João Guilherme Vargas Netto
Às vezes o excesso de ingredientes (e de ingredientes ruins) azeda o bolo. Foi o que constataram os leitores da versão impressa de O Globo do dia 1º de fevereiro, cuja manchete na capa, procurando explicar a taxa historicamente baixa de desemprego não a atribuindo somente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), dizia que “do digital à lei, fatores estruturais redesenham o trabalho”.
Para demonstrar a tese a jornalista Mayra Castro, cumprindo a pauta em matéria de página inteira, descreveu a nova dinâmica de um mercado redesenhado com o desemprego estacionado no piso com cinco fatores explicativos.
Diligentemente a jornalista foi ouvir “especialistas” no assunto e de suas elucubrações resumiu os cinco fatores:1) demografia; 2) educação; 3) digitalização; 4) plataformização e 5) regras trabalhistas.
Posso aceitar, com ressalvas, os quatro primeiros apesar da generalidade envolvida neles, mas impugno fortemente o quinto fator – a deforma trabalhista de 2017 (Lei 13.467).
Para minha satisfação o próprio gráfico do desemprego reproduzido no corpo da reportagem desmentia esse fator causal porque sua incidência não afetou a curva alta e horizontal nos governos de Temer e Bolsonaro, passando pela pandemia.
Somente a partir da retomada do crescimento, a curva de desemprego cai, obviamente apesar da deforma.
Já que estamos lendo jornais impressos, quero destacar no Valor do dia seguinte, 2 de fevereiro, o registro dos 90 anos de salário-mínimo no Brasil, pelo artigo do professor João Saboia,que merece ser reproduzido em todos os sistemas de comunicação sindicais.

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical






