezembro. Em 2012, ocorrerá nessa data, às 19h30, no auditório do sindicato (Rua Genebra, 25, 1º andar, Bela Vista, São Paulo/SP). Em sua 26ª edição, serão agraciados os seguintes nomes: Denise Consonni (Educação em Engenharia), Lair Alberto Soares Krähenbühl (Habitação), Plínio Oswaldo Assmann (Transporte urbano), Silvia Guerra Vieira Lundwall (Inovação), José Roberto Postali Parra (Agricultura) e Murilo Celso de Campos Pinheiro (Valorização profissional). Mais informações pelo telefone (11) 3113-2641.
Unesp seleciona docentes
Segundo divulgado no site da Agência Fapesp, estão abertas as inscrições até dia 7 de dezembro para concursos para quatro vagas de professor assistente doutor no curso de Engenharia de Telecomunicações do campus experimental da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Os profissionais selecionados trabalharão em RDIDP (Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa), com salário de R$ 8.715,12. Caso tenha título de livre-docente, os vencimentos serão de R$ 10.390,17. Mais informações no site www.unesp.br/concursos.
3ª Jornada da Campanha Brasil Inteligente
Em 5 de dezembro, a partir das 14h, a CNTU (Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados) realiza em São Paulo, no auditório do SEESP, a 3ª Jornada da Campanha Brasil Inteligente. Na oportunidade, serão debatidas as ações a serem realizadas em 2013, por ocasião da campanha. Lançada no ano passado, a iniciativa tem como norte mudanças essenciais para impulsionar o desenvolvimento nacional e melhorar a qualidade de vida da população brasileira. Entre os temas constantes da programação, mobilidade urbana, implantação da internet pública, uso racional de medicamentos, qualidade na saúde pública, bem como atuação contra o uso de agrotóxicos, para zerar a demanda por próteses dentárias e por um sistema nacional de educação continuada dos profissionais universitários regulamentados.
Importância estratégica para tais conquistas tem o Conselho Consultivo da CNTU, que se reunirá nesse dia e dará posse a 100 novos membros.
Na data, será ainda concedido o Prêmio Personalidade Profissional. Em sua segunda edição, o objetivo é promover as pessoas que, com sua experiência e ação, vêm dignificando as profissões universitárias e a luta por um País mais justo, solidário e democrático. Os sete agraciados serão Paul Israel Singer (Economia), Fernanda Giannasi (Engenharia), Alice Mazzuco Portugal (Farmácia), Genival Veloso de França (Medicina), Sandra Maria Chemin Seabra da Silva (Nutrição), Vitor Gomes Pinto (Odontologia) e Antônio Augusto de Queiroz (Excelência na gestão pública). Ao encerramento, haverá coquetel de confraternização. Inscrições e informações pelo telefone (11) 3113-2641 ou e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Ferroviários aposentados discutem ações judiciais
O tema foi abordado em reunião realizada nos dias 30 e 31 de outubro último, no Rio de Janeiro, na sede da Faef (Federação das Associações dos Engenheiros Ferroviários). Participaram a diretoria da entidade, além de representantes das associações e do escritório de advocacia que está ajuizando os processos de complementação de aposentadoria, prestando informações sobre o andamento das ações. O diretor do SEESP, Marcos Wanderley Ferreira, representou o sindicato. Outros itens da pauta foram o reajuste salarial de 5,1%, que será aplicado em dezembro próximo, retroativo a maio último, e a situação da Refer (Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social). Em breve, serão realizados encontros também nas associações dos engenheiros das estradas de ferro Santos Jundiaí e Noroeste do Brasil (Bauru).
Vagas, orientação, treinamentos
Por intermédio de sua área de Oportunidades & Desenvolvimento Profissional, o SEESP oferece diversos serviços aos engenheiros. Entre eles, orientação profissional (vocacional) e para elaboração de currículo, coaching de carreira e emissão de carteira de trabalho. Além disso, conta com o Programa Engenheiro Completo, através do qual coloca à disposição da categoria treinamentos diversos.
Oportunidades - Outro serviço é o cadastramento de currículos e vagas para auxiliar na colocação no mercado de trabalho. Para se candidatar, acesse Currículos e Vagas. Mais informações pelos telefones (11) 3113-2669/74.
Como acontece tradicionalmente nos períodos que antecedem eleições municipais, o SEESP realizou neste ano mais um ciclo de debates “A engenharia e a cidade”. A proposta foi debater com os diversos candidatos a prefeito suas propostas para as administrações e oferecer a eles as sugestões da categoria para temas como transporte e mobilidade urbana, iluminação pública, resíduos sólidos e drenagem urbana, desenvolvimento econômico, comunicação e energia.
Na Capital, aceitaram o convite do sindicato nove dos 12 concorrentes no primeiro turno: Soninha Francine (PPS), Miguel Manso (PPL), Fernando Haddad (PT), Celso Russomanno (PRB), Ana Luiza (PSTU), Gabriel Chalita (PMDB), Levy Fidelix (PRTB), Paulo Pereira da Silva (PDT) e Carlos Giannazi (PSOL). Todos tiveram exatamente as mesmas condições de expor suas ideias e interagir com a plateia, respondendo a perguntas. Abertos ao público, os eventos foram ainda transmitidos pela internet, ampliando a participação, e ficaram disponíveis no site do SEESP para quem desejasse conferi-los posteriormente.
Sem se restringir à Capital, a iniciativa reproduziu-se também em outras cidades em que o SEESP mantém Delegacias Sindicais. Campinas recebeu Pedro Serafim (PDT), Marcio Pochmann (PT), Jonas Donizetti (PSB) e Rogério Menezes (PV), além do vice na chapa do PSTU, Marcos Margarido. Em Santos, participaram José Antonio Marques Almeida, o Jama (PRTB), Prof. Fabião (PSB), Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), Nelson Rodrigues (PSL), Telma de Souza (PT), Luiz Xavier (PSTU), Sérgio Aquino (PMDB), Beto Mansur (PP) e Eneida Koury (PSOL). Na cidade de Bauru, compareceram Chiara Ranieri (DEM), Rodrigo Agostinho (PMDB) e Clodoaldo Gazzetta (PV). Em Marília, em parceria com a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Alta Paulista, houve o debate com Antonio Augusto Ambrósio (PMDB).
Ao longo dos três meses em que as iniciativas foram realizadas, o SEESP pôde dar sua contribuição para aprimorar o processo eleitoral e propiciar que o cidadão, engenheiro ou não, pudesse fazer a sua opção nas urnas de forma mais consciente. É fato que a democracia e a participação popular não se resumem ao voto, mas esse representa momento crucial, quando cada um tem exatamente a mesma importância na definição dos rumos do País.
Nesta edição do JE, com entrevistas com os dois candidatos que concorrem ao segundo turno em São Paulo, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), o SEESP dá continuidade ao esforço de propor o debate que de fato interessa à população da cidade: os problemas que a afligem cotidianamente e suas soluções. Metrópole de proporções gigantescas, a Capital tem, sem dúvida, uma gama complexa de questões que demandam iniciativas que nada têm de banais. Porém, também é fato ser possível melhorar as condições de vida das pessoas e o desempenho econômico do município. Para tanto, será preciso ao futuro gestor compromisso com o interesse público, vontade de fazer e coragem e sabedoria para enfrentar os obstáculos financeiros, técnicos e políticos. Essencial ainda dotar a administração de competência técnica, além de garantir transparência e efetiva participação popular.
Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente
Edilson Reis
O desmonte do Estado Brasileiro, operado especialmente em meados dos anos 90, resultou em falha grave no planejamento e na gestão de setores cruciais ao desenvolvimento nacional. Tal processo atingiu gravemente a área da engenharia, com a demissão de profissionais responsáveis pelo avanço tecnológico das empresas estatais que atuavam em setores estratégicos, entre os quais telefonia, energia, transporte urbano, ferrovias.
Felizmente, não foram afetados dois segmentos importantíssimos ao País: petróleo e aviação, que mantiveram em seus quadros os experientes engenheiros formados pelas estatais. Devido a essa preservação, foram possíveis projetos exitosos, como a exploração em águas profundas, hoje a caminho das reservas na camada do pré-sal, e a competitividade brasileira no mercado de aeronaves, de alto valor agregado. A manutenção da competência técnica dos profissionais que atuam na Petrobras e na engenharia aeronáutica no CTA (Centro Técnico Aeroespacial) é fruto de política de qualificação e atualização tecnológica dos engenheiros, conceito básico essencial à gestão de pessoas para que as estatais brasileiras pudessem fazer frente aos grandes projetos.
Num outro extremo, foi gravemente afetado o transporte público de passageiros na cidade de São Paulo. Na esteira do processo privatizante, em 1993, ocorre o advento da terceirização da operação do sistema de ônibus e a consequente extinção da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que desempenhava o papel de operadora de 30% do sistema e de gestora do serviço prestado pelas permissionárias do modal sobre pneus.
Como função acessória, por meio da operação de 3 mil ônibus de variadas características técnicas, apurava dados de campo, indicadores e desempenho operacional dos veículos. Os dados levantados, analisados e processados eram utilizados pelas áreas técnicas da CMTC e também pelo Geipot, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, para composição das planilhas de remuneração, custos tarifários e elaboração de especificações técnicas veiculares para padronização do material rodante.
O exitoso projeto do ônibus padron, que agregava as tecnologias de ponta, verdadeira modernidade para a época, é um dos exemplos dessa cooperação técnica entre CMTC e Geipot. Esse, que era responsável pela política nacional de transportes e tinha, entre outras atribuições, apoiar tecnicamente as prefeituras, lamentavelmente também foi extinto em meados de 2000. Outro exemplo foi a bilhetagem eletrônica, projeto de relevância para o sistema de transporte, desenvolvido por técnicos da CMTC.
Mudança de rumo
Atualmente, observa-se uma reversão dessa tendência, com iniciativas que valorizam a engenharia brasileira. No nível federal, para absorver tecnologias do programa TAV (Trem de Alta Velocidade), o governo criou a EPL (Empresa de Planejamento e Logística). Em São Paulo, diante da perspectiva de expansão dos sistemas metroferroviários, a CPTM e o Metrô capacitam seus engenheiros e ampliam seus quadros técnicos para dar conta dos projetos de modernização, ampliação e acompanhamento das obras no Estado.
Para que a gestão municipal de São Paulo prepare seu corpo técnico para desenvolver e acompanhar os projetos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da mobilidade, seria bastante salutar que o futuro prefeito da Capital, que tomará posse em 2013, avaliasse a oportunidade de criação de uma empresa operadora de ônibus para atuar como braço operacional da São Paulo Transporte. Essa nova estrutura aproveitaria, em princípio, o corpo técnico remanescente e a expertise na operação da frota, no desenvolvimento tecnológico, na formação e qualificação de mão de obra e, principalmente, no controle e mensuração dos custos operacionais do sistema contratado. Seria uma empresa espelho e referência ao sistema, atuando de forma diferenciada, utilizando trólebus e outros veículos que utilizem energia de tração com baixo impacto ambiental.
Se no passado o cenário que levou ao fim da CMTC era a falta de recursos para investimentos em setores essenciais como saúde e educação, em 2012 o orçamento da cidade é estimado em R$ 38,8 bilhões, mais de 300% superior ao de 1993, enquanto o custo do sistema em junho último ficou em R$ 462 milhões, dos quais R$ 60,3 milhões de subvenção a título de compensações tarifárias, valores inferiores àqueles praticados em 1993.
Deseconomia mais significativa são as perdas causadas pela ineficiência do sistema de transporte, trânsito e mobilidade urbana na Região Metropolitana de São Paulo, que chegou ao limite da saturação, com perdas de R$ 55 bilhões ao ano, de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas. Diante desse circulo vicioso, é mais que hora de dotar o sistema de transporte sobre pneus de uma empresa operadora pública a bem da cidade e da sua população.
Edilson Reis é diretor do SEESP e coordenador do
Grupo de Trabalho de Transporte,Trânsito e Mobilidade Urbana da entidade
Soraya Misleh
Após muita indefinição durante a campanha eleitoral, as urnas confirmaram a já tradicional polarização PSDB x PT em São Paulo. No pleito ocorrido em 7 de outubro, José Serra e Fernando Haddad tiveram respectivamente 30,75% e 28,98% dos votos válidos e disputam o segundo turno rumo à Prefeitura da principal megalópole do Brasil.
O tucano tem 70 anos e é formado em Economia pela Universidade de Cornell. Tendo atuado na juventude contra a ditadura militar, foi exilado em 1964, ficando 14 anos fora do País. Antes, chegou a cursar Engenharia na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Na política, ocupou diversos cargos, entre eles de deputado federal (1986 e 1990), senador (1995), ministro do Planejamento e da Saúde nos governos FHC. Em 2004 elegeu-se prefeito de São Paulo, saindo em 2006 para disputar o Governo do Estado, ao qual foi eleito no primeiro turno. Disputou por duas vezes a Presidência da República (2002 e 2010). Seu vice nessas eleições municipais é Alexandre Schneider, do PSD, partido do atual prefeito Gilberto Kassab.
Já o petista tem 49 anos e formou-se em Direito pela Faculdade Largo São Francisco. Foi professor de Teoria Política Contemporânea da USP (Universidade de São Paulo). Também ingressando na juventude na política, foi subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico do Município de São Paulo durante a gestão Marta Suplicy, entre 2001 e 2003. Naquele ano, foi a Brasília trabalhar como assessor especial do Ministério do Planejamento e Finanças. Em 2004, tornou-se secretário-executivo do Ministério da Educação, pasta que assumiu um ano depois e permaneceu até se licenciar para concorrer nessas eleições. É o candidato de Lula e Dilma e tem como vice Nádia Campeão (PCdoB).
Nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro, ambos falam sobre suas principais propostas para questões fundamentais, como habitação e mobilidade urbana, suas primeiras providências caso eleitos e o papel dos engenheiros na gestão da cidade.
FERNANDO HADDAD
Se eleito, quais as primeiras medidas que tomará ao assumir a Prefeitura de São Paulo?
Vamos tomar providências para desapropriar terrenos para a construção de três hospitais (Brasilândia, Parelheiros e Vila Matilde) e de creches.
Quais as propostas para habitação, mobilidade urbana e iluminação pública?
Em São Paulo, os problemas da mobilidade urbana e da moradia estão intimamente interligados. Por isso, para resolvê-los, é necessário aproximar o emprego da moradia, o que faremos com o projeto do Arco do Futuro, uma nova concepção urbanística que incentivará o desenvolvimento e a geração de empregos em regiões mais afastadas do centro por meio de incentivos fiscais, como a redução do ISS (Imposto sobre Serviços) de 5% para 2% e a isenção de outorga onerosa. Além disso, vamos realizar obras viárias no valor de R$ 20 bilhões em suporte ao projeto do Arco do Futuro, com a construção de avenidas de apoio norte e sul à Marginal do Tietê e o prolongamento da Chucri Zaidan; a construção de túnel que interligará a Av. Jornalista Roberto Marinho com a Rodovia dos Imigrantes; a construção de um viaduto ligando os dois lados da Raimundo Pereira de Magalhães; a criação de uma alça na Ponte do Aricanduva; o alargamento da Av. Dona Belmira Marin e da estrada do M’Boi Mirim; a duplicação da Estrada do Alvarenga e prolongamento da Avenida Carlos Caldeira Filho. Ao mesmo tempo, vamos construir 150km de corredores de ônibus e implantaremos 150km de faixas exclusivas para ônibus em toda a cidade. Em relação ao metrô, vamos continuar contribuindo com recursos para o governo estadual, mas vamos cobrar maior rapidez na entrega de novas estações, como Jardim Ângela e Cerro Corá. Também construiremos 55 mil novas moradias, o que será feito de maneira articulada com o governo federal, com a ampliação do programa “Minha Casa, Minha Vida” no município. Por fim, vamos investir na iluminação pública para prevenção de crimes e acidentes na Capital, além de acelerar a troca de lâmpadas, nas vias públicas, a vapor de mercúrio (luz branca) pelas de vapor de sódio (luz amarelada), que são econômicas e iluminam até três vezes mais que as de mercúrio.
Como os engenheiros podem contribuir à gestão sustentável da cidade?
O trabalho dos engenheiros é fundamental para garantir o bom funcionamento da cidade e sua sustentabilidade em várias áreas, da engenharia de trânsito à construção civil. Trata-se de uma categoria importantíssima e que dará uma contribuição decisiva para o desenvolvimento da nossa cidade nos próximos quatro anos.
JOSÉ SERRA
Se eleito, quais as primeiras medidas que tomará ao assumir a Prefeitura de São Paulo?
Anunciar as 30 unidades de AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) que passarão a atender 24 horas por dia, sete dias por semana. Outra medida será a criação da Secretaria de Licenciamentos, para agilizar a emissão de alvarás para obras e reformas, ampliando e aperfeiçoando o licenciamento eletrônico e a concessão online para os casos mais simples.
Quais as propostas para habitação, mobilidade urbana e iluminação pública?
Expandir as intervenções para transformar favelas em bairros, a exemplo do que foi feito ou está em andamento em Paraisópolis, Heliópolis, Nova Jaguaré, Jardim São Francisco e outras. Atualizar o mapeamento de áreas de risco, para guiar obras, ações e, quando necessário, o reassentamento de moradias. Na região central, transformar prédios vazios em habitações de interesse social e apoiar a construção de novos empreendimentos, através de parcerias público-privadas e por meio de Operações Urbanas. Mudar a legislação urbanística para agilizar a aprovação da regularização fundiária. Ampliar o Programa Mananciais, urbanizando assentamentos precários. Implantar habitações de interesse social no âmbito das Operações Urbanas. Investir na expansão da rede metroviária, em especial na nova linha de monotrilho na Zona Sul, além de requalificar o Terminal Jardim Ângela, o monotrilho até Cidade Tiradentes e na nova linha de monotrilho do Tucuruvi até a Vila Galvão. Implantar novos terminais e corredores de ônibus e requalificar existentes. Ampliar a renovação da frota municipal, priorizando os veículos acessíveis e movidos a energia limpa. Implementar o Plano Viário Zona Sul, com destaque à duplicação da Av. M’Boi Mirim e da Av. Belmira Marin e prolongamento da Marginal Pinheiros. Fazer o prolongamento da Radial Leste até a divisa com Ferraz de Vasconcelos e da Av. Chucri Zaidan no sentido sul, até a Av. João Dias. Implantar novo padrão de iluminação em parques, avenidas e túneis com lâmpadas de LED e pontos de iluminação pública. Substituir lâmpadas de vapor de mercúrio pelas de vapor de sódio.
Como os engenheiros podem contribuir à gestão sustentável da cidade?
Colaborando, seja por meio de seu sindicato, seja na sua atuação profissional, acadêmica ou empresarial, com ideias e sugestões de soluções viáveis, sustentáveis e inovadoras para os graves desafios que a administração pública tem de enfrentar e vencer na cidade, em especial nas áreas de habitação, mobilidade, coleta e tratamento de resíduos.
Rosângela Ribeiro Gil
O mais novo serviço oferecido gratuitamente pelo SEESP à categoria é o “Engenheironline”, plataforma de relacionamento profissional disponível há cerca de um mês na internet no endereço www.engenheiroline.com.br.
O objetivo, segundo a psicóloga Fernanda Lena, do setor de Oportunidades do sindicato e uma das gestoras do serviço, é aproximar o engenheiro do mercado, facilitando a busca de novas oportunidades e o intercâmbio de experiências. “Queremos que o profissional e a empresa ou consultoria partilhem informações, troquem propostas e ideias. Criem, de fato, uma rede social”, explica.
Conforme ela, a ideia é utilizar a internet e a agilidade dos sites de relacionamento para intensificar o serviço já prestado pelo SEESP de auxiliar o engenheiro a encontrar a vaga que procura. “Acreditamos que fica mais rápido o profissional e o contratante se encontrarem para que possam trocar experiências, objetivos, mostrar habilidades e formação acadêmica”, avalia Lena. “No geral, os sites de vagas são apenas para o cadastrado dos currículos. A nossa intenção é que o engenheiro também apresente seu portfólio profissional e daí constitua uma relação de contatos, o que facilita, inclusive, que faça parcerias”, completa a psicóloga.
Na sua avaliação, o mecanismo digital deve atrair tanto o engenheiro recém-formado quanto o profissional mais experiente. Além disso, o meio virtual permite que a utilização da ferramenta em todo o Brasil. “Qualquer um pode estar na nossa rede”, convida Lena. Ela aconselha que o usuário mantenha o seu perfil o mais atualizado possível, com a inclusão de novas qualificações e cursos realizados. “É interessante também se mostrar proativo, discutindo questões atuais da sociedade, como as áreas de mobilidade urbana e infraestrutura”, sugere.
Para usar o serviço, basta que o engenheiro se cadastre no site, criando um nome de usuário e uma senha. O sistema diferencia profissionais de empresas contratantes. Após a criação da conta individual, uma mensagem de confirmação automática será enviada solicitando autenticação. Depois, basta fazer o login e os demais recursos da conta já estarão habilitados. Detalhes de vagas e currículos só podem ser acessados pelos cadastrados.
Atendimento ao associado
O setor de Oportunidades oferece aos associados ao SEESP outros serviços, como orientação vocacional e encaminhamento de contratação de estagiários por intermédio de convênio com o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola). É feito também atendimento psicológico voltado às questões profissionais. “O nosso trabalho, executado em quatro sessões individuais e presenciais, é fazer com que a pessoa se reconecte com ela mesma para se sentir mais segura para enfrentar o mercado, ir atrás dos seus objetivos e fazer uma escolha”, descreve Lena. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30.
Mais informações pelo telefone (11) 3113-2669, pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou diretamente na sede do sindicato (Rua Genebra, 25, Bela Vista, São Paulo).
Dia da Engenharia Alemã discute indústria química
O desenvolvimento sustentável na indústria química segundo perspectivas das maiores lideranças do setor é o tema em debate na quarta edição do Dia da Engenharia Alemã, que acontece em 18 de outubro, às 13h30, no Club Transatlântico (Rua José Guerra, 130 – Chácara Santo Antônio), na Capital paulista. O evento, promovido anualmente pela VDI (Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha), com apoio da AHK São Paulo (Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo), destaca a contribuição da indústria alemã para o progresso econômico e tecnológico brasileiro em diferentes setores.
A programação tem como destaque mesa-redonda moderada por Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), sobre o tema “A química é inovação para uma vida sustentável”, com o vice-presidente sênior da Basf para a América do Sul, Antonio Lacerda; o líder global de inovação e tecnologia da Lanxess da Alemanha, Dr. Paul Wagner; o diretor-presidente da Evonik Degussa Brasil e da AHK São Paulo, Weber Porto; além de Theo van der Loo, presidente da Bayer; e Julio Muñoz-Kampff, presidente da Henkel Mercosul. Os participantes poderão assistir ainda à palestra “Tendências globais na indústria química e seu impacto no Brasil”, conduzida pelo líder global da Prática de Energia e Indústrias de Processos da consultoria global AT Kearney, Thomas Rings. Outro destaque é o case “Destino Alemanha – um passo importante na internacionalização de uma empresa brasileira”, com o diretor-presidente da Braskem, Carlos Fadigas, que revelará como a multinacional do setor petroquímico expandiu sua atuação para a Europa por meio do mercado alemão. Inscrições podem ser feitas no site www.vdibrasil.com.br.
“Cidades saudáveis e sustentáveis: conceitos e desafios”
É o tema do seminário que o Fórum Suprapartidário por uma São Paulo Saudável e Sustentável realiza no dia 17 de outubro, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100, Bela Vista). O evento, que já faz parte da discussão do novo PDE (Plano Diretor Estratégico) a ser aprovado no próximo ano, analisará conceitos e desafios para que a cidade garanta melhor qualidade de vida aos seus moradores, o que inclui a saúde. Foram convidados para o debate o jornalista André Trigueiro, o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, o médico Marco Akerman e a professora Rosilda Mendes. Atividade aberta ao público.
Vagas, orientação, treinamentos
Por intermédio de sua área de Oportunidades & Desenvolvimento Profissional, o SEESP oferece diversos serviços aos engenheiros. Entre eles, orientação profissional (vocacional) e para elaboração de currículo, coaching de carreira e emissão de carteira de trabalho. Além disso, conta com o Programa Engenheiro Completo, através do qual coloca à disposição da categoria treinamentos diversos.
Oportunidades – Outro serviço é o cadastramento de currículos e vagas para auxiliar na colocação no mercado de trabalho. Para se candidatar, clique aqui. Mais informações pelos telefones (11) 3113-2669/74.
Jantar e inauguração de praça marcam 46 anos da Assenag
No dia 1º de setembro, foi celebrado o 46º aniversário da Assenag (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru). Para marcar a data, pela manhã, foi inaugurada a Praça Assenag, situada junto à primeira entrada da cidade a quem vem de São Paulo. No ensejo, cada ex-presidente (ou familiares) plantou uma árvore, num total de 46. À noite, foi servido o já tradicional jantar alemão, quando foi homenageado o Eng. Fernando Ribeiro com o título de sócio remido. A festa contou com o apoio do SEESP.
VI EcoSP acontece em novembro
Importante fórum à discussão sobre o tema premente do desenvolvimento sustentável, o VI EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo), promovido pelo SEESP e FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), ocorrerá neste ano em 12 e 13 de novembro próximo, no Complexo Parque Anhembi, na Capital paulista. As plenárias técnicas terão lugar no Auditório Elis Regina e a feira ambiental, no Salão de Exposições (Hall Nobre 2 e 3). O objetivo é, segundo o coordenador da iniciativa e vice-presidente do SEESP, Carlos Alberto Guimarães Garcez, trazer para o debate novas tecnologias e paradigmas. Mais informações e inscrições pelos telefones (12) 3633-5411, 3633-7371 e (11) 3113-2616, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e no site www.ecosp.org.br.
Um dos temas cruciais para se garantirem condições dignas de vida ao povo brasileiro – a solução para se vencer o déficit habitacional, atualmente em 5,8 milhões de unidades – foi objeto de debate realizado no auditório do SEESP, em 18 de agosto último. Promovido pelo sindicato, em parceria com Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), Clube da Reforma, UNMP (União Nacional por Moradia Popular), CMP (Central de Movimentos Populares), MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia) e Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), o evento colocou em pauta alguns importantes nós a serem desatados.
Entre eles, o encarecimento da terra e a especulação imobiliária que vêm dificultando o acesso à moradia pela população de baixa renda, apesar da existência de projetos como o “Minha casa, minha vida”.
Embora o programa do governo federal tenha já atendido mais de 1 milhão de famílias e outras 800 mil unidades estejam contratadas, a avaliação dos especialistas e militantes do setor é que os avanços não são suficientes. Conforme pontuou o deputado Raul Carrion (PCdoB/RS), presidente da Secretaria Especial das Cidades da Unale (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais) e membro do Conselho Nacional das Cidades, o programa está funcionando “pela metade” e aqueles com renda até três salários mínimos, que deveriam ser a maioria dos beneficiados, constituem apenas 31% dos atendidos.
Entre as soluções apresentadas para aprimorar o “Minha casa, minha vida”, está a inclusão dos imóveis já existentes, tendo em vista que há 6,1 milhões de unidades vagas em todo o Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Muitos desses encontram-se abandonados e poderiam integrar um programa habitacional, que não precisa se restringir a novas obras, embora essas tenham ainda a virtude de gerar empregos e movimentar a economia.
O aproveitamento de domicílios usados, que muito provavelmente necessitarão de melhorias, pode estar associado à efetivação das leis 11.888/2008 (federal) e 13.895/2008 (estadual), que tratam da assistência técnica gratuita às famílias de baixa renda. Essencial para garantir construções mais seguras e salubres, o apoio de engenheiros e arquitetos, respaldado pela legislação vigente, pode ser decisivo para construir uma saída ao déficit habitacional. Formulada pelo diretor do sindicato, Carlos Kirchner, durante o seminário, a proposta do SEESP sugere subsídio de até R$ 7 mil para imóveis com até 100 metros. O beneficiário, cuja renda mensal familiar teria um limite estabelecido, arcaria com a contrapartida de até 20% do valor de forma parcelada.
Há certamente outras saídas a serem colocadas em prática e a discussão, envolvendo as entidades reunidas no auditório do SEESP, o conjunto da sociedade e as várias instâncias de governo, deve continuar para se chegar a uma proposta exequível. Fundamental é que se persiga de forma séria e consequente o objetivo de assegurar a todos os cidadãos brasileiros uma casa que lhe propicie segurança, saúde e conforto, conforme prevê a Constituição.
Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente