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EDITORIAL - Trabalhadores garantem a sua parte

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        O diálogo à mesa de negociação, por vezes convertido em queda de braço entre empresas e funcionários, trouxe em 2010 bons resultados para esses últimos. A conclusão é do balanço feito pelo Dieese (Depar­ta­mento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado no início de setembro. Segundo dados do órgão, cerca de 97% dos ACTs (Acordos Coletivos de Trabalho) realizados entre janeiro e junho deste ano por 290 sindicatos tiveram reajuste salarial igual ou acima da inflação. Em 88% dos casos, houve aumento de ao menos 0,01% além da reposição. Em 40,3% dos ACTs, houve ganho real de 0,01% a 1%. 
        Conforme observou José Silvestre, coorde­nador de relações sindicais do Dieese, ao jornal Valor Econômico, o resultado foi dois pontos percentuais superior ao regis­trado no primeiro semestre de 2008, quan­do a economia também avançava forte.
        Na sua opinião, com o PIB (Produto Interno Bruto) em expansão e a inflação em queda, essa é a hora de reivindicar a parte que cabe aos trabalhadores do bom desempenho da economia. E apos­ta: “A tendência é que os acordos reali­zados no segundo semestre superem os ótimos resultados do primeiro.”
        Com a maior parte das negociações con­centrada em maio e junho, os enge­nhei­ros acompanharam a tendência geral e também tiveram conquistas nos acordos e convenções coletivas firma­dos no pri­meiro semestre. Entre essas, aumento real sobre os salários e bene­fícios, manuten­ção do piso e garantia de estabilidade no emprego. A elevação da remuneração em várias empresas do setor energético ficou em 6,5%, atingindo 8% na Cosipa. Em relação aos benefícios, esse percentual che­gou, em alguns casos, a 11%.
        Tal dinâmica traduz, além do cresci­men­to econômico, uma lenta melhoria das condi­ções de vida da população, cuja renda ainda precisa ser muito am­pliada. A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí­lios), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Esta­tística), demonstra que de 2008 para 2009 houve progressos im­portantes co­mo o aumento de 2,2% do rendimento real do trabalho, que atingiu R$ 1.106,00, am­pliação do emprego formal e tímida mu­dança positiva no índice Gini, que mede a desigualdade. A renda média mensal real por domicílio subiu 1,5%, chegando a R$ 2.085,00. No entanto, é preciso levar em conta a enor­me disparidade social, que coloca gran­de parcela da população com ganhos muito inferiores a esses. Também, embora tenha sido reduzida a pobreza, o número de pessoas vivendo com até R$ 140,00 mensais é de 28,84 milhões, segundo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
        Se o País prepara-se para, até o final da década, estar entre as cinco maiores econo­mias do globo, é preciso também que tenha cidadãos de primeiro mundo, com condi­ções de vida e consumo compatíveis com tal aspiração.
        Salário mínimo – Batalha importante pela distribuição de renda também será travada até o final do ano para que se garanta o reajuste signi­ficativo do salário mínimo em 2011, elevando-o para ao menos R$ 560,00, conforme reivindica o movimento sin­dical. Por enquanto, tem previsão má­xima de R$ 538,15 na proposta de Or­çamento Federal entregue ao Congres­so Nacional pelo Governo. Mais um bom combate que se avizinha.

 

 

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