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Pandemia escancara e amplia desigualdade

 

Enquanto 40 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza no Brasil, cresce em 40% número de bilionários na América Latina.

 

DesigualdadeDesde o início da pandemia do coronavírus, além do drama de mais de 3,5 milhões de mortos em todo o globo, ficou ainda mais evidente o abismo social existente no mundo, notadamente na América Latina. E muito embora essa realidade tenha sido apresentada como nefasta, nada aconteceu para mudá-la; pelo contrário, a desigualdade se ampliou no último ano.

 

Alguns dados chamam a atenção para a magnitude desse fenômeno. O primeiro diz respeito ao recorde de 14,5 milhões de famílias, ou 40 milhões de pessoas, que se encontram na extrema pobreza no Brasil, ou seja, com renda per capita de até R$ 89,00 mensais. As informações dizem respeito a abril deste ano, conforme o CadÚnico, cadastro do governo federal, que aponta ainda 2,8 milhões de famílias, somando mais cerca de 7,5 milhões de cidadãos, vivendo em pobreza, com ganhos de R$ 90,00 a R$ 178,00.

 

Integra o quadro da tragédia social o alto desemprego no País, que chegou a 14,7% no primeiro trimestre, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que significa 14,8 milhões de trabalhadores desocupados, além dos 6 milhões de desalentados – aqueles que desistiram de buscar um emprego, embora precisem dele. Com esses, a taxa de subutilização da mão de obra disponível no País – que adiciona os subocupados – chega a 29,7%, ou 33,2 milhões.

 

Enquanto isso, num universo paralelo ao desse contingente que não sabe se terá a próxima refeição ou um teto para se abrigar, estão os bilionários, cujo clube foi ampliado em 40% na América Latina, segundo a revista Forbes.  No início de 2020, havia 76 indivíduos na região que possuíam US$ 1 bilhão ou mais em ativos, com um patrimônio conjunto de US$ 284 bilhões. Em 2021, na relação divulgada em março último, constam 105, com US$ 448 bilhões acumulados. Em meados de maio, o número já havia crescido, chegando aos 107 e US$ 480 bilhões. 

 

Para além das cifras e situações individuais, temos ainda uma chocante disparidade no acesso às vacinas contra a Covid-19, única esperança até agora de controle da disseminação do vírus e retorno à vida normal. Conforme denunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS), 75% dos imunizantes disponíveis estão concentrados em dez países, deixando a população das nações pobres ou em desenvolvimento em situação de risco, especialmente diante das novas variantes que vêm surgindo.

 

Se a humanidade pretende seguir adiante de forma civilizada, é urgente reparar o absurdo dessa situação. Para além do senso de solidariedade dos que têm muitíssimo, é preciso haver políticas públicas que promovam efetivamente a justiça social, requisito imprescindível à democracia. Os que são eleitos pelo povo precisam legislar e governar pensando no bem-estar da maioria. Isso implica, entre outras providências, proteção social e ao trabalho, serviços de qualidade em saúde e educação e regime tributário progressivo.

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Garantir socorro e combater a precarização

Apesar de todo o cenário de dificuldades, há que se evitar a normalização da “uberização” do trabalho, que ameaça inclusive atividades como a engenharia

 

Precarizacao quadradoEm meio a uma pandemia de desfecho incerto que ainda exige distanciamento social como forma de conter velocidade da contaminação, avolumam-se as preocupações sanitárias e econômicas no Brasil. Dados demonstram que no início do ano, mesmo sem os efeitos do novo coronavírus, o País já entrava em recessão. Desde então, obviamente, a situação só piorou. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 30 de junho último, traz número alarmante: pela primeira vez, desde o início do levantamento em 2012, o nível de ocupação da população economicamente ativa ficou abaixo da metade, apenas 49,5%.


A situação reforça a necessidade de se garantir socorro às famílias e à atividade produtiva nacional. É preciso que seja mantido auxílio emergencial pelo menos com o valor aprovado no Congresso de R$ 600,00, provavelmente além dos dois meses de prorrogação anunciados, e que as linhas de financiamento sejam acessadas efetivamente pelas empresas que verdadeiramente tentam manter seus empregados. Diferentemente do que prega a ortodoxia de planilha de visão curta, trata-se de garantir que haja um País após essa crise de proporções devastadoras. As regras teóricas fiscalistas, já muito questionadas por especialistas que entendem do assunto, precisam dar lugar às urgências reais da população e da economia brasileiras.


Uma questão fundamental nesse processo é que o combate à crise não seja o pretexto para a ampla precarização do trabalho no Brasil, tendência crescente lamentavelmente desde a malfadada reforma na legislação feita em 2017. Uma economia realmente forte requer mão de obra qualificada, trabalho decente e proteção social.

Ao anunciar um novo formato para o programa “Bolsa Família”, que passaria a se chamar “Renda Brasil”, o Ministério da Economia já tenta ressuscitar a informalidade prevista no malsucedido contrato de trabalho “verde e amarelo”, criado por Medida Provisória, mas que não prosperou no Congresso.  A ideia aqui seria que o cidadão migrasse da transferência de renda para um “emprego desonerado”, leia-se, sem as garantias previstas na legislação trabalhista vigente. No dia 1º de julho, um protesto dos entregadores de plataformas de venda de refeições tornou público o que talvez seja invisível para a sociedade: a superexploração do trabalho informal que muitos pretendem chamar de empreendedorismo. 


Apesar de todo o cenário de dificuldades, há que se evitar a normalização dessa “uberização” do trabalho que ameaça inclusive atividades como a engenharia, que exigem rigor técnico. A tendência à desregulamentação afeta o mercado dos profissionais legalmente habilitados – que não são melhores que ninguém como pessoas ou trabalhadores, mas têm treinamento específico para exercer o seu ofício. Mais grave, representa risco à sociedade como um todo e vai na contramão do processo civilizatório. Se o objetivo é construir um país e um mundo melhores, inclusive a partir do aprendizado com a pandemia, não é possível admitir a precariedade como tônica dominante. Sigamos na direção da prosperidade.

 

Eng. Murilo Pinheiro – Presidente

Comunicação SEESP* 

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) intitulada “Retratos da sociedade brasileira”, divulgada no dia 6 de fevereiro, confirma que, para este ano, as prioridades de brasileiros e brasileiras são a melhoria dos serviços de saúde, o aumento do salário mínimo, a geração de empregos e a redução de impostos.

CNI Pesquisa

De acordo com o levantamento, o desemprego, com 56% das citações, ficou em primeiro lugar na lista de principais problemas. Em segundo lugar, com 55% das assinalações, apareceu a corrupção e, em terceiro, com 47% das menções, a saúde. Em quarto lugar, com 38% das respostas, a população apontou a segurança pública.

Saúde é prioridade número um
A preocupação com o custo de vida e a perda do poder de compra também mudou as prioridades apontadas pela população para 2018. A melhoria dos serviços de saúde, com 37% das respostas, permanece em primeiro lugar desde 2014. Mas o aumento do salário mínimo, com 33% das citações, subiu do quarto lugar em 2017 para o segundo lugar em 2018. Em terceiro lugar, com 32% das menções, aparece o controle da inflação. Em quarto lugar aparecem, empatadas, a geração de empregos e a redução dos impostos, ambas com 30% das respostas.

>> Confira a pesquisa aqui

* Com informações da Agência CNI de Notícias

 

Clemente Ganz Lúcio*

Os resultados divulgados pelo Ministério do Trabalho sobre admissões e demissões realizadas no Brasil no ano de 2017 revelam o fechamento de 21 mil postos de trabalho com Carteira assinada (Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Considerando-se que, em 2015 e 2016, foram fechados quase 2,9 milhões de empregos (1,33 e 1,53 milhão respectivamente), os dados do último ano indicam estabilidade no patamar alcançado pelo emprego formal, o que mostra que o mercado de trabalho chegou ao fundo do poço. Sair é uma outra história!

No ano de 2017, o comércio teve saldo positivo de 40 mil postos de trabalho e a agropecuária e os serviços, de 37 mil cada um. Por outro lado, a construção civil eliminou 104 mil empregos e a indústria da transformação, outros 20 mil. Contudo, quando se considera o ajuste sazonal para a observação da variação do emprego formal registrado em dezembro de 2017 em relação ao mês anterior, o comportamento de todos os setores se mostra mais favorável, com especial destaque para a construção civil e os serviços.

Essas informações negativas sobre o emprego se alinham com a expectativa de baixo crescimento econômico em 2017, depois de mais de dois anos de gravíssima recessão e do acúmulo de 13 milhões de desempregados no mercado de trabalho.

A divulgação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo IBGE, mostra que o desemprego cresceu, passando de 11,5%, em 2016, para 12,7%, em 2017. Mais importante, houve redução de cerca de um milhão de postos com Carteira assinada no ano, aumento de 5,5% do assalariamento sem Carteira e de 0,7%, dos trabalhadores “por conta própria”.

Também a PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pelo Dieese, Fundação Seade, MTE-FAT e parceiros regionais - registrou elevação do desemprego e da contratação informal – autônomos e assalariados sem Carteira – e diminuição dos rendimentos do trabalho e da contratação formal na maior parte das regiões metropolitanas onde ocorre o levantamento.

O cenário prospectivo para 2018 aponta para um resultado positivo em termos de geração de postos de trabalho com Carteira assinada e a possibilidade de uma redução do desemprego, a depender, de um lado, da intensidade do aumento da procura por emprego daqueles que saíram do mercado de trabalho e, de outro lado, do ritmo de criação de postos de trabalho. Esses resultados serão fruto de um crescimento econômico, que poderá ser superior a 2%. O fundo do poço da economia, mesmo com o PIB trimestral em desaceleração nos três primeiros trimestres de 2017, abre espaço para uma retomada que virá animada pela queda da taxa de juros; pela alta ociosidade da capacidade produtiva já instalada, o que permite aumentar a produção sem investimentos; e pelo ciclo eleitoral, que deve aumentar as inversões em obras públicas, entre outros fatores. Mas há inúmeras incertezas que ainda devem ser consideradas, conforme indica o Boletim de Conjuntura do Dieese (www.dieese.org.br).

Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho também evidenciam a aplicação das novas regras de contratação para trabalho intermitente (2,9 mil admissões em dezembro) e contrato de trabalho em tempo parcial (2,3 mil admissões em dezembro). Apesar de baixos, é possível que esses números estejam iniciando uma série que poderá crescer ao longo de 2018, na medida em que aumentar a segurança jurídica em relação às mudanças promovidas pela Lei 13.467. Caso isso ocorra, a tendência será a redução do emprego seguro, em função da ampliação de postos de trabalho que, apesar de formais, caracterizam-se pela precariedade; bem como a utilização de contratos intermitentes ou em tempo parcial para que postos de trabalho informais sejam transformados em empregos legais.

A crise política adiciona ingredientes de difícil mensuração sobre a dinâmica econômica e o mercado de trabalho. Tudo indica que 2018 será um ano de alta complexidade para a luta sindical e social e de difícil compreensão sobre a conjuntura política, econômica e social.

Entretanto, sabe-se que as negociações coletivas de trabalho a serem realizadas neste ano ocorrerão em um contexto de baixa inflação – o que poderá ter reflexos positivos sobre as conquistas relativas à reposição de perdas salariais e obtenção de aumentos reais – e abrir espaço para a negociação de outros temas fundamentais para os trabalhadores. As campanhas de data-base – momento de renovação dos contratos coletivos de trabalho das diversas categorias profissionais – são um espaço privilegiado para o enfrentamento das medidas introduzidas pela reforma trabalhista, dado que propiciam condições para a luta pela inclusão, nos acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, de garantias que protejam os trabalhadores da precarização dos contratos, da flexibilização da jornada e de seus impactos negativos sobre salários, benefícios e condições de trabalho.


* Sociólogo e diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

Soraya Misleh
Comunicação SEESP

“Proposta descabida.” Assim o presidente em exercício da FNE, Carlos Bastos Abraham, se posiciona contra eventual pretensão do governo Temer de aprovar no Congresso Nacional projeto de lei que altera regulamentação da profissão para facilitar a entrada de engenheiros estrangeiros no País. A informação consta de reportagem intitulada “Engenheiros estrangeiros devem ter entrada mais rápida no Brasil”, publicada pela Folha de S. Paulo neste dia 16, segundo a qual o PL deve ser enviado pelo Executivo nas próximas semanas, com o objetivo de “destravar o mercado de construção civil” a profissionais vindos de fora do Brasil. A esses, ainda conforme a matéria, órgãos competentes terão de emitir o registro para atuação no País em, no máximo, três meses. Hoje, o processo costuma levar um ano.


engenheiros importados

Para Abraham, o governo “precisa urgentemente ser convencido a recuar de tal propósito”. Ele explicita: “O quadro relatado na reportagem dá conta de um processo em que as empresas estrangeiras ocupem o lugar das nacionais e tragam seus profissionais para atuar aqui. Enquanto isso, milhares de engenheiros brasileiros estão desempregados. A medida não faz qualquer sentido, seja do ponto de vista da necessidade mais imediata de gerar empregos ou de um projeto de desenvolvimento estratégico.”

Somente entre janeiro de 2015 e igual período de 2017, o emprego formal teve queda de 5,7%, com redução de 2,84 milhões de postos. Desses, 811,4 mil foram na construção em geral (civil e pesada). Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura (Sinicont), tal consta de matéria publicada no jornal Engenheiro, edição nº 179, da FNE. Ainda de acordo com a reportagem, em empregos, o setor regrediu a índices de dez anos atrás. Em investimentos, a perda foi de R$ 63 bilhões.

A alegação de que é preciso contratar estrangeiros para destravar o mercado, em especial diante do impedimento de grandes construtoras por conta da Operação Lava Jato, não convence. A FNE defende que sejam apuradas rigorosamente as denúncias de atos ilícitos, com a devida punição em caso de comprovação. Em caso de empresas, devem restituir os valores apropriados indevidamente, mas não encerrar suas atividades. “Para esse fim, firma um acordo de leniência com os órgãos governamentais competentes e se compromete de maneira clara a não fazer mais uso de práticas ilegais”, aponta Carlos Monte, coordenador técnico do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” – iniciativa da FNE que apresenta uma série de proposições ao desenvolvimento nacional sustentável com inclusão social –, na reportagem do Engenheiro. Assim, seria possível retomar as 5 mil obras paradas no País, o que tem sido propugnado pela federação por intermédio do movimento “Engenharia Unida”, como uma das saídas à crise por que passa o Brasil e retomada do desenvolvimento. A outra é prover incentivos às pequenas e médias empresas do setor, que têm total capacidade e know how para atender o mercado, diferentemente do que consta da reportagem da Folha de S. Paulo. Nessa direção, Abraham é categórico: “A FNE se posiciona fortemente contrária a tal proposta e atuará para impedir que se concretize.”





Do Jornal Engenheiro*

“Situação caótica.” Assim o presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Pedro Celestino, define o quadro vivenciado pela indústria naval hoje no País. O setor luta para se manter, diante de cenário desalentador.

Dos 40 estaleiros instalados no Brasil, 12 estão parados e o restante opera bem abaixo de sua capacidade. É o que aponta em artigo publicado no site do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), intitulado “Sem fôlego para crescer” (confira em https://goo.gl/wxNqtG), seu presidente, Ariovaldo Rocha.

Dos remanescentes, conforme o secretário executivo da entidade, Sergio Leal, “muitos têm fôlego somente até final de 2018 ou de 2019”. A forte retração se deu sobretudo a partir de 2015. Consequentemente, reduziu-se em mais da metade o total de trabalhadores no setor. Segundo Leal, em dezembro de 2014, havia 82 mil postos diretos; em abril/maio deste ano, apenas 25 mil. “E para cada emprego gerado na indústria, são criados outros cinco em subsidiárias. O resultado é redução drástica e atraso tecnológico, pois não há projetos e há pouca engenharia.”

Como exemplo, ele detalha a situação no Rio de Janeiro: “Já tivemos mais de 30 mil empregados, hoje há cerca de 13 mil e esse número está caindo fortemente. Os negócios estão cada vez mais escassos e como não houve contratação de obras nos últimos anos, haverá um buraco. O estaleiro de Mauá está funcionando só para reparos. Já chegou a ter 11 ou 12 mil trabalhadores, agora tem menos de 500. Com capacidade para empregar 8 mil, o Eisa (Estaleiro Ilha S/A) está parado, em recuperação judicial. Angra tem obras até metade ou final de 2019. São 4 mil trabalhadores, antes eram 10 mil.”

No Nordeste e no Sul do País, o desmonte também é sentido fortemente. Diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio Grande do Sul (Senge-RS), Alexandre Wollmann revela: “Na cidade de Rio Grande está o segundo maior porto seco do mundo. O polo naval foi muito fomentado a partir de 2003, o PIB do estado se elevou, a indústria metalmecânica de Caxias do Sul e de Porto Alegre cresceu muito. Isso durou pouco, já no Governo Dilma começou a haver uma redução. O atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, não demandou mais serviços e retirou as plataformas construídas ali, levando-as à China. Mais de 1.200 postos para engenheiros foram fechados.” Ele continua: “Isso mexeu com a indústria metalmecânica na Serra Gaúcha e em toda a Grande Porto Alegre. Há muita demissão. Em Rio Grande, tem gente dormindo na rua.”

Abandono progressivo
Luiz Felipe Assis, professor do Departamento de Engenharia Naval da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do curso de graduação na área, aponta que o caso do município gaúcho é dramático. Lá houve grande investimento da Prefeitura, foram instaladas plantas e também um parque tecnológico com o apoio da universidade federal local (Furg). “As obras estão paradas e a mão de obra de melhor qualidade se desmobilizou.”

Segundo o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval Brasileira, Rio Grande antes contava mais de 20 mil trabalhadores no setor; hoje são 3 mil. “Mais da metade da plataforma P-71 está pronta e hoje essa está sendo vendida como sucata para a Gerdau. Estamos pensando em entrar com representação no Ministério Público para investigar esse negócio. É um cenário de abandono progressivo que tende a liquidar a indústria naval no Brasil, um verdadeiro crime de lesa-pátria.”

Na ótica de Assis, há um “problema geral de dispersão de contratos nos grandes estaleiros”, diante da crise internacional e brasileira. No Nordeste, o docente cita por exemplo o caso do Enseada Indústria Naval, na Bahia. Desenhado para atender demanda da Sete Brasil – empresa criada durante o Governo Dilma para construção de 29 sondas a exploração do pré-sal –, o estaleiro em questão sofre o impacto da Operação Lava-Jato. A Sete Brasil foi implicada em denúncias, o que gerou descontratação. “Há várias sondas em diferentes estágios de construção paradas. O parque industrial está sendo desmobilizado. O polo só está funcionando para manutenção de equipamentos.”

Também na região, estaleiros abertos no Complexo de Suape, no Recife (PE), como o Vard Promar, sobrevivem de demanda residual. No mesmo local, o Atlântico Sul “está entregando os últimos navios, vem amortecendo investimentos, mas não há certeza se terá tempo de se recuperar”.

De acordo com Fontana, conjunto de ações legais de caráter antinacional está sendo tomado para facilitar a importação de equipamentos, as quais dificultam enormemente a produção nacional. “Uma das medidas provisórias nesse sentido trata de regime tributário especial (MP 795/2017), com forte redução da carga para importação ao setor de óleo e gás.” Ele informa que está entre as iniciativas da Frente Parlamentar que coordena tentar impedir sua votação.

Conteúdo local
Outra ação diz respeito a reverter as mudanças nas regras do conteúdo local para a 14ª rodada de licitações de óleo e gás, que reduziu sensivelmente os índices de contratação nacional. No geral, como observa Leal, diminuiu de 65% em média para 25%. “Para cascos, é zero. Ou seja, o Brasil não fará nenhuma plataforma.”

Aliada importante nessa luta é a Frente Mista Parlamentar da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, coordenada pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL), que tem pautado o tema da garantia de conteúdo local em suas reuniões. Caso a mudança nas regras não seja revertida, o setor, altamente dependente dessas encomendas, continuará à míngua. Nesse contexto, como conclui Wollmann, faz-se mais urgente do que nunca a ação da “Engenharia Unida” – articulação da área tecnológica chamada pela FNE na busca de saídas à crise atual.

 

* Uma publicação da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), edição 185, de outubro de 2017. Matéria de Soraya Misleh. Foto: Estaleiro Mauá

 

Da Agência Sindical

No momento em que o sindicalismo busca  ampliar a sindicalização - até como resistência à reforma trabalhista - o jornal Valor Econômico publicou, nesta segunda-feira (11/09), matéria que reforça o acerto da iniciativa. A reportagem mostra os ganhos do sindicalizado.

O enfoque do jornal é o ganho econômico do sindicalizado e também o maior acesso a benefícios em salários indiretos. Está na matéria de Cristiane Bonfanti: “Em setembro de 2015, enquanto não-sindicalizados ganhavam, em média, R$ 1.675,68, os associados de Sindicatos recebiam R$ 2.237,86”. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Resiliência
Além da vantagem econômica, há outros ganhos. O consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, há tempos, aponta o que chama de resiliência no emprego. “Posso dizer, de forma empírica, que o sindicalizado resiste mais ao desemprego”, observa. Para ele, há várias razões. “O sindicalizado geralmente integra um setor mais qualificado, é mais próximo ao sindicato, é também uma pessoa mais informada e engajada”, descreve.

Segundo ainda o consultor, embora os dados econômicos apontados pelo Valor sejam corretos, o sindicalismo não discrimina. “Não existe essa distinção entre quem é ou não é sindicalizado. A ação sindical, na prática, beneficia a todos”, observa.

Metalúrgico
O dirigente metalúrgico de Guarulhos, José Pereira dos Santos, também aponta as vantagens da sindicalização. Seu artigo, em jornal da cidade, destaca: “Para nós, não existe trabalhador de primeira ou segunda classe. O que fazemos é um esforço permanente de ampliar o quadro associativo, mesmo em meio à recessão que desemprega em massa. Em nossa Convenção Coletiva, os direitos e benefícios valem pra toda a base.”

E completa: “Neste momento em que o governo tenta nos deixar sem sustentação financeira, a sindicalização ganha importância. Eu digo que o sindicalismo traz progresso e paz social.”

Agentes autônomos
“A participação do trabalhador no sindicato sempre foi importante, pois assim ele tem muito mais condições de conhecer seus direitos. Com a reforma, o trabalhador terá que participar ainda mais do Sindicato pra evitar perdas salariais e também impedir que lhe sejam impostas condições de trabalho desfavoráveis”, ressalta Lourival Figueiredo Melo, presidente da Federação dos Empregados de Agentes Autonômos do Comércio do Estado de São Paulo (Feaac).

 

Comunicação SEESP
Com informações da assessoria do Sintracomos

Na última segunda-feira (28/08), sindicatos de trabalhadores da Baixada Santista elegeram uma comissão que ficará responsável de reunir propostas para dinamizar a economia e combater o alto desemprego na região. A ideia é encaminhar esse material ao Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana (Condesb), órgão que reúne nove municípios. Na terça-feira (29), a comissão participou de reunião do conselho onde informou os encaminhamentos aprovados. 


Foto: Vespasiano Rocha/Sintracomos
Sindicatos de trabalhadores participam de reunião do Condesb, no dia 29 de agosto.

Segundo o presidente da regional do SEESP, Newton Guenaga Filho, que integra a comissão, os representantes dos empresários e das universidades também devem encaminhar suas propostas. Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Santos (Sintracomos), Macaé Marcos Braz de Oliveira, salientou a importância do canal aberto junto ao Condesb e que isso seria uma “oportunidade de consultar os sindicatos sobre o grave problema que atinge mais de 50 mil pessoas” nas nove cidades que forma a região metropolitana (Bertioga, Guarujá, Santos, Cubatão, São Vicente, Praia Grande, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe).

 

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