GRCS

10/05/2016

Greve na Ford contra ameaça de demissão e retirada de direitos

Em assembleia realizada nesta segunda-feira (9/05), os trabalhadores na Ford, em São Bernardo, decidiram paralisar a fábrica por 24 horas em reação à pauta de ajustes apresentada pela montadora ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na semana passada. A empresa informou que não pretende renovar a adesão às ferramentas de flexibilização que estão sendo utilizadas atualmente – Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e layoff –, e alegou que tem um excedente de 1.110 trabalhadores. 

A pauta inclui também a revisão de cláusulas econômicas do acordo coletivo, como alterações na tabela salarial, no pagamento da PLR e congelamento de salários, além de serviços oferecidos ao trabalhador, como plano medico, transporte e alimentação. Por outro lado, não há menção a investimentos concretos para a planta. “Não dá pra aceitar uma negociação sem contrapartida, que rebaixa direitos, conquistas e condições de trabalho que tanto lutamos para conseguir. Nós concordamos em discutir a competitividade, como fazemos sempre com as montadoras sediadas aqui no ABC, mas nesse momento, entendemos que fazer isso é justamente continuar utilizando mecanismos como PPE e layoff”, destacou o presidente do Sindicato, Rafael Maques, para os cerca de quatro mil trabalhadores presentes à assembleia.  

O dirigente relembrou que até 2013 o mercado automotivo brasileiro era um dos que mais crescia em todo mundo, o que possibilitou grandes ganhos às empresas. “Crescemos em ritmo chinês. De 2004 a 2015 as montadoras brasileiras remeteram 24,5 bilhões de dólares às suas matrizes no exterior, o que ajudou no enfrentamento da crise dos EUA e da Europa. Agora esse fluxo se inverteu. As matrizes estão enviando recursos e as direções mundiais estão exigindo como contrapartida duros ajustes em suas fábricas brasileiras. Não podemos aceitar essa lógica e vamos lutar para reverter isso”, garantiu. 

Marques destacou que a situação enfrentada hoje pela Ford também é resultado de uma série de erros cometidos pela própria empresa. “A Ford é uma das montadoras que mais importam peças. Quando o dólar começou a inverter a tendência, abordamos esse assunto com a fábrica e sugerimos que ela montasse uma equipe para nacionalizar as peças, pois seria bom para a empresa e para o País. Isso não foi feito e, hoje, com o dólar alto, o custo das peças importadas pesa bastante. Além disso, a Ford não utiliza as ferramentarias brasileiras. O Inovar Auto oferece vantagem fiscal para as empresas que desenvolvem o seu ferramental no Brasil e eles não souberam aproveitar. Há problemas sim no mercado brasileiro, mas há também problemas na direção da empresa no Brasil e no mundo. E o trabalhador não pode pagar por isso”, reforçou. 

A Ford tem atualmente 3,8 mil trabalhadores. Destes, cerca de 3 mil estão sobre o regime do PPE e 400 estão em layoff, com jornada reduzida em 20%.  Os trabalhadores retornam ao trabalho nesta terça-feira (10/05).

 

 

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

 

 

 

 

 

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