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Eleições 2014 – Candidatos apresentam propostas à categoria

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Neste mês de setembro, foi a vez de os candidatos ao Senado Ana Luiza Figueiredo Gomes (PSTU), Marlene Machado (PTB) e Gilberto Kassab (PSD), bem como do presidenciável José Maria Eymael (PSDC) e do postergante à reeleição a vice-presidente Michel Temer (PMDB) participarem do ciclo de debates “A engenharia, o Estado e o País”, na sede do SEESP, na Capital. Promovida por essa entidade desde 1998, a iniciativa contou neste ano com a presença de 12 dos concorrentes a cargos majoritários nas próximas eleições – todos foram convidados.

Na oportunidade, além de apresentarem suas propostas à categoria e debaterem com esse público, receberam das mãos de Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do sindicato, a publicação “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Novos desafios”. Versão atual do projeto lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em 2006, o documento reúne as contribuições dos engenheiros ao desenvolvimento nacional sustentável com distribuição de renda.


Governar para os trabalhadores

Presente no dia 3, Ana Luiza saudou a iniciativa do SEESP de possibilitar a todos – “grandes e pequenos” – apresentarem suas propostas. Segundo sua preleção, os três principais candidatos a presidente nestas eleições abarcam o financiamento de grandes empresas, “que não fazem doações, mas investimentos”. Ela concluiu: “Não sabemos quem vai ganhar, mas já sabemos quem vai governar.” Na sua concepção, é preciso mudar a lógica atual e governar para os trabalhadores. Sob essa ótica e com mobilização, ela acredita que se alcançam as soluções para graves problemas enfrentados pelos brasileiros. “Na saúde, pessoas morrem nas filas dos hospitais. Na educação, os jovens saem do ensino fundamental sem conseguir interpretar um texto, e ainda há milhões de analfabetos.” Com relação ao transporte, enfatizou: “O alto custo leva 1/3 da população a realizar seu percurso a pé.” Sobre direito à moradia, apontou: “Há 6 milhões de habitações vazias no País e um déficit de 5 milhões. Vamos discutir quantos imóveis cada pessoa pode ter e a cobrança progressiva de seus impostos, para obter mais recursos e se assegurar esse direito básico.” A candidata mencionou ainda a grave crise de abastecimento de água em São Paulo. “O problema é como se utilizam os recursos públicos. Quarenta por cento do orçamento vai para pagamento de juros da dívida pública, já paga. Vamos fazer uma auditoria para esclarecer a população sobre isso.”

Ademais, para se assegurar serviços de qualidade, Ana Luiza defendeu a reestatização do patrimônio público. No que tange ao combate às opressões, salientou a realização de campanha contra o machismo e a defesa de legislação relativa à criminalização da homofobia, bem como a luta contra o racismo.


Em defesa da família

Falando aos engenheiros no dia 8, Marlene Machado afirmou seu compromisso de “resgatar os valores da família, hoje desestruturada”. Ela complementou: “É o momento de renovação, de trabalho, com muita determinação e transparência.” Marlene esteve no sindicato acompanhada de dois engenheiros e dirigentes licenciados dessa entidade – os candidatos pelo seu partido a deputados federais Silvana Guarnieri (vice-prefeita de Diadema) e Pedro Tuzino –, bem como a estadual Campos Machado.

Ao iniciar sua preleção, a postulante ao Senado falou de sua trajetória de 16 anos de realização de trabalhos sociais no Estado de São Paulo, que a levou a disputar o cargo majoritário nestas eleições, sendo representante desta localidade. “Atuo dentro das comunidades, vendo os anseios e necessidades dos paulistas.” Também salientou o trabalho à frente do PTB Mulher. “É o maior movimento de mulheres do País. São mais de 50 mil filiadas e mais de 140 mil seguidoras.” Fator que a credenciou para ser escolhida como candidata, uma experiência nova a ela, que até agora não havia atuado “nos gabinetes” do Parlamento. Empresária formada bacharel em Direito, mãe e dona de casa, ela destacou a coragem das mulheres ao enfrentarem uma candidatura, como é seu caso. “Preparei-me para a disputa e para assumir o Senado. Temos propostas. A educação está falida, na saúde, pessoas estão morrendo nas filas, mães ficam sem atendimento. A maioria das mulheres precisa trabalhar fora e não tem onde deixar os filhos. Estou comprometida em fazer o melhor”, garantiu. E completou: “Nós, mulheres, somos 53% do eleitorado. Fazemos a diferença, estamos comprometidas com o social, queremos um Estado muito mais digno. Quando falo das mulheres, falo da família, de sua defesa.”


Lutar por São Paulo

Ex-prefeito da Capital, Gilberto Kassab participou da atividade no dia 16. Colocando-se como a opção de “renovação” em relação aos concorrentes diretos, Eduar­do Suplicy (PT), com mandato atualmente, e José Serra (PSDB), que já exerceu o cargo (eleito em 1994), ele criticou o conjunto da bancada paulista. “São Paulo perdeu representação em Brasília nos últimos 30 anos. Quando houve a ameaça à Zona Franca de Manaus, os senadores do Amazonas ameaçaram parar as votações. Os do Rio se mobilizaram para defender o direito aos royalties do petróleo. Os de São Paulo não fazem isso.”

Entre as iniciativas que, em sua opinião, deveriam ser tomadas, Kassab inclui a revisão no pacto federativo de modo a permitir que o Estado receba mais recursos. “No ano passado, São Paulo arrecadou para a União R$ 323 bilhões; teve retorno de cerca de R$ 27 bilhões, menos de 10%.” Segundo o candidato, há grave carência de recursos financeiros, que impedem a solução de inúmeros problemas enfrentados por São Paulo, como a baixa qualidade do ensino público, a falta de segurança, o problema da mobilidade urbana e até a crise hídrica.

Kassab afirmou que, se eleito, pretende aprovar um projeto nacional de incentivo ao ensino integral nas escolas municipais. Ainda na educação, o candidato do PSD afirmou que defenderá o estímulo à pesquisa. Para a saúde, a proposta são mais verbas e descentralização. Na área da segurança pública, defendeu melhores salários aos policiais e garantia de recursos “carimbados” para o setor. Prometeu trabalhar também por uma reforma tributária que vise “a redução da carga de impostos e a desburocratização”. E propugnou por uma reforma política que impeça a existência de “legendas de aluguel”.


Democracia cristã

No dia anterior (15), José Maria Eymael discorreu sobre seu programa de governo e contou aos presentes sobre as contribuições da democracia cristã ao processo da Constituinte. “Defendemos sociedades livres, justas e solidárias”, afirmou o empresário e advogado especialista na área tributária, que ganhou popularidade com o jingle “Ey Ey Eymael”, composto em 1984 pelo alfaiate José Raimundo de Castro. A citação do candidato faz referência a uma das suas 145 contribuições à Constituição Federal de 1988, o inciso 1º, do artigo 3º: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:  I – construir uma sociedade livre, justa e solidária.”

Conforme explanou, a “democracia cristã” viveu duas “tragédias”: “Em 1965 ocorreu a primeira, que foi o Ato Institucional número dois do regime militar, que extinguiu 13 partidos, criando o bipartidarismo.” O outro momento difícil descrito por ele foi em 1993, quando a legenda fundiu-se com o PDS de Paulo Maluf.

Eymael defendeu a extinção de ministérios, sem citar quais, deixando um número entre 15 e 20, e a criação de outros dois: o da Segurança Pública e o da Família. A família, para ele, deve ser constituí­da somente por casais do sexo oposto. “Nada contra a união entre pessoas do mesmo sexo, mas o casamento deve ser somente entre homem e mulher”, disse.

Faz parte ainda das suas propostas a redução da carga tributária, a promoção de espaços culturais nas periferias, o investimento no esporte amador como porta de entrada para o profissional, uma política nacional de segurança prevendo a integração das inteligências das polícias de todo o País, o corte dos “supersalários” e inversões maciças em banda larga, sem detalhar metas.


Carreira pública de Estado

Candidato à reeleição para vice na chapa da presidente Dilma Rousseff, Michel Temer expressou, no dia 17, o apoio ao Projeto de Lei nº 13/2013, o qual dispõe sobre a carreira pública de Estado para a categoria, em todas as esferas. Também se comprometeu a ajudar os engenheiros e arquitetos da Prefeitura Municipal de São Paulo, em campanha por reajuste salarial e valorização profissional.

Na sequência, ele fez uma retrospectiva dos principais momentos históricos nacionais, desde a proclamação da República, em 1889, e a primeira Constituição, em 1891, passando pelos governos de Getúlio Vargas, a ditadura civil-militar que durou de 1964 a 1988, a Constituinte de 1986, os primeiros governos eleitos até os dias atuais. “Saímos de um sistema autoritário e centralizador, e estamos tomando um ‘banho’ de democracia. Hoje temos o direito de protestar, passamos da fase de querer apenas o pão sobre a mesa, agora queremos serviços mais eficientes”, referindo-se aos movimentos de junho de 2013, quando milhares de pessoas foram às ruas em todo o Brasil exigindo vários direitos, entre eles ao transporte público mais barato e eficiente.

Segundo Temer, as ações do governo federal têm como base a Constituição Federal de 1988, principalmente no que se refere aos direitos à alimentação e moradia. No primeiro caso, ele citou o programa Bolsa Família. “Conseguimos tirar 40 milhões de brasileiros da extrema pobreza.” Em relação à moradia, ressaltou a importância do Minha Casa, Minha Vida, com a construção, em vários estados do território nacional, de mais de 1 milhão de residências populares. E concluiu destacando a importância da categoria a um projeto nacional: “Queremos mais futuro, mais mudanças, mais desenvolvimento, e os engenheiros ajudam a fazer esse amálgama.”


Por Soraya Misleh, com colaboração de Deborah Moreira, Rita Casaro e Rosângela Ribeiro Gil

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