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08/11/2017

Entrevista – Isitec prepara profissional para a indústria

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Jornal Engenheiro*

Com a inovação em pauta, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Já em 2015, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), através da iniciativa Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), publicou um estudo chamado “Fortalecimento das Engenharias” que sinalizava a deficiência entre o que a indústria necessitava e o que as faculdades ofereciam. Nesse contexto, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, com o apoio da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), foi citado como exemplo de formação adequada.

“Para uma nação inovadora, produtiva e desenvolvida, precisamos de pessoas inovadoras”, destaca nesta entrevista ao Engenheiro Paulo Mól, coordenador da MEI e superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), braço da CNI. Para ele, é preciso que cada vez mais faculdades se apoiem em diretrizes voltadas ao fomento da inovação, como as do Isitec, para qualificar os profissionais à indústria transformada pelas novas tecnologias.


Em 2015 a CNI levantou a deficiência entre mercado e faculdade. Como está esse cenário hoje?

O gap ainda existe. Falamos muito em internet das coisas, big data, inteligência artificial e todas essas tecnologias que são disruptivas, que vêm para alterar completamente as relações de trabalho, de produção. Mas o tempo de adaptação da academia, do preparo do professor e do aluno entrar em contato com tudo isso está descompassado. Muitas vezes no último ano de engenharia é que o aluno realmente vai lidar com o mercado de trabalho, ter aplicação da teoria, desenvolver grandes projetos, isso gera dificuldade ao futuro profissional. No Brasil pouco mais da metade de engenheiros atua na indústria. Na Alemanha, por exemplo, a indústria é praticamente formada por engenheiros. Para um país avançar na agenda de inovação, essa interlocução entre academia e empresa é fundamental, é uma convergência de propósitos. A academia precisa voltar seu olhar para os desafios do mercado. O número de engenheiros doutores atuan­do na produção é ainda menor (1,7%, segundo o estudo), a maioria esmagadora fica nas universidades. Ele pode até atuar na academia, desde que seja com projetos que atendam demandas nas empresas. Muitas vezes as linhas de pesquisas não são direcionadas a geração de empregos, renda e resultados efetivos para o País. 

Como o Isitec se destaca nesse ponto?

A inovação é quando o conhecimento gera valor de mercado. O instituto tem um projeto pedagógico modelo de desenvolvimento de graduação com parcerias, com problemáticas reais. Se você cria uma estrutura em que de fato se busca que o conhecimento gere valor de mercado, está conectado com alguma empresa, alguma solução à sociedade, que resulta em um projeto de propostas para que tudo aconteça, isso é muito bem-vindo. É o que as faculdades precisam fazer. Mais importante do que atualizar as grades curriculares, são as diretrizes para o estudo e a aplicação dele para a indústria, para a sociedade, para o País.

Por que é importante defender a bandeira de um país inovador?

Não há país que se coloque bem no mercado mundial sem inovação. Ter o conhecimento e investir em inovação é a garantia para se tornar uma nação competitiva. Mas o Brasil tem um duplo desafio. Enquanto países desenvolvidos estão desafiados apenas à agenda de inovação, o Brasil tem uma agenda inconclusa do passado. Temos questões de infraestrutura, questões educacionais básicas, a agenda do século XX. Há dois anos o PIB (Produto Interno Bruto) está caindo, logo os investimentos também. Dedicamos 1% do PIB em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), sendo praticamente dividido ao meio entre investimento público e privado. Países desenvolvidos, em média, investem mais de 2%, com a maior parte vinda do setor privado. Mas é preciso que a economia esteja estável e que o Estado alavanque o investimento das empresas. Hoje está muito claro que a agenda de inovação é uma agenda de País e que todos os agentes que compõem a tríplice aliança (Estado, empresa, academia) não estão performando bem. É preciso um empresariado atento a essa agenda, legislações mais claras de fomento a inovação e academia focada no conhecimento aplicável, recurso humano qualificado. Quando se fala em inovação, as pessoas pensam muito na tecnologia em si, em máquinas, equipamentos, laboratórios e esquecem que a parte mais importante são as pessoas por trás da máquina. Um país inovador precisa de pessoas inovadoras.

Como é o profissional que a indústria necessita?

Aquele professor pardal inventor, supercriativo, que se fecha na garagem e faz tudo sozinho está totalmente fora. Os trabalhos hoje requerem time, saber se comunicar, liderar e ser liderado. Ao mesmo tempo, ele precisa ter autonomia e tomada de decisões. Num mundo voltado para big data, para tecnologias de informação, em que os dados estão todos aí, cada vez mais o mercado vai querer profissionais que tenham de fato capacidade de decidir, que consigam raciocinar e se expressar. É também fundamental ter o olhar voltado à solução de problemas, que é um atributo próprio do engenheiro e do profissional inovador, e fluência na língua inglesa, pois projetos tecnológicos são globais. Isso deixou de ser um item desejável e passou a ser mandatório.

Como a CNI contribui para essa formação?

Temos o Senai, que trabalha fortemente com ensino e estrutura profissionalizante. No IEL, trabalhamos com o fortalecimento de habilidades correlatas para o profissional, com cursos voltados a gestão industrial, liderança para inovação, temas que são extremamente importantes para que o profissional possa de fato estar mais bem preparado para as ações que estão sendo requeridas no mercado.

*Por Jéssica Silva. Jornal da FNE, edição 186 / novembro de 2017. Foto: José Paulo Lacerda/CNI

 


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