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Mercado de TI aquecido atrai engenheiros com experiências diversas

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Deborah Moreira

O mercado de Tecnologia da Informação (TI) está em plena expansão. Para ter chances reais de concorrer às diversas vagas, o engenheiro precisa se especializar a partir de cursos rápidos e pagos. Também há opções gratuitas em plataformas que oferecem diversas atividades.

 

 

engenheiro mercado TI freepikImagem: Freepik

 

O setor foi impulsionado com a pandemia causada pelo novo coronavírus que acabou obrigando as empresas a estabelecerem o trabalho remoto. Nos anos anteriores, no entanto, estas já haviam iniciado a automação de seus processos administrativos para ganhar confiabilidade e redução de custos. Paralelo a isso, também vinha ocorrendo a digitalização das atividades como, por exemplo, a assinatura de contratos.

 

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também está contribuindo para esse aquecimento do mercado, uma vez que há incremento na área de segurança da informação, já que as medidas disciplinares da nova legislação passaram a valer em agosto de 2021. Com isso, será preciso alterar os processos tecnológicos para preservação dos dados. Confira entrevista com o especialista Bruno Bioni sobre o tema nesta edição do Jornal do Engenheiro.

 

Oportunidades com teletrabalho

Caio Arnaes, diretor de recrutamento da Robert Half, consultoria global de recursos humanos, atesta que existe um mercado novo criado nos últimos dez anos, cujos processos foram acelerados com o home office e que só pode ser mantido com profissionais especializados. No Brasil, 7,9 milhões de brasileiros trabalham de casa, o que equivale a cerca de 10% da população economicamente ativa (79 milhões de brasileiros).

 

Com o trabalho a distância é necessário garantir segurança na transmissão de dados. Somado a isso, consolidou-se uma dependência das empresas por diversos aplicativos para se manterem. Há ainda alta demanda do e-commerce. Outra consequência do teletrabalho foi a ampliação do uso de ferramentas de teleconferência, o que gerou uma abertura do mercado internacional para os brasileiros.

“Agora não precisa mais estar fisicamente na empresa. Dá para morar em qualquer cidade brasileira e prestar serviços para uma multinacional em Nova York, em Dubai ou em qualquer outro país. Além das qualificações técnicas, é exigido inglês fluente. Levando em conta o câmbio, a remuneração desses profissionais se torna bastante alta, por ser em dólar ou euro”, enfatiza Arnaes.

Parada mercado para engenheirosAlberto Marcelo Parada: é preciso se especializar. Foto: Acervo pessoalEste quadro não deve se alterar substancialmente no pós-pandemia. Aguns levantamentos demonstram que uma parcela considerável de companhias pretende manter o home office após a pandemia. De acordo a pesquisa “Gestão de Pessoas na crise da Covid-19”, da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cia de Talentos e Xtrategie, 94% das 139 empresas revelaram que o regime em trabalho remoto superou as expectativas e 25% delas pretendem manter o modelo.

Outro filão ao profissional de TI são as instituições financeiras, que ampliaram seus lucros com o home office e por essa razão não têm a pretensão de abrir mão dele. É o caso do Banco do Brasil (BB), que, segundo divulgado pela sua Associação Nacional de Funcionários, pretende manter cerca de 10 mil funcionários de áreas administrativas em jornada parcialmente remota. Estudos internos apontam economia de até R$ 180 milhões por ano em despesas com imóveis. No Bradesco, estima-se que entre 30% e 40% do pessoal de áreas administrativas continuará trabalhando de casa e outro grupo de 25% a 30% não precisará ir ao escritório todos os dias.


Raciocínio lógico

 

Um levantamento junto a 291 empresas do Fórum Econômico Mundial, divulgado no final de 2020, constatou que 55,4% delas encontram lacunas de competências profissionais em seus respectivos mercados. Segundo o relatório, algumas serão mais procuradas até 2025, como pensamento analítico e inovação; aprendizagem ativa e estratégias de aprendizado; resolução de problemas; pensamento crítico; criatividade; liderança; uso, monitoramento e controle de tecnologias; programação; resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade; raciocínio lógico; inteligência emocional; experiência do usuário; foco no cliente; análise e avaliação de sistemas; e persuasão e negociação.


Por sua qualificação, o engenheiro possui vantagens em relação a outros profissionais. Contudo, para ter chances reais de contratação, precisa buscar especialização. É o que afirma o head hunter Alberto Marcelo Parada, da Descomplicando Carreiras, startup que orienta profissionais no segmento de tecnologia: “Mesmo os engenheiros formados com viés tecnológico, como mecatrônico, engenheiro de sistemas ou software, são muito generalistas. As empresas buscam formação específica para compor as equipes de desenvolvimento, como em linguagem de programação, Cloud Computing, Banco de Dados, Programação, entre outras”, explica .

Ele, que também é executivo da OTG Computadores, relata que tem tido dificuldades para contratar. “Coordeno diversos projetos ligados à área de tecnologia, com mais de 100 profissionais. Atualmente, temos 30 vagas na área de TI que não consigo preencher. São para profissionais em geral. Dessas, duas são para engenheiro de dados e duas para engenheiro de software”, revela.

Segundo Parada, outra opção é se candidatar a vagas não específicas para a formação na área, bastando, para tanto, um curso de três ou quatro meses para se capacitar, a depender do nível de conhecimento. Nesse caso, os salários, conforme ele, para quem está começando giram em torno de R$ 3 mil, mas podem chegar a R$ 30 mil para os mais experientes. Já a cargos de gestores o valor inicial é de cerca de R$ 7 mil, podendo alcançar até R$ 40 mil.

Ainda de acordo com o executivo, atualmente ocorre uma “batalha por cursos”. Quem conhece bem programação, desenvolvimento de sistemas e tem dois ou três anos de experiência, como informa, "ganha 15 mil reais com muita facilidade". E acrescenta: "Como temos uma procura gigantesca e uma oferta pequena, está se disputando a tapa esses profissionais no mercado.” Entre as vagas mais ofertadas estão cientista de dados, engenheiro de dados, engenheiro de software, desenvolvedores, entre outros.

 

Estágio como opção

Fernanda Santana vagas ponto comFernanda Santana: oportunidade grande para quem está fora do mercado. Foto: DivulgaçãoA dica de buscar formação específica também vale para estudantes. Parada pontua que as empresas têm preferência por contratar estudantes capacitados: “Geralmente, os iniciantes são contratados por um valor mais baixo e acabam tendo como retorno o acúmulo de experiência.”

Devido à escassez de profissionais especializados em TI, grandes empresas estão investindo fortemente na formação de seus funcionários, realizando programas de aceleração e os chamados boot camps (treinamento imersivo feito para o desenvolvimento de habilidades importantes em diversas áreas).

“Em muitos casos, o profissional contratado inicia seu trabalho com algum tipo de imersão. É uma grande oportunidade para quem ainda está fora do mercado”, concorda Fernanda Santana, especialista de RH da Vagas.com, que atua com recrutamento de profissionais. Segundo ela, além dos cursos e dos programas das empresas, quem está buscando se qualificar no segmento pode acessar as plataformas de conteúdo conhecidas com fóruns de discussão para encontrar o que deseja. “O profissional de TI tem a característica de ser autodidata e compartilhar informações. Então existem diversas comunidades de tecnologia. Mas também existem empresas bem estruturadas que oferecem formações nesse setor, como a Gama Academy e a Rocket Seat, a qual já possui trilhas gratuitas sobre desenvolvimento web, por exemplo”, completa Santana, que ressalta que a importância de se atualizar constantemente.

Outra forma de sanar a falta de pessoal capacitado é aproveitar funcionários de outros setores. Muitas empresas estão apoiando profissionais de outras áreas para migração de carreira. O fato de já conhecerem a dinâmica da empresa favorece o investimento.

Foi o que aconteceu com a engenheira de produção fluminense Illana Marambaia de Almeida. Ela mudou-se para a capital paulista em 2018 a convite de uma antiga gerente para trabalhar na Drogaria Pacheco São Paulo. Dois anos depois, recebeu o convite para fazer a migração de carreira. “Já gostava dessa área de tecnologia, tinha proximidade com o pessoal e foi bem tranquilo por contar com apoio total da direção da empresa", lembra.

Recentemente, Marambaia mudou de trabalho para atuar como PO (Product Owner), que é o profissional responsável por um determinado produto, em uma empresa de tecnologia que oferece soluções em sistemas. "Hoje cuido de um sistema para gerenciar pedidos em um restaurante", explica.

Illana Marambaia copyIllana Marambai: sem medo de desafios. Foto: Acervo pessoalMarambaia enfatiza que a visão de negócio que acumulou como engenheira de produção acabou agregando muito ao trabalho atual: “Antes de qualquer coisa quis conhecer o restaurante, conversar com o gerente, com o garçom, ver como funciona a cozinha. Com isso, consigo fazer a ponte entre quem vai programar com o usuário do sistema”, conta.

Ela arrisca uma dica aos colegas: "Vejo o mercado muito aberto a pessoas que não tenham experiência no ramo, justamente para contratar quem ainda não tem vícios. Sugiro aos engenheiros não terem medo de topar desafios que levam para fora da zona de conforto. Não é porque você é um engenheiro civil ou de produção que não possa migrar para o setor de tecnologia. É uma área muito aberta, tem muito mercado, e a diversidade é um componente essencial para a inovação."

Plataformas indicadas pelos especialistas ouvidos:

Cursos

Digital House
https://www.digitalhouse.com/br/

Coursera
https://pt.coursera.org/


Ka Solution
https://www.kasolution.com.br

Fontes

Gama Academy

https://www.gama.academy/

Rocket Seat
https://rocketseat.com.br

Stack Over Flow

https://pt.stackoverflow.com/


Udemy
https://www.udemy.com

Agências de recrutamento


Descomplicando Carreiras
http://descomplicandocarreiras.com.br/

Robert Half
https://www.roberthalf.com.br/


Vagas.com

https://www.vagas.com.br/

 

 

 

 

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