GRCS

Mundo do trabalho

Agência Sindical

O Repórter Sindical na Web, na TV Agência Sindical, entrevistou Edson Bicalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação do Alcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região (SP) e secretário-geral da Federação da categoria (Fequimfar, ligada à Força Sindical). Bicalho, que integra o Comitê Executivo Mundial da IndustriALL, Sindicato internacional de trabalhadores fabris, abriu a série “Ações sindicais ante a crise econômica”.

 

entrevista edson bicalho

Alguns destaques da entrevista abaixo.

Na marra - “A mudança na legislação trabalhista é antidemocrática. Não houve discussão com a sociedade e muito menos com o movimento sindical. Foi feita pra devastar a classe trabalhadora”.

Custeio - “No momento em que o Brasil tem 14 milhões de desempregados, impor uma legislação que tira o financiamento sindical é covardia. Altera e piora o equilíbrio de forças”.

Ajustes - “Devemos conter despesas. Mas não podemos errar na dose. Reduzir a comunicação e o jurídico é um erro. A comunicação é quem pode aproximar mais as entidades das bases e mostrar o valor da ação sindical. A precarização pela reforma vai aumentar a procura pelo Jurídico”.

Sindicalização - “Estive no Japão. Lá o trabalhador entra na empresa e automaticamente é sindicalizado. Quando procura emprego, passa pelo Sindicato que o encaminha à vaga. É ilusão acreditar em sindicalização espontânea e em massa”.

Indústria - “Não basta só uma política industrial, que, aliás, nem temos. Faltam políticas públicas, qualificar a mão de obra e baixar a rotatividade, que, no setor de brinquedos, por exemplo, chega a 60% ao ano”.

Assista ao programa completo aqui.





João Guilherme Vargas Netto*

No que nos diz respeito lamento que a maratonística comemoração do centenário da revolução russa preparada pelo Departamento de História da USP e realizada de 3 a 6 de outubro com suas 95 (se contei direito) mesas temáticas não tenha abordado nelas o papel dos sindicatos. O prospecto que descreve os eventos nem mesmo registra a palavra sindicato.

A realidade sindical da Rússia pré-revolucionária e o decisivo papel dos sindicatos de trabalhadores nas revoluções (de fevereiro e outubro de 1917), na vitória na guerra civil e contra as intervenções estrangeiras, na construção do socialismo e na batalha da produção passaram ao largo na caleidoscópica diversidade dos temas tratados. Discutiu-se acidamente um pouco de tudo e mais alguma coisa, mas não se tratou das violentas lutas políticas sobre o papel dos sindicatos, organizações básicas dos trabalhadores, ao lado do partido comunista, dos sovietes (conselhos) e do Exército Vermelho.

Feitas essas críticas por quem trabalha há muitos anos com o movimento sindical brasileiro – e reconhece a sua importância – quero registrar o meu elogio ao evento e ao empenho do professor Osvaldo Coggiola e seus colaboradores.

Os que frequentaram o campus de estudos sociais da USP nesses dias puderam constatar o clima de feira de ideias – ideias de esquerda – que animou as muitas salas lotadas, quase em sessão contínua e os debates acalorados.

Acredito que no mundo inteiro (e principalmente na Rússia de hoje) não houve, em ambiente acadêmico ou fora dele, comemoração semelhante e com tal magnitude. A USP, a maior universidade da América Latina, pode disputar um registro no livro Guiness de recordes...

Em uma escala bem menor algumas entidades do movimento sindical brasileiro comemoraram também o centenário da revolução. Registro o debate que houve no sindicato dos eletricitários, a palestra (promovida pela editora Boitempo) no sindicato dos engenheiros e a mesa de discussão no Sinpro-SP.

É a história revolucionária sendo analisada e apropriada no terreno dos sindicatos, que ficaram ausentes da programação da USP.

 


* Consultor sindical



 

As centrais sindicais definiram na manhã desta quarta-feira (7), durante reunião na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em São Paulo, organizar uma série de atividades em todo o País no dia 20 de junho – data indicada para um grande esquenta rumo à greve geral do dia 30.

A orientação às confederações, federações e sindicatos é fazer grandes ações com panfletagens e carro de som com o objetivo de conscientizar os trabalhadores e a população sobre o que está em jogo nas propostas de reformas trabalhista e previdenciária.

 

Foto: Agência Sindical
Centrais 080617
Representantes das centrais em reunião na sede do Dieese.

Também no dia 20 está programada a realização de assembleias nas bases e locais de trabalho e atos em aeroportos e nas bases dos senadores e deputados, para pressionar contra as reformas. Os dirigentes sindicais voltam a se reunir nesta sexta-feira (9), às 10 horas, na sede do Dieese. Na pauta, o detalhamento das ações para o esquenta e a elaboração de um jornal eletrônico, que será veiculado nos sites das entidades.

Agenda
A Agência Sindical inaugura seção do site destinada à agenda de mobilizações das centrais, bem como seminários, debates de campanhas salariais e outras iniciativas ligadas ao mundo do trabalho. Clique aqui e acompanhe as datas.

 

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações da Agência Sindical

 

 

 

 

Em reunião na segunda-feira última (5), as centrais sindicais definiram um calendário de luta para o mês de junho, com indicativo de greve geral no dia 30. A reunião, realizada na sede da Nova Central São Paulo, contou com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Intersindical, Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

As entidades esperam que a data seja referendada pelas categorias em plenárias e assembleias estaduais por todo o Brasil, previstas para acontecerem entre os dias 6 e 23 de junho. Ficou definido, também, 20 de junho como o Dia Nacional de Mobilização rumo à greve.

Em nota conjunta as centrais afirmam que “irão colocar força total na mobilização da greve em defesa dos direitos sociais e trabalhistas, contra as reformas trabalhista e previdenciária, contra a terceirização indiscriminada". 

 

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações da Agência Sindical

 

 

 

 

joaoAgora que foi montado o Conselhão, com pleno sucesso para os seus organizadores, já que não houve nenhuma recusa pública (que seria trombeteada pela mídia como indicador de fracasso) constato que minha sugestão de incorporar os autores do “Compromisso pelo Desenvolvimento” foi aceita em grande parte.

Até mesmo o nome de fantasia do Conselhão – Caminhos do Desenvolvimento – ecoa o nome do “Compromisso”.

Completando os acertos e coincidências, atrevo-me a propor ainda mais: a reunião autônoma, sob a égide do Conselhão, da bancada sindical.

Embora saiba que sua composição é o somatório de individualidades, qualquer um constata que os indivíduos carregam suas marcas e as das entidades representativas em que exercem suas atividades. Assim, pode-se falar de “bancada sindical”, com, pelo menos, duas dezenas de participantes dos 92 que compõem o pleno do Conselhão.

Nada mais natural, portanto, que este subconjunto homogêneo (apesar de sua diversidade) procure estabelecer no âmbito do Conselhão, sua própria pauta que enriquece, aprofunda e orienta a do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Em se tratando da bancada sindical, com nomes representativos e de peso, esta dinâmica unitária se impõe contrariando quaisquer visões parciais partidárias, sectárias ou mandonistas, que não reconhecem a autonomia sindical e o fato de contarmos com o “mapa da mina” da Conclat do Pacaembu.

Acresce a isso a necessidade de ativarmos também o conjunto das entidades signatárias do “Compromisso pelo Desenvolvimento”, tarefa que está sendo executada, com êxito, pelo Clemente Ganz Lúcio do Dieese (recebendo também as novas entidades que aderem ao compromisso).

É melhor, sempre, andar com duas pernas. No caso, a bancada sindical do Conselhão e o pleno do “Compromisso pelo Desenvolvimento” porque, como diz o poeta Antonio Machado, “se hace camino al andar”.

 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos testemunhando no Brasil, em 2015, a inversão simultânea e acelerada das curvas que vinham marcando positivamente o emprego e os ganhos de salários.

A conjuntura sindical, que era de protagonismo, mudou-se para a de resistência, em que os trabalhadores estão apreensivos com a perda de empregos e já sofreram uma queda de 10% na massa de salários no primeiro semestre.

Na espuma da conjuntura midiática persiste uma aparência de aguda crise política que não avança para o desenlace devido à pusilanimidade das classes dominantes que têm, elas também, “o pavor nacional do dia de amanhã”.

Como assumir as responsabilidades de um ajuste lesivo aos trabalhadores e à sociedade que tem sido até agora o calvário de um governo emparedado?

A apreensão dos trabalhadores motiva a resistência que levou os metalúrgicos da Mercedes à recusa em aceitar o ruim. A esmagadora maioria deles, em plebiscito, com resultado numericamente mais marcante que o da Grécia (75% contra 25%), recusou o corte de jornadas e de salários e passou a exigir, junto ao sindicato, alternativas menos piores.

Todos os trabalhadores e o conjunto do movimento sindical estão no mesmo barco e devem remar na mesma direção, exercendo a solidariedade de classe.

Torna-se imperioso, devido à conjuntura, acelerar o andamento do Plano de Proteção ao Emprego, criando mecanismos que amorteçam o choque negativo das demissões e do arrocho salarial.

Uma boa oportunidade de coordenar esforços unitários de cúpula é a reunião sindical dos BRICS, em Ufá na Rússia nesta semana. Embora os cinco sindicalismos desses países sejam muito diferenciados, a situação mundial os aproxima em seus esforços unitários e, uma inteligente série de contatos bilaterais e iniciativas comuns pode ajudar, a cada um deles e, em particular, ao nosso movimento, a encontrar um caminho efetivo de resistência frente aos desafios e dificuldades, sem politiquices.

 

 

* João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 






Para o professor e economista Marcio Pochmann, a ideia de que os movimentos sociais precisam conscientizar as bases beneficiadas por políticas públicas implementadas na última década soa quase como um mantra. Na quarta-feira (30/7), terceiro dia da 14ª Plenária Nacional da CUT, em Guarulhos, ele defendeu mais uma vez que a ascensão econômica de 37 milhões de brasileiros da pobreza para a classe média nos últimos 10 anos não trouxe junto a conscientização dos brasileiros beneficiados por essa transformação social.



Foto: Dorival Elze/CUT Nacional
pochman cut

 


Segundo ele, o desafio para o movimento sindical é justamente cumprir o papel de agente de politização para construir uma maioria afinada com as reformas que o país obrigatoriamente terá de fazer. Entre essas, a sindical. Para isso, Pochamann defendeu uma fórmula baseada num tripé formado pelo investimento em formação para qualificar os quadros sindicais, na escolha de dirigentes de acordo com sua capacidade de gestão e na comunicação com a base.

“A grande imprensa somos nós (movimento sindical). Quantos panfletos os sindicatos fazem por semana? Quantos jornalistas a imprensa sindical possui? O problema é que em muitas publicações, das 10 páginas, 12 trazem fotos do presidente. Ou quando há uma análise econômica, o artigo é da Dona Leitão (ironizando a economista global Miriam Leitão). Essa gente não entende nada de nós. O que precisamos é aprimorar o diálogo com as bases, fazer pesquisa para saber como o trabalhador vê a nossa comunicação”, sugeriu.

Para ilustrar a situação, Pochmann observou que mais de 22 milhões de pessoas tiveram acesso ao emprego formal. Porém, de cada 10 trabalhadores, apenas dois são sindicalizados. E 40% diz não aderir aos sindicatos porque, apesar de reconhecer a importância dessas organizações, não sabe quem defende a categoria porque não está presente no local de trabalho.

Ele apontou que a ampliação do acesso ao ensino superior, seja pelas políticas de inclusão como o Programa Universidade para Todos (ProUni), seja pela ampliação do poder econômico, elevou o trabalhador a um outro patamar de conhecimento e mudou o grau de exigência sobre as organizações sindicais. “O aprimoramento dos quadros que temos nos sindicatos é fundamental, porque a classe trabalhadora muitas vezes está num nível superior ao dos dirigentes”, pontuou.

Serviços
Para Marcio Pochmann, o mercado de trabalho vive uma fase de transição, do trabalho material, predominantemente industrial, para o imaterial, em que impera o setor de serviços e, em muitos casos, a terceirização e a fragmentação da classe trabalhadora. Essa realidade traz também uma nova relação para o trabalhador, conectado 24 horas por dia com sua atividade profissional e não mais apenas quando está no local de trabalho. O novo cenário traz um desafio para a representação sindical que, segundo o economista, não se adequou às mudanças. “Estamos evoluindo rapidamente para uma ineficiência ainda maior da estrutura sindical por conta dessas transformações”, falou.

CUT na próxima década
Ao avaliar o cenário político, ele apontou que a vitória dos governos progressistas a partir da eleição do ex-presidente Lula, em 2002, representaram a vitória de uma coalizão de vítimas do neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso, como trabalhadores, pequenos empresários e industriais. Porém, o que levou à vitória também representa um desfio: como superar os grupos econômicos organizados para recuperar os prejuízos que tiveram no período neoliberal para fazer as reformas citadas.

Mudanças que dependem também do fortalecimento do Ministério do Trabalho, esvaziado nos últimos anos e que deve ser um aliado nessa mudança de rumo. Para Pochmann, a CUT têm ainda o desafio de pensar seu papel para o próximo ano. “Temos que ter um plano como ‘CUT+10’, para planejar qual deve ser o papel da Central na próxima década, uma maneira de fortalecer o projeto cutista para os trabalhadores”, afirmou.

Fonte: CUT Nacional





Foi no dia 13 último, quando os sindicatos apontaram como avanço o índice de reajuste apresentado de 4,71%, o que representa 0,5% de aumento real em relação à proposta anterior de 4,19%, conforme o IPC Fipe; mas que ainda está bem abaixo dos índices propostos pela Cesp, Metrô e Sabesp. Com relação à garantia de emprego (Gerenciamento de Pessoal) foi mantida a proposta anterior de 92,5% do quadro de 31 de maio de 2012. Os sindicatos destacaram que a proposta da Cesp mantém o estabelecido em 2011, de 97,5%.

O SEESP lembrou que a cláusula 6 (salário mínimo do profissional, conforme a Lei 4.950/A) e a cláusula 19 (Plano de Cargos e Salários), da pauta de reivindicações dos engenheiros,  foram apontadas pela assembleia que necessitam de encaminhamento para que a proposta da empresa possa ser levada para avaliação e aprovação da categoria.

O sindicato questionou, também, a forma de condução da PRR (Política de Remuneração por Resultados), pois, ao invés de motivar (princípio de sua criação para obter maior produtividade), desmotiva os trabalhadores. Além disso, propôs que os índices sejam estabelecidos realmente por consenso entre a empresa e os trabalhadores e encaminhados ao Codec (Comissão de Política Salarial) para aprovação da metodologia. Após aprovada, bastaria apenas o cálculo do índice e não o processo “ter de ir e vir” para a aprovação dessa comissão. Acrescentou ainda que, mesmo com o valor extremamente baixo, a Emae não pagou a PRR 2011 aos seus empregados — o que já foi feito pela Cesp.

A proposta colocada à mesa reeditou a cláusula de Planejamento de Pessoal (2%). Os sindicatos manifestaram que seria melhor trocá-la por ganho real de salários, tendo em vista que não detém nenhum controle sob as avaliações dos gerentes e que há muitas reclamações de profissionais que estão há mais de dez anos sem movimentação salarial por mérito.

Adicionalmente, o SEESP solicitou que na próxima reunião, programada para o dia 18, a Emae apresente uma proposta para reduzir a taxa de rateio das despesas médicas paga pelos trabalhadores, e que estudos econômicos sejam feitos de forma que a empresa assuma uma parte maior desse pagamento.

A companhia manifestou sua expectativa de concluir com sucesso as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2012-2013 no dia 18. Os representantes dos sindicatos consideraram positiva esta manifestação e esperam obter avanços que permitam levar a proposta da mesa de negociações para as assembleias dos trabalhadores.

 

Lourdes Silva
Imprensa – SEESP



agenda