João Guilherme Vargas Netto
Em um país em que a taxa de mais-valia é 100% (ler com atenção o artigo de Naercio Menezes Filho, publicado no Valor Econômico de 20 de fevereiro último, em que “um estudo recente com dados brasileiros estima que os salários dos trabalhadores são a metade do valor de sua contribuição produtiva para a empresa em que trabalha”), há um espinho na garganta dos capitalistas: o salário mínimo e sua valorização.
Este ano comemoram-se os 90 anos de sua criação e o 20º aniversário da política para sua valorização. Ambas as efemérides foram assunto para um evento no Ministério do Trabalho e Emprego e deram substância ao novo livro do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o salário mínimo e sua conturbada história.
Confira aqui o livro "Salário mínimo no Brasil: 90 anos de história, lutas e transformações"
O espinho encravado na garganta dos capitalistas produz quase sempre soluços em seus escribas que atentam contra a validação do salário mínimo, suas relações com a Previdência e o esforço para sua valorização.
Que o salário mínimo é essencial fica claro ao se prestar atenção à língua falada pelos brasileiros em que “salário” quer dizer quase sempre o mínimo, que é também usado pelos estatísticos como degraus para análise dos rendimentos.
O horror dos capitalistas e de seus escribas ao salário mínimo decorre de seu papel civilizatório, como marco e limite da exploração.

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical






