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João Guilherme Vargas Netto*

 

Em seus monumentais "Comentários à Legislação Sindical", recentemente publicados, o professor José Carlos Arouca, ao escrever sobre um novo sindicato – uma organização especial da classe trabalhadora considerada como um todo –, pergunta: “Então por que um quadro de associados? Melhor seria, por certo, um sindicato geral, de todos.”

 

No dia 19, falando em um seminário do Conselho de Entidades Sindicais de Piracicaba (Conespi), eu vislumbrei a possibilidade de concretização da utopia do Dr. Arouca.

Existem muitas experiências de intersindicais em municípios e regiões em todo o Brasil, mas o Conespi se diferencia, sob vários aspectos, de todas elas.

 

Pela abrangência, já que agrega todos os sindicatos da cidade pertencentes às mais diversas categorias ou a tal e qual central; pela duração e permanência ativa desde meados dos anos 1970 (lembranças do companheiro Villar), com mais de quatro de décadas de existência; e pela efetiva relevância na vida econômica, social e política da cidade e mesmo do Estado, tendo presença ativa nos conselhos municipais e na própria secretária estadual do trabalho (enquanto existiu).

 

A assembleia em que falei contou, para demonstração disso tudo, com a presença de mais de uma centena de dirigentes sindicais, homens e mulheres, da ativa e aposentados, dos setores público e privado, que ouviram também a análise econômica da conjuntura, feita pelo prefeito Barjas Negri, um reconhecimento por ele da importância do evento.

 

Demonstrou-se durante a reunião que o Conespi, além de reforçar a representação institucional das entidades (e até mesmo sua representatividade na Prefeitura e na Câmara dos Vereadores), organiza a ação mútua e articulada dos sindicatos para enfrentar os problemas do dia a dia (participação em greves, manifestações públicas, ajudas na comunicação) e já tem aspectos organizacionais comuns relevantes (direção, calendário, pauta).

 

Ao fim, a plenária aprovou um documento-síntese que colocou em foco a luta contra a "deforma" da Previdência, o fortalecimento da unidade interna para intervenção social e a luta para a garantia do aumento real do salário mínimo.

 

Ao falar para os dirigentes, percebi que nas dobras do futuro poderia estar – baseado na experiência do Conespi – um sindicato capaz efetivamente de enfrentar e superar a crise momentânea e grave do sindicalismo, um Sindicato dos Trabalhadores de Piracicaba.

 

O Dr. Arouca pode vir a ter razão...

 

 

 

 

 

 

Joao boneco atual 

 

 

 *consultor sindical

 

 

 

 

 

 

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