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Federação Única dos Petroleiros (FUP)

 

Em Ação Popular protocolada nesta terça-feira, 27, junto à 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, representantes das entidades sindicais dos trabalhadores da Petrobrás e da BR Distribuidora cobram a impugnação da Assembleia Geral Extraordinária do Conselho de Administração da estatal, que aprovou em abril mudanças ilegais no estatuto da companhia.

A alteração estatutária permite a venda do controle de subsidiárias apenas com a aprovação do Conselho de Administração da Petrobrás, sem passar pelos acionistas, o que contraria a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6404/76). A medida foi tomada com intuito de facilitar os objetivos do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que já anunciou seu desejo de privatizar por completo a empresa.


Não por acaso, no dia seguinte à aprovação da mudança no estatuto da Petrobrás, a empresa anunciou a venda de oito refinarias. A Aragão Ferraro Advogados, assessoria jurídica responsável pela Ação, explica que a alteração promovida faz com que “Castello Branco e a Petrobrás se furtam ao controle público e social, e podem criar ou extinguir subsidiárias de uma forma mais simples. Tal medida atinge diretamente a privatização da empresa, que deve criar subsidiárias para vender, por exemplo, as refinarias”.

A Ação Popular (nº 0212517-84.2019.8.19.0001) foi proposta pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), pelo SindipetroNF e oSindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (Sitramico/RJ).


Portal CUT

O botijão de gás, que chegou a custar R$ 75,19 em novembro de 2017, pode ficar ainda mais caro se a Petrobras insistir em vender a distribuidora Liquigás, como a direção da companhia anunciou depois que o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou a venda de 100% dos ativos da empresa para a subsidiária do Grupo Ultra, conhecida como Ultragaz.


botijao de gas home

 

A venda da Liquigás, distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), é uma das prioridades no plano de desinvestimentos da Petrobras, que tem intensificado a venda de ativos importantes e a destruição da engenharia nacional e da política de conteúdo local, denuncia José Maria Rangel, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

A ordem é vender de qualquer jeito e o mais rápido possível, diz Rangel, que complementa: “depois da decisão do Cade, a estatal correu para anunciar que está buscando novas alternativas para viabilizar a venda, como oferecer a Liquigás na Bolsa de Valores”.

Na decisão que impediu a venda para o Grupo Ultra, a relatora do caso no Cade, conselheira Cristiane Alkmin, se referiu aos riscos de prejuízos para a população e para o mercado caso o monopólio fosse criado.

“Se fosse concluída a operação, a empresa [Ultragaz] passaria a concentrar 46% do mercado. Sairíamos de um modelo de oligopólio com quatro grandes players e uma franja competitiva para um modelo de liderança de preço, piorando o equilíbrio do mercado para a sociedade”.

Segundo Rangel, isso significa que a Ultragaz teria o poder de ditar praticamente sozinha o preço final do botijão de gás ao consumidor. Ou seja, o gás de cozinha, que em algumas regiões já está por volta de R$ 80,00, poderia ficar ainda mais caro. "O consumo residencial é quase 80% da demanda de GLP", ressalta.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou uma nota criticando a decisão da diretoria da Petrobras que, de forma precipitada, anunciou que está avaliando vender as ações da Liquigás na Bolsa.

Segundo a nota, além do risco de concentração de mercado, "estamos falando da venda de um ativo que é lucrativo e tem um papel estratégico para atender ao mercado interno brasileiro".

Rangel explica que, com a política de valorização da Petrobras do governo Lula, a estatal comprou a Liquigás e passou a participar de toda a cadeia de distribuição, interferindo no preço das distribuidoras estaduais, o que na época quebrou o monopólio do setor e contribuiu para que o governo mantivesse o preço do gás acessível à população.

tabela preco botijao de gas marco 2018

Conforme dados disponibilizados pela FUP, é possível constatar o aumento repentino no valor médio de revenda do botijão de gás a partir de 2016, quando o ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) assumiu o governo por meio de um golpe de Estado que destituiu uma presidenta legitimamente eleita por 54 milhões de votos.

Economia e o fator botijão de gás

Segundo Rangel, desde que Pedro Parente assumiu a gestão da Petrobras indicado pelo golpista e ilegítimo Temer, o aumento no preço do botijão de gás, que teve reajustes sucessivos no último período, comprometeu o orçamento de milhares de famílias brasileiras.

E todos estão sentindo o peso desses reajustes nos orçamentos, como mostras pesquisas qualitativas feitas pelo próprio governo. De acordo com o colunista Ancelmo Gois, os brasileiros e brasileiras não conseguem sentir a melhora na economia, mesmo quando são apresentados os dados de a inflação é a menor dos últimos 10 anos.

Motivo: todos se lembram dos aumentos nos preços dos botijões de gás bem acima da inflação. Por isso, não sentem que as coisas vão bem. “Não adianta o governo brigar com os fatos. O preço do botijão, assim como o da gasolina, pesa no bolso do consumidor e é isso que ele usa para avaliar se a economia de fato melhorou ou não”, conclui Rangel.


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O Unisim, grupo de pesquisa em simulação e gerenciamento de campos de petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, está selecionando alunos para pós-doutorado na Durham University (Reino Unido). A iniciativa tem colaboração da BG E&P Brasil (Shell). O Unisim foi criado em 1996 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Petrobras.

 

Foto: Pedro Bolle/ USP Imagens
plataforma Petrobras foto Pedro Bolle USP Imagens home
Plataforma off-shore da Petrobras.


Os alunos selecionados estudarão simulação numérica de reservatórios, análise de incertezas e decisão. As vagas de pós-doutorado estão vinculadas ao Departamento de Ciências Matemáticas, Estatísticas e Probabilidade, em projeto coordenado pelos professores Michael Goldstein e Ian Vernon, em Durham, e pelo professor Denis Schiozer, na Unicamp.

Os alunos receberão bolsa de estudos do programa Ciência sem Fronteira em Durham (a depender da aprovação do CNPq), com complementação de bolsa da BG E&P Brasil. Além disso, eles terão direito à cobertura total das taxas em Durham e custos adicionais relacionados à pesquisa realizada.

Os candidatos devem ter certificado do exame de proficiência em inglês e tese nas disciplinas de Engenharia, Geociências, Física, Matemática e/ou Estatística, preferencialmente Engenharia de Petróleo, incluindo simulação de reservatórios e estatística.

Os interessados em se inscrever devem enviar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Mais informações: https://goo.gl/UTrW4Q.




A União Geral dos Trabalhadores (UGT) realizou o 1° Seminário de Organização no Setor de Minérios e Derivados de Petróleo. O evento, ocorrido na quarta (8) e quinta (9), em São Paulo (SP), teve participação de outras centrais, como Força Sindical, Nova Central e CUT, reuniu sindicalistas do segmento de todo o País.

A mesa de abertura, contou com a presença de Ricardo Patah, presidente nacional da UGT, Canindé Pegado e Francisco Pereira (Chiquinho), respectivamente, secretário Geral e de Organização e Políticas Sindicais da UGT, Valter Alberto e Adilson Carvalho de Lima, secretário e adjunto da secretaria dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, Isaac Neco, vice-presidente do Sinthoresp, Natal Leo, presidente do Sindiapi-UGT, Maria Antonieta de Lima, presidente do Sindiminérios de São José dos Campos e José Martins dos Santos, presidente da Fapeprol.

Pegado enfatizou a importância do setor na organização da Central: "Se não envasar, o gás não chega ao consumidor. Se não distribuir, os postos ficam sem combustíveis e a população é prejudicada. Por isso é um segmento estratégico".

As discussões se detiveram sobre os principais problemas enfrentados pelo setor, com foco na segurança dos trabalhadores e nas mudanças que podem ocorrer nas regras para aposentadoria, caso a reforma da Previdência (PEC 287) seja aprovada.

Debates
Também ocorreram palestras sobre a estrutura sindical brasileira e a sua organização, as Normas Reguladoras (NRs) ligadas ao setor e a importância da categoria na cadeia produtiva.


Fonte: UGT  e Agência Sindical



Choveu petróleo no Sítio do Pica-Pau amarelo. E, sobre o poço, perfurado graças aos artifícios de quatro “Faz-de-conta”, foi inaugurada a placa com os dizeres: “Salve! Salve! Salve! Deste abençoado poço – Caraminguá nº 1, a 9 de agosto de 1938 saiu, num jato de petróleo, a independência econômica do Brasil”. Esse era o desejo de Monteiro Lobato que, sem poder lançar mão da fantasia, como faziam seus personagens, recorreu a outro poder: o de escrever livros e cartas e mais cartas e livros que influenciassem pessoas, antecipando, assim, o que uma tese de doutorado veio a concluir quase um século depois: que literatura também é poder.

Foi entre os anos de 1934 e 1937 que foram estreitadas as relações entre o escritor e o engenheiro do petróleo Karl Werner Frankie, suíço imigrado em 1920, que no Brasil mudou de nome, passando a ser “Charley Frankie” – também chamado de Charles pelos amigos. Nas 147 cartas que chegaram às mãos da pesquisadora Kátia Chiaradia, ele e Lobato falam de petróleo, poder e literatura. Professora e leitora das obras do escritor, apaixonada por O Poço do Visconde, ela sempre citava Lobato em suas aulas sem imaginar que o neto de Frankie ocupava uma das carteiras.

Foto: Reprodução site da Unicamp
Pesquisadora Petróleo UnicampChiaradia: “Lobato dedicava-se visceralmente aos ‘bastidores do petróleo’, por meio de intensa troca
de cartas, buscando os mais diversos arranjos políticos e comerciais.” 

 

“Professora, vou trazer para você umas cartas que temos em casa, que o meu avô trocava com Monteiro Lobato”. O impacto imediato do presente do aluno foram duas noites sem dormir. Depois vieram o mestrado, um capítulo de livro que ganhou o prêmio Jabuti, e a tese de doutorado “Edição de textos fidedigna e anotada das cartas trocadas entre Monteiro Lobato e Charles Frankie (1934-1937): Edição e estudo da correspondência entre Monteiro Lobato, Charles Frankie e alguns companheiros da Campanha Petrolífera, como Edson de Carvalho”.

Kátia estudou com afinco as 147 cartas, sendo 91 de Lobato para Frankie e 39 deste para o escritor, além de alguns documentos técnicos relacionados à exploração do petróleo no solo brasileiro. Como Frankie por vezes guardou cópias carbonadas de sua correspondência, houve a oportunidade de trabalhar não só com as cartas que Lobato enviara ao suíço, como também com as que este encaminhava a Lobato.

“Nessas cartas, Lobato, além de se familiarizar com alguns termos técnicos-geológicos da exploração petrolífera, faz críticas contundentes ao Código de Minas de 1934 e ao ‘atraso brasileiro’, protagonizando a história das primeiras companhias petrolíferas do Brasil”. É de Lobato a frase que serviu de slogan para a campanha do petróleo que resultou na criação da Petrobrás. “O petróleo é nosso” teria sido a última frase de uma derradeira entrevista concedida à rádio por Lobato, dois dias antes de morrer.

O escritor não foi só um ativista da causa do petróleo de solo brasileiro. Efetivamente trabalhou nas pesquisas para tentar encontrar o óleo negro no solo do país, oficialmente descoberto na Bahia, em 1939. Entre 1932 e 1937, Lobato fundou ou se filiou a três diferentes companhias de prospecção: Cia Petróleos do Brasil, Cia de Petróleo Nacional e Cia Mattogrossense de Petróleo. Também se associou à pesquisa da petrolífera Alliança Mineração e Petroleos LTD, a AMEP, um departamento da Companhia de Petróleo Nacional.

As experiências vividas no embate de anos tentando provar que havia petróleo no Brasil e que, com a descoberta, o país poderia se tornar tão rico quanto os Estados Unidos, foram compartilhadas ou serviram de inspiração para suas obras. Escreveu o livro O Escândalo do Petróleo, prosa sócio-política lançada em 1936 e que teve 20 mil exemplares esgotados em apenas 5 meses. Antes, redigiu diversos artigos para jornais sobre o assunto e traduziu e prefaciou A Luta pelo Petróleo, de Essad Bey, de 1935, juntamente com o amigo Charley Frankie. Sua “saga” em defesa do ouro negro culminou na obra O Poço do Visconde, de 1937, décimo volume da série “obras completas” de ficção para crianças.

Nas cartas que os amigos trocaram é possível identificar menções a livros e leituras, seja na parceria da tradução ou na organização e compilação de O Escândalo do Petróleo, afirma Kátia. “De ‘Prezado’, da primeira carta de Lobato a Frankie, a ‘Amigo Frankie’, em poucos dias: a relação durou, ao menos, três anos – no petróleo, nos livros, nos bastidores políticos”, afirma a autora.

Era uma preocupação de ambos o fato de engenheiros ligados à empresa norte-americana Standart Oil atestarem para o governo brasileiro que não havia petróleo no Brasil. “Lobato ficou conhecido como o ‘pai’ da Petrobrás, porque sempre foi contra a pesquisa americana no Brasil”. Kátia desconstrói a tese de que Lobato era a favor da estatização, da exploração pelo Estado brasileiro. “Ele era a favor da iniciativa privada e tinha intenção de fazer uma parceria com a empresa alemã ELBOF à qual Frankie também era ligado, como representante técnico”.

Para Lobato, o comportamento da Standart Oil era o mesmo de um “Octopus” ou polvo, disfarçando-se em empresas ou órgãos nacionais para, quando fosse interessante, prender sua vítima, ou seja, os petroleiros brasileiros, até a morte. No livro O Escândalo do Petróleo, porém, o escritor toma o cuidado de não deixar claro que se tratava da empresa. O assunto é tratado em uma das cartas a Frankie: “Não podemos acusar a Standard. Sabemos que no fundo de tudo está o Octopus, mas, em vez de falar em Standard, temos de dizer os Interesses Ocultos”, escreve Lobato.

A campanha do petróleo se confunde com a ficção. A correspondência ainda adverte, por exemplo, para os riscos de morte a que seu sócio na Companhia Petróleo Nacional, Edson de Carvalho, estaria sujeito. Segundo Kátia, Lobato retoma com Frankie duas mortes ligadas à campanha que ele afirma categoricamente que devem ser tratadas como “eliminação”. Ao abordar o assunto em seu livro, usa de ironia e apassiva os verbos. Um “foi morrido” e o outro “suicidado”.

“A empreitada apaixonada rendeu-lhe frutos extremos: de um lado, seria o grande responsável por levar a público três obras da literatura, recordistas de tiragem e referências sobre a saga do petróleo. No outro extremo, contudo, sua atuação colocou-o em choque com o governo de Getúlio Vargas, o que o levou à prisão”, descreve a autora.

“Morri um bom pedaço na alma”, desabafou Lobato em 1941 depois de ter passado seis meses atrás das grades na ditadura do Estado Novo. “A relação entre Getúlio Vargas e Monteiro Lobato desenrolou-se de maneira bastante irregular, alternando momentos de aparente concordância ideológica com divergências extremas”.

Na carta que levou Monteiro Lobato à prisão o escritor ressaltava a “displicência do Sr. Presidente da República, em face da questão do petróleo no Brasil, permitindo que o Conselho Nacional de Petróleo retarde a criação da grande indústria petroleira em nosso país, para servir, única e exclusivamente, os interesses do truste Standard-Royal Dutch”, relata a autora da tese em uma das notas de rodapé do trabalho.

Kátia fez uma série de notas de rodapé à íntegra das cartas publicadas em seu doutorado. Nelas, a pesquisadora trata do contexto político, das perfurações e companhias petrolíferas brasileiras, dos “interesses estrangeiros” no Brasil, da relação pessoal entre Lobato e seus interlocutores, entre outros temas.

A relação entre trechos das cartas com a ficção lobatiana já havia sido mostrada na dissertação de mestrado de Kátia, quando ela analisou e comparou 16 cartas trocadas com Charles Frankie e O Poço do Visconde. “Lobato escreveu inspirado no que eles viviam nos poços que perfuravam”.

Na história infantil, para se iniciarem os trabalhos de campo, por exemplo, não bastava a vontade de Pedrinho. Foram chamados dois “experientes” técnicos estrangeiros: Mr. Kalamazoo e Mr. Champignon. “Estes podem ser lidos, talvez, como duplos ficcionais de J. W. Winter, engenheiro alemão e Frankie, que respondiam pelas perfurações de duas companhias de Lobato”. Na ficção, prossegue a autora em sua análise, os técnicos eram norte-americanos, “o que levantou fortíssimas suspeitas de Quindim que, tal qual Lobato, jamais confiara nos estudos desenvolvidos sob encomenda do governo brasileiro”.

Foi no doutorado somente que Kátia trabalhou com todas as cartas, transformando-as para a edição e acrescentando as notas de rodapé. “Também percebi o quanto da correspondência está em O Escândalo do Petróleo. Muita gente se pergunta de onde veio essa criatividade, do Lobato, como ele havia tido essa ideia. Foi da vida real mesmo. Quando ele teve um problema com um perfurador, por exemplo, lemos a mesma história no O Poço do Visconde: o técnico americano que chegou e sabotou o poço da Dona Benta."
 

Rede de influências
Para a autora, a análise das cartas também expõe uma vasta discussão entre os correspondentes sobre as implicações políticas de um livro e “em especial”, sobre a força da literatura de Lobato na defesa “da causa”, como eles diziam. Lobato e Frankie citam muitas personalidades do cenário político-histórico nacional, a ponto de tornar-se necessária e complementar ao trabalho a confecção de um índice onomástico no final da publicação, com os nomes de todos as pessoas citadas nas cartas que compõem o que a pesquisadora considera uma verdadeira rede de influências construída pelo escritor.

“Lobato dedicava-se visceralmente aos ‘bastidores do petróleo’, por meio de intensa troca de cartas, buscando os mais diversos arranjos políticos e comerciais. O que não está claro nos livros, mas conseguimos perceber pela leitura das cartas, é como Lobato fazia parte do cenário político da época, como era ouvido, como era alguém que estava em todos os ambientes, tinha ‘ouvidos’ em todos os ambientes e como usava a literatura porque ele era conhecido não por ser um perfurador, mas por ser um grande escritor”, ressalta Kátia.

Perceber o tamanho da rede de influências de Lobato é uma das contribuições da tese que a pesquisadora considera mais importante. “De Getúlio Vargas até o perfurador do poço, passando por Armando de Salles Oliveira, engenheiro e político brasileiro, fundador da USP, foi uma rede construída a partir da literatura, que mostra como a literatura é capaz de construir um terreno político."

Comunicação SEESP
Reprodução de matéria do Jornal da Unicamp de Patrícia Lauretti. Leia o texto na íntegra aqui 

 

 

O JE na TV desta semana traz uma reportagem que mostra o caminho da energia elétrica até chegar a sua casa. A partir do relato do engenheiro que atua na subestação de energia Paula Souza, que atende 300 mil pessoas diariamente e passou por um processo de modernização recentemente, a matéria conta como a energia é tratada para que chegue de forma segura e sem desperdício.

Na entrevista, Fernando Palmezan, diretor do SEESP e coordenador do projeto Cresce Brasil, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), fala sobre como a inovação pode contribuir para enfrentar a crise econômica e como o profissional da Engenharia atua nesse cenário. Palmezan, que também é diretor do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), conceituou inovação e tecnologia e ressaltou a importância de haver mais investimento no setor.

Na coluna semanal No Ponto, Murilo Pinheiro, presidente do sindicato, fala sobre a importância do Pré-sal para o desenvolvimento do País.

O JE na TV é mais um canal de comunicação importante mantido pelo SEESP para levar importantes informações e notícias aos engenheiros e também à sociedade. Assista ao programa que vai ao ar às segundas-feiras, às 19h30, para a cidade de São Paulo, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet no mesmo dia e horário neste link. O JE na TV é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.


Comunicação SEESP



Depois de alguns meses sem grandes novidades, ocupados os deputados nas campanhas eleitorais municipais, a Câmara Federal deu, recentemente, sinais de vida. Ou de morte, conforme a polêmica que agita os cultores da língua portuguesa a respeito das expressões “perigo de vida” ou “perigo de morte”.

Com o grave alheamento do movimento sindical (exceção feita aos petroleiros ativistas da FUP) a Câmara aprovou o texto-base do projeto originário do Senado que “alivia” a Petrobrás da exploração do pré-sal e abre caminho para outras medidas mais radicais de financeirização da empresa, algumas já estando sendo praticadas por sua nova direção.

Os deputados se preparam também, com um jantar faustoso na presidência da República, para votar a PEC dos gastos, ponte para um futuro de restrições à ação do Estado e para a diminuição dos gastos públicos, exigências do “mercado” e dos empresários (até mesmo em nota pública das confederações patronais) e cujos efeitos negativos têm sido subestimados pelo movimento dos trabalhadores do setor privado da economia.

Ficam confirmadas assim as características reacionárias da conjuntura e da correlação de forças no Congresso, apontando as dificuldades que o movimento sindical enfrentará em todas as discussões parlamentares sobre os temas de interesse dos trabalhadores.

E, no entanto, apesar das dificuldades, não se pode abandonar a luta, buscando em cada situação evitar o pior e alcançar o desejável, manobrando com habilidade neste ambiente hostil.

Para este esforço – que se conjuga com o esforço unitário do movimento – é de muita valia a mais recente publicação do DIAP sobre a agenda legislativa dos trabalhadores no Congresso Nacional (2016). São listadas as proposições em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, assinaladas as de interesse dos trabalhadores do setor privado e aos funcionários públicos e de interesse sindical.

São apresentadas também a pauta prioritária da CNI e a Agenda Brasil, anunciada pelo presidente do Senado, listando-se as 57 ameaças a direitos em tramitação no Congresso.

O livro editado pelo Diap deve estar em todas as mesas dos dirigentes e ativistas sindicais e orientar nossas ações nesta conjuntura que apresenta “perigo de morte” para os direitos.

 

* João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical

 

 

 

 

 

 

O Plenário da Câmara dos Deputados pode votar, nesta quarta-feira (5/10), o Projeto de Lei 4567/16, do Senado, que retira a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção. O projeto está na pauta da sessão extraordinária marcada para as 9 horas.

Atualmente, a Lei 12.351/10, que institui o regime de partilha, prevê a participação da Petrobras em todos os consórcios de exploração de blocos licitados na área do pré-sal com um mínimo de 30% e na qualidade de operadora.

O operador é o responsável pela condução da execução direta ou indireta de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações.

Impasse
Os deputados voltaram a discutir o tema nesta segunda-feira (3), na retomada dos trabalhos após as eleições.

Não há consenso sobre o projeto. Para a oposição, a proposta sinaliza a entrega do petróleo brasileiro a multinacionais. Já deputados da base governista e favoráveis ao projeto argumentam que a estatal brasileira está endividada e não tem saúde financeira para arcar com os investimentos necessários.

A discussão da matéria foi encerrada nesta terça-feira (4), mas, diante do impasse entre os deputados, o texto não foi votado.

 

 

Comunicação SEESP
Notícia reproduzida da Agência Câmara

 

 

 

 

 

 

 

A pressão dos pretroleiros no Congresso Nacional, na terça-feira (13/9), contra o PL 4567/16 surtiu efeito. O projeto, que acaba com a obrigatoriedade de a Petrobras ser operadora única da exploração do pré-sal, começoun a ser analisado naqueola data. De autoria de José Serra, atual ministro de RElações Exteriores, foi aprovado no Senado e, na avaliação da categoria, constitui principal ameaça à soberania do Brasil sobre as imensas reservas petrolíferas da camada do pré-sal.


Imagem: divulgação FUP

petroleiros pre sal mobilizacao

A possibilidade do projeto ser levado a votação mobilizou petroleiros de todo o País à Capital Federal para mais um corpo a corpo com as lideranças partidárias. Em agosto, os sindicalistas conseguiram reunir as assinaturas necessárias (171 deputados federais), para protocolar um Projeto de Decreto Legislativo que propõe a realização de plebiscito para que os brasileiros se posicionem sobre a questão.

“Há uma parcela significativa de parlamentares sensibilizados pelo tema petróleo, que também veem como preocupação a Petrobras ficar fora da exploração do pré-sal”, diz. A pressão mudou a disposição de vários líderes, que estão preferindo deixar a votação do projeto para depois das eleições municipais de outubro.


De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a presença em massa dos trabalhadores na Câmara, nos gabinetes das lideranças dos partidos que fazem oposição ao governo Temer, conseguiu adiar a votação do projeto para depois do primeiro turno das eleições municipais.


Com agências





Sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) iniciaram paralisação de cinco dias contra a venda dos chamados campos maduros terrestres da Petrobras. A mobilização, que começou na segunda (1º) tem como objetivo protestar contra a entrega de 104 concessões de exploração, das quais 98 produzem juntas 35 mil barris de petróleo diariamente. Os campos estão divididos pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Espírito Santo.


Foto: FUPgrevenortefluminense2 600 largGreve no Norte Fluminense em defesa do Pré-Sal.

O coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, disse que os Sindicatos estão mobilizando os trabalhadores desses poços terrestres, para resistir à ofensiva do governo interino para privatizar a petroleira estatal. “O governo alega que é importante se desfazer desses campos, liberando recursos para investir mais na produção do pré-sal. Porém, sabemos que os poços colocados à venda estão sendo entregues praticamente de graça”, denunciou. O sindicalista argumentou que há grande oferta de ativos petrolíferos no mundo, derrubando os preços a níveis jamais vistos.

José Maria Rangel também chama a atenção para os impactos negativos que serão gerados para as cidades onde as províncias produtoras estão instaladas. “As empresas privadas não se preocupam com a população local, com remuneração mínima, não há compromisso ambiental. Além disso, nos preocupamos com os postos de trabalhos que podem ser fechados nessas regiões e que não serão reabsorvidos”, avalia.

A FUP ainda não contabilizou o número de trabalhadores parados, mas aponta adesão massiva de trabalhadores próprios, além de terceirizados.

Carcará
A Federação também condenou a decisão do Conselho de Administração da Petrobras, que aprovou a venda da participação da estatal no bloco exploratório BM-S-8 para a norueguesa Statoil Brasil Óleo e Gás por US$ 2,5 bilhões (R$ 8,5 bi) em mais um passo do plano de desmonte da companhia.

Segundo a FUP, a venda da área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, comprovadamente de alta produtividade, é mais uma doação, pois nada justifica entregar um campo de petróleo que, por baixo, renderia à Petrobras R$ 22 bilhões pelo valor de R$ 8,5 bilhões.


Fonte: Agência Sindical







O presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, alerta para a mudança na exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal. No dia 24 de fevereiro último, o Senado aprovou, por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas abstenções, o texto substitutivo de projeto de lei que altera as regras de exploração de petróleo do pré-sal. Os senadores rejeitaram todos os destaques (sugestões de mudança no texto aprovado) ao texto, que segue tramitação na Câmara dos Deputados.

O PL, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), retira da Petrobras a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração. O texto tem como relator o senador Ricardo Ferraço (sem partido-ES).  "Pode ser muito ruim para o Brasil. Na prática entrega essa riqueza às petroleiras estrangeiras", adverte Pinheiro.

"É de se perguntar porquê o Brasil abriria mão, voluntariamente, de um recurso que lhe pertence e que tem condições de explorar. Ao longo de décadas, a nossa engenharia desenvolveu a tecnologia necessária para tanto. É preciso que a sociedade brasileira fique atenta a esse tema e atue para reverter essa decisão", completa.

Ouça a íntegra no Podcast Jornal do Engenheiro:







Imprensa SEESP
Edição Pedro Henrique Souza Santana









A revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal, aprovada ontem (24) pelo Senado, tirando da estatal a obrigatoriedade de explorar no mínimo 30% dos campos licitados, vai provocar estragos na indústria brasileira que atua com o fornecimento de equipamentos para a exploração, como as plataformas e sondas, segundo afirmou hoje (25) à RBA o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli.

“O grande efeito de não ter um operador só é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos, portanto, vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras”, afirmou.

Além disso, Gabrielli é crítico à forma de atuação do governo, compondo com o PMDB e a oposição para aprovar o substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que retira a obrigatoriedade, mas mantém a preferência da empresa.

“Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade, porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo.”


Foto: Agência Brasil
Gabrielli 
Gabrielli: "Esse projeto deve ser derrubado. Vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados"

 

Como o sr. vê a aprovação pelo Senado da Lei de Partilha do pré-sal, tirando da Petrobras a obrigatoriedade de operação nos campos do pré-sal?
Eu acho muito ruim a aprovação que foi feita. É uma grande falácia dos que defendem a mudança do projeto de lei de partilha. Não há necessidade de mudança desse projeto de lei no momento. Os preços do petróleo estão baixos, apesar da expectativa de eles subirem mais adiante. Portanto, não há necessidade de acelerar os leilões agora.

A segunda razão é que o país não precisa acrescentar novas reservas, pois nós temos mais de 14 anos de reservas garantidas com o petróleo já descoberto. Nós estamos com as áreas já concedidas e seremos o segundo país que mais cresce em produção de petróleo no mundo até 2020, segundo relatório da Agência Internacional de Energia, de anteontem.

Além disso, a Petrobras está em uma crise financeira de curto prazo da qual ela sairá com certeza, pela sua capacidade, pelo seu tamanho e pelo seu portfólio, em dois ou três anos. Portanto, não é uma coisa permanente que vai inviabilizar a Petrobras, pois ela tem capacidade financeira de investir, e por fim só interessa essa mudança às empresas internacionais que só podem entrar no pré-sal com a Petrobras sendo a operadora.

Para mim, esse projeto deve ser derrubado. Eu vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados. O projeto deve ser rejeitado na Câmara dos Deputados e se não for rejeitado, deveria ser vetado pela presidenta Dilma Rousseff. É um projeto de lesa-pátria, que só faz abrir a possibilidade de a Petrobras perder a posição que ela pode ter no desenvolvimento da riqueza brasileira.

Mas e o desenvolvimento tecnológico para exploração do pré-sal?
O desenvolvimento tecnológico já consolidado na exploração do pré-sal não fica perdido por conta desse projeto. Mas, na indústria de petróleo, a empresa operadora é aquela que desenvolve mais tecnologia e aprende mais com o processo. A indústria do petróleo tem um desenvolvimento tecnológico que tem muito da operação dos campos, porque combina engenharia com geologia e, neste caso, a geologia é específica.

Consequentemente, o desenvolvimento tecnológico vem da experiência da operação. E se você deixar de ser operador único, você deixa de acumular novas experiências. Isso é um problema para o futuro, não quer dizer que as tecnologias já desenvolvidas serão perdidas. De jeito nenhum. Mas o desenvolvimento de novas tecnologias vai ficar limitado.

Qual o impacto do projeto do Senado?
O grande efeito de não ter um operador é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos. Portanto, você vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras.

As críticas dos movimentos sociais quanto à soberania do país têm fundamento?
Em minha opinião, a gente vai perder a capacidade de ter benefícios na sociedade brasileira pela criação de um setor produtor de bens e de serviços para a indústria de petróleo. Entre os operadores, cada um vai buscar seu fornecimento internacional provavelmente.

E os royalties para a educação previstos na Lei de Partilha?
Eu acho que é uma ilusão, se você acelerar os leilões do pré-sal você não terá resposta, em termos de royalties, nos próximos cinco anos por uma questão de tempo necessário à maturação dos projetos. Não há como fazer um leilão agora em 2016 e ter produção antes de 2021. É difícil acelerar os leilões, utilizando o fato de que a Petrobras não pode participar agora, portanto, faz o leilão e as empresas internacionais participam. Isso não quer dizer que vai aumentar a produção nos próximos cinco anos e não haverá aumento dos royalties.

Como aumentar os royalties seria outra questão. Isso seria mais fácil se você conseguisse acelerar os investimentos da Petrobras e das outras empresas nos campos já concedidos. Porque aí você tem potencial de aumentar a produção. Na verdade, existem hoje recursos e hidrocarbonetos que permitem a você mais do que dobrar a produção em 2020 desde que acelere os investimentos. O grande problema que nós temos para aumentar royalties é basicamente acelerar ou não os investimentos da Petrobras.

Os royalties sobre a produção em si não estão ameaçados?
Eu acredito que essa é a primeira parte de uma luta para destruir toda a lei, provavelmente isso também vai ser mudado adiante. Uma vez derrotada a função da Petrobras como operadora única, a campanha contra a partilha de produção e contra os recursos para o fundo social vai vir também, é um processo natural, a meu ver, do desmantelamento do projeto de lei de 2010.

Como o sr. viu a atuação do governo na votação de ontem?
Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo. Essas duas coisas não são possíveis com essa preferência da Petrobras.

Como o sr. vê esse cenário internacional de preços reduzidos do petróleo?
Há um componente, digamos, de disputa de market share na redução desses preços do petróleo. Há um excesso de oferta hoje no mundo, e esse excesso decorre de uma decisão da Arábia Saudita, principalmente, de não ser mais um produtor de ajuste do mercado. Porque a Arábia Saudita fazia o papel de ajuste: toda vez que havia um aumento na produção dos outros, ela diminuía sua própria produção, e o mercado se mantinha relativamente equilibrado. A partir de novembro de 2014, a Arábia Saudita decidiu não fazer mais esse papel, porque viu que os Estados Unidos estavam crescendo muito sua produção de gás de xisto e óleo de petróleo, e ela decidiu aumentar a produção para baixar os preços e ao fazer isso tirar do mercado os produtores de maior custo.

É evidente que está demorando mais do que eles esperavam (para aumentar os preços), mas já se começa a evidenciar que a produção americana tende a diminuir. Por outro lado, o crescimento da posição do acordo que os Estados Unidos fizeram com o Irã para a questão nuclear deu ao Irã uma vontade de aumentar sua participação no mercado internacional de petróleo. O Irã tende a tentar aumentar a produção, substituindo parte de produção da Arábia Saudita. Pode existir a tendência de o preço do petróleo permanecer baixo por muito tempo. Mas tem um outro lado: essas questões de petróleo para esses países representam a maior parte de sua receita fiscal. Manter o preço do petróleo muito baixo vai aumentar o déficit fiscal desses países, vai criar problemas para suas políticas de Estado.

Portanto, mais cedo mais tarde terão de dar uma controlada na sua posição para viabilizar que o preço suba. Já tem uma primeira tentativa agora, que é Arábia Saudita, Catar, Venezuela e Rússia, que se comprometeram – e a Rússia não é da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) – a congelar a produção de janeiro de 2016, e com isso você não tem mais pressão para o preço cair. Eu acredito que em 2016 nós vamos ter preços relativamente estáveis nessa faixa dos US$ 30 ou US$ 35 o barril, mas de 2017 em diante teremos certa recuperação por conta das necessidades fiscais dos grandes produtores. A Rússia está com a economia muito afetada pela indústria do petróleo; a Arábia Saudita já começou a sentir grande problema no déficit do governo; a Venezuela tem graves problemas nessa questão. Portanto, vai haver algum ajuste da produção.

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual

 

 

 

 

 

 

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