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25/02/2016

Em dez anos, R$ 32 milhões em pesquisas para o SUS

Dez anos de existência, cinco editais lançados, mais de 300 projetos de auxílio à pesquisa e bolsas selecionados e R$ 32 milhões investidos no fomento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Esses são alguns números do Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS) no Estado de São Paulo.

Algumas das experiências mais bem-sucedidas desenvolvidas com apoio da FAPESP no âmbito do PPSUS-SP foram apresentadas em um evento realizado no final de 2015, no Instituto de Saúde (IS), órgão vinculado à Secretaria do Estado da Saúde (SES-SP).

Uma delas foi a pesquisa coordenada por Eloisa Bonfá, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que permitiu implantar entre 2007 e 2009, no Hospital das Clínicas (HCFMUSP), o Centro de Dispensação de Medicamentos de Alto Custo (Cedmac).

A iniciativa hoje se tornou uma rede, com unidades na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na USP de Ribeirão Preto e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

“Quando idealizamos o centro, estava começando no Brasil – particularmente na área de reumatologia – o uso de terapia biológica. São medicamentos caros, cujo uso ainda não estava bem padronizado no país. E existia uma forte pressão da indústria farmacêutica para que os médicos os receitassem”, contou Bonfá em entrevista à Agência FAPESP.

Indicada para pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais para doenças como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, espondilite anquilosante e artrite psoriásica, a terapia biológica é dirigida contra alvos específicos e ajuda a controlar a inflamação reproduzindo os efeitos de substâncias fabricadas naturalmente pelo organismo para regular a resposta imune. Pertencem a essa classe de fármacos, por exemplo, os anticorpos monoclonais inibidores do fator de necrose tumoral-alfa (TNFα).

A proposta inicial do centro era criar protocolos para o uso dessas medicações, em sua maioria endovenosas, sem que houvesse qualquer conflito de interesses com fabricantes. Na época, apenas um desses fármacos tinha o uso aprovado no Brasil. O tratamento de cada paciente custava ao SUS anualmente o equivalente ao preço de um carro sedã novo.

“Além de se dedicar à pesquisa e ao ensino, o centro também oferece assistência multidisciplinar aos pacientes. Eles são incluídos em protocolos de pesquisa e assinam uma autorização para a coleta dos dados. Passam por uma pré-consulta de enfermagem, depois são atendidos por um médico, ganham um cartão de identificação e, além do tratamento, têm o pronto atendimento garantido em caso de qualquer complicação”, contou a pesquisadora.

Segundo Bonfá, são comuns nesses casos a ocorrência de doenças oportunistas, que podem se manifestar de forma mais grave e disseminada, pois os medicamentos biológicos causam imunossupressão.

No primeiro ano, 130 pacientes foram assistidos no centro do HC. Em 2015, o número já passava de mil. O acompanhamento desses pacientes ao longo dos anos tem rendido diversos projetos de pesquisa, como, por exemplo, a criação e a validação de um protocolo para prevenir tuberculose em pessoas submetidas à terapia biológica.

Além da assistência prestada aos pacientes do Cedmac, a equipe também avalia presencialmente pacientes com doenças reumatológicas encaminhados pela SES, que em geral receberam prescrição de um medicamento não incorporado ao rol do SUS e entraram com processo administrativo para obter a droga.

“O objetivo é avaliar se a indicação do medicamento está adequada e principalmente se haveria outras opções de tratamento a serem prescritas inicialmente. No início, ocorreu uma resistência grande por parte dos reumatologistas, pois achavam que aquilo era uma interferência na prescrição médica. Quando começamos, cerca de 30% das prescrições poderiam ser substituídas por outras medicações com custo menor ou eram inadequadas. Hoje esse índice caiu para 15%. Todos entenderam que é preciso seguir um protocolo e estabelecer prioridades, pois o dinheiro do SUS não é infinito”, contou Bonfá.

Outra ação adotada pela equipe foi o compartilhamento de frascos das medicações endovenosas e a aplicação assistida de medicações subcutâneas. Como explicou Bonfá, a dose de alguns desses fármacos é calculada de acordo com o peso da pessoa. Se o paciente leva o medicamento para a casa, as sobras são descartadas. O Cedmac então criou uma agenda inteligente, de maneira que os pacientes submetidos a uma mesma terapia possam ser agendados em conjunto, possibilitando compartilhar doses e minimizar perdas. Todas essas ações permitiram uma economia de aproximadamente R$ 2,3 milhões apenas em 2015.

“É dinheiro público sendo revertido em benefício dos próprios pacientes, pois essa economia permite atender um número maior de pessoas”, avaliou Bonfá.

 

Fonte: Agência Fapesp/Karina Toledo

 

 

 

 

 

 

 

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