GRCS

Acontece no dia 15 de dezembro próximo, às 14h, no auditório do SEESP, na Capital paulista, o debate “Perspectivas para a economia brasileira -Como sair da crise e voltar a crescer”. A atividade é uma organização conjunta SEESP e Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), o debate pretende identificar os problemas enfrentados hoje e apontar saídas ao País para evitar o aprofundamento da recessão e garantir as condições necessárias para que a economia brasileira se recupere são os grandes desafios colocados ao governo e à sociedade para o próximo ano.

O evento terá a mesa-redonda com Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador de Estudos Pós-graduados em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Prêmio Personalidade Profissional em Economia 2013, concedido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU); e Roberto Luis Troster, coordenador do curso de Banking da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP).



 

Imprensa SEESP








MILTONDIAS 2A proposta que o Mercosul deverá apresentar à União Europeia (UE) na última semana de novembro de 2015 constitui um passo decisivo para o futuro do próprio bloco, que, 24 anos depois de sua criação, mantém-se num estágio de inércia que só o tem desgastado como união aduaneira, sem conseguir definir uma agenda comum de atuação.

Desde o ano 2000, Mercosul e UE discutem um acordo de livre-comércio, esbarrando em dificuldades, como a redução de tarifas de importação e incompatibilidades nas normas sanitárias e industriais. Mas, agora, o acordo se tornou ainda mais importante para os dois blocos, em razão do recente tratado comercial firmado entre os Estados Unidos e mais onze países da costa do Pacífico, a chamada Parceria Transpacífico (TPP).

Se chegar finalmente a um acordo com a UE, o Mercosul dará uma demonstração clara da vontade de seus membros de se integrarem no mundo, saindo do isolamento em que se encontram. Se as negociações malograrem, com certeza, o Mercosul estará condenado a aderir às imposições que no futuro a UE e os demais mega-acordos haverão de formular, sem poder participar de maiores discussões.

Até porque, em breve, a UE deverá chegar a um acordo também com os EUA, formando a chamada Parceria Transatlântica (TTIP), apesar dos protestos que se sucedem especialmente na Europa contra o que já é chamado de “mercado único”. Como se sabe, as tarifas entre EUA e UE já são bastante baixas e, se sair, esse acordo haverá de configurar as modalidades do futuro comercial do mundo. Como nesse acordo estarão incluídos os principais competidores na área do agronegócio de Brasil e Argentina, ou seja, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, para o Mercosul restará uma posição subalterna e a perda de mercados tradicionais.

Hoje, a América Latina está dividida por diferentes visões políticas, econômicas e sociais, o que tem impedido o continente de encontrar um projeto de desenvolvimento próprio, como mostra a adesão de Chile, Peru e México à TPP. E o governo brasileiro tem grande parcela de culpa nessa situação, já que ficou, nos últimos anos, sem investir na política externa e só o fez agora simplesmente por falta de alternativa. Ou seja, com o Mercosul parado no tempo – e o Brasil representa 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco –, o espaço perdido foi ocupado por outras nações e blocos.

Em outras palavras: o Brasil e o Mercosul necessitam de mais mercado, o que só será possível com a formalização de novos acordos, tornando ainda mais vital a reaproximação com os EUA empreendida pelo atual governo brasileiro. Afinal, formalizada, mesmo sem a China, a TTIP vai abarcar 75% do comércio de bens no planeta.

 

 

* Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No primeiro semestre de 2015, os resultados obtidos pelos cinco maiores bancos do País mostram, mais uma vez, que não existe cenário desfavorável para o setor, independentemente do desempenho do conjunto da economia. Todos obtiveram lucros elevados, especialmente os dois maiores bancos privados – Itaú e Bradesco – cujos lucros alcançaram os mais elevados patamares históricos. Um dos fatores com maior influência nesse desempenho foi a elevação das receitas com Títulos e Valores Mobiliários, decorrente de sucessivos aumentos da Selic desde o ano passado, e da alta nos índices de preços. Outro fator importante foi o crescimento das receitas com o câmbio, especialmente no Santander e no Itaú Unibanco.


Charge do Sindicato dos Bancários de Rondônia
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O primeiro semestre do ano também foi marcado pela implementação de um plano de aposentadoria incentivada na Caixa Econômica Federal e pelo fechamento de postos de trabalho no Bradesco e no Itaú Unibanco. Apenas Santander e Banco do Brasil fizeram contratações.

Por fim, nesse período, o HSBC confirmou o encerramento de suas atividades no Brasil e está em curso um processo de aquisição do banco pelo Bradesco, que deverá ser concluído até o 1º trimestre de 2016. O HSBC tem apresentado prejuízos desde o segundo semestre de 2013. Em virtude disso, os estudos mais recentes da Rede Bancários sobre o desempenho dos maiores bancos não consideraram o HSBC. Após a aquisição do HSBC pelo Bradesco, a concentração bancária no Brasil se elevará e os cincos maiores bancos deverão responder por pouco mais de 80% dos ativos do sistema.

Esses são os principais destaques da 8ª edição do estudo Desempenho dos Bancos, produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) - Rede Bancários. Leia o documento completo aqui.



Fonte: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)










A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) revisou, na segunda (5/10) para baixo a projeção de crescimento da atividade econômica da região em 2015 de 0,5% para -0,3% e estima que, para 2016, o crescimento será em torno de 0,7%. No caso do Brasil, a contração da economia deverá ser 2,8% em 2015 e de 1% em 2016. Na projeção anterior, a Cepal calculou que a atividade econômica brasileira deveria recuar 1,5% neste ano.

De acordo com a Cepal, entre os principais fatores para essa redução do crescimento na América Latina e no Caribe estão a fragilidade da demanda interna; a desaceleração das economias emergentes, principalmente da China; a valorização do dólar; uma crescente volatilidade dos mercados financeiros e a queda nos preços dos bens primários.

O comunicado ressalta que as economias da América do Sul especializadas em commodities, principalmente petróleo e minérios, e com crescente grau de integração comercial com a China, vão registrar a maior desaceleração.

O organismo recomenda que, para enfrentar a desaceleração econômica, é crucial reverter a queda na taxa de investimento que afeta a capacidade de crescimento no médio e no longo prazo. “Dinamizar os investimentos constitui tarefa fundamental para mudar a atual fase de desaceleração e alcançar um caminho de crescimento sustentável no longo prazo”, concluiu o comunicado.


Fonte: Agência Brasil








É responsabilidade constitucional do governo federal, dos governos estaduais e municipais a elaboração e o encaminhamento ao legislativo do planejamento estratégico governamental. O instrumento é o PPA (Plano Plurianual), agora enviado ao Congresso pelo governo federal, para o período de 2016 a 2019, no qual são definidos objetivos, diretrizes, programas, políticas e ações, bem como as fontes de financiamento e o orçamento que sustentarão o Plano.

O governo fez um amplo processo de consulta e participação social na elaboração do PPA, que já está no Congresso para apreciação pelos parlamentares na Câmara e Senado.

A visão de futuro do País que queremos – um país desenvolvido que promova bem-estar social e qualidade de vida para todos, em equilíbrio com o meio ambiente – exige caminhos que precisarão ser trilhados por meio de transformações econômicas, mudanças políticas e avanços sociais. O PPA 2016-2019 propõe quatro grandes caminhos, denominados eixos estratégicos, que são:

• Educação de qualidade, como caminho para a cidadania e o desenvolvimento social e econômico;

• Inclusão social e redução das desigualdades, com melhor distribuição de oportunidades e mais condições de acesso a bens e serviços públicos de qualidade;

• Ampliação da produtividade e da competitividade da economia, com fundamentos macroeconômicos sólidos, sustentabilidade e ênfase nos investimentos públicos e privados, especialmente em infraestrutura;

• Fortalecimento das instituições públicas, com participação e controle social, transparência e qualidade na gestão.

Esses grandes eixos mobilizadores devem reunir as forças sociais para promover grandes travessias, mudanças que alcem o Brasil à condição de país desenvolvido. Para isso, o PPA detalha inúmeras políticas, ações e objetivos a serem alcançados nos próximos quatro anos.

Há uma questão central para a promoção do desenvolvimento econômico e social, que é aumentar a produtividade do trabalho e de toda a economia. Quatro vetores devem conduzir esse processo:

(a) O aumento do investimento público e privado, especialmente em infraestrutura econômica (estradas, portos, energia, aeroportos etc.), social (creche, escola etc.), urbana (habitação, saneamento, despoluição dos rios, mobilidade etc.) e produtiva (ampliar e modernizar plantas e processos de trabalho);

(b) Aumentar o investimento em educação (básica, profissional e universitária), com foco na qualidade do ensino;

(c) Incentivar e promover a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico, a inovação no chão das empresas, além da difusão entre os setores, dentro de cada setor e entre as empresas e organizações;

(d) Modernizar o Estado, realizando reformas institucionais que simplifiquem e promovam a progressividade tributária, desburocratizem e agilizem a administração pública e as obrigações das empresas e do cidadão, aperfeiçoem a regulação dos mercados, entre outros.

O desafio é aumentar a efetividade de cada uma dessas diretrizes. Para isso, pode concorrer a participação social, propondo medidas, cobrando a implantação das ações e mensurando os resultados. É fundamental também criar compromissos entre os atores sociais com as mudanças, com o debate público e com as difíceis escolhas que esses desafios exigirão.

 

* Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

 

Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira (31/8) os trabalhadores na Mercedes-Benz em São Bernardo encerraram a greve iniciada na última segunda-feira, dia 24.  Por unanimidade, os mais de 7 mil trabalhadores presentes aprovaram a proposta negociada entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a empresa, que inclui a reversão das 1,5 mil demissões anunciadas no dia 7 de agosto e a adesão da fábrica ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE).


Foto: Adonis Guerra/SMABC
Mercedes Benz 31AGO2015 
Metalúrgicos da Mercedes-Benz em assembleia na manhã desta segunda-feira (31)
 

O acordo negociado com a empresa prevê a redução de 20% da jornada de trabalho por nove meses – de 1º de setembro de 2015 a 31 de maio de 2016 – com redução de 10% dos salários para todos os 10 mil trabalhadores da fábrica. Os outros 10% complementares serão financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), conforme determina o programa. O PPE na Mercedes-Benz garantirá aos trabalhadores 12 meses de estabilidade no emprego.

O acordo também prevê o congelamento da tabela salarial até dezembro de 2016 e o reajuste pelo INPC, em 2016, sendo metade incorporado aos salários na data-base (maio) e a outra metade paga em forma de abono, em duas parcelas, no valor total de 3 mil reais.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ressalta a importância da aprovação do acordo. “Foi uma negociação dura que chegou a um resultado final positivo após o esforço conjunto dos trabalhadores, do Sindicato e também da empresa. Revertemos as demissões com o PPE, que é o programa certo para dar conta da situação de crise atual”, afirma.

PPE
A Mercedes é a primeira montadora da base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e da região, a aderir ao programa. É também a primeira do país, no setor automotivo. Na base do Sindicato, outras três empresas já aderiram ao programa, todas do setor de autopeças.

Mobilização
A greve dos metalúrgicos na Mercedes-Benz durou sete dias e foi deflagrada após a demissão de 1,5 mil trabalhadores, anunciadas pela empresa por meio de telegramas. As negociações entre o Sindicato e a montadora foram retomadas na sexta-feira (31), um dia após a manifestação que levou cerca de 10 mil trabalhadores em passeata da fábrica até a Rodovia Anchieta. “A mobilização e, principalmente, a solidariedade dos trabalhadores foram fundamentais. Quem recebeu os telegramas lutou, quem não recebeu lutou também. Foi isso que deu força ao nosso movimento e assegurou a reversão das demissões. É uma grande conquista”, reforça Rafael Marques.


 

Imprensa SEESP
Informações da Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC








A geleira endurecida pingou três gotas de água. É muito pouco, mas, com otimismo, pode prefigurar o degelo. A primeira gota foi a negociação no Congresso sobre a correção do FGTS, cujos resultados, se não produziram de imediato aquilo que é justo e desejável, indicam um caminho temporal para se obter isto.

 

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A segunda gota foi o recuo dos setores financeiros do governo a respeito da não antecipação de parcela do décimo terceiro devido aos aposentados, coisa que vinha sendo feita há nove anos. O impressionante do fato é que o congelamento revelava uma insensibilidade para a vida de milhões de aposentados e pensionistas e uma vocação suicida para as más notícias (inútil, já que o décimo terceiro deverá ser, de qualquer forma, pago no último tostão até o fim do ano).

A terceira gota foi a autorização para que os bancos públicos (ainda bem que os temos) subsidiassem empréstimos às empresas, vinculados à manutenção de empregos. Contra esta violação da regra antipatrimonialista do ministro Levy, os rentistas bem situados na mídia, estrilaram. Mas o presidente do maior grupo bancário privado considerou-a normal e aceita pelo mercado.

As três gotas destiladas da geleira são ainda muito poucas para indicar um degelo iminente. Mas o fogo de barragem dos sindicatos com suas reivindicações justas pode acelerar o derretimento da massa fria de gelo de uma vez.

A geleira é o ajuste fiscal e a orientação rentista no governo; as gotas pingadas são medidas contrárias ao frio recessivo e o fogo de barragem são as ações sindicais e as mobilizações contra a recessão e o arrocho.


Artigo de João Guilhermes Vargas Netto, consultor sindical






Diante da premissa de que qualquer governo no mundo só se movimenta mediante pressão e tendo em vista que não há sinalização de reversão do atual quadro no curto prazo, a diretoria plenária das entidades ligadas à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) decidiu por promover uma grande mobilização denominada “Grito em Defesa da Indústria e do Emprego”, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, na quinta-feira (13/8), a partir das 10h. Acompanhe cobertura da Imprensa SEESP pelo site e redes sociais.


Foto: divulgação
masp divulgacao red



"Não se trata de um ato contra o governo. Vamos fazer um movimento apartidário, convidando as diversas entidades que representam outros setores da indústria de transformação, com o objetivo de chamar a atenção para o que vem ocorrendo com a nossa indústria e clamar por medidas emergenciais que possam contribuir para a retomada da atividade industrial”, destaca Carlos Pastoriza, presidente da ABIMAQ.

O ato contará com a presença de milhares de empresários e trabalhadores, em defesa da indústria e do emprego. “Vamos juntos, trabalhadores e empresários de todo o Brasil, fazer do dia 13 de agosto uma data histórica”, clama Pastoriza.

Este será o primeiro dos vários movimentos de rua que serão realizados em diversas regiões do país.

Manifesto em Defesa da Indústria e do Emprego

O Comitê de Gestão da Crise, após reuniões durante o mês de julho, deliberou pela publicação de um manifesto nos principais jornais do país, para chamar a atenção aos problemas enfrentados pela indústria e pelo fechamento de milhares de postos de trabalho.

O manifesto, que será assinado por entidades patronais e centrais sindicais, vai destacar a recessão que o país se encontra ocasionada por fatores como os juros altos, elevada carga tributária, câmbio valorizado, custo da energia, precários serviços públicos, dentre outros; e a desindustrialização, com o intuito de promover a  defesa da indústria, dos trabalhadores e do Brasil.


Serviço:
Mobilização “Grito em Defesa da Indústria e do Emprego”
Data: 13/08/15
Local de Concentração: Vão Livre do MASP, na Avenida Paulista
Horário: 10h


Fonte: Abimaq




A realização em Lisboa, em junho, do primeiro fórum organizado pela União dos Exportadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) marcou o nascimento de um mercado comum que, apesar de todas as dificuldades que se apresentam para viabilizá-lo, surge como o terceiro maior bloco mundial a nível econômico, levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) de cada parceiro, a população e número de consumidores.  Basta ver que o bloco representa um PIB agregado superior a US$ 2,5 bilhões e mais de um milhão de empresas.

Além dos mercados internos, é de se levar em conta as diferentes regiões econômicas que estão associadas aos nove países-membros da CPLP (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor-Leste), num total de 86 nações, o que equivale a um universo superior a 260 milhões de consumidores para um mercado potencial de 1,8 bilhão de habitantes, o que se traduz em número impensável de negócios.

Esse mercado já existia em potencial, mas faltava um organismo que pudesse viabilizar, estimular e promover esse intercâmbio. E, ao que parece, esse será o papel da União dos Exportadores e da Confederação Empresarial da CPLP, que nasceram depois da primeira reunião de chefes de Estado realizada, em 2014, em Díli, capital do Timor-Leste. Em função desses esforços, acaba de ser constituída oficialmente a União de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da CPLP (UBSIF-CPLP), que representa um passo decisivo para a cooperação financeira entre as nações do bloco.

Entre os países-membros da CPLP, Brasil e Portugal estão num estágio mais avançado de desenvolvimento, enquanto os países africanos e o Timor-Leste, se estão em fase embrionária, apresentam muitos recursos naturais e oferecem igualmente muitas oportunidades. Seja como for, o fato de se poder usar o português como o idioma nos negócios representa uma economia significativa nos custos, o que estimula a competitividade dos produtos.

É de se ressaltar que o fórum realizado em Lisboa permitiu que mais de 1.500 homens de negócios ali reunidos pudessem conhecer a situação empresarial de cada país, suas carências, seu sistema financeiro e jurídico e outras peculiaridades. Além disso, conheceram também os instrumentos que a CPLP criou para ajudá-los a fazer negócios, como, por exemplo, a marca CPLP, que conta com o portal Connect CPLP. Desde então, a marca CPLP começa a servir como um selo de qualidade reconhecido a nível mundial para produtos dos países-membros.

Existe também o Observatório da CPLP, que exibe os projetos de cada Estado-membro e as licitações que serão abertas. Dessa maneira, o sonho de José Aparecido de Oliveira (1929-2007), idealizador e fundador da CPLP à época em que comandava a Embaixada do Brasil em Lisboa entre 1992 e 1994, começa a se tornar realidade.

 

 

* por Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)

 

 

 

 

 

 

 

 

O presidente do sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi Miguel Torres e o assessor de imprensa Jorge Pires visitaram a Folha de S.Paulo.

Esta iniciativa, que deveria ser mais costumeira no movimento sindical, revela a preocupação do dirigente em informar aos meios de comunicação, sempre que possível e das mais diversas formas, o andamento da crise em seu setor, as dificuldades por que passam os trabalhadores representados e as medidas de resistência que o sindicato anda tomando.

Há, no gesto, o repúdio ao “escondimento” dos problemas e uma clara opção pela transparência.

Recentemente foi publicado que o presidente Miguel havia se reunido junto com outros dirigentes com o ex-presidente Lula e que pretende se reunir com o ex-presidente Fernando Henrique logo que ele retorne de suas férias no exterior. Aqui a preocupação, além das mencionadas na visita à Folha, é a de articular uma ampla frente em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores, contra a desindustrialização, em particular do ramo metalúrgico bastante afetado pela crise e pelo ajuste econômico, mas não só de agora.

Posso dar o testemunho que o presidente Miguel, em suas funções também na Força Sindical e na confederação dos Metalúrgicos, tem sido incansável na defesa da unidade de ação das centrais e do movimento sindical.

Em sua base tem realizado um trabalho de mobilização, junto com os diretores da entidade, atendendo às exigências dos trabalhadores e buscando para eles as melhores soluções, em geral, procurando preservar empregos e defender, com a queda dos escorchantes juros a própria atividade das empresas.

Não considero o Miguel um dirigente melhor que outros; considero apenas que está fazendo o que deve ser feito como dirigente sindical e sem politiquices.

 

 

* Por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

MiltonLourenço2 JULAté há pouco tempo, quando se tinha de pedir maiores esforços do governo para ajudar na inserção do Brasil no comércio internacional, costumava-se argumentar que uma economia considerada a sétima maior do mundo em Produto Interno Bruto (PIB) não podia se contentar com uma participação de pouco mais de 1% em tudo o que se vende e compra no planeta. Pois bem, a partir de 2016, esse argumento terá de ser revisto porque, provavelmente, essa participação será inferior a 1%, o que é lamentável porque, em 2011, esse índice chegou a 1,41%.

Segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações deverão fechar 2015 com queda de 15% em relação a 2014, alcançando US$ 191,3 bilhões, enquanto as importações deverão cair 20%, somando US$ 183,2 bilhões. Prevê-se, portanto, um superávit de US$ 8 bilhões contra um déficit de US$ 3,9 bilhões em 2014, o que, a princípio, seria motivo de comemoração, mas é preciso ver que esse saldo favorável não será gerado pelo crescimento das vendas externas.

A situação só não é pior porque o agronegócio brasileiro vai bem. Basta ver que os dez principais produtos de exportação sãocommodities. Só o 11º produto é manufaturado (aviões), ou seja, um produto de maior valor agregado, que estimula a cadeia produtiva e gera empregos. Hoje, China, Estados Unidos, Países Baixos, Alemanha e Rússia representam 53% das exportações do Brasil, importando principalmente soja, carnes, café, produtos florestais e fumo.

Só que desde o começo do ano os preços das commodities só fazem cair porque muitos dos principais compradores estão crescendo menos e reduzindo as importações. Com os preços das commodities em queda, o baixo crescimento do Brasil e da América Latina só tende a se prolongar indefinidamente. Como o País não cresce, também não importa bens de capital nem bens intermediários para a produção. E isso resulta no sucateamento do seu parque industrial.

A esperança é que a melhoria da taxa de câmbio ajude nas vendas de manufaturados, principalmente para os Estados Unidos. Aliás, a previsão da AEB é que as exportações de manufaturados tenham um aumento de 5,94% até o final do ano, como resultado da política de reaproximação com os Estados Unidos iniciada em janeiro com o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, depois de mais de doze anos de desconfianças e retaliações veladas de parte a parte. Só resta esperar.

* por Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)








O livro “Inserção Externa, Crescimento e Padrões de Consumo na Economia Brasileira” reúne elementos importantes para aprofundar o debate sobre o momento do desenvolvimento brasileiro. No ciclo de crescimento da última década, houve forte expansão do consumo das famílias, em particular daquelas cuja renda principal deriva-se de ocupações com remuneração direta ou indiretamente afetada pelo salário mínimo. O padrão de desenvolvimento que se afirmou possui, entretanto, alguns limites críticos ao seu prosseguimento, que se manifestam pelo baixo nível de investimento e crescente déficit nas transações correntes do balanço de pagamento.

A análise desta evolução constitui o principal objetivo do esforço de pesquisa empreendido pelo professor Carlos Aguiar de Medeiros, que buscou compreender não apenas as articulações entre o consumo das famílias e a estrutura da oferta que se afirmaram na economia brasileira na primeira década do século XXI, mas também situar a experiência brasileira em seu contexto histórico e compará-la com outros padrões de crescimento que se afirmaram contemporaneamente nas economias em desenvolvimento.

No primeiro capítulo, o autor disseca as conexões apresentadas na literatura keynesiana-estruturalista entre distribuição, crescimento e mudança estrutural. Dentro do princípio de que os consumidores aplicam as proporções de seus gastos em bens e poupança, em função da renda. A partir da crítica a essa literatura e das experiências de crescimento econômico observadas em países em desenvolvimento selecionados, examina as relações entre distribuição, crescimento, estrutura produtiva e exportações, considerando a expansão das cadeias produtivas, particularmente na Ásia, e dos países exportadores de recursos naturais.

No segundo capítulo, o professor busca discutir algumas evidências sobre o processo de expansão e mudanças no padrão de consumo das famílias brasileiras na primeira década do século XXI. Mostra que a redução da pobreza, o aumento real do salário mínimo e do emprego assalariado formal, o crescimento do número de famílias no estrato médio da renda e a expansão do crédito ao consumidor ampliaram o tamanho dos mercados de bens correntes e duráveis de consumo, dos serviços modernos e do lazer.

Padrão de consumo e crescimento
No terceiro capítulo, Medeiros examina o efeito do salário mínimo sobre o emprego formal, a taxa de salários e a distribuição de renda do trabalho no processo de redução da pobreza e das desigualdades nas rendas do trabalho ocorridas na primeira década do século XXI na economia brasileira.

No quarto capítulo, o autor detalha a articulação entre o novo padrão de consumo com a oferta doméstica e as importações. Examina a evolução da estrutura da oferta em conexão com o comportamento da demanda das famílias. O autor procura evidenciar a composição setorial decorrente da expansão e do padrão de consumo dos estratos de renda da maioria da população brasileira.

No quinto capítulo, Carlos Aguiar de Medeiros salienta as interações entre crescimento, padrões de consumo e importações – sintetizando as transformações estruturais ocorridas na economia brasileira na primeira década do milênio – e delineia possíveis estratégias a serem implementadas a fim de avançar o desenvolvimento econômico do país. A expansão do mercado interno, dinamizado pelo consumo dos assalariados na base da pirâmide ocupacional e pela redução da pobreza, desencadeou um processo de desconcentração de renda em uma sociedade extremamente desigual e caracterizada por insuficiente e assimétrica provisão de serviços públicos.
 

* Acesse aqui o livro “Inserção Externa, Crescimento e Padrões de Consumo na Economia Brasileira”



Fonte: Ipea









Os números de 2014 continuam a mostrar o fraco desempenho do comércio exterior brasileiro, resultado de uma política industrial adotada nos últimos 12 anos que precisa ser revista urgentemente. Caso contrário, o País corre o risco de entrar numa situação irreversível de degeneração econômica, que pode trazer consequências sociais imprevisíveis.

A título de exemplo, pode-se lembrar que, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de automóveis recuaram 41,8% em comparação com 2013. Houve uma queda de 15,3% na produção e de 7,1% nas vendas, ainda que o governo tenha contemplado o setor com uma redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Como o mercado interno não apresenta a capacidade de absorção de outros anos e a Argentina passa por uma situação crítica, as perspectivas não são animadoras. Resultado: a indústria automotiva está com uma capacidade de produção superior à demanda que os mercados interno e externo podem oferecer.

No setor de máquinas agrícolas, o panorama não é diferente. De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 2014, o mercado doméstico absorveu 68,5 mil unidades, o que representou uma queda de 17,4% em relação a 2013. A entidade atribui a retração ao fato de o governo ter restringido as regras da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a compra de máquinas agrícolas pelas pequenas e médias empresas. Além disso, a crise argentina contribuiu para a queda nas exportações: 13,4 mil unidades vendidas em 2014 contra 15,6 mil em 2013, um recuo de 12,2%.

Essa falta de apoio às pequenas e médias empresas também se reflete nas exportações de uma forma geral. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que as pequenas exportadoras representam apenas 1% do volume exportado, embora em número cheguem a 62% do total. Essa participação só poderá aumentar se houver maiores facilidades de acesso às linhas de crédito, além de uma redução das garantias exigidas pelos bancos para financiamento.

Numa demonstração clara de reconhecimento dos males provocados pela cegueira ideológica que caracterizou os últimos três governos, a presidente Dilma Rousseff já acertou uma visita a Washington em 2015 com o objetivo de “reabrir” o maior mercado do planeta aos produtos brasileiros. Isso poderá beneficiar especialmente o segmento de manufaturados menos sofisticados, que vêm exportando cada vez mais. É de lembrar que, em 2014, os Estados Unidos passaram a ocupar, pela primeira vez, desde 2009, o lugar de principal destino das exportações brasileiras de manufaturados.

Já os manufaturados com maior valor agregado têm dificuldades para encontrar mercado, principalmente em razão de sua falta de competitividade, como reconheceu o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, ao lembrar que em 30 anos a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 25% para 14%. Talvez para não causar constrangimentos, evitou fazer a mesma avaliação em relação aos últimos 12 anos.



* por Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)










O técnico do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, defende que é agora, após o período eleitoral, o foco do governo deve ser na recuperação da capacidade de investimento no País, tanto do Estado, quanto da iniciativa privada. Assista a entrevista na íntegra concedida ao JE na TV desta semana.

Segundo Ganz, ao contrário do que ocorreu na Europa, onde os governos implantaram políticas econômicas ortodoxas, cujos resultados foram desemprego, arrocho salarial e perda de direitos, o Brasil fez o caminho oposto, apostando numa política expansionista que significou o aquecimento do mercado interno, gerando emprego, salário e crédito.

"Fizemos uma política de expansão do Estado visando ampliar o investimento e preservar o emrpego. Na nossa visão uma política correta porque preservou dois terços da nossa capacidade de crescimento que é preservar mercado interno", disse, lembrando que mercado interno compreende: emprego, salário, crédito e o Estado consumindo, realizando investimentos.

Ele observa que este momento é o mais adequado para recuperar essa capacidade de investimento do Estado, já com perspectiva de longo prazo. Além disso, é preciso estudar formas de recuperar o setor privado para que o mesmo volte a investir em projetos de longo prazo. "O Brasil precisa arregimentar o investimento privado que no último ano e meio, por conta da crise internacional e do próprio processo eleitoral, colocou o pé no freio", acrescenta.


Assista a íntegra da entrevista:




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A irrupção da maior crise de dimensão internacional no final de 2008 desde a Grande Depressão de 1929 interrompeu o início do mais longo ciclo de expansão dos investimentos no Brasil após a década de 1970. Em 2009, por exemplo, os investimentos como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) foram reduzidos em 9,9%, após o ritmo de crescimento quase três vezes superior à expansão da produção nacional iniciada em 2004. Se diante da grave crise internacional de 2008, o Brasil tivesse optado por repetir o receituário governamental similar ao adotado durante a crise financeira de 1998 (de menor proporção), o comportamento econômico e social nacional teria sido bem diverso daquele que realmente foi constatado em 2009.

Ao invés da situação de relativa estagnação da produção nacional no ano passado (variação negativa de 0,2% em relação a 2008), o Brasil teria passado, provavelmente, por uma profunda recessão econômica, ao redor dos -5%. Isso porque em 1998, o país encontrava-se iludido pela perspectiva da ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas), o que implicava, entre outras coisas, a maior concentração das exportações nacionais nos países ricos. Ou seja, o Brasil seguiria na mesma direção do México que em 2009 registrou mais de 80% do seu comércio externo com os Estados Unidos.

Com a crise de 2008, cujo epicentro se deu nos países ricos, a forte queda nas exportações mexicanas para os Estados Unidos propulsionou ainda maior recessão econômica, próxima de 7% no ano passado. O Brasil, contudo, mudou a sua trajetória externa desde 2003, o que permitiu diversificar parceiros comerciais e reduzir o peso relativo dos países ricos nas exportações, que caiu de mais de 2/3 para menos de 50%, atualmente.

Mesmo com a diminuição das exportações de bens e serviços em 10,3% em 2009 enquanto componente da demanda agregada, observa-se que o seu impacto terminou sendo relativamente mitigado pelo avanço do comércio exterior com nações do âmbito sul-sul. Da mesma forma, nota-se que na crise financeira de 1998, a concepção governamental prevalecente era a de que o Estado se constituía na parte principal dos problemas da época.

Por isso, as opções de política econômica e social entre 1998 e 1999 se concentraram adicionalmente na asfixia do setor público, por meio da contenção de gastos de custeio e investimento, bem como da elevação da carga tributária em relação ao PIB (em 4,5%) como forma de financiar o pagamento adicional dos encargos do endividamento público originados pelo brutal aumento da taxa de juros em 136,8% (de 19% para 45%).

Nessas circunstâncias, as empresas e bancos públicos foram ainda mais estranguladas, com o corte de 16,6 mil funcionários públicos federais, enquanto a política social seguiu contrária a sua ação compensatória sobre os efeitos da crise. O tranco econômico e a amordaça do Estado resultaram em elevação do desemprego e da taxa de pobreza, que passou de 49,7%, em 1998, para 53,5% dos brasileiros (aumento de 7,6%).

Na grave crise internacional de 2008, a concepção governamental predominante foi outra. Ou seja, o Estado seria parte fundamental da solução dos problemas. Em função disso, os procedimentos adotados foram completamente diferentes dos perseguidos há 10 anos.

Coube ao Estado atuar estratégica e ativamente na adoção de medidas que permitissem reduzir a carga tributária em 1,6% (de 34,8% do PIB, em 2008, para 34,3%, em 2009), sem contração das despesas públicas fundamentais diante da diminuição dos gastos financeiros possibilitada pela prévia queda na taxa de juros em 36,4% (de 13,7%, em 2008, para 8,75%, em 2009).

Ademais, coube o imediato reforço das empresas e bancos públicos, com a garantia de recursos adicionais para ampliação do orçamento do BNDES, bem como do reposicionamento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil que atuaram de forma anticíclica diante do encolhimento do crédito nos bancos privados. Com isso, o conjunto das operações de crédito do sistema financeiro nacional não foi reduzido em relação ao PIB, conforme a queda de 4,3% verificada em 1999 (de 28,1% do PIB, em 1998, para 26,8%, em 1999).

Também as empresas públicas como Eletrobras e Petrobras deram sequência ao planejamento de maior prazo reavivado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que desde 2007 focou na ampliação dos investimentos, sobretudo, em energia e infraestrutura nacional e, mais recentemente, em habitação popular.

Para além do importante papel das decisões governamentais inovadoras na economia, convém destacar a ousadia nas políticas de renda adotas na última crise internacional. De um lado, a elevação do valor real do salário mínimo em 5,8% no ano de 2009, contra apenas 0,7% em 1999. Por consequência, o impacto favorável para os beneficiários das políticas sociais (aposentados e pensionistas da Previdência Social), bem como para os brasileiros que tiveram ampliados o valor do benefício e a quantidade de atendidos pelo programa Bolsa Família e pelos receptores do Seguro Desemprego ao longo de 2009.

Por força disso, as famílias agregaram, em média, 2,8 mil reais em 2009 (acréscimo no consumo das famílias em 160 bilhões de reais). Idêntico procedimento anticíclico não se verificou por parte do governo há dez anos. De outro lado, percebe-se que a orientação governamental em defesa da produção doméstica correspondeu ao maior estímulo à geração de empregos formais (saldo líquido de quase um milhão de novas vagas em 2009, contra redução de 190 mil postos de trabalho em 1999), bem como a contenção mais rápida do próprio desemprego.

Diante disso, o Brasil entrou mais tarde e desvencilhou-se mais cedo da contaminação da crise internacional. A pobreza encolheu, uma vez que mais de 500 mil brasileiros abandonaram essa situação nas regiões metropolitanas, enquanto a desigualdade de renda do trabalho caiu 0,4%. Até a inflação não subiu, mesmo com a desvalorização cambial ocorrida em função da crise, pois terminou regredindo de 5,9%, em 2008, para 4,3%, em 2009. Na época da crise financeira de 1998 e 1999, a taxa de inflação subiu de 1,7% para 8,9%.

Sem a crise de 2008, o Brasil possivelmente não precisaria ter tomado medidas ousadas, que terminaram por solapar a lógica do tratamento da recessão econômica por meio das receitas neoliberais. É por isso que 2009 se tornou o ano da virada que consolida outro caminho de desenvolvimento que não seja a reprodução do passado.

 

* por Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Artigo publicado no site da Rede Brasil Atual








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