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Do site do IPT*

O novo projeto "Cidades Inteligentes" do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) tem sinergia com proposta aprovada recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no âmbito do edital de modernização dos institutos estaduais de pesquisas. O projeto está entre os 12 aprovados pelo Conselho Superior da Fundação, devendo receber recursos da ordem de R$ 11 milhões.

A ideia é aplicar no campus do instituto diversas soluções que os municípios hoje têm à disposição no mercado, “além de outras soluções desenvolvidas por nós mesmos, para sermos capazes de apoiar os gestores públicos a tomarem as melhores decisões de modernização de seus municípios”, explica a diretora de Inovação e Negócios do IPT, Zehbour Panossian.

Segundo ela, diversos municípios do Estado de São Paulo já estão aplicando parte das soluções, mas ainda há muitas dúvidas a respeito dos potenciais benefícios: "Esperamos suprir essa lacuna de informações e ajudar a levar inovação para todo o Estado."

Interessados
O IPT disponibiliza, na íntegra, o documento que orienta os possíveis interessados em contribuir com ideias e que eventualmente possam tornar-se parceiros nesse projeto. São esperadas contribuições em temas que incluam:

a) Tecnologias aplicáveis ao ambiente urbano: inspeção de galerias pluviais; monitoramento móvel de poluição atmosférica; gestão de vagas públicas de estacionamento; monitoramento de ruído ambiental; drones e suas aplicações; prevenção de desastres naturais (inundações, alagamentos e deslizamentos); modelagem de informações de subsolo (GeoBIM); gestão de tráfego urbano; gestão de resíduos sólidos; infraestrutura de redes digitais; e iluminação pública; e

b) tecnologias aplicáveis a edificações inteligentes: monitoramento de recalques de edificações; aproveitamento da água de chuva; detecção e alarme de incêndio; monitoramento de utilidades (água, luz etc.); e geração fotovoltaica de energia.

Dúvidas poderão ser esclarecidas por meio do endereço Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

>> Leia a íntegra do edital aqui.

 

* Instituto de Pesquisas Tecnológicas

 

A partir do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, criado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) há dez anos e cuja edição deste ano tratou das cidades, a Delegacia Sindical do SEESP de Bauru elaborou um trabalho específico com sugestões técnicas e democráticas para a cidade. O presidente da regional, Luiz Roberto Pagani, disse que os seus candidatos à Prefeitura local foram contatados para receberem a propositura.

Num esforço que contou com o estudo de profissionais da engenharia, a Delegacia apresentou propostas viáveis para diversas áreas que constituem a vida urbana. Por isso, estão no documento proposições para a questão habitacional, regularização fundiária, planejamento e legislação urbanística, saneamento, tratamento de resíduos sólidos e aterro sanitário, drenagem urbana, iluminação pública, mobilidade, trânsito, transporte coletivo, regularização de imóveis e ocupação de vazios urbanos e, por fim, ações e desenvolvimento regional.

O trabalho aponta que a cidade de Bauru tem uma situação dramática com relação a questões “que foram mal conduzidas e que viraram pendências estruturais permanentes”. Nessa situação, exemplificam os diretores da Delegacia, está a situação da Cooperativa Metropolitana Habitacional (Cohab) local, enfrentando dívidas e ações judiciais de antigas construtoras.



Foto: Divulgação Delegacia Sindical de Bauru
Bauru 3 
Entre os candidatos que atenderam ao chamado da Delegacia está
Clodoaldo Gazzetta (PSD) que está no segundo turno.
 

O documento avalia que a incapacidade de se dar soluções aos problemas locais fica patente com “o final da vida útil do aterro sanitário dos resíduos sólidos urbanos que está sendo constantemente postergado, porque não se obteve o licenciamento ambiental de um novo aterro e, como consequência absolutamente previsível, teve-se de passar a usar do aterro sanitário privado de Piratininga e com isso aumentando as despesas de deslocamento e transporte”.


Bauru RaulRaul Gonçalves (PV), que também está no segundo turno, esteve na sede da
Delegacia e recebeu as propostas.

 

Outro problema constatado é com relação à estação de tratamento de esgoto, que está com atraso no cronograma de obras. “É uma conquista ambiental expressiva, mas que corre o risco de se transformar em novo ´esqueleto´, que depende de eventuais decisões equivocadas dos gestores públicos ou deficiências da empreiteira.” Na mesma linha, o documento da Delegacia de Bauru afirma que não “há como se insurgir contra o aumento crescente da perda de água tratada do DAE [Departamento de Água e Esgoto] que atinge o índice de 48,7% quando a média nacional é de 37%”.

Por isso, a Delegacia defende uma nova postura do novo governo municipal para fazer o devido e correto enfrentamento das pendências estruturais, com visão técnica arrojada e criativa para equacionar e solucionar os entraves. E defende: ”Torna-se necessário o aprofundamento do debate e a busca de profissionais especializados e qualificados com experiência para a gestão de empresas do município, para enfrentamento de graves questões que estão a inviabilizar o desenvolvimento da cidade.”

* Confira aqui o documento da Delegacia Sindical de Bauru

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP







Criado em 21 de setembro de 1934, o SEESP é hoje uma grande entidade. Com uma base de representação de mais de 200 mil profissionais e com mais de 50 mil associados, está presente em todo o estado por meio de 25 delegacias sindicais, além da sede na capital. Representa coletivamente a categoria, oferece um amplo leque de serviços aos seus filiados e tem importante inserção nos debates das grandes questões nacionais.

Atualmente, sindicato participa do movimento Engenharia Unida, lançado em março último pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). O propósito da ação é formar uma ampla coalizão unindo os engenheiros e demais profissionais da área tecnológica, por meio dos sindicatos, associações representativas, conselhos profissionais, universidades, empresas e entidades patronais. A ideia é que essa aliança possa oferecer saídas às dificuldades enfrentadas pelo País na atualidade e contribuir com o permanente avanço no futuro. A bandeira principal desse movimento é a retomada do desenvolvimento socioeconômico, contando com a imprescindível valorização da engenharia e dos seus profissionais.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Murilo 600 SET2016 
"Continuaremos a escrever a nossa história com garra e dedicação", garante Pinheiro.
 

Nossa história
O caminho até esse protagonismo no movimento sindical brasileiro, começou a ser percorrido há 82 anos, quando 12 destacados nomes da engenharia paulista se reuniram numa sala da Rua Líbero Badaró. Lá, tomaram a decisão de criar uma entidade que representasse todos os profissionais paulistas e fundaram o SEESP. A partir do Movimento de Renovação, nos anos 1980, o sindicato engrossou, com outros setores, a luta pelo fim da ditadura. Mais recentemente, nos anos 2000, teve início uma nova etapa da nossa história, com o engajamento no debate e a busca de saídas à estagnação. O primeiro ponto a ser destacado nessa trajetória é o fortalecimento da atuação do sindicato na defesa dos direitos dos engenheiros e na luta por novas conquistas. 

Representando os profissionais nas negociações coletivas feitas com inúmeras empresas e organizações patronais, dos mais diversos ramos econômicos, nos setores público e privado, o SEESP vem, ano após ano, garantindo avanços em benefício da categoria. Tem sido ainda pauta constante de luta a defesa do piso da categoria previsto na Lei 4.950-A/66, estipulado em nove salários mínimos vigentes no País para jornada diária de oito horas, além de um plano de carreira que propicie a valorização permanente do profissional, condições de trabalho adequadas e acesso à qualificação constante. 

Cresce Brasil e Isitec
Para além dessas ações, o SEESP tem como agenda o debate acerca do desenvolvimento nacional e a busca de alternativas para o avanço do País. Vertente que se vê no engajamento no projeto "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento", lançado em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Na fase atual, a iniciativa está voltada à discussão dos problemas das cidades brasileiras, oferecendo propostas factíveis e sérias para solucioná-los com a boa técnica. 

O sindicato criou e mantém o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), credenciado pelo Ministério da Educação em 2013 para oferecer o primeiro curso de Engenharia de Inovação do Brasil. 

“Como se vê, são 82 anos muitíssimo bem vividos. Obviamente, cada uma dessas conquistas foi antecedida de desafios e obstáculos que precisaram ser vencidos. Continuaremos a escrever essa história com garra e dedicação”, salienta o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro.

 

 

Edição Rosângela Ribeiro Gil
Informações Soraya Misleh
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

 

 

 

O programa de entrevista Papo Jovem, do Portal do Saber, conversou com Fernando Palmezan, Engenheiro Eletricista e Coordenador Geral do Projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento. Comandado por diversos jovens que se destacam em suas áreas, dessa vez quem tomou o lugar de entrevistadora foi a engenheira ambiental Marcellie Dessimoni, coordenadora do Núcleo Jovem Engenheiro, do SEESP.

Na pauta, abordaram as necessidades de infraestrutura das cidades para atender as demandas da população e a criação do Projeto Cresce Brasil que nasceu, em 2006, para atender a essa expectativa sobre o desenvolvimento e crescimento sustentável do País.

Palmezan explicou que a iniciativa do projeto, que é da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), busca preparar estudos periódicos - a cada dois anos, em anos eleitorais - sobre as questões que desafiam a engenharia, com vista à melhoria da condição humana, e que neste ano a temática escolhida foram as "Cidades", já que 85% da população brasileira vivem nas cidades.

"Elaboramos o Cresce Brasil Cidades a partir das grandes dificuldades constatadas nos grandes municípios, como habitação, iluminação pública, mobilidade, temas que são de interesse para os municípios, com a colaboração de especialistas que atuam nessas áreas", explicou Fernando Palmezan.

O Portal do Saber disponibiliza, semanalmente, vídeos com especialistas, conteúdos em biblioteca virtual e dicas sobre livros e vídeos comerciais.

Confira a entrevista completa abaixo:

 

 

 Imprensa SEESP





Na manhã desta segunda-feira (18), o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, acompanhado de dirigentes de ambas entidades, recebeu na sede do sindicato paulista, na Capital, o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). O parlamentar apresentou, no ensejo, a proposta da Frente Mista Parlamentar de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, em construção. Segundo ele, a iniciativa já conta com mais de 200 adesões de deputados e senadores, devendo ser lançada em setembro próximo. Com o apoio do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), está sendo feito levantamento dos projetos de lei em tramitação, que devem ser objeto da Frente.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Lessa Diretoria 
Parlamentar (à esq.) é recebido por dirigentes dos engenheiros, na Capital paulista
 

A iniciativa contará com o apoio e participação da FNE e do SEESP na elaboração de propostas de interesse da categoria e do País. Nesse sentido, o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela federação, será importante contribuição. Neste ano, debruça-se sobre o tema “Cidades”. O movimento “Engenharia Unida”, chamado pela FNE e que já engloba diversas organizações, será outro ponto de apoio às ações da Frente.

Neste momento em que o Congresso Nacional enfrenta uma série de desafios, a iniciativa do deputado Ronaldo Lessa é considerada alvissareira pelos engenheiros. Representa a busca por uma pauta positiva rumo à retomada do desenvolvimento, fundamental a que o País supere a crise econômica. Na mesma direção, deve colocar na ordem do dia do Parlamento a valorização profissional da categoria, crucial nesse processo.

 

 

Soraya Misleh
Imprensa SEESP
 

 

 

 

 

 

 

Se mais de 84% da população brasileira vive nos centros urbanos, discutir as cidades é colocar em pauta o País. Com esse fio condutor, proposto pelo consultor da FNE, Artur Araújo, aconteceu o seminário que marcou o lançamento de mais uma etapa do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, cujo foco é a qualidade de vida nos municípios e o desenvolvimento local. Promovido pela federação em parceria com o Clube de Engenharia, o evento foi realizado na sede desse último, no Rio de Janeiro, em 29 de junho.


Foto: Gutah/Mix Mídia
Murilo CresceBrasil Clube
Pinheiro na apresentação da nova edição "Cidades" do projeto Cresce Brasil
 

O debate em torno das cidades está sistematizado em uma publicação, elaborada a partir de notas técnicas sobre os temas: habitação, saneamento, mobilidade, iluminação pública e internet pública. Integram ainda o trabalho diagnóstico e propostas para o financiamento dos municípios. A questão foi outro ponto essencial destacado por Araújo. Como solucionar a brutal falta de recursos sem aumentar a carga tributária ou reduzir a oferta de serviços? “Isso coloca um desafio que é da engenharia: o aumento da produtividade”, defendeu ele.

Autor da nota técnica que se propõe a responder à complexa questão, o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marco Aurélio Cabral Pinto defendeu repensar a forma como as prefeituras têm acesso às verbas disponíveis, usualmente por meio de emendas parlamentares. “O dinheiro existe, só está sendo mal equacionado pela nossa tradição política”, disse. Conforme ele, os estados deveriam dar suporte técnico aos municípios para a formulação de projetos qualificados e os bancos públicos avaliarem os projetos e decidirem quanto à melhor combinação entre recursos reembolsáveis ou não, levando em conta o perfil da localidade.

Diversidade
A correta avaliação das características das cidades é essencial para se definir também as intervenções a serem feitas, ponderou Jurandir Fernandes, ex-secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo. Ele lembrou que apenas 300 localidades no País têm mais de 100 mil habitantes e somente nessas a mobilidade é um fator problemático, que demanda soluções mais caras.

Independentemente do porte das cidades, Fernandes destacou como essencial o planejamento do uso e ocupação de solo – que não pode ficar à mercê da especulação imobiliária – para que não se gerem deslocamentos desnecessários. Medida útil também é a desburocratização, com integração da gestão e informatização, sugeriu.

O secretário de Planejamento, Habitação e Urbanismo de Duque de Caxias, Luiz Edmundo Costa Leite, também frisou as dificuldades da gestão municipal diante de regras comuns para realidades díspares. “A diversidade é brutal; existem São Paulo, com 12 milhões de habitantes, e Borá, com 800. E estamos sempre sujeitos às políticas que vêm de Brasília.”

Para Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro, é urgente alterar a maneira “doentia” como são reproduzidas cidades. Conforme ele, um exemplo dessa realidade é o fato de no Rio de Janeiro terem sido construídas, nos últimos seis anos, 150 mil unidades habitacionais pelo “Minha casa, minha vida”, com investimento de R$ 12 milhões, e mesmo assim não se ter conseguido frear  o “crescimento informal, sem controle urbanístico ou infraestrutura”.  Até por isso, enfatizou, a iniciativa do “Cresce Brasil – Cidades” é oportuna, porque pode ajudar a transformar essa realidade.

Engenharia Unida
O objetivo do esforço empreendido pela FNE, pontuou o presidente da entidade, Murilo Celso de Campos Pinheiro, desde que o projeto foi inaugurado em 2006, é precisamente contribuir para mudar o País para melhor. O “Cresce Brasil – Cidades”, informou, será entregue aos candidatos a prefeito, nos diversos municípios, nas eleições 2016. Para ele, esse é um dever que se impõe aos profissionais da área tecnológica.  “Temos a obrigação de discutir as questões da sociedade, apresentando propostas factíveis. Temos que unir as nossas entidades, pois somente com a ‘Engenharia Unida’ podemos ter um Brasil melhor. Temos mais de 1,5 milhão de profissionais, precisamos juntar forças”, afirmou.

O papel central da engenharia no desenvolvimento nacional e na boa gestão das cidades foi corroborado pelas demais lideranças e autoridades que prestigiaram a atividade, como Pedro Celestino Pereira, presidente do Clube de Engenharia; o coordenador técnico do “Cresce Brasil”, Carlos Monte; os presidentes dos conselhos Federal (Confea) e Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ),  José Tadeu da Silva e Reynaldo Barros; o secretário municipal de Desenvolvimento e Gestão de Rio Branco, Ricardo Araújo; e o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL), autor da proposta de formação da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional.

Carreira e gestão
Completou a programação o painel que abordou a necessidade se resgatar a engenharia na gestão pública, que teve a participação de Renato da Silva Almeida e Marcio Queiroz Ribeiro, ambos conselheiros do Clube de Engenharia; Nilo Ovídio Lima Passos, presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj); Antonio Octaviano, diretor do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec); e Carlos Bastos Abraham, vice-presidente da FNE.

A discussão lembrou a necessidade de haver critérios técnicos e não meramente políticos na administração das cidades, assim como capacitação dos profissionais que atuam no serviço público, que precisam de condições de trabalho adequadas e remuneração justa. Nesse sentido, é urgente que se assegure piso salarial compatível com a Lei 4.950-A/66 (de seis salários mínimos para jornada de seis horas e de nove para jornada de oito). Imprescindível ainda a criação da carreira pública de Estado para engenheiros e arquitetos, conforme previsto no PLC 13/2013, cuja tramitação no Senado continua estacionada.

 

* Confira fotos do evento aqui

 

Por Rita Casaro
Matéria publicada, originalmente, no jornal Engenheiro, Edição 170, de julho de 2016, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)

 

 

 

 

 

 

Murilo 29JUN2016 2 editadaA Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e o Clube de Engenharia colocam em pauta a urgência em se resgatar a engenharia pública na gestão das cidades brasileiras e o seu papel para que se garanta bem-estar à população e desenvolvimento local. Nesse esforço realizam, nesta quarta-feira (29/06), na sede do clube, no Rio de Janeiro, debate com a participação de profissionais, especialistas, autoridades e lideranças da engenharia nacional. À abertura do evento, foi lançada a nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que aborda, neste ano, o tema “Cidades”, que contou, entre outras autoridades, com a presença do deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL).

Com a taxa de urbanização brasileira quase igual à da França (85%), acumulam-se nas cidades do País grandes problemas. Em ano de eleições municipais, a categoria busca – como é seu papel e prática – dar contribuição para sanar tais questões, afetas às condições de vida da maioria da população do País. A preocupação está presente na atual etapa do projeto lançado pela FNE, em 2006.

Discutido com a categoria nos vários estados nacionais, o documento é fruto de notas técnicas escritas por especialistas nas seguintes áreas essenciais ao desenvolvimento local: finanças municipais, parcerias público-privadas, habitação, engenharia pública, transportes e mobilidade urbana, saneamento, iluminação pública e internet pública. Consideradas as propostas ali elencadas e contribuições dos engenheiros, o resultado final dos debates será entregue aos candidatos no pleito de 2016 a partir deste mês de julho.

Para Carlos Monte, coordenador técnico do projeto “Cresce Brasil +Engenharia + Desenvolvimento”, as questões abordadas “são contribuição valiosa dos engenheiros para os futuros comandantes das prefeituras”. Fernando Palmezan, coordenador geral da iniciativa, salienta: “Hoje está tudo parado na área. Essa ação pode inaugurar processo para que saiamos desta situação difícil. Fizemos algo parecido em 2006, quando lançamos o ‘Cresce Brasil’ e ajudamos a deslanchar a engenharia no Brasil. Conseguindo levar adiante as propostas atuais, poderemos dar novo impulso para ajudar o País a encontrar um rumo melhor.”

A versão atual conta com aliado importante: o movimento “Engenharia Unida”, lançado em março deste ano pela FNE, cujo objetivo é unificar as diversas entidades e profissionais da categoria na busca de saídas à crise enfrentada nacionalmente. Nesse sentido, Monte observa que “a apresentação e os debates abordados no ‘Cresce Brasil – Cidades’ representarão oportunidade única para que fique demonstrada a unidade de atuação em torno das questões mais relevantes da nossa profissão”.

Contribuições
CresceBrasilCidades 2 menorDos 204 milhões de habitantes, mais de 160 milhões vivem em áreas urbanas, conforme os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da FNE e do SEESP, enfatiza: “Assegurar qualidade de vida a esse contingente significa produzir, entre outros itens, moradias, saneamento básico, transporte público e soluções de mobilidade, hospitais e postos de saúde, escolas, equipamentos de cultura e lazer, iluminação pública e, mais recentemente, acesso público à internet.” Ele destaca ainda que é preciso garantir geração de empregos e oportunidades de renda.

Somadas às crises econômica e política, Pinheiro reconhece que as condições verificadas na maioria das cidades estão muito aquém do necessário para atender tais demandas. “São escassos os recursos, tendo em vista a dependência dos municípios em relação aos estados e à União, e falta também capacidade técnica e administrativa para elaborar, executar e fiscalizar projetos e obras. Em outras palavras, as cidades brasileiras carecem de engenharia.”

O “Cresce Brasil – Cidades” aponta a premência de se recuperar seu papel no planejamento e projetos como elemento vital à gestão urbana. “Recursos públicos vultosos são desperdiçados cotidianamente pela perene ausência dessa componente estratégica.” Agravante é que se tratam as questões afetas à qualidade de vida nas cidades de forma segmentada. Como alertam os engenheiros na publicação, não se articulam o planejamento, os projetos, a execução e a operação de bens e serviços públicos, “que são tratados isoladamente como de responsabilidade de áreas ou secretarias específicas”.

Esse quadro, aponta o “Cresce Brasil – Cidades”, gera conflitos entre as diversas intervenções necessárias, por exemplo em relação ao uso e ocupação do solo, habitação, transportes, redes de iluminação, alocação de escolas e unidades de saúde.

Outro desafio a ser superado é quanto à falta de um pacto federativo, o que culmina em conflitos de competência. Reverter a pouca transparência na gestão pública e fortalecer a economia local estão entre outros indicativos dados pela FNE na atual etapa de seu projeto. “Urge a abertura de sérios debates em torno de caminhos diversos e complementares, tais como a implantação de agências municipais de promoção de negócios; o incentivo à criação de polos produtivos, tecnológicos e científicos; a adesão à formação de clusters regionais de produção; e políticas de especialização em serviços”, ressalta o documento.

A federação identifica ainda os problemas resultantes da ausência de parâmetros de engenharia como pré-requisitos às propostas em licitações.

Assim, elenca entre as premissas para enfrentar os desafios “o planejamento público coordenado entre os entes federativos, que resulte em projetos de investimento tecnicamente embasados”, o qual “deve alcançar condições de financiamento público, tal como ocorre nas empresas em relação ao financiamento privado”. Acordos de cooperação técnica com universidades locais à elaboração dos projetos também estão entre as propostas do “Cresce Brasil – Cidades”.

* Leia o “Cresce Brasil – Cidades” aqui.

 



Soraya Misleh
Imprensa SEESP
Foto: Rita Casaro
Atualização dessa notícia no dia 30 de junho de 2016, às 15h35 







 

A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) lançará, na próxima semana, a nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Com foco em Cidades, o documento traz uma série de diagnósticos e propostas sobre a qualidade de vida nas cidades e o desenvolvimento local. Em ano de eleições municipais e com o cenário econômico instável, o documento coloca os engenheiros no centro dos desafios: identificação de problemas prioritários, avaliação de alternativas para enfrentamento e superação, e definição de caminhos para implementar tais soluções.

As reflexões e proposições do documento versam sobre temas como finanças, mobilidade e transporte, saneamento básico, habitação, iluminação e internet pública. Com foco na boa gestão das localidades, a Federação irá debater e encaminhar suas análises para os candidatos às eleições municipais, representando a contribuição dos engenheiros para a formulação de planos e programas de governo.

“Entendemos que os recursos são escassos, tendo em vista a dependência dos municípios em relação aos estados e à União. Pelos nossos estudos, vimos que falta também capacidade administrativa e técnica para elaborar, executar e fiscalizar projetos e obras. Em outras palavras, as cidades brasileiras carecem de engenharia e estamos cumprindo nosso papel e pretendemos contribuir para as novas gestões municipais”, analisa Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da FNE.

As questões urbanas dizem respeito a 84% da população brasileira que vive nas cidades, de acordo com o último censo do IBGE. O Brasil é o país mais urbanizado entre os BRICS e sua taxa de urbanização é quase igual à da França (85%) e pouco maior que a dos Estados Unidos (82%), que têm receitas públicas e padrão de qualidade da vida urbana muito superiores. O tamanho do desafio enfrentado nos 5.570 municípios brasileiros envolve mais de 190 milhões de habitantes demandando condições de vida, trabalho, convívio e lazer minimamente dignas.

O projeto Cresce Brasil completa dez anos em 2016 e segue a mesma metodologia, com a análise de especialistas e acadêmicos, elaboração de notas técnicas e eventos para debater os cenários e formular caminhos parta as soluções. Na edição “Cidades”, os engenheiros ressaltam que é urgente formular novas modalidades de desenvolvimento de projetos em infraestrutura urbana, de maneira a canalizar esforços fiscais para projetos de investimento resultantes de planejamento integrado, com informações sobre o território (demanda e oferta), boa engenharia e, elemento indispensável, gestão eficaz.

Alguns temas
Detalhando o conteúdo do novo documento, as propostas na área de habitação de qualidade focam em duas questões centrais: a urgência de regularização fundiária e a necessidade de assistência técnica para melhorias em residências e a consequente saída da informalidade. O documento traz ainda um balanço do programa Minha Casa Minha Vida que já entregou aos beneficiários mais de 2,6 milhões unidades, e já efetivou investimentos de R$ 294,5 bilhões, o que representa 45% do montante contratado.

No que diz respeito à mobilidade urbana, as análises dos engenheiros mostram a urgência de planejamento urbano e organização da gestão pública. Sobre os desafios e a precariedade do saneamento básico, o documento destaca dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que demonstram que cada real aplicado em saneamento resulta em economia de R$ 4,00 nos custos do atendimento à saúde pública. Apesar da parcela da população brasileira com acesso a redes de coleta de esgotos sanitários ter evoluído de 44,5% em 2009 para 48,6% em 2013, cerca de 100 milhões de cidadãos ainda não são atendidos.

Outra área que soma esforços da FNE há tempos, a Iluminação Pública é foco de um projeto de lei que está tramitando no Senado Federal. A iluminação pública está diretamente ligada à segurança – pois previne a criminalidade –, estimula o comércio, embeleza as áreas urbanas, destaca e valoriza monumentos, prédios, praças, paisagens e permite melhor aproveitamento das áreas de lazer. De acordo com as análises, um projeto técnico de modernização e eficientização de uma cidade, que leve a uma melhoria significativa no nível de iluminação do sistema, também pode culminar em reduções de consumo de energia elétrica superiores a 50%, autofinanciando sua execução e gerando demanda firme por produtos industrializados no País.

Movimento Engenharia Unida - Lançado neste ano pela FNE, o movimento defende a valorização da profissão, destacando os engenheiros como protagonistas para o crescimento e desenvolvimento, inclusive na gestão pública. O quadro de crise nacional coloca para a engenharia brasileira um desafio adicional, que se apresenta como uma exigência à categoria: a união de propósitos e esforços dos profissionais no sentido de sua ação coordenada e a serviço do progresso do País, com urgência, demanda “muita engenharia”.

 

 

Fonte: Renata Dias/InPress

 

 

 

 

 

 

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro, participou, na manhã desta quarta-feira (22/06), em Brasília, da reunião ordinária do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), composto pelos presidentes ou representantes das entidades nacionais do Sistema Confea/Crea. Na oportunidade, Pinheiro convidou os presentes para o lançamento da edição “Cresce Brasil – Cidades”, que ocorrerá no dia 29 de junho próximo, às 14h30, na sede do Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro.


Foto: Paula Bortolini
Murilo Ceden 
A defesa do voto eletrônico nas eleições do Sistema Confea-Crea feita pelo presidente
da FNE repercutiu positivamente na reunião do Cden, nesta quarta-feira (23)
 

A liderança explicou que a atualização do projeto lançado pela FNE, em 2006, deverá percorrer o País e chegar às mãos dos candidatos às eleições municipais do segundo semestre, com o intuito de garantir boas discussões políticas e técnicas nas próximas campanhas eleitorais. Ele aproveitou para falar sobre o Movimento Engenharia Unida, cujo propósito é reunir a área tecnológica num grande e vital debate sobre saídas conjuntas ao momento por que passa o País, assegurando que isso deve ser feito independentemente de posicionamentos políticos. “Devemos unir os profissionais pelo crescimento e desenvolvimento”, defendeu. E acrescentou: “Os profissionais da área tecnológica têm responsabilidade enorme em colaborar com propostas factíveis para a saída das crises econômica e política do País.”

Dentro desse espírito, Pinheiro destacou a iniciativa pioneira dos engenheiros de São Paulo que criaram o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) –  projeto que atende a área social e a qualificação profissional de excelência. “Uma ação do nosso sindicato e da FNE para contribuir com a sociedade brasileira.”

Voto eletrônico
Pinheiro finalizou salientando a importância do voto eletrônico nas eleições do sistema profissional, acabando com o atraso do voto em urna. “Diversas entidades já realizam eleições dessa forma, com empresas especializadas e auditoria garantindo a segurança dos pleitos”, observou. Para ele, o voto eletrônico aumenta e democratiza a participação dos profissionais nas eleições, hoje restrita a 6%. Depois dessa defesa, o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas (Abee) e membro do Cden, Olavo Botelho, propôs a discussão do voto eletrônico dentro do colegiado.

O diretor licenciado da FNE, Florentino Filho, participou da reunião do Cden como convidado.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
Com informações de Paula Bortolini







Uma discussão que interessa aos engenheiros, à sociedade e a todos os comprometidos com a retomada do desenvolvimento nacional. “A engenharia e as cidades brasileiras” será promovida pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e pelo Clube de Engenharia, no dia 29 de junho, no Rio de Janeiro. Em pauta está a urgência em se resgatar a engenharia pública na gestão das cidades brasileiras e o seu papel para garantir bem-estar à população e desenvolvimento local. O debate contará com a participação de profissionais, especialistas, autoridades e lideranças da engenharia nacional.

No evento, será lançada a edição “Cidades” do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” (www.crescebrasil.org.br), que, neste ano de eleições municipais, pretende oferecer aos candidatos propostas para a boa gestão das localidades. A edição "Cidades" abordará temas como finanças, mobilidade e transporte, saneamento básico, habitação, iluminação e internet pública.

Além do projeto "Cresce Brasil", o debate integra o movimento “Engenharia Unida”, que defende a valorização da profissão, destacando os engenheiros como protagonistas para o crescimento e desenvolvimento, inclusive na gestão pública. “Resgatar a engenharia na gestão pública significa fazer com que as funções técnicas sejam ocupadas por profissionais habilitados. É preciso fazer bem e de forma planejada; os parcos recursos disponíveis nos cofres públicos não podem ser desperdiçados com improviso e amadorismo. Ainda menos aceitável que gastar irresponsavelmente é expor a população a riscos que a boa engenharia certamente pode evitar”, defende Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da FNE.

No dia 29, às 14h, Pinheiro e o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino Pereira, farão a abertura do evento, que será seguida pelo painel “Desafios das cidades brasileiras: desenvolvimento e qualidade de vida”, com a participação de Vicente de Paula Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro, e de Luiz Edmundo Costa Leite, secretário de Planejamento, Habitação e Urbanismo do Município de Duque de Caxias.

O segundo painel, “Resgatar a engenharia na gestão pública”, contará com a presença de Nilo Ovídio Lima Passos, presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj) e de Antonio Octaviano, diretor de Extensão do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), entre outros palestrantes.

Confira a programação completa no link: http://goo.gl/kKNvIk.

 

Imprensa SEESP
Com informação de Renata Dias

 

 

 

 

 

Sindicatos filiados à Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) se reuniram, na manhã desta quinta-feira (28/04), na sede do SEESP, em São Paulo, para dar sequência aos trabalhos da fase atual do projeto “Cresce Brasil”, que, neste ano, discute as cidades.  Para o presidente da entidade, Murilo Celso de Campos Pinheiro, a hora é de participar do processo eleitoral do País, de outubro próximo, de forma propositiva e com coerência e tranquilidade. “Enquanto todo mundo discute a crise, nós trabalhamos em cima de uma agenda forte e positiva em prol do Brasil”, ressaltou à abertura.


Fotos: Beatriz Arruda/SEESP
Cresce Cidades 28ABR2016 2 
Presidente da FNE (em pé) conclamou engenheiros a participarem de forma propositiva
nas discussões das eleições municipais de outubro próximo 


O coordenador técnico do projeto, Carlos Monte, informou que a elaboração das notas técnicas dos consultores da FNE está em andamento satisfatório. As notas versarão sobre temas como finanças municipais, iluminação e internet públicas, habitação e uso e ocupação do solo, saneamento ambiental e transporte e mobilidade. Ainda dentro dos trabalhos, Monte avisou que, no dia 19 de maio próximo, será realizada reunião com o Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, para tratar da engenharia pública.

O diretor do SEESP e representante da federação junto ao Conselho Nacional das Cidades (ConCidades), órgão ligado ao Ministério das Cidades, Alberto Pereira Luz, salientou a importância dos profissionais da área participarem das fases municipal e estadual (confira os prazos aqui) da 6ª Conferência Nacional das Cidades. “A nossa área tem muito que contribuir no planejamento e elaboração de projetos com a preocupação urbana”, destacou. É com a experiência acumulada, dos últimos anos, no ConCidades que Pereira Luz apresentará sua nota técnica sobre habitação e gestão do solo urbano.

Já Edilson Reis, também diretor do sindicato paulista, junto com o engenheiro Jurandir Fernandes, prepara a nota técnica sobre transporte e mobilidade urbana. “Iniciamos os nossos apontamentos falando do crescimento acelerado das cidades brasileiras sem o devido acompanhamento de obras de infraestrutura necessária e adequada”, alertou. Para que o trabalho seja o mais fidedigno à realidade, Reis informou que está sendo feita uma pesquisa apurada do arcabouço legal sobre o tema. A ideia, continuou o dirigente, é apresentar propostas no sentido de integração operacional e institucional do transporte, do trânsito e da habitação. Ele realçou que a proposta leva em conta que quase 60% da população brasileira se concentram em pouco mais de 300 municípios, com mais de 100 mil habitantes.

Outros aspectos estão sendo levados em conta, prosseguiu Reis, como o dado de que 1/3 das viagens são feitas a pé. “Por isso, é fundamental melhorar as calçadas.” Além disso, deve-se pensar na prática do não transporte. Ou seja, explicou, aproximar o emprego à moradia. Todo o levantamento realizado, disse o diretor do SEESP, mostra a necessidade da implantação de um plano diretor de transporte e mobilidade urbana nas cidades.

Finanças públicas
A parte da disponibilidade de recursos financeiros das administrações municipais foi elaborada pelo consultor Marco Aurélio Pinto Cabral. Segundo ele, essa questão deve envolver não apenas as administrações municipais, mas os outros entes da Federação, como a União e os governos estaduais. “Deve haver um esforço articulado entre as partes para que sejam realizados bons projetos e, com isso, as verbas sejam liberadas”, observou. Para ele, bons projetos sempre vão encontrar financiamentos, para isso, prosseguiu, há a necessidade de ser ter boa gestão desses projetos o que exige ter quadros técnicos próprios valorizados nas prefeituras. Cabral Pinto disse que a Secretaria do Tesouro Nacional não libera recursos por causa do “vício de origem”, ou seja, a falta de projeto bom.



Cresce Cidades 28ABR2016 3Carlos Monte informou que o andamento dos trabalhos está tranquilo e que o
"Cresce Brasil - Cidades" será um documento importante nas eleições municipais
 

Ainda dentro do incremento das finanças municipais, Cabral Pinto defende a modernização das administrações para ajudar a lidar corretamente com os seus gastos correntes, que pode gerar recursos adicionais. Para ele, o administrador municipal e o seu secretariado precisam ter conhecimento total sobre o seu território urbano, o que envolve recadastramento dos habitantes, regularização fundiária, entender melhor a saúde e a educação da população local etc.. “É preciso conhecer para quem trabalhamos.” Todo esse entendimento da vida municipal, conforme defende Cabral Pinto, tem como premissa básica o planejamento público.

Para o consultor da FNE, Artur Araújo, a crise urbana atual é uma síntese do que acontece no País. “Esse alerta foi dado já nas manifestações de 2013. Foi quase um recado de que está muito ruim viver nas cidades”, observou. Por isso, defende que os profissionais da engenharia sejam agentes de intervenção nas discussões das próximas eleições municipais, apresentando suas propostas reunidas no “Cresce Brasil – Cidades”. Para ele, a área deve oferecer a curto e médio prazo soluções aos vários problemas enfrentados nos espaços urbanos. “Devemos defender a existência da engenharia de cidades”, conclamou.

O cenário político atual do País foi abordado pelo consultor sindical João Guilherme Vargas Netto como um dos maiores desafios conjunturais já enfrentado nos dez anos de existência do projeto “Cresce Brasil”. “Além das dificuldades de caráter técnico e prático, acrescentamos, hoje, o político”, explanou. E continuou: “É preciso ter ânimo para compreender o ´ciclo dos horrores´ que serão as próximas eleições e perceber o quanto será importante a postura e ação da engenheira unida.”

Vargas Netto tem claro que o importante não é a engenharia eleger este ou aquele candidato, mas ajudar no processo de discussão de qual cidade os brasileiros necessitam.

Ao final da atividade, o presidente da FNE apresentou um cronograma dos trabalhos atuais que prevê a publicação do “Cresce Brasil – Cidades” no final de junho próximo.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP







A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, lançada no dia 10 de fevereiro pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fala sobre o direito ao saneamento básico a todas as pessoas e propõe debater políticas públicas e iniciativas que garantam a integridade e o futuro do meio ambiente. A divulgação de material informativo referente ao assunto é uma das ações dos organizadores da campanha e, no dia primeiro de março, o portal do Conic publicou uma reportagem sobre o manual de uso de água de chuva lançado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em 2015.

Com o tema ‘Casa comum, nossa responsabilidade’ e o lema ‘Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca’, a campanha trata do desenvolvimento, da saúde integral e da qualidade de vida dos cidadãos. “A coleta da água da chuva é fundamental em muitos lugares do planeta, pelo fato se tratar de um recurso único em suas qualidades em termos não só físicos, mas também sociológicos”, afirma o pastor Inácio Lemke, vice-presidente do Conic. “A campanha de 2016 chama a atenção não apenas para o saneamento básico para todos, mas também para esse recurso que deve ser gerenciado da maneira mais adequada a fim de garantir a sustentabilidade para futuras gerações”.

O manual busca oferecer à população orientações para melhorar a qualidade da água de chuva, apresentando as boas práticas para a sua captação, armazenamento e utilização doméstica. A publicação é direcionada às famílias que vivem situações emergenciais e dissemina uma técnica relativamente simples, mas que respeita os requisitos que garantem o funcionamento do sistema e, principalmente, assegura a qualidade da água coletada.

“A era moderna trouxe ao ser humano a facilidade do acesso à água, algo que em gerações passada era difícil. Abrir uma torneira e ter a certeza de água é uma realidade para muitas pessoas e passou a se considerar banal a sua origem ou, muitas vezes, a complexidade para realizar o tratamento. A isso está aliado o desperdício, pois passa a ser considerado um elemento infinito e aparentemente de fácil acesso”, completa Lemke.

Clique aqui e leia a reportagem no portal do Conic.

 

 

Fonte: IPT

 

 

 

 

 

Se utilizadas com critério, as águas subterrâneas podem ser um importante recurso complementar para o enfrentamento da crise hídrica. No entanto, a perfuração indiscriminada de poços e o consumo excessivo estão levando os aquíferos da Região Metropolitana de Recife ao limite de uma salinização irreversível. Ao mesmo tempo, os aquíferos da Região Metropolitana de São Paulo – que poderiam, com baixo investimento e em prazo relativamente curto, proporcionar um aporte adicional de 1 metro cúbico de água boa por segundo – encontram-se subutilizados. O duplo alerta foi feito pelo pesquisador Ricardo Hirata, do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da Universidade de São Paulo (Cepas-USP) do Instituto de Geociências da instituição.

O estudo sobre a situação de Recife foi coordenado por Hirata em Projeto Temático apoiado pela FAPESP: “Projeto Coqueiral: desafios associados à qualidade da água em Recife: como enfrentar a contaminação e a salinização das águas subterrâneas sob a perspectiva de mudança ambiental global e seu contexto social”.

Já o estudo sobre a situação de São Paulo foi publicado por ele e colaboradores na Revista DAE, mantida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo): “Água subterrânea para abastecimento público na Região Metropolitana de São Paulo: é possível utilizá-la em larga escala?”.

Aquíferos de Recife
“Na contabilidade oficial, a água subterrânea atende a 13% do abastecimento público da Região Metropolitana de Recife. Mas, quando consideramos os 14 mil poços existentes na região, que cobrem as falhas no fornecimento público, descobrimos que esse número está subestimado. A água subterrânea atende de fato a 28% do consumo”, disse Hirata à Agência FAPESP.

“Milhares de poços foram perfurados sem respeito aos critérios técnicos e sem controle por parte administração pública. Não me refiro apenas poços de pouca profundidade nos bairros pobres, mas também a poços tubulares de mais de 100 metros, os chamados ‘artesianos’, em condomínios ricos como os dos bairros de Boa Viagem e Pina. Em consequência disso, os aquíferos encontram-se agora seriamente ameaçados, com intrusão de água do mar e início de salinização. Se persistir o ritmo atual de bombeamento, os aquíferos poderão estar irremediavelmente perdidos por volta de 2035”, prosseguiu o pesquisador.

Segundo dados levantados pelo Projeto Coqueiral, 70% dos poços de Recife são ilegais. E a zona sul da região metropolitana, onde reside a população de alta renda, concentra o maior número de poços tubulares privados do país. Houve um aumento dramático da perfuração durante a grande estiagem de 1997/98. A situação é agravada pelo comércio de água por meio de carros-pipa, que se tornou um negócio altamente rentável na cidade. Os proprietários dos veículos enchem os tanques com água de poço e saem vendendo nos condomínios. “Recife vive a típica ‘tragédia dos comuns’, quando a soma das soluções individuais [perfuração de poços] acarreta um problema para todos [superexploração dos aquíferos]”, comentou Hirata.

O bombeamento desmedido ameaça fazer agora aquilo que uma elevação de quatro metros do nível do mar, ocorrida há cerca de 5 mil anos, não conseguiu fazer: salinizar os aquíferos. “Fizemos a datação da água dos aquíferos profundos por meio do teste do carbono 14 [que estabelece a data do material pela proporção entre os isótopos 14 e 12 do carbono presentes na amostra]. E descobrimos que essa água é doce e pura há mais de 18 mil anos. Sabemos que, há cerca de 7 mil anos, o mar começou a subir. E atingiu seu nível máximo, quatro metros acima do atual, por volta de 5 mil anos atrás. Mas o decorrente avanço do oceano para o interior da área continental não foi suficiente para alcançar a área de recarga dos aquíferos. Por isso, eles não foram salinizados”, informou o pesquisador.

Essa área de recarga é uma elevação topográfica, de rochas do embasamento cristalino, existente na região serrana que fica a oeste de Recife. É por ela que as águas das chuvas, que se infiltram no solo, entram nos aquíferos. Se, no último grande avanço, o mar tivesse chegado até essa região, os aquíferos teriam sido salinizados. Mas isso não aconteceu.

De fato, houve uma salinização em época anterior, há cerca de 120 mil anos, quanto o nível do oceano esteve muito mais alto. Mas, com a continuidade do processo de recarga, novas águas doces despejadas pelas chuvas foram se infiltrando nos aquíferos ao longo de milênios, empurrando a água salgada através do aquitarde (rochas de baixa permeabilidade, associadas às formações Paraíso e Estiva), até a área de descarga no fundo do mar.

“Existe um movimento natural de oeste para leste. As águas novas entram nos aquíferos na área de recarga, e saem no mar. Esse mecanismo faz com que a idade das águas subterrâneas seja crescente de oeste para leste. Elas são mais jovens perto da serra e mais velhas perto da costa. Mas esse ciclo está sendo comprometido agora pelo bombeamento excessivo, que diminui as cargas hidráulicas da água doce no interior dos aquíferos e possibilita a intrusão da água salgada”, explicou Hirata.

Projeto Coqueiral
Segundo o pesquisador, conduzir o Projeto Coqueiral foi como montar um grande quebra-cabeças. A pesquisa integrou estudos nas áreas de geologia, hidrogeologia, macrossociologia (urbanização e política institucional de gestão da água), mesossociologia (percepções e participações coletivas no manejo da água) e microssociologia (práticas individuais relativas ao uso da água). Muitas informações sobre o passado remoto, relativas à evolução do nível do mar ou às variações do clima regional, ficaram registradas nas águas subterrâneas. E foram recuperadas por meio de miríades de análises.

Por exemplo, o conhecimento de que houve uma intrusão de água salgada no passado remoto foi possível porque se sabe que, nos processos de salinização e dessalinização, muito frequentes em aquíferos, existe uma troca de cátions, que fica registrada na água. Foi esse registro que permitiu constatar a ocorrência de uma salinização do aquífero e de uma posterior “lavagem” (freshening) com água doce. “Como a última grande ingressão do mar no continente capaz de causar tal salinização aconteceu há 120 mil anos, acreditamos que, desde então, o aquífero está sendo dessalinizado. E, como as águas atuais são doces, e foram datadas pelo carbono 14 com idades variando de 8 a 18 mil anos – portanto, muito anteriores à época da mais recente elevação do nível do mar –, pudemos deduzir que, nessa segunda ocorrência, não houve salinização. Isso é consistente com outro dado, que é o fato de que uma elevação de quatro metros não é suficiente para que o avanço do mar terra adentro chegue até a área de recarga”, detalhou Hirata.

 

 

 

Fonte: Agência Fapesp

 

 

 

 

 

 

Neste mês de março, o engenheiro Murilo Celso de Campos Pinheiro dá início a um novo mandato à frente da FNE. A gestão 2016-2019 começa oficialmente em 16 de março; a posse solene ocorre dia 28, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Reeleito presidente da federação durante o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), realizado em outubro último, ele vislumbra desafios significativos para a entidade neste ano de crise econômica, baixo investimento e empregos ameaçados. Enfrentar essa situação de modo a defender os interesses da categoria e a volta do desenvolvimento estarão, portanto, na agenda da federação de forma prioritária. Para que se vire o jogo e o País volte a crescer, o dirigente defende uma articulação da engenharia unida.  Nesta entrevista, Pinheiro fala também sobre trabalho da FNE, o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Murilo 030316 editadaNeste mês de março, tem início uma nova gestão da FNE. Quais os planos para essa nova etapa à frente da entidade?
Murilo Pinheiro –
O plano é dar continuidade ao projeto que vem sendo desenvolvido pela nossa federação, dando conta dos novos desafios que se apresentam, especialmente diante da crise econômica que vivemos. Há cerca de uma década, a FNE vem atuando de forma a consolidar uma rede de representação, mobilização e debate nacional entre os seus 18 sindicatos filiados, aos quais estão ligados cerca de 500 mil profissionais. Isso fortaleceu a nossa entidade nacionalmente e também ampliou a capacidade de ação dos sindicatos nos estados. Têm sido travadas lutas fundamentais em defesa dos engenheiros e outros profissionais representados pelas entidades e vitórias importantes estão sendo conquistadas. Na pauta, continua o trabalho para que o salário mínimo da categoria, conforme a Lei 4.950-A/66, seja respeitado. Também seguimos na mobilização para a aprovação da carreira pública de Estado para os engenheiros, o que significará valorização profissional, mas também um salto na capacidade de as administrações públicas darem conta de  suas demandas em termos de planejamento, elaboração de projetos, execução de obras e fiscalização.

O “Cresce Brasil”, lançado em 2006, continua na pauta da entidade?
Pinheiro –
Sem dúvida alguma. O projeto “Cresce Brasil” (www.crescebrasil.org.br), além de ser nossa senha para o debate sobre desenvolvimento e nosso instrumento de mobilização nesse campo, também é um propulsor da nossa ação em defesa dos engenheiros. Lançado há dez anos, ele vem sendo constantemente atualizado e tem focado os temas que a FNE considera prementes em cada momento. Neste ano, faremos uma edição “Cidades”, que nos ajudará a travar a discussão sobre as condições de vida da população nos municípios e o desenvolvimento local. Como sempre, nossa proposta é partir de um diagnóstico dos problemas e apresentar sugestões de soluções factíveis. Entre os temas em pauta, estão habitação, transporte e mobilidade, saneamento ambiental, internet e iluminação públicas.

Qual a importância do Isitec nessa luta pelo desenvolvimento?
Pinheiro
– O Isitec é um dos mais valiosos resultados dos debates do projeto “Cresce Brasil”, que sempre teve entre seus temas a necessidade de formar engenheiros de qualidade. Essa discussão que existia no âmbito da FNE foi abraçada pelo Seesp, que decidiu criar uma instituição de ensino superior que fosse referência no País. A graduação em Engenharia de Inovação teve início no ano passado e, em fevereiro último, aconteceu a aula inaugural da segunda turma. O projeto tem sido um sucesso e estamos convictos de que, em alguns anos, chegarão ao mercado profissionais não só aptos a ter carreiras de sucesso, mas a contribuir verdadeiramente para o nosso desenvolvimento e para a melhoria da vida da população. Os meninos e meninas que estudam no Isitec, num curso de cinco anos em período integral, estão recebendo uma sólida formação, que vai além das matérias técnicas e inclui linguagens e empreendedorismo, entre outros conteú­dos essenciais. Serão multiespecialistas capazes de atuar em qualquer segmento de forma inovadora.

O momento, do ponto de vista da economia nacional e do mercado de trabalho da categoria, é mais preocupante que quando do início do mandato anterior, em 2013. Que desafios que se colocam?
Pinheiro –
O desafio do momento é não permitir que o Brasil retroceda à situação que vivemos nos anos 1980 e 1990, quando se notabilizou o engenheiro que virou suco. Após um longo período de estagnação, o Brasil voltou a ter expansão econômica e a vida do povo melhorou, especialmente a partir de 2007.  Nessa fase, a engenharia voltou a ter protagonismo graças aos investimentos públicos e privados que foram feitos. O mote principal do nosso projeto “Cresce Brasil” era a necessidade de haver crescimento econômico para que os engenheiros tivessem vez. Isso se demonstrou totalmente verdadeiro. Entre 2003 e 2013, houve incremento de 87,4% no emprego formal do engenheiro em todo o País. Com a crise econômica que vem se instalando no Brasil, esse cenário já é outro e desde 2014 há saldo negativo no balanço admissões/demissões na engenharia. O grande desafio é mudar esse rumo. Deve haver investimentos, e o governo é o grande responsável por isso. Uma política de corte de gastos e aumento de juros não nos trará bom resultado.  Portanto, é essa a luta que a FNE tem diante de si.

Nesse contexto entra a ideia da Engenharia Unida?
Pinheiro –
Sim! A FNE está totalmente comprometida com a luta pela valorização da categoria, a defesa de seus direitos e o desenvolvimento nacional. Mas sabemos que as dificuldades de monta da atualidade exigem uma coesão poderosa de forças da área tecnológica para ajudar a empurrar o País na direção correta e inserir as nossas profissões devidamente no debate público. Trata-se, portanto, de unir os profissionais e as entidades que os representam, as empresas e escolas de engenharia em torno dessa bandeira.  Juntos, tenho certeza que superaremos as dificuldades do momento. Podemos e devemos dar essa contribuição à sociedade brasileira.


 

Rita Casaro
Entrevista publicada, originalmente, no jornal Engenheiro, da FNE, edição 166, de março de 2016








A sexta edição do “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, projeto lançado em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), já está em debate. Em 2016, ano de eleições municipais, o projeto volta-se à discussão sobre a qualidade de vida nas cidades e o desenvolvimento local. O objetivo é fazer um diagnóstico dos problemas comuns às médias e grandes cidades brasileiras pertinentes à engenharia e propor soluções factíveis. Nesse sentido, foi realizada a primeira reunião de trabalho, em 1º de março último, na sede do SEESP, na Capital paulista. Como destacou o presidente da federação e do sindicato, Murilo Celso de Campos Pinheiro, a fase, agora, é de coleta de informações e dados com especialistas e profissionais de todo o País. “Queremos chegar em junho próximo com o documento pronto para apresentarmos aos candidatos e, assim, contribuirmos, efetivamente, com o debate de forma propositiva e consistente”, salientou à abertura da atividade.


Fotos: Beatriz Arruda/SEESP
CresceBrasil 1MAR2016 
Pinheiro à abertura: Engenharia unida em defesa de cidades melhores
 

Iniciando o ciclo, foram discutidos os assuntos mobilidade urbana a partir dos planos de uso e ocupação do solo, iluminação pública, moradia, saneamento abrangendo água, esgoto, recursos hídricos, resíduos sólidos e reuso das águas pluviais; mas está na pauta ainda a internet pública. Para o coordenador técnico do projeto, Carlos Monte, é imprescindível a FNE manter o seu protagonismo nas boas discussões de projetos de desenvolvimento. “É uma missão árdua sintetizar, nessa iniciativa, as questões peculiares urbanas, como, por exemplo, as que envolvem as cidades das regiões metropolitanas e as que estão às margens dos rios”, ponderou. E acrescentou: “Ao mesmo tempo desafiadora porque queremos estimular a sociedade a sair dessa visão negativa sobre o País.”

O secretário Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, Dario Rais Lopes, apresentou algumas das preocupações do Ministério das Cidades com relação aos municípios de médio e grande porte em termos de mobilidade e sustentabilidade. “Esses dois temas precisam ser pensados a partir de um núcleo, onde estão o uso e a ocupação do solo, o deslocamento das pessoas e o trânsito”, explicou. Ele critica a ideia que se tem que basta bater “à porta do poder público para pedir dinheiro para fazer mais transporte”. Lopes afirma que isso não resolve a questão. “Deve-se pensar um plano diretor que combine bem o uso e a ocupação do solo, a circulação das pessoas e o transporte. Esse é o grande pilar de sustentabilidade para as cidades modernas.” Nesse sentido, prosseguiu, a engenharia unida tem muito a contribuir ajudando a elaborar propostas de qualidade que “pressupõem planejamento, projeto e gerenciamento”. Posição reforçada pelo consultor da federação, Artur Araújo, para quem o “País está imerso numa situação de crise por falta de engenharia e só conseguirá sair disso com excesso de engenharia”.

Araújo lamenta dois erros macroeconômicos do governo federal que, para ele, são a política cambial e a dos juros altos. “Precisamos do jogo “ganha-ganha” que está no aumento constante da produtividade. E isso só tem um nome: investimento em infraestrutura, nas cidades, na produção.”

Saneamento global
As cidades melhores devem ter no horizonte o saneamento global, segundo o professor João Sérgio Cordeiro, do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec). Isso significa, disse ele, ir além dos sistemas de água e esgoto, mas levando em conta a Lei 11.445/2007que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. “A engenharia precisa ver o saneamento dentro de um contexto global e perceber que todas as modalidades da área estão envolvidas.” Cordeiro apresenta números para mostrar a importância desse entendimento como crucial para as cidades do País: “Em 1970, éramos 90 milhões de brasileiros e apenas 55% estavam na área urbana, o que dava 50 milhões habitantes. Quarenta e cinco anos depois, somos 200 milhões e 85% estão nas cidades, o que dá por volta 170 milhões de pessoas. Mais que triplicamos as áreas urbanas.”



CresceBrasil 01MAR2016 2Atividade reuniu especialistas e sindicatos filiados à FNE durante quase cinco horas
 

Tal cenário, prossegue Cordeiro, significa que precisamos de mais água potável e de sistemas de manejo de esgoto e resíduos sólidos e interferir no uso e ocupação do solo. Ele critica a ideia de discutir saneamento como se um fosse um “transporte” de água, de esgoto etc.. “Esquecemos que existe toda uma engenharia por trás disso, cuja conotação principal deve ser o da gestão. Por deficiência nessa área, hoje perdemos quase 50% da água tratada”, destacou. Ele acredita que a situação só será corrigida com uma nova formação do próprio engenheiro.

A questão ambiental também foi destacada pelo engenheiro João Antonio Del Nero, que por 31 anos foi professor de estrutura na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e hoje integra o Conselho Tecnológico do SEESP. Para ele, é uma vergonha o Brasil ainda ter lixões nos espaços urbanos. “Somos a décima economia do mundo, mas ainda não conseguimos eliminar essa tristeza”, criticou. Levando em conta, segundo Del Nero, que a população nacional aumentará em torno de 20 milhões nos próximos anos, medidas devem ser adotadas desde já para evitar o estrangulamento das cidades. Por isso, defende o incremento dos investimentos em infraestrutura, lembrando que, nos anos 1960, o País investia 5,4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) no setor, hoje está abaixo de 4%. Também propõe um código de obras que obrigue as novas construções terem duas entradas de águas – pluvial e a do saneamento.

Ressaltando a importância do “Cresce Brasil – Cidades”, Jurandir Fernandes, ex-secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, afirmou que o projeto pode ter um arcabouço com alguns pontos para que todos os Executivos e Legislativos municipais entendam a importância de investimentos em diversas áreas. Ele disse que quase 97% dos orçamentos municipais estão comprometidos com custeio da máquina administrativa e pagamento de juros de dívidas etc., sobrando pouco mais de 3% para investimentos. Para reverter esse quadro, Fernandes defende trabalhar fortemente com a engenharia unida para mostrar, com propostas factíveis, a importância da continuidade de políticas que estão dando certo. “Seja o prefeito que vier, por exemplo, as ciclovias devem ser mantidas e melhoradas”, observa, referindo-se, especificamente, à cidade de São Paulo.

Fernandes também defende aumentar a produtividade e integração de todos os equipamentos públicos municipais. Barato e econômico, segundo ele, é também terminar o que está iniciado ou destravar o que está paralisado, “sem vir com obras novas. Ou seja, aumentar a eficiência do que já existe. Por fim, feito tudo isso é que se deve pensar em elaborar obras novas”.

Investimentos e experiências de ação
Na questão de investimentos e recursos, o economista e diretor geral do Isitec, Saulo Krichanã, fez uma importante e detalhada exposição sobre a situação geral financeira dos municípios e da União. “Tudo o que estamos falando passa por uma questão chamada “necessidade de investimento”.” Nesse sentido, apresentou um quadro com alguns números nacionais, de 2014, entre eles o Produto Interno Bruto (PIB) do País de R$ 5,9 trilhões, o estoque de dívida em relação ao PIB de R$ 3,9 trilhões. “O problema maior não é o estoque de dívida em relação ao PIB, como também não é o gasto com a folha de pagamento (R$ 250 bilhões); só em serviço da dívida se gasta R$ 500 bilhões ao ano. O custo da rolagem da dívida é que é alto, estando acima de dois dígitos.”


CresceBrasil 01MAR2016 3Secretário nacional Dario Rais Lopes apresentou preocupações do Ministério das Cidades para
solução de vários problemas urbanos, como os da mobilidade e sustentabilidade


A partir de informações da Secretaria do Tesouro Nacional, Krichanã mostrou que boa parte dos executivos municipais, principalmente os da região Nordeste, excedeu o limite prudencial e está no máximo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Ou seja, não tem margem para investir”, alertou. Esses dados foram apresentados, justificou Krichanã, para que, num período difícil, os investimentos que precisam ser realizados para atender demandas reprimidas na infraestrutura, nas áreas de saúde e educação e também naquelas onde existem geração de recursos, a chamada indústria do serviço de utilidade pública – transporte, pedágio, saneamento, iluminação pública etc. – o poder público pense em alternativas como a utilização das concessões ou das Parcerias Público-Privadas (PPPs). 

O enfrentamento da situação difícil por que passa o País, cenário onde se dará a elaboração e apresentação do “Cresce Brasil – Cidades”, para o consultor João Guilherme Vargas Netto, deve se dar com a repetição de experiências. Ele explica: “O movimento sindical deve procurar repetir ações empreendidas em outras situações de dificuldade, a principal delas é a do combate à recessão.” Nesse sentido, ressaltou, a FNE está no caminho certo ao propor ao poder público e à sociedade, mais uma vez, um projeto que vetorize todas as forças capazes de disputar e discutir as questões relacionadas ao desenvolvimento e crescimento.

A grandeza da nova edição também se define, disse Vargas Netto, pela ideia da engenharia unida numa perspectiva que ultrapassa a visa corporativista e até escolar, “mas ela se finca no saber profissional”.

Ainda na reunião, os diretores do SEESP Carlos Kirchner e Alberto Pereira Luz falaram, respectivamente, sobre iluminação pública como um serviço a ser prestado pelos municípios com qualidade e a 6ª Conferência Nacional das Cidades, organizada pelo Ministério das Cidades e que ocorrerá em 2017. Já o professor José Roberto Cardoso, da Poli-USP, destacou a importância da formação do engenheiro na perspectiva do profissional criativo, inovador e empreendedor. A atividade da FNE foi prestigiada com a participação, também, do sub-prefeito paulista de Jaçana-Tremembé, Carlos Eduardo de Lacerda e Silva, e do seu assistente Sérgio Souza.

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Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP









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