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Uma pesquisa científica vai avaliar os impactos sociais e ambientais da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, próxima à cidade de Altamira, no Pará.  Intitulado “Processos sociais e ambientais que acompanham a construção da hidroelétrica de Belo Monte, Altamira, PA”, o trabalho tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) por meio do São Paulo Excellence Chair (SPEC), que visa propiciar a vinda ao Brasil de pesquisadores de primeira linha do exterior para criar núcleos de pesquisa em universidades paulistas.

A pesquisa é liderada pelo cubano Emilio Federico Moran, professor da Michigan State University, nos Estados Unidos, agora vinculado ao Núcleo de Estudos Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com uma longa experiência no Brasil, resultante de quatro décadas de pesquisa sobre as transformações em curso no setor rural brasileiro, em especial na Amazônia, Moran coordena uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, de várias universidades brasileiras, centralizada pelo Nepam.

O trabalho de campo está em fase inicial de implantação em Altamira. A pesquisa deverá se estender até agosto de 2018. Participam da equipe cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade Federal do Pará e da Universidade Estadual do Pará.

“Tenho feito estudos na área desde os anos 1970, quando, para realizar minha pesquisa de doutorado, visitei a região pela primeira vez. No setor rural, parece que temos duas possibilidades. Pode ser que o crescimento da população urbana em função da hidrelétrica, fazendo aumentar a demanda de alimentos, promova uma intensificação agrícola na região. Mas pode ser também que as obras atraiam trabalhadores do campo, levando a um enfraquecimento da agricultura familiar por falta de mão de obra no setor agrícola. As primeiras observações apontam nesse sentido, mas estamos só começando os estudos”, disse.

Uma terceira linha de pesquisa vai acompanhar a população ribeirinha. Um contingente de 20 mil pessoas deverá ser reassentado em razão da barragem. “Vamos acompanhar de perto essa população nativa, que será a mais diretamente afetada. Porque os indígenas conseguiram que a companhia mudasse o plano da barragem, de forma a não terem efeitos diretos. Terão, sim, efeitos indiretos. Já os ribeirinhos vivenciarão um reassentamento enorme: muitos povoados ribeirinhos vão ter de mudar e, de fato, vários já estão sendo removidos na área”, disse Moran.

Segundo o pesquisador, o termo “ribeirinho” pode se aplicar também a uma parte da população urbana, uma vez que há bairros constituídos por palafitas, na beira do rio Xingu, que serão alagados com a construção da barragem. Esses bairros são habitados por ribeirinhos que estão em processo de transição de uma existência isolada no meio do mato para uma vida com acesso a saúde, educação e outros serviços disponíveis na área urbana.

Uma das ocupações da equipe do projeto de pesquisa, em seus primeiros meses de atividade, será fazer um estudo exaustivo da literatura internacional sobre impactos socioambientais de hidrelétricas. Há obras de grande porte na China, na Índia, no Laos e em outros países emergentes que podem servir de parâmetro para o estudo de Belo Monte.

“A população de Altamira dobrou nos últimos dois anos. Já alcançou 150 mil pessoas. E vários preparativos para receber essa população foram prometidos, mas não realizados a tempo”, comentou. “De modo que Altamira está agora com sua capacidade esgotada em termos de leitos hospitalares, vagas escolares, efetivos de segurança etc., criando-se uma situação caótica para todos na cidade.”


* da Agência Fapesp - por José Tadeu Arantes








As mudanças no padrão brasileiro de uso do solo nas duas últimas décadas são destaque da capa da edição de janeiro da revista Nature Climate Change. A boa notícia apontada pelo artigo é que, nos últimos dez anos, ocorreu no país uma dissociação entre expansão agrícola e desmatamento – o que resultou em queda nas emissões totais de gases de efeito estufa. O fenômeno, segundo os autores, pode ser atribuído tanto a políticas públicas dedicadas à conservação da mata como à “profissionalização” do setor agropecuário, cada vez mais voltado ao mercado externo.

Mas essa “comoditização” da produção rural brasileira trouxe também impactos negativos, entre os quais se destacam o aumento da concentração de terras e o consequente êxodo rural.

“As grandes propriedades – maiores que 1 mil hectares – representam hoje apenas 1% das fazendas do país. No entanto, ocupam praticamente 50% das terras agrícolas”, ressaltou David Montenegro Lapola, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e autor principal do artigo.

As conclusões são baseadas na análise de mais de cem estudos publicados nos últimos 20 anos. Entre os 16 autores – todos brasileiros – estão Jean Pierre Henry Balbaud Ometto e Carlos Afonso Nobre, ambos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PRPMCG).

Também participaram Carlos Alfredo Joly (Universidade Estadual de Campinas) e Luiz Antonio Martinelli (Universidade de São Paulo), do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

“Os dados mostram, em 1995, um pico de expansão na agricultura coincidindo com um pico de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Isso volta a ocorrer entre os anos de 2004 e 2005, quando também houve pico de crescimento do rebanho bovino do Brasil. Após esse período, porém, a expansão agropecuária se desacoplou do desmatamento, que vem caindo em todos os biomas brasileiros”, disse Lapola.

Se na Amazônia é claro o impacto de políticas públicas voltadas à preservação da floresta – como criação de áreas protegidas, intensificação da fiscalização feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e pela Polícia Federal e corte de crédito para municípios campeões do desmate –, nos demais biomas brasileiros a queda parece ser resultante de iniciativas do próprio setor produtivo.

“As culturas que mais cresceram são as voltadas ao mercado externo, como soja, milho, cana-de-açúcar e carne. É o que chamamos no artigo de ‘comoditização’ da agropecuária brasileira. De olho no mercado estrangeiro, o setor passou a se preocupar mais com os passivos ambientais incorporados em seus produtos. O mercado europeu, principalmente, é muito exigente em relação a essas questões”, avaliou Lapola.

Também na Amazônia há exemplos de ações de conservação capitaneadas pelo setor produtivo, como é o caso da Moratória da Soja – acordo firmado em 2006, por iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (Anec), para impedir a comercialização e o financiamento de grãos produzidos em áreas desmatadas.

“Na Amazônia, a soja tem avançado sobre áreas antes usadas como pastagem. O mesmo pode ser observado no Estado de São Paulo, no caso das plantações de cana. A maior parte da expansão canavieira dos últimos anos ocorreu sobre áreas de pastagem”, afirmou Lapola.

Tal mudança no padrão de uso do solo teve um efeito positivo no clima local, apontou o estudo. Em regiões de Cerrado no norte de São Paulo, por exemplo, foi registrada uma redução na temperatura de 0,9° C.

“A maior cobertura vegetal aumenta a evapotranspiração, libera mais água para a atmosfera e acaba resfriando o clima localmente. Mas a temperatura ainda não voltou ao que era antes de ocorrer o desmatamento para dar lugar ao pasto. Nessa época, o aquecimento local foi de 1,6° C”, disse Lapola.

Êxodo rural
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que as áreas dedicadas à pecuária no Brasil estão diminuindo. No entanto, o número de cabeças de gado continua crescendo no país, o que significa um maior número de animais por hectare e maior eficiência na pecuária (o uso do solo predominante no país).

De acordo com Lapola, o mesmo pode ser observado no caso de outras culturas voltadas à alimentação, como arroz e feijão, que tiveram suas áreas de plantio reduzidas embora a produção total tenha aumentado. Graças a esse incremento na produtividade, a segurança alimentar brasileira – por enquanto – parece não ter sido afetada pela “comoditização” da agricultura.

O artigo revela, no entanto, que a concentração de terras em grandes propriedades voltadas ao cultivo de commodities intensificou a migração para as áreas urbanas. Atualmente, apenas 15% da população brasileira vive na zona rural.

Em locais onde a produção de commodities predomina, como é o caso do cinturão da cana no interior paulista, cerca de 98% da população vive em áreas urbanas. “Essa migração causou mudança desordenada de uso do solo nas cidades. O resultado foi o aumento no número de favelas e outros tipos de moradias precárias”, afirmou Lapola.

As mudanças no uso do solo afetaram também o padrão brasileiro de emissão de gases do efeito estufa. Em 2005, o desmatamento representava cerca de 57% das emissões totais do país e, em 2010, esse número já havia caído para 22%. Hoje, o setor agropecuário assumiu a liderança, contabilizando 37% das emissões nacionais em 2010, advindas principalmente da digestão de ruminantes, da decomposição de dejetos animais e da aplicação de fertilizantes.

Novo paradigma
No artigo, os autores defendem o estabelecimento no Brasil de um sistema inovador de uso do solo apropriado para regiões tropicais. “O país pode se tornar a maior extensão de florestas protegidas e, ao mesmo tempo, ser uma peça-chave na produção agrícola mundial”, defendeu Lapola.

Entre as recomendações para que esse ideal seja alcançado os pesquisadores destacam a adoção de práticas de manejo já há muito tempo recomendadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como o plantio na palha, além do fortalecimento do Código Florestal (que estabelece limites de uso da propriedade) e a adoção de medidas complementares para assegurar que a legislação ambiental seja cumprida.

“Defendemos mecanismos de pagamento por serviços ambientais, nos moldes do programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), por meio do qual proprietários rurais recebem incentivos financeiros pela conservação da biodiversidade e outros recursos naturais”, explicou Lapola.

Os autores também apontam a necessidade de políticas públicas – entre elas a reforma agrária – que favoreçam um modelo de agricultura mais eficiente e sustentável. “Até mesmo alguns grandes proprietários não têm, atualmente, segurança sobre a posse da terra. Por esse motivo, muitas vezes, colocam meia dúzia de cabeças de gado no terreno apenas para mostrar que está ocupado. Mas, se pretendemos de fato fechar as fronteiras do desmatamento, precisamos aumentar a produtividade nas áreas já disponíveis para a agropecuária”, concluiu Lapola.

 


Fonte: Agência Fapesp








Secas mais intensas, prejuízo na agricultura, diminuição do pescado, reformulação da matriz energética – esses são alguns dos impactos que as mudanças climáticas devem gerar no Brasil. E os mais afetados serão os brasileiros de classes econômicas menos favorecidas.

Esse é o cenário descrito no sumário executivo do Grupo de Trabalho 2 (GT2) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), divulgado o dia 25 último, na Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), no Rio de Janeiro. O documento aborda os impactos das mudanças climáticas nos sistemas naturais e socioeconômicos, bem como suas consequências, além de opções de adaptação ao novo cenário.

“Esse relatório mostra que os impactos já estão acontecendo e é preciso tomar decisões quanto a isso de imediato. Quanto mais se espera, maior e mais caro fica o problema”, afirmou Suzana Kahn, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente do comitê científico do PBMC.

Para ela, o relatório também fornece elementos para que os governantes brasileiros planejem suas respostas de maneira a diminuir os impactos e os custos, bem como para melhorar a inclusão social. “Quem sempre sofre mais e tem menos chance de se adaptar é a população pobre”, declarou Kahn.

Recursos hídricos
A água é um elemento-chave na questão dos impactos das mudanças climáticas. Segundo o sumário divulgado na sexta-feira, as alterações nos regimes de chuva devem levar a secas e enchentes mais frequentes e intensas, podendo também ter impacto sobre a recarga de águas subterrâneas.

As taxas de vazão dos rios também sofrerão variação. No leste da Amazônia e no Nordeste, as perdas podem chegar a 20%, sendo que na bacia do Tocantins o valor é de 30%. Já na do Paraná-Prata, a expectativa é de aumento de 10% a 40%.

“É um problema muito sério. Segundo a Agência Nacional de Águas, mais de 2 mil municípios terão problema de abastecimento de água em 2015”, alertou Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e coordenador do GT2.

Nas áreas costeiras, o aumento do nível do mar deve intensificar as inundações e os processos erosivos. Além disso, o aumento da temperatura e da acidificação dos oceanos deverá ter impacto negativo sobre os ecossistemas marinhos e sobre a pesca.

“Podemos ter uma perda no volume de pescado de 6%, em média. Imaginem quantas famílias de pescadores serão atingidas”, observou Assad. O estudo prevê ainda a perda de biodiversidade em ecossistemas aquáticos e terrestres, levando ao desaparecimento ou à fragmentação de hábitats .

Agricultura e energia
A atividade agrícola tende a ser afetada diretamente pelas mudanças climáticas. Com o aumento da temperatura e a redução da quantidade de água, áreas de baixo risco para a agricultura vão se tornar de alto risco, perdendo valor e forçando a população rural local a migrar para os centros urbanos.

“No Ceará, por exemplo, isso pode acarretar uma redução de até 60% no produto interno bruto agrícola e no valor das terras”, ressaltou o coordenador do GT2.

Outro problema sério são os efeitos sobre pragas e doenças que atacam as culturas. A alta de temperatura e umidade serão condições ideais para a eclosão de fungos.

Já o setor energético pode ser afetado de diversas formas pelas mudanças climáticas. Segundo Assad, é necessário ampliar a matriz energética, pois haverá problemas na geração de energia hidrelétrica em razão das alterações na oferta de água.

Para ele, a abertura para alternativas energéticas mais limpas ainda é tímida, enquanto há estímulo para fontes como gás de xisto e termelétricas a carvão. “Onde estão os incentivos para as energias solar, eólica e de marés? Continuamos insistindo na vanguarda do conservadorismo energético”, destacou.

Cidades e saúde
As cidades também serão bastante afetadas, com alguns fenômenos já em andamento, como os deslizamentos de encosta e os alagamentos causados por deficiências no sistema de drenagem urbano.

“Não preciso lembrar o que vai acontecer em janeiro e fevereiro no Rio de Janeiro e em Salvador. Nenhuma atitude foi tomada nos últimos anos para resolver esse problema”, criticou Assad.

Em termos de transporte, o modal utilizado pelo país estaria totalmente equivocado, principalmente o urbano, de acordo com o documento. Mudar isso, especialmente no quesito transporte de carga, faria o Brasil dar um grande salto na emissão de gases de efeito estufa.

Na questão de saúde humana, o país estaria extremamente vulnerável por conta de ondas de calor e de frio, que estariam relacionadas a uma maior mortalidade. Essas condições também podem ser ideais para a proliferação de vetores de doenças tropicais, como mosquitos, levando a uma expansão de males como a dengue.

Para o coordenador do GT2, reduzir os problemas relacionados à água, bem como à subsistência e à pobreza são igualmente críticos. “Essas são ações prioritárias que o Brasil tem que atacar. Para isso, governo, indústria, comércio e sociedade precisam estar envolvidos em uma resposta nacional adequada”, concluiu Assad.

Mais informações: http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/pt/


Fonte: Agência Fapesp




A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) destinou mais de R$ 1,03 bilhão à pesquisa produzida em todo o estado paulista, em 2012, montante 10% superior ao ano anterior. O desembolso foi direcionado a 29.905 bolsas e auxílios à pesquisa vigentes no ano. Esse número inclui projetos de pesquisa com contratos assinados em 2012 e que receberam recursos no mesmo exercício e aqueles contratados em anos anteriores, ainda em andamento no ano.

Seguindo o critério de seleção por avaliação de pares, a Fundação contratou 13.311 novos projetos de pesquisa, volume 7% superior ao de 2011. Esses são alguns dos dados que poderão ser consultados no Relatório de Atividades 2012 da fundação, lançado no dia 17 último.

Na linha regular, que representa os meios tradicionais e permanentes de fomento, foram contratadas 7.601 bolsas e 4.292 auxílios à pesquisa. Com os projetos vigentes nessa linha de fomento foram gastos R$ 805,92 milhões – 78% do desembolso total da fundação e 26% a mais que 2011. Em comparação com 2011, a Fapesp destinou 20% a mais recursos para bolsas, chegando a R$ 368,90 milhões. Para auxílios regulares, os recursos foram ampliados em 31%, chegando a R$ 437,02 milhões.

No âmbito dos Programas Especiais, que induzem a pesquisa em áreas fundamentais para superar carências do Sistema de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, foram contratados 1.227 novos projetos. Os projetos vigentes nessa linha em 2012 receberam R$ 152,35 milhões.

Entre os Programas de Pesquisa para Inovação Tecnológica, que apoiam pesquisas com potencial de desenvolvimento de novas tecnologias ou que contribuam para a formulação de políticas públicas, foram contratados 191 novos projetos. O gasto com projetos vigentes nessa linha de fomento foi de R$ 76,92 milhões.

Saúde é a área do conhecimento que, tradicionalmente, recebe o maior volume de recursos por concentrar um grande volume de pesquisadores do Estado de São Paulo. Em 2012, pesquisas nessa área receberam R$ 308,36 milhões, 20,95% a mais que em 2011 e o equivalente a 29,79% do total desembolsado pela FAPESP. Outras áreas que concentram maior volume de investimento são Biologia (17,11%), Engenharia (10,59%), Ciências Humanas e Sociais (10,40%) e Agronomia e Veterinária (9,41%). Embora Ciência e Engenharia da Computação não esteja entre as áreas com maior desembolso, em 2012 recebeu recursos 58,11% superiores a 2011, num total de R$ 17,5 milhões.


Fonte: Agência Fapesp
A matéria pode ser lida na íntegra aqui




A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), realizará, a partir de 9 de agosto, o ciclo de conferências 50 anos das Ciências da Comunicação no Brasil: a contribuição de São Paulo, uma série de encontros para discutir alguns dos principais aspectos da Comunicação no Brasil nas últimas cinco décadas.

Ao todo, serão oito encontros semanais, sempre às sextas-feiras, com o objetivo de resgatar a história, as ideias e os autores que ajudaram a delinear a área da Comunicação como um campo de conhecimento específico. A série de palestras será uma oportunidade para debater e refletir sobre a sistematização do conhecimento na área da Comunicação, seus desdobramentos e influências no cotidiano dos meios de comunicação e demais instituições.

Autores brasileiros fundamentais para a área da Comunicação terão sua obra debatida por comunicadores e acadêmicos como José Marques de Melo, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp); Norval Baitello Junior, Ana Claudia Mei Oliveira e José Arbex, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP); Carlos Eduardo Lins da Silva, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); Maria Cristina Gobbi, da Unesp; Luis Milanesi, José Luiz Proença e Maria Immacolata Vassalo de Lopes, da USP; Graça Caldas, da Unicamp; e Eugenio Bucci, da USP e da ESPM; entre outros, que integram diversas instituições de ensino e pesquisa em Comunicação no Brasil.

Desde o século passado, teóricos da Comunicação buscam fundamentar ideias discutidas na área das Ciências Sociais, trabalhando para consolidar a diversidade de pensamentos. Objeto de estudo em plena transformação, a Comunicação segue como um desafio também aos expoentes de uma nova geração de pesquisadores.

As discussões ocorrerão a partir da análise de um conjunto de textos clássicos da cultura brasileira, cujos autores lançaram as bases para a formação de um pensamento crítico e suas diferentes influências. O processo que ajudou a constituir um pensamento brasileiro para a comunicação será analisado a partir de estudos desenvolvidos em diferentes momentos e instituições acadêmicas.

A passagem do século 20 para o século 21, o advento das novas tecnologias e seus impactos nos processos comunicacionais também estarão no centro das discussões, que serão divididas de acordo com essa trajetória. Entre os aspectos analisados estarão instituições, meios e mídias, cultura de massas, culturalismos, comunicação e mercado, diálogos culturais e redes sociais.

A programação completa pode ser acessada em duas partes. O Programa Século XX, que ocorrerá na Fapesp, está disponível em www.fapesp.br/7889 e o Programa Século XXI, que terá espaço na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em www.fapesp.br/7894.

A inscrição pode ser feita em: www.fapesp.br/eventos/ciclocomunicacao/inscricao

 

Fonte: Agência Fapesp




A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) aprovou apoio a 17 novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids). A apresentação dos Centros será feita nesta quinta-feira (6/06), no Palácio dos Bandeirantes, na Capital, com a presença do governador Geraldo Alckmin.

Um deles, o Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDFM), sob responsabilidade do pesquisador Elson Longo da Silva, tem como sede o Câmpus de Araraquara da Unesp.

O Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais é uma evolução do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, que recebeu apoio financeiro da Fapesp na primeira fase do Programa Cepid e teve como foco de pesquisa a síntese de materiais com composição química, microestrutura e morfologia controladas.

O novo centro utilizará essa competência para a pesquisa e desenvolvimento de materiais funcionais nanoestruturados, customizados para solucionar problemas relacionados à energia renovável, saúde e meio ambiente. O Centro contará com plantas-piloto de nanopartículas funcionais e estimulará a geração de novas empresas de base tecnológica. Oferecerá, ainda, programa de educação voltado para professores do ensino médio.

Financiamento

O financiamento para os 17 Cepids virá da Fapesp e das instituições em que estarão sediados, num total de R$ 1,4 bilhão, sendo R$ 760 milhões da Fapesp e outros R$ 640 milhões estimados em salários pagos aos pesquisadores e técnicos. Os Centros também contarão com fundos obtidos junto à indústria e outras agências de fomento à Ciência e Tecnologia.

Os 17 novos Cepids envolvem 499 cientistas no Estado de São Paulo e 68 de outros países e receberão apoio pelo período de onze anos. Dos 17 Centros, oito têm sede na cidade de São Paulo, três em São Carlos, três em Campinas, dois em Ribeirão Preto e um em Araraquara.

A característica mais importante dos CEPIDs é a multiplicidade de suas missões. Além de desenvolver investigação fundamental ou aplicada, focada em temas específicos, os Centros devem contribuir para a inovação, por meio de transferência de tecnologia, e para a difusão do conhecimento, já que irão oferecer atividades de extensão voltadas para o ensino fundamental e médio e para o público em geral.

Os temas de pesquisa dos 17 centros incluem: alimentos e nutrição; vidros e cerâmica; materiais funcionais; neurociência e neurotecnologia; doenças inflamatórias; biodiversidade e descoberta de novas drogas; toxinas, resposta imune e sinalização celular; neuromatemática; ciências matemáticas aplicadas à indústria; obesidade e doenças associadas; terapia celular; estudos metropolitanos; genoma humano e células-tronco; engenharia computacional; processos oxidantes e antioxidantes em biomedicina; violência; óptica, biofotônica e física atômica e molecular.

 

Fonte: Agência Fapesp




A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) divulgou os 17 novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids). Os Centros, que reúnem 535 cientistas do Estado de São Paulo e 69 de outros países – na condição de pesquisadores principais ou associados –, serão custeados pela Fapesp e pelas instituições-sede por meio de financiamento de pesquisadores, pessoal técnico e de apoio e de investimentos em infraestrutura, por um período de 11 anos.

O investimento total estimado é de US$ 680 milhões, sendo US$ 370 milhões da Fapesp e US$ 310 milhões em salários pagos pelas instituições-sede aos pesquisadores e técnicos. Os Centros contarão ainda com fundos adicionais aportados por indústrias parceiras e por outras agências de fomento à pesquisa. Trata-se de um dos maiores investimentos em programa de pesquisa apoiado por agência de fomento já anunciados no Brasil.

“O financiamento de grande porte e de longo prazo permite ousar nos objetivos de pesquisa, garante a consolidação da equipe e, ao mesmo tempo, confere maior escala à pesquisa científica e tecnológica no Estado”, afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp. Cada um dos Cepids será apoiado por um comitê consultivo internacional e os resultados e planos de pesquisa serão avaliados pela Fapesp no 2º, 4º e 7º anos.

O processo de seleção mobilizou 150 revisores brasileiros e estrangeiros e um comitê internacional formado por 11 cientistas convidados, além dos comitês internos da Fapesp. As 90 propostas, apresentadas no âmbito do Programa Cepid, foram avaliadas pelo mérito científico, ousadia, originalidade, competitividade internacional e pela qualificação das equipes e suas lideranças.

As 17 propostas aprovadas envolvem os seguintes temas de pesquisa: alimentos e nutrição; vidros e cerâmica; materiais funcionais; neurociência e neurotecnologia; doenças inflamatórias; biodiversidade e descoberta de novas drogas; toxinas, resposta imune e sinalização celular; neuromatemática; ciências matemáticas aplicadas à indústria; obesidade e doenças associadas; terapia celular; estudos metropolitanos; genoma humano e células-tronco; engenharia computacional; processos oxidantes e antioxidantes em biomedicina; violência; óptica, biofotônica e física atômica e molecular.

As equipes dos centros têm composição multidisciplinar e são formadas por pesquisadores principais, associados e visitantes, pós-doutores, estudantes de pós-graduação e técnicos, com apoio de pessoal qualificado para a administração e gestão.

A característica mais importante dos Cepids é a multiplicidade de sua missão. Além de desenvolver investigação fundamental ou aplicada, focada em temas específicos e objetivos, os Centros devem procurar ativamente oportunidades para contribuir com a inovação por meio do desenvolvimento de meios eficazes de transferência de tecnologia. São também responsáveis por oferecer atividades de extensão voltadas para o ensino fundamental e médio e ao público em geral. Os projetos preveem o envolvimento de estudantes e professores em atividades de investigação e formação e incluem ações de divulgação da ciência.

Novo paradigma
O Programa Cepid foi iniciado pela Fapesp em 2000, com suporte a 11 centros de pesquisa no período de 2001 a 2013. Todos atingiram os objetivos propostos em seus planos de pesquisa, inovação e difusão, constituindo, ao longo do período de financiamento, plataformas translacionais de pesquisa, desde a ciência básica até a aplicação do conhecimento.

Em 2011, foi anunciada uma segunda chamada de pesquisa, por meio da qual foram selecionados os 17 Cepids agora anunciados. Sete dos 11 Cepids de 2000 ampliaram o seu escopo de investigação e tiveram novos planos de pesquisa, inovação e difusão aprovados no edital de 2011.

Os novos Centros, selecionados no edital de 2011, iniciam as atividades em 2013.
 

Fonte: Agência Fapesp




A citricultura brasileira poderá ser palco de uma importante transformação nos próximos anos, com a incorporação de conhecimentos avançados em melhoramento genético e genômica. As pesquisas estão bastante adiantadas, disponibilizando novas variedades, mais resistentes às doenças e à seca.

O sistema produtivo, no entanto, ainda reage com lentidão às novidades, de acordo com Marcos Antonio Machado, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Genômica para o Melhoramento de Citros (INCT-Citros), apoiado pela Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

“Nossos produtores atendem prioritariamente à indústria de sucos e a indústria está mais interessada em quantidade de fruta do que em qualidade”, disse o pesquisador do Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico, ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“O Consórcio Internacional do Genoma de Citros, do qual participamos, já obteve o genoma completo da clementina (Citros clementina), utilizado como genoma de referência para comparação com os genomas de outras espécies de citros, entre elas, a laranja-pera, a mais importante variedade de laranja brasileira, a tangerina ponkan e o limão-cravo, também utilizado como porta-enxerto. O INCT-Citros detém atualmente uma das mais importantes bases de dados sobre o genoma de citros”, disse.

No estudo dos patógenos das doenças que afetam os citros, os avanços não têm sido menores. Depois dos sequenciamentos históricos dos genomas das bactérias Xylella fastidiosa (responsável pela clorose variegada dos citros) e Xanthomonas citri subsp. citri (responsável pelo cancro cítrico), concluídos no início dos anos 2000 com apoio da Fapesp, outros patógenos de citros estão sendo sequenciados, como os fungos causadores da pinta preta, da mancha marrom de alternaria e da queda prematura dos frutos, além do oomiceto causador da gomose.

“Nesses casos, graças aos avanços ocorridos na genômica, estamos não somente montando esses genomas, mas também avaliando a função de genes envolvidos na interação com as plantas hospedeiras”, disse Machado, um dos pesquisadores do programa Genoma-Fapesp.

Segundo o pesquisador, essas e outras aquisições criaram uma massa crítica de conhecimentos capaz de favorecer tanto a cisgenia (transformação com genes de espécies próximas) como o melhoramento tradicional.

“A produção de citros transgênicos já é científica e tecnologicamente viável, mas depende de regulamentação. Ao mesmo tempo, os mapas genéticos que levantamos permitem identificar genes marcadores com os quais podemos calibrar a seleção genética tradicional, de forma que os genótipos selecionados correspondam precisamente aos fenótipos de interesse”, disse.

Nivelamento por baixo
Machado explica que novas potenciais variedades de copas e porta-enxertos com alta tolerância à seca e a doenças como clorose variegada dos citros, gomose, cancro cítrico e pinta preta já estão disponíveis. Mas, por uma característica do setor, o processo de incorporação tecnológica pelos produtores se dá muito lentamente. “Daqui a algum tempo, todos correrão atrás dessas variedades melhoradas, assim como hoje recorrem maciçamente a espécies selecionadas décadas atrás.”

Maior produtor de laranja e exportador de suco, responsável por atender 53% do consumo mundial, o Brasil ainda não possui, na opinião dos especialistas, uma citricultura satisfatória. O rendimento das plantações é considerado muito baixo, com produtividade média de apenas duas caixas de 40,8 kg por árvore ao ano.

Os grandes gargalos são, pela ordem, a alta incidência de pragas e doenças, a produção em áreas não irrigadas e a estreita base genética utilizada. “Estima-se que mais de 60% dos custos de produção sejam direcionados para o controle de pragas e doenças”, disse Machado.

Entre as principais doenças, destacam-se a clorose variegada dos citros, a leprose, a pinta preta, a mancha marrom de alternaria, a morte súbita, o cancro cítrico, a gomose, a tristeza e, mais recentemente, o huanglongbing, ou greening.

“A maior parte dos modelos de manejo desses patógenos e de alguns vetores, incluindo o controle químico por meio de defensivos, falhou, devido aos altos impactos econômicos e ambientais”, afirmou o pesquisador, enfatizando que isso faz aumentar ainda mais a importância de estudos sobre melhoramento genético tradicional e cisgenia, como estratégias poderosas e duradouras para o controle de doenças.

Por isso, o INCT-Citros se organizou em três plataformas diferentes, mas complementares: a plataforma voltada à geração de informações genômicas (genomas completos, transcriptomas e proteomas); a plataforma voltada à aplicação de parte dessas informações genômicas no melhor entendimento da relação entre os citros e seus patógenos; e a plataforma voltada à aplicação dessas informações genômicas no melhoramento tradicional.

Diferentemente da citricultura europeia, que se dedica à produção de frutos de alta qualidade para o consumo in natura, em um mercado exigente, a citricultura brasileira ocupa-se majoritariamente do fornecimento de matérias-primas para a indústria de sucos.

Essa destinação dos produtos, que, por si só, nivela a qualidade por baixo, associa-se à pulverização da produção – só no Estado de São Paulo, líder do setor, existem de 8 mil a 9 mil produtores. E esses dois fatores explicam a lentidão do processo de incorporação tecnológica.

“Não basta ter bons materiais. É preciso trabalhar também por sua difusão e adoção, o que pode ser favorecido por políticas governamentais de informação e convencimento”, disse Machado.

 

Imprensa – SEESP
Fonte: Agência Fapesp de Notícias




Foi lançada a pedra fundamental do campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em São João da Boa Vista. “É um marco para o município. Será o início de uma nova fase de desenvolvimento social”, disse Julio Cezar Durigan, reitor da instituição, na cerimônia. “Em todas as cidades em que estão presentes os campus da Unesp, houve um crescimento econômico e uma grande interação entre professores, servidores e alunos com a comunidade local”, destacou. O evento realizado no dia 6 de março contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, dos secretários Luiz Carlos Quadrelli (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia), Davia Zaia (Gestão Pública), Sílvio França Torres (Habitação) e outros membros da gestão estadual, além do prefeito de São João da Boa Vista, Vanderlei Borges de Carvalho. As obras serão realizadas em um terreno de 107 mil m², doado pela Prefeitura. Os primeiros prédios estão previstos para ficar prontos até novembro de 2014. Nessas edificações, os alunos de Engenharia de Telecomunicações terão aulas teóricas e laboratoriais a partir de 2015. O curso, que teve início no dia 4 de março, é ministrado temporariamente no campus da Fundação de Ensino Octávio Bastos. Em 2014, a unidade de São João da Boa Vista também terá o curso de Engenharia de Produção. O investimento na primeira fase de obras é de R$ 6,5 milhões, com um inversão total estimada de R$ 12,5 milhões. 

Alckmin salientou a importância da formação de engenheiros de telecomunicações para o desenvolvimento tecnológico da região e do País. São João da Boa Vista tem um distrito industrial com empresas de tecnologia e está próximo da região de Campinas, que concentra um polo expressivo de indústrias do setor. “Para o Brasil voltar a crescer, precisamos formar pessoas, sobretudo engenheiros. Com essas novas graduações, esperamos diminuir a carência por esses profissionais”, disse o governador, que destacou a criação de outros nove cursos de engenharia pela Unesp ao longo de três anos. Mais informações: www.unesp.br.

Fonte: Agência Fapesp

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Unidade multiusuário que reúne equipamentos de última geração destinados a análises nas áreas de genômica, bioinformática, proteômica e biologia celular, o LaCTAD (Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho) foi inaugurado em 1º de março pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas. A cerimônia de entrega das instalações físicas do laboratório contou com a presença do reitor Fernando Ferreira Costa e do diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Carlos Henrique de Brito Cruz.

 

Durante a inauguração, o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, Ronaldo Pilli, lembrou que antes mesmo da conclusão do prédio do laboratório os equipamentos já estavam em operação, descentralizados nas unidades de ensino e pesquisa. “Agora, vamos reuni-los aqui, onde ficarão à disposição dos pesquisadores da Universidade e de outras instituições do país.” O objetivo do LaCTAD, destacou Pilli, é apoiar as pesquisas em áreas estratégicas das ciências da vida, tendo por princípios a otimização do uso das tecnologias e a racionalização dos custos. “Isso ainda é relativamente novo no Brasil, mas comum na Europa e Estados Unidos.”

 

O diretor científico da Fapesp, entidade que investiu cerca de R$ 5,5 milhões na compra dos equipamentos para o laboratório – a construção do prédio e a contratação dos funcionários ficaram a cargo da Unicamp -, manifestou a sua satisfação por participar da entrega do LaCTAD. “A Fapesp tem desafiado as instituições de pesquisa a mudar o patamar de utilização dos seus equipamentos. Não faz sentido ter uma máquina em cada unidade ou órgão. É preciso aumentar a eficiência do uso dessas tecnologias. Nesse sentido, o modelo adotado pela Unicamp é exemplar”, afirmou.

 

Em sua fala, Fernando Costa considerou que todo investimento em laboratório é importante. “Nós não estamos inventando nada com a criação do LaCTAD. Esse modelo existe no mundo todo, nas boas universidades. No Brasil, porém, ele ainda é pouco difundido”, lembrou. Apesar disso, continuou o reitor, a tendência é que esse modelo seja multiplicado pelo país, em razão das vantagens que ele proporciona. “Além de atender às necessidades dos pesquisadores, o laboratório multiusuário reduz custos com insumos, manutenção  e pessoal especializado para operá-lo. É assim que se faz ciência de qualidade no mundo todo.”

 

Ainda segundo o reitor, antes mesmo de ser inaugurado oficialmente, o LaCTAD já começa a trazer consequências positivas para a Unicamp. “A Universidade assinou dois convênios importantes por causa da existência do laboratório. Uma das parcerias foi firmada com a Embrapa e outra, com o Instituto Politécnico de Madrid. Tenho certeza de que esta unidade será muito útil para as pesquisas nas áreas contempladas e dará um importante impulso à ciência do país”, analisou.

 

Histórico

 

A proposta de criação do LaCTAD foi submetida ao edital do Programa de Equipamentos Multiusuários da Fapesp em 2009. Em 2010, ela foi aprovada e, no ano seguinte, foi iniciada a oferta de serviços, com as tecnologias instaladas provisoriamente nas unidades de ensino e pesquisa. Os equipamentos têm capacidade para realizar inúmeros procedimentos, tais como análise de sequenciamento de DNA e RNA, montagem de genomas, análise de microscopia confocal e purificação de proteínas, entre outros. O LaCTAD dispõe de um Conselho Científico de Administração formado por especialistas da Unicamp, que respondem pela supervisão geral das atividades do laboratório. São eles que estabelecem diretrizes e metas, por exemplo.

 As informações sobre os serviços prestados pelo LaCTAD podem ser obtidas no site do laboratório. Pedidos de orçamento e agendamentos também podem ser feitos via web. Os custos das análises cobrirão somente as despesas correntes, como insumos e manutenção dos equipamentos. O instrumental do laboratório está à disposição de qualquer pesquisador do país, conforme determinam os critérios estabelecidos pela Fapesp. No próximo mês de maio, o laboratório promoverá, também com o apoio da Fapesp, um workshop internacional que trará renomados especialistas de vários países. Eles tratarão de diferentes temas relacionados com as áreas de atuação da unidade. 

Fonte: www.unicamp.br

 

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Dudley HerschbachCom uma palestra intitulada “Glimpses of Chemical Wizardry” (Vislumbres da Magia da Química), o norte-americano Dudley Herschbach (foto ao lado) – ganhador do prêmio Nobel de Química de 1986 – deu início às atividades de um simpósio que reúne esta semana grandes nomes da ciência mundial em São Carlos, no interior de São Paulo.

Herschbach ministrou a aula inaugural do curso de bacharelado em Química do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), quando apresentou três “parábolas moleculares” com o intuito de mostrar algumas das coisas espetaculares que a ciência é capaz de fazer.

Em uma das histórias, intitulada “A vida em turnê no interior das células”, Herschbach falou sobre técnicas avançadas de microscopia com super-resolução desenvolvidas por Xiaowei Zhuang, pesquisadora da Universidade Harvard, que permitem, por exemplo, estudar a interação entre células e a expressão de genes em tempo real.

“A ciência faz coisas que realmente pareciam impossíveis antes de acontecerem. De vez em quando, alguém, em alguma parte do mundo, faz algo mágico e muda as coisas. É maravilhoso saber que você faz parte disso. É parte da recompensa da ciência que você não tem na maioria das profissões”, disse Herschbach à Agência FAPESP.

Graduado em Matemática pela Universidade Stanford, Herschbach fez mestrado em Física e em Química, além de doutorado em Físico-Química pela Universidade Harvard, onde hoje é professor.

“Fui o primeiro da minha família a ir para a universidade. Ofereceram-me uma bolsa para jogar futebol [norte-americano], mas acabei trocando por uma bolsa acadêmica, pois o técnico havia me proibido de frequentar as aulas de laboratório para não me atrasar para os treinos. A verdade é que eu achava a ciência muito mais fascinante”, contou.

Nos anos 1960, o cientista conduziu experimentos pioneiros com a técnica de feixes moleculares cruzados para estudar reações químicas e a dinâmica dos átomos das moléculas em tempo real. Por suas pesquisas nesse campo, recebeu em 1986 – junto com o taiwanês Yuan Lee e o canadense John Polanyi – o Nobel de Química.

Os resultados foram de grande importância para o desenvolvimento de um novo campo de pesquisa — o da dinâmica de reação — e proporcionaram um entendimento detalhado de como as reações químicas acontecem.

“Quando olho no espelho, ao me barbear, percebo que ganhar o Nobel não mudou nada em mim. A única diferença é que as pessoas ficaram mais interessadas no que tenho a dizer. Convidam-me para palestras e entrevistas. E isso acabou me transformando numa espécie de embaixador da ciência”, disse Herschbach.

Poesia em sala de aula
Durante toda a apresentação, Herschbach combateu o mito de que ciência é algo muito difícil, reservado para os muito inteligentes. “Costumo ouvir pessoas dizendo que é preciso ser muito bom em matemática para ser um bom pesquisador, mas a maioria dos cientistas usa a mesma matemática que um caixa de supermercado. Você não precisa ser bom em tudo, apenas em uma coisa, achar um nicho”, afirmou.

Ao comparar a ciência com outras atividades humanas, Herschbach disse que, em nenhuma outra profissão, você pode falhar inúmeras vezes e ainda ser aplaudido quando consegue fazer alguma coisa certa. “Um músico pode tocar quase todas as notas certas em um concerto e ser criticado por ter errado apenas algumas”, comparou.

Herschbach contou que costumava pedir a seus alunos que escrevessem poemas para lhes mostrar que é mais importante se preocupar em fazer as perguntas certas do que encontrar a resposta certa.

“Isso, mais do que resolver equações, é como fazer ciência de verdade. Ninguém diz se um poema está certo ou errado e sim o quanto ele é capaz de abrir seus olhos para algo que parecia ordinário, fazer você enxergar aquilo de outra forma. É assim com a ciência. Se você faz pesquisa de fronteira, coisas novas, é muito artístico. Quero que os estudantes percebam que eles também podem ser feiticeiros”, concluiu.

O Simpósio em Homenagem ao Prof. Daniel Kleppner “Física atômica e áreas correlatas”, que termina no dia 1º de março, é promovido pelo Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (Cepof) de São Carlos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela FAPESP.

O objetivo do encontro é prestar uma homenagem ao físico norte-americano Daniel Kleppner, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que receberá o título de professor honorário do IFSC-USP.

Além de Herschbach, amigo de Kleppner desde os tempos da graduação, outros quatro ganhadores do Nobel também participam do evento: Serge Haroche (Nobel de Física 2012), David Wineland (Nobel de Física 2012), Eric Cornell (Nobel de Física 2001) e William Phillips (Nobel de Física 1997).

 

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Informação da Agência Fapesp




SoloerodidodentroA Funep (Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão) realizará, nos dias 26 e 27 de fevereiro, o 1º Encontro Paulista de Ciência do Solo. Com o tema “Multidisciplinaridade e métricas da produção sustentável”, o objetivo do evento é discutir sobre o atual panorama da ciência, tecnologia e inovação em ciência do solo.

O professor responsável pela atividade, José Marques Júnior, observa que a ciência do solo é básica e que não é desenvolvida apenas para as ciências agrárias, mas que ela contribui com várias outras grandes áreas, como geografia, geologia e geomorfologia.

“O solo é um recurso natural não renovável. O ar se renova. As plantas renascem. As águas podem ser despoluídas. O solo, uma vez degradado e erodido, jamais retorna ao estado original e gastam-se milhões de anos para se recuperar milímetros de solos degradados e perdidos para a erosão”, explica o professor. Escute aqui mais informação com o José Marques Júnior.

“Realidades e tendências da gestão do solo”, “O solo no desenvolvimento das variedades de cana-de-açúcar” e “Ciência do solo e setor produtivo” são alguns assuntos que serão abordados pelos palestrantes do encontro, que será realizado no Centro de Convenções da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Jaboticabal, localizada na Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/nº.

Para mais informação clique aqui.

 

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Com informação da Agência Fapesp



CentrodePesquisaemEngenhariadentroO desenvolvimento de novas tecnologias de motores pelas indústrias automobilísticas fez com que os veículos movidos a combustíveis, como a gasolina, emitam atualmente menos dióxido de carbono (CO2) do que o faziam no passado. Mas, para continuar a reduzir as emissões dos poluentes dos veículos que fabricam e atender às exigências das regulamentações ambientais estabelecidas nos últimos anos em diversos países – incluindo o Brasil –, as montadoras não estão conseguindo mais se valer somente dessa estratégia.

“Chegamos a um ponto hoje em que a introdução de novas tecnologias aumenta o custo dos motores e o ganho na redução das emissões de CO2 é pequeno”, disse Flavio Gomes Dias, coordenador de produto da Peugeot Citroën do Brasil Automóveis (PCBA). E continua: “Acreditamos que por meio dos biocombustíveis e motores mutuamente adaptados conseguiremos ter o ganho extra na redução das emissões de CO2 pelos automóveis que buscamos.”

A avaliação foi feita por Dias durante evento realizado, em dezembro último, na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) com o objetivo de apresentar a chamada pública de propostas lançada pela instituição em conjunto com a empresa para seleção de um projeto que visa à criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia, que será sediado em uma ou mais instituições de pesquisa no Estado de São Paulo e terá apoio da Fundação e da Peugeot Citroën por até dez anos para desenvolver motores de combustão interna, adaptados ou desenvolvidos especificamente para biocombustíveis.

Alguns dos temas de pesquisa de interesse do Centro são novas configurações de motores movidos a diferentes biocombustíveis, incluindo veículos híbridos (que possuem mais de um motor – elétrico e a gasolina, por exemplo), redução de emissões de gases e aspectos econômicos, ambientais e sociais relacionados aos biocombustíveis.

O aporte financeiro previsto para o período de apoio é de, no mínimo, R$ 1,6 milhão por ano, divididos em partes iguais entre as duas instituições parceiras. O prazo para apresentação das propostas termina no dia 29 de março. A divulgação das propostas selecionadas está prevista para o dia 31 de julho.

“Estamos com alta expectativa de receber propostas muito boas e competitivas mundialmente nos temas definidos na chamada, e muito satisfeitos com a oportunidade de associar a Fapesp à Peugeot Citroën em uma iniciativa tão ousada para desenvolver pesquisa no Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação.

“Queremos que o Centro de Pesquisa em Engenharia esteja nos patamares internacionais na área de mobilidade de veículos. Para isso, ele precisarã ter um núcleo de pesquisa convincente e competitivo internacionalmente”, ressaltou Brito Cruz.

 

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Informação da Agência Fapesp



Se no Brasil qualquer empreendedor encontra condições adversas para iniciar um negócio, no caso das pequenas empresas de base tecnológica as dificuldades são ainda maiores. Enquanto isso, as grandes empresas têm dificuldade para utilizar de fato as leis que estimulam a inovação. Por essas razões a atividade do setor privado em pesquisa e desenvolvimento ainda é extremamente tímida no Brasil.

A análise foi feita pelo diretor do ITV (Instituto Tecnológico Vale), Luiz Eugênio Mello, no 1º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, realizado na sede da Fafesp, no dia 31 de agosto último.

Mello, que é professor titular da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirmou que o empreendedor brasileiro encontra condições extremamente hostis. Para abrir uma empresa no país, por exemplo, gastam-se em média 119 dias, contra 38 na China, 30 na Rússia, 29 na Índia, 15 na Alemanha e seis no Canadá. O fechamento de uma empresa no país consome, em média, dez anos.

“Nada disso impede que o brasileiro tenha um perfil fortemente empreendedor. Só que o empreendedorismo que temos aqui não está associado com a dimensão que o país precisa. É voltado principalmente para serviços, enquanto o que precisamos são novas empresas de base tecnológica”, disse Mello à Agência Fapesp.

Quando o empreendedor abre uma pousada, uma padaria ou um lava-rápido, segundo Mello, ele tem acesso à experiência de outras empresas, conhece o mercado, a demanda e o perfil do consumidor. Tudo isso diminui o grau de incerteza do empreendedor, que se dispõe a enfrentar as enormes dificuldades do ambiente empresarial brasileiro.

“Mas quando se trata de tocar um negócio absolutamente novo, que nunca foi feito por ninguém, com alto grau de incerteza – o que é inerente à inovação – o empreendedor fica desestimulado. São muitos problemas, que não têm o efeito aditivo de uma soma simples, mas têm efeitos multiplicativos exponenciais. Cria-se então uma barreira que se torna quase intransponível. Ainda assim o Brasil tem um empreendedorismo na área tecnológica, mas ele fica muito aquém do que desejaríamos”, disse.

Enquanto isso, segundo Mello, as grandes empresas lidam com outros problemas: elas não conseguem se beneficiar de recursos que são viabilizados pela Lei do Bem e pela Lei de Inovação. “São leis muito boas, mas que precisam ser aperfeiçoadas. Na prática, o número de incertezas e insegurança que envolvem essas leis é tão grande que as empresas não as utilizam”, disse.

Segundo Mello, um levantamento feito pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) estimou que, das cerca de 300 mil empresas que existem no Brasil, entre 600 e 900 utilizam a “Lei do Bem”.

“É muito pouco. Certamente isso não acontece porque as empresas não estão interessadas em receber dinheiro de volta. Elas não usam esses recursos porque a lei ainda não é suficientemente clara e carece de aperfeiçoamentos. Acho que o país vive um novo momento, mas o caminho que temos pela frente é muito longo”, disse.

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Informação Agência Fapesp



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