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João Guilherme Vargas Netto*

 

É um episódio bíblico bem conhecido. Esau, faminto, vendeu seu direito de filho mais velho a seu irmão Jacó em troca de um prato de lentilhas. Está no livro de Gênesis, capítulo 25, versículos 29 a 34.

 

O prato de lentilhas passou a ser o exemplo de uma venda disparatada e infeliz em que o interesse momentâneo, imediato e aflitivo passa a valer mais que todos os outros interesses permanentes, definitivos e coerentes; troca-se oitenta por oito, ou nem isto.

 

O movimento sindical dos trabalhadores e seus dirigentes não podem se vender por um prato de lentilhas.

 

No caso, o prato de lentilhas seria a promessa de um candidato de abrandar o rigor da lei trabalhista celerada no que diz respeito, exclusivamente, aos recursos financeiros para as entidades, apesar de manter o apoio às inseguranças e perversidades da lei contra os trabalhadores, contra os sindicatos e sua capacidade de representação e negociação e contra a Justiça do Trabalho.

 

Que um dirigente partidário aceite esta barganha ou se refestele com o prato de lentilhas isto poderia até ser explicado (mas não aprovado) pelos interesses demagógicos e oportunistas da cena pré-eleitoral.

 

Mas para o movimento sindical isto seria mais que um crime, seria um erro.

 

A pedra de toque do apoio do movimento sindical a uma candidatura, qualquer que seja ela (qualquer que seja o partido de origem, qualquer que seja o cargo disputado) é a simpatia, aderência ou concordância dela com a agenda prioritária da classe trabalhadora, de 22 itens, aprovada unanimemente pelas centrais sindicais e já apresentada aos candidatos e à sociedade.

 

Se alguns dirigentes sindicais cometessem a vilania de trocar a promessa de afrouxamento dos rigores da lei contra os recursos sindicais pela aceitação de todos os aspectos negativos da lei contra os trabalhadores isto reforçaria a separação entre cúpula e base, entre direção e representados e a suspeita de que os dirigentes só “pensam naquilo”.

 

Ainda mais porque a aceitação da lei vem acompanhada de outras propostas direta e indiretamente lesivas aos trabalhadores configurando um programa de governo reacionário e contrário aos seus interesses.

 

As ilusões que, por ventura, tal arranjo suscitasse desprezam a constatação das que naufragaram sucessivamente depois da promulgação da lei.

 

É impensável um Congresso Nacional futuro que dê aval a um programa regressivo de governo e seja capaz, ao mesmo tempo, de “corrigir” os excessos da lei exclusivamente para beneficiar as entidades sindicais.

 

O movimento sindical não pode, em troca de um prato de lentilhas, desprezar o cardápio apresentado por um candidato reacionário onde, se todos os pratos são envenenados por que apenas o prato de lentilha não o seria?

 

 

 

 

João boneco 80 *consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

Por João Guilherme Vargas Netto


Antes mesmo do curto período que precede o 10 de agosto, dia nacional de luta e em que os partidos têm a obrigação legal de realizarem suas convenções, alguns sindicatos, centrais sindicais e o Dieese têm recebido, a convite, candidatos à presidência da República para ouvir suas propostas e apresentar-lhes a nossa pauta (a poderosa Confederação Nacional da Indústria para fazer o mesmo conseguiu reunir vários deles em sessão contínua).
Cito como exemplos o sindicato dos metalúrgicos de São Paulo e o sindicato dos engenheiros do Estado, sendo que este último apresenta-lhes a versão atual de seu “Cresce Brasil + engenharia + desenvolvimento”. A UGT e a Força Sindical também têm cumprido um cronograma de convites.

Alguns sindicatos recebem candidatos a governador com os mesmos propósitos acrescidos de preocupações mais localizadas, como fez o sindicato dos hoteleiros cuja pauta abrange inúmeras questões atinentes ao governo do Estado, como o turismo local.

Com meu conhecimento nenhuma entidade se dispôs ainda a ouvir candidatos a cargos eletivos proporcionais, deputados estaduais, federais e senadores (embora as eleições destes últimos sejam majoritárias, mas sem segundo turno).

A dificuldade em fazer isto pode decorrer do fato de que um convite a um candidato a cargo legislativo já é quase uma declaração de apoio a ele, o que não ocorre com os postulantes a cargos majoritários porque, em princípio, todos podem ser convidados sem discriminação.

Esta dificuldade, que é real e compreensível, deve ser enfrentada e superada com a escolha criteriosa de candidatos sujeitos a um protocolo que os defina de maneira categórica, razoável e justificável sem dar brechas à acusação de partidarismo ou discriminação.

Pode ser o pertencimento à mesma categoria representada pela entidade ou o apoio indiscutível e ao longo do tempo do candidato às pautas sindicais respectivas ou às lutas travadas pelos trabalhadores; o prestígio pessoal e a capacidade eleitoral devem ser levados em conta.

Há inúmeras outras formas de, evitando a partidarização, cumprir ao mesmo tempo a tarefa de “descarregar” (um termo antigo de eleições passadas) as intenções de votos da base em tal ou qual candidato a deputado estadual, federal ou senador.

Não devemos nunca nos esquecer de que o futuro presidente e os futuros governadores governarão com casas legislativas eleitas já no dia 7 de outubro (primeiro turno) e dependerão destas para realização de seus programas. A nós interessa nelas uma melhora da correlação de forças.



João Guilherme Vargas Netto*

 

Há duas linhas expressivas que atravessam toda a sociedade e se cruzam formando o X da questão.

 

A primeira delas, decorrente da própria confusão que estamos vivendo, é a linha da ordem e da exigência de arrumação em um ambiente que desagrada a todos.

 

A outra, decorrente da precariedade social e do travamento da economia, é a linha das expectativas e das reivindicações exigindo atendimento e proteção.

 

Cada uma delas pode ter, na arena política, um outro nome e ser apresentada pelos porta-vozes ou pré-candidatos de maneira mais ou menos incisiva e convincente.

 

Mas é sua intersecção que provocará uma avalanche de votos e um lugar proeminente para quem, descoberto este centro de gravidade, considerá-lo como fulcro de sua campanha.

 

Para o movimento sindical dos trabalhadores esta intersecção tem o nome de resistência.

 

Resistência ao desarranjo e à insegurança provocados pela lei trabalhista celerada nas relações de trabalho e na capacidade de ação dos sindicatos (e demais entidades) e resistência quanto às reivindicações a serem atendidas, a começar pela retomada do desenvolvimento, diminuição do desemprego e respeito aos acordos e convenções coletivas.

 

A agenda prioritária da classe trabalhadora encarna a disposição de luta do movimento sindical e, em uma história que valoriza a CONCLAT do Pacaembu e o Compromisso pelo Desenvolvimento, apresenta-se na atualidade política brasileira como a grande contribuição sindical nas disputas eleitorais.

 

Se a agenda prioritária – unidade, resistência e emprego – for encampada pelos candidatos em resposta às demandas de segurança e de atendimento às reivindicações dos trabalhadores poderemos contribuir para a vitória daqueles mais favoráveis à democracia e ao progresso social, contra o reacionarismo de uma ordem truculenta e a demagogia de um populismo oportunista de ocasião.

 

 

 

 

 

 

Joao boneco atual  *Consultor sindical.

 

 

 

 

 

João Guilherme Vargas Netto*

Há duas constatações fortes sobre a vigência da lei trabalhista celerada: ela já produziu resultados desorganizadores irreversíveis e, devido à insegurança social, política, jurídica e econômica que cria, não prevalecerá e terá que ser alterada.

Esta realidade configura a dupla ação do princípio do tubo da pasta de dente que espremido não permite a volta da pasta para dentro do tubo (os efeitos desorganizadores irreversíveis da lei) e do princípio do desequilíbrio da pirâmide apoiada sobre o seu vértice (que exige a mudança da lei devido à insegurança que ela cria).

Reconhecendo os efeitos desorganizadores da lei (e até mesmo o encerramento dramático de um ciclo em que o movimento sindical dos trabalhadores foi protagonista) o esforço estratégico do movimento deve ser o de resistir à lei e demonstrar a todos a insegurança criada por ela.

A lei celerada deve, portanto, ser modificada no futuro por atos legislativos precedidos hoje pela resistência à sua aplicação nas empresas, nas negociações coletivas e na Justiça do Trabalho; como dizem os metalúrgicos: a luta faz (e desfaz) a lei.

E a ata de acusação à lei como criadora de insegurança é longa: ela destrói direitos trabalhistas consagrados, agride os sindicatos e os inviabiliza, desorganiza as relações de trabalho nas empresas, restringe o acesso à Justiça do Trabalho, escancara uma situação intolerável, irresponsável e malévola no Congresso Nacional acoelhado e contribui poderosamente para a desorganização social e para a informalidade. A lei, como já está provado, não cria emprego e é um entrave à própria retomada do desenvolvimento econômico.

De maneira emergencial os sindicatos lutam para garantir recursos financeiros junto à base representada e defendida promovendo assembleias de trabalhadores, negociando com as empresas as convenções e acordos coletivos, realizando campanhas de sindicalização e de ressindicalização e oferecendo serviços úteis às categorias.

Ao mesmo tempo em que resiste à lei, demonstra a insegurança criada por ela e procura se equilibrar financeiramente, o movimento sindical tem a obrigação de participar do esforço democrático que garanta a realização das eleições gerais de outubro e deve apresentar aos presidenciáveis e aos candidatos sua plataforma unitária que determinará suas alianças e participação no pleito.

O primeiro item de tal plataforma deve se exatamente a exigência da revogação da lei trabalhista ou de mudança em alguns de seus aspectos relevantes substituídos por legislações futuras que corrijam seus erros, omissões e exageros (o que o Congresso Nacional não quer fazer na atual legislatura) e recriem a segurança social, política, jurídica e econômica que se espera de uma lei.

Esta deve ser, a meu juízo, a grande estratégia atual do movimento dos trabalhadores, sem bravatas e sem ilusões.


Joao boneco atual

* Consultor sindical






João Guilherme Vargas Netto*


O sindicato dos professores da rede privada de São Paulo (Sinpro) e a federação estadual perguntaram a uma amostra de filiados durante o ano de 2017 por que haviam se associado. A resposta mais abrangente foi a de que procuravam proteção.

À pergunta sobre o porquê da desfiliação (em outra amostra) os entrevistados responderam com as dificuldades financeiras para o pagamento das contribuições.

A rede sindical dos professores de São Paulo, que brilhou no primeiro semestre nas lutas dos trabalhadores contra as deformas, colheu na pesquisa o resultado de seus esforços. Está bem na fita.

A pesquisa servirá para orientar os esforços das entidades em manter os associados, reconquistar aqueles que se desfiliaram e ampliar o quadro associativo.

Há um posicionamento firme de resistência contra as deformas trabalhista e previdenciária e contra as tentativas do patronato de fazer predominar a famigerada lei (antes mesmo de sua vigência) sobre as convenções negociadas, o que desmascara a hipocrisia patronal do negociado prevalecendo sobre o legislado.

As diretorias, unidas e atuantes, têm realizado inúmeras reuniões que aumentam a compreensão entre os professores das agressões que podem sofrer e das maneiras de resistir a elas, com os sindicatos e a federação.

No Sinpro o presidente reuniu-se com todo o corpo de funcionários, essenciais aos serviços prestados pelo sindicato, para garantir-lhes a manutenção do emprego e a valorização de seu empenho. O sindicato rejeita a ideia e a prática do desmanche da ação sindical.

Em cada fim de ano, com a sazonalidade específica dos vínculos de emprego da categoria e o acúmulo de homologações, o Sinpro realizava também um forte trabalho de sindicalização. Este ano, com a vigência da famigerada lei e a suspensão das homologações no sindicato, mesmo assim a diretoria pretende realizar “homologações virtuais”, orientando os professores, apoiando-os em sua resistência à quebra de direitos ou ao não pagamento correto das verbas rescisórias devidas. O Sinpro estará junto com os professores, lhes dará proteção contra os esbulhos.

É um trabalho elogiável. Se alguns no movimento sindical dão a impressão de estarem embarcados no Titanic, o Sinpro e a federação dos professores paulistas navegam nos mares revoltos com leme firme.

 

 

 

Joao boneco atual


 *Consultor sindical

 

 

 

 

 

*Por João Guilherme Vargas Netto


Por diversas razões somente hoje posso escrever sobre a grande reunião nacional dos metalúrgicos que aconteceu em São Paulo, no dia 4 de agosto, a convite de Miguel Torres, que foi o anfitrião.

Reuniram-se 40 representantes de cinco centrais sindicais e de confederações, federações e sindicatos do setor com a pauta da resistência à deforma trabalhista. Uma reunião de quem tem apito na boca e cujos nomes mereciam ser escritos aqui.

Em clima fraterno de resistência unitária (o mesmo clima que testemunhei na reunião ampliada da direção do sindicato dos metalúrgicos de Curitiba, dois dias depois) deu o tom, com as intervenções, propostas e decisões apontando o rumo consequente das tarefas a serem cumpridas.

Ficou determinada a organização de uma coordenação de comunicação capaz de unificar e dar coerência aos materiais de agitação e às campanhas.

A grande preocupação dos dirigentes foi a de estarem juntos às bases representadas, atuando para orientá-las, mobilizá-las e uni-las na luta comum, apesar das dificuldades momentâneas.

Houve também a preocupação de enfrentar as novas investidas do governo e do Congresso para fazer a deforma previdenciária. Como ficou demonstrado nas três grandes datas de luta do primeiro semestre (o 15 de março, o 28 de abril e o 24 de maio) a resistência à deforma previdenciária é unânime entre os trabalhadores e os leva à indignação e à luta.

O pacto produtivista, contra a desindustrialização, também é uma preocupação permanente.

Mas a principal preocupação imediata foi a de unificar e reforçar as campanhas salariais dos metalúrgicos, escalonadas durante o segundo semestre. A previsão é a de que o patronato, excitado pela aprovação da lei da deforma trabalhista, queira aplicá-la como parâmetro, desde já, nas negociações.

Embora não haja, de imediato, a condição para uma unificação orgânica das diversas companhas, firmou-se unanimemente a determinação de conduzi-las da maneira mais unitária possível, com ajuda mútua e acolhimento das melhores conquistas, resistindo ao desmanche das convenções coletivas atuais e valorizando as cláusulas que exigem negociações coletivas.

Os metalúrgicos fixaram novas datas para as reuniões futuras e planejam, auxiliados pelo Dieese e pelo Diap, realizar em setembro uma plenária nacional capaz de garantir maior unidade, força e eficácia à luta comum dos trabalhadores.

 

 

 

Joao boneco atual  


   João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

*Por Luiz Antonio Bressani

As cidades brasileiras foram construídas num período diferente do que enfrentamos hoje e poucas foram projetadas adequadamente. Além disso, em muitas cidades houve grande expansão nas últimas décadas, praticamente sem planejamento. Lembre: as condições climáticas eram outras. O cenário para o futuro exigirá grandes alterações para que as cidades se adaptem às mudanças climáticas e possam conviver com elas de forma resiliente, mitigando efeitos ou evitando que desastres aconteçam – sobretudo de maneira tão frequente como vem ocorrendo.

São intervenções importantes, que variam para cada situação urbana e regional, muitas vezes com magnitude maior do que a população e o Poder Público atual gostariam. Em muitos casos será necessário, por exemplo, remover populações de áreas mais suscetíveis a inundação ou escorregamentos, estabilizar encostas antes mais estáveis, abrir canais de maior largura, retomando antigas áreas alagadiças, e segurar água a montante. Prédios precisarão ter depósitos para reter água de telhado. Mas o que antes era apenas uma ideia interessante para os novos empreendimentos, terá daqui por diante efeito mandatório, mesmo para construções antigas existentes (grandes estacionamentos ou telhados de supermercados, por exemplo). O custo disto terá que ser repartido para não repartirmos os prejuízos de inundações. E a sociedade terá que entender o custo do lixo nas drenagens ou da ocupação, sem critérios, de nossos morros urbanos.

Para que essas intervenções ocorram de forma correta e eficaz, só há um caminho: promover uma investigação bem clara das principais causas do que está acontecendo e, com base nas conclusões, definir as mudanças mais adequadas para cada cidade.

O que não podemos mais fazer é “varrer a sujeira para baixo do tapete”, ignorar as mudanças climáticas, as deficiências da infraestrutura, e alegar que aquela foi a maior chuva dos últimos dez anos e que não deve acontecer novamente nos próximos dez (com sorte 15) anos. Esses eventos “atípicos” estão se tornando cada vez mais corriqueiros. E pelo seu próprio crescimento, as cidades estão ficando cada vez mais frágeis diante de uma mudança tão importante do clima. Precisamos estar preparados para lidar com tudo isso.

E o Brasil tem tecnologias e profissionais suficientemente qualificados para fazer as investigações, projetos e executar as intervenções necessárias. Mas certamente não é o bastante. Nós, da comunidade técnica, precisaremos trabalhar para conscientizar as autoridades e a população quanto à necessidade de promover algumas destas intervenções. Precisaremos trabalhar para evitar mais prejuízos materiais nas cidades e, principalmente, para impedir que mais vidas e esperanças sejam levadas por inundações e escorregamentos de terra.

 

Foto: PMSS / Fotospúblicas.com
Deslizamento São Vicente2014
Casa interditada após deslizamento, em São Sebastião, que atingiu cerca de 40 famílias na região da Vila Mineira, em 15/4/2014.

 

 

Engajamento do Poder Público

O Poder Público precisa não apenas conhecer o problema, mas ser pressionado a agir para enfrentá-lo, evitando a repetição insuportável de tragédias que podem ser evitadas. Exemplo disso aconteceu há pouco tempo no Rio de Janeiro.

Vimos que em decorrência dos desastres com deslizamentos de terra (Santa Catarina em 2008; serra fluminense em 2011) houve uma maior conscientização. O Estado do Rio de Janeiro fez um grande trabalho de mapeamento das áreas de risco e prevenção de acidentes deste tipo, houve a implantação de sistemas de alerta na cidade do Rio e até de evacuação dos locais quando necessário. Houve investimentos importantes em prevenção incluindo meteorologia e instrumentação. Nas fortes chuvas ocorridas no dia 21 de junho, no entanto, estes recursos não foram utilizados adequadamente. Não houve alerta. Por quê? Mudanças na gestão pública são a indicação mais evidente; a falta de continuidade no gerenciamento.

E o mesmo vem acontecendo em diversas cidades do País. Existe um trabalho que já vem sendo realizado ao longo dos anos pelos técnicos da área e já está implantado em várias cidades espalhadas pelo Brasil, mas o Poder Público, ao não entender sua importância, subutiliza esses recursos ou não repassa a verba necessária para que os projetos se mantenham vivos.

Na maioria das vezes, os profissionais da área de fiscalização, alerta e Defesa Civil não são de carreira e não têm reconhecimento. Na maioria das cidades não existem serviços públicos permanentes de gestão de risco ou, quando existem, não têm continuidade. Há um desestímulo por parte das autoridades, uma vez que não há suporte para a realização do trabalho e nem carreiras estabelecidas nesta área.

O problema é que o desastre não avisa. Se houver descontinuidade de planejamento de obras ou fiscalização, o desastre cobrará seu preço. Mas bons exemplos existem: o mapeamento geotécnico já sendo realizado nos municípios de Santa Catarina e Pernambuco, o trabalho na área urbana de Salvador, o trabalho continuado na região metropolitana de São Paulo e capital, o trabalho de encostas no Rio, Belo Horizonte e Recife, além de várias outras cidades onde são realizados trabalhos permanentes de mapeamento e gestão de risco de escorregamentos e/ou inundações.

Precisamos que todos os municípios, com apoio dos Estados e União, sigam estes melhores exemplos e práticas, adaptando-os à sua realidade geológica. Temos que oferecer e utilizar todo o conhecimento técnico já disponível para alertar as autoridades e sociedade e trabalhar em prol de cidades mais bem preparadas para o futuro.

Devemos lançar mão do talento, do conhecimento e da força da comunidade geotécnica para ajudar a mover o estado e fazer a sociedade, maior vítima desse descaso, despertar para os riscos. E se parecia que as mudanças climáticas viriam para ficar, agora parece que elas vão continuar piorando. É só o início. Se pouco for feito, os danos decorrentes deste novo ciclo climático vão produzir perdas materiais e humanas cada vez maiores, que poderiam (e devem) ser minimizadas. Parte do desafio é nosso.

 

Foto: Arcanjo 01 CB / SC / Fotospúblicas.com 
Enchente Santa Catarina
Ruas alagadas de Rio do Sul, Santa Catarina, devido a fortes chuvas em junho último.

 

 

* Luiz Antonio Bressani é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e associado e membro da Comissão Técnica de Taludes da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS). Ele será um dos palestrantes na VII Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas, em Florianópolis, em novembro. Saiba mais clicando aqui.

 

 

 

 

A economia brasileira vem encolhendo desde 2014. O PIB per capita caiu 9% no período, ou seja, o valor da riqueza corrente, se dividida pela população, diminui. Em 2017, a queda continuará e poderá ultrapassar 10%, pois a economia permanecerá estagnada, enquanto a população crescerá. Essa perversa dinâmica recessiva continuará a gerar, para a maioria, desemprego, arrocho salarial, informalidade, pobreza e desigualdade. Nessa situação, a visão de futuro fica opaca, e as incertezas aumentam.

Para os setores que construíram e viabilizaram o atalho para a mudança do poder central, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teria poder para reverter as expectativas, e o otimismo mobilizaria a vontade do capital, especialmente internacional, para investir e ampliar a capacidade produtiva da economia brasileira. O País voltaria a crescer, o que faria com que fossem esquecidos os ataques e as violências às instituições, que deixaram claro a parcialidade da democracia no Brasil.

Os fatos que continuam a aprofundar a crise política indicam que há outros motivos para a tomada do atalho institucional. O tortuoso enfrentamento busca viabilizar dois objetivos de grupos e forças econômicas e políticas: fugir do caminho das punições e da cadeia e perpetrar os desvios.

A grave crise institucional amplia os desentendimentos e detona as pontes capazes de abrir caminhos para viabilizar um futuro melhor e fazer com que o País atinja outro patamar de relação entre os setores privado e público. Há muitas práticas a serem extirpadas no mundo das empresas e do Estado e muitas pessoas a serem punidas. Isso vai longe!

A questão é que o combate à corrupção atinge o setor produtivo privado e público, bem como as instituições do Estado que coordenam e financiam investimentos, envolvem dirigentes empresariais e públicos e afetam as práticas de governança. O combate à corrupção trava, no curto e médio prazo, a produção econômica, já debilitada pela recessão.

A experiência internacional e histórica mostra que não se acaba definitivamente com a corrupção. O que se faz é construir instituições e práticas para combatê-la e punir de maneira permanente e incondicional. A transição entre a situação presente – de reconhecimento da amplitude e profundidade do horror que a corrupção produz e identificação dos sujeitos que a promovem – e o futuro deve passar por uma delicada construção política para: (a) confirmar que o combate à corrupção veio para ficar; (b) evitar que a sociedade, mais uma vez, seja a principal vítima dessa mazela, com a destruição da economia, da democracia e das instituições; (c) separar, de maneira inteligente, a maneira de reconstruir o presente e o futuro, fazendo, ao mesmo tempo, o ajuste com o passado.

A saída é encontrar, nos marcos constitucionais e por meio da combalida democracia, a legitimidade para olhar para a frente e construir o curso para a mudança. A transição exige afirmar para a sociedade uma visão de futuro e mobilizá-la por uma utopia – uma situação que ainda não existe, mas que somos capazes de construir.

É preciso dar um tratamento correto ao passado sem destruir o que temos construído hoje e o que poderemos construir. Essa saída é essencialmente política, ou seja, requer a pactuação de novo patamar de relação social, materializada em regras, instituições, práticas de governança e de gestão do uso do recurso público. Será preciso um novo projeto de desenvolvimento nacional, que indique outra dinâmica produtiva, o papel do Estado, a contribuição da população com impostos, bem como o uso que será feito desses recursos.

Há uma lista longa de necessidades, de tarefas, e a escolha dos conteúdos deve ser feita pelas urnas, que devem fechar a tampa do poço ao qual o País desceu e jogar a escada que permitirá a retomada do desenvolvimento econômico e social.

Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

Artigo publicado originalmente pela Agência Sindical



Adilson Roberto Gonçalves*

Fãs dirão que a saga de ficção não foi idealizada para contextualizar fatos científicos ou promover a ciência. Em contraposição a outros filmes e séries de sucesso, Star Wars não é aquela que prima por ser baseada na ciência, mas alguns fatos e situações podem ser inferidos e aproveitados, antes mesmo que houvesse, ao menos aqui no sul da América, rótulos como geek, nerd e outros.

Predominam os aspectos sociais de conflito filho-pai, ditadura-democracia, fé-evidências, adolescente-adulto, que são norteadores dos enredos, com marcante inspiração shekespeareana. No âmbito das humanidades, é nítido o paralelo com a realidade, por meio da perda do relato histórico, uma vez que guerras e sistemas de governo parecem esquecidos, com surpresas sobre fatos e acontecimentos, uma vez que não deve ter havido documentação ou ela foi perdida.

Há, no entanto, espaço para a questão científica.

A inteligência artificial é apresentada no filme desde o início, contrapondo a confiança em uma unidade R2-D2 com as características quase humanas e de falta de sensibilidade de C-3PO.

As viagens espaciais de longa distância são tidas como corriqueiras a velocidades acima da velocidade da luz. Apesar dessa impossibilidade, o efeito especial da forma de mudança do espaço é semelhante ao que modernamente se especula como “buracos de minhoca”, ainda que no plano puramente teórico.

O fã sempre quer algo mais de seus filmes prediletos e Star Wars foi até pouco tempo atrás líder nas citações do site moviemistakes.com, que lista os erros de filmes, mostrando não a crítica e, sim, a atenção maior que o filme possui. A cena do stormtrooper chocando-se com o teto da porta metálica foi o mais curtido e as edições em DVD realçaram o som da batida.

Star Wars pode também ser instrutiva por aquilo de equivocado que o filme apresenta, como as explosões sonoras no espaço que, apesar da forte crítica, foram amplamente utilizadas como exemplo da necessidade de meio material para a propagação de ondas de som. No filme, diferentes seres convivem e diferentes linguagens podem ser facilmente entendidas, sendo a cena da cantina em Mos Eisley a mais típica dessa improvável interlocução. Somente no final de 2016, com o filme “A chegada”, é que o assunto de comunicação intergaláctica passou a ser explorado de forma aprofundada e competente em filmes de ficção científica.

Assim, Star Wars, além de ótimo entretenimento, é uma porta para se deslumbrar com a ciência e também para descobrir o que a ciência não é.

 

 



Adilson Roberto Gonçalves é doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), livre-docente pela Universidade São Paulo (USP) e pesquisador do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Universidade Estadual Paulista em Rio Claro (Unesp - Rio Claro).

 

 

 

 

Desde que começaram a ser implementadas, as ciclovias de São Paulo têm despertado reações diversas na cidade. Há motoristas que se irritampor ter de fato perdido espaço no trânsito, há os que se incomodam, mas que compreendem e apoiam a ação, e há ainda os que, diretamente beneficiados ou não, desejam realmente que o paradigma da mobilidade na cidade de São Paulo seja transformado. Pesquisas de opinião indicam, no entanto, que a maioria da população apoia a iniciativa.

Na semana passada, porém, a Justiça determinou a paralisação das obras cicloviárias da cidade – com exceção da ciclovia da Avenida Paulista –, atendendo a pedido do Ministério Público. Cicloativistas e organizações da sociedade civil imediatamente se mobilizaram, realizando protestos e divulgando carta na qual repudiam a medida.

Ainda que o MP tenha razão em alguns dos motivos que expõe, acredito que a paralisação das obras seja um equívoco. Vejamos: a promotora Camila Mansour tem razão quando afirma que muitas das ciclovias não têm projetos adequados e que não houve debate público suficiente, especialmente nos bairros onde foram implementadas. Tanto ela tem razão que em alguns trechos houve necessidade de readequação das ciclovias após sua implementação. A representação apresenta fotografias evidenciando alguns desses erros, que muitas vezes oferecem riscos à segurança dos próprios ciclistas.

Por outro lado, algumas questões que ela aponta não fazem sentido, como, por exemplo, exigir estudo de impacto no trânsito ou afirmar, citando engenheiros, que o sistema cicloviário não pode alterar o sistema de circulação de veículos. É evidente que a redução do espaço dos carros, seja para a implementação de uma ciclovia, seja para uma faixa exclusiva de ônibus, altera – para pior – o trânsito para os carros. Isso é esperado e faz parte da opção feita pela cidade – a meu ver, correta – de priorizar outra lógica de mobilidade que não a do transporte individual motorizado.

Em um espaço finito – o sistema viário – a discussão é de prioridade. Historicamente, o carro reinou soberano: era dono da via, do meio-fio etc. E o transporte coletivo e os modos não motorizados (bicicletas e pedestres) eram sistematicamente preteridos. A inversão de prioridade altera este equilíbrio, a partir de uma nova opção e de uma nova política. E isso não é apenas uma decisão do atual prefeito, não. Trata-se de política urbana prevista no Plano Diretor de São Paulo desde 2002 e reafirmada em sua última versão, aprovada no ano passado. E que agora a cidade está – finalmente – implementando.

Agora, sabemos da enorme dificuldade que gestores municipais têm para implementar projetos. Os questionamentos que a promotora faz – alguns com absoluta razão, como já afirmei – não dependem da suspensão das obras para serem observados e resolvidos. Podemos readequar projetos implantados sem a devida consulta e refazer obras que não foram implantadas de acordo com os projetos. Podemos também exigir que os planos sejam publicizados e debatidos e que os projetos sejam mais detalhados antes de serem implantados daqui pra frente.

Paralisar as obras me parece atitude muito radical quando existem outras formas de aperfeiçoar os projetos e promover o diálogo, sem interromper a implementação de uma política fundamental para a cidade.



Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.


Fonte: Yahoo!Blogs




José Pastore é incansável na defesa de seus pontos de vista. Às vezes essa tarefa lhe custa caro, principalmente quando ele se insurge contra a força dos fatos e dos números. Isso aconteceu em seu último e longo texto no Estadão, contra a política de valorização do salário mínimo, negociada pelas Centrais Sindicais unidas e o governo e que (ele mesmo reconhece) tem produzido tão bons resultados na economia. Segundo Pastore, ela não deve continuar.

Não porque tenha procurado recuperar o valor constitucional do salário mínimo, mas porque ao incorporar a inflação passada, funciona como indexador na contramão da luta anti-inflacionária.

Vejam que contradição: para Pastore, a recuperação das perdas por conta da inflação deprime a produtividade. Ora, a reposição da inflação passada é mera corrida contra a perda e por si só não altera, de qualquer ponto de vista que se queira, a produtividade.

Mas Pastore vai além. Os próprios Pisos estaduais, porque forçam os salários para cima, são um obstáculo, nos Estados que o praticam, ao crescimento da produtividade, que para o professor necessita de salários deprimidos.

Pastore advoga, corretamente e segundo os ditames da OIT (Organização Internacional do Trabalho), uma ampla negociação tripartite sobre o tema. Mas, como obra defeituosa, insiste em que ela (a negociação, que pode ser tripartite, mas foi bipartite) se dê em 2015.

Em 2015 seremos engenheiros de obra feita.

A grande discussão deve se dar desde já, na própria campanha eleitoral de 2014, quando serão eleitos os executivos e legisladores do ano vindouro.

Tomemos como exemplo os Pisos regionais. Dependendo das eleições de governadores e deputados estaduais que ocorrerão em 2014, Minas Gerais e Pernambuco, por exemplo, continuarão a ser grandes Estados sem Piso regional ou avançarão para se colocarem no pelotão que agrega Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.


* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical







A crise do sistema de geração de energia vai além dos atuais baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas que geram nossa energia. Na verdade, afloram falhas do atual modelo mercantil do setor, que se mostra vulnerável a manobras de empresas que obtém altíssimos lucros com a crise.

Segundo relatório divulgado na imprensa pelo JP Morgan, três geradoras lucrarão alto com o aumento dos preços no mercado de curto prazo. Nos cálculos do banco, um grupo de três geradoras – Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia Paranaense de Energia (Copel) – pode ter receitas adicionais de R$ 7 bilhões ao ano, caso seja mantido o preço de R$ 822,83 o megawatt-hora (MWh) dentro do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Vale lembrar que a Lei nº 11.783/2013 (MP 579), que trata da renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição do setor elétrico, impôs uma redução tarifária às geradoras com concessões vencidas ou a vencer até 2015. Como contrapartida, as empresas receberiam um novo contrato de concessão por mais 30 anos. Com regras injustas de indenização de ativos não amortizados, a medida arrefeceu o ambiente até então cooperativo que, de certa forma, ainda vigorava no setor elétrico.

As geradoras vinham recebendo cerca de R$ 80 a R$ 90 por megawatt-hora produzido. Na época, dizia-se que as hidrelétricas “velhas” já haviam sido pagas pela sociedade e uma redução tarifária foi imposta aos novos contratos de concessão. Os preços de venda foram reduzidos para menos de 25% do que vinham recebendo.

As geradoras federais do grupo Eletrobrás, Furnas, Chesf e Eletronorte, tiveram de aceitar as novas regras. Entretanto, outras empresas estatais como Cesp, Celesc, Cemig e Copel, não aceitaram a prorrogação. Com o fim da vigência dos contratos de venda e compra de energia “existente” no final de 2012, não quiseram ofertar energia nos leilões ocorridos em 2013 por preço-teto de R$ 192,00 por MWh. Uma ironia, pois até então se pagava metade deste valor, o que já era excessivo.

A contradição é que todas as distribuidoras encontram-se subcontratadas. Dentre elas, a Celesc, a Cemig e a Copel são obrigadas a adquirir no mercado de curto prazo a energia faltante pagando R$ 822,83 o MWh. O lucro das empresas geradoras vai para seus acionistas e os prejuízos das empresas distribuidoras são repassados aos seus consumidores o que, em parte, está sendo absorvido pelo governo federal.

Vale esclarecer que os concessionários das hidrelétricas – em grande parte já amortizadas – se aproveitaram da crise para “esconder” sua energia nos leilões promovidos pelo governo e, assim, receber valores escorchantes pelo produto. Neste cenário, o aporte de recursos do Tesouro Nacional às Distribuidoras de Energia, que para o ano foi aumentado para R$ 13 bilhões, somado com a captação de R$ 11 bilhões do setor privado, se mostra equivocado, pois não se trata de diferença, e, sim, sobra deliberada de energia. O prejuízo será o acúmulo de uma conta que se tornará impagável em 2015.

Uma medida simples, emergencial e de maior eficácia seria mudar a forma de cálculo do PLD, ao limitá-lo a um valor inferior ao atual, por exemplo, R$ 300,00 o MWh. Não se estará desrespeitando contratos, mas incentivando que eles se realizem.

Os agentes do setor elétrico sempre pleitearam que as regras setoriais deveriam ser estáveis e os contratos deveriam ser cumpridos e respeitados. Mas estamos numa situação clara de conduta anticoncorrencial, na qual o concessionário não assina contrato e não vende sua energia.

O modelo setorial mostra fragilidades que vêm sendo aceitas como naturais por técnicos do setor elétrico, mas sujeitas a questionamentos pela sociedade. Modificações estruturais no modelo do setor elétrico se fazem necessárias para que o interesse público volte a prevalecer sobre interesses mercantis.

* Por Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) e do Instituto Estratégico de Desenvolvimento do Setor Energético (Ilumina). Artigo publicado originalmente em O Estado de São Paulo, em 12/4/14.








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Rogério Santos, diretor executivo do Instituto Impacto  

 

 

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