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No dia 19 de junho próximo, às 18h30, será realizado o seminário “Petróleo, Petrobras, engenharia nacional e a retomada do crescimento”, na sede do SEESP, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista). A atividade é uma realização conjunta da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), além do sindicato.

Arte: Eliel Almeida


As entidades realizadoras destacam que a indústria do petróleo se sobressai mundo afora como um dos principais vetores ao crescimento socioeconômico e como fundamental no desenvolvimento de diversas áreas da engenharia. No Brasil, mesmo depois da quebra do monopólio e dos leilões de concessão na década de 1990, a Petrobras sempre desempenhou com maestria esse papel.

Nos últimos meses, contudo, essa realidade mudou. Os investimentos minguam e/ou “migram” para outras nações. Licitações bilionárias (em dólares) se dão sem a participação de empresas brasileiras. Em consequência, o desmantelamento da engenharia nacional, com cortes em pesquisa, gestão deficiente, desvios e desemprego em toda a cadeia produtiva.

É hora de aglutinarmos forças, discutir esses temas, conscientizar a população a respeito dos equívocos e inverdades propagados e contribuir com soluções factíveis para que a indústria do petróleo traga reais benefícios à sociedade, com a restauração da cadeia produtiva e a retomada do crescimento da economia em bases mais seguras. É a proposta do seminário “Petróleo, Petrobras, engenharia nacional e a retomada do desenvolvimento”.

Programação

Abertura

Palestras

Desinvestimento e desestruturação da Petrobras
* Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet

A degeneração da política de conteúdo nacional
* Francisco Gonçalves, delegado da Aepet para a Grande São Paulo

Situação financeira da Petrobras x capacidade de investimento
* Ildo Sauer, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor da Petrobras

 

Comunicação SEESP

 

 

“O que nos une é um projeto de Brasil.” Assim o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL) resume a ampla e variada representação durante a segunda reunião da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, à qual coordena. Realizado nesta quinta-feira (9/02) em Brasília, com a presença de diversos parlamentares e lideranças da área produtiva e tecnológica, entre as ações prioritárias, o encontro apontou a necessidade de barrar iniciativa que coloque em risco a garantia de conteúdo local no próximo leilão da Petrobras.

Nessa linha, entre três requerimentos aprovados, um deles é para realização de audiência pública com o propósito de debater sobre empresas convidadas pela empresa para construção da unidade de processamento de gás natural do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Os outros dois permitem instalar audiências para debater sobre obras inacabadas e a malha ferroviária brasileira, esta última programada para começo de março e com o subsídio de um documento entregue a Lessa pela diretora da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) Clarice Soraggi. Já o Sindicato dos Engenheiros no Rio Grande do Sul (Senge-RS) passou às mãos do parlamentar documento sobre a Lei de Licitações (8.666/1990), cujas mudanças encontram-se em discussão no Congresso Nacional. 


Fotos: Rita Casaro
Reunião da Frente teve participação em peso de parlamentares, representantes sindicais e empresariais.

Já à abertura, Murilo Pinheiro, presidente dessa entidade e do SEESP, expressou a preocupação central durante o ensejo, ao ler o Manifesto à Nação brasileira. No documento, a posição clara da engenharia: “Representamos aqui o conjunto de empresas instaladas no País, sem distinção entre o capital nacional e o estrangeiro. Não temos medo da competição. Não podemos, todavia, concordar com a exclusão sistemática das nossas empresas de processos licitatórios, como pode ocorrer na reativação das obras do Comperj, para a qual a Petrobras convidou apenas empresas estrangeiras, a menos que venham elas a operar no Brasil, gerar empregos e contratar máquinas e equipamentos fabricados aqui.” 

A busca por deixar de fora as companhias brasileiras soma-se a outros projetos considerados deletérios ao desenvolvimento nacional (confira reportagem em https://goo.gl/CEuTWx). “Acompanhamos o anúncio de uma série de medidas que parecem colocar em jogo o modelo pelo qual o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) funciona e financia o desenvolvimento nacional. Por exemplo, no comitê relativo ao conteúdo local, o representante dessa instituição e o da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) perderam o direito a voto”, afirmou o diretor da Associação dos Funcionários do BNDES Arthur Koblitz.

Os participantes pretendem fazer gestões para impedir que decisões sejam tomadas a toque de caixa, por esse comitê do governo federal, o qual faz parte do Programa de Estímulo à Competitividade da Cadeia Produtiva, ao Desenvolvimento e ao Aprimoramento de Fornecedores do Setor de Petróleo e Gás Natural (Pedefor). 

À audiência, o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, salientou que o movimento em defesa do conteúdo local e da engenharia nacional conseguiu adiar a próxima reunião do comitê para dia 16. “Temos que mobilizar o que for possível para um novo adiamento. A Noruega é rica em petróleo, exige conteúdo local na exploração da riqueza do Mar do Norte e hoje tem um dos mais elevados Índices de Desenvolvimento Humano. A Nigéria, com sua riqueza extraída pelos grandes fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, sem um projeto de desenvolvimento, tem 70% da população abaixo da linha da pobreza. O que estamos discutindo é se teremos o modelo Noruega ou Nigéria”, enfatizou. Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, lembrou que a China não permite o estabelecimento em seu território de nenhum conglomerado estrangeiro se não for mediante parceria para transferência de tecnologia. “Os Estados Unidos e o Canadá fazem isso. Não podemos deixar que nossa capacidade instalada seja desmontada, fazendo o saneamento financeiro da Petrobras e os acordos de leniência às empresas aqui instaladas necessários.” Na mesma linha, Arthur De Almeida Jr., da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), colocou que o que está em debate é se “a Petrobras faz parte do projeto nacional ou não”. Leonardo Urpia, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), destacou que propostas na contramão da defesa do conteúdo local, com desinvestimento e ingresso indiscriminado de empresas internacionais, vão retirar empregos e prejudicar o desenvolvimento. 

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) foi enfática: “Não podemos conviver com uma situação em que a engenharia esteja posta em risco, como está agora. Temos centenas de profissionais qualificados e empresas que precisam passar para o País as tecnologias desenvolvidas por nossas inteligências. Também queremos valorizar as mulheres que integram a engenharia nacional e reconhecer sua participação na área de ciência e tecnologia. Coloco-me à disposição nessa batalha. Na disputa pela exploração do petróleo no mundo, não podemos permitir que as empresas brasileiras sejam afastadas.” 

Excelente. Assim Murilo classificou a reunião, destacando: “Mostra o acerto da criação da frente e do apoio irrestrito da FNE a essa iniciativa. Continuamos o trabalho agora tendo como prioridade a discussão sobre o conteúdo local para os próximos leilões da Petrobras.” A próxima reunião em Brasília está prevista para meados de março.

A preocupação de todos que participaram da reunião da Frente foi com a retomada do crescimento do País,
para tanto necessário se faz investir na engenharia e no conteúdo local.

Presenças
Participaram ainda da reunião da Frente os deputados Leônidas Cristino (PDT-CE), José Carlos Aleluia Costa (DEM-BA), Assis Melo (PCdoB-RS), Chico Alencar (Psol-RJ), Luiz Sérgio (PT-RJ), Valdir Colatto (PMDB-SC), Edmilson Rodrigeus (PSOL-BA), Mauro Pereira (PMDB-RS), Carlos Zarattini (PT-SP), Rafael Motta (PSB-RN), Davidson Magalhães (PCdoB-BA), também da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras; o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva; os senadores Wellington Fagundes (PR-MT) e Hélio José (PMDB-DF); e o ex-presidente do Clube de Engenharia, Raimundo de Oliveira.

 

Soraya Misleh
Comunicação SEESP
Com informaçoes de Rita Casaro

 

 

 

 

 

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O Brasil deve investir na formação de doutores para avançar cientificamente nas engenharias. A observação é do diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Arlindo Philippi Júnior, em palestra realizada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em dezembro último. Segundo dados do Web of Science, apresentados por ele, de 2009 a 2013 o Brasil publicou 7.871 papers na área, apenas 1,55% do total de artigos publicados no mundo nessa área.

O diretor do órgão ligado ao Ministério da Educação mostrou outros indicadores nacionais sobre a pós-graduação em engenharias, entre 2006 e 2014: em 2006 existiam 267 cursos, número que subiu para 386 em 2014, o que representa um aumento de 45%. Em relação aos docentes, houve aumento de 39% – de 5.839 para 8.088. Nesse período também houve aumento tanto no número de alunos matriculados no mestrado (25%) e no doutorado (66%) quando no número de titulados – 24% no caso do mestrado, 44% no caso do doutorado.

Os dados específicos do Estado de São Paulo mostram que o número de cursos subiu 27%, de 64 para 81, entre 2006 e 2014, e o número de docentes passou de 3.469 para 4.573 (aumento de 32%). Há uma estabilização em relação ao mestrado no Estado paulista – em 2006, havia 3.528 matriculados, contra 3.513 no ano passado; 1.281 se titularam no mestrado em 2006, contra 1.312 em 2014. O doutorado ampliou, passando de 2.649 para 3.361 o número de matriculados (27% de crescimento) e de 506 para 597 o número de titulados (18%).

Confira a íntegra das apresentações aqui.


 

Edição Rosângela Ribeiro Gil
Informações da Poli-USP









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