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Pequenas empresas à espera de socorro para sobreviver

 

Empreendimentos não têm acesso a linhas de financiamento criadas para crédito emergencial, apesar da enorme liquidez da qual dispõe o sistema financeiro e de garantia bancada pelo governo

 

AjudaPequenos QuadradoA crise econômica brasileira, agravada seriamente pela pandemia do novo coronavírus, é especialmente severa para as pequenas e microempresas, cuja capacidade de sobrevivência à queda na atividade e, consequentemente, no faturamento é obviamente reduzida. Em situação normal, os pequenos negócios já vivem hercúlea batalha para se manterem, enfrentando muitos obstáculos e recebendo apoio insuficiente. No cenário atual, essa realidade ganha contornos dramáticos.


Isso se dá apesar da importância dessa parcela de empreendimentos fundamental à economia, já que tem sido a principal geradora de empregos – em 2019, foram 731 mil vagas criadas, enquanto as médias e grandes fecharam 88 mil postos. Ou seja, é do interesse de todos nós que tais companhias sobrevivam e prosperem.


Para tanto, é imprescindível que tenham acesso a crédito facilitado para atravessar esse período crítico. Lamentavelmente, embora linhas de financiamento com esse objetivo tenham sido anunciadas, poucas empresas tiveram acesso ao recurso.


O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) foi instituído pela Lei nº 13.999, de 18 de maio de 2020 com o aporte pelo governo federal de R$ 15,9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil, para servir como garantia nas operações de crédito contratadas junto às instituições financeiras. Pelas regras, as empresas podem tomar empréstimo no valor de até 30% de sua receita bruta em 2019, a taxas máximas equivalentes à Selic mais 1,25% ao ano, no prazo de 36 meses.


Antes do Pronampe, já haviam sido tomadas outras medidas visando ampliar a liquidez e oferta de crédito ao setor produtivo. A Medida Provisória 944, de 3 de abril último, por exemplo, instituiu o Programa Emergencial de Suporte a Empregos, voltado à quitação de salários.


Dinheiro represado

No entanto, a postura das instituições financeiras, embora tenham garantia contra inadimplência, tem tornado o crédito inacessível aos empreendimentos que dele necessitam para manter as portas abertas, conforme aponta pesquisa Datafolha/Simpi-SP, que aferiu a situação no setor industrial, divulgada na segunda-feira (22/6) pelo jornal Valor Econômico. “No levantamento de junho, 88% das indústrias afirmaram que estão sem acesso a crédito no momento para manter suas operações. As empresas que avaliam o capital de giro como insuficiente são 62% do total. (...) Os critérios usados pelos bancos privados para análise de crédito, como a exigência de que a empresa não tenha dívidas com o fisco, por exemplo, têm impedido que muitas das firmas de menor porte acessem as linhas de emergência criadas pelo governo.”


É especialmente chocante que as instituições financeiras, que, desde março, receberam cerca de R$ 1,2 trilhão (por medidas como redução do empréstimo compulsório e, principalmente, oferta de crédito pelo Banco Central, ou seja, dinheiro público) para ampliar sua liquidez e irrigar a economia real represem, com burocracia absurda, o recurso vital aos pequenos negócios. Neste caso, a ganância desmedida será responsável direta por desemprego, pobreza e miséria. Consequentemente, também por menor capacidade de lidar com a doença, causando mais sofrimento e mortes.

 

Eng. Murilo Pinheiro – Presidente

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Democracia é a única saída

Democracia quadradoVivemos certamente um dos momentos mais difíceis da nossa história, por uma série de motivos. O Brasil, que já enfrentava gravíssima crise econômica e política, vê-se agora no epicentro de uma pandemia que, oficialmente, até o momento matou aproximadamente 30 mil pessoas no País. A população, especialmente a mais pobre, sofre duplamente, pelo risco à saúde e pelas imensas dificuldades econômicas.


A divulgação dos dados relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2020, que registrou encolhimento de 1,5%, confirmou a expectativa geral pessimista. Sabe-se também que o pior está por vir, já que é a partir do segundo trimestre que a paralisação causada pela pandemia se fará sentir mais plenamente.


Não há escapatória: este é o cenário indiscutível o qual temos que enfrentar com coragem e seriedade. É preciso destinar recursos à saúde, à assistência social e à preservação de empregos para que possamos superar essa situação, minimizando perdas e com chances de buscar a recuperação assim que isso seja viável. Esse é o papel do Estado.


Temos, no âmbito do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), defendido medidas que possam contribuir com a melhoria desde já e no futuro, notadamente nos setores da indústria e da construção. Entre as propostas, apontamos a retomada das obras paralisadas, que foi inclusive cogitada pelo governo federal, e a reversão da indústria nacional para a produção de equipamentos médico-hospitalares. É necessário que essas e outras boas propostas sejam levadas em conta pelos dirigentes do País, tendo em vista nosso objetivo comum de superar os gigantescos e múltiplos obstáculos.


Contudo, absolutamente imprescindível é que, ao longo desse processo árduo e complexo, seja defendido e preservado o Estado democrático de Direito, fora do qual só existe a barbárie. Isso pressupõe respeito às regras e às instituições por todos: poderes públicos e sociedade civil. Lamentavelmente, ainda estamos distantes do Brasil que desejamos construir e que o seu povo merece: próspero e desenvolvido, justo e soberano, em que todos tenham condições dignas de vida, em paz e segurança, com acesso a saúde, educação, moradia, saneamento ambiental, cultura, esporte e lazer. No entanto, por mais que essa nação ideal pareça por vezes inalcançável, ela só existirá algum dia dentro da democracia.


Não há atalhos fora desse rumo, apenas desvios cujos destinos não nos servem como sociedade. Cabe a todos nós contribuirmos para que possamos seguir a vereda que nos leve ao bem-estar coletivo efetivo. Nesta hora de tensão, sejamos responsáveis, solidários e verdadeiramente democráticos.


Eng. Murilo Pinheiro

Agência Sindical

 

Dados recentes sobre a desindustrialização brasileira são alarmantes. A Junta Comercial de São Paulo divulgou levantamento mostrando que, no Estado, maior pátio industrial do País, 2.325 fábricas fecharam as portas entre janeiro e maio deste ano – pior registro em uma década e 12% mais alto que em 2018.

 

No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,2%, informa o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). No caso da indústria, o recuo foi ainda maior: 0,7%, e a construção civil teve queda de 2%, acumulando, 20 trimestres seguidos de retração. 

 

Neste cenário, o desemprego só cresce. São 28,4 milhões de pessoas subutilizadas – o recorde na série histórica, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), medida desde 1996, e 13,2 milhões de desempregados. 

O economista Ilmar Ferreira, do Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em São Paulo, diz que a situação confirma tendência de dois anos para cá. "A insistência em adotar medidas de flexibilização de direitos trabalhistas para impulsionar o crescimento vem se mostrando ineficaz trimestre após trimestre. No entanto, não há nenhum outro plano consistente anunciado para a área", afirma. 

 

Motor

O economista destaca que a indústria é o maior motor do desenvolvimento e amplia o dinamismo na economia. "Temos 10 milhões de trabalhadores na indústria, 63% de empregos formais. Os salários do setor são 10% mais elevados que em outros segmentos, como comércio e serviço. Isso potencializa o mercado consumidor".

 

Empregos

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, Josinaldo José de Barros (Cabeça), responsabiliza a inoperância do governo pelo avanço da desindustrialização. "Estamos preocupados com a geração de empregos no setor industrial. Não existe uma política econômica governamental para a retomada do investimento e do crescimento. Há muitas obras do governo paradas. O setor metalúrgico é um dos mais atingidos", diz.

 

 

Foto: Reprodução/ Agência Sindical
Fábrica de lustres AgênciaSindical240719

Fábrica de Lustres fechou as portas em São Paulo após 40 anos de atividade.

 

 

 

 

 

 

 

A instabilidade econômica afetou em cheio o bolso dos executivos. É o que revela recente levantamento realizado pela Michael Page, empresa de recrutamento especializado de profissionais de média e alta gerência, que faz parte do PageGroup. De acordo com o Estudo de Remuneração 2017 da companhia, oito em cada dez cargos analisados apresentaram remuneração estável ou em queda em relação ao mesmo estudo feito em 2015.

"O cenário para o executivo de média e alta gerência é um pouco diferente daquele verificado há dois anos, quando os funcionários ainda conseguiam negociar melhores ganhos. Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10 a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais", revela Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page.

13 de 15 setores estão com remunerações estáveis ou em queda
De acordo com o trabalho, a maioria dos setores pesquisados apresentaram mais cargos com manutenção ou perda da média salarial quando comparado com o levantamento anterior. Também foi feita a análise dos cargos por setor para entender o percentual de profissões atingidas pela remuneração estável ou a queda: Supply, Engenharia, Petróleo e Gás, Propriedade e Construção - 100%; Vendas, TI - 97%; Saúde - 92%; Marketing - 82%; Jurídico - 78%; Varejo - 73%; Seguros - 75%; RH - 64%; e Financeiro - 57%.

Engenharia e manufaturas
A área de engenharia é técnica e vem passando por diversas e importantes transformações. O mercado atual continua com uma carência de engenheiros especializados e com uma formação sólida para preencher posições no mercado de trabalho.

Os profissionais, em melhoria contínua, que são sempre desafiados a otimizar processos e trazer retornos, acabam ganhando destaque no cenário de crise brasileira. Com isso, notamos que profissionais com conhecimento técnico, especialização e certificações acabam levando vantagem na hora de arrumar um emprego no mercado atual.

"Ainda assim, com a formação analítica e ágil na linha de raciocínio, os engenheiros são requisitados para atender a posições relativas a vendas e planejamento estratégico, áreas que continuarão em alta para o ano que vem", diz Ricardo Basaglia.

Nessa área não foi registrado nenhum aumento na média salarial. Dos cargos que apresentaram queda, destaque para gerente de qualidade com atuação no setor químico e petroquímico em empresa de grande porte. Os vencimentos médios desse profissional recuaram 9%, saindo de R$ 17,5 mil em 2015 para R$ 16 mil neste ano.

 

Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Reprodução de informação da assessoria de imprensa da Michael Page

 

 

 

 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a julho de 2016, a população em idade de trabalhar no País é superior a 166 milhões de pessoas. Desse total, 102 milhões estão no mercado de trabalho – 90,5 milhões como ocupados e 11,8 milhões como desempregados.

No último ano, 1,5 milhão de pessoas entraram no mercado de trabalho (aumento de 1,5% a.a.), integrando o estoque de 11,8 milhões de desempregados, todos à espera de uma oportunidade ocupacional.

No último ano, o IBGE estima que o País eliminou 1,7 milhão de empregos, ou seja, fez o oposto do que era minimamente necessário para contratar quem chegou ao mercado de trabalho. Se de um lado chegaram 1,5 milhão de pessoas procurando emprego e outro 1,7 milhão foi demitido, o contingente de desempregados cresceu em 3,2 milhões, aumento impressionante de 37,4% em um ano.

Há sinais de que esta grave crise econômica e política pode ter vida longa. Com isso, pode haver ainda mais redução da demanda para a produção e aumento da capacidade ociosa das empresas. Levando em consideração que, quando há demanda, principalmente em cenário como este, as empresas tendem a usar o mecanismo de horas extras, a retomada do emprego torna-se uma possibilidade para um futuro longínquo.

Dos ocupados, 34,4 milhões são trabalhadores com Carteira de Trabalho assinada; 11,2 milhões, empregados no setor público (servidores públicos e militares); 10,2 milhões, assalariados sem Carteira de Trabalho assinada; 6,2 milhões, trabalhadores domésticos (95% mulheres e a maioria, negras); outros 22,6 milhões, trabalhadores autônomos ou por conta própria. Estimam-se em 3,8 milhões o número de empregadores e em 2,1 milhões os trabalhadores familiares.

O que se observa no último ano é a queda do contingente de assalariados sem Carteira (-3,9%) e do número de empregadores (-4,6%) e dos empregados no setor público (-2,1%). Cresce, do outro lado, em 2,4% o trabalho por conta própria e em 2,1% o emprego doméstico, trabalhos precários e informais.

Cerca de 11,6 milhões estão empregados no setor industrial, onde foi observada alta queda (-10,6%) no estoque de empregos em 2015 (-1,4 milhão de ocupações). Outro agrupamento de atividades que envolve serviços de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 9,7 milhões de pessoas ocupadas, teve redução de -9,8% no emprego (-1,1 milhão de empregos fechados).

O rendimento médio dos ocupados está em R$ 1.985,00 por mês e caiu -3,0% no último ano. Enquanto o rendimento médio mensal dos assalariados com Carteira assinada é de R$ 1.900,00, os sem Carteira recebem 1.205,00 e os trabalhadores domésticos, R$ 805,00 por mês. Os empregados no setor público recebem mensalmente, em média, R$ 3.159,00, e os empregadores, R$ 4.939,00. O trabalhador por conta própria ganha R$ 1.506,00.

Quando o movimento circular destrutivo da atividade econômica ganha dinâmica, o desemprego gera queda da renda do trabalho, que provoca queda do consumo, que causa queda da demanda para as empresas, que diminui o nível de atividade, que leva a demissões e arrocho salarial. O movimento circular perverso se fortalece, ampliando a recessão. Desemprego e salários em queda provocam diminuição da massa de salários que, no último ano, caiu cerca de 4,0% (redução de R$ 183 bilhões para R$ 175 bilhões por mês).

O mercado interno e a força de trabalho coletiva são grandes ativos da economia brasileira, sempre desvalorizada e criticada pelos neoliberais. Exatamente o contrário do que eles pensam e propõem, para que a demanda desse mercado interno seja pujante, é preciso empregar os trabalhadores, que receberão salários que animarão o consumo que, por sua vez, gerará demanda. Na crise, o animador fundamental e estratégico para reverter esse círculo destrutivo é o gasto do setor público, em investimentos em infraestrutura econômica e social ou com serviços públicos, pois todos se tornam demanda na veia das empresas, que geram empregos, que aumentam ainda mais a demanda e fazem a economia voltar a crescer.

 

 

* Clemente Ganz Lúcio é sociólogo e diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Artigo publicado, originalmente, no site da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

20/10/2015

Opinião - Crise?

Apenas os brasileiros com sua criatividade irresponsável sabem inventar a crise crônica e a conjuntura de um dia só, pontuando uma semana de vários dias D.

É o que estamos testemunhando: uma crise política exacerbada pela mídia e pelas pesquisas que se prolonga, sem solução, com reviravoltas estonteantes a todo o momento; as desorientações campeiam por todos os lados; barata-voa...

Em 1813, Antônio de Moraes e Silva, na boa edição de seu dicionário, o primeiro da língua brasileira, registrava a palavra crize (com z) em sua acepção médica como “mudança para melhor” e figuradamente como “o estado e circunstâncias arriscadas e perigosas em que alguém se acha”.

A atual crise brasileira oferece poucas condições de atender ao sentindo médico, mas é muito bem descrita no sentido figurado.

Parece que o horror sem fim vai pouco a pouco fulanizando a crise enquanto mascara as verdadeiras dificuldades.

Para mim é claro que, mesmo exagerada e deformada, existe crise política; no entanto, o quadro de recessão (que é real) não configura crise econômica e muito menos crise social.

Para os trabalhadores, exceto em uma ou outra manifestação induzida, a crise política tem preocupado muito menos que a recessão e o ajuste, que são vividos nas empresas com o crescimento das demissões e com as dificuldades reais para garantir o emprego e os reajustes de salários. Os trabalhadores estão apreensivos e esperam da direção sindical as orientações de resistência e a busca de soluções para seus verdadeiros problemas.

Nada lhes adiantaria “bater palmas para doido dançar” e se engolfarem no confuso torvelinho político que se lhes apresenta.

Muitos dirigentes já compreenderam isto e procuram mobilizar suas bases para obterem nas campanhas salariais em curso os melhores resultados possíveis. Não querem capitular e não querem turvar ainda mais as águas poluídas do Tietê político.

A resistência, a representação e a unidade de ação devem ser prioritárias; com elas se prepara, desde já, a possibilidade de retomada do crescimento econômico, derrotando o ajuste fiscal e a recessão e voltando-se às condições vantajosas da conjuntura dos últimos anos, sem os erros.

 

 

* João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

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