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Em mais um evento do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, a FNE realizou, em conjunto com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), o seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, na manhã do dia 4 de agosto último, na capital paulista, na sede do sindicato dos engenheiros (Seesp).


Fotos: Beatriz Arruda
Murilo Pinheiro, na tribuna, destaca importância dos avanços do meio rural à economia do País.

O coordenador do projeto, Fernando Palmezan, à mesa de abertura, salientou a importância da agricultura para a economia do País, dizendo que se deve aproveitar a expertise alcançada no setor para outras atividades econômicas. “O perfil dos nossos eventos tem dado impulso aos grandes debates nacionais, no sentido de avançarmos em diversos processos que signifiquem desenvolvimento e a valorização dos nossos profissionais.”

O consultor sindical João Guilherme Vargas Netto enfatizou que a grande contribuição do “Cresce Brasil” e da FNE e seus sindicatos filiados, a despeito de todos os problemas estruturais e conjunturais atuais do País na economia e na política, “é mostrar que há possibilidade de se conseguir convergências e aproximações por pontos comuns que façam avançar a nossa realidade”. Nesse sentido, Vargas Netto disse que o movimento Engenharia Unida – lançado em 2016 pela federação – cumpre o papel de aglutinar todas as engenharias num campo amplo e democrático com esse foco. “Estamos peneirando as ideias para que fiquem as melhores em nome da sociedade brasileira”, exortou.

A coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação do município de São Paulo, Patrícia Panaro, que também participou da mesa de abertura, agradeceu o convite para participar de atividade de suma importância à pasta, já que a capital paulista, informou, é responsável por 2,2 milhões de refeições diárias nas escolas da rede municipal, “somos o maior restaurante do País”.

Agricultura que salva
O secretário estadual da Agricultura, Arnaldo Jardim, fez uma importante explanação do que é a agricultura hoje não só para o estado, mas para a economia nacional. “Sem ela, não conseguiríamos sobreviver numa conjuntura tão adversa de quase quatro anos de recessão econômica e 14 milhões de desempregados.” Jardim observou que a crise seria maior sem o desempenho tão promissor e positivo da agricultura, apresentando números: “A nossa economia diminuiu, em média, nos últimos três anos, 3% ao ano; sem a agricultura, essa queda seria de 10%.”

O secretário citou o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Yoshiaki Nakano, que aponta que o Brasil sempre pensou a indústria como grande indutor de ciclos econômicos, por três fatores básicos: poder de grande acúmulo de capital, impactar os outros setores da economia e ter capacidade de inovação. “Sempre pensamos assim, e o Brasil teve períodos virtuosos nesse sentido, especificamente nas décadas de 1940 e 1970, quando tivemos uma dinâmica industrial forte.” Todavia, prosseguiu Jardim e ainda citando o especialista da FGV, “o novo ciclo da economia terá muito mais condições de ser puxado pelo setor agropecuário, porque ele reúne, hoje, o acúmulo de capital, ainda basicamente nacional, e demanda logística, estrutura para as nossas fronteiras agrícolas e de armazenagem e logística de escoamento”. Ele arrematou: “É um momento novo ter o campo protagonista da nossa economia.”

Para acompanhar essa virtuosidade, como aposta o secretário, o Estado de São Paulo se prepara em quatro questões cruciais: a agricultura sustentável, onde se deve conciliar produção e preservação; diversidade fundiária e de cultura, fazer a convivência da agricultura de escala com a familiar ou do pequeno e médio agricultor; a inovação, uma preocupação permanente que tem ensejado a criação de núcleos de inovação; e garantir a alimentação saudável.

Concluindo os trabalhos iniciais, Murilo Pinheiro, como presidente da FNE, mostrou que é possível o País superar todas as dificuldades atuais, optando por unir esforços e discutir seriamente o “Brasil que queremos, deixando de lado as vaidades pessoais”. E prosseguiu: “Temos de aproveitar os anos de dificuldades para refletir e entender como intervir mais positivamente. Precisamos exercitar a nossa cidadania, acompanhando o que acontece e fazendo a melhor política. Discutir um Brasil com conhecimento e crescimento.” E finalizou: “Nesse horizonte está, sem dúvida nenhuma, a agricultura, que hoje nos oferece bons exemplos de desenvolvimento.”

Após a abertura, e ainda na parte da manhã, foi realizada a mesa-redonda “"Produção e cadeia de valor" com Paulo E. Cruvinel, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA); e Luiz Antonio Pinazza, consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). No período da tarde, a discussão seria em torno da "Tecnologia na produção de alimentos" com Luís Fernando Ceribelli Madi, diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); e Thiago Guilherme Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com a coordenação de Orlando Melode Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

A economia brasileira vem encolhendo desde 2014. O PIB per capita caiu 9% no período, ou seja, o valor da riqueza corrente, se dividida pela população, diminui. Em 2017, a queda continuará e poderá ultrapassar 10%, pois a economia permanecerá estagnada, enquanto a população crescerá. Essa perversa dinâmica recessiva continuará a gerar, para a maioria, desemprego, arrocho salarial, informalidade, pobreza e desigualdade. Nessa situação, a visão de futuro fica opaca, e as incertezas aumentam.

Para os setores que construíram e viabilizaram o atalho para a mudança do poder central, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teria poder para reverter as expectativas, e o otimismo mobilizaria a vontade do capital, especialmente internacional, para investir e ampliar a capacidade produtiva da economia brasileira. O País voltaria a crescer, o que faria com que fossem esquecidos os ataques e as violências às instituições, que deixaram claro a parcialidade da democracia no Brasil.

Os fatos que continuam a aprofundar a crise política indicam que há outros motivos para a tomada do atalho institucional. O tortuoso enfrentamento busca viabilizar dois objetivos de grupos e forças econômicas e políticas: fugir do caminho das punições e da cadeia e perpetrar os desvios.

A grave crise institucional amplia os desentendimentos e detona as pontes capazes de abrir caminhos para viabilizar um futuro melhor e fazer com que o País atinja outro patamar de relação entre os setores privado e público. Há muitas práticas a serem extirpadas no mundo das empresas e do Estado e muitas pessoas a serem punidas. Isso vai longe!

A questão é que o combate à corrupção atinge o setor produtivo privado e público, bem como as instituições do Estado que coordenam e financiam investimentos, envolvem dirigentes empresariais e públicos e afetam as práticas de governança. O combate à corrupção trava, no curto e médio prazo, a produção econômica, já debilitada pela recessão.

A experiência internacional e histórica mostra que não se acaba definitivamente com a corrupção. O que se faz é construir instituições e práticas para combatê-la e punir de maneira permanente e incondicional. A transição entre a situação presente – de reconhecimento da amplitude e profundidade do horror que a corrupção produz e identificação dos sujeitos que a promovem – e o futuro deve passar por uma delicada construção política para: (a) confirmar que o combate à corrupção veio para ficar; (b) evitar que a sociedade, mais uma vez, seja a principal vítima dessa mazela, com a destruição da economia, da democracia e das instituições; (c) separar, de maneira inteligente, a maneira de reconstruir o presente e o futuro, fazendo, ao mesmo tempo, o ajuste com o passado.

A saída é encontrar, nos marcos constitucionais e por meio da combalida democracia, a legitimidade para olhar para a frente e construir o curso para a mudança. A transição exige afirmar para a sociedade uma visão de futuro e mobilizá-la por uma utopia – uma situação que ainda não existe, mas que somos capazes de construir.

É preciso dar um tratamento correto ao passado sem destruir o que temos construído hoje e o que poderemos construir. Essa saída é essencialmente política, ou seja, requer a pactuação de novo patamar de relação social, materializada em regras, instituições, práticas de governança e de gestão do uso do recurso público. Será preciso um novo projeto de desenvolvimento nacional, que indique outra dinâmica produtiva, o papel do Estado, a contribuição da população com impostos, bem como o uso que será feito desses recursos.

Há uma lista longa de necessidades, de tarefas, e a escolha dos conteúdos deve ser feita pelas urnas, que devem fechar a tampa do poço ao qual o País desceu e jogar a escada que permitirá a retomada do desenvolvimento econômico e social.

Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

Artigo publicado originalmente pela Agência Sindical



Murilo Pinheiro * 

A volta da economia a uma trajetória de crescimento passa pelo fortalecimento da presença do Estado como indutor do investimento em infraestrutura. Sem essa retomada pelo governo federal do seu papel de dinamizador das obras de caráter estrutural e estruturante, o país corre o risco de repetir uma expansão episódica, marcada por altos e baixos.

A importância do investimento na melhoria da vida da população brasileira é o tema central da publicação Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Cidades, um projeto que vem sendo conduzido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) desde 2006.

Em sua versão mais recente, o Cresce Brasil apresenta um diagnóstico dos principais problemas das cidades e as soluções a serem adotadas para aumentar a qualidade de vida da população. No documento, aponta-se, por exemplo, que serão necessários R$ 273 bilhões até 2033 para reposição e expansão de sistemas de fornecimento de água e de esgoto sanitário.

Em outro tema relevante, o Cresce Brasil aborda os avanços disponíveis para aprimoramento da iluminação pública por meio da tecnologia LED. O uso em larga escala desses sistemas pode gerar redução de até 50% na despesa com energia elétrica das prefeituras brasileiras.

No segmento da moradia, o documento lembra que há uma carência de mais de 5,8 milhões de domicílios no país, um número que considera tanto as famílias que não possuem moradias como aquelas que moram em edificações inadequadas. O conteúdo desse documento pode ser acessado no endereço virtual www.crescebrasil.org.br.

Ao apontar a necessidade de investimento em segmentos distintos, o Cresce Brasil lista alternativas de gestão das contas públicas de forma a se criar as condições para os gastos de capital. Nesse sentido, o documento recomenda gestão financeira voltada para a ampliação da base de arrecadação.

No atual cenário, em que é notória a necessidade de expansão do investimento, os engenheiros chamam a atenção para o risco da paralisação de milhares de obras públicas espalhadas pelo país. Os cerca de 5 mil canteiros abandonados Brasil afora são o retrato de um duplo prejuízo: primeiro, pela perda de verbas públicas; segundo, pela falta que tais obras concluídas representam para a população.

Com o país arcando com os custos de uma pesada recessão, a retomada das obras públicas ajudaria a formar novas frentes de trabalho, gerando emprego, renda. A medida também contribuiria para dinamizar a microeconomia em diversas localidades, transmitindo uma mensagem positiva de recuperação da infraestrutura nas mais diferentes áreas.

Ao defender o resgate dessas obras, a Federação Nacional dos Engenheiros reafirma a postura e o trabalho do Movimento Engenharia Unida em prol do desenvolvimento e do aumento da qualidade de vida dos brasileiros. Esse alerta e o apelo para que esses empreendimentos sejam reiniciados são contribuições que a engenharia e os engenheiros têm a dar nesse momento de recuperação da economia.

 


Murilo Pinheiro, presidente do SEESP, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais (CNTU). Artigo publicado, originalmente, no site Congresso em Foco, em 13/06/2017

 

 

 

 

 

A instabilidade econômica afetou em cheio o bolso dos executivos. É o que revela recente levantamento realizado pela Michael Page, empresa de recrutamento especializado de profissionais de média e alta gerência, que faz parte do PageGroup. De acordo com o Estudo de Remuneração 2017 da companhia, oito em cada dez cargos analisados apresentaram remuneração estável ou em queda em relação ao mesmo estudo feito em 2015.

"O cenário para o executivo de média e alta gerência é um pouco diferente daquele verificado há dois anos, quando os funcionários ainda conseguiam negociar melhores ganhos. Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10 a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais", revela Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page.

13 de 15 setores estão com remunerações estáveis ou em queda
De acordo com o trabalho, a maioria dos setores pesquisados apresentaram mais cargos com manutenção ou perda da média salarial quando comparado com o levantamento anterior. Também foi feita a análise dos cargos por setor para entender o percentual de profissões atingidas pela remuneração estável ou a queda: Supply, Engenharia, Petróleo e Gás, Propriedade e Construção - 100%; Vendas, TI - 97%; Saúde - 92%; Marketing - 82%; Jurídico - 78%; Varejo - 73%; Seguros - 75%; RH - 64%; e Financeiro - 57%.

Engenharia e manufaturas
A área de engenharia é técnica e vem passando por diversas e importantes transformações. O mercado atual continua com uma carência de engenheiros especializados e com uma formação sólida para preencher posições no mercado de trabalho.

Os profissionais, em melhoria contínua, que são sempre desafiados a otimizar processos e trazer retornos, acabam ganhando destaque no cenário de crise brasileira. Com isso, notamos que profissionais com conhecimento técnico, especialização e certificações acabam levando vantagem na hora de arrumar um emprego no mercado atual.

"Ainda assim, com a formação analítica e ágil na linha de raciocínio, os engenheiros são requisitados para atender a posições relativas a vendas e planejamento estratégico, áreas que continuarão em alta para o ano que vem", diz Ricardo Basaglia.

Nessa área não foi registrado nenhum aumento na média salarial. Dos cargos que apresentaram queda, destaque para gerente de qualidade com atuação no setor químico e petroquímico em empresa de grande porte. Os vencimentos médios desse profissional recuaram 9%, saindo de R$ 17,5 mil em 2015 para R$ 16 mil neste ano.

 

Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Reprodução de informação da assessoria de imprensa da Michael Page

 

 

 

 

A edição deste mês de junho do jornal da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Engenheiro, traz em matéria de capa o debate que continua sobre a exigência de contratação de produtos fabricados no Brasil pelas empresas que participarem dos próximos leilões para exploração de petróleo e gás. Reduzido por decisão do governo em fevereiro último, o chamado conteúdo local é essencial para assegurar a participação da engenharia e da indústria nacionais da cadeia produtiva do setor.

Ainda na pauta, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38/2017, que propõe a reforma trabalhista e, entre outros pontos, determina a prevalência do negociado sobre o legislado, minando as garantias legais da mão de obra.

O VIII Encontro Ambiental de São Paulo (EcoSP), realizado em 27 e 28 de abril último, abordou, entre outros temas, a tragédia de Mariana, ocorrida em 2015. Até hoje, as consequências do desastre causado pela Samarco são sentidas pela população da região. 

Em entrevista, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira fala sobre as propostas do novo-desenvolvimentismo para que o Brasil saia da crise e volte a crescer. Segundo ele, são necessários, prioritariamente, taxa de câmbio competitiva, superávit em conta corrente e juros baixos.

As inúmeras e incríveis possibilidades do grafeno estão em C & T. Dono da maior reserva mundial de grafita, mineral do qual se extrai a nanopelícula, o Brasil inaugurou seu primeiro laboratório voltado à pesquisa do material em 2016. E mais as atividades e inciativas nos sindicatos em todo o Brasil.

>> Boa leitura!

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Força Sindical, União Geral de Trabalhadores (UGT), Nova Central e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) realizaram, na quarta-feira (22), mais um ato para pressionar pela redução da taxa Selic. A manifestação, que ocorreu em frente ao Banco Central, em São Paulo, na Avenida Paulista, teve como objetivo pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a reduzir a taxa básica de juros de forma mais acentuada. Atualmente, o juro real no Brasil é o mais alto do mundo.

Em um protesto bem humorado, os sindicalistas levaram para a avenida Paulista o “Bloco dos Juros Baixos”. No ato, acompanhado pela bateria da Escola Imperador do Ipiranga, eles exibiram faixas e cartazes condenando a política de juros altos e a reforma da Previdência.

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), apesar de irreverente, o protesto traz uma mensagem muito séria. "É preciso baixar esses juros urgente. Oficialmente o Brasil tem hoje mais de 12 milhões de desempregados. Isso é o mesmo que dizer que toda a população de São Paulo não tem emprego. Esse quadro tem de ser revertido; mas com juros altos não dá", explica.

O vice-presidente dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, Josinaldo José de Barros (Cabeça), destaca: "O Brasil pratica os juros reais mais altos do mundo. Isso asfixia a produção, promove o desemprego e transfere renda pra quem não trabalha, que são os especuladores”.

O protesto foi encerrado com um “desfile” pela avenida Paulista, do Banco Central até o escritório da presidência da República.

Selic
Ontem, o Copom reduziu a taxa Selic em apenas 0,75 ponto percentual. Uma redução "muito tímida e frustrante", classificou a Força Sindical em nota divulgada em seu portal na internet.

O Banco Central iniciou o ciclo de reduções na Selic em outubro do ano passado, com um corte de 0,25 ponto percentual, baixando a taxa para 14% ao ano. Foi o primeiro corte em quatro anos. Na última reunião de 2016, em novembro, houve novo corte de 0,25 ponto, resutando em uma taxa de 12,25% ao ano.  No entanto, economistas criticam a tímida redução.


Comunicação SEESP
Com informações da Agência Sindical




Marco Aurélio Cabral Pinto*

No Brasil, políticas de conteúdo nacional em compras públicas é assunto de hereges. Por quê? Porque os interesses financeiros hegemônicos no País desde os anos 1980 tratam qualquer tentativa de proteção da indústria nacional como crime contra a “economia de livre mercado”. Segundo esta crença, qualquer tentativa de suprimir a “concorrência internacional” implica no favorecimento de “grupos” nacionais. Ou seja, segundo a crença liberal na “concorrência perfeita”, políticas de conteúdo nacional implicam em favorecimento de grupos nacionais.

O que não se conclui, usualmente, é que vale o oposto. Ou seja, ausência de políticas de conteúdo nacional conduz ao favorecimento de interesses no estrangeiro. No Brasil a quase ausência histórica de políticas de conteúdo nacional tem resultado em mãos ágeis, ainda que visíveis, de chineses e norte-americanos.

No caso do setor petróleo, a política de conteúdo nacional torna-se crítica à industrialização brasileira. Pode-se afirmar isso por ao menos três razões: (i) potencial de criação de empregos qualificados no País; (ii) indução de pesquisa e desenvolvimento em firmas de capital nacional; e (iii) fortalecimento da capacidade competitiva da Petrobras.

O montante de investimentos da Petrobras é estimado de multiplicar em mais de duas vezes e meia (2,452 – FGV) a geração de renda ao longo das cadeias produtivas industriais. Considerando-se os investimentos da Petrobras como US$25 bilhões (2015), tem-se como renda gerada na cadeia produtiva industrial cerca de US$ 63 bilhões. Ou seja, uma política de conteúdo mínimo nacional de 60% nos investimentos da Petrobras implicaria criação, no Brasil, de algo como US$ 38 bilhões. Isto representaria mais que dobrar os efeitos de emprego e renda no Brasil criados pela Petrobras com seus investimentos no ano. Ou seja, quase dispor de uma “segunda Petrobras”.

E o que aconteceria com os outros 40%? A resposta é que irão gerar empregos e renda no exterior. E se a política de conteúdo nacional fosse de 100%, conforme anunciaram os norte-americanos? Nestas circunstâncias estimam-se em torno de 1,5 milhões de empregos de boa qualidade criados ao ano (salários de US$40 mil/ano).

O montante alocado em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, partes, peças e componentes, é função, entre outros, da receita das empresas. Na indústria, a perspectiva de integrar uma cadeia produtiva como fornecedor, usualmente implica em gastos prévios em projetos de desenvolvimento. Além de reagir rapidamente aos investimentos da Petrobras, os empregos em engenharia de desenvolvimento no País dependem do índice de nacionalização das encomendas.

Caso se importe 100% do conteúdo associado aos investimentos da Petrobras, pouco ou nada de desenvolvimento tecnológico será induzido no Brasil. Aliás, como tem sido usual. Ao contrário, políticas de conteúdo mínimo nos investimentos da empresa podem gerar até 40 mil empregos de engenharia de ponta no País[1] (100% conteúdo nacional).

Finalmente, a política de conteúdo mínimo nas compras da Petrobras terá como consequência a formação de empresas brasileiras de parte, peças, componentes e sistemas. Lembram-se que a desvalorização cambial atingiu a Petrobras no lado dos financiamentos externos mais caros, e quase quebrou a empresa? Pois bem, a política de conteúdo nacional mínimo protege o fornecimento em caso de movimentos bruscos de desvalorização do real. Ou seja, ao contar com custos de investimento majoritariamente em reais, a Petrobras conquistará maior autonomia financeira e operacional.

Em síntese, aos engenheiros a política de conteúdo mínimo é relevante não apenas para o setor petróleo, mas para outros que possuam potencial de criação de empregos de boa qualidade no País. No caso específico da Petrobras, o potencial de criação de empregos é suplementado por aumento de autonomia tecnológica e fortalecimento da inserção internacional da empresa-líder.

[1] Considerou-se 5% do investimento total de US$ 63 bilhões com salários de US$ 80 mil médios anuais p engenheiro.

 

Marco Aurélio Cabral Pinto é professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e consultor da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)

 

 

 

 

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