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09/04/2010

Remoções no Rio geram mais protestos contra ausência do Estado

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        São Paulo - As cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro assistem ao crescimento de protestos de moradores atingidos pelas chuvas e suas consequências, como enchentes e deslizamentos. As críticas voltam-se a dois pontos: ausência da Defesa Civil e obras malfeitas.
       Na comunidade de Manguinhos, a acusação é de que obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) entregues em dezembro do ano passado foram alagadas nos últimos dias. Para os moradores, isso demonstra que a escolha do terreno foi inadequada, acrescentando que, antes das enchentes, os apartamentos já sofriam com infiltração de água.
       Outra queixa é de que as obras do PAC não realizaram os correspondentes trabalhos de contenção de encostas, que podem ser decisivos em momentos como estes. “Nas ruas em que estão fazendo obras, o esgoto foi destruído. A gente queria uma solução porque a situação se complica com as chuvas. Tem pedra para rolar, tem morador sem caminho para sair de casa”, afirma Lúcia Cabral, de uma ONG do Complexo do Alemão, na capital fluminense.
       A ausência de agentes do Estado é mais um motivo para preocupação. Lúcia afirma que nenhuma equipe da Defesa Civil passou pelo local e, se não fosse pelo trabalho dos bombeiros entre segunda e terça, pessoas teriam morrido. Os moradores do complexo fizeram nesta quinta-feira (8) um protesto pedindo atenção aos problemas.
       As críticas são parecidas em Niterói, cidade que sofreu, na noite de quarta-feira (7), o maior dos deslizamentos de terras ocorrido nos últimos dias. São mais de 150 mortes confirmadas no estado. Apesar de o foco estar voltado ao Morro do Bumba, onde ainda não se pode calcular o número de pessoas presas sob a terra, as demais comunidades alertam que também necessitam ajuda.
       No Largo da Batalha, a população afirma estar sem energia elétrica desde os temporais de segunda-feira (5). “Os bombeiros estiveram aqui na terça-feira e disseram que não podiam fazer nada porque não tinham carros. Eles devem ter mandado todos para a casa do velejador Torben Grael, que vive na parte rica de Niterói”, critica a cientista social Luane Bento dos Santos.
       No local, os moradores reclamam que, sem auxílio público, estão se organizando para promover a remoção de vítimas debaixo de escombros. O posto de saúde da comunidade, que normalmente serve de abrigo nestes casos, ruiu. Uma escola municipal que seria utilizada com a mesma finalidade corre o risco de desabar.
       A população do Morro do Estado reclama que há anos sofre com os mesmos problemas. Uma assembleia organizada nesta tarde definiu que o Ministério Público Estadual será acionado para que force o Poder Executivo a realizar obras e a fornecer serviços públicos, evitando a repetição do episódio. “Não podemos receber apenas luto dos governos. Precisamos de coisas mais concretas. Fizemos uma lista com mais de cem famílias desabrigadas. Queremos que os afetados tenham direito ao aluguel social”, afirma Sebastião de Souza, integrante da Associação de Moradores do Morro do Estado.
       O governo federal liberou R$ 200 milhões para gastos emergenciais no Rio de Janeiro. Kits de emergência com colchões, filtros de água e cestas básicas foram liberados em quantidade suficiente para atender a 75 mil desabrigados. A Casa Civil analisa o pedido do governo estadual para receber outros R$ 370 milhões.
       “Enviamos um documento à Anistia Internacional mostrando que a situação só se resolve com política de habitação. Não podemos ficar todo ano com o pires na mão. Se a comunidade não se mobilizar, esse dinheiro vai parar em cueca, em meia”, adverte Sebastião de Souza, que confirma para a próxima semana um ato reunindo várias comunidades de Niterói para cobrar medidas por parte da prefeitura.

João Peres, Rede Brasil Atual
Com informações da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.
www.fne.org.br

 

 

 

 

 

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