GRCS

27/05/2021

Engenharia de Custos na gestão financeira de um projeto

É uma especialização que envolve da concepção à viabilidade técnico-econômica de um empreendimento

 

Rosângela Ribeiro Gil
Oportunidades na Engenharia

Neste 27 de maio, celebramos o Dia da Engenharia de Custos, área dedicada à gestão financeira de um projeto, envolvendo atividades como estimativa, controle de gastos, previsão de custos, avaliação de investimentos e análise de risco. Ela inclui aspectos como a concepção do empreendimento, viabilidade técnico-econômica, análises, diagnósticos, prognósticos e tudo o que envolve estimar, planejar e projetar os números relativos às etapas de um empreendimento. Entre outras atribuições, esses profissionais planejam e monitoram projetos de investimento e buscam o equilíbrio ideal entre os gastos, a qualidade e os requisitos de tempo. A formação do engenheiro de custos é rica em habilidades de administração e gestão de projetos.

 

Helber engenharia de custosO engenheiro Helber Ferreira da Silva numa obra de renovação geral de apartamento em Manhattan. Foto: Acervo pessoal.

 

A modalidade é responsável pela elaboração dos orçamentos e planejamento de obras, e é de muita utilidade aos engenheiros na realização de compras e contratações, no acompanhamento da produção e custos, bem como no cronograma físico da obra, nas medições de serviços etc. Em 1999, o engenheiro civil Paulo Roberto Vilela Dias – hoje presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec) –, percebendo a ausência de material para estudo e aperfeiçoamento na área, iniciou sua atividade de escritor e publicou cinco livros sobre essa atividade profissional. Atualmente, esses livros estão disponíveis gratuitamente no site do instituto ou no portal que criamos para fornecer informações da área (engenhariadecustos.ibec.org.br).

 

O coordenador executivo do Ibec Ensino, que realiza cursos de MBA, pós-graduação e educação continuada na área, Bruno Rodrigues da Silva, descreve que o profissional de custos é absolutamente necessário durante o desenvolvimento de uma obra já que participa de todas as suas etapas, promovendo de forma consciente o uso de cada um dos elementos utilizados e realizando adequadamente sua estimativa de custos e/ou orçamento. “É um profissional que trabalha ativamente com elaboração e validação de orçamentos e planejamento de custos do empreendimento para todas as fases da obra”, informa. Por isso, relaciona, o profissional dessa área “precisa estar preparado para lidar diretamente com outras áreas como gestão de projetos e de contratos, planejamento, licitação e até gestão pública”.

 

É uma especialização, aponta Dias, que permeia muitas modalidades da engenharia, destacando as de civil, elétrica e mecânica. É o caso, por exemplo, do engenheiro mecânico Helber Ferreira da Silva. Aos 40 anos de idade, ele resolveu iniciar, em 2021, a especialização em Engenharia de Custos, no Ibec. A guinada para essa área está diretamente ligada ao seu novo trabalho como empreendedor. “Vim para os Estados Unidos, em 2019, abri uma empresa de prestação de serviços e construção civil. Por este motivo senti a necessidade de ter mais ferramentas de controle da minha área”, explica. A entrevista com o profissional, que trabalha e mora em Nova York, foi feita por telefone. Ele informa que já foi vacinado contra o novo coronavírus.

 

300 Bruno engenharia de custosO diretor executivo do Ibec Ensino Bruno Rodrigues da Silva. Foto: Acervo pessoal.A engenharia de custos entra no momento em que Silva precisou se reinventar na profissão. “Formei-me engenheiro mecânico em 2014, na Universidade Paulista (Unip), de Sorocaba. Já fiz pós em engenharia de segurança do trabalho na PUC [Pontifícia Universidade Católica] de São Paulo. Fui supervisor de manutenção na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim. Quando fui dispensado, fui atrás de novas oportunidades na profissão”, relata.

 

Silva estava com muita dificuldade de fazer o controle dos custos e gestão em geral. Com o novo conhecimento do curso, cuja conclusão será no final de 2022, ele já consegue utilizar algumas ferramentas, como planilha de controle de custo, planilhas de hora/homem. “O planilhamento de custos da obra é fundamental. Estou num mercado muito competitivo, tudo é importante estar bem descrito, planejado e com orçamentos corretos. Ou seja, você precisa gerenciar seu custo com muita destreza para conseguir repassar um preço competitivo e justo para o cliente.”

 

A construtora de Silva atua em reformas de casas e apartamentos e, com as novas tecnologias, ele pode acompanhar o levantamento de custos de forma online e “compartilhar com o pessoal do Brasil meus custos aqui, por exemplo. Também consigo buscar fornecedores em qualquer parte do mundo. A tecnologia digital acaba tendo uma influência direta e boa na engenharia de custos”, afirma. Nessa interface com as tecnologias de informação e comunicação (TICs), Dias observa que a área evolui dos cálculos manuais para a utilização de ferramentas telemáticas, como os computadores. “Depois implementou-se o CAD, que facilitou ainda mais a nossa atividade e, hoje, avançamos para o BIM [sigla, em inglês, Building Information Modeling; que significa modelagem da informação da construção] que trouxe mais agilidade ao trabalho do engenheiro de custos”, salienta Dias.

 

Competências e networking
De acordo com o executivo do Ibec Ensino, várias competências podem ser observadas e desenvolvidas em sala de aula, mas, sobretudo em tempos de pandemia e com o advento das aulas online, “valores como a empatia, a adaptabilidade, o trabalho em equipe e a busca de um aprendizado contínuo ganham destaque”, avalia Rodrigues da Silva. Por isso, explica ele, as salas virtuais do instituto reúnem alunos de todo o Brasil - e até de fora do País - com uma diversidade agregadora. “Dessa maneira, o networking praticado dentro desse ambiente, mesmo que virtual, promove um ganho imensurável para alunos e professores”, acrescenta.

 

Segundo Silva, o melhor conselho que pode dar aos profissionais da área é não estagnar no mercado. “Não tenho medo da mudança, ela pode até doer às vezes, mas ela é necessária para o crescimento. Então, o que digo é não tenha medo de se reinventar em qualquer idade”, ensina. Mas ele complementa: “Não adianta ter ótimos conhecimento técnicos, saber planilhar, se faltar o melhor conhecimento que é saber manter relações humanas. Não adianta saber lidar com máquinas, equipamentos, se não sabe se relacionar com pessoas. Saber lidar com pessoas é o coração do negócio.”

 

O aprimoramento é constante, ressalta Silva. “A área de construção civil nos Estados Unidos é muito dinâmica; por exemplo, o que há dois anos era usado, pode não servir mais hoje, pois já tem algo mais atualizado ou com custo ou tempo de execução menores. Nesse sentido, fui buscar a especialização mais aderente nessa área, que é a engenharia de custos”. Outro conselho de Silva: “Ter uma segunda ou até terceiro idioma é importante também. Aqui nos EUA, além do inglês, o espanhol é muito falado, é muito importante aqui, principalmente na área de construção.”

 

Você sabia que o SEESP oferece:

I - Orientação à carreira
O SEESP mantém a área Oportunidades na Engenharia que atende estudantes e profissionais da área na parte de orientação à carreira, com diversas ações, entre elas: atendimento personalizado (serviço exclusivo para estudantes e profissionais associados ao SEESP) com análise de currículo, orientação de LinkedIn, simulação de entrevista, dicas atuais sobre processos seletivos online e presenciais, elaboração de trilha de carreira e de estudo etc. O setor mantém, ainda, plataforma de divulgação de vagas de estágio e outras oportunidades; cadastro de autônomos; conteúdos atualizados sobre mercado de trabalho; noções gerais de redação e português.  Para auxiliar estudantes e engenheiros na hora de formatação do currículo, também tem o Mapa da profissão, com informações de legislação, mercado, palavras-chave para cada modalidade da engenharia etc..

II - Associação para os estudantes
O estudante de Engenharia também pode se associar ao SEESP e usufruir de diversos benefícios, inclusive de desconto na mensalidade da faculdade, caso esta seja conveniada ao sindicato. Saiba mais aqui.


III - Núcleo Jovem Engenheiro
Foi criado um espaço bem bacana para os estudantes e recém-formados na área para discutir questões específicas. É o Núcleo Jovem Engenheiro, saiba como participar, clicando aqui.

 

Raio X da Engenharia de custos

É uma formação multidisciplinar em nível de pós-graduação, que envolve conhecimentos de economia, administração, direito e gestão de projetos.

Os cursos contam com os seguintes conteúdos: licitações e contratos; desenvolvimento profissional; negociação; metodologia de pesquisa; gerenciamento de obras; planejamento e controle de obras I e II; gestão de contratos e pleitos; preço de serviço de engenharia e arquitetura; informática aplicada; custos de concessão; avaliação econômica; estimativa de custos.

Atividades

Estimativa de gastos — é o cálculo da expectativa de custo de um projeto de acordo com os padrões definidos pelos clientes;

Análise econômica — é uma previsão de como estará o mercado e a saúde financeira de uma empresa durante a execução de um projeto;

Elaboração de orçamento — envolve o levantamento detalhado de todos os custos de um projeto para a elaboração de um documento que deve ser entregue ao cliente e aos gestores da obra. No orçamento, deve-se detalhar o gasto com fornecedores, mão de obra, equipamentos, materiais etc;

Controle de mudanças — mesmo que o orçamento e o planejamento tenham sido impecáveis, há sempre imprevistos. Por isso, é importante controlar as mudanças que devem ser feitas durante um projeto e calcular o seu impacto econômico;

Análise de risco — é um procedimento que avalia os riscos financeiros de cada etapa de um projeto. Por exemplo, é possível que determinado insumo, como o diesel, tenha uma elevação inesperada por uma crise no fornecimento de petróleo. Um engenheiro deve, portanto, elencar os riscos mais prováveis e como eles vão mudar o cenário do projeto.

* Fonte: Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec)

 

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