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20/09/2023

Uma oportunidade histórica: a Coalizão Global pelo Trabalho

Foto: Ricardo Stuckert/Portal GGN

*Allen Habert

 

A economia global está em crise. O esgotamento exponencial dos recursos naturais, o declínio da produtividade, o crescimento lento, o aumento do desemprego e o acentuar das desigualdades forçam-nos a repensar os nossos modelos econômicos. Para onde vamos?

 

A crise climática que sucedeu o termo mudanças climáticas ganha a atenção da opinião pública mundial coroando esta situação de incertezas que rondam as entranhas do mundo do trabalho, da economia e da vida.

 

Frente a isso, de forma inédita, lança-se em Nova York nesta semana, aproveitando o momento da abertura da 78º Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma iniciativa histórica e impactante.

 

O Brasil e os EUA, juntos pela primeira vez nessa área, apresentam uma proposta inicial denominada “Coalizão Global pelo Trabalho”. Formatada através do Ministério do Trabalho e do Emprego do Brasil, do Departamento do Trabalho dos EUA, das centrais sindicais e organizações empresariais, das chancelarias, dos congressistas e dos presidentes Lula e Biden, tem como objetivo criar um roteiro audacioso, um caminho horizontal e crescente para enfrentar os desafios colocados pelo mundo do trabalho, do capital e dos governos.

 

Itens como a defesa da liberdade sindical, por garantias aos trabalhadores e trabalhadoras por aplicativo, a defesa dos direitos trabalhistas contra a precarização do trabalho em nível global à luz da realidade do século XXI, fazem parte dessa compreensão coletiva de que a saída para as crises dependerá de uma integração e participação de cada agente econômico e social.

 

Não haverá sucesso e futuro se acreditarem que as soluções virão por cima. Daí essa convocação para uma espécie de refundação das relações até aqui existentes para todas as nações poderem contribuir para essa plataforma dinâmica. A saída pelas guerras ou pela barbárie, sempre presentes e vivas, deve ser combatida e abolida pela construção de uma cultura da paz e um desenvolvimento sustentável.

 

Essa iniciativa conta com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 1919, entidade entre as nações mais antiga, em que o Brasil está integrado há 70 anos, a qual, em junho último, formatou a Coalizão Global pela Justiça Social em torno da promoção do trabalho decente, proteção social, economia de plataformas e combate ao trabalho escravo e trabalho infantil.

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU), que reúne desde 2006 entidades sindicais e federações da engenharia, da saúde e da economia, representando mais de 2 milhões de profissionais no Brasil, apoia essa iniciativa inspiradora lançada pelos presidentes do Brasil e dos EUA e quer trazer, junto a ela, elementos fundamentais ligados aos trabalhadores do conhecimento e saber de ambos os países e do mundo.

 

No momento em que a engenharia, ciência, tecnologia e inovação ganham o centro do poder na geopolítica entre as nações, os profissionais de nível universitário sofrem um processo de precarização, informalidade, desemprego, defasagem na educação permanente e na atualização tecnológica.

 

Os 800 milhões de profissionais de nível universitário do planeta e 18 milhões no Brasil têm um papel decisivo nas três grandes batalhas contra a desigualdade: a luta contra a fome, a criação de oportunidades de trabalho e emprego e a inclusão educacional, digital e cultural. O desenvolvimento sustentável une a todos e é o verdadeiro outro lado da paz.

 

*Allen Habert é engenheiro de produção e mestre pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), foi membro do Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e formulador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) dessa instituição, além de ex-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP). É atualmente diretor de articulação nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU) e do movimento Engenharia pela Democracia

 

 

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