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Engenharia – Processo de modelagem traz eficiência e transparência à construção civil

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Aplicada no Brasil desde 2010, a tecnologia Building Information Modeling (BIM) ou modelagem da informação da construção é associada por especialistas à inovação que o setor precisa para tirar projetos da prancheta e torná-los digitalmente efetivos, resultando em obras mais corretas, com cumprimento de cronograma e transparência em todo o processo, desde a concepção.

Nesse sentido, o BIM foi desenvolvido em meados dos anos 1980, com foco em criar um modelo da construção mais consistente. “É um dos maiores benefícios. Agora modelamos em três dimensões, com especificações de materiais, estrutura e ganhamos em informações sobre toda a construção”, conta a professora Regina Coeli Ruschel, coordenadora dos cursos de extensão Fundamentos do BIM e de pós-graduação em Master BIM Especialista do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Ela observa que a tecnologia envolve softwares, computadores, redes e nuvens de armazenamento. O BIM não é apenas uma plataforma, é todo o processo que engloba programas integrados às áreas ligadas à construção, tornando o trabalho conectado e simultâneo. “Eu desenho uma parede já indicando o tipo de tijolo, a dimensão, a tintura etc.. Enquanto isso, o pessoal da hidráulica e da elétrica indica seus trabalhos, incluindo informações, tudo ao mesmo tempo”, exemplifica a arquiteta e coordenadora técnica de cursos de extensão do Isitec, Meire Garcia. Outro benefício do BIM, aponta, é a possibilidade de evitar erros. “Como o trabalho é feito simultaneamente, caso uma viga entre em conflito com um cano, rapidamente as áreas perceberão o equívoco e trabalharão na solução”, explica.

Dessa forma, afirma Garcia, a tecnologia “permite ensaios”. E, por obter todas as informações da obra, o BIM é utilizado na manutenção do projeto pós-construção. “É possível acompanhar o tempo útil de uma lâmpada, da pintura, de toda a vida da edificação”, diz ela. Devido à possibilidade imensa de especificações e informações nos programas, o projeto se torna transparente. “Não tem como mudar o valor de compra sem mudar o que será construído”, assevera a arquiteta.

O acompanhamento de custos e do tempo do trabalho previsto é um dos benefícios apontados pelo professor Eduardo Toledo Santos, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). “Chamamos de planejamento 4D. Abrange as três dimensões espaciais em que o modelo BIM é feito mais uma quarta, que é o tempo, pois com softwares específicos podemos fazer um link entre o cronograma e o modelo”, elucida. A tecnologia possibilita uma projeção da obra e uma previsão do tempo que levará cada etapa. “Visualmente você consegue saber o que acontecerá, é um controle que facilita muito”, frisa o especialista.

Se usado de maneira correta, com qualificação profissional e planejamento, Toledo acredita que a tecnologia é forte aliada para evitar desvios. Para ele, trabalhar com projetos básicos na prancheta é o que dá margem para inclusão de aditivos nem sempre necessários. “Com o BIM não tem mais ou menos, os materiais estão lá, as etapas estão lá, o orçamento é aquele”, ratifica. Ruschel completa: “Não significa que é mais fácil de usar. Requer qualificação e mais empenho.” Para a coordenadora da pós do Isitec, essa é uma grande barreira na popularização da tecnologia em empresas. No entanto, a ferramenta, por si só, não evitará corrupção, pondera.

Também na visão do engenheiro civil especialista em BIM Wilton Catelani, a tecnologia melhora a forma de trabalho, mas não tem como função evitar desvios. “A forma como se contratam, os pagamentos e favorecimentos é que dão abertura para distorções. Há muito mais a mudar do que apenas o jeito de projetar”, constata.

Catelani é coordenador da Comissão de Estudo Especial 134 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), criada em 2009 e que está desenvolvendo a primeira norma BIM no País, a NBR 15.965. Esta abarca um sistema de classificação de informações que padroniza nacionalmente termos para softwares usados na modelagem digital. O trabalho tem como base a ISO 1.206/2 (Organização Internacional para Normalização) e já teve quatro de sete partes publicadas.

 

Em obras públicas

Em diversos países o BIM é utilizado especialmente em obras públicas, como em Singapura, onde é exigido em licitações e obras subsidiadas pelo governo federal. O Brasil, em dezembro de 2016, assinou um memorando com o Reino Unido, polo de desenvolvimento do BIM, para aplicação da tecnologia em obras públicas e, em julho último, foi criado um comitê estratégico da tecnologia de modelagem, liderado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) com representações de diversos órgãos e instituições da área.

No Metrô de São Paulo o BIM é aplicado atualmente em projetos básicos, mas segundo o supervisor II e líder do projeto de inovação BIM da empresa, Ivo Mainardi, a ideia é implantar a tecnologia em todas as obras da companhia. “Utilizamos o BIM na etapa básica das estações Ponte Grande, extensão da linha dois, e Ipiranga, da linha 15”, conta.

Para ele, um dos principais ganhos é a confiabilidade dos dados. “Hoje temos muitos documentos, papéis. Com o BIM, as informações estão conectadas, resultantes do projeto modelado”, afirma.

 

Por Jéssica Silva

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