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Opinião – Faixas reversíveis: democratizando o espaço viário para o ônibus

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Edilson Reis e José Borges Filho

Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), somente em meados de 2040 se alcançará extensão da rede metroviária equivalente a 30km/milhão de habitantes, considerada ideal para caracterizar esse sistema como o principal modo de viagem. Até o início da Copa do Mundo, a previsão é de 100km de rede, equivalente a 9km/milhão de habitantes. Assim, o metrô permanece como complementar, e o sistema sobre pneus, como o mais importante e estruturante modal do transporte de massa na cidade de São Paulo. Em 2013, foram transportados por ônibus 2,95 bilhões de passageiros, contra 1,3 bilhão por metrô, relação 2,3 vezes maior.

A partir de 2004, com a implantação do bilhete único, integração entre os modais e crescimento da economia brasileira, o sistema sobre pneus, basicamente com a mesma frota licitada em 2003, absorveu 75% da demanda a mais de passageiros, ante 45% do metrô. De certa forma, o aquecimento da economia afetou negativamente a mobilidade urbana na cidade a ponto de elevar os modais às suas máximas capacidades de atendimento. Mas nem tudo está perdido. Se no horizonte de 2040 o Metrô conseguir atingir a meta de extensão da rede de trilhos prevista, a situação estará equacionada.

Enquanto isso, a principal solução tem sido a segregação do espaço viário para o transporte coletivo, com o objetivo de aumentar a circulação do ônibus, por meio da ampliação das faixas exclusivas. Também está prevista no Plano de Metas da Secretaria Municipal de Transportes a construção de 150km de corredores exclusivos (modelo BRTs). Outra contribuição para ampliação do espaço para a circulação do ônibus, exclusivamente nos horários de pico, seria, conforme aqui se propõe, a reformulação da diretriz operacional das chamadas “faixas reversíveis”, prioritariamente destinadas aos automóveis. Essa operação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), desde 1977, tem apresentado resultados positivos em termos de aumento da capacidade de fluxo das vias apropriadas a esse fim. Atualmente, abrange 13 corredores de tráfego, totalizando 30km de vias, das quais apenas cinco para uso do transporte coletivo. Mas poderia ser estendida aos atuais, bem como a outros novos corredores que comportem esse tipo de operação, consolidando assim essa exitosa política de democratização do espaço viário. O desenvolvimento do projeto operacional, contemplando, entre outras, as adequações viárias e a especificação do veículo adequado a operar essa modalidade de corredor compete aos engenheiros da CET e da São Paulo Transporte (SPTrans), que detêm a expertise do modelo.


Edilson Reis é consultor em transporte, diretor do SEESP, coordenador do Grupo de Transporte,
Trânsito e Mobilidade Urbana da entidade e membro do Conselho Tecnológico do sindicato

José Borges Filho é ex-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), consultor técnico em sistemas de transporte e mobilidade urbana

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