GRCS

Da assessoria de imprensa* 

Cerca de cinco mil metalúrgicos na Volkswagen, em São Bernardo, realizaram na manhã desta quarta-feira (13) uma manifestação contra a reforma da Previdência. Os trabalhadores saíram em caminhada da sede da montadora até a pista local da Rodovia Anchieta, sentido litoral, na altura do Km 23,5 onde fizeram um ato contra a proposta, que pode ser votada pelo Congresso Nacional ainda neste ano. A mobilização na Volkswagen iniciou a série de protestos que serão organizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no decorrer desta semana, como parte da jornada de lutas da CUT e demais centrais sindicais contra as mudanças nas regras da aposentadoria. 


Foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
ABC 13DEZ2017Metalúrgicos do ABC também dizem não à reforma previdenciária, porque vai dificultar
ou até mesmo impedir a aposentadoria dos brasileiros.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, destacou aos trabalhadores que as mobilizações na categoria não são apenas pela garantia da aposentadoria, mas também pelo futuro da classe trabalhadora no País. “Essa proposta, aliada à reforma trabalhista, à terceirização e à PEC dos gastos condena o trabalhador a um sistema de escravidão. Não queremos este destino para nenhum de nós, nem para nossos filhos e gerações futuras que entrarão no mercado de trabalho”, afirmou. 

O dirigente defendeu que não há necessidade de mudanças na Previdência neste momento, visto que já foram realizadas alterações recentes na legislação. “Já existe na Previdência uma progressão que leva em consideração o aumento de idade da população, o chamado modelo 85/95. Estamos aqui hoje e permaneceremos nas ruas para tentar impedir a votação no Congresso. Vamos passar a semana fazendo muito barulho contra a retirada dos direitos”, ressaltou. 

Participaram do ato, além de dirigentes do Sindicato, o presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, e o secretário-geral da entidade, Sérgio Nobre. Durante o protesto os trabalhadores manifestaram apoio à orientação das centrais sindicais de realizar paralisações ou mesmo uma greve nacional na semana que vem, caso a Câmara Federal coloque a PEC 287 (Proposta de Emenda Constitucional) em votação nos últimos dias de atividade do Congresso. 

Nesta quinta (14) serão realizadas manifestações de trabalhadores na Ford e Mercedes-Benz, a partir das 7h.

* Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

No terceiro dia de mobilizações na Mercedes, em São Bernardo, os trabalhadores queimaram os telegramas com os avisos de demissões enviados pela montadora. O ato foi realizado na manhã desta sexta-feira (19/8), na portaria da fábrica. “A queima dos telegramas é para a direção da empresa ver o destino que vamos dar aos avisos que mandou de maneira indigna aos trabalhadores. Não tem validade e não aceitaremos tamanho desrespeito”, afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.


Foto: Edu Guimarães
metalurgicos queimam telegramas



“E que nunca mais se cometa esse tipo de violência contra a classe trabalhadora. Todo problema tem sua solução e é preciso ter vontade para encontrar caminhos de maneira negociada”, destacou.

No fim do ato, a direção da empresa entrou em contato com a representação dos trabalhadores para nova reunião hoje. Na próxima segunda-feira (22), às 10h, a assembleia será em frente ao Sindicato.

A Mercedes começou a enviar os telegramas de demissão na segunda, 15, e colocou todos os companheiros na planta em licença remunerada. Na quarta, mais de sete mil metalúrgicos caminharam da Sede até a Praça da Matriz, no Centro. No dia seguinte, os trabalhadores fizeram passeata pelas ruas no entorno da fábrica até a via Anchieta contra demissões.

No dia 2, a empresa divulgou comunicado com a intenção de demitir mais de dois mil trabalhadores considerados excedentes.


Fonte: Site do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC






Metalúrgicos da Mercedes-Benz, em são Bernardo, realizaram novamente um protesto contra as demissões na fábrica. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o número de demitidos deve chegar a 1.800. Os mais de sete mil trabalhadores também realizaram mobilização na manhã de quarta-feira (17/8), quando caminharam da sede do sindicato até a Praça da Matriz, no Centro de São Bernardo. A Mercedes está comunicando as demissões a partir de telegramas enviados aos funcionários, desde a segunda (15).

 

Foto: Facebook - Edu Guimarães
metalurgicos do abc protestam contra demissoes 2016 600Metalúrgicos protestam na manhã desta quinta-feira (18/8)


Ontem, o ato teve início com assembleia na rua lateral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando os trabalhadores aprovaram a disposição de luta em defesa dos empregos. No fim da passeata, a empresa entrou em contato com a representação e marcou uma reunião para o período da tarde de ontem. Os en­caminhamentos da luta serão definidos a cada dia para construir a resistência.

“Ao atender a convocação do Sindica­to, estamos demonstrando o espírito de luta e garra. É na solidariedade que vamos construir a resistência à altura dos ataques contra nós”, defendeu o presidente dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. “O trabalho vai ser árduo para construir alternativas e só na luta isso será possível”, prosseguiu.

Rafael alertou que a grave crise no Brasil compromete os direitos da classe trabalhadora. “Os ataques chegam a todos os companheiros do País a partir de uma aliança retrógrada e reacionária do governo, de setores do empresariado e do setor financeiro que buscam empo­brecer as condições dos trabalhadores”, destacou.

A montadora comunicou a parada total da fábrica após ter divulgado, no dia 2 último, a intenção de demitir mais de dois mil trabalhadores considerados excedentes. “A empresa tenta nos desmobilizar ao anunciar licença remunerada para toda a planta. A primeira coisa é desconsi­derar cada telegrama que a Mercedes mandou”, afirmou o vice-presidente do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva.

“Este ato é a primeira resposta para mostrar a nossa mobilização, organiza­ção e união para a direção da fábrica e encontrar uma alternativa negociada. Estamos todos no mesmo barco”, afir­mou. “A proposta é a luta. Não vamos aceitar intransigência nem desrespeito”, continuou.

O secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, ressaltou a atitude desrespeitosa da empresa ao enviar telegramas para a casa dos trabalhadores, para comunicar a demissão. “Têm companheiros com mais de 20 anos de fábrica recebendo a notícia dessa maneira vergonhosa. São pais e mães de família sendo tratados sem nenhum respeito”, disse.

Solidariedade
O diretor de Comunicação do Sindicato, Valter Sanches, destacou a importância da solidariedade. “Esta­mos recebendo mensagens de apoio dos trabalhadores na Alemanha para a nossa luta em defesa dos empregos. Nós não vamos aceitar demissões”, disse.

Também prestaram solidariedade, durante o ato de ontem, representan­tes da CGTB e da CSP-Conlutas.



Fonte: Site dos Metalúrgicos do ABC





Cerca de 10 mil metalúrgicos participaram de ato em defesa do emprego realizado na manhã desta quarta-feira (1º/06) na Rodovia Anchieta. A manifestação foi motivada pela ameaça de demissão presente na categoria desde que as montadoras de São Bernardo anunciaram um total de 4 mil trabalhadores excedentes e, especialmente, após o posicionamento adotado pela Ford e Mercedes-Benz de não renovar a adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A ferramenta de flexibilização vinha sendo utilizada desde o ano passado para manutenção dos postos de trabalho durante a crise que atinge o setor automotivo.

Durante o ato, os trabalhadores aprovaram por unanimidade o encaminhamento feito pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, de que, caso haja anúncio de demissões, haverá um forte movimento de resistência. “Se demitir, é greve”, garantiu. O dirigente criticou a recusa das empresas em manter o Programa. “As montadoras são multinacionais e têm planos de longo prazo. Há uma crise hoje no País que tem impactado fortemente as vendas de veículos, mas todas sabem que o setor automotivo no Brasil vai se recuperar e que o mercado brasileiro é altamente lucrativo. O PPE é um esforço coletivo, do trabalhador, da empresa e do governo fundamental para enfrentar momentos de crise enquanto a economia se recupera”, defendeu.

O presidente da entidade também reforçou que durante vários anos, as montadoras sediadas no Brasil remeteram às suas matrizes no exterior valores expressivos e que agora, num momento de queda nas vendas, é preciso que se faça o movimento contrário. “A Ford já mandou milhões e milhões para os EUA e a Mercedes para a Alemanha, é hora das matrizes segurarem esse período de recuo na economia brasileira, que com certeza será revertido”.

Das 11 empresas da base metalúrgica do ABC que aderiram ao PPE, três delas são montadoras. Na Mercedes, o Programa foi utilizado por nove meses, abrangendo cerca de 9 mil trabalhadores e venceu ontem, 31 de junho. A empresa, que afirma ter um excedente de 2 mil trabalhadores, não renovou a adesão, abriu um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e colocou mais 500 trabalhadores em licença-remunerada, totalizando 1.800 trabalhadores.

A Ford tem 3,4 mil trabalhadores no Programa. A adesão vence em 30 de junho, mas a empresa já informou que não pretende fazer a renovação. Ela afirma ter um excedente de 1.100 trabalhadores. Na Volks, que também anunciou um excedente de cerca de mil funcionários, o programa abrange cerca de 7 mil pessoas e vence em 30 de setembro.

Crédito e Juros - Além dos mecanismos de flexibilização, o presidente do Sindicato reforçou que é necessário que o governo também faça sua parte. “É necessário reduzir juros e baratear crédito. Isso é fundamental para recuperar o setor”, defendeu.

 

 

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

 

 

 

 

 

 

Em assembleia realizada nesta segunda-feira (9/05), os trabalhadores na Ford, em São Bernardo, decidiram paralisar a fábrica por 24 horas em reação à pauta de ajustes apresentada pela montadora ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na semana passada. A empresa informou que não pretende renovar a adesão às ferramentas de flexibilização que estão sendo utilizadas atualmente – Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e layoff –, e alegou que tem um excedente de 1.110 trabalhadores. 

A pauta inclui também a revisão de cláusulas econômicas do acordo coletivo, como alterações na tabela salarial, no pagamento da PLR e congelamento de salários, além de serviços oferecidos ao trabalhador, como plano medico, transporte e alimentação. Por outro lado, não há menção a investimentos concretos para a planta. “Não dá pra aceitar uma negociação sem contrapartida, que rebaixa direitos, conquistas e condições de trabalho que tanto lutamos para conseguir. Nós concordamos em discutir a competitividade, como fazemos sempre com as montadoras sediadas aqui no ABC, mas nesse momento, entendemos que fazer isso é justamente continuar utilizando mecanismos como PPE e layoff”, destacou o presidente do Sindicato, Rafael Maques, para os cerca de quatro mil trabalhadores presentes à assembleia.  

O dirigente relembrou que até 2013 o mercado automotivo brasileiro era um dos que mais crescia em todo mundo, o que possibilitou grandes ganhos às empresas. “Crescemos em ritmo chinês. De 2004 a 2015 as montadoras brasileiras remeteram 24,5 bilhões de dólares às suas matrizes no exterior, o que ajudou no enfrentamento da crise dos EUA e da Europa. Agora esse fluxo se inverteu. As matrizes estão enviando recursos e as direções mundiais estão exigindo como contrapartida duros ajustes em suas fábricas brasileiras. Não podemos aceitar essa lógica e vamos lutar para reverter isso”, garantiu. 

Marques destacou que a situação enfrentada hoje pela Ford também é resultado de uma série de erros cometidos pela própria empresa. “A Ford é uma das montadoras que mais importam peças. Quando o dólar começou a inverter a tendência, abordamos esse assunto com a fábrica e sugerimos que ela montasse uma equipe para nacionalizar as peças, pois seria bom para a empresa e para o País. Isso não foi feito e, hoje, com o dólar alto, o custo das peças importadas pesa bastante. Além disso, a Ford não utiliza as ferramentarias brasileiras. O Inovar Auto oferece vantagem fiscal para as empresas que desenvolvem o seu ferramental no Brasil e eles não souberam aproveitar. Há problemas sim no mercado brasileiro, mas há também problemas na direção da empresa no Brasil e no mundo. E o trabalhador não pode pagar por isso”, reforçou. 

A Ford tem atualmente 3,8 mil trabalhadores. Destes, cerca de 3 mil estão sobre o regime do PPE e 400 estão em layoff, com jornada reduzida em 20%.  Os trabalhadores retornam ao trabalho nesta terça-feira (10/05).

 

 

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

 

 

 

 

 

Os metalúrgicos do Grande ABC realizam, nesta quinta-feira (18/02), na sede do sindicato da categoria, em São Bernardo, o seminário “Inovar-Auto 2 – Ideias para o Futuro da Inovação no Brasil”. O objetivo da atividade é discutir a prorrogação do Regime Automotivo com trabalhadores – incluindo ferramenteiros, projetistas e engenheiros -, representantes de universidades, empresários e governo.

O Inovar-Auto definiu metas para que os carros sejam mais seguros, eficientes e menos poluentes, além de determinar mais investimentos em desenvolvimento e engenharia no País e está em vigência de 2013 a 2017. “Queremos iniciar as negociações com o governo desta segunda fase do Inovar-Auto. É necessário que o programa tenha mais tempo, de forma que o país possa investir em tecnologia e inovação, desenvolvimento de projetos e engenharia automotiva. Assim nos tornaremos competitivos no mercado global. O Brasil não pode ser apenas um montador de veículos, temos de desenvolver a tecnologia dos carros aqui”, destaca o presidente do sindicato, Rafael Marques.

O dirigente lembra que o Brasil já foi o quinto polo de ferramentaria do mundo e o Inovar-Auto pode impulsionar o país a retomar sua posição de relevância no setor.  “É necessário investir mais na formação e qualificação desse profissional”, reforça.

Na parte da manhã serão realizadas mesas de debate sobre inovação com representantes de universidades e outras instituições de ensino. A primeira focará a inovação no Brasil e a segunda discutirá os desafios à inovação na região do ABC. À tarde, a mesa de encerramento terá como tema o Inovar-Auto enquanto política de Estado para a inovação e terá a participação do coordenador-geral das Indústrias do Complexo Automotivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A primeira mesa do dia será “Engenharia e inovação no Brasil”, com o professor Ângelo Fernando Padilha,  titular do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e membro titular da  Academia de Ciências do Estado de São Paulo.


 

Imprensa SEESP
Com informações da Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC







Cerca de 500 metalúrgicos do ABC paralisaram a Rodovia dos Imigrantes na manhã de terça-feira (27/10) em protesto à resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que acaba com a obrigatoriedade do uso do extintor de incêndio nos automóveis de passeio. A manifestação começou em frente à fábrica de extintores Resil, em Diadema, empresa que anunciou a demissão de 350 trabalhadores. 


Foto: Adonis Guerra/SMABC
ABC metalurgicos
 Metalúrgicos querem a revogação de medida que vem gerando demissões no ABC paulista
 

Os metalúrgicos da região defendem a revogação da resolução e a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo apresentado pelo deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), que susta os efeitos da medida. 
 

As manifestações, segundo o dirigente, estão sendo necessárias para chamar a atenção para a medida, que está gerando desemprego no ABC e em todo o País.  “Fizemos vários contatos com o Governo, duas reuniões com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e articulações no Legislativo. Até agora não houve sensibilidade do governo para achar uma alternativa. Vamos continuar indo às ruas”, reforça.
 

Na opinião do presidente do sindicato, Rafael Marques, essa discussão pode ser feita, mas de forma conjunta com a sociedade e, principalmente, dando o tempo necessário para que o setor se reorganize, e não da forma “atropelada” como se deu. “Tem faltado procedimento ao Contran. Em nenhum momento houve qualquer sinalização de que a obrigatoriedade seria extinta, ao contrário. Eles vinham aumentando as exigências em relação aos extintores, o governo fazia pressão para que o setor aumentasse a oferta do produto e, de repente, deram esse ‘cavalo de pau’”, ressalta Marques. 
 

O dirigente refere-se ao anúncio feito pelo órgão, no início de janeiro, obrigando os proprietários de veículos a trocar os extintores para o modelo ABC, de potência maior, o que gerou uma corrida às lojas e aumento de demanda nas fábricas. “Não podemos mais conviver com essa insegurança jurídica no País. É preciso segurança para que se possa investir, planejar. Se isso não acontece, quem sofre as consequências é o trabalhador”, reforça.




Edição Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
Com informações da assessoria de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC









 

Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira (31/8) os trabalhadores na Mercedes-Benz em São Bernardo encerraram a greve iniciada na última segunda-feira, dia 24.  Por unanimidade, os mais de 7 mil trabalhadores presentes aprovaram a proposta negociada entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a empresa, que inclui a reversão das 1,5 mil demissões anunciadas no dia 7 de agosto e a adesão da fábrica ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE).


Foto: Adonis Guerra/SMABC
Mercedes Benz 31AGO2015 
Metalúrgicos da Mercedes-Benz em assembleia na manhã desta segunda-feira (31)
 

O acordo negociado com a empresa prevê a redução de 20% da jornada de trabalho por nove meses – de 1º de setembro de 2015 a 31 de maio de 2016 – com redução de 10% dos salários para todos os 10 mil trabalhadores da fábrica. Os outros 10% complementares serão financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), conforme determina o programa. O PPE na Mercedes-Benz garantirá aos trabalhadores 12 meses de estabilidade no emprego.

O acordo também prevê o congelamento da tabela salarial até dezembro de 2016 e o reajuste pelo INPC, em 2016, sendo metade incorporado aos salários na data-base (maio) e a outra metade paga em forma de abono, em duas parcelas, no valor total de 3 mil reais.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ressalta a importância da aprovação do acordo. “Foi uma negociação dura que chegou a um resultado final positivo após o esforço conjunto dos trabalhadores, do Sindicato e também da empresa. Revertemos as demissões com o PPE, que é o programa certo para dar conta da situação de crise atual”, afirma.

PPE
A Mercedes é a primeira montadora da base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e da região, a aderir ao programa. É também a primeira do país, no setor automotivo. Na base do Sindicato, outras três empresas já aderiram ao programa, todas do setor de autopeças.

Mobilização
A greve dos metalúrgicos na Mercedes-Benz durou sete dias e foi deflagrada após a demissão de 1,5 mil trabalhadores, anunciadas pela empresa por meio de telegramas. As negociações entre o Sindicato e a montadora foram retomadas na sexta-feira (31), um dia após a manifestação que levou cerca de 10 mil trabalhadores em passeata da fábrica até a Rodovia Anchieta. “A mobilização e, principalmente, a solidariedade dos trabalhadores foram fundamentais. Quem recebeu os telegramas lutou, quem não recebeu lutou também. Foi isso que deu força ao nosso movimento e assegurou a reversão das demissões. É uma grande conquista”, reforça Rafael Marques.


 

Imprensa SEESP
Informações da Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC









Os processos de socialização e formação que levaram trabalhadores da categoria metalúrgica a se tornarem diretores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), na Grande São Paulo, entre os anos de 1972 e 2002, são resgatados em pesquisa da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). O estudo da professora Kimi Tomizaki constrói uma “biografia coletiva” dos sindicalistas do ABC e analisa suas trajetórias militantes e destinos sócio-políticos.

A atuação sindical na região do ABC, que mesmo durante o regime militar já demonstrava articulação com as bases da categoria, evoluiu, no final dos anos 1970, para um período de greves e confrontos em defesa das negociações diretas com as empresas sem interferência do Estado, a favor da liberdade sindical e do direito de greve. Na década de 1990, porém, a redução dos postos de trabalho conduziu o movimento sindical a privilegiar soluções negociadas com o patronato em detrimento das práticas de confronto, como greves. 

Para melhor compreender as transformações ocorridas nas práticas sindicais no ABC Paulista, a professora ressalta que, apesar de receberem salários mais altos que a média dos trabalhadores brasileiros, os metalúrgicos do ABC foram muito prejudicados pela política salarial do regime militar (de 1964 a 1985), sofrendo significativa perda no poder de compra. “Ao mesmo tempo, havia a intensificação do ritmo e da extensão da jornada de trabalho, alta rotatividade no emprego e relações de trabalho caracterizadas pela humilhação e pela violência contra os trabalhadores seja no interior das fábricas ou diretamente contra o movimento operário, com a supressão do direito à greve e intervenções em sindicatos”, aponta.

“Esse quadro levaria às grandes greves do ABC entre 1978 e 1982 e a formação do ‘novo sindicalismo’, um modelo de ação sindical mais combativo”. De acordo com Kimi, na década de 1970, a perspectiva do trabalho sindical sofre profundas mudanças. “Ela vai de uma prática com certo nível de combatividade e buscando estreitar sua relação com a base representada, mas com pouca clareza do antagonismo de classes, até um segundo momento marcado pela tomada de consciência do protagonismo que a classe trabalhadora pode exercer na transformação da sociedade”, afirma a pesquisadora.

Segundo a professora, “os principais pilares de ação do ‘novo sindicalismo’ são a crítica radical aos mecanismos de atrelamento do sindicato ao Estado; a defesa do direito de greve e da negociação direta entre patrões e empregados, sem ingerência do Estado; a luta pela liberdade e autonomia sindical; e a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho”.

Inflexão
Na década de 1980, acontece a consolidação das práticas do chamado “novo sindicalismo”, além de um intenso trabalho voltado à formação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à expansão e ampliação do projeto político dessas duas organizações, seja por meio da disputa de cargos eletivos, seja pela organização de chapas que disputaram a direção de outros sindicatos para compor a chamada “base cutista”.

A década de 1990, por sua vez,assistiu à reação da indústria metalúrgica do ABC que, em 1994, bateu recordes de produção, de produtividade e de vendas. “Isto não significou a eliminação do problema da redução de postos de trabalho, pois as empresas aumentaram a produtividade com redução do número de empregados, enquanto a população do ABC continuou a crescer”, destaca a professora.

A crise vivenciada pelo ABC ampliou e alterou o escopo de atuação do sindicato, exigindo um leque maior de “perfis” e “habilidades” dos sindicalistas, bem como uma crescente exigência de maior escolaridade e domínio de línguas estrangeiras, devido ao maior investimento nas negociações com as empresas. “Os anos 1990 marcaram uma importante inflexão política no sindicato, o que não quer dizer que os conflitos e o recurso a práticas de confronto tenham deixado de existir, como demonstra a recente greve na Volkswagen pela readmissão de 800 metalúrgicos demitidos em dezembro de 2014”, lembra a pesquisadora.

A pesquisa, que busca compreender as trajetórias das lideranças desse importante sindicato, foi concebida como um estudo prosopográfico, seguido de um estudo biográfico. “De acordo com Christophe Charle, professor de história contemporânea na Universidade de Paris (França), a prosopografia busca revelar as características comuns de um determinado grupo social em um período histórico específico, por meio da coleta de seus dados biográficos”, afirma a professora. O estudo tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a colaboração do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) e a Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC (AMAA).

Entre 2011 e 2013, 48 dos 102 diretores do SMABC, no período de 1972 a 2002, responderam um questionário, usado para formar um banco de dados sobre seus atributos sociais e culturais, além da revelar a dinâmica interna do grupo e sua atuação no movimento sindical. A partir dos questionários, foram selecionados 28 sindicalistas para entrevistas aprofundadas de caráter biográfico, com ênfase sobre sua trajetória política.

Escolarização
O banco de dados que resultou da pesquisa revela que o grupo pesquisado, sobretudo os diretores das décadas de 1970 e 1980, possui pouca diferenciação interna no que tange à sua origem social e posse de capitais escolares. “Os casos que destoam desse perfil estão todos reunidos nos anos 1990, na qual encontramos uma concentração de diretores que já se empregaram nas fábricas com um nível um pouco mais elevado de escolaridade e qualificação profissional”, diz Kimi. “No sentido contrário, há uma preponderância de infâncias absolutamente miseráveis e baixa escolaridade entre os diretores dos anos 1970, que chegaram a viver a experiência da fome prolongada, no período anterior à migração do campo para a cidade, em famílias com mais de uma dezena de filhos”.

A professora observa que a cada década é possível perceber um aumento de investimento dos depoentes em seus estudos, seja no período “regular” ou na retomada, já na idade adulta. “Essa tendência possivelmente guarda relação tanto com a expansão das oportunidades de acesso à escola, em função da ampliação do sistema de ensino no Brasil”, observa, “quanto com especificidades do próprio movimento sindical do ABC, que alterando suas práticas passou a necessitar de sindicalistas mais escolarizados que pudessem contribuir ativamente nas negociações com as empresas, por exemplo”.


 

Fonte: Agência USP de Notícias








Provavelmente apenas os serviços de contabilidade das montadoras conhecem, na ponta do lápis, o montante das ajudas financeiras – diretas e indiretas – que receberam dos poderes públicos nos últimos anos.

É certo que elas não foram a fundo perdido porque o setor mereceu e deve continuar merecendo toda a atenção da sociedade pelo seu papel estruturante na produção capitalista no Brasil.

Mas, como sempre acontece, chega o momento em que uma prova de força se engaja entre os interesses egoístas dos proprietários (quase exclusivamente estrangeiros) e os interesses mais amplos do governo, da sociedade e dos trabalhadores.

Esta prova de força está em curso entre a Volkswagen de São Bernardo e os metalúrgicos, provocada pela demissão maciça e intempestiva que os trabalhadores enfrentam com uma greve continuada.

Trata-se, a meu juízo, da primeira escaramuça entre a nova equipe econômica e seu combate ao patrimonialismo e os interesses consolidados das montadoras, acostumadas às medidas que vinham protegendo o setor.

Às primeiras dificuldades assistimos ao perverso recurso de demissões, até mesmo sem os prévios planos de demissão voluntária. Se, durante anos, o setor beneficiou-se das vantagens públicas, é, no mínimo, injusto que frente às dificuldades transfiram-se os problemas para os trabalhadores sob o facão das demissões.

Buscando-se ou não uma solução parcial, provisória, pontual e acessível, buscando-se ou não o estabelecimento de um programa permanente e geral de proteção ao emprego, o movimento sindical unido deve prestar inteira solidariedade ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e aos trabalhadores grevistas.


 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical








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