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26/10/2018

Parabéns aos engenheiros aeronáuticos neste 28 de Outubro

Deborah Moreira
Comunicação SEESP

 

Neste domingo, 28 de Outubro, é Dia do Engenheiro Aeronáutico. Para marcar a data, o engenheiro aeronáutico José Luiz Bruni Chiessi, 53 anos, conversou com o SEESP para relembrar um pouco de sua trajetória de 30 anos servindo a Força Aérea Brasileira (FAB), quando atuou como mecânico de voo, em Recife (PE). Hoje, na reserva, Chiessi faz planos para retornar ao setor, na iniciativa privada.

 

Jose engenheiro aeronautico



No Brasil, o símbolo da engenharia aeronática é a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), reconhecida mundialmente como um dos mehores corpos técnicos do setor. Recentemente, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), aprovou uma moção pública, durante seu X Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), em defesa da Embraer contra a venda à Boeing. Trata-se de "um golpe mortal para o desenvolvimento tecnológico nacional. Um setor que conta com um corpo funcional altamente especializado, cujos conhecimentos e desenvolvimento de alta tecnologia colocaram a empresa no patamar que ocupa no mercado. A empresa americana passará a incorporar todo esse patrimônio, inclusive o acervo das inovações técnicas estratégicas e desenvolvidas para a área de defesa aplicados aos projetos comerciais da Embraer".

Atualmente, a Embraer emprega 18 mil funcionários, entre os quais 4.200 engenheiros. Não há garantia de que os postos de trabalho serão preservados e cerca de 70 empresas fornecedoras, também especializadas e que empregam outros 5 mil trabalhadores, serão comprometidas e correm o risco de encerrar suas atividades. Leia a íntegra aqui.

O engenheiro aeronáutico trabalha com a elaboração de projetos de aeronaves e sua fabricação, além da execução das atividades de manutenção. Além de aviões, pode atuar com helicópteros, planadores e até foguetes, satélites e sondas espaciais. Ele também é responsável por reparos, inspeções e manutenções. Cuida também dos sensores e instrumentos de controle das aeronaves. Além da indústria, atuar em obras e serviços ligados à infraestrutura aeronáutica, como a construção de aeroportos, o planejamento de linhas e o gerenciamento de tráfego aéreo.

Leia a entrevista.

Por que você escolheu a carreira de engenheiro aeronáutico?

Eu me formei somente em 2006, pela Universidade do Vale do Paraíba. Mas eu tinha um sonho de trabalhar com aviação desde criança. Escrevia para os fabricantes de aeronaves como Embraer e Boeing. Guardo até hoje as cartas que recebi de volta das com os panfletos. Meu pai era militar, músico, então cresci dentro de uma unidade militar. O meu irmão mais velho também acabou se tornando piloto, da aviação civil, o segundo irmão mais velho se tornou paraquedista. Então a gente tem isso no sangue.

E você queria atuar como piloto?

No começo sim. Mas, sou míope e não pude ser piloto na Aeronáutica, porque queria seguir a carreira militar. Mas, depois, quando passei a atuar como mecânico de voo, acabei percebendo que não queria seguir a carreira de piloto que acabou virando um hobby. Tirei o brevê e pilotava por diversão. Quando entrei na faculdade parei de pilotar porque como hobby a gente tem que pagar e precisei remanejar os recursos para a faculdade.

E como foi sua formação profissional?

Então, inicialmente, aos 18 anos, fiz o curso de mecânico de voo da Escola de Especialistas da Aeronáutica, com duração de dois anos, em Guaratinguetá, e entrei na Força Aérea com essa função. Também tirei o brevê de piloto privado, e fui melhorando minhas qualificações. Também fiz uma especialização em informática, quando fui transferido para a base de Recife, onde atuei como mecânico de voo.

O que faz um mecânico de voo?

Ele está sempre em voo, junto com  pilotos, com a responsabilidade sobre o abastecimento da aeronave, carga e descarga, calculo de peso e balanceamento, atendimento a passageiro, calculo do peso dos passageiros, tudo o que faz um despachante operacional numa companhia aérea, eu fazia dentro da Força Aérea.

Quanto tempo de voo você acumulou enquanto foi mecânico de voo?

Como mecânico de voo trabalhei nove anos no esquadrão em Recife (PE) e acumulei um pouco mais de 1.800 horas de voo. Mas tenho colegas com mais de 6 mil horas que atuaram mais tempo. No tempo que eu estava na ativa, cheguei a voar 200 horas em um mês. E naquela época não tinha um teto de voo por dia, como hoje, cheguei a voar 16 horas por dia, por exemplo, em ocasiões de prestação de apoio e resgate em enchentes, levando mantimentos, comida e primeiros-socorros.
 
E a faculdade?

Uma vez de volta, em São José dos Campos, abriu o curso de Engenharia em Aeronáutica fora da Força Aérea, porque antes era só o Ita [Instituto Tecnológico de Aeronáutica] que possuía. E eu como militar, graduado na Força Aérea Brasileira, o regulamento não permitia que eu cursasse, só era permitido aos oficiais. Então, quando abriu esse curso fora da aeronáutica, prestei e passei. Na época, trabalhava no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), no setor de certificação aeronáutica. Naquela ocasião foi criada a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil], para onde fui transferido e trabalhei durante 5 anos, onde desenvolvi atividades de análise de boletins de serviços, de emissão de diretrizes de aeronavegabilidade, de inspeção de produtos aeronáuticos, inspeção de conformidade de fabricação.

Quando terminou o prazo regulamentar de atuação na Anac, em 2011, retornei e passei mais 3 anos no Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo. E, em 2014, completei os 30 anos de Força Aérea e fui para a reserva.

É obrigatório ir para a reserva na carreira militar?

Não. Tem que cumprir no mínimo 30 anos. Após isso, poderia ficar mais tempo. Mas como estava me mudando para a Alemanha, para aprender o idioma alemão, acabei optando pela reserva.

E atualmente você trabalha?

Desde que voltei da Alemanha, em março de 2017, não consegui recolocação fixa na carreira. Fiz alguns trabalhos pontuais de consultoria aeronáutica, aqui em São José dos Campos, onde moro, depois passei a atuar como desenvolvedor de softwares. Na época que morei em Recife, quando fui transferido pela Aeronáutica, me formei como técnico de Processamento de Dados, na Universidade Católica, em Recife, e cheguei a desempenhar essa função na Aeronáutica e Anac. Mas estou em busca de recolocação profissional na iniciativa privada.

O que faz um engenheiro aeronáutico?

A atividade principal é atuar com projetos de produtos aeronáuticos: as aeronaves e similares. Mas, dentro da indústria aeronáutica, tem a função de gerente de manutenção das companhias aéreas, ele é o responsável técnico pela manutenção das companhias aéreas que possuem oficinas de manutenção. Também atua na área de vistoria de fabricação como na aviação experimental que está empregando muitos engenheiros aeronáuticos.

Na fabricação de drones também?

Geralmente tem um engenheiro eletricista ou mecatrônico envolvido. Mas, por envolver voo, o aeronáutico também pode atuar.



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