GRCS

Fonte: Unicamp

O futuro da indústria brasileira frente ao avanço tecnológico acaba de ser delineado por estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Campinhas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). A iniciativa, denominada Projeto Indústria 2027, avaliou os impactos de oito tecnologias disruptivas em dez sistemas produtivos, no horizonte de cinco e dez anos. Além de descortinar esse horizonte, o documento traz recomendações às empresas para ampliarem a sua competitividade a partir das vantagens proporcionadas pela inovação. “Esse projeto é um bom exemplo de como a aproximação entre a academia e o setor produtivo pode gerar resultados que contribuam para o desenvolvimento do país”, avalia o professor Mariano Laplane, titular da Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri) e coordenador do estudo no âmbito da Unicamp.



Foto: Divulgação Unicamp

linha de montagem honda em Sumare SP foto unicampLinha de montagem Honda, em Sumaré (SP)

 

 

Os detalhes do Projeto Indústria 2027, que foi desenvolvido ao longo de 14 meses e contou com a coordenação-geral do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor colaborador aposentado do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, Luciano Coutinho, foram divulgados na quinta-feira (24/5) pela CNI. Em linhas gerais, o documento, construído pelo esforço de 75 pesquisadores, considera que o setor industrial enfrentará importantes desafios pela frente, mas também terá boas oportunidades para crescer no período analisado. “O Brasil pode e deve pensar em construir o futuro da indústria com ambição, além de ter visão de longo prazo”, entende Luciano Coutinho. “Investir na capacitação de pessoas e de empresas, além de ações por meio de programas e instrumentos coordenados, monitorados e sintonizados às empresas são alguns dos direcionamentos para avançarmos”, acrescenta.

A diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do IEL, Gianna Sagazio, elogia o trabalho realizado por Unicamp e UFRJ e destaca a importância do estudo para orientar o planejamento estratégico das empresas. “O Projeto Indústria 2027 desenhou um cenário até então desconhecido para a indústria brasileira. A disrupção está em curso, mudando modelos de negócio, a forma de produzir, os produtos produzidos. É um novo peso, de influência crescente, na competitividade das empresas e, consequentemente, dos países. Por isso, essa iniciativa da CNI e do IEL é tão importante. É uma contribuição valorosa ao desenho de estratégias nacionais e corporativas para nos direcionarmos rumo ao desenvolvimento”.

Ainda segundo a executiva, construir essa perspectiva e avaliar a capacidade de resposta do Brasil “somente foi possível porque contamos com duas das melhores universidades do país - a UFRJ e a Unicamp - no projeto, além do engajamento das lideranças empresariais da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). O projeto buscou, e conseguiu, aproximar indústria e academia para entender a transformação digital pela qual passamos”.


Mariano Laplane explica que o estudo reuniu dois grupos de pesquisadores das duas universidades: um especializado em pesquisa e inovação e outro nos setores industriais. Os primeiros analisaram quais tecnologias trarão impactos significativos para a indústria ao longo da próxima década. Os segundos fizeram uma avaliação do atual estágio da produção e qual a capacidade dos segmentos de incorporar tecnologias disruptivas. “Depois, fizemos o cruzamento das avaliações. Para chegarmos às conclusões contidas no estudo, nós também promovemos várias rodadas de discussão, entrevistamos centenas de empresários e consultamos especialistas do exterior, por meio de parcerias com a Universidade de Cambridge e com a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] em Paris”, detalha.


De acordo com o coordenador do Projeto Indústria 2027 na Unicamp, a mensagem que emergiu desse esforço de investigação foi que tanto no plano doméstico quanto no internacional as novas tecnologias trarão grande impacto para o desenvolvimento industrial. “Entretanto, segundo os especialistas, a incorporação da inovação por parte das empresas não ocorrerá naturalmente. Há uma série de obstáculos a serem superados, tanto dentro quanto fora das corporações.  No âmbito das empresas, há a questão, por exemplo, da adaptação da produção às novas tecnologias. No âmbito da sociedade, há questões fundamentais a serem discutidas, como a segurança cibernética e a privacidade dos cidadãos no mundo digital”, pondera.

O cenário desenhado pelo estudo, reafirma Mariano Laplane, abre inúmeras oportunidades para a indústria brasileira, mas é preciso saber aproveitá-las. “Temos que estar preparados, pois essas oportunidades serão rapidamente capturadas. Do contrário, teremos que pagar royalties pelo uso de determinadas tecnologias. Nunca é demais lembrar que o Brasil possui atributos muito positivos, como biodiversidade, clima, população ainda jovem e um enorme mercado interno. Temos condições de sermos originais, de sermos criativos. Não temos capacidade de liderar esse processo, visto que enfrentamos um momento importante de fragilidade política e econômica, mas podemos participar do jogo”, pontua o docente.

Uma boa maneira de se empregar as novas tecnologias, afirma Mariano Laplane, é aplicá-las na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, por meio da qualificação de setores como educação, saúde, segurança e transporte. “Obviamente, a sociedade terá que participar desse processo e manifestar o seu desejo. O governo, por seu turno, terá que agir e incluir essas questões na sua agenda. Nunca é demais lembrar que o mundo passou por três revoluções industriais. Estas não somente transformaram os modos de produção, mas também mudaram comportamentos e modos de vida”, finaliza.

Continue lendo a matéria neste link.





Do Jornal da USP

Dentre a profusão de diferentes povos, culturas e etnias que deixaram suas terras natais e tiveram o Brasil como destino no decorrer da história, uma população a que se deu até aqui pouca atenção é a dos imigrantes espanhóis. É com o estudo dessa parcela, mais especificamente a que veio para São Paulo, que se ocupa a pesquisadora Marília Dalva Klaumann Cánovas, cuja tese de pós-doutorado acaba de ser publicada pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), no livro "Santos e imigração na belle époque".


Santos EspanhaEstação na Estrada de Ferro em Santos – Foto: Reprodução/Santos e imigração na belle époque.

Marília é mestre e doutora em História Social e pós-doutora em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da mesma instituição de ensino. Essa obra é continuação de suas pesquisas de mestrado e doutorado - com foco, respectivamente, na presença espanhola no núcleo cafeeiro do oeste paulista e na capital do Estado, ambas também publicadas, a segunda pela Edusp -, agora debruçando-se sobre a mais importante cidade portuária do Brasil.

Por suas investigações anteriores, a autora já conhecia a escassez de estudos e a dificuldade para encontrar fontes documentais sobre o assunto. Apesar disso, Marília traz nesse livro uma pesquisa minuciosa acerca de diversos aspectos da história e da vida dos imigrantes espanhóis em Santos. Para isso, baseou-se em acervos de documentos, alguns deles inéditos, como os Libros de Inscripción de Súbditos Españoles, pertencentes ao Consulado Espanhol, o periódico editado em São Paulo El Diario Español, processos de expulsão de estrangeiros do Ministério da Justiça, fontes oficiais e relatos biográficos de imigrantes.

Com esse extenso conjunto de informações, a pesquisadora revela detalhes sobre a origem e porcentuais de gênero e idade do grupo, além de sua inserção no mercado de trabalho (em funções como as de estivadores, operários da construção civil e dos transportes, condutores de cargas, carros e bondes, tipógrafos etc.) e particularidades de seu cotidiano. Além disso, descreve vários exemplos de personagens.

Aliado a uma série de fotografias da época, imagens de documentos, tabelas, dados e até poemas, o texto de Marília Cánovas permite visualizar a experiência migratória dos espanhóis em Santos na belle époque (entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX), com a modernidade e o cosmopolitismo do período ao lado de paradoxos sociais na cidade. Nas palavras da própria autora na apresentação do livro, a obra contribui para a “historiografia do expressivo caleidoscópio étnico que, naquela quadra histórica, compôs a paisagem paulista, auxiliando-nos, igualmente, a refletir sobre o singular processo de formação da sociedade brasileira”.

>> Santos e imigração na belle époque, Marília Dalva Klaumann Cánovas, Edusp, R$ 60,00.

 

* Universidade de São Paulo

 

{backbuttton}

Comunicação SEESP*

Através da queima superficial de papelão, realizada em pesquisa do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), foi descoberta a base para produzir um sensor portátil empregado em análises químicas, com custo de fabricação até 300 vezes menor dos dispositivos existentes no mercado. A queima cria na superfície do papelão um filme de carbono com capacidade de identificar diversas substâncias como o ácido ascórbio, usado nas indústrias alimentícia e farmacêutica, e o ácido pírico, presente em explosivos.

O método desenvolvido na pesquisa utiliza um laser para realizar a queima superficial do papelão, produzindo um filme de carbono condutor que pode ser utilizado como sensor eletroquímico. “O papelão contém celulose, que é uma fonte acessível de carbono”, conta o professor coordenador da pesquisa, Thiago Paixão. A aplicação do sensor, segundo o professor, tem grande potencial para a indústria alimentícia que controla, por exemplo, a acidez de bebidas.

 


Imagem: USP/ foto cedida pelo pesquisador
Sensor de papelão USP
Modelo do sensor químico feito a partir da queima superficial de papelão.

 

 

“Uma amostra líquida do material estudado é colocada sobre a superfície do dispositivo. No caso dos explosivos, esses seriam dissolvidos em um solvente ou água, e depois colocados no sensor”, esclarece Paixão. Ele explica que o funcionamento do sensor é baseado na medição de correntes elétricas em reação ao contato com a superfície queimada do papelão, após a oxidação ou redução dos compostos aplicados.

A resposta do dispositivo de carbono foi estável, demonstrando que pode ser reprodutível, ou seja, todos funcionarão da mesma forma. O método de fabricação representa uma redução de custo expressiva, cerca de 300 vezes menor em comparação com os métodos comerciais existentes. O pesquisador estima que a produção dos sensores disponíveis no mercado custe entre R$ 2 mil e R$ 2, 5 mil, para um lote de 75 unidades. “Como o laser usado para queimar o papelão já é utilizado em indústrias, e uma folha de papelão A3 (29 por 42 centímetros) é vendida por cerca de R$ 5,00, o custo de produção do dispositivo por unidade seria de apenas alguns centavos”, observa Paixão.

Para ele, o grande diferencial do invento é a possibilidade de fabricação de forma bastante barata e sem a necessidade de “adicionar reagentes químicos, ou controlar a atmosfera de fabricação”. O professor compara: “só precisaríamos do papelão e do laser para fabricar o sensor. Esse procedimento é muito diferente do que já é feito hoje, com muitos reagentes químicos utilizados na produção de dispositivos equivalentes”.

artigo sobre o dispositivo foi aceito para publicação na revista alemã Angewandte Chemie, no último dia 5 de outubro. Saiba mais em: https://goo.gl/vKt4bV

 

 

 

*Com informações do Jornal da Universidade de São Paulo (USP) e Thiago Paixão.

 

 

Da Fapesp*

 

Foi assinado, em 4 de setembro último, decreto que regulamenta a Lei federal 10.973 – a Lei de Inovação Tecnológica – e a Lei Complementar 1.049 (Lei Paulista de Inovação), além de outras medidas da política estadual de ciência, tecnologia e inovação. O decreto será publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo nos próximos dias. A nova norma também regulamenta as parcerias entre instituições de pesquisa do Estado de São Paulo com empresas para realização de pesquisa voltada à inovação e tem como um dos objetivos proporcionar maior segurança jurídica aos pesquisadores de instituições de pesquisa do Estado ao estabelecer parcerias de P&D com o setor privado.

As novas propostas foram elaboradas ao longo dos últimos sete meses por um grupo de trabalho formado por 14 especialistas e representantes das Instituições Científicas e Tecnológicas do Estado (ICTESPs), e apresentadas durante reunião do Conselho das Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo (Consip). Integrou o grupo de trabalho um representante da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o diretor administrativo Fernando Menezes, que participou na condição de membro designado.

O decreto permite que pesquisadores tenham participação nos ganhos econômicos dos licenciamentos de tecnologias e que tenham a possibilidade de se licenciar para constituir empresas ou prestar consultoria técnico-científica, por exemplo.

No novo sistema, está prevista a dispensa de licitação para compra de insumos para projetos de pesquisa científica e tecnológica e a possibilidade de as universidades e instituições de pesquisa compartilharem o uso de laboratórios, equipamentos e demais instalações com empresas para a realização de pesquisa, de acordo com Yolanda Silvestre, secretária executiva do Consip durante o evento.

Leis de inovação
Aprovada em 2 de dezembro de 2004 e regulamentada em 11 de outubro de 2005, a Lei de Inovação Tecnológica (Lei federal nº 10.973) foi estabelecida com o objetivo de criar medidas de estímulo à inovação e à pesquisa e desenvolvimento no setor produtivo, com o intuito de estimular a autonomia tecnológica e o desenvolvimento industrial do país.

A fim de atingir esse objetivo, a lei está organizada em três eixos: a constituição de ambiente propício a parcerias estratégicas entre universidades, institutos tecnológicos e empresas; o estimulo à participação de institutos de ciência e tecnologia no processo de inovação e o estímulo à inovação na empresa.

A lei faculta às instituições de ciência e tecnologia (ICTs) celebrar contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento de patentes de sua propriedade, prestar serviços de consultoria especializada em atividades desenvolvidas no âmbito do setor produtivo e determina que cada ICT constitua um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) próprio ou em parceria com outras ICTs, para gerir a política de inovação e, em especial, a política de propriedade intelectual e a transferência de tecnologia.

 

* Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

 

 

 

Nos dias 19 e 20 de junho último, foram apresentados e discutidos os resultados dos projetos do programa de pesquisa sobre mudanças climáticas globais, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Um desses é o projeto bilateral envolvendo a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a The Ohio State University (OSU).

O projeto bilateral tem como objetivo geral avaliar como as mudanças climáticas, sobretudo o aquecimento e acidificação oceânica costeira, afetarão os organismos costeiros, tendo como organismo modelo os caranguejos conhecidos como violinistas ou chama-maré. Esses crustáceos possuem ampla distribuição e densidade em áreas estuarinas, sobretudo nas regiões tropicais e subtropicais. Em sua fase adulta eles são estritamentes estuarinos, enquanto na fase larval se desenvolvem em oceano aberto, alcançando mais de 25km da Costa até retornar novamente para o estuário ao completar seu desenvolvimento. Devido a esses fatores, os caranguejos chama-maré se tornam bons modelos para o entendimento dos futuros e atuais efeitos das mudanças climáticas em animais costeiros e marinhos.

Mais especificamente serão avaliados os efeitos da redução do pH e aumento da temperatura nas duas primeiras fases larvais dos caranguejos chama-maré, Zoea I e II. Para isso, experimentos laboratoriais com diversas respostas morfólogicas, comportamentais e fisiólogicas a esses estressores estão sendo realizados. Um segundo objetivo será a avaliação dos parâmetros físico-químicos da área em que as larvas permanecem durante o seu desenvolvimento, ao qual vem sendo realizado por meio de cruzeiros marítimos para mensuração de temperatura, salinidade e pH, além da coleta de zooplâncton, em zonas próximas (1 km) e afastadas (> 25km) do Estuário de Santos (SP).

Por fim, objetivamos aumentar a qualidade das predições de pH e temperatura em nossa área de estudo. Para isso, utilizaremos simulações numéricas do clima futuro com modelos climáticos regionais e técnicas estatísticas downscaling para gerar predições locais baseadas nos modelos climáticos globais. Esses resultados serão posteriormente comparados com os dados obtidos em campo através dos cruzeiros.

Em suma, o projeto conta com observações de parâmetros físico-químicos, experimentos laboratoriais e redução de escala regional das previsões climáticas futuras para compreender e predizer como esses organismos corresponderão a essas mudanças ambientais.

 

 

Reprodução de notícia publicada pela Unesp Agência de Notícias (UnAN)
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

As fabricantes de aviões comerciais têm sido pressionadas a reduzir o ruído gerado por suas aeronaves de modo a diminuir o incômodo e os impactos à saúde de pessoas que vivem próximas de aeroportos.

A fim de atender às rigorosas normas internacionais criadas para regulamentar essa questão, empresas como a Boeing, a Airbus, a Embraer e a Bombardier têm feito pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento com o intuito de identificar e minimizar as fontes de ruído dos aviões que projetam para torná-los mais silenciosos.

Um grupo de pesquisadores do Laboratório de Ciências Aeronáuticas da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM-Unicamp) acaba de dar uma contribuição para que a indústria aeronáutica possa atingir esse objetivo.

Em parceria com engenheiros da Boeing dos Estados Unidos e do Brasil, os pesquisadores simularam computacionalmente o escoamento turbulento (quando as partículas de um fluido, como o ar, não se movem ao longo de trajetórias bem definidas) ao redor de um trem de pouso. Dessa forma, conseguiram identificar fontes de ruído que contribuem para que os trens de pouso sejam atualmente um dos principais componentes do barulho emitido pelas aeronaves comerciais durante a aterrissagem.

Os resultados do estudo, realizado no âmbito de um projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na modalidade Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, e do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela fundação –, foram apresentados em conferência de aeroacústica no dia 5 de junho, em Denver, nos Estados Unidos, durante o Aviation Forum, promovido pelo Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (Aiaa, na sigla em inglês).

“Conseguimos simular com alta fidelidade os aspectos físicos envolvidos na turbulência ao redor de um trem de pouso e, dessa forma, identificar algumas fontes de ruído nesse equipamento”, disse William Wolf, professor da FEM-Unicamp e coordenador do projeto, à Agência Fapesp.

Os pesquisadores utilizaram técnicas de computação paralela – em que computadores com centenas de núcleos de processamento realizam vários cálculos ao mesmo tempo – para simular o escoamento turbulento ao redor de um modelo simplificado de trem de pouso, chamado Lagoon.

Baseado no trem de pouso da aeronave A320, da Airbus, o LAnding Gear nOise database and CAA validatiON (Lagoon) representa os mecanismos de um trem de pouso real e tem sido estudado por diversos grupos de pesquisa, de diferentes países, no âmbito de um projeto com o mesmo nome.

O projeto foi lançado em 2006 pela Airbus em parceria com a agência aeroespacial da França (Onera), o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e a Universidade de Southampton, na Inglaterra, com o objetivo de avaliar técnicas de simulação de ruído em um trem de pouso simplificado.

A fim de validar as técnicas de simulações computacionais aeroacústicas, o consórcio desenvolveu e disponibilizou um banco de dados aerodinâmicos e acústicos – obtido em experimentos realizados por pesquisadores de instituições como a Onera – com o modelo simplificado de trem de pouso em túneis de vento (instalações em que é possível simular os efeitos do escoamento aerodinâmico ao redor de objetos).

“Comparamos os dados das nossas simulações computacionais com as medidas feitas durante esses experimentos com o Lagoon em túneis de vento e os resultados preliminares foram bastante concordantes. Os dados das simulações computacionais conseguiram reproduzir perfeitamente os resultados experimentais”, afirmou Wolf.

Para fazer as simulações, os pesquisadores da Unicamp utilizaram softwares desenvolvidos por engenheiros da Boeing e criaram outros voltados a realizar as análises aeroacústicas e os processamentos estatísticos. Por meio desses, eles analisaram os dados das simulações numéricas e conseguiram identificar estruturas do escoamento turbulento responsáveis pela geração de ruído no trem de pouso.

Uma das fontes principais de ruído são as cavidades no interior das rodas do trem de pouso, que têm funções de facilitar sua manutenção e permitir a refrigeração dos freios, impedindo que sobreaqueçam. “Detectamos que, sob determinadas frequências de turbulência, algumas dessas cavidades apresentam efeito de ressonância e geram um ruído intenso, que pode ser extremamente perturbador para o ouvido humano”, afirmou Wolf.

Trem de pouso real
De acordo com o pesquisador, além dessas cavidades, outras fontes principais de ruído de baixa e média frequência em trens de pouso são as rodas e os eixos do equipamento, e a interação dos escoamentos turbulentos com esses componentes. Um dos principais desafios para simular computacionalmente a turbulência em trem de pouso, segundo ele, é que o equipamento possui uma série de detalhes. Portanto, a ideia de usar um modelo simplificado, como o Lagoon, facilita as simulações. “Esse modelo representou um teste para verificar se éramos capazes de simular a turbulência e identificar as fontes de ruído no equipamento”, disse. Por meio de um novo projeto com a Boeing, eles pretendem estudar, agora, o trem de pouso do modelo de aeronave 777 fabricado pela empresa americana.

O primeiro autor do estudo, o estudante Túlio Rodarte Ricciardi, que realiza doutorado na Unicamp sob orientação de Wolf, está em um centro de pesquisa da Boeing, nos Estados Unidos, para dar início ao projeto. “A ideia é tentar identificar as fontes de ruído desse trem de pouso realístico, que apresenta um maior número de detalhes mais finos, como linhas de frenagem, e interações mais complexas no escoamento turbulento do que um modelo simplificado”, contou Wolf.

A partir dos resultados das simulações, os pesquisadores pretendem desenvolver técnicas de controle de escoamento turbulento que permitam reduzir o ruído produzido pelo trem de pouso e torná-lo mais silencioso.

 

Comunicação SEESP
Reprodução editada de matéria da Agência Fapesp/Elton Alisson

 

 

 

 

Estudo que será divulgado nesta sexta-feira (18/11), pelo movimento Todos pela Educação, constata uma realidade que vem sendo denunciada pelo movimento negro há algum tempo: a educação para brancos e negros é desigual no Brasil. O levantamento vem a público dois dias antes do Dia da Consciência Negra. Ainda não detalhes sobre as fontes oficiais dos dados educacionais utilizados, mas, entre os resultados, a população branca concentra os melhores indicadores, é a que vai mais à escola e conclui o estudo. São também os que se saem melhor nas avaliações nacionais. Para o movimento, a falta de oferta de uma educação de qualidade é o que aumenta essa desigualdade.


Foto: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas
ato em sp 2014  foto-Oswaldo-Corneti-Fotos-Publicas2ª Marcha Internacional pelo fim do extermínio do povo negro, em São Paulo, em 2014.



Os negros, soma daqueles que se declaram pretos e pardos, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são maioria da população brasileira, 52,9%. Essa população, no entanto, ganha menos da média do país, que é R$ 1.012,25, segundo dados do IBGE de 2014. Entre os negros, a média de renda familiar per capita é 753,69 entre os pretos e R$ 729,50, entre os pardos. Os brancos têm renda média de R$ 1.334,30.

Os dados seguem apontando a desigualdade, o desemprego é maior entre os pretos (7,5%) e pardos (6,8%) que entre os brancos (5,1%). O trabalho infantil, maior entre pardos (7,6%) e pretos (6,5%), que entre brancos (5,4%).

As desigualdades sociais são reforçadas na educação.  A taxa de analfabetismo é 11,2% entre os pretos; 11,1% entre os pardos; e, 5% entre os brancos. Até os 14 anos, as taxas de frequência escolar têm pequenas variações entre as populações, o acesso é semelhante à escola. No entanto, a partir dos 15 anos, as diferenças ficam maiores. Enquanto, entre os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio, etapa adequada à idade, entre os pretos esse índice cai para 55,5% e entre os pardos, 55,3%.

No terceiro ano do ensino médio, no final da educação básica, a diferença aumenta: 38% dos brancos; 21% dos pardos; e, 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em português. Em matemática, 15,1% dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado.  

Em entrevista à Agência Brasil, a presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, diz que os indicadores são resultado de uma educação de baixa qualidade que não é capaz de fazer com que os estudantes superem as diferenças sociais. Segundo ela, os estudantes mais vulneráveis têm também acesso a escolas com as piores infraestruturas e ensino.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil - O que esses dados nos mostram?
Priscila Cruz - Não adianta só a gente ter o diagnóstico de que o país é desigual e que a oferta da educação é desigual, a gente precisa começar a pensar em estratégias para que isso seja resolvido pela política pública porque o que esse estudo mostra é que existe uma baixíssima mobilidade educacional. A chance de um filho de pais analfabetos continuar analfabeto é muito grande e isso é mais forte na população negra. Então, se a gente tem uma dívida histórica com a população negra, não basta só ter direitos iguais, não adianta a gente só dar direitos iguais a negros e pardos, a gente tem que ter políticas específicas na educação básica.

Agência Brasil - Quais seriam essas políticas?
Priscila Cruz - A gente tem que dar as melhores escolas para a população negra e parda, porque ela só vai conseguir romper o ciclo de exclusão e pobreza que estão presas há gerações com política pública específica. Não adianta ter diploma, é a qualidade que vai importar. Para conseguir qualidade, o estado tem que dar muito mais para a população historicamente excluída. Ainda tem um imaginário no Brasil muito forte de exclusão em relação aos negros. A gente naturaliza que o negro vai estudar em uma escola pior do que o aluno branco de uma renda maior. A gente precisa desnaturalizar isso. Para os negros, a gente tem que ter escolas com os melhores professores, melhor formados, investimento maior, apoio técnico das secretarias e governos. Essa é a lógica que a gente tem que instaurar no Brasil se a gente quiser reduzir desigualdade.

Agência Brasil - Seria investir mais naqueles que têm piores resultados. O inverso de uma política por mérito?
Priscila Cruz - Mérito é quando você está comparando dois pontos de partida iguais. A gente está dizendo o seguinte, que têm alunos que, em uma corrida de 100 metros, partem dos 50 metros; têm alunos que partem do zero. O dado de que um chega mais rapidamente no ponto de chegada que os outros não é porque tiveram as mesmas condições, é porque tiveram condições diferentes. A gente só começa a levar em consideração o mérito na hora de premiar, de dar melhores condições, quando se chega no mesmo patamar.


Fonte: Agência Brasil




Unicamp envenenados 250Um estudo conduzido pela pesquisadora Vanessa Fracaro Menck, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, constatou ações insuficientes, tanto do poder público como de movimentos sociais, contra os efeitos nocivos dos agrotóxicos sobre a saúde dos trabalhadores rurais.

A pesquisa foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Vanessa Menck junto ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da FCA. O estudo foi orientado e coorientado, respectivamente, pelas professoras Julicristie Machado de Oliveira e Milena Pavam Serafim, ambas da FCA. Houve financiamento, na forma de bolsa concedida à pesquisadora, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes).

A autora do estudo informa que os agrotóxicos têm efeitos nocivos em curto, médio e longo prazos na saúde dos trabalhadores rurais. Várias doenças, como câncer, infertilidade, disfunção hepáticas, entre outras, estão associadas à utilização destes defensivos agrícolas.

Dados levantados pela estudiosa da FCA apontam os agrotóxicos como a segunda maior causa de intoxicação no Brasil, perdendo apenas para os medicamentos. No estado do Tocantins, a intoxicação pelos defensivos agrícolas é a principal causa dos registros.

“A demanda por políticas públicas nesta área não vem nem do governo, nem dos movimentos sociais. A ênfase principal das ações envolve, de modo geral, a temática dos alimentos contaminados, dos direitos do consumidor e da importância econômica destes produtos, além de sua necessidade para ações de combate à fome. A saúde dos trabalhadores rurais fica quase sempre em segundo plano”, aponta a autora do trabalho.

Vanessa Menck também reconhece que existem dificuldades de percepção ou mesmo negação dos riscos sobre a utilização dos agrotóxicos por parte dos próprios agricultores, o que acaba perpetuando a utilização massiva e inapropriada dos defensivos. “Não se trata de culpar os trabalhadores rurais sobre essa questão até porque, na maioria das vezes, a negação dos riscos é a única saída que eles têm naquele momento”, pondera.

A autora acrescenta que dos 50 produtos mais utilizados na agricultura brasileira, 22 já foram proibidos em quase todos os países do mundo. “A legislação brasileira tornou-se obsoleta, incapaz de acompanhar o crescimento do mercado e as discussões internacionais. Observamos ainda hoje ações permissivas por parte do estado favorecendo as indústrias dos agrotóxicos, ao invés de proteger os trabalhadores rurais”, critica.

Um exemplo mencionado no estudo é o do produto “Roundup”, conhecido popularmente como “mata mato”. O glifosato, seu princípio ativo, é o herbicida mais utilizado no Brasil, sendo o principal responsável por intoxicações agudas no país. Vendido durante algum tempo como um produto biodegradável, o herbicida provoca doenças como má formação fetal e câncer, segundo relatório lançado em 2015 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Comunicação SEESP
Reportagem extraída do Jornal da Unicamp, nº 671. Para ler a matéria na íntegra clique aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

A Pesquisa de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e Fundação Seade, revela que a taxa de desemprego apresentou relativa estabilidade em três das cinco regiões. O levantamento é feito em parceria com diversas entidades, dentro do que se convencionou chamar de Sistema PED.

 

carteira de trabalho  agencia br



Também fazem parte do convênio o Ministério do Trabalho e o Fundo de Amparo ao Trabalhador, além das seguintes instituições regionais: Setrab-GDF e Codeplan, no Distrito Federal; IDT/SINECE e STDS, em Fortaleza; FEE, FGTAS e PMPA, em Porto Alegre; e SEI e Setre, em Salvador.

Em junho de 2016 , o contingente de desempregados elevou –se em Salvador e São Paulo e pouco variou no Distrito Federal e em Porto Alegre. Na área metropolitana de Fortaleza o número de desempregados diminuiu.

A taxa de desemprego total manteve trajetória ascendente em Salvador e apresentou relativa estabilidade no Distrito Federal, em Porto Alegre e Fortaleza. Na Região Metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego não variou entre maio e junho.

Ocupação
No mês em análise, o nível ocupacional elevou-se apenas em São Paulo (0,7%), diminuiu em Porto Alegre (-0,8%) e Salvador (-0,8%) e pouco variou no Distrito Federal (- 0,2%) e em Fortaleza (- 0,2%).

Segundo os principais setores de atividade econômica analisados, o desempenho da ocupação no conjunto das regiões resultou do seguinte comportamento.

Na Indústria de Transformação houve geração de postos de trabalho em Fortaleza (4,3% ou mais 11 mil ocupados) e Salvador (2,0% ou 2 mil), redução em Porto Alegre (-5,0% ou -14 mil) e no Distrito Federal (- 4,0% ou - 2 mil) e estabilidade em São Paulo.

Na Construção, o nível de ocupação aumentou no Distrito Federal (3,2% ou geração de 2 mil postos) e, ligeiramente, em Porto Alegre (0,8% ou 1 mil). Nas demais regiões, houve declínio no nível de ocupação em Fortaleza (-4,0% ou -5 mil), Salvador (-3,6 % ou -4 mil) e São Paulo (-1,0 % ou -6 mil).

No Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas, verificou- se crescimento da ocupação somente em Salvador(1,1% ou mais 3 mil ocupados). Nas demais áreas   metropolitanas pesquisadas houve redução no nível ocupacional em São Paulo (-2,6% ou -44 mil), Fortaleza (-1,6% ou – 6 mil), Porto Alegre(-0,9% ou -3 mil) e no Distrito Federal (-0,8% ou – 2 mil).

No setor de Serviços, o nível ocupacional elevou-se em São Paulo (2,2%, ou mais 121 mil ocupados) e, em menor medida, em Porto Alegre (0,4% ou 4 mil), reduziu-se em Salvador(-1,4% ou -13 mil) e pouco variou no Distrito Federal (-0,2% ou -2 mil) e Fortaleza (-0,2% ou -2 mil).


Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego no site do Dieese






Quatro instituições públicas brasileiras estão no topo do ranking de universidades latino-americanas, sendo duas em primeiro e segundo lugar: Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O ranking é feito pela consultoria internacional Quacquarelli Symonds (QS). Outras duas aqui do Brasil: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em quinto lugar, e Universidade de Brasília (UnB) em nona colocação.

 

top 10 universidades latinas

 

Chile, México e Colômbia completam o topo da listagem das dez mais bem avaliadas, com duas instituições cada. O rankings QS leva em conta sete critérios, com diferentes pesos no resultado final da avaliação: reputação acadêmica (30%) e reputação no mercado de trabalho (20%), ambas avaliadas por meio de pesquisas de opinião; razão professor/aluno (10%), número de citações por artigo publicado (10%), número de artigos por professor (10%), taxa de professores com doutorado (10%) e impacto online da universidade (10%), avaliada segundo o ranking Webometrics.


Imprensa SEESP







Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) avalia a utilização do software i-Tree, uma ferramenta inovadora que quantifica o valor econômico que a vegetação do Parque do Ibirapuera pode devolver à cidade de São Paulo. O trabalho do administrador de empresas Fernando Antonio Tolffo propõe a valoração das áreas verdes livres e dos parques urbanos como recurso que integre estratégias para o desenvolvimento da qualidade ambiental das cidades. O estudo também destacou a importância e efetividade das florestas urbanas e áreas verdes na redução os impactos causados pela urbanização acelerada.

O i-Tree é um software desenvolvido pelo USDA Forest Service, nos Estados Unidos, e uma equipe de colaboradores institucionais, sendo revisado periodicamente. “Ele proporciona o dimensionamento e a valoração de vários serviços ecossistêmicos, ou, para alguns, ambientais, proporcionados pela vegetação arbóreo-arbustiva presente nas cidades”, afirma o Tolffo. “São utilizadas uma grande série de dados atmosféricos e fitossociológicos, que foram obtidos em diversas instituições de pesquisa, adaptados e transferidos para processamento pela equipe do i-Tree nos Estados Unidos”.

De acordo com Tolffo, as árvores urbanas exercem as mesmas “funções” de suas congêneres no campo. “Agrupadas ou isoladas, elas favorecem a redução do escoamento das águas pluviais, melhoram a qualidade do ar pela filtragem e absorção dos poluentes atmosféricos considerados no estudo, sequestram CO2, favorecem a economia de energia e as propriedades próximas a áreas verdes são normalmente mais valorizadas, além de questões vinculadas à melhoria do microclima, como as ilhas de calor”, aponta.

“São esses os serviços ecossistêmicos, aspectos que podem ser conhecidos e valorados a partir da aplicação do i-Tree, tanto em pequenas áreas verdes livres como para o total da vegetação remanescente em uma metrópole”.

Serviços ecossistêmicos
A pesquisa utilizou o Parque Ibirapuera como um microcosmo para, utilizando o ITree, fazer o levantamento dos serviços ecossistêmicos proporcionados por uma área verde inserida no meio urbano. “O estudo demonstra que as 14.334 árvores do Ibirapuera consideradas na análise retinham em 2011, por exemplo, 8.740 toneladas (t) de carbono e mantém absorção anual de 76,3 t”, aponta o administrador. “Além do carbono, conseguimos verificar a quantidade de monóxido de carbono (CO), ozônio (O3), óxido nítrico (NO2), material particulado (PM10 e PM 2,5) e dióxido de enxofre (SO2) removida pelo conjunto das árvores do Ibirapuera”.

O pesquisador aponta que os valores obtidos na pesquisa são extremamente conservadores, “haja vista algumas limitações com que fomos confrontados e ter sido analisada apenas a população arbórea, neste primeiro estudo”. O trabalho adotou valores monetários fornecidos pelos Estados Unidos, devido ao desconhecimento da existência de mercado equivalente no Brasil. “Por exemplo, chegou-se a R$ 11.080,37 o valor de remoção do O3 durante um ano. Em compensação, a remoção do CO foi valorada em R$ 133,44/ano. Evidentemente, as cotações poderão futuramente serem nacionalizadas”, ressalta Tolffo.

“É uma experiência que revelou-se satisfatória quanto aos seus objetivos e passível de ser replicada às cidades brasileiras independentemente do porte, podendo ser utilizada como uma ferramenta em políticas públicas voltadas à sustentabilidade urbana”, assinalda o administrador, “bem como na nem tão utópica eventualidade dos serviços ecossistêmicos e o patrimônio natural passarem a integrar as metodologias de medição dos índices de desenvolvimento humano e social e do Produto Interno Bruto (PIB) das nações”.

Tolffo destaca que a floresta urbana pode desempenhar importante papel coadjuvante em um cenário de efeitos severos decorrentes das alterações do clima, influenciando na qualidade de vida e aspectos da saúde ambiental. “Por isso é importante o conhecimento de suas dinâmicas de interação com a população humana nas cidades visando o seu manejo e preservação na gestão do espaço urbano”.

A dissertação de mestrado O pagamento por serviços ecossistêmicos como instrumento de gestão ambiental para o espaço urbano, apresentada por Tolffo, sob orientação dos professores Leandro Luiz Giatti, da FSP, Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, foi apresentada no Departamento de Saúde Ambiental da FSP/USP.

 

 

Fonte: Agência USP de Notícias

 

 

 

 

 

 

 

 

Página 1 de 2

agenda