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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, desta quarta-feira (11/01), de reduzir a taxa Selic para 13% ao ano não tem razão para ser comemorada, segundo o professor doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Corrêa de Lacerda, e sócio diretor da MacroSector Consultores.” Tem gente eufórica com a queda de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic). Isso não muda nada”, advertiu.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Antonio Correa de Lacerda 600 
”Tem gente eufórica com a queda de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic).
Isso não muda nada”, advertiu Lacerda. 
 

Ele explica: “Considerando a projeção do Boletim Focus (média do "mercado"), a inflação (IPCA) para o ano 2017 é de 4,84%. Considerando ainda que a inflação fechou em 6,3%, em 2016, a média esperada de 2017 é de 5,5%. Portanto, o juro real projetado (Selic - IPCA) está agora em quase 7,5% ao ano. De longe, a mais alta do mundo e muito acima da rentabilidade média das atividades produtivas. Ou seja, continuamos muito fora da curva.”

Segundo o professor, a taxa de juros ideal é aquela compatível à média internacional, ou seja, próximo de 1% ao ano. “Estamos acima de 7%”, lamentou. Lacerda salienta, ainda, que a taxa de juros também “precisa estimular a produção e investimentos produtivos e infraestrutura, ou seja, precisa ser compatível com a rentabilidade média dessas atividades”. Ele foi taxativo: “Hoje ganha mais quem especula no mercado financeiro do que quem produz. Isso não dá certo.”

Protesto
Em protesto sindical realizado em frente à sede do Banco Central, na capital paulista, na manhã de quarta-feira (11), foi repudiada a redução de 0,75 pontos percentuais anunciada pelo Copom e cobrada uma redução acentuada.

Os dirigentes, durante o ato, denunciaram que o patamar atual da taxa de juros tem efeitos nocivos à economia do País, acentuando o desemprego, a recessão e apenas favorecendo os rentistas e especuladores.

Os discursos também foram contundentes contra o governo Temer e sua política neoliberal. Paulo Sabóia, presidente da CGTB no Estado de São Paulo, disse à Agência Sindical que no atual quadro de recessão “é criminoso se a taxa de juros for mantida como a maior do mundo”.

"Não dá mais para conviver com essa política recessiva. A inflação de dezembro ficou em 6,29% e a taxa Selic é mais que o dobro. É possível, sim, reduzir drasticamente esses juros e ainda ficaremos bem acima do que é praticado internacionalmente", afirmou Sabóia.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Com informações da Agência Sindical



 

 

A retomada da produção industrial é indispensável para que o Brasil volte a crescer. Mas o governo não vem adotando ações em benefício da indústria. “Eu não identifico medidas governamentais nesse sentido”, pondera José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical dos trabalhadores e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI). E prosseguiu em entrevista à Agência Sindical:  "O governo tem que começar por algum lugar. E eu entendo deve ser pela indústria, porque só o setor industrial tem capacidade de ativar praticamente todos os segmentos da economia.”

Para o dirigente, seja com acordos de leniência ou por outros meios legais, “é preciso devolver a essas empresas a capacidade de negociar com o Estado e fazer obras e gerar empregos”. O dirigente da CNTI e da Nova Central esclarece: “Eu não estou defendendo impunidade. Que os erros sejam punidos, mas a empresa precisa prosseguir, principalmente porque o setor da construção é um dos que mais empregam."

Setores
Segundo Calixto Ramos, o governo errou quando privilegiou o setor automotivo. Ele argumenta: “O setor automobilístico é importante, mas não puxa sozinho a retomada do crescimento. É preciso ativar cadeias mais amplas, que comecem pela extração de matérias primas e cheguem à ponta, com produtos acabados”.

Cerco
Sindicalista experiente e ponderado, ele manifesta seu incômodo ante o que chama de “cerco ao movimento sindical”. Calixto aponta diversas iniciativas nesse sentido. “É tudo contra nós, dificultando a própria ação sindical”, critica.

O presidente da Nova Central vê, nessas iniciativas, “uma ação orquestrada, que envolve partes do governo federal, do Legislativo e do Judiciário”. Além das reformas neoliberais, gestadas no seio do governo, Calixto aponta iniciativas do Legislativo e do Judiciário. “Agora mesmo, o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) apressa um projeto (PLS 385/2016) pelo qual o imposto sindical só pode ser pago por quem é filiado a Sindicato”, comenta.

Calixto também considera lesivos julgamentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles a decisão do ministro Gilmar Mendes, “que derruba a ultratividade dos acordos e Convenções, deixando o trabalhador a descoberto em muitos direitos” e a decisão que impede a desaposentação, encerrando, numa canetada só, 182 mil processos em andamento.

 

Comunicação SEESP
Notícia da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

Até dezembro de 2016, estima-se que deverão ser injetados na economia brasileira aproximadamente de R$ 197 bilhões, em decorrência do pagamento do 13º salário. Este montante representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e será pago aos trabalhadores do mercado formal, inclusive os empregados domésticos; aos beneficiários da Previdência Social e; para aposentados e beneficiários de pensão da União e dos estados e municípios. Cerca de 84 milhões de brasileiros serão beneficiados com um rendimento adicional, em média, de R$ 2.192. Estas são as estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para o cálculo, o Departamento leva em conta dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos do Ministério do Trabalho. Também foram consideradas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e informações da Previdência Social e da Secretaria Nacional do Tesouro (STN).

No caso da Rais, o Dieese considerou todos os assalariados com carteira assinada, empregados no mercado formal, nos setores público (celetistas ou estatutários) e privado, que trabalhavam em dezembro de 2015, acrescido do saldo do Caged do ano de 2016 (até agosto). Da Pnad, foi utilizado o contingente estimado de empregados domésticos com registro em carteira. Foram considerados ainda os beneficiários – aposentados e pensionistas – que, em agosto de 2016, recebiam proventos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) - e os aposentados e pensionistas pelo regime
próprio da União e dos Estados e municípios. Para estes dois últimos, entretanto, não se obteve o número de beneficiários. Para os assalariados, o rendimento foi atualizado pela variação média do INPC no período janeiro-agosto de 2016 sobre igual período de 2015.

Para efeito do cálculo, o Dieese não leva em conta os autônomos, assalariados sem carteira ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho, que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano, nem os valores envolvidos nesses abonos, uma vez que esses dados são de difícil mensuração.

Além disso, não há distinção dos casos de categorias que recebem ao menos parte do 13º antecipadamente, por definição, por exemplo, de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ou Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Da mesma forma, o valor recebido pelos beneficiários do INSS é considerado pelo montante total, independentemente de a primeira parcela já ter sido paga antes de dezembro. Assim, os dados apresentados constituem uma projeção do volume total do 13º salário que entra na economia ao longo do ano, e não necessariamente nos dois últimos meses de 2016.
Entretanto, é certo que a maior parte do valor referente ao 13º seja paga no final do ano.

Dos cerca de 84 milhões de brasileiros que devem ser beneficiados pelo pagamento do 13º salário, aproximadamente 33,6 milhões, ou 39,9% do total, são aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS). Os empregados formais (49,5 milhões de pessoas) correspondem a 58,9% do total. Entre esses, os empregados domésticos com carteira de trabalho assinada somam 2 milhões, equivalendo a 2,5% do conjunto de beneficiários do abono natalino. Além desses, aproximadamente 982 mil pessoas (ou 1,2% do total) referem-se aos aposentados e beneficiários de pensão da
União (Regime Próprio). Há ainda um conjunto de pessoas, constituído por aposentados e pensionistas dos estados e municípios (Regime Próprio), que vai receber o 13º e que não pode ser quantificado.

 

* Para ler a Nota Técnica do Dieese clique aqui

 

 

 

 

 

Dia 19, após quatro anos, o governo reduziu a taxa básica de juros (Selic), de 14,25 para 14%. Ao saudar a medida, a imprensa omitiu que, na prática, a taxa real de juros vai subir, em vez de cair. Simples: a inflação acumulada de 12 meses estava em 9,62%, mas deve fechar em novembro perto de 8,5 ou 8,6% - com viés de baixa. Portanto, a inflação cai um ponto de uma base de 9,62%. Já a Selic cai 0,25 de uma base de 14,25%. A redução de 0,25% vem a ser ¼ do 1 ponto reduzido da inflação.

A Agência Sindical ouviu Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. “De fato, se feita a conta com base na Selic, se verifica aumento na taxa real de juros”, ele diz. Pedro Afonso reafirma que o Brasil “pratica o juro real mais alto do mundo, num momento em que há países onde o juro é de 1% ao ano ou até negativo”.

Segundo o dirigente dos Economistas, os bancos, há pouco mais de um ano, vêm subindo a taxa de juros dos empréstimos, tornando mais caro o custo do crédito. “Não tenho o índice redondo. Mas, em 12 meses, o aumento na taxa foi em torno de 10%”. Esse aumento, de certa forma, se explica pelo aumento da inadimplência, que, segundo Pedro Afonso, “subiu, mas em patamares inferiores ao aumento adotado pelos bancos”.

Dieese - Rodolfo Viana, economista responsável pela subseção do Dieese no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, também confirma a alta dos juros. E aponta: “Como a inflação tem viés de baixa, caminhando para o centro da meta, o juro real – considerada a diferença entre Selic e índice inflacionário – crescerá ainda mais”.

O economista aponta impactos no custo de vida. Rodolfo Viana diz: “Agora, no final do ano, quando o trabalhador tende a consumir mais e adquirir bens, a prazo, comprará mercadorias com os juros já embutidos nas prestações. Juros mais altos”.

Rodolfo Viana também aponta retrocessos na política de crédito. “Nos governos Lula e Dilma, Banco do Brasil e Caixa praticavam juros mais baixos, facilitando o crédito e o fomento. Essa postura também obrigava bancos comerciais a baixar suas taxas. Agora, se nivelou tudo e os bancos estatais praticam taxas iguais ou acima das adotadas por instituições privadas”, afirma.

 

 

Comunicação SEESP
Notícia reproduzida da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

Entre os 15 maiores exportadores, 14 têm suas pautas de exportação concentradas em produtos manufaturados. O Brasil não está incluído nesse seleto grupo, ocupando apenas a 25ª colocação no ranking de 2015 elaborado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), embora tenha o 9º Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, o que mostra que teria tudo para estar entre os 15 maiores. O fato triste nessa constatação é que, até o final de 2016, de acordo com os resultados do primeiro semestre, o País deverá cair para a 29ª colocação.


Foto: Antônio Costa/ ANPr
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O Brasil, a exemplo do que ocorria à época colonial, ainda é visto (e assim atua) como grande fornecedor de matérias-primas. Mas com o parque industrial de que dispõe – pouco inferior ao da Coréia do Sul –, a tendência seria que fosse também grande provedor de produtos manufaturados, o que não significa que teria de deixar de continuar sendo fornecedor de commodities. No entanto, a Coréia do Sul, que está em 14º no ranking dos maiores exportadores, pouco fornece matéria-prima aos seus compradores, mas vende seis vezes mais produtos manufaturados que o Brasil.

Depois de 13 anos de má administração que levou a economia nacional ao fundo do poço, até a nossa condição de provedor de commodities está ameaçada porque o fornecimento de matéria-prima está perdendo competitividade não só porque a China não vem mantendo seu crescimento em níveis elevados como as despesas provocadas por uma infraestrutura defasada e deficiente pesam cada vez mais sobre o custo do frete.

Hoje, por exemplo, o custo do frete sobre a soja exportada representa mais de 25% do valor do produto, mas há mercadorias, como o milho, em que esse custo ultrapassa a barreira dos 50%. Como as cotações de commodities continuam a oscilar e baixar, muitos produtos podem se tornar inviáveis economicamente.

Diante disso, como as obras de infraestrutura logística seguem em ritmo lento, a saída seria que as commodities exportadas viessem a passar por um processo de industrialização ou pelo menos de agregação de valores. Mas, desde já, essa possibilidade se torna inexequível com o atual sistema tributário, que adiciona e onera custo ao produto durante o processamento industrial.

Obviamente, nas atuais circunstâncias, o que menos as autoridades fazendárias querem ouvir são sugestões de medidas que possam reduzir a arrecadação tributária. Mas a verdade é que um modelo que desonerasse o produto exportado, eliminando compensações, acúmulos de crédito ou de ressarcimento aos exportadores, haveria de estimular a economia, a tal ponto que a importação também aumentaria porque o País cresceria como um todo, especialmente com a criação de empregos e a ativação do mercado interno. E, a médio prazo, a arrecadação tributária cresceria normalmente apenas em função do crescimento da própria economia.


(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Site: www.fiorde.com.br





Os indicadores mais gerais de desempenho apontam, em 2016, para a deterioração geral do mercado de trabalho, com aumento do desemprego e queda nos rendimentos reais dos trabalhadores e trabalhadoras. Esse comportamento é resultante do processo recessivo em que se encontra a economia brasileira, também refletido no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de junho. Essa constatação está no Boletim Conjuntura, número 7, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), lançado recentemente.

O PIB teve variação negativa de 0,3% na comparação entre o primeiro trimestre de 2016 e o quarto trimestre de 2015. Foi o quinto trimestre seguido de contração. Na comparação com o mesmo período de 2015, a queda foi de 5,4% - oitava retração seguida nesse tipo de comparação.

Na comparação do primeiro trimestre de 2016 com os três meses iniciais de 2015, houve queda generalizada nos diversos setores da economia: a agropecuária teve retração de 3,7%; a indústria de transformação caiu 10,5%; a construção recuou 6,2%; a indústria extrativa mineral retraiu 9,6%; os serviços apresentaram contração de 3,7% e o comércio, de 10,7%.

Pelo quinto trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram resultados negativos. A despesa de consumo das famílias diminuiu 6,3%, resultado explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período. Já a formação bruta de capital fixo (taxa de investimento) caiu 17,5%, a oitava queda consecutiva, ficando em 16,9% do PIB no primeiro trimestre de 2016, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior (19,5%).

As exportações de bens e serviços cresceram 13,0%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 21,7%, ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 37% e pelo fraco desempenho da atividade econômica registrado nos primeiros três meses de 2016, na comparação com o mesmo período de 2015.

A recessão econômica em curso resulta de uma conjunção de fatores, de origem externa e interna, conforme indicado no Boletim de Conjuntura nº 6, de março de 2016.

Externamente, podem ser destacados o fraco desempenho das economias europeias e japonesa e a desaceleração observada na China. Tais eventos repercutem diretamente sobre o nível de comércio mundial, reduzindo os mercados para os produtos de exportação e, consequentemente, provocando queda no preço das commodities (produtos de pequena diferenciação e pouco processamento industrial, negociados amplamente no mercado internacional). Isso atinge duramente países com alta dependência da exportação desses produtos, como é o caso do Brasil (com a soja, o minério de ferro, o petróleo bruto etc.).

 

* Para ler o boletim, na íntegra, clique aqui



Imprensa SEESP
Informação do Dieese









 

Choques temporários de oferta de alimentos figuram como um dos motivos que fazem com que a inflação ainda mostre resistência. A avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada nesta quinta-feira (16/06).

Outro motivo apontado pelo BC para a inflação permanecer alta é o reflexo do ajuste dos preços externos em relação aos internos e aos administrados em relação aos livres, ocorrido em 2015. O Copom também cita a recomposição de receitas tributárias dos governos federal e estaduais no início deste ano.

Juros básicos
Como a inflação ainda permanece alta, o Copom reiterou que não há espaço para redução da taxa básica de juros, a Selic. No último dia 8, o Copom manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano, pela sétima vez seguida. A decisão foi unânime, na última reunião comandada por Alexandre Tombini, que deixou a presidência do BC para ser substituído por Ilan Goldfajn.

A Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle. O Conselho Monetário Nacional estabeleceu meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. A previsão de instituições financeiras é que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerre este ano acima do teto da meta, em 7,19%.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos intensificam a queda na produção e no consumo. A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

Para o Copom, apesar dos avanços no combate à inflação, há incertezas relacionadas ao gradual processo de recuperação dos resultados fiscais. Acrescenta que o processo de realinhamento de preços relativos (externos em relação aos internos e administrados em relação aos livres) mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto. “Adicionalmente, remanescem incertezas em relação ao comportamento da economia mundial”, disse o comitê, na ata.

O Comitê reiterou, ainda, que adotará as medidas necessárias para fazer com que a inflação fique dentro do limite da meta (6,5%) este ano, e caia para 4,5% em 2017.

Preços administrados
O BC projeta que os preços administrados por contrato e monitorados terão variação de 6,8% em 2016, mesmo valor previsto na reunião do Copom de abril. Entre outros fatores, essa projeção considera reajuste médio de 19,7% nas tarifas de água e esgoto, de 13,6% nos planos de saúde e redução de 3,5% nos preços da energia elétrica. Para 2017, o Copom considerou a variação de 5% nos preços administrados, mesmo valor das três últimas reuniões.

 

Fonte: Agência Brasil/Kelly Oliveira

 

 

 

 

 

 

 

Faz parte da utopia do movimento social e dos trabalhadores, do sonho que querem transformar em realidade, que a economia brasileira seja capaz de produzir bem-estar e qualidade de vida para todos. O desafio é saber produzir os bens e serviços, distribuindo-os com equidade, para atender às necessidades materiais e culturais de todos.

A economia capitalista se estruturou por meio do Estado moderno, de nação soberana que domina um território e faz, nesse espaço físico e político, uma produção econômica, gerando avanços no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas.

A riqueza natural do território brasileiro é um ativo essencial. O conhecimento materializado no nível de educação geral da sociedade e na sua capacidade de transformá-lo em tecnologia, produtos e serviços, é a base para o desenvolvimento industrial ou produtivo. A capacidade de alocar parte da renda e riqueza gerada para o Estado prover serviços públicos e investimentos na infraestrutura garante a qualidade e quantidade da expansão produtiva e da proteção social.

Tudo isso requer, entre outras coisas, investimento e soberania. Investimento significa ampliar a capacidade produtiva física e cognitiva. Soberania é a capacidade de um povo investir em determinado território, dominando o conhecimento e o capital, se apropriando dos resultados e podendo, de forma autônoma, poupar e decidir reinvestir parte dos resultados alcançados. Soberania é a coluna vertebral de uma nação que sabe investir para promover o próprio destino.

Quando o Brasil vende a base produtiva, infraestrutura ou riqueza natural para empresas estrangeiras, abre mão da soberania de investir e decidir sobre o presente e futuro. O lucro aqui produzido será enviado para o local de origem do capital, a tecnologia não será transferida e a força econômica de induzir a estratégia de investimento estará subordinada a outros interesses.

Vale tratar de um belo exemplo da semana. Janus Capital Group é uma gestora americana com quase US$ 200 bilhões em fundos. Petrobras, Itaú Unibanco, Iochpe-Maxion, Suzano e Marfing fazem parte da carteira de investimentos no Brasil. Janus Raghoonundon, analista da empresa, concedeu entrevista para jornal Valor, de 11 de junho. Sobre a Petrobras, disparou: “Realmente acredito que a companhia tem um valor intrínseco e está barata relativamente a seus ativos. Existe muito potencial para a Petrobras para um investidor de longo prazo”.

Avançando sobre as escolhas do País, soltou: “O Brasil tem que decidir se pretende aceitar grandes quantidades de companhias estrangeiras controlando ativos-chave de infraestrutura. E, claro, essas companhias estrangeiras vão ter que ser compensadas pelo risco que vão tomar”.

As condições complementares e essenciais são destacadas no início da entrevista. A estabilidade política de um novo governo que – assim espera ele – encaminhará as reformas é que dará estabilidade. Não querem ver as reformas rejeitadas. E quais são? Adivinhem? Janus com a palavra: “Vamos monitorar a aprovação de todas, como a da previdência e dos benefícios trabalhistas”.

A impressão é que os brasileiros não dão conta de que o País é uma das maiores economias do planeta, com uma inigualável base natural, robusta estrutura produtiva e enorme mercado interno. Pode ser um grande negócio para o mundo, vendendo os ativos e transferindo a soberania para empresas estrangeiras. Um projeto mais do que medíocre, mas em construção.

 

* Clemente Ganz Lúcio, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

O presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo (Sindecon-SP), Pedro Afonso Gomes, avalia as medidas anunciadas pelo governo interino Michel Temer, no dia 24 de maio último. Entre as iniciativas, a devolução de R$ 100 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro Nacional, a limitação do gasto público e a possível extinção do Fundo Soberano. Gomes é taxativo: “Essas medidas não reativam a economia do Brasil.” Para ele, o único caminho é não fazer uma política de curto prazo, onde o único favorecido é o rentismo, devendo-se priorizar empregos e investimentos sociais. “É uma questão de pensar o Brasil não para classes que historicamente já são privilegiadas, mas para a grande maioria.” E completa: “O presidente interino falou que se deve pensar nos pobres do País. Mas a grande questão, entendo, é pensar neles para favorecê-los, e não prejudicá-los.”

O senhor poderia nos falar mais sobre “meta fiscal” e porque o governo interino subiu-a de R$ 96 bilhões, projeção anterior, para mais de R$ 170 bilhões?
Pedro Afonso Gomes –
Primeiro, é necessário esclarecer que o plano anunciado não tem o caráter econômico no sentido de modificar a economia num impacto que ela precisa. É um plano para resolver um problema de caixa do governo, esse é um primeiro ponto. O aumento do valor da meta envolve uma grande discussão. Podemos pensar que o governo, precavido, supôs R$ 170 bilhões. Mas, como a distância é muito grande, a dúvida é se de fato teremos ou não esse déficit ou se será capitalizado, dizendo essa redução se deve à ação do governo. Então, aí é um problema político.

O déficit deve ser combatido?
Gomes - Em si, evidentemente, ele deve ser combatido, porque, em longo prazo, ele é insustentável. O presidente interino falou que passou, em 18 anos, de 14% do PIB (Produto Interno Bruto) para 19%. De fato é um número grande, só que precisa ser considerado o seguinte: nos últimos anos houve uma redução do PIB. Quando se gasta 19 de 100 evidentemente que se tem duas formas de melhorar esse índice: ou reduzindo de 19 para 18, 17, ou aumentando de 100 para 102, 103, 105. Foi o que ocorreu, de fato, nos governos de 2003 a 2013, pelo menos. O PIB aumentou significativamente e as despesas do governo também, mas muito menos em termos percentuais porque a riqueza aumentou.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Pedro Afonso Gomes 2 editada 
Nessa entrevista, Gomes pontua medidas importantes para que Brasil volte a crescer com justiça social
 

A devolução de R$ 100 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro Nacional, conforme divulgado, pode significar um refreamento em investimentos em infraestrutura e no crédito a empresas da área de produção?
Gomes –
Uma coisa ainda relacionada ao déficit, mas que tem a ver com essa pergunta é o seguinte: ele serve para o governo, em determinadas circunstâncias, cobrir suas próprias despesas e fazer, em momentos de recessão, os investimentos necessários para reativar a economia. É quase como dizer que ao invés de pagar as dívidas, você tenta rolá-la um pouco mais para usar esses recursos em investimentos. Pegar esse valor aplicar em infraestrutura e em condições objetivas para gerar emprego, atividade empresarial, crescimento. Cada real que entra na economia, se bem aplicado, é claro, ele se multiplica por cinco, porque é o chamado efeito multiplicador do investimento público. Estamos falando em criar polos de desenvolvimento, políticas industriais e facilitar o crédito a quem merece. Mas não se fala que se gastou só de juros e amortização da dívida pública quase 44% das receitas governamentais.

Para quem é pago esse valor?
Gomes –
É pago para os rentistas, investidores, para aqueles que vivem de juros, de empréstimo. Essas pessoas não gastam. Quem gasta, na verdade, são as pessoas que recebem da Previdência Social – e esta, das receitas todas, consome apenas 22% do Orçamento. Ou seja, o governo gasta em juros o que usa com a Previdência. Só que para os primeiros você tem apenas umas 50 mil pessoas recebendo; enquanto no regime previdenciário são mais de 35 milhões brasileiros.

Isso significa distribuir para quem não vão gastar e não precisa Já o que recebe salário vai gastar na padaria da esquina, na feira. Em alguns lugares do Brasil, a economia local só sobrevive por causa dos aposentados e por aqueles que recebem o Bolsa Família, porque a cidade em si não tem desenvolvimento.

E o teto para os gastos públicos com base na inflação?
Gomes –
Tecnicamente, sem qualquer outro tipo de análise, está correto. Só se aumenta o gasto acompanhando a economia. O que vai ocorrer é quase uma posição defensiva do governo. Se a economia continuar com redução do PIB e da produção, a inflação não vai possibilitar a atualização dos gastos públicos, porque a receita tributária do governo que vem da produção será cada vez menor com a economia estagnada.

O que isso significa?
Gomes –
Que vai aumentar o desemprego e a necessidade de auxílios assistenciais, junto com a diminuição da arrecadação de tributos. Então, atualizar os gastos públicos pela inflação não vai resolver nada. Mas se houver investimentos e reativação da economia, e não vi nenhuma medida anunciada nesse sentido, é pouco relevante essa questão da inflação. Porque a receita sem aumentar impostos vai ser suficiente para o aumento das despesas.

Na verdade, o Estado não devolve para o conjunto da população os seus recursos. Lembremos que só 44% ficam nas mãos de pouca gente; os 54% restantes são distribuídos entre Previdência Social (22%), projetos sociais – o Bolsa Família, diferente do que falam, utiliza apenas 0,4% dos recursos, ou seja, um real de cada R$ 250 do Orçamento vai para esse benefício.

A sangria da economia nacional não está nos direitos e programas sociais?
Gomes –
O problema do déficit público em si não está nisso. Na verdade, esses R$ 100 bilhões poderiam ser utilizados se houvesse uma política industrial e de desenvolvimento. O governo quer tapar o buraco no curtíssimo prazo, com mudanças que terão de passar por emendas constitucionais (PEC). Reverter essa situação depois vai ser muito difícil. É um retrocesso em termos sociais. Estão pensando no caixa imediato, sem mexer nos aspectos relacionados às despesas financeiras que não são feitas pensando na sociedade brasileira.

E a questão da exploração do pré-sal sendo tirada das mãos da Petrobras?
Gomes –
É o típico da atitude para criar impacto. Fala-se, ainda, em acabar com o Fundo Soberano. Por quê? Os R$ 2 bilhões desse fundo não resolvem nada. Essa questão do pré-sal é de longo prazo, estamos falando em muitas décadas de exploração. Há 60 anos, o nosso sindicato esteve à frente do movimento “O Petróleo é nosso” e pela siderurgia nacional, porque são indústrias de base que podem ficar nas mãos com grupos oligárquicos, privados e muito menos com conglomerados internacionais. Tudo isso vai fazer com que os brasileiros não tenham controle sobre suas riquezas naturais. Não estamos falando de grupos que vêm contribuir, mas apenas para explorar. Esse poder econômico concentrado é incontrolável.

Tal medida pode comprometer o futuro do País?
Pedro Afonso Gomes – Quando foi aprovada a medida de se pensar que o pré-sal vai financiar o desenvolvimento de longo prazo, basicamente está se falando em educação. Quando você tira essa vinculação e das mãos da Petrobras, estamos dando nossas riquezas sem receber nada de volta.

Se o senhor pudesse apresentar uma linha de ação para reativar a economia do País, qual seria ela?
Gomes –
Primeiro, que não sejam feitos cortes nos investimentos sociais, mas sejam melhores geridos – refiro-me à saúde, educação, assistências sociais e projetos habitacionais. Fala-se muito na confiança que se deve ter para a economia funcionar, isso é verdade. Só que se fala na confiança do mercado, e esse não somos todos nós. O mercado é absolutamente concentrado em grupos que dominam boa parte da economia e todo o resto – aqui entram trabalhadores, aposentados, profissionais liberais e classe média. Para mim, é essa parcela que precisa ganhar mais confiança, porque é ela que trabalha e produz. Quando se tira recursos da saúde, da educação, da assistência social, da previdência, aí sim se cria instabilidade econômica.

Segundo não se pensar mais em curto prazo, cuja preocupação é sempre o rendimento daqueles que têm aplicações. Listar aquilo que é essencial: fomentar a produção, abrir o crédito que chamaria de seletivo, para realmente aqueles que vão gerar emprego, renda e riqueza para a população de um modo geral. Há algum tempo, foram dados subsídios e créditos para empreendimentos, como automóveis e outros bens, que não geram tanto emprego assim. Incentivar a produção gera a circulação da economia, tributos, possibilidade de crédito e explorar muito o mercado externo.

E os impostos?
Gomes –
É fundamental a revisão do quadro de imposto que incide hoje, basicamente, sobre os assalariados. Pouco se fala em imposto sobre lucro, riqueza e patrimônio. Tributação sobre o excedente gerado por causa de investimentos públicos é o caminho que vários países estão assumindo.

Uma política de longo prazo que prioriza empregos, investimentos, isso para mim gera mudança na economia. E o Brasil tem condições para isso. É só uma questão de pensar o País não para classes que historicamente já são privilegiadas, mas pensar na grande maioria. O presidente interino falou que enquanto se tiver pobre no Brasil deve-se pensar neles. Eu completo: pensar neles para favorecê-los, e não prejudicá-los.



Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP







 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, no dia 18 de março último, o Boletim de Conjuntura, número 6. O trabalho analisa a situação econômica do País e o cenário externo e aponta quais são as expectativas para o futuro.

A economia brasileira teve, no geral, um desempenho negativo em 2015, o que impôs dificuldades e perdas para a população trabalhadora. Diante do atual cenário nacional e internacional, o que se pode esperar para 2016?

O ano de 2015 terminou com a economia brasileira tendo um desempenho negativo, conforme indicam quase todos os dados econômicos divulgados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB teve retração de 3,8% em 2015 na comparação com o ano anterior e os investimentos reduziram-se em 14,1%; a Pesquisa Industrial Mensal mostrou que a produção industrial brasileira caiu 8,3% em 2015, voltando ao nível de janeiro de 2009, em plena fase aguda da crise internacional; as vendas no varejo ampliado (que inclui comércio de automotores e material de construção) encolheram 8,6%; o volume de serviços diminuiu 3,6%; e a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas alcançou 6,9% em dezembro, em comparação com 4,3% em dezembro de 2014. Além disso, a inflação anual acelerou: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou uma alta de 10,67% em 2015 (em contraste com 6,41% no ano anterior) e o INPC, que capta a inflação de famílias de renda menor, variou 11,28% (contra 6,23% em 2014).

 

* Confira, na íntegra, o boletim conjuntural do Dieese aqui.



Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

A revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal, aprovada ontem (24) pelo Senado, tirando da estatal a obrigatoriedade de explorar no mínimo 30% dos campos licitados, vai provocar estragos na indústria brasileira que atua com o fornecimento de equipamentos para a exploração, como as plataformas e sondas, segundo afirmou hoje (25) à RBA o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli.

“O grande efeito de não ter um operador só é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos, portanto, vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras”, afirmou.

Além disso, Gabrielli é crítico à forma de atuação do governo, compondo com o PMDB e a oposição para aprovar o substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que retira a obrigatoriedade, mas mantém a preferência da empresa.

“Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade, porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo.”


Foto: Agência Brasil
Gabrielli 
Gabrielli: "Esse projeto deve ser derrubado. Vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados"

 

Como o sr. vê a aprovação pelo Senado da Lei de Partilha do pré-sal, tirando da Petrobras a obrigatoriedade de operação nos campos do pré-sal?
Eu acho muito ruim a aprovação que foi feita. É uma grande falácia dos que defendem a mudança do projeto de lei de partilha. Não há necessidade de mudança desse projeto de lei no momento. Os preços do petróleo estão baixos, apesar da expectativa de eles subirem mais adiante. Portanto, não há necessidade de acelerar os leilões agora.

A segunda razão é que o país não precisa acrescentar novas reservas, pois nós temos mais de 14 anos de reservas garantidas com o petróleo já descoberto. Nós estamos com as áreas já concedidas e seremos o segundo país que mais cresce em produção de petróleo no mundo até 2020, segundo relatório da Agência Internacional de Energia, de anteontem.

Além disso, a Petrobras está em uma crise financeira de curto prazo da qual ela sairá com certeza, pela sua capacidade, pelo seu tamanho e pelo seu portfólio, em dois ou três anos. Portanto, não é uma coisa permanente que vai inviabilizar a Petrobras, pois ela tem capacidade financeira de investir, e por fim só interessa essa mudança às empresas internacionais que só podem entrar no pré-sal com a Petrobras sendo a operadora.

Para mim, esse projeto deve ser derrubado. Eu vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados. O projeto deve ser rejeitado na Câmara dos Deputados e se não for rejeitado, deveria ser vetado pela presidenta Dilma Rousseff. É um projeto de lesa-pátria, que só faz abrir a possibilidade de a Petrobras perder a posição que ela pode ter no desenvolvimento da riqueza brasileira.

Mas e o desenvolvimento tecnológico para exploração do pré-sal?
O desenvolvimento tecnológico já consolidado na exploração do pré-sal não fica perdido por conta desse projeto. Mas, na indústria de petróleo, a empresa operadora é aquela que desenvolve mais tecnologia e aprende mais com o processo. A indústria do petróleo tem um desenvolvimento tecnológico que tem muito da operação dos campos, porque combina engenharia com geologia e, neste caso, a geologia é específica.

Consequentemente, o desenvolvimento tecnológico vem da experiência da operação. E se você deixar de ser operador único, você deixa de acumular novas experiências. Isso é um problema para o futuro, não quer dizer que as tecnologias já desenvolvidas serão perdidas. De jeito nenhum. Mas o desenvolvimento de novas tecnologias vai ficar limitado.

Qual o impacto do projeto do Senado?
O grande efeito de não ter um operador é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos. Portanto, você vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras.

As críticas dos movimentos sociais quanto à soberania do país têm fundamento?
Em minha opinião, a gente vai perder a capacidade de ter benefícios na sociedade brasileira pela criação de um setor produtor de bens e de serviços para a indústria de petróleo. Entre os operadores, cada um vai buscar seu fornecimento internacional provavelmente.

E os royalties para a educação previstos na Lei de Partilha?
Eu acho que é uma ilusão, se você acelerar os leilões do pré-sal você não terá resposta, em termos de royalties, nos próximos cinco anos por uma questão de tempo necessário à maturação dos projetos. Não há como fazer um leilão agora em 2016 e ter produção antes de 2021. É difícil acelerar os leilões, utilizando o fato de que a Petrobras não pode participar agora, portanto, faz o leilão e as empresas internacionais participam. Isso não quer dizer que vai aumentar a produção nos próximos cinco anos e não haverá aumento dos royalties.

Como aumentar os royalties seria outra questão. Isso seria mais fácil se você conseguisse acelerar os investimentos da Petrobras e das outras empresas nos campos já concedidos. Porque aí você tem potencial de aumentar a produção. Na verdade, existem hoje recursos e hidrocarbonetos que permitem a você mais do que dobrar a produção em 2020 desde que acelere os investimentos. O grande problema que nós temos para aumentar royalties é basicamente acelerar ou não os investimentos da Petrobras.

Os royalties sobre a produção em si não estão ameaçados?
Eu acredito que essa é a primeira parte de uma luta para destruir toda a lei, provavelmente isso também vai ser mudado adiante. Uma vez derrotada a função da Petrobras como operadora única, a campanha contra a partilha de produção e contra os recursos para o fundo social vai vir também, é um processo natural, a meu ver, do desmantelamento do projeto de lei de 2010.

Como o sr. viu a atuação do governo na votação de ontem?
Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo. Essas duas coisas não são possíveis com essa preferência da Petrobras.

Como o sr. vê esse cenário internacional de preços reduzidos do petróleo?
Há um componente, digamos, de disputa de market share na redução desses preços do petróleo. Há um excesso de oferta hoje no mundo, e esse excesso decorre de uma decisão da Arábia Saudita, principalmente, de não ser mais um produtor de ajuste do mercado. Porque a Arábia Saudita fazia o papel de ajuste: toda vez que havia um aumento na produção dos outros, ela diminuía sua própria produção, e o mercado se mantinha relativamente equilibrado. A partir de novembro de 2014, a Arábia Saudita decidiu não fazer mais esse papel, porque viu que os Estados Unidos estavam crescendo muito sua produção de gás de xisto e óleo de petróleo, e ela decidiu aumentar a produção para baixar os preços e ao fazer isso tirar do mercado os produtores de maior custo.

É evidente que está demorando mais do que eles esperavam (para aumentar os preços), mas já se começa a evidenciar que a produção americana tende a diminuir. Por outro lado, o crescimento da posição do acordo que os Estados Unidos fizeram com o Irã para a questão nuclear deu ao Irã uma vontade de aumentar sua participação no mercado internacional de petróleo. O Irã tende a tentar aumentar a produção, substituindo parte de produção da Arábia Saudita. Pode existir a tendência de o preço do petróleo permanecer baixo por muito tempo. Mas tem um outro lado: essas questões de petróleo para esses países representam a maior parte de sua receita fiscal. Manter o preço do petróleo muito baixo vai aumentar o déficit fiscal desses países, vai criar problemas para suas políticas de Estado.

Portanto, mais cedo mais tarde terão de dar uma controlada na sua posição para viabilizar que o preço suba. Já tem uma primeira tentativa agora, que é Arábia Saudita, Catar, Venezuela e Rússia, que se comprometeram – e a Rússia não é da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) – a congelar a produção de janeiro de 2016, e com isso você não tem mais pressão para o preço cair. Eu acredito que em 2016 nós vamos ter preços relativamente estáveis nessa faixa dos US$ 30 ou US$ 35 o barril, mas de 2017 em diante teremos certa recuperação por conta das necessidades fiscais dos grandes produtores. A Rússia está com a economia muito afetada pela indústria do petróleo; a Arábia Saudita já começou a sentir grande problema no déficit do governo; a Venezuela tem graves problemas nessa questão. Portanto, vai haver algum ajuste da produção.

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual

 

 

 

 

 

 

“A economia brasileira ruma para o caos?” Para responder a essa questão o Centro de Estudos Barão de Itararé reuniu, na segunda-feira (22/2), na sede do Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo, Luiz Carlos Bresser-Pereira (ex-ministro da Fazenda, da Administração Federal e Reforma do Estado e da Ciência e Tecnologia), Leda Paulani (professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) e Guilherme Mello (professor do Instituto de Economia da Unicamp e colaborador da Fundação Perseu Abramo). Se o medo é o caos, esse está afastado, tendo em vista que não se vislumbra risco de hiperinflação, afirmaram os três especialistas. No entanto, nem só na desordem mora o perigo.
 

Foto: Felipe Bianchi
Barao ItarareEspecialistas falam da economia do País, em debate promovido pelo
Centro de Estudos Barão de Itararé

 

Para Bresser-Pereira, desde a redemocratização, o Brasil vem errando economicamente, o que culminou com a volta à situação de exportador de commodities, após já ter sido um país industrial. “Nós estamos matando a economia desde 1985. Fracassamos um atrás do outro”, afirmou, num mea-culpa pelo seu desempenho como ministro da Fazenda do Governo Sarney, em 1987. “A indústria já foi 30% do PIB e hoje é 9%”, completou.

Conforme ele, a expansão econômica observada durante o governo Lula, especialmente entre 2007 e 2010, deveu-se meramente ao boom de commodities no mercado internacional e foi, equivocadamente, vista como a retomada do desenvolvimento.

A enrascada atual, na sua avaliação, reside na alta taxa de juros, que desestimula investimentos produtivos, e no câmbio apreciado em longo prazo, que mina a competitividade da indústria nacional. Conforme Bresser-Pereira, a disputa entre esquerda e direita quanto à necessidade de mais ou menos responsabilidade fiscal é estéril e não vai tirar o Brasil da crise. Para ele, além de desatar os nós macroeconômicos, é necessário um acordo social entre a esquerda e os empresários industriais. Enquanto não isso não acontece, “os rentistas capturam 6% do PIB todo ano”, criticou.

Outra questão a impedir o desenvolvimento nacional, pontuou o economista, é o déficit em conta corrente. Para ele, o Brasil deve abrir mão da entrada de capital estrangeiro para compensar esse déficit, pois essa “poupança externa” não amplia os investimentos internos, mas o consumo. “O déficit interessa ao império porque legitima a ocupação do mercado brasileiro”, criticou.


Crise e terrorismo
Para Leda Paulani, o problema brasileiro reside no modelo neoliberal, adotado nos anos 1990 e não abandonado no período Lula/Dilma. Conforme ela, as políticas sociais de transferência de renda e, principalmente, o aumento do salário mínimo tiveram efeito positivo de estimular o crescimento. Porém, o motor da expansão foi o consumo baseado no crédito, não o investimento. E, embora tenha havido efetiva distribuição de renda, o estoque de riqueza continuou concentrado.  “O último suspiro do modelo foi a sobrevida no pós-crise (financeira internacional, em 2008)”, apontou.

Para piorar, avalia ela, a opção pela austeridade no início do segundo mandato de Dilma Rousseff contribuiu para agravar o quadro de recessão.  Isso se deveu, afirmou, por ter sido o governo capturado pelo terrorismo econômico do conservadorismo no País, fortemente propagado pela mídia. “Hoje, há uma espécie de circulo vicioso em que a crise política piora a expectativa econômica e o mau desempenho econômico alimenta a crise política.”


Não é bem assim
Mais benevolente com o período Lula, Mello refutou a afirmação de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deveu-se exclusivamente à exportação de produtos primários e que essa se sustentou apenas no consumo: “A abertura comercial brasileira é baixa, da ordem de 10%. O boom de commodities não é responsável pelo crescimento do PIB. E o crescimento médio foi maior que o do consumo. O Governo Lula trouxe mudanças importantes, como a redução da dependência externa.”

Já a sua sucessora, ponderou Mello, errou ao cortar investimentos previstos, imaginando que o setor privado faria as inversões necessárias. Conforme ele, isso não ocorreu porque, na realidade, não há na burguesia uma cisão real entre rentistas e produtivistas, já que os industriais tornaram-se importadores e especuladores no seu conjunto.

 

 

Rita Casaro
Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

 

joaoAgora que foi montado o Conselhão, com pleno sucesso para os seus organizadores, já que não houve nenhuma recusa pública (que seria trombeteada pela mídia como indicador de fracasso) constato que minha sugestão de incorporar os autores do “Compromisso pelo Desenvolvimento” foi aceita em grande parte.

Até mesmo o nome de fantasia do Conselhão – Caminhos do Desenvolvimento – ecoa o nome do “Compromisso”.

Completando os acertos e coincidências, atrevo-me a propor ainda mais: a reunião autônoma, sob a égide do Conselhão, da bancada sindical.

Embora saiba que sua composição é o somatório de individualidades, qualquer um constata que os indivíduos carregam suas marcas e as das entidades representativas em que exercem suas atividades. Assim, pode-se falar de “bancada sindical”, com, pelo menos, duas dezenas de participantes dos 92 que compõem o pleno do Conselhão.

Nada mais natural, portanto, que este subconjunto homogêneo (apesar de sua diversidade) procure estabelecer no âmbito do Conselhão, sua própria pauta que enriquece, aprofunda e orienta a do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Em se tratando da bancada sindical, com nomes representativos e de peso, esta dinâmica unitária se impõe contrariando quaisquer visões parciais partidárias, sectárias ou mandonistas, que não reconhecem a autonomia sindical e o fato de contarmos com o “mapa da mina” da Conclat do Pacaembu.

Acresce a isso a necessidade de ativarmos também o conjunto das entidades signatárias do “Compromisso pelo Desenvolvimento”, tarefa que está sendo executada, com êxito, pelo Clemente Ganz Lúcio do Dieese (recebendo também as novas entidades que aderem ao compromisso).

É melhor, sempre, andar com duas pernas. No caso, a bancada sindical do Conselhão e o pleno do “Compromisso pelo Desenvolvimento” porque, como diz o poeta Antonio Machado, “se hace camino al andar”.

 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) consolidou os volumes de produção de veículos da indústria ferroviária brasileira de 2015. O setor entregou 4.683 vagões de carga (75 para exportação), 322 carros de passageiros (78 para exportação), além de 129 locomotivas (6 para exportação), índice histórico de fabricação no Brasil. O faturamento total da indústria ferroviária, incluindo sua cadeia produtiva, ficou em R$ 6,2 bilhões, um crescimento de 10,7 % em relação a 2014, que fechou em R$ 5,6 bilhões.

A indústria brasileira fechou o ano de 2015 com acréscimo de 60% de locomotivas fabricadas, em relação a 2014, em que foram entregues 80 unidades. Estabilidade marcou a produção de vagões, comparada às 4.703 unidades fabricadas em 2014. Já a entrega de carros de passageiros oscilou negativamente frente às 374 unidades de 2014, cuja diferença já está adicionada ao volume previsto para 2016.

As projeções para 2016 apontam para a produção e entrega de 4 mil vagões (50 para exportação), 473 carros de passageiros (72 para exportação) e 100 locomotivas (10 para exportação), com previsão de ligeiro aumento do faturamento total. As exportações de componentes de veículos e de materiais para via permanente serão também alavancadas com a consolidação do câmbio favorável.

“A premente necessidade de novas ferrovias no País e a melhoria das existentes, a partir de primordiais investimentos públicos e privados, demandarão um permanente desenvolvimento local de competências tecnológicas para a produção no Brasil dos veículos e sistemas ferroviários. Capacidade instalada, alta tecnologia e mão de obra especializada não faltam à indústria ferroviária brasileira, que tem dedicado o melhor dos seus esforços para colaborar com o desenvolvimento social e econômico do Brasil, gerando bons empregos e renda ao trabalhador brasileiro e maior produtividade às concessionárias de carga e de passageiros”, enfatiza o presidente Vicente Abate, presidente da Abifer.

 

 

Fonte: Abifer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O salário mínimo passou de R$ 788 para R$ 880, um reajuste de 11,67%, que beneficia 48 milhões trabalhadores e aposentados, urbanos e rurais.

O reajuste representa um incremento de renda na economia brasileira de R$ 51,5 bilhões em 2016, informa o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Além de combater a pobreza e melhorar a qualidade de vida de uma grande parte da população, a valorização constante do salário mínimo representa, ainda, um fator de estímulo e fortalecimento do mercado interno.

Um estudo divulgado neste ano pela Organização das Nações Unidas (ONU) indica que a valorização do salário mínimo foi o principal fator para a queda da desigualdade no Brasil.

O novo aumento dá continuidade à política de valorização do salário mínimo, formalizada por Lei em 2007, e que garantiu um aumento real de 76% no seu valor entre 2003 e 2015.

A Lei Nº 13.152, de 29 de julho de 2015, que dispõe sobre a política de valorização do salário-mínimo e dos benefícios pagos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), também garantiu a continuidade da atual política até 2019.

Além disso, a atual política colaborou para que o poder aquisitivo dos que recebem o salário mínimo se fortaleça. Em 2015, o poder de compra alcançou o equivalente a 2,22 cestas básicas, o maior registrado desde 1979 (Dieese). 

Atualmente, a importância social do salário mínimo se expressa na sua abrangência como remuneração básica de milhões de brasileiros, trabalhadores e aposentados, e como farol para negociações salariais, pisos salariais e remunerações do setor informal.

 

 

Fonte: Ministério do Trabalho

 

 

 

 

 

 

 

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