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“JE é marco na história sindical”

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Rita Casaro

 

Na avaliação do consultor e analista político João Guilherme Vargas Netto, o Jornal do Engenheiro é um dos melhores exemplos de comunicação do movimento dos trabalhadores. Ao chegar aos 40 anos, que se completam neste mês de janeiro, é também “um marco na história sindical brasileira”.

 

Assessorando o SEESP há décadas e membro do Conselho Editorial da instituição desde a sua criação, ele aponta na existência dessa estrutura um dos elementos do sucesso da publicação. Completam o tripé a compreensão da direção quanto à importância da comunicação sindical e a existência de equipe profissional capaz de realizar as tarefas necessárias.

 

Para Vargas Netto, que assessora o sindicato há décadas, foram principalmente os últimos 20 anos que determinaram as atuais características da publicação que deve agora avançar em formato exclusivamente digital. “Uma das experiências que a pandemia trouxe e que deve ser analisada para projeção futura é a valorização dos meios eletrônicos (...) Eu não sentirei falta do Jornal do Engenheiro em papel. Nós temos hoje um padrão de comunicação no SEESP que é o padrão do século XXI.”

 

Confira a seguir os principais trechos da entrevista ou assista à íntegra no vídeo abaixo.

 

 

Qual a importância de uma publicação como o Jornal do Engenheiro?


O Jornal do Engenheiro, que comemora 40 anos, é um marco na história sindical brasileira. Temos que começar destacando isso. Embora existam muitos sindicatos, até mesmo centenários, e muitas publicações há décadas, é elogiável um jornal com duração de 40 anos. Além desse fato, o JE articula todo o sistema de comunicação sindical entre os engenheiros, sindicalizados ou não. E sobretudo, ao longo da história, se transformou de um jornal meramente sindical para um de orientação ampla. O Jornal do Engenheiro não é só um exemplo positivo, mas talvez seja um dos melhores exemplos.

 
Joao GuilhermeVargas Netto: "Nós temos hoje um padrão de comunicação no SEESP que é o do século XXI." Foto: Beatriz ArrudaO que se destaca nessas quatro décadas de história da publicação?

Levando em conta os 40 anos, mas mais especificamente os últimos 20 em que o JE vai adquirindo suas características marcantes e próprias, quero destacar três fatores essenciais. O primeiro foi o amadurecimento da direção sindical para a necessidade de uma comunicação efetiva e permanente. Isso fica muito claro quando se toma a decisão de criar o Conselho Editorial. É o único sindicato que eu conheço que tem mantido essa experiência. Outro elemento que valorizo e nisso quero tirar chapéu para a direção, em particular para o eng. Murilo, é o apoio dado à existência de uma equipe de comunicação própria hábil e inteligentemente dirigida.

 

Como o JE se insere no esforço do conjunto da imprensa sindical?
Uma velha ideia é que a comunicação é o andaime em volta de um edifício em construção. Ao mesmo tempo em que projeta, dá garantia para que haja equilíbrio. Esse é o papel estratégico da comunicação: comunicar a partir das ideias-mãe da entidade. Um jornal sindical, diferentemente dos veículos grandes que disputam a ideia – discutível – da imparcialidade, tem dono, que é o interesse da categoria que ele representa. A comunicação sindical, portanto, é interessada e serve também para orientar. O JE tem 40 anos, mas foram os últimos 20 que formaram a característica dele na atualidade. [Ao longo desse período], não houve nenhum elemento de escândalo ou contestação a respeito das sucessivas edições. Isso é um feito espetacular, porque a comunicação ajuda a organizar a cabeça dos dirigentes. Ao elaborarmos a pauta [no Conselho Editorial], isso ajuda a direção a pensar melhor as suas tarefas. Quantas pautas do jornal se transformaram em orientação na vida do sindicato? Como a experiência tríplice do sindicato – direção, Conselho Editorial e trabalho profissional – produziu, por exemplo, a possibilidade de o presidente, eng. Murilo, se manifestar sobre os temas mais variados, ancorado na expectativa dos profissionais de maneira pertinente? Isso só é possível porque há um trabalho contínuo que conjuga vontade diretiva, auxílio de formulação e atuação profissional.

 

O que você vislumbra para o futuro da publicação que passa agora a ser exclusivamente digital?

Eu volto a insistir no tripé: direção convencida da necessidade da comunicação, Conselho Editorial ativo e conjunto de profissionais capazes de realizar. O 1º de Maio de 2020 foi o primeiro virtual, não só pela pandemia que impedia aglomerações, mas também por perspicácia do movimento. Uma das experiências que a pandemia trouxe e que deve ser analisada para projeção futura é a valorização dos meios eletrônicos, sem abrir mão da necessidade de as direções se comunicarem com as bases, o que é essencial. Os meios eletrônicos se revelaram mais ágeis para essa tarefa que os impressos. Eu chego a pensar que uma mesa de negociação articulada com a comunicação eletrônica pode se transformar numa “mesa-assembleia”. Eu não sentirei falta do Jornal do Engenheiro em papel. Nós temos hoje um padrão de comunicação no SEESP que é o padrão do século XXI, com limitações obviamente. Mas não há tarefa que a Comunicação do SEESP não possa resolver bem. Nós vamos levar muito tempo para poder fazer assembleias no grande auditório do sindicato. Qual o desafio hoje? É garantir um congraçamento e uma participação tão intensos quanto nas memoráveis reuniões, seminários, eventos feitos presencialmente. Temos condições hoje de superar as dificuldades realizando de maneira intensa, participativa, efetiva e inteligente [a distância] tudo aquilo que uma assembleia virtual nos provoca, como emoção e coordenação de pensamento.

 

 

 

 

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