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Entrevista – Reafirmar excelência da universidade a serviço da sociedade

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O novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, destaca ao Jornal do Engenheiro o desafio de confirmar a excelência da academia após forte crise financeira, conforme Relatório de Gestão 2014-2017, e queda em rankings de qualidade. Professor titular em Materiais e Componentes de Construção Civil e ex-diretor da Escola Politécnica (Poli-USP), Agopyan recebeu do SEESP em 2008 o já tradicional prêmio Personalidade da Tecnologia em Valorização profissional.

O engenheiro está a frente de uma das maiores universidades do País, cujo orçamento previsto para 2018 é de R$ 5,177 bilhões, destinado a 42 unidades de ensino e pesquisa, além de institutos especializados, museus e hospitais divididos em oito campi (localizados nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Bauru, Lorena, Santos, Piracicaba e Pirassununga), com mais de 5 mil docentes, 88.800 alunos e 182 cursos de graduação e pós-graduação.


Quais os principais objetivos da nova gestão?

Nossa proposta é baseada em três eixos. O primeiro é a busca contínua por excelência. Temos que retribuir à população contribuinte uma instituição de ensino e pesquisa de excelência, é nossa obrigação como instituição pública. E uma ferramenta para isso é a internacionalização, através de projetos e pesquisas em conjunto com universidades estrangeiras parceiras, em que o duplo diploma é uma consequência. No caso particular da engenharia, a internacionalização é uma realidade. Mesmo em áreas em que a regionalização é imperativa, como civil, muita coisa é feita de uma maneira internacional. O segundo eixo é trazer excelência a serviço da sociedade. A maioria vê a universidade apenas como ensino de terceiro grau. Isso é uma falha dela, de como se apresenta, e não somente das pessoas. Queremos que a sociedade enxergue também a universidade como local de debate, de desenvolvimento, de conhecimento, como agente de transformações. E isso nos leva ao terceiro eixo, a valorização dos recursos humanos, que inclui nossos alunos. Temos que prestigiá-los também. O alunato de hoje tem que se sentir inserido na universidade, participante. E, por sua vez, o estudante que aproxima seu conhecimento dos desafios sociais se torna, além de um bom profissional, um cidadão melhor.

 

Em alguns rankings de qualidade em que a USP liderava houve queda nos resultados. Nesse sentido, a internacionalização será um desafio?

Nossos parceiros do exterior têm confiança no trabalho que é feito aqui. No ranking internacional Quacquarelli Symonds (QS) World University, a USP aparece como a melhor universidade ibero-americana. Curiosamente, no mesmo ranking das latino-americanas, não estamos em primeiro. Temos o reconhecimento internacionalmente, mas não no âmbito regional. Pensando não somente em rankings, mas para recompor essa reputação, a USP já faz parte de uma rede latino-americana de universidades de ponta (Red de Macro Universidades de América Latina y el Caribe).

 

Sua gestão recebe a universidade após anos de forte crise financeira. Qual é o plano diante disso?

Tivemos uma crise financeira que pegou nosso País como um todo e isso refletiu na universidade de maneira muito forte. A USP tomou as medidas necessárias do ponto de vista econômico, mas, mais do que isso, para prevenção de futuras crises. Nós criamos uma controladoria permanente, órgão máximo dentro da universidade. Os grandes gastos são feitos com a aprovação do conselho universitário, formado por dirigentes de todas as unidades da USP, mais um representante de cada congregação, representantes discentes e docentes, funcionários e representantes externos; estes últimos, apenas 5% do conselho. Com isso temos transparência, os recursos financeiros e as despesas são públicos, todo mundo sabe o que está acontecendo.

 

Na sua visão, a universidade deve se aproximar mais da sociedade?

A universidade, na condição de transformadora, tem que formar profissionais para atender as necessidades da sociedade, das empresas presentes nela, bem como que sejam empreendedores. Nesse sentido, todo conhecimento deve ser traduzido em benefício à sociedade, não podemos deixá-lo apenas na prateleira ou na nuvem. No caso da engenharia, mais ainda, isso é essencial, porque a área lida com os desafios do dia a dia. Mas em todas as áreas, o conhecimento científico tem que ser transportado à vida real, isso é inovação. E iniciativas que fomentem a inovação são essenciais, como o trabalho do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia, mantido pelo SEESP). A inovação é indispensável para o desenvolvimento.

 

Por Jéssica Silva

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