Home | Contribuição Sindical Urbana Online | Webmail Fale Conosco
19/05/2017

Liderança do Brasil na América do Sul se esvazia com Temer, diz professor da Unesp

Avalie este item
(2 votos)

A crise política e a enorme impopularidade e falta de credibilidade do presidente Michel Temer se refletem nas relações internacionais do País. O papel de liderança regional do Brasil, na América do Sul, e de interlocutor junto a diversos líderes mundiais vem se esvaziando. E o presidente da Argentina, Mauricio Macri, vem tentando ocupar esse espaço.

“A crise interna que vive o governo Temer, um governo de transição, faz com que o Brasil não tenha uma posição firme nem de liderança no atual momento”, diz Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Quem está assumindo uma posição mais firme é a Argentina. O Brasil regrediu em relação ao que era, principalmente durante o governo Lula. Diante da crise  do Brasil, Temer está voltado à questão interna e tenta levar à frente suas políticas e reformas. É um presidente com pouca credibilidade, e isso se manifesta na posição internacional do Brasil. Quem está assumindo um papel mais ativo é a Argentina de Macri”, avalia Ayerbe.

Ele menciona como exemplos o encontro do argentino com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de abril, e a viagem que Mauricio Macri está fazendo ao Oriente esta semana. No dia 17 último, Macri e o presidente chinês, Xi Jinping, se reuniram em Pequim e “se comprometeram” a desenvolver conjuntamente um projeto para a construção de duas usinas nucleares na Argentina. O financiamento será chinês no valor de US$ 12,5 bilhões.

Em fevereiro, Macri disse a jornalistas espanhóis que já havia conversado com Donald Trump e na ocasião manifestou sua posição sobre a Venezuela de Nicolás Maduro, que vive grave crise política. "Basta de eufemismos, a Venezuela não é uma democracia", sentenciou o argentino.

Em 2 de dezembro, Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai suspenderam a Venezuela do Mercado Comum do Sul (Mercosul), sob a alegação de que o País não cumpriu o protocolo de adesão. A decisão foi anunciada pelos chanceleres Susana Malcorra (Argentina), José Serra (Brasil), Eladio Loizaga (Paraguai) e Rodolfo Nin Novoa (Uruguai). No dia 14 de dezembro, a Argentina assumiu a Presidência rotativa do bloco.

Na segunda-feira (15), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que o Brasil se prepara para receber oficialmente refugiados venezuelanos que fogem do conflito político em seu país e está elaborando um "plano de contingência" para o caso de a situação se agravar. Segundo a Agência Brasil, o governo de Roraima calcula ter recebido cerca de 30 mil venezuelanos.

Para Ayerbe, independentemente da clara posição do governo brasileiro diante da crise da Venezuela e da participação do país andino no Mercosul, o Brasil eventualmente receber refugiados venezuelanos, a priori, não configura um posicionamento político. “A questão é se esses refugiados vão ter status de refugiados políticos. Uma coisa é você receber refugiados por uma questão humanitária, como no caso dos haitianos, outra coisa é você dar o caráter de refugiados políticos fugindo de um regime.”

A presença da Venezuela no Mercosul passou a receber forte oposição do Brasil, a partir do governo Temer, com José Serra no Ministério das Relações Exteriores, depois substituído por Aloysio Nunes Ferreira. Ambos são do PSDB.

Em setembro, após encontro com o presidente Michel Temer em Nova York, o então vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse em nota que a reunião serviu para discutir "uma cooperação maior entre os Estados Unidos e o Brasil".

 

Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Reprodução editada de notícia da Unesp Agência de Notícias (UnAN)

 

 

 

 

Lido 86 vezes

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

grcs home
BannerAnuncio
Agenda

Receba o SEESP Notícias

E-mail:*