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TECNOLOGIA - Samba e engenharia na avenida

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Soraya Misleh

       Fragrâncias que perfumam o ambiente, alegorias que se movimentam, com peças articuladas e uso de elevadores hidráulicos, adereços resistentes a chuva e fantasias mais leves. Todas essas inovações que hoje povoam os desfiles de escolas de samba de São Paulo são resultado da engenharia feita para o Carnaval. Nos projetos que abrilhantam ainda mais a festa popular tão esperada por brasileiros e turistas estrangeiros, cálculos são realizados como se faz para construir uma casa.
       Quem afirma é Jorge Marcos Freitas, carnavalesco da Rosas de Ouro. Com isso, verifica-se por exemplo o peso que suporta determinada estrutura. Também é obtida a aprovação devida junto ao Corpo de Bombeiros pelo responsável técnico – cada escola, ainda segundo ele, precisa contratar um.
       Além de garantir segurança e cuidar da logística, é seu papel, portanto, apresentar alternativas para assegurar os efeitos desejados na avenida. Assim, há dois anos, como conta Freitas, a Rosas de Ouro, em enredo que falava sobre o perfume, utilizou seis acoplamentos no abre-alas. “Eram frascos em formato de rosa, cuja tampa eram as pétalas. Essas se abriam e havia um sistema que pulverizava jatos com uma fragrância que se disseminava por 15 metros de altura e não enjoava, feita especialmente para o desfile por um engenheiro”, relata. Vice-campeã do Carnaval 2009, a escola vai agora repetir a dose. Para enriquecer sua passagem e logicamente casando com o tema escolhido – “O cacau é show” –, incluirá fragrância e chafariz de chocolate. Bom para o patrocinador Cacau Show, que deve colher os frutos do desfile que, graças à tecnologia, aguçará os sentidos e a vontade dos presentes de consumir o produto.
       Além disso, a escola tem adotado alegorias com movimentos e feito a impermeabilização para torná-las resistentes às intempéries próprias do período. “As esculturas são em isopor e têm uma camada de revestimento. Plasticidade tem sido cada vez mais utilizada, com a evolução no acabamento. Antigamente, eram em papel machê e não havia essa preocupação”, destaca Freitas.
       Materiais também têm sido usados visando mais leveza, em especial nas fantasias para a ala das baianas. Sidnei França, carnavalesco da campeã em São Paulo de 2009, a Mocidade Alegre, traça um histórico nesse sentido. Na cidade, a festa popular começou em 1968 e, “no início, utilizava-se basicamente tecido e pluma”. Com o passar do tempo, de acordo com ele, para atender as necessidades midiática e do público de classe média alta, passou a se usar muito arame nas armações dos costeiros (que ficam sobre os ombros). A proposta de dar volume às fantasias e torná-las mais pomposas foi incorporada pela Rosas de Ouro, a qual, como salienta Freitas, recorre a muito adereço de mão em lugar das plumas.
       Não significa que há uma grande revolução tecnológica, até porque não tem sido esse o objetivo. “Tecnicamente, o maior trabalho é para nada falhar”, confirma França, que levará para a avenida, em 2010, como tema o espelho.

 

Segurança e logística
       As orientações para tanto são dadas em reuniões cotidianas por técnicos da São Paulo Turismo (SPTuris). Coordenador de Carnaval dessa autarquia municipal, Marco Antonio de Sant´Ana aponta que existe um manual a ser seguido. E resume as recomendações apresentadas: “Os carros alegóricos precisam ser finalizados no Sambódromo.” São escoltados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e chegam ao local com 4,5m. Somente depois aumentam de tamanho, podendo alcançar até 13m. “Para evitar acidentes, todas as baias (para a conclusão desse trabalho) têm extintor de incêndio e temos um carro de bombeiros estacionado na área do desfile e uma equipe de plantão na concentração.” Nessa, ainda segundo ele, há alguns anos foram instalados hidrantes. Também é colocado no espaço externo caminhão-pipa. “Nos carros, temos destaques (pessoas) que devem ser içados. Utilizamos guindastes para essa operação e o acompanhamento de bombeiro civil”, continua. Sant´Ana afirma que essa ocupação pelas escolas é fiscalizada pela Prefeitura. Ao Contru (Departamento de Controle do Uso de Imóveis) cabe averiguar as condições nos barracões, informa a assessoria de comunicação da SPTuris.
       Para Celso Atienza, vice-presidente do SEESP, todo projeto de Carnaval deveria ter, além de alvará de licença e funcionamento, laudo do engenheiro de segurança, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), em relação aos carros alegóricos. E a fiscalização nos barracões é crucial para evitar ocorrências, como incêndios. “São abertos sem licença e há muito material combustível.”

 

 

 


 

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