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Tecnologia - Conselho do SEESP debate soluções à mobilidade

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Deborah Moreira

As licitações e tarifas de ônibus, o futuro do elevado Costa e Silva e um estudo de carteiras de projetos de infraestrutura para os próximos 25 anos no Estado de São Paulo estão entre os temas sobre os quais tem se debruçado o Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade Urbana do Conselho Tecnológico (CT) do SEESP. Sob a coordenação do engenheiro Jurandir Fernandes, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o grupo formado por cerca de 20 profissionais vem se reunindo a cada 15 dias.

O último encontro ocorreu no dia 24 de setembro, na sede do sindicato, na Capital, com a presença do assessor da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Renato Viegas. Ex-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A (Emplasa), ele apresentou no ensejo estudo feito por essa companhia que envolveu mais de 50 técnicos, de todas as secretarias do Governo do Estado, sobre os principais projetos para as macrometrópoles paulistas: Baixada Santista; São Paulo; Campinas; Vale do Paraíba e Litoral Norte; e Sorocaba.

Viegas lembrou que as regiões têm alta concentração de transporte e logística, com portos, aeroportos e rodovias, polos com extremo desenvolvimento tecnológico, mas com diversas carências em infraestrutura. Para o especialista, é preciso converter diferenças territoriais em vantagens competitivas. Assim, no estudo da Emplasa foi elencada uma carteira de projetos às macrometrópoles. O plano de trabalho foi dividido em três eixos estratégicos: conectividade territorial e competitividade econômica; coesão territorial e urbanização inclusiva; e governança.

Sem especificar as obras, Viegas falou que a estimativa de investimentos é da ordem de R$ 303 bilhões até 2040, sendo R$ 140 bi até 2025, via parceria público-privada (PPP). “Sempre levamos em consideração a viabilidade financeira. Mas tem que mudar isso para algo estratégico. Precisamos ter consciência sobre a cidade que queremos construir”, pontuou, acrescentando que é importante levar em conta a intermodalidade. Para Jurandir Fernandes, trata-se de uma discussão fundamental por conta da crescente demanda por viagens nas regiões metropolitanas, nos últimos anos. Ele reconhece que houve investimento em rodovias, mas na questão da mobilidade urbana é necessário “correr atrás da demanda reprimida que existe”, levando em conta o uso e ocupação do solo. “É preciso criar novos polos”, considerou.

Minhocão
Tema abordado na reunião do dia 10 de setembro do Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade Urbana do CT do SEESP, o futuro do elevado Costa e Silva ganhou projeção com a aprovação do novo Plano Diretor da cidade de São Paulo, no final de junho de 2014. Esse prevê “a gradual restrição ao transporte individual motorizado no elevado” e “sua completa desativação como via de tráfego, sua demolição ou transformação, parcial ou integral, em parque”.

O arquiteto Roberto Ezell Mac Fadden, diretor técnico da Oficina de Projetos Urbanos (Opus), discorreu sobre o assunto no encontro no sindicato. Ele ocupava a vice-presidência da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) em 1991, quando foi encomendado um estudo de impactos no trânsito com a derrubada do elevado. De acordo com sua explanação, como o Minhocão, como também é conhecido o equipamento público, muitos dos viadutos construídos na cidade na década de 1970 são insignificantes para a mobilidade.

Mac Fadden contou no ensejo que sempre foi a favor da derrubada do elevado, mas que há alguns anos teve contato com os moradores do entorno, o que acabou sensibilizando o profissional. “Para o carro, realmente ele (Minhocão) é desnecessário. Agora, se vocês quiserem ir às 10 horas da manhã ou às 16h no elevado aos domingos, entre as ruas Santa Isabel e Marques de Itu, verão uma peça teatral sendo encenada em uma varanda de um prédio de apartamentos, que fica no segundo andar”, comentou, lembrando ainda que muitas crianças aprendem a andar de bicicleta no local, e que muitos idosos também o utilizam para fazer caminhadas. Como alternativa, sugeriu a construção de um parque. Com relação ao trânsito, afirmou que as vias paralelas às avenidas São João e General Olímpio da Silveira, que ficam embaixo da enorme construção, dariam conta de absorver o fluxo que passa sobre elas.
Mas ele faz um alerta: “As pessoas que pagam um aluguel barato no entorno do Minhocão vão acabar sendo prejudicadas com a valorização do elevado. Isso ocorreu em Nova Iorque, quando foi construído o HighLight (parque sobre os antigos trilhos de trem da cidade).” Também poderia ter um problema de segurança pública, já que a área verde estaria desocupada durante a semana. “A minha posição agora é de derrubar o Minhocão somente na altura da Avenida São João, por conta da beleza da via, por ter prédios históricos”, completou.

Atualmente, o elevado é fechado aos finais de semana, aos sábados a partir das 15h até as 6 horas da manhã de segunda-feira. A cidade tem 15 anos, a partir da publicação do Plano Diretor, para decidir o que fazer com o equipamento. Muitos debates devem ocorrer até lá.

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