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No próximo dia 23 de agosto acontece o segundo seminário do ciclo “Ciência que elas fazem”, uma iniciativa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. O ciclo tem como principal objetivo divulgar o trabalho que mulheres da ciência estão realizando ou já realizaram, apresentando a trajetória de cada uma.

O próximo encontro tem como tema “Lógica e pensamento crítico”, e conta com a palestra de Itala Loffredo D’Ottaviano, professora da Universidade Estadual de Campinas e a primeira mulher latino-americana eleita para a Académie Internationale de Philosophie des Sciences.

O ciclo de seminários foi idealizado a partir de uma parceria entre a professora Thaís Jordão, do ICMC, e duas estudantes: Juliana Gimenez, mestranda em Matemática no ICMC, e Jacqueline Lopes, graduanda em Física no Instituto de Física de São Carlos (IFSC). “A ideia surgiu de um crescente movimento da sociedade em busca de divulgar o trabalho das mulheres e suas histórias, em particular a trajetória de cientistas e de suas pesquisas. Muitos desses relatos são pouco conhecidos até em âmbito acadêmico”, explica Jordão.

As organizadoras ressaltam que graduandas, mestrandas, doutorandas e pesquisadoras que atuam no campo da matemática e da física, bem como em áreas correlatas, são bem-vindas a apresentar seus trabalhos no ciclo de seminários. Elas poderão falar sobre as pesquisas que realizam ou abordar a evolução e a contribuição do trabalho de outras pesquisadoras. Para participar, basta entrar em contato por meio do site: http://elascientistas.icmc.usp.br.

A primeira palestra do ciclo foi realizada em 21 de junho, pela aluna do último ano do Bacharelado em Física Computacional no IFSC Natália Palivanas. Ela apresentou a astrônoma Vera Rubin, primeira mulher a trabalhar no maior telescópio de seu tempo.

“Muitas vezes e por todos os lados, garotas são desencorajadas a fazer ciência desde sua infância ou têm seus trabalhos acadêmicos negligenciados. Dar a chance às próprias garotas de mostrarem o que fazem, ou falarem de outras cientistas que representam algo para elas, não é apenas uma fonte de inspiração para outras mulheres que gostariam de estar na ciência, mas também um processo de autovalorização das próprias cientistas”, diz Palivanas.

Os seminários ocorrerão mensalmente, às quartas-feiras, durante a terceira ou quarta semana de cada mês, das 13 às 13h45, sempre no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (USP São Carlos). Em julho, não haverá palestra devido o recesso escolar.

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações de Jornal da USP / Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC

 

 

 

 

Na quinta-feira (30/3), o Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Rosa Luxemburgo realizam o lançamento do livro Feminicídio #InvisibilidadeMata, acompanhado de um debate sobre a perpetuação da violência contra as mulheres até o desfecho fatal. O evento, que será na sede da Ação Educativa, às 19h, se encerrará com uma intervenção da associação Ilú Obá De Min – Educação,  Cultura e Arte Negra, em homenagem à vida das mulheres. Serão distribuídos 200 exemplares do livro gratuitamente durante o evento.

 

feminicidio livro home

 

Sinopse
Feminicídio. Nomear o problema é uma forma de visibilizar um cenário grave: o Brasil convive com violências cotidianas contra as mulheres, o que resulta em uma das maiores taxa de assassinatos femininos no mundo. Além de nomear, a definição do problema mostra também que é preciso conhecer melhor sua dimensão e contextos, bem como desnaturalizar concepções e práticas que colaboram para a perpetuação da violência contra as mulheres até o desfecho fatal.

Neste livro estão sintetizadas as principais contribuições e reflexões reunidas no Dossiê Feminicídio – uma plataforma online que reúne vozes de diversas fontes: especialistas, feministas, antirracistas, ativistas que defendem direitos de mulheres lésbicas, bis, travestis e transexuais, além de pesquisas, dados e documentos.

O leitor também encontra um registro da memória de alguns casos de feminicídio que aconteceram no Brasil, uma forma simbólica de homenagear estas mulheres e também as milhares de vítimas que têm suas identidades diluídas em estatísticas alarmantes. Amanda, Claudia, Eloá, Gerciane, Isamara, Laura, Luana. Mulheres cujas vidas foram interrompidas e que deixaram luto, dor e saudade.

Lançamento - serviço:
Data: 30 de março, quinta-feira, a partir das 19h

Local: Ação Educativa - Rua General Jardim, 660, Centro, São Paulo, SP
Realização: Instituto Patrícia Galvão e Fundação Rosa Luxemburgo
Parceria: Ação Educativa e Ilú Obá De Min



Publicado por Deborah Moreira
Comunicação SEESP
Informações do Instituto Patrícia Galvão





Mesmo cada vez mais qualificada profissionalmente, a mulher ainda enfrenta preconceitos e diferenças no mercado de trabalho, como por exemplo nas áreas da ciência e tecnologia. Foi para debater essa questão que o Instituto Superior de Tecnologia e Inovação (Isitec) promoveu nesta quarta-feira (8) em sua sede, na capital paulista, uma roda de conversa sobre a mulher na engenharia, comemorando o Dia Internacional da Mulher.

O evento contou com a presença de Juliana Yukimitsu, estudante do instituto no terceiro ano de Engenharia de Inovação; Fabiane Becari Ferraz, engenheira agrônoma da empresa WF Ambiental, Engenharia, Estudos e Projetos; e a professora livre-docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Roseli de Deus Lopes. A gerente de Comunicação do SEESP, jornalista Rita Casaro, mediou a atividade. Na plateia, os alunos do Isitec participaram ativamente do debate.

 

Foto: Beatriz Arruda
Roda de conversa mulheres no isitec site 080317Roseli de Deus Lopes, Fabiane Becari Ferraz, Juliana Yukimitsu e Rita Casaro, à frente do debate realizado no Isitec

 

“Essa discussão é de interesse de todos nós, engenheiros, profissionais, cidadãos”, saudou à abertura o presidente do sindicato, Murilo Pinheiro.  Também ressaltando a importância do debate, o diretor-geral do Isitec, Saulo Krichanã Rodrigues, informou que as alunas são 23% do total de estudantes do instituto, mas a turma de Engenharia de Inovação deste ano “é 50% composta por mulheres”.

Fabiane Becari contou sua experiência em 20 anos de formação. A engenheira mencionou diversos casos em que foi destratada por funcionários quando estava em cargos de liderança, somente por ser mulher. “Eles preferiam se dirigir ao engenheiro homem, que nem era o responsável pelo projeto”, disse.

Para a professora Roseli de Deus, agravante é quando essas situações são vistas como normais, “sendo que sabemos que não deveriam acontecer”. “Hoje é um dia de luta das mulheres, que recebem salários inferiores fazendo as mesmas coisas que o homem, são discriminadas”, ressaltou. Idealizadora de um dos maiores eventos de ciências do País, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), ela acredita que para aumentar a participação feminina nas áreas tecnológica e científica ainda são necessárias campanhas “para dizer à mulher que ela pode fazer o que quiser”.

A futura engenheira de Inovação Juliana Yukimitsu garantiu que sempre teve incentivo da família e nunca sofreu tratamento desigual. “Mas não é porque eu não sofri preconceito que eu viro as costas para as tantas mulheres que sofrem, temos que combater essas situações”, salientou.

O calouro Pedro Luiz Mendes Silveira contribuiu com o debate: “Esse quadro de desigualdade não muda de um dia para o outro, é uma mudança gradual, e a melhor forma de acontecer é através da educação.”

 

Confira as fotos da roda de conversa na Fanpage do SEESP.

 

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP

 

 

Lugar de mulher é onde ela quiser. Inclusive na engenharia. É com esse mote que a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), entidade na qual o SEESP é filiado, realiza nesta semana uma campanha de postagens no Facebook em homenagem às mulheres pelo dia 8 de março.

Nas postagens, é ressaltada a crescente participação feminina na área, porém ainda minoritária. Conforme texto publicado pelo jornalista Carlos Orsi (Revista Ensino Superior, Unicamp, 2012), citado na campanha, as mulheres “(...) ainda representam apenas 30% dos formandos (em engenharia), embora já sejam mais da metade da população e detentoras da maior parte (63%) dos títulos acadêmicos no País”. 


Reprodução – post realizado em 6/3

Post FNE para matéria 1 

 

Post realizado em 7/3

Post FNE para matéria 2

  

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a FNE reafirma a importante luta pela igualdade de gênero. As postagens especiais seguem até sexta-feira (10/3) e podem ser acompanhadas na Fanpage da Federação.  


Reprodução – post realizado em 8/3

Post FNE para matéria 3

 

 

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações da Federação Nacional dos Engenheiros – FNE

 

 

 

As mulheres desempenharam um papel fundamental na história da tecnologia. Ada Lovelace desenvolveu o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina. Grace Hopper foi a criadora daquele que é considerado o primeiro software de computador. A freira Mary Kenneth Keller foi a primeira norte-americana a conseguir um PhD em Ciência da Computação e participou da criação da linguagem BASIC. Vivemos em uma época em que já encontramos mulheres em altos cargos de grandes empresas relacionadas com tecnologia.

 

mulheres tecnologia 3


Marissa Mayer atualmente é CEO da Yahoo e anteriormente foi a vigésima funcionária a ser contratada pelo Google, onde trabalhou por muitos anos. Meg Whitman é CEO da Hewlett-Packard, com passagens anteriores pela Disney, DreamWorks, Procter & Gamble e pela Hasbro. Sheryl Sandberg é COO do Facebook. Passando os olhos pelos currículos dessas mulheres, pode parecer que estamos reclamando de barriga cheia, mas isso não é verdade. O fato de Sandberg ter escrito um livro chamado Faça Acontecer, que carrega o subtítulo Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar nos dá a pista de uma realidade que está aí para quem quiser ver: o mercado de tecnologia ainda é um setor dominado pelos homens. Isso está mudando? Sim. A paridade entre homens e mulheres já é a ideal? Longe disso.

Na introdução de Faça Acontecer, Sheryl diz o seguinte: “(…) Mas não é por saber que as coisas podiam ser piores que deixaremos de tentar melhorá-las. Quando as sufragistas marchavam pelas ruas, imaginavam um mundo de verdadeira igualdade entre homens e mulheres. Passado um século, ainda temos que forçar a vista para tentar enxergar melhor essa imagem.

A verdade nua e crua é que os homens ainda comandam o mundo. Isso significa que, quando se trata de tomar as decisões mais importantes para todos nós, a voz das mulheres não é ouvida da mesma forma. Dos 195 países independentes do mundo, apenas dezessete são governados por mulheres. As mulheres ocupam apenas 20% das cadeiras dos parlamentos no mundo. Nas eleições de novembro de 2012 nos Estados Unidos, as mulheres conquistaram um número de assentos no Congresso que ultrapassa todos os anteriores, alcançando 18%. No Brasil, 9,6% das cadeiras no Congresso são ocupadas por mulheres.

A porcentagem de mulheres em papéis de liderança é ainda menor no mundo empresarial. Entre os diretores executivos das quinhentas empresas de maior faturamento nos Estados Unidos, apontadas pela Fortune, as mulheres correspondem a magros 4%. Nos Estados Unidos, elas ocupam cerca de 14% dos cargos de direção executiva e 17% dos conselhos de diretoria, números que quase não mudaram em relação à última década. Essa defasagem é ainda pior para as mulheres não brancas, que ocupam apenas 4% do alto escalão das empresas, 3% dos conselhos diretores e 5% das cadeiras do Congresso. Por toda a Europa, as mulheres ocupam 14% dos conselhos de diretoria. No Brasil, as mulheres ocupam cerca de 14% dos cargos executivos na quinhentas maiores empresas do país. Na América Latina como um todo, apenas 1,8% das maiores empresas tem mulheres na direção executiva.”

Mais adiante, Sheryl afirma que parece que a revolução empacou. Em seguida, ela fala sobre os obstáculos concretos que as mulheres encontram no mercado de trabalho: o machismo descarado ou sutil, a discriminação e o assédio sexual. Para completar, ela diz que não nos bastam as barreiras externas levantadas pela sociedade; ainda somos tolhidas pelas nossas barreiras internas — resultado de anos e anos sendo criadas como mocinhas que recuam, que devem falar usando rodeios, que iniciativa é coisa de homem e que jamais devemos mostrar a envergadura que realmente temos — isso pode deixar os homens assustados.

A história do Mercado de TI no Brasil
Em 1960, a PUC-Rio foi a primeira universidade do país a criar um Departamento de Informática. Em 1968, a UNICAMP lançou o Bacharelado em Ciência da Computação, primeiro curso de nível superior relacionado da tecnologia no Brasil. O Instituto de Matemática e Estatística da USP abriu vagas para o mesmo curso em 1974. Se você teve a oportunidade de ver um curso de Ciência da Computação ou de Sistemas de Informação na última década, sabe que o número de mulheres cursando essas faculdades é baixíssimo. Mas o aspecto mais curioso aqui é o seguinte: quando as turmas de cursos com foco em tecnologia começaram a ser criadas em nosso país, a maioria dos estudantes dessas fileiras eram mulheres. Assim sendo, boa parte dos pioneiros em computação no Brasil eram mulheres. Mas por que razão a situação se inverteu tão drasticamente? A resposta é bem simples: as mulheres estudavam tecnologia quando a profissão era nova no país e ainda não dava dinheiro. Mais tarde, quando a formação nessa área se tornou mais valorizada, os homens passaram a buscar essas cadeiras.


Números
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, apenas 20% do universo de cerca de 520 mil pessoas que trabalhavam com Tecnologia da Informação no Brasil eram mulheres. Nesse mesmo Censo, averiguou-se que as mulheres perfaziam somente 15% do corpo discente dos cursos relacionados a carreiras na área de Tecnologia da Informação.

O número de alunas que se formam nesses cursos mostra um fracasso retumbante: 79% das mulheres que ingressam para cursar essas faculdades abandona o curso no primeiro ano. Em 2010, o salário das mulheres que trabalhavam em TI era 34% menor que o dos homens. Quando se trata de cargos de gerência, a diferença aumenta ainda mais: o salário das mulheres fica 65% menor que o dos homens.

A área de tecnologia não é a grande vilã da paridade salarial no Brasil. Ela acompanha a desigualdade salarial entre homens e mulheres que não é um privilégio brasileiro, podendo ser vista no mundo inteiro — em alguns lugares mais, em outros lugares menos, mas sempre tendo as mulheres como piso e os homens como teto. E essa desigualdade continua perseguindo as mulheres ao longo da carreira, mesmo que elas consigam alçar altos patamares: a renda futura em potencial continua sendo maior para os homens e menor para as mulheres.

Os argumentos
A argumentação favorita para ser usada quando se fala da falta de profissionais mulheres no mercado de TI costuma ser “falta interesse da parte das mulheres”. Não é preciso estar sondando as fronteiras da genialidade para fazer um raciocínio rápido: se 79% das mulheres abandona o curso no primeiro ano, pode ser que o problema esteja no curso e não nas mulheres. E não no curso em si, enquanto metodologia, mas sim no ambiente encontrado pelas mulheres que se aventuram numa carreira preponderantemente masculina: é ridiculamente fácil dizer que as mulheres não se esforçam o suficiente ou não têm pendor para as ciências exatas quando se escolhe esquecer que por ser minoria em qualquer lugar é uma tarefa que pode variar do difícil até o debilitante. Acreditar que os 79% de mulheres desistem dos cursos de TI por desilusão, preguiça e incompetência e que tudo isso não tem relação nenhuma com o ambiente é de uma inocência quase que enternecedora.

O segundo argumento mais usado é tão antigo que poderia ser datado por carbono-14: “as inteligências dos homens e das mulheres são diferentes e é por isso que elas tendem a preferir as carreiras de humanas às de exatas”. Essa questão já foi e continua sendo discutida até a exaustão por leigos e cientistas e as opiniões costumam ser divididas: existe diferença entre as inteligências masculina e feminina? As pesquisas vêm sendo feitas e ainda não existe uma resposta razoável para a indagação, mas algumas descobertas podem fazer com que as pessoas que se valem desse argumento passem a usá-lo com mais parcimônia: os testes de QI — que vêm perdendo seus tronos à medida que as teorias das múltiplas inteligências avançam — foram um reino masculino por mais de um século, mas James Flynn, um pesquisador neozelandês considerado um dos maiores especialistas do mundo em testes de medição de quociente de inteligência, mostrou numa pesquisa que a supremacia intelectual masculina já não é mais a mesma quando se trata de lógica: depois de testar europeus, americanos, australianos, neozelandeses e estonianos e argentinos, ele concluiu que na maior parte das vezes as mulheres vencem os homens. Mas por que isso aconteceu só agora? Bom, porque não faz tanto tempo assim que um número maior de meninas vêm recebendo educação formal da mesma qualidade daquela que é dada aos meninos. Além disso, nossos cérebros e, por consequência, nossas inteligências são elementos extremamente plásticos e a estrutura do intelecto não é rígida: quando as mulheres recebem o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades que os homens, elas podem ser tão boas quanto eles em qualquer área.


Fonte: GizModo Brasil - trecho de matéria


Foto: montagem redação SEESP



O paradigma de que apenas homens trabalham em obras de infraestrutura vem sendo quebrado. Prova disso é a atuação de 3.563 mulheres no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em Altamira (PA). Elas operam máquinas e comandam equipes; dirigem tratores e caminhões; trabalham no planejamento; fazem parte do setor comercial e dos diversos ramos da engenharia. Ou seja, já estão em toda a cadeia produtiva do empreendimento. Como a engenheira civil Rayana Morena Sales, 28 anos. Vinda de Minas Gerais, ela é trabalha na construção da usina há pouco mais de dois anos. Antes, atuava na construção de uma pequena hidrelétrica, onde era a única mulher.


                                                                              Foto: Gutemberg Cruz
rayana engenheira belo monte foto Gutemberg Cruz
                  A engenheira Rayana Morena Sales, que trabalha em Belo Monte há cerca de dois anos


"Aqui a gente vê mulher desde o campo, na parte de armação, carpinteiras, e até na parte de apoio para produção, como [o setor] administrativo e comercial. Mas tem muita mulher engenheira que trabalha no planejamento, na segurança do trabalho, no meio ambiente, e na área civil”, conta.

Integrante do setor de controle de qualidade do empreendimento, Rayana recebe o mesmo salário dos homens que ocupam igual posto e nunca sentiu preconceito no trabalho.

“Até porque aqui tem gente de tudo que é lugar do Brasil. Então, o pessoal acaba sendo tolerante com todas as diferenças, não só de gênero”, relata Rayana.

Entretanto, a engenheira assegura que as mulheres brigam mais para estar na mesma posição. “Tenho certeza que a gente é colocada a prova todo dia, porque é mulher. Isso acontece. O pessoal acaba esperando um pouco menos da gente, exigindo um pouco menos, e você tem que ficar se impondo”, conclui.

Mulheres na construção civil
Dados da concessionária Norte Energia, responsável por esta obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mostram que, entre os quase 24 mil trabalhadores da hidrelétrica – considerada a maior em construção do mundo –, as mulheres representam 14,8%, percentual bem mais alto do que o normalmente registrado na construção civil, de pouco mais de 3% atualmente.

Em 2012, a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) do IBGE indicou que dos 8,3 milhões de trabalhadores da construção, 97,1% eram homens e apenas 2,9% mulheres.

No ano seguinte, a Pnad mostrou pequena elevação da participação feminina: os percentuais passaram a ser de 96,8% e de 3,2%, respectivamente.

A operadora de máquinas na usina de Belo Monte Edilene Costa já contou a sua história no site do PAC em 2012. Confira abaixo:





Fonte: Portal Brasil




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Pesquisadores terão acesso a R$ 8 milhões para elaborar estudos científicos e tecnológicos sobre igualdade de gênero, violência contra a mulher, instrumentos de ação do Estado, feminismo, entre outros. O aporte foi anunciado nesta quinta-feira (11/10), no lançamento da quarta chamada do Edital Relações de Gênero, Mulheres e Feminismos, no âmbito do Programa Mulher e Ciência, que visa a estimular a produção científica, a reflexão crítica sobre as desigualdades e a sensibilização da sociedade. Essa é a primeira linha de financiamento específica para estudos no campo do gênero.

O edital foi lançado pelo MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Dos R$ 8 milhões disponíveis, R$ 3 milhões são do MCTI, R$ 3 milhões da SPM e R$ 2 milhões do MDA.

Segundo o edital, estarão disponíveis duas linhas de financiamento de pesquisas. A primeira, que corresponde a 25% do total, irá para acadêmicos com doutorado concluído há menos de cinco anos, no valor de até R$ 50 mil. A segunda, 75% do total, será destinada a doutores com o título há mais de cinco anos.

Os interessados terão até o dia 14 de novembro para apresentas as propostas ao CNPq. Os resultados serão divulgados a partir da segunda quinzena de dezembro. A bolsa para pesquisa será concedida aos pesquisadores em duas parcelas, dependendo de previsão orçamentária. Dúvidas podem ser tiradas por e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

"A questão de gênero tem de transversalizar a atuação de vários ministérios e não ser concentrada só na secretaria [SPM], que deve ser um ponto impulsionador. Sabemos que se deixarmos para os ministérios pensarem sobre as políticas públicas para as mulheres, isso não tomaria o lugar importante que tem de ser tomado˜, informou a ministra da SPM, Eleonora Menicucci.

Segundo ela, a secretaria estará empenhada, ainda, em incluir o tema de gênero no Programa Ciência sem Fronteiras, que promove a oportunidade a estudantes brasileiros de cursarem universidades no exterior.

"A discussão sobre esse tema faz com que nós saiamos do nosso lugar de conforto para pensar e introduzir novas questões e temáticas, que, na verdade, já são velhas. As mulheres são 52% da população e mãe da outra metade˜, disse Eleonora.

De acordo com o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, o objetivo do financiamento, além de estimular a produção científica, é o de promover a participação da mulher na pesquisa e em carreiras acadêmicas.

"Esperamos que esse edital gere riqueza de conhecimento e possibilite a elaboração de novas políticas públicas em todos os âmbitos da administração pública”, explicou o presidente do CNPq.

O lançamento do edital ainda contou com a participação do ministro do MCTI, Marco Antônio Raupp, e do secretário executivo do MDA, Laudemir André Müller.

 

Imprensa – SEESP
Informação da Agência Brasil



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