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Cresce Brasil – Contribuir à integração latino-americana

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Soraya Misleh

Os trabalhadores universitários, entre os quais os engenheiros, devem estar representados nos espaços destinados à integração latino-americana. Essa foi a tônica do “Seminário de Integração Latino-americana dos trabalhadores universitários”, realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU) nos dias 22 e 23 de maio, no auditório do SEESP, na Capital.

À abertura, Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da entidade promotora – que também está à frente desse sindicato –, exaltou nesse sentido a relevância do evento como forma de estabelecer laços importantes entre os trabalhadores dos países da América Latina, discutindo propostas e reivindicações comuns para o fortalecimento não apenas das categorias profissionais dessas nações, mas também para garantir sociedades mais justas e democráticas. A vice-presidente da CNTU, Gilda Almeida, uma das coordenadoras da iniciativa, juntamente com o diretor da confederação Welington Mello, ressaltou que os trabalhadores da região precisam ter mais voz ativa nas discussões sobre integração, com o propósito de também apresentar suas ideias. “Precisamos nos empoderar do tema”, conclamou. Valor que a CNTU busca resgatar ao impulsionar esse debate, como lembrou o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto.

A integração latino-americana se dá numa configuração internacional muito instável. A observação foi feita no ensejo pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. “A situação para os países em desenvolvimento é muito difícil por conta da crise econômica iniciada em 2008 e que se prolongará no tempo”, observou ele, esclarecendo que todas as nações latino-americanas estão nessa posição. Ele lembra que a crise não afetou igualmente empresários e trabalhadores, sendo que os primeiros, ao contrário do que se diz, saíram muito fortalecidos. Já os últimos “são os maiores afetados”.


Protagonismo

Para Félix Rígoli, gerente da Área de Sistemas de Saúde da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) mantêm uma integração baseada na hegemonia dos grandes países, com pouco foco social. Ele lembrou que a integração deve contemplar também os cidadãos e trabalhadores. Na mesma linha, Fredy Franco, da Frente Nacional dos Trabalhadores (FNT) da Nicarágua, defendeu que somente com um processo complementar, solidário e cooperativo será possível “superar as desigualdades e a pobreza dos nossos povos”. José Divanilton Pereira da Silva, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), frisou que a classe trabalhadora não quer qualquer integração.

Para alcançar esses resultados, Franco propugnou por um protagonismo maior dos sindicatos de trabalhadores nas discussões da integração latino-americana e caribenha, mas também junto aos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Defesa nesse sentido foi feita ainda por Maria Helena Machado, professora e pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Agraciada pela CNTU com o prêmio Personalidade Profissional em Odontologia em 2013, na sua opinião, é necessário reivindicar a “representação formal dos trabalhadores” nos blocos do continente. “Hoje, estão totalmente ausentes do Mercosul e devem ter voz e voto, para incidirem sobre as decisões governamentais e contribuírem à redução das iniquidades e assimetrias regionais.”

Para Débora Gribov Novogrebelsky, diretora da Associação de Docentes Universitários do Uruguai (Adur), a integração deve ser pensada “a partir das singularidades de cada região”. Ao que as universidades têm papel importante, inclusive para “consolidar o sistema educativo integrado do Mercosul e fronteiras, com carreiras binacionais”. Pavimentar esse caminho é crucial diante de um cenário em que a “imigração qualificada cresceu em torno de 63%”, como ensinou o professor da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Cavalcanti, do Centro de Pesquisa e Pós-graduação sobre as Américas dessa instituição e coordenador científico do Observatório das Migrações Internacionais. Uma das demandas crescentes, como frisou ele, tem sido por engenheiros e biotecnólogos. Diante desse quadro global, Cavalcanti apontou que um dos desafios é se criar redes de cooperação e integração de programas acadêmicos.

Para José Luis Porto Carrasco, representante do Plenário Intersindical de Trabalhadores e da Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT) junto ao Mercosul, “os intelectuais têm papel fundamental nesse processo e precisam estar a serviço da classe trabalhadora”. O início poderia ser, na sua ótica, “estabelecendo pontes de comunicação e conhecimento”. Ele convidou a CNTU a participar dessa mobilização, unindo-se à Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu e contribuindo à elaboração do capítulo brasileiro do Encontro Sindical nossa América (Esna), a ser lançado em 2015 – o que foi aceito por Murilo Pinheiro, que enfatizou ao encerramento: “Nossa intenção é fazermos um convênio entre os trabalhadores universitários do Uruguai e do Brasil. Devemos começar com a valorização de cada profissional e nos unir para garantir mais qualidade de vida a todos da região.”

Confira aqui cobertura completa do seminário.


Colaboraram Rosângela Ribeiro Gil e Deborah Moreira

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