GRCS

04/05/2020

Artigo – A crise da Covid-19 entre os trabalhadores da indústria do petróleo no Brasil

João Gilberto e Francisco Gonçalves*

 

Com a crise da Covid-19, em 17 de março último a Petrobras ampliou o regime de teletrabalho, reduzindo a atuação presencial administrativa – inclusive em unidades operacionais – ao mínimo possível. Desde o primeiro registro de Covid-19 na Petrobras, em 18 de março, os casos têm aumentado, sobretudo em áreas de produção em terra e plataformas.

 

Em 20 de abril, 26 empregados da Petrobras na província de Urucu (AM) foram isolados com suspeita de Covid-19, em Manaus. Outros cinco testaram positivo, sendo um deles internado em estado grave.

 

Petrobras O Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense (Sindipetro-NF-FUP/CUT) relatou aumento de casos de Covid-19 a partir da segunda quinzena de abril último em sete plataformas da Petrobras, sendo que a P-26 apresenta maior incidência – 13 pessoas com sintomas.

 

Segundo denúncias, são testados apenas trabalhadores com quadro de Covid-19. Os demais, que podem ser assintomáticos, não o são. Ha relatos de pessoas que trabalharam ao lado de testados positivos, e essas pessoas não foram testadas para retornarem a suas casas. O Sindipetro-NF solicitou desde março a testagem de todos os trabalhadores. A Petrobras alega não dispor de testes, mas informou em 23 de março a doação de 600 mil testes ao Sistema Único de Saúde (SUS). O sindicato não é contra a doação para a população brasileira, o que não se aceita é a negligência com a vida dos trabalhadores e dos seus familiares, pois a convivência com assintomáticos multiplica os portadores e põe em risco familiares e todos do seu convívio.

 

Em 24 de abril, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que subiu para 186 o número de casos de Covid-19 em plataformas, alta de 150% em relação a 16 de abril. O setor de petróleo soma 382 casos, contra 132 em 18 do mesmo mês. Os casos suspeitos atingiram 1.201 em 22 de abril, contra 1.073 em 16 do mesmo mês.

 

Os sindicatos relatam dificuldade de acesso a informações, como números de contaminados ou com sintomas. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) tem cobrado ainda ações para segurança dos efetivos próprios e terceirizados nas unidades e estrutura para os que estão em teletrabalho. Há denúncias de falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e luvas, e distanciamento dos postos de trabalhos, a fim de prevenir a contaminação.

 

A Petrobras impôs um plano de resiliência que reduz a jornada e salários dos empregados administrativos em 25%, descumprindo o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), barrada por liminar, e insiste em impor soluções sem ouvir ou negociar com representantes dos trabalhadores, prejudica lactantes e grávidas e reduz salários de afastados por doença. Na realidade, o atual governo e sua gestão na empresa se utilizam da Covid-19 para acelerar o desmonte e entrega da Petrobras à iniciativa privada, um grande contrassenso, quando bancos, empresas de aviação, dentre outros, pedem socorro ao Estado em função da crise. Aos petroleiros só resta conclamar o povo brasileiro a lutarmos juntos para preservar esse grande instrumento do desenvolvimento nacional.

 

 

 

 

 

 

*João Gilberto é diretor do Sindipetro Caxias e Francisco Gonçalves, delegado da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) - São Paulo. Texto originalmente publicado no site otrabalho.org.br em 29 de abril de 2020.

 

 

 

 

 

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