GRCS

07/08/2017

O protagonismo do campo na economia brasileira

Em mais um evento do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, a FNE realizou, em conjunto com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), o seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, na manhã do dia 4 de agosto último, na capital paulista, na sede do sindicato dos engenheiros (Seesp).


Fotos: Beatriz Arruda
Murilo Pinheiro, na tribuna, destaca importância dos avanços do meio rural à economia do País.

O coordenador do projeto, Fernando Palmezan, à mesa de abertura, salientou a importância da agricultura para a economia do País, dizendo que se deve aproveitar a expertise alcançada no setor para outras atividades econômicas. “O perfil dos nossos eventos tem dado impulso aos grandes debates nacionais, no sentido de avançarmos em diversos processos que signifiquem desenvolvimento e a valorização dos nossos profissionais.”

O consultor sindical João Guilherme Vargas Netto enfatizou que a grande contribuição do “Cresce Brasil” e da FNE e seus sindicatos filiados, a despeito de todos os problemas estruturais e conjunturais atuais do País na economia e na política, “é mostrar que há possibilidade de se conseguir convergências e aproximações por pontos comuns que façam avançar a nossa realidade”. Nesse sentido, Vargas Netto disse que o movimento Engenharia Unida – lançado em 2016 pela federação – cumpre o papel de aglutinar todas as engenharias num campo amplo e democrático com esse foco. “Estamos peneirando as ideias para que fiquem as melhores em nome da sociedade brasileira”, exortou.

A coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação do município de São Paulo, Patrícia Panaro, que também participou da mesa de abertura, agradeceu o convite para participar de atividade de suma importância à pasta, já que a capital paulista, informou, é responsável por 2,2 milhões de refeições diárias nas escolas da rede municipal, “somos o maior restaurante do País”.

Agricultura que salva
O secretário estadual da Agricultura, Arnaldo Jardim, fez uma importante explanação do que é a agricultura hoje não só para o estado, mas para a economia nacional. “Sem ela, não conseguiríamos sobreviver numa conjuntura tão adversa de quase quatro anos de recessão econômica e 14 milhões de desempregados.” Jardim observou que a crise seria maior sem o desempenho tão promissor e positivo da agricultura, apresentando números: “A nossa economia diminuiu, em média, nos últimos três anos, 3% ao ano; sem a agricultura, essa queda seria de 10%.”

O secretário citou o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Yoshiaki Nakano, que aponta que o Brasil sempre pensou a indústria como grande indutor de ciclos econômicos, por três fatores básicos: poder de grande acúmulo de capital, impactar os outros setores da economia e ter capacidade de inovação. “Sempre pensamos assim, e o Brasil teve períodos virtuosos nesse sentido, especificamente nas décadas de 1940 e 1970, quando tivemos uma dinâmica industrial forte.” Todavia, prosseguiu Jardim e ainda citando o especialista da FGV, “o novo ciclo da economia terá muito mais condições de ser puxado pelo setor agropecuário, porque ele reúne, hoje, o acúmulo de capital, ainda basicamente nacional, e demanda logística, estrutura para as nossas fronteiras agrícolas e de armazenagem e logística de escoamento”. Ele arrematou: “É um momento novo ter o campo protagonista da nossa economia.”

Para acompanhar essa virtuosidade, como aposta o secretário, o Estado de São Paulo se prepara em quatro questões cruciais: a agricultura sustentável, onde se deve conciliar produção e preservação; diversidade fundiária e de cultura, fazer a convivência da agricultura de escala com a familiar ou do pequeno e médio agricultor; a inovação, uma preocupação permanente que tem ensejado a criação de núcleos de inovação; e garantir a alimentação saudável.

Concluindo os trabalhos iniciais, Murilo Pinheiro, como presidente da FNE, mostrou que é possível o País superar todas as dificuldades atuais, optando por unir esforços e discutir seriamente o “Brasil que queremos, deixando de lado as vaidades pessoais”. E prosseguiu: “Temos de aproveitar os anos de dificuldades para refletir e entender como intervir mais positivamente. Precisamos exercitar a nossa cidadania, acompanhando o que acontece e fazendo a melhor política. Discutir um Brasil com conhecimento e crescimento.” E finalizou: “Nesse horizonte está, sem dúvida nenhuma, a agricultura, que hoje nos oferece bons exemplos de desenvolvimento.”

Após a abertura, e ainda na parte da manhã, foi realizada a mesa-redonda “"Produção e cadeia de valor" com Paulo E. Cruvinel, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA); e Luiz Antonio Pinazza, consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). No período da tarde, a discussão seria em torno da "Tecnologia na produção de alimentos" com Luís Fernando Ceribelli Madi, diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); e Thiago Guilherme Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com a coordenação de Orlando Melode Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

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