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21/05/2018

O desafio da Esfinge

 

João Guilherme Vargas Netto*

 

A situação é desoladora, a economia não deslancha, o Brasil retrocede 20 anos com quase 30 milhões de brasileiros subutilizados no mercado de trabalho, e a histeria dos rentistas fica cada vez mais forte. A maioria dos trabalhadores empregados vai sobrevivendo como pode; os que têm carteira assinada são acossados pela lei trabalhista celerada, os que são informais sofrem todas as maldades do mercado – baixos salários, jornadas exorbitantes e nenhum direito. O colchão social se esgarça e os indigentes formam uma legião aterradora.

 

 

Mas os rentistas – que ganham bilhões às custas do Estado brasileiro – insistem em aprofundar as “deformas” que os beneficiam. Para eles, sua própria atividade especulativa (basta ver o que aconteceu na última semana com as ações da Petrobras ou com o dólar) tem justificativa na falta das “deformas” ou em sua incompletude.

A resistência do povo trabalhador e sua capacidade de sobrevivência digna são emocionantes. Vivemos uma época em que qualquer resistência, mesmo passiva, deve ser valorizada e qualquer vitória, por menor que seja, deve ser trombeteada. É hora, portanto, de registrar a greve dos metalúrgicos da Mercedes Benz, a reunião do Brasil Metalúrgico em Caxias do Sul, a greve que se amplia dos trabalhadores da construção civil de São Paulo, as vitórias dos metroviários de São Paulo, a disposição de luta dos professores das redes privadas de São Paulo (que terão uma quarta-feira cheia de manifestações), a greve de zelo dos auditores da Receita Federal e a mobilização dos caminhoneiros contra as permanentes altas do combustível. Os petroleiros têm sido firmes e coerentes em sua resistência ao desmanche da Petrobras como empresa estatal produtiva e poderosa.

Essa contradição entre o desarranjo do quadro econômico, que poderia levar ao desalento, e as demonstrações de resistência e as vitórias deve reforçar o empenho unitário do movimento sindical, levando-o a intensificar suas ações, preocupando-se também com a escolha de candidatos nas próximas eleições que sejam favoráveis à plataforma do movimento e capazes de vencer no pleito. Com todas as dificuldades reais e mais algumas, o movimento sindical enfrenta o desafio da Esfinge que, se bem resolvido, garantirá sua relevância social.

 

 

 

 

 

 

* João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical do SEESP

 

 

 

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